Terra Magazine

09.02.10

robôs: tornando a guerra “mais segura” para humanos?

srlm às 00:06

uma das coisas que está acontecendo em teatros de combate reais, enquanto nós estamos [aparentemente] ainda discutindo se compramos caças mais caros ou baratos, é o aumento de robôs nos campos de batalha. VANTs, ou veículos aéreos não tripulados, de observação ou armados, são elementos essenciais da estratégia das forças da OTAN no remoto afeganistão.

a literatura sobre robôs completamente autônomos é vasta. veja um resumo da ópera e links para mais dois textos deste blog bem aqui. e a BBC acaba de produzir um bom texto, com a palavra de especialistas e fabricantes, sobre robôs no campo de batalha, começando com uma pergunta muito complexa:

Can war be fought by lots of well-behaved machines, making it "safer for humans"?

em bom português, dá pra guerrear usando um monte de máquinas bem comportadas, tornando a luta armada mais segura para os humanos? segundo a reportagem da BBC…

That is the seductive vision, and hope, of those manufacturing and researching the future of military robotics.

…esta é a sedutora visão e esperança daqueles que estão pesquisando e fabricando robôs militares.

este blog discutiu o assunto longamente em julho do ano passado, neste link. em particular, relatamos um um seminário em asilomar, califórnia, onde alguns dos principais especialistas em inteligência artificial do planeta concluiram que

robots that can kill autonomously are either already here or will be soon…

já existem ou existirão, muito em breve, robôs que capazes matar de forma autônoma. em português bem claro, estamos falando de máquinas capazes de selecionar um alvo que atenda seus objetivos [supostamente definidos por humanos] e eliminá-lo, sem que para isso seja preciso intervenção humana.

pra ver as consequências de tais possibilidades, sugiro que você volte no tempo e leia este texo, do blog, sobre robôs militares.

image até porque as coisas podem ficar completamente fora de controle com sistemas autônomos do tipo EATR, iniciais para energetically autonomous tactical robot, pronunciado como “eater”, traduzido como “devorador” e mostrado no esquema acima. EATR é um robô da RTI financiado pelo pentágono, que literalmente come “biomassa” para usar como fonte de energia. segundo a página da RTI

The system obtains its energy by foraging – engaging in biologically-inspired, organism-like, energy-harvesting behavior which is the equivalent of eating. It can find, ingest, and extract energy from biomass in the environment (and other organically-based energy sources), as well as use conventional and alternative fuels (such as gasoline, heavy fuel, kerosene, diesel, propane, coal, cooking oil, and solar) when suitable.

ou seja, a coisa come como se fosse um organismo vivo. a RTI garante que o EATR é “vegetariano”… mas seu inventor, robert finkelstein, disse à BBC que ele consumiria "organic material but mostly vegetarian", o que quer dizer outra coisa: material orgânico, a maior parte do qual vegetariano. a verdadeira prova dos nove é você, leitor [eu me conto fora desta], ficar por perto pra ver se EATR se controla perto de “biomassa” ou não passa de um pitbull mecatrônico.

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pelo que se vê, sabe e se imagina, a corrida dos robôs de guerra só está começando. nas democracias que vivem em armas, como EUA e reino unido, o custo político de soldados voltando pra casa em caixões é muito alto e a alternativa “não tripulada”, autônoma ou não, é o sonho de quem quer lutar uma guerra [na sua opinião] “limpa”. veja este depoimento, também à BBC, de mark jenkins, piloto da RAF que combate na região do afeganistão: .

"I’ve got a 45-minute drive home. And then by the time I’m home, I’m kind of straight into family life."

jenkins é piloto de VANT e luta de uma base em nevada, a 13.000km de onde seu avião está. cumprida a missão, ele dirige 45 minutos de volta à sua residência e, nas suas próprias palavras, uma vez em casa, volta direto e todo dia para a vida em família.

