Terra Magazine

05.11.09

informaticidade: brasil investe em data centers

srlm às 17:10

quase tudo o que existe, na economia [pelo menos], está sendo informatizado. montanhas de software e hardware são parte essencial da infraestrutura capaz de fazer com que apenas um dos grandes bancos [brasileiros] chegue a tratar até trezentos milhões de transações por dia.

pra entender o significado de “montanha”, um dos pisos do data center [centro computacional] que a microsoft está abrindo em des moines, perto de chicago, EUA, tem 56 containers, cada um com algo entre 1.800 e 2.500 servidores. arredondando, são 100.000 servidores. e isso num dos pisos. a instalação inteira tem perto de setenta mil metros quadrados e, quando estiver completamente funcional, terá entre trezentos e quinhentos mil servidores. abaixo, a imagem do interior de um dos containers instalados no centro computacional.

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para ter uma idéia da complexidade do projeto, construção e operação de um centro computacional deste porte, vá ler este link, onde a microsoft explica a estratégia de centros computacionais da empresa. e onde há diagramas como o mostrado abaixo, explicitando a idéia de instalações modulares, onde se pode inserir e retirar containers sob demanda, para atender picos e vales de utilização à medida em que aconteçam.

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centros como estes serão o suporte para o que todo mundo está chamando de “nuvem” computacional. na microsoft, quer dizer rodar [pelo menos parcialmente] “na rede” tudo o que a empresa já faz no seu desktop e serviços como MSN [que já estão na rede de uma forma ou de outra], mais dar suporte ao sistema operacional “em rede” azure, que se quer tornar, a partir de 2010, uma base para o desenvolvimento de aplicações windows “na nuvem”, ou seja, que são desenvolvidas para rodar distribuídas na internet, de forma escalável.

azure, para a microsoft, será o que AWS já é para a amazon, que já tem um número muito grande de aplicações rodando sobre sua plataforma [inclusive twitter]. dia destes eu dei uma palestra sobre este assunto, na UPE, em caruaru, e os slides estão neste link. tá cheio de imagens e conceitos lá, talvez valha a pena dar uma olhada. e há um ano, mais ou menos, este blog publicou um texto sobre informaticidade que citava a construção da instalação de des moines; à época, se estimava que a coisa poderia suportar até um milhão de servidores.

o conceito de informaticidade é muito simples: trata-se, ou tratar-se-á, quando houver de vera e amplamente, de informática provida [do ponto de vista do usuário] de forma tão simples quanto [hoje é o caso de] eletricidade:

os computadores e seu uso nos negócios foram inovações radicais do século XX, mudando o mundo e criando possibilidades que, processando dados à mão, eram impensáveis. mas toda inovação é incompleta, imperfeita e impermanente, e sempre chega, de novo, a hora de inovar. não que informática tenha se tornado commodity e qualquer um, em qualquer lugar, possa provê-la. mas, lá atrás, energia se tornou eletricidade, disponível na tomada, e não queremos saber como nos chega. usamos, pagamos e pronto.

da mesma forma, processamento de informação vira informaticidade: interfaces especificadas e entendidas, escondendo funções e procedimentos que queremos, sim, saber o que fazem. suas propriedades são mais complexas do que os fluxos de corrente [da “energia elétrica”] que produzem calor, luz e movimento.  mas, uma vez a par dos significados por trás das interfaces e tendo acesso remoto, confiável, de alta performance e barato, não precisamos, para usar tal informaticidade, de departamentos de tecnologia do lado de cá da rede.

e isso é uma boa notícia para todos. primeiro, para o pessoal “de tecnologia”, que vai trabalhar onde os problemas “tecnológicos” estão, e onde é mais interessante e divertido estar: lugares como amazon s3 [armazenamento online], netvibes.com [ecologia de informação] e salesforce.com [cadeia de valor de processos de automação de negócios]. todos são exemplos de informaticidade, atrás do conector, sem que o usuário pense em segurança, performance, updates, backup… problemas lá do pessoal “de tecnologia”.

uma boa notícia é que tudo o que nós usamos como infraestrutura de informação vai, mais cedo ou trade, migrar pra “nuvem”. e outra boa notícia é que, também no brasil, um número de empresas está investindo no estabelecimento de centros computacionais para provimento de serviços de informaticidade. reportagem do valor de ontem identifica mais de R$500 milhões sendo investidos em centros computacionais em apenas quatro projetos, e dá conta de que já há dificuldade de se encontrar terrenos, nas principais cidades, para instalação de tais centros. isso é de mais de uma forma, um bom problema para gestores públicos e privados.

