Terra Magazine

30.06.08

skintenna: seu corpo inteiro, uma rede?

Tags:, , - srlm às 12:59

skin-tenna-pequeno.jpgclique na imagem ao lado pra ver [em detalhe] como  seu corpo pode se transformar em uma rede local, e neste link pra chegar num artigo da new scientist sobre o assunto.

pesquisadores da queen’s university, belfast, e da university of kent, canterbury, estão trabalhando em sistemas de propagação de ondas eletromagnéticas pela camada mais externa da pele humana, usando muito pouca energia e baixíssima emissão para fora da pele. a idéia é transformar o corpo em uma rede e usá-lo como meio de comunicação para os mais variados dispositivos digitais que carregamos [ou vamos carregar] conosco.

uma das aplicações reais mais interessantes pode ser a conexão entre dispositivos médicos, como sensores, monitores e atuadores, como marca-passos, e celulares. vem aí, talvez, o homem-rede, evolução [?] do homo sapiens

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28.06.08

japão: celular vira banco

Tags:, , , - srlm às 21:12

a humanidade se constituiu através de virtuais, segundo pierre lévy. na opinião do filósofo, os três virtuais fundamentais seriam a linguagem, que virtualiza o presente, criando o futuro e o passado e, consequentemente, o tempo; as técnicas abstraem as ações, estendendo o alcance do corpo humano; finalmente, os contratos abstraem a violência, criando as sociedades.

estamos cercados por virtuais, alguns muito antigos, como dinheiro [parte dos contratos], que é um virtual de poder de compra: ao invés de levar uma vaca para a loja e trocar por um celular, levamos papéis que representam nosso poder aquisitivo [resultado, talvez, da venda da vaca...]. mais comumente, pagamos com um plástico que é, em si, um virtual do dinheiro, ou seja, um virtual de segunda ordem.

o dinheiro, na forma de papel e moedas, está com os dias contados, pois é passível de todo tipo de risco físico e, como se não bastasse, é anti-ecológico. e já não era sem tempo: moedas e notas datam de 2500 e 1000 anos atrás, respectivamente. e os cartões de débito e crédito vão pelo mesmo caminho. quer ver como?…

kddi.gif

a operadora japonesa KDDI, segunda maior do país, já recebeu autorização do banco central de lá para abrir um banco comercial cujos serviços serão oferecidos através dos celulares operados pela companhia. dinheiro e cartão embutidos nos celulares. tudo digital, identificado e assinado. celular transferindo e recebendo dinheiro e pagando todo tipo de conta, de pedágio a trem e ônibus, restaurantes, lojas e conta de luz. fazendo investimentos na bolsa e tudo o mais que pode ser feito numa conta e num banco. vai ser sua conta de comunicação embutida no mesmo pacote de suas transações bancárias. e vice-versa.

a KDDI não é a primeira operadora a oferecer serviços financeiros no celular [vide o exemplo do oi paggo, aqui mesmo no brasil]; o título parece pertencer duas companhias das filipinas [que começaram serviços iguais ao paggo em 2005, segundo o guardian]. o que pode levar a KDDI à frente das noutras é a convergência financeiro-digital completa, com todos os serviços do seu banco sendo oferecidos aos usuários de seus celulares, algo não só inédito, mas inovador e potencialmente revolucionário.

e banco é só parte do que pode acontecer no celular. depois de se tornarem relógio, despertador, gravador, máquina fotográfica, câmera de vídeo, tv, media player, localizador, computador e banco, celulares devem se tornar identidade [de todos os tipos, de passaporte a carteira de motorista], chave, ………, ………, ……… [preencha os pontilhados com suas escolhas] e tudo mais o que puder ser virtualizado no hardware e software do dispositivo e/ou provido a ele por sistemas de informação do lado de cá da rede.

não vai levar muito tempo para que os celulares sejam o ponto de encontro da verdadeira convergência digital, que nada tem a ver com as tecnologias de suporte: a convergência será de aplicações, sobre a infra-estrutura e serviços digitais móveis habilitados nos celulares. e nem vamos precisar esperar muito pra ver isso acontecer; são só mais uma ou duas décadas de caminho. quem viver, verá.

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27.06.08

o que mais, no seu celular?

Tags:, , , , - srlm às 01:11

o japão lidera o mercado de tecnologia, aplicações e usos de celulares e muitas das coisas que veremos aqui quando 3G começar, de verdade, estão sendo usadas no país do sol nascente há anos. até porque o modelo japonês de compartilhamento de receita entre operadoras e fornecedores de serviços e aplicações, que privilegia os últimos, gerou uma grande e diversa rede de negócios ao redor das operadoras de mobilidade. coisa que ainda não temos [e nem teremos, tão cedo, por cá].

ishare_survey_02_may08.gifno meio de tanta coisa que já têm, os japoneses querem mais. olhar o que eles desejam [veja resultado de pesquisa feita pela iShare, em maio, ao lado] é ter uma boa idéia do que teremos todos, em nossos celulares mais básicos, daqui a algum tempo.

no topo da lista, mais e melhor acesso e navegação na internet, telefones mais abertos, com liberdade pra cada um instalar o que quiser, telefones com interfaces que permitam os usuários definirem as funcionalidades à sua disposição, tv digital móvel [oneSeg, a mesma que vamos ter por aqui] e telefones menores e mais finos.

ao mesmo tempo, o governo japonês está começando uma campanha para diminuir o uso de celulares 3G [e a internet, neles] por estudantes, alegando que os adolescentes estão se tornando viciados nos seus keitai e deixando pra lá as tarefas da vida escolar, entre muitas outras coisas. pra se ter uma idéia, adolescente japonês que leva mais de 30 minutos pra responder um emeio passou a ser considerado “fora do mundo”, quase um idiota.

bote parte da lista de coisas acima nos celulares e aí é que os estudantes não vão mais prestar atenção nas aulas… com 3G começando, aqui, no segundo semestre, as escolas e salas de aula vão ter que melhorar muito pra tirar os alunos da internet celular. isso se os planos de dados não começarem a ser vendidos [como quase sempre é o caso, aqui] a peso de ouro.

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25.06.08

eleições sem SMS?

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os tribunais regionais eleitorais estão considerando [muito seriamente] a possibilidade de exigir que as operadoras de telefonia móvel desliguem o serviço de SMS na semana antes das eleições, como forma de impedir que torpedos eleitorais atinjam a população. segundo um dos juízes eleitorais, “às vésperas da eleição, fica impossível para os candidatos se defenderem de propaganda negativa”.

com todo respeito, senhores juízes: é inimaginável que se desligue um serviço da utilidade [pública] do SMS, que permeia toda a sociedade brasileira, talvez no papel de principal instrumento de inclusão