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isso é que é guerra segura. pra ele, jenkins, e seus colegas, como o que está no sistema de controle remoto da imagem acima. para os civis afegãos e paquistaneses que vez por outra viram alvo dos VANTs da OTAN, a guerra é um verdadeiro inferno. segundo fontes bem informadas, entre um quarto e um terço dos mortos por VANTs na ásia central são civis. eu adicionaria um “por baixo” a estas proporções. o número real de mortos civis pode ser bem maior. e quanto a uma guerra segura, pra quem e por quanto tempo… bem, pense e tire suas próprias conclusões.

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05.02.10

um palácio tuitando para o mundo

srlm às 01:24

aqui em pernambuco há uma estação de rádio antiga, a jornal do commércio [no ar desde julho de 1948] cujo slogan inicial, usado por muito tempo, era “pernambuco falando para o mundo”. isso só se tornou verdadeiro mesmo quando a rádio JC entrou na rede, primeira na américa latina a fazê-lo. mas o que importava, antes, era a impressão de se estava, mesmo, falando para o mundo.

muda o contexto, estamos em brasília. ao invés de rádio, uma reunião no planalto, presentes dois dos homens mais poderosos do país: o presidente da república e seu ministro de planejamento. o assunto é um dos mais importantes dos próximos muitos anos, um plano de inclusão digital [desta vez denominado plano nacional de banda larga, ou PNBL] que pode, se for levado a cabo, resultar em 14 ou mais bilhões de reais de investimento. no contexto, o papel da [nova] telebrás e dos restos da eletronet, fracassada operação de backbone sobre a infraestrutura do sistema de transmissão de energia.

há mais gente na sala e um dos presentes, segundo o ministro paulo bernardo, é autorizado a “tuitar” a reunião. trata-se de marcelo branco, da associação software livre.org. pelo que consta, marcelo pediu, foi liberado, e pela primeira vez lá estava o palácio tuitando uma reunião presidencial para o mundo. não acho que coisa semelhante tenha ocorrido antes em qualquer outro país.

mas até aí tudo bem; poderia ser apenas mais uma conversa informal do presidente com visitantes. mas um dos tweets tinha a voz do dono e estava destinado a ser bem mais do que 140 caracteres na grande mesa de bar que é o twitter

#pnbl Lula: "depois de muito trabalho conseguimos conquistar de novo a ELETRONET"… "queremos fazer a TELEBRÁS voltar a funcionar"

a consequência aparente deste pequeno texto foi uma movimentação bem acima da média das ações da telebrás, empresa listada na bovespa e que está sujeita a regras específicas de funcionamento em função disso. o anúncio presidencial de que se resolveu o contencioso da eletronet e que a telebrás vai funcionar, com responsabilidades e faturamento muito grandes tinha que ter algum efeito colateral, só não se sabia o quanto.

isso tem grandes implicações, queiramos ou não. porque o mercado de ações tem regras, que devem ser obedecidas sem exceção, senão vira bagunça, com gente que tem informação privilegiada manipulando negócios. dois dias depois da reunião, o governo veio a campo na voz de cezar alvarez, para dizer que não é nada disso que foi tuitado e que, apesar das preferências pela reconstituição de uma grande telebrás, as regras da bovespa têm que ser e serão cumpridas na íntegra.

resultado do imbroglio? difícil de imaginar, principalmente quando se leva em conta que o brasil não é um país tão formal como inglaterra ou alemanha. mesmo assim, será que vai ser permitido [daqui pra frente] tuitar reuniões com o presidente? se sim, que reuniões? e quem julgará –em tempo- o que pode ser dito para o mundo ou não, durante o evento? porque twitter é parte da statusfera, a web em tempo real, aquela que rola na hora, que nem caldo de cana.

desde que o mundo é mundo que a palavra de presidentes de república  e outros poderosos passa por assessorias especializadas [e não só pela de imprensa] antes de ser comunicada, em tempo apropriado, em coletivas para as quais toda a mídia é convidada. isso é feito justamente para que se considere o que pode ser dito publicamente, evitando consequências como as desta semana. uma ou mais pessoas tuitando uma reunião [presidencial] dá à conversa ares de entrevista e, considerando o papel de mídias sociais como twitter [por onde chegam, hoje, os links para a maior parte da informação que consumo], o impacto pode ser bem maior, dependendo do assunto, do que uma coletiva.