segundo a reportagem, pesquisa da itData com mil empresas de médio e grande portes revela que 39% delas já terceirizam total ou parcialmente seus centros de dados e, segundo a IDC, com o mercado aquecido, é um grande desafio para as empresas encontrarem locais financeiramente atrativos e que atendam a todos os requisitos de infraestrutura.

os tais requisitos passam por disponibilidade e qualidade das infraestruturas de comunicação, elétrica e água, além de acesso.  como os centros vão se “descentralizar”, inclusive pela necessidade de replicar serviços para obter maior confiabilidade, taí uma boa oportunidade para cidades que ainda não estão muito bem no mapa digital do país se tornarem, com o tempo, endereço dos centros computacionais da “nuvem” brasileira.

abaixo, mais uma foto do centro de des moines; para manter os sistemas em temperatura de operação, há cerca de doze quilômetros de tubos de água gelada. informaticidade, do lado de lá da tomada, é isso aí.

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03.11.09

telco: plataforma; voz? API.

srlm às 01:09

em algum lugar do passado, junto com telégrafo, telex e radioamadores, havia um tipo de companhia conhecido como “telefônica”. e as companhias telefônicas faziam, bem ou mal, o que dizia o nome: conectavam pessoas, quando era possível, através do telefone. e o faziam transportando voz entre um ponto e outro. isso, como já dissemos, se tudo desse certo. meu pai, há quatro, cinco décadas, cansou de esperar dois, três dias por uma “ligação”. só não era pior porque, na época, era um grande avanço sobre, por exemplo, os mecanismos de comunicação associados aos códigos morse e baudot.

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desde que samuel morse criou o código da tabela acima, há mais de 160 anos, aconteceu muita coisa. inclusive a invenção do telephone [com “ph”, também no brasil, à época] por alexander graham bell ao redor de 1875: bell estava tentando criar um “telégrafo falante” e acabou montando o sistema de conhecimento e negócios [na época, sem que ele soubesse, uma “cadeia de valor”] que originou, até 1904, mais de seis mil compahias “telefônicas” só nos estados unidos.

pense num negócio que foi muito bom, por muito tempo. mas transportar voz, como negócio, só resiste graças ao monopólio das operadoras e à indisposição dos governos para promover banda larga universal. veja os gráficos abaixo: à esquerda, o custo de uma ligação de três minutos entre londres e nova iorque; à direita, a penetração de internet em algumas regiões e no mundo.

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em 1930, três minutos entre londres e nova iorque custavam cerca de US$300, a dinheiro de hoje; a mesma ligação, hoje, se ainda feita por telefone, sai por US$0.20. usando voz sobre IP, podemos assumir, para todos os efeitos, que é um pouco acima de zero. mas só um pouco.

isso significa que voz e as “telefônicas” vão acabar? a velha voz e as velhas telefônicas, sim. e já não era sem tempo. afinal, estão aí há mais de 100 anos. que outra indústria ou serviço, pense, existe há tanto tempo, fazendo a mesma coisa, do mesmo jeito?… não são muitas.

mas há uma nova “telefônica” surgindo. ouça alec saunders, da iotum, mudando a conversa…

Let’s instead change the conversation –- acknowledge that the carrier network is a platform, and that the carrier has a need for an application community, and begin the dialog between network partners and developers about the ability for those operators to help us get to market.

… e urgindo as teles a reconhecerem que são plataformas e, como todas as plataformas, precisam de uma comunidade de desenvolvedores [assim como salesforce, facebook, amazon aws e twitter, entre tantos], para que seja possível um diálogo construtivo entre quem tem rede e que sabe e pode desenvolver aplicações sobre sua plataforma, para que clientes e usuários tenham produtos e serviços, no mercado, a seu dispor.

fácil de dizer. mas muito difícil de fazer. do outro lado da linha, literalmente, entrincheiram-se monopólios guiados por gestores mais afeitos a cortes e margens do que adeptos de desenvolvimento e risco. 

mesmo assim, cambaleando, a coisa começa a mudar. veja o exemplo de ribbit, startup comprado pela BT por US$100+M há pouco mais de um ano, cujo CEO acaba de ser nomeado para liderar a galera de tecnologia do negócio BT VOICE. ribbit trata voz como mais uma API, como mais uma interface de programação. os exemplos mais comuns são ribbit+salesforce [fazendo seu software ou plataforma de relacionamento “falarem”] e ribbit+oracle.

