Terra Magazine

31.05.08

perguntas & respostas

Tags:, - srlm às 19:28

mais de 65% das buscas na web são feitas em google. e são respondidas por uma rede de data centers que pode ter, hoje, algo entre 200 e 500 mil servidores [dependendo de quem faz a estimativa]. e a tal rede está crescendo, até porque porque uma pergunta envolve o trabalho de 700 a 1.000 servidores diferentes até se transformar numa resposta [segundo marissa mayer, vp de busca de google].

google constrói boa parte do seu próprio hardware, e isso faz parte do espírito do negócio: pra ser melhor do que a concorrência, é preciso saber fazer melhor do que a concorrência -e seus fornecedores. abaixo, foto de um rack básico de servidores de google.

google_data_center_jeff_dean-2_400x643.jpg

pra saber o tamanho do problema que é operar uma infra-estrutura do porte que empresas como a microsoft, yahoo, google, ebay e amazon, têm, hoje, na internet, pra servir o software que chega às nossas telas, veja o que diz jeff dean sobre a problemática de operar o monte de servidores de google: In each cluster’s first year, it’s typical that 1,000 individual machine failures will occur; thousands of hard drive failures will occur; one power distribution unit will fail, bringing down 500 to 1,000 machines for about 6 hours; 20 racks will fail, each time causing 40 to 80 machines to vanish from the network; 5 racks will “go wonky,” with half their network packets missing in action; and the cluster will have to be rewired once, affecting 5 percent of the machines at any given moment over a 2-day span, Dean said. And there’s about a 50 percent chance that the cluster will overheat, taking down most of the servers in less than 5 minutes and taking 1 to 2 days to recover... [para traduzir este texto em babelfish, clique aqui].

a descrição de dean lembra as primeiras décadas da rede de geração e distribuição de energia elétrica, quando absolutamente tudo podia falhar o tempo todo e… falhava mesmo. google resolve o problema replicando tudo, muitas vezes, para que tenhamos a impressão, de longe, de que nada falha. o que faz muito bem. mais na frente, em alguns anos, a maioria dos sistemas computacionais não só vai parecer simples mas, externamente e, em boa parte, internamente, será mais simples de verdade. informática, então, parecerá mais com eletricidade e estaremos chegando mais perto de informaticidade… ou de uma informática tão simples e tão invisível que terá desaparecido atrás das paredes e das poucas interfaces quase transparentes que vamos usar.

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30.05.08

blog de infra nova

Tags:, - srlm às 16:34

a partir de hoje, este blog está rodando sobre wordpress, uma das melhores plataformas de publicação do mundo. a infra é nova, a cara e o conteúdo são os mesmos. mas estamos nos ajustes. pedimos paciência por alguns dias… qualquer pau que der, por favor descontem. do lado de cá, estamos fazendo todo o possível para uma transição suave.

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29.05.08

as células-tronco e o futuro

Tags:, - srlm às 18:04

os primeiros trabalhos sobre anatomia humana datam de três e meio milênios atrás e começam no antigo egito. passando por hipócrates e galeno, até que o estudo da anatomia sucumbiu às trevas, preconceitos e superstições da idade média. apesar da atividade científica ter continuado no mundo árabe, quase um milênio e meio de parálise separam o trabalho fundador de galeno [ao redor do ano 200] do próximo marco ocidental nos estudos do corpo humano, de humani corporis fabrica, escrito [e desenhado] por vesalius na metade do século xvi. isso porque o oriente e o ocidente se separaram e, depois, o crescente fértil minguou como economia, sociedade e cultura.

nesse meio -e longo- tempo, as doenças da humanidade foram tratadas à base de preces e meizinhas. sofrimento e morte eram abundantes, resultado da ignorância que era mais que a ordem do dia na sociedade medieval: quem quisesse saber mais, entender mais, sobre o espaço, o tempo, os seres vivos, as razões reais de estarmos aqui e fazermos o que fazemos, era ordenado a continuar ignorante. isso se quisesse continuar vivo. a fogueira levava, quase sempre, desta para a melhor, os renitentes e descontentes.

estávamos diante de uma pequena idade média no brasil, no caso das células-tronco embrionárias, até o supremo decidir, hoje à tarde, pela continuidade das pesquisas no país. isso reabre a janela de possibilidades para o desenvolvimento de terapias baseadas em células-tronco e cria uma gama muito grande de expectativas do público, doentes, familiares, investidores e empresas de saúde e fármacos. a importância das células-tronco embrionárias, hoje, é do tamanho da controvérsia que as cerca desde o começo, e nem podia ser de outra forma. revoluções são revoluções porque mudam o mundo; e a vasta maioria -quase a totalidade- dos habitantes do planeta quer continuar levando a mesma vidinha estável que sempre levou, dentro dos limites que sempre teve, com os mesmos problemas de ontem e anteontem… mesmo que isso signifique matar o amanhã das possibilidades criadas pela ciência, tecnologia e sua transformação em inovação, no mercado.