daí o cuidado que se deve ter… não ao liberar informação pelo twitter, o que pode ser absolutamente normal na quase totalidade dos casos, mas ao se decidir “transmitir” reuniões importantes em tempo real, sem qualquer crivo editorial. pode ser muito bom mas, por outro lado, pode gerar um auê de todo tamanho.

não dá pra saber se a reunião do PNBL foi apenas a primeira de uma série que será “transmitida” ao vivo e a cores por quem estiver presente. a julgar pelas palavras de alvarez, não. até porque ninguém pensava, enquanto as coisas aconteciam, que o presidente falaria o que falou, que havia gente ouvindo e que a especulação tomaria conta da bolsa no dia seguinte. e este não é o único –nem pior- cenário em que efeitos colaterais adversos podem ocorrer.

por causa disso, é improvável que ministros como paulo bernardo [veja o twitter dele aqui] tomem notas de uma reunião de gabinete, daquelas de cortes no orçamento, no seu twitter. mas no dia seguinte ao incidente do PNBL, o ministro dizia que…

Na reuniao sobre o PNBL foi solicitado e autorizado a liberacao do uso de celulares e laptops para postar informacoes, inclusive fotos.

…exatamente como acima, sem qualquer acento. então foi.

uma coisa é certa: o poder de multiplicação do twitter é imenso e pode atingir milhões de pessoas em alguns minutos; se alguém como marcelo tas estivesse ligado, seguindo e replicando o assunto na hora, só ele chegaria a mais de 500.000 seguidores. uma rede social em tempo real, como o twitter, além de transformar audiência em comunidade [como não poderia deixar de ser] é capaz de criar efeitos flash mob, de mobilizações relâmpago ao redor de um tema, causa, discussão, o que for.

estas mobilizações podem durar semanas, como foi o caso das eleições iranianas, mas na maioria dos casos parecem durar apenas umas poucas horas. daí o “flash”, como parece ser o caso do PNBL. que é como será, caso a CVM resolva deixar o incidente prá lá, como um flash. mas, se a comissão investigar o assunto, não poderá deixar de emitir um aviso de que casos de “tuitorréia” [veja cartoon abaixo] envolvendo empresas listadas não serão tolerados… pelo menos até que se mude as leis e regras e/ou o tempo e informação deixem de ser importantes nos mercados.

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04.02.10

inovação e competitividade [1]

srlm às 03:06

nos últimos trinta anos, o PIB real per capita americano aumentou 75%, o que pode ser atribuído a ganhos de produtividade resultantes, em boa parte, de esforços e efeitos de inovação. palavras do departamento de comércio dos EUA, que começou há dois anos um projeto nacional para medir as componentes de inovação [e seus resultados] nos diversos setores da economia para, a partir daí, desenvolver estratégias de fomento para [ainda] mais inovação onde ela já existe e inovação onde ainda não há.

inovação foi a “buzzword” da década passada. tudo é supostamente inovador, de ônibus e seus pontos a protetores de respingo de urinol. o problema de algo tão supostamente universal é que o desejo [e o marketing] de ser inovador é, na verdade, bem maior do que a inovação propriamente dita. até porque inovação é algo muito difícil de definir exatamente.

uma das minhas definições prediletas é que inovar é emitir mais e melhores notas fiscais. aumentar o faturamento e, ao mesmo tempo, as margens, fazendo os dois dentro da lei [daí as notas fiscais]. como fazer isso é outra história. e esta não é a única definição de inovação, claro, mas é uma daquelas que se presta a ser medida, na prática, em qualquer economia.

do outro lado do mundo, a china se tornou a fábrica do planeta nos últimos trinta anos e se prepara para fazer mais, nem sempre dentro dos princípios de comércio aberto que se pensava serem o principal efeito da globalização. menos ainda dentro do que por aqui nós costumamos chamar de “lei”.

no momento, o governo chinês está estabelecendo regras que darão prioridade, nas compras governamentais, a produtos cuja propriedade intelectual seja desenvolvida na china e que pertençam a empresas chinesas. como a china está para se tornar a segunda maior economia do planeta, os efeitos de tal decisão podem ser muito importantes para o resto do mundo.