 

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quando se considera a arquitetura “para voz” proposta por ribbit é que se entende porque o operador inglês comprou o startup californiano de, como eles dizem “telefonia programável”. na figura abaixo, a rede telefônica clássica é apenas a caixinha PSTN lá embaixo, à esquerda. o resto tem a ver com novas formas de processar, armazenar, recuperar e distribuir voz sobre a rede, voz e rede sendo programáveis pela comunidade.

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a BT está se movendo. a maioria das outras operadoras, não. para as que ficarem paradas, deve sobrar o papel de, cedo ou tarde, se verem apenas como fornecedores de uma facilidade de comunicação básica, comoditizada, à qual muitos outros estarão agregando valor.

aqui na periferia, o risco é ainda maior. estamos acostumados a só ter, nestes confins, parte do que tem o mundo, muito tempo depois e bem mais caro. mas a infraestrutura de redes de computação, comunicação e controle [ou “informaticidade”, veja o porque do nome aqui] é parte essencial da base para o desenvolvimento econômico, social e humano, como mostra a discussão em torno do plano nacional de banda larga.

e não se pode pensar, depois de perdermos tanto tempo sem fazer nada sobre informaticidade, de verdade, no brasil, ter como próximo passo apenas o estabelecimento de canais de dados cobrindo uma boa parte do território nacional. temos que ir mais longe, mais rápido: temos que passar a tratar as redes das operadoras como plataformas abertas e programáveis [por um preço, claro] e a infraestrutura secular de voz, renovada, não mais como “telefonia”, e sim como uma interface de programação para variadas famílias de serviços e produtos.

ou então esperar mais uma década ou mais para que coisas como ribbit apareçam por aqui, quando vai ser tarde demais para agregarmos valor em mercados similares ou mesmo fazer uso da tecnologia para aumentar, de forma sigificativa, a competitividade das nossas empresas e economia.

é tudo uma questão de fazer escolhas. e de entender, antes, quais são as alternativas. o resto é perda de tempo. talvez ao telefone…

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31.10.09

tempo de twitinovação

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com a palavra, evan williams, CEO de twitter, talvez o negócio mais inusitado, improvável, querido e, quem sabe, do ponto de vista de retorno sobre investimento… entre os mais lucrativos do futuro próximo:

"Most companies or services on the Web start with wrong assumptions about what they are and what they’re for. Twitter struck an interesting balance of flexibility and malleability that allowed users to invent uses for it that weren’t anticipated."

…a maioria das companhias e serviços na web parte de pressupostos falsos sobre o que são e pra que servem. twitter atingiu um equilíbrio interessante entre flexibilidade e maleabilidade que permite inventar usos [do site, sistema] que não haviam sido antecipados.

agora ouça o que diz eric von hippel, autor de democratizing innovation, ninguém menos do que o líder do grupo de inovação e empreendedorismo da sloan school of management do MIT…

“Twitter’s smart enough, or lucky enough, to say, ‘Gee, let’s not try to compete with our users in designing this stuff, let’s outsource design to them’ ”…

…twitter é inteligente ou sortudo [ou esperto] o suficiente para dizer… “peraí, não vamos competir com nossos usuários no desenho deste negócio, vamos deixar que eles o façam, vamos terceirizar nossa inovação para nossa comunidade”.

image resumo? inove com seu público, seus usuários e clientes. mais: permita, crie espaços, entradas, infraestruturas para que sua comunidade se torne o motor de inovação do negócio. ela é parte essencial de sua empresa e cadeia de valor e sabe, ou vai descobrir, com você [se tiver chance e meios], o que é bom pra todos. e isso acaba sendo bom pra você, seu negócio e renda também.

caso contrário? todos se tornarão seus ex-usuários, serão parte de outra comunidade onde seja possível ser mais do que simples parte da audiência.

na web, aliás, audiência já era. pra sempre, aliás. ainda bem.

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30.10.09

tributo a evandro, ao afroreggae

Tags:, , , - srlm às 07:47

como muitos brasileiros admiradores do afroreggae, recebi por emeio uma carta aberta do coordenador do grupo, meu amigo josé júnior. este blog, solidário com o movimento, os amigos e a família de evandro, republica a carta de júnior na esperança sincera, renovada, de que a luta por uma sociedade muito mais equilibrada signifique, num futuro cada vez mais próximo, cada vez menos mártires como evandro.

daqui até lá, que a luta de evandro, relatada por júnior de forma tão singela e objetiva abaixo, sirva de exemplo para todos nós. porque a luta por uma sociedade mais justa, mais limpa, menos violenta, mais capaz de lidar com as desigualdades, injustiças e com a impunidade é de todos nós.

quanto mais medo tivermos, como indivíduos e grupos, de lutar contra as mazelas do estado e, ao mesmo tempo, seu aparelhamento por forças que, ao fim e ao cabo, destroem as bases da sociedade que queremos, mais mártires teremos.

temos evandro por mártir da luta por um brasil mais justo. ao mesmo tempo, temos todos que nos unir para que não precise haver mais evandros para que tenhamos, todos, o brasil que queremos. e que podemos ter se muitos mais, verdadeiramente, quiserem ter.

tá na carta aberta de júnior: evandro é mártir, e mártir não morre. vira inspiração, transforma indignação em força; força que um dia, mais dia menos dia, vai acabar a guerra.