o brasil está acordando. volto a dizer que a decisão do supremo é uma declaração de grau de investimento ao nível de conhecimento e entendimento da vida e do mundo que começa a desabrochar no país. estamos formando quase 50.000 mestres e mais de 10.000 doutores por ano e isso tem conseqüências teóricas e práticas. há coisas que nem podíamos pensar há vinte anos e que fazemos hoje com a mesma naturalidade de acordar, num dia de sol, e sorrir antes de escovar os dentes. isso inclui um cerrado agricultável transformando o país em potência capaz de matar a fome do mundo. e ainda não inclui, infelizmente, um desenvolvimento agro-pastoril-industrial em equilíbrio com o ambiente, até porque não se ouve e aplica, como se deveria, os resultados que a ciência e tecnologia brasileira são capazes hoje, como inovação, em todos os campos.

o resultado da votação do stf não é um destino, é uma partida. outras votações, sobre outros temas tão espinhosos quanto, virão. nelas, cada vez mais, o debate será sobre o conhecimento que temos do mundo, e não sobre nossas superstições, ideologias e crenças. num mundo onde todos temos que viver juntos e em conjunto, o denominador comum não pode ser o dogma de cada um, mas o conhecimento compartilhado por todos. compartilhar é o nosso destino, é o nosso futuro. e foi pra lá que o stf apontou a sociedade. mãos à obra…

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28.05.08

células-tronco: quase lá

srlm às 18:46

a votação no supremo está 4 a favor e 2 contra. tudo indica, pela interpretação do comportamento dos ministros que ainda não votaram, que a pesquisa com células-tronco vai ser liberada no brasil. mas este não é o destino, é o ponto de partida. a agenda, o financiamento, os usos dos resultados é que dirão, no longo prazo, que benefícios o processo trouxe ao país, a seus habitantes e à humanidade.

se o supremo confirmar a liberação das pesquisas, um pouco de racionalidade será adicionado à vida nacional. o que é muito bom, porque o brasil ainda está coalhado de discursos, posições e opiniões despidos de qualquer senso lógico, filosófico ou qualquer sustentação científica ou prática. é isso que leva as pessoas a botarem copos d’água sobre seus televisores, para serem benzidos por tele-evangelistas… e a acreditar que alguma coisa realmente divina acontece à água e às suas vidas…

o processo das células-tronco é apenas um degrau da escada que leva a um país menos supersticioso e obscurantista. é uma espécie de primeiro grau de investimento dado [por nós próprios] ao nível de conhecimento e reflexão social do brasil. e isso é muito bom, pois vivemos cada vez mais numa era e num mundo de conhecimento… onde vai caber, a cada um de nós, sustentar, com raciocínio, dados, fatos, teorias, intuição… nossas teses e ações sobre o mundo ao redor. isto é, para os de nós que não forem substituídos por informática e automação, como infelizmente talvez seja o caso de quem benze copos no topo da TV.

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27.05.08

o fim do mundo [está próximo?]

Tags:, - srlm às 23:09

a taxa de extinção das espécies está perto de 1% por ano, a maior parte por expansão territorial da atividade humana e por acidente, segundo a bbc. nos rios ganges e amarelo, os botos não vão durar muito mais. ciclone arrasa burma e deixa 2.5 milhões de pobres na mais completa e desassistida miséria [e mais de cem mil, talvez, mortos], num dos países mais pobres do planeta, sob uma das ditaduras mais extremas que o mundo já conheceu. terremoto após terremoto remexem a terra na china, deixando quase cem mil mortos e milhões de habitações destruídas.

o brasil, na lista da violência mundial , está em nonagésimo lugar, abaixo de bangladesh [o país considerado menos violento é a islândia e portugal está entre os dez menos violentos]. recife perdeu o primeiro lugar em mortes violentas por 100 mil habitantes por ano [158] para caracas [166] mas a epidemia de violência continua grassando e matando a granel, país afora. pelo tratamento que recebe de quem de direito, até parece que o tabaco é mais danoso à sociedade do que o grau de violência urbana em que estamos imersos.

o preço do petróleo está ao redor de US$130 [e com gente grande apostando que pode chegar a US$200], a confiança dos consumidores americanos é a menor dos últimos 16 anos, os negócios estão ruins para os pequenos negócios [ nos eua , apenas?], os executivos mundiais de tecnologias da informação e comunicação passaram a trabalhar, nas últimas semanas, com uma perspectiva real de recessão e menos investimento em TICs em todo o mundo e, de quebra, a terceira geração de comunicação móvel vai trazer vírus, scam e phishing pros nossos celulares .