a decisão chinesa não é original; uma versão menos inteligente dela já rolou por aqui em passado remoto. na reserva de mercado de informática, fizemos algo similar. não igual, mas similar. a ideia geral, na época, foi estabelecer uma reserva do mercado brasileiro para produtos fabricados no brasil, esperando que produção nacional em substituição às importações levasse primeiro à melhoria dos produtos locais e, lá na frente, a produtos nacionais globalmente competitivos. a experiência deu, como sabemos, errado.

a china está fazendo diferente: tendo primeiro se tornado competitiva no mercado internacional de fabricação de basicamente qualquer coisa, agora quer controlar seu gigantesco mercado interno para produtos que não sejam criados ou fabricados na china. a situação é discutível e conflituosa, com muitas empresas americanas de tecnologia fazendo lobby no congresso para que governo obama aumente a pressão em prol do livre comércio.

as chances de progresso são baixas. na última vez que o atual presidente americano [e ex-salvador do mundo] se encontrou com o premiê chinês, que manda em boa parte do mundo e em parcela considerável da dívida americana, todas as respostas a seus pedidos foram um singelo não.

até aqui, você leu a abertura desta série, que poderá ser estender por muitos artigos espalhados pelo linha do tempo deste blog. a pergunta que vamos tentar fazer [responder, nem pensar] é: no setor de informática, que políticas e estratégias deveria ter o brasil para ser mais competitivo?…

o pano de fundo já vem sendo discutido no blog há tempos, ao falarmos das indústrias nacionais de hardware, software  e serviços intensivos em TICs.

image retomando uma conversa antiga, acaba de sair o resultado da balança comercial de eletro-eletrônicos para 2009: exportamos US$7.5B e importamos US$25B, deixando um rombo de US$17.5B.

para 2010, a previsão é de que as exportações continuarão na mesma, enquanto as importações [para acompanhar o crescimento do mercado interno] crescerão para US$27B, o que deve deixar um saldo negativo de US$19.5B. se o ano for “bom”, ou seja, se a economia crescer mais do que o esperado, podem apostar num déficit de mais de US$22B, que foi o número de 2008. é esperar pra ver.

agora pense: se reservar mercado e esperar por inovação pra se tornar competitivo não deu certo antes, aqui [daria, agora?], se o brasil não tem uma indústria de TICs competitiva o suficiente [como a china, em hardware ou a índia, em software] para decretar uma reserva parcial baseada em compras governamentais sem incorrer em custos adicionais significativos… se, ao mesmo tempo, não estamos começando do zero e há, aqui, grandes fabricantes nacionais e internacionais de hardware e software, o que temos que fazer para criar uma indústria nacional internacionalmente competitiva em TICs?…

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02.02.10

STJ: estelionato via internet dá prisão preventiva

srlm às 06:01

o superior tribunal de justiça demostrou cabalmente, nesta segunda, que não é necessária nenhuma legislação especial sobre a internet para que se trate crimes cometidos na rede, como queria o senador azeredo mas, pelo que parece, a câmara não vai aprovar.

o caso era de estelionato, envolvendo gente acusada de criar lojas eletrônicas fictícias, fazer vendas fantasmas, capturar dinheiro real de incautos e não entregar os bens “adquiridos”. o golpe é antigo, mesmo na rede, mas desta vez houve uma decretação de prisão preventiva, coisa que só ocorre, no estado de direito, quando o acusado pode atrapalhar o andamento das investigações ou há chances reais de continuar cometendo o crime se não sofrer uma restrição de liberdade.

o presidente do STJ, ministro cesar rocha, negou um pedido de liminar e manteve na cadeia o suposto líder do grupo, justificando a sua decisão em função dos evidentes indícios de autoria e materialidade, ousadia e forma de prática do delito, além da habitualidade da conduta. o presidente do STJ acrescentou que

“Não obstante o crime capitulado – Estelionato – seja sem o emprego da violência física, é inegável seu reflexo negativo perante a ordem pública, pois atingiu direta e indiretamente diversas pessoas que tiveram seus bens jurídicos lesados, mediante engodo premeditado”…

salientando ainda que

…“a preservação da ordem pública não se restringe às medidas preventivas da irrupção de conflitos e tumultos, mas abrange também a promoção daquelas providências de resguardo à integridade das instituições, à sua credibilidade social e ao aumento da confiança da população nos mecanismos oficiais de repressão às diversas formas de delinquência”.