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29.10.09

as relações de trabalho e as redes sociais [abertas]

Tags:, , , - srlm às 07:58

o national law jornal publicou recentemente um texto que, se não tivesse fundo de verdade –e real possibilidade de acontecer- seria pura história de trancoso. segundo o journal, as consequências não intencionais de se tornar “amigo” de alguém em uma rede social, se você é o empregador ou superior, no trabalho, deste alguém, podem causar ou exarcebar processos judiciais que começam em demissão sem justa causa, passam por favorecimento indevido e discriminação e acabam em assédio, sexual inclusive.

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segundo o jornal legal americano, ser amigo de alguém em uma rede social [aberta, como facebook] pode levar um dos lados a saber coisas [do outro] que não se saberia no ambiente de trabalho… levando a consequências, desejadas ou não, nas relações e litigação trabalhistas.

nas redes sociais abertas, as pessoas estão contando suas vidas ao mundo. no caso de muita gente, talvez a maioria, sem qualquer crivo que separe o pessoal do profissional. a participação de gerentes e empregados, patrões e funcionários, nas mesmas redes, pode elevar o potencial de conflito nas relações de trabalho e emprego a níveis impensados, especialmente no cenário americano, onde a história do litígio, por qualquer coisa ou causa, é muito antiga e cara.

e olhe o histograma abaixo, publicado neste blog em maio passado:

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um terço das empresas americanas tem seu CEO em facebook, tem redes sociais como parte de sua estratégia de negócios e mais de 20% usa uma rede social como parte de seu processo interno de comunicação. o risco anunciado pelo national law jornal pode ser bem real. e alto.

um segredo que só a rádio corredor sabe, numa empresa [como um alguém que só trabalha bicado toda segunda e sexta], pode ser fato amplamente conhecido numa rede social e, ouvido por quem não deveria [o “chefe”], pode ter consequências funestas. para todos os lados. uns perderiam o emprego, outros seriam processados. pelo menos, nos EUA, este é o alerta do national law jornal: se você é o empregador, nem pense em fuçar a vida de seus empregados em redes sociais abertas; a acusação poderá passar, em  muito, de invasão de privacidade. será?

e no brasil? podemos degringolar, aqui, e em que escala, para os níveis de conflito dos EUA? algo que me diz que a advocacia trabalhista nacional, cada vez mais criativa e litigiosa, não tardará a arguir, aqui, as mesmas causas de lá. daí, talvez e pra todos, de um lado e de outro das relações trabalhistas, todo cuidado seja pouco com as relações nas redes sociais abertas.

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27.10.09

competir perdendo dinheiro: quem pode, pode…

Tags:, , , - srlm às 06:00

há quarenta e cinco meses a microsoft perde dinheiro em suas operações online. só nos últimos três meses foram US$480 milhões. no último ano, muito mais de US$2B. coisa de gente grande.

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a microsoft, obviamente, tem caixa [perto de US$30B], resultante de suas operações offline, para bancar tamanho prejuízo. e o faz –e não desiste do online- porque sabe que o futuro de tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e comunicação está na rede. é por isso que a microsoft não desiste de suas operações deficitárias de internet e web, nem que pra isso tenha que gastar muito mais dinheiro do que está investindo hoje. mas o caminho é longo e a subida, muito difícil.

mas a empresa já fez isso em outros departamentos, e por muito tempo. em 2001, cada xbox vendido dava US$125 de prejuízo. pra redmond, isso era apenas uma parte da estratégia contra sony e nintendo; anos depois, em 2005, redmond perdia [coincidência?] US$125 por xbox360 vendido, como parte da mesma e renovada estratégia. e os resultados nem sempre são os esperados, como mostra o gráfico abaixo:

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a estratégia de vender por preço abaixo do custo nem sempre dá certo: o PS3 [em setembro] vendeu mais, nos EUA, do que o wii e o xbox360 [492 mil vs.462 mil vs.352 mil], pode pegar vapor e ser o console mais vendido nas festas de fim de ano. nos três últimos trimestres, a EDD, divisão da MSFT onde está o xbox360, perdeu dinheiro em dois.