alguém ganha, alguém perde. tem pouca gente ganhando muito com os atuais preços de petróleo, assim como há quem vá ganhar com os problemas de segurança que vamos começar a ter nos celulares. achar que tudo vai dar certo ou errado e que o cenário atual [qualquer que seja] não é o fim do mundo pode ser, no frigir dos ovos, questão de ponto de vista e atitude perante os desafios do contexto.

falando nisso, amanhã é dia de otimismo e de acompanhar, de perto, a retomada do julgamento do processo que pode [ou não] liberar a pesquisa com células tronco no brasil. dependendo do que acontecer, o mundo, pelo menos por aqui, pode melhorar muito; dos 11 ministros, 3 já votaram a favor, um quarto pediu vistas e deve votar contra. a pesquisa com células tronco só precisa de mais três votos para ser liberada no país. se for, não será nenhum fim de mundo para quem é contra; a vida continua como antes. pra quem trabalha na área, vai ser tempo de redobrar esforços pra ver se vamos conseguir acompanhar o estado da arte mundial na área e resolver os problemas de saúde de muita gente no brasil e alhures.

se a pesquisa for proibida, ficaremos um pouco mais atrasados em relação ao mundo civilizado. mas tampouco o brasil vai se acabar. ficará apenas mais perto de burma [126 na lista dos menos violentos]… e vai ver, no fim, descobriremos a correlação entre estas coisas todas.

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26.05.08

games: contra a proibição

srlm às 10:45

o fantástico de ontem discutiu a proibição, no brasil, de jogos considerados violentos. eu e bruno feijó, da puc-rio, entre outros, estivemos do lado contra a proibição e a favor de alguma [auto-]regulação que passe a designar jogos como apropriados [ou não] para determinadas faixas de idade. muito do que a gente grava pra uma aparição no fantástico acaba não aparecendo na telinha, por razões óbvias de tempo e edição. entre outras coisas, eu disse que o maior problema dos jogos é quase o mesmo da escola: há, ainda, uma instituição muito antiga, na sociedade, que certas horas é relegada bem pra longe, e seu nome é família. não conheço uma família bem estruturada e consciente do papel do grupo familiar para os mais jovens onde as crianças fiquem dez horas por dia num console jogando counter strike ou, da mesma forma, vendo televisão no quarto. muito menos abandonadas aos desígnios da escola, por melhor que seja. a família continua sendo importante no processo de crescimento articulado das crianças e não há, até agora, substituto à vista. eu acho que reclamar do jogo descontrolado dos adolescentes é quase a mesma coisa que terceirizar completamente a educação para as escolas e depois reclamar de filhos com problemas. a escola não vai resolver todos os problemas de seus filhos, da mesma forma que os jogos, de qualquer tipo, não vão piorá-los significativamente. todos os estudos sérios realizados no mundo, até agora, não mostram nenhuma conexão relevante entre jogos violentos e um comportamento socialmente violento. ao contrário, games parecem favorecer a criatividade dos jogadores… pra ver o que rolou no programa, clique aqui. pra saber o resumo do que pensa este blog, não precisa ir até lá, pois tá dito acima e sintetizado na seguinte frase, tirada do programa: “o problema não é se o jogo é violento ou não. o problema é se você consegue separar que o jogo é um jogo e a vida a ser vivida aqui fora, neste mundo de carne e osso, é parte daquilo ou não”.

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25.05.08

games favorecem criativitidade

Tags:, , , - srlm às 10:44

pesquisadores da penn  state university acabam de demonstrar, num estudo usando quase 100 voluntários, que games podem ser um bom ponto de partida pra estimular a criatividade. a experiência, descrita aqui, usou o game dance dance revolution, que pode ser jogado por qualquer um.

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os resultados do estudo, até agora, dizem que [após jogar] pessoas que estão tristes [porque perderam] ou alegres são mais criativas do que quem está relaxado [porque não jogou] ou estressado. jogos, segundo os pesquisadores, podem ser usados para facilitar processos de aprendizado [nas escolas] e de tomada de decisão [nas empresas]. falando nisso, e começando cedo, vai ver que um dos caras mais criativos do mundo é ryota, um japonês de uns cinco anos de idade, que joga DDR como eu nunca vi [clique no vídeo 19].

PS, 22/10/2009: o garoto que joga DDR, do vídeo acima, anda praticando muito e, aos 8 anos, tornou-se um mestre na bateria de rock band, como mostra este vídeo aqui. só vendo pra crer.

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