da pouca altura dos meus conhecimentos de direito e jurisprudência, quero entender que o ministro cesar rocha está anunciando o seguinte: ao por em risco a credibilidade a internet e da web como instituições [no caso, de comércio eletrônico] de forma habitual e sistematizada, os supostos criminosos afetaram toda a sociedade, aí incluindo os mecanismos de repressão à delinquência, razão pela qual perderam o direito de aguardar, em liberdade, o julgamento de um crime cometido sem violência física.

taí, ipsi dixit, falou o STJ. de um lado, ouça quem acha, ou achava, que crimes na internet eram uma coisa “menor”. não, não são. de outro, preste atenção a câmara federal, a cargo de quem está o futuro do projeto de lei do senador azeredo: é muito provável, quase certo, que a legislação já existente dê conta de todos os crimes cometidos com o auxílio da rede. se um ou outro escapar, tratemos deste ou daquele, sem contaminar toda a rede, e todos os comportamentos na web, com uma legislação tão pouco inteligente como o projeto do senador.

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30.01.10

2009: o tamanho da rede

srlm às 03:00

a internet e a web estão aí há tempos mas seus números não deixam de impressionar. vai ser assim ainda por alguns anos, até que todos nós estejamos na rede e os números passem a parecer normais [mesmo que não sejam].

quer ver, olhando só pra emeio? em 2009, foram enviados buzilhões de emeios [na verdade, noventa trilhões] e quase todos eram SPAM. como assim, quase todos? assim: a média de spam do ano inteiro foi 81% e a do fim do ano chegou a 92%. ou seja, se eu e você estamos na média, pelo menos oito em cada dez emeios que recebemos em 2009 eram alguma forma de spam.

eu uso um filtro muito bom mas mesmo assim tenho que deletar à mão um monte de mensagens: uma que propõe um aumento dos meus seios [!] outra, uma extensão do pênis, uma terceira quer me vender um treinamento sobre planilhas excel, mais uma que vem da máfia nigeriana [putz!], outra tenta me cooptar pra mandar ainda mais spam [vendendo uma lista de endereços…], a quinta quer me fazer comprar comprimidos azuis [enviados do leste europeu], a sexta tem uma forma revolucionária de emagrecer… e por aí vai.

danado é que qualquer filtro, por melhor que seja, sempre detona um bom número de mensagens legítimas, aumentando o trabalho de quem fica a peneirar na caixa de spam o que foi excluído da lista de mensagens legítimas, atrás de alguma coisa de interesse. do lado oposto dos filtros, que são máquinas virtuais, estão as máquinas que mandam spam e que também são usadas para invadir outras máquinas.

o número de zumbis, máquinas dominadas por algum invasor sem que seu dono faça a menor idéia, aumentou à razão de quase 150.000 novos computadores por dia. faça as contas: a cada hora, a galera do mal se apropria de mais de 6.000 computadores pra atanazar eu e você.

por isso é que há quem [incluindo o wall street journal] diga que emeio está morto como mecanismo de comunicação. sei não; ainda não está, mas parece estar bem perto, a continuar assim. e até porque as redes sociais estão assumindo, rapidamente, o papel de principal interface de interação entre pessoas.

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resumo da ópera: por dia, em 2009, rolaram 247 bilhões de emeios no planeta, envolvendo mais de 1.4 bilhões de endereços; mais de 200 bilhões era spam, em média, número que cresceu 24% em relação a 2008.

estes dados fazem parte de um apanhado de royal.pingdom sobre o tamanho da internet, usando dados de várias fontes; vá lá ver. nem tudo é coerente, porque os mecanismos de medida e avaliação variam entre as diversas fontes. mas o todo dá uma idéia razoável do que é a rede, hoje, com mais de 1.7 bilhões de pessoas [só 10% na américa latina e caribe], 234 milhões de sites, 187 milhões de domínios [ache um nome livre, se puder…], 126 milhões de blogs e quase 30 milhões de tweets todo santo dia.