mas nem todos os números são ruins: em 2009, a EDD lucrou US$319M, e a porção online do negócio é cada vez mais importante; no último trimestre, a receita do xbox live cresceu mais de 50%. sinal de que o futuro de todas as divisões de qualquer empresa, inclusive a microsoft, é online.

e pra isso vai ser preciso, ainda, muito investimento nos negócios baseados em internet e web. e não será só a microsoft que estará fazendo isso. quem não o fizer vai estar fora do jogo, e de uma vez por todas. no caso da microsoft, em particular, competir está dando muito trabalho e gastando dinheiro. e muito. mas quem pode, pode…

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25.10.09

bbc, click, tokyo, cyberdyne e… HAL [e XOS]

Tags:, , , , - srlm às 11:01

a galera do programa click, da bbc inglesa, esteve andando por tokyo recentemente e produziu um vídeo de quase seis minutos, cujo resumo é… gente, muita gente, trens e metrô, e-wallets [carteiras eletrônicas] para pagar tudo, akihabara [e como a santa efigênia é de brincadeira], games, hordas de jogadores de dragonQuest nos nintendo ds, ambientes hi-tech para doação de sangue e… idosos, muito idosos e muitos idosos e a cyberdyne [de verdade].

a cyberdyne [de brincadeira] é a companhia que, na ficção, domina o planeta com a skynet e constrói os robôs terminator, popularizados nos filmes de schwarznegger. no cinema, a companhia é a mais pura e simples encarnação do fim do mundo.

image na vida real, o estranho senso de humor japonês batizou com o mesmo nome uma empresa que vai fabricar um robô de vestir, HAL [hybrid assistive limb], ou membros híbridos assistidos. a coisa é um exoesqueleto inteligente capaz de [veja figuras ao lado] auxiliar o movimento de quem o veste, mais ou menos assim…

1] quando tentamos nos movimentar, o cérebro envia estímulos elétricos aos músculos; como resultado, sinais bioelétricos muito fracos aparecem na pele;

2] para HAL funcionar, sensores bioelétricos colados à pele capturam os sinais enviados pelo cérebro aos músculos;

image3] estes sinais são enviados aos sistemas computacionais de HAL, que interpretam o movimento se deseja fazer e qual sua intensidade;

4] em sequência, sinais de controle são enviados para as partes desejadas do exoesqueleto, determinando que movimento deve ser feito e qual o torque a ser usado;

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5] em função disso, as unidades de potência geram o torque necessário e põem o exoesqueleto em movimento;

6] toda esta sequência de ações se dá em frações de segundo e, segundo os proponentes da “máquina”, vai resultar em um conjunto de movimentos muito natural.

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HAL tem um vasto banco de dados de sinais bioelétricos e seus possíveis encadeamentos e isso o torna, em tese, capaz de responder aos estímulos cerebrais com a naturalidade desejadas pelos seus projetistas e construtores.

se não é possível capturar sinais bioelétricos, o que pode ser o caso em algumas circunstâncias, o exoesqueleto pode ser dirigido por um controle remoto, o que certamente torna o processo muito mais complexo, mas oferece uma alternativa para casos muito mais difíceis do que idosos com problemas de mobilidade.

as tecnologias por trás de HAL vêm sendo desenvolvidas há muito tempo pelos laboratórios do prof. yoshiyuki sankai, na universidade de tsukuba, e podem ser um grande passo na assistência a pessoas com problemas de mobilidade causados por condições de idade ou acidentes.

mas o mesmo tipo de tecnologia, que está sendo desenvolvido em várias partes do planeta, muitas delas bem menos pacíficas do que o [atual] japão, pode ser usado para bem mais do que auxiliar idosos a se movimentar.

este é o caso de XOS, um exoesqueleto de uso militar que está sendo desenvolvido pela raytheon para o governo dos EUA e que pode ser visto em ação neste vídeo aqui.

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os dois projetos são candidatos a se tornarem inovações radicais, capazes de mudar a vida de seus usuários. alguns vão poder voltar andar. outros vão poder andar muito mais, por muito mais tempo, carregados de armas e munições. resultados de HAL certamente servirão de base para projetos militares e tecnologias oriundas de XOS serão vistas em produtos parecidos com HAL. a tecnologia, por si própria, não tem moral ou caráter. vai caber a quem a usa decidir o que fazer com ela. como sempre, desde sempre.

vamos esperar que nenhum dos projetos seja a base para transformar a cyberdyne de hoje na de amanhã…

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