pra ir direto às fontes dos dados mencionados neste texto [e muito mais], clique nos links abaixo, cortesia de royal.pingdom:

Website and web server stats from Netcraft. Domain name stats from Verisign and Webhosting.info. Internet user stats from Internet World Stats. Web browser stats from Net Applications. Email stats from Radicati Group. Spam stats from McAfee. Malware stats from Symantec (and here) and McAfee. Online video stats from Comscore, Sysomos and YouTube. Photo stats from Flickr and Facebook. Social media stats from BlogPulse, Pingdom (here and here), Twittercounter, Facebook and GigaOm.

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28.01.10

carnaval: HOJE tem guaimum!…

Tags:, - srlm às 18:26

depois do eu acho é pouco ter aberto a temporada 2010 de carnaval no planeta, um evento magistral [e de cerveja sempre gelada] que rolou sábado passado em olinda, o guaiamum treloso vai abrir nesta sexta o carnaval de recife, com um mega show de china, titãs, lula queiroga, maria gadú, preto velho e tereza cristina, no poço da panela. se você está por aqui, não perca. se não está, venha, ainda há vagas nos aviões, hotéis, casas de amigos e parentes, acampamentos… e por aqui [ainda] não está chovendo tanto como em são paulo.

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o guaiamum também faz uma festa para petizes no sítio donino [mesmo lugar da festa de gente grande do dia 29] às 16h do dia 31, o trelosinho, com animação da palavra cantada. e o bloco sai [ou não sai, depende] da igreja do poço aí pela mesma hora do domingo. coisas pra não perder de jeito nenhum. evoé!

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26.01.10

nova síndrome: estupidez parcial contínua

srlm às 00:25

tempos atrás, linda stone criou a expressão atenção parcial contínua [CPA] para descrever o processo de estarmos, o tempo inteiro, dedicando parte de nossa atenção a um monte de coisas. isso não é o mesmo que fazer um monte de coisas ao mesmo tempo, por sinal; veja a diferença neste link.

isso não começou a acontecer por causa da internet, mas parece ser um comportamento essencial dos humanos e outros animais. pelo menos dos que sobreviveram, como espécie, aos seus predadores. se todas as zebras se concentrassem apenas no capim, nunca veriam o leão [a leoa] chegando e o resultado seria sempre fatal. idem para os humanos primordiais, caçando na floresta: um olho na caça, o outro na cobra, no escorpião, onça, etc.

há quem pense, por outro lado, que a quantidade e intensidade de atenção parcial contínua que estamos dando à periferia dos nossos interesses, especialmente aos fluxos de informação mediados pela rede [e, mais ainda, pela rede móvel] está criando um novo tipo de síndrome [!], a estupidez parcial contínua [ou CPS]. ao nos concentramos tanto no virtual-digital-móvel, estaríamos perdemos o senso para o mundo concreto que nos rodeia e, quase sempre, entrando em conflito com [partes d]ele. será?

exemplos não faltam: não lembramos mais de números de telefones [porque temos agendas nos celulares], não lembramos das senhas dos cartões [porque temos muitos e não anotamos na agenda…], colidimos com postes enquanto enviamos SMS, a ponto de londres estar experimentando acolchoar postes pra evitar que as pessoas se machuquem…

e isso sem falar de coisas muito mais sérias, dos “reply all” que causam confusões monumentais em grupos e empresas, até gente que morre e atropela e mata outros porque está usando o celular para enviar mensagens [ou colado no GPS] enquanto dirige.

o limite, até agora, parece ter sido estabelecido no começo de 2009 por um motorista de caminhão que matou uma família de seis pessoas na M6 inglesa: as evidências são de que ele estava usando um laptop e fazia pelo menos um minuto que prestava atenção parcial contínua, só que à estrada. o acidente chocou o país e pode ter sido um alarme para evitar situações ainda mais graves.

não custa nada lembrar que em breve teremos internet e celulares em todos os aviões mesmo aqui no brasil; espera-se que os pilotos, pelo menos, estejam prestando atenção –contínua- às coisas certas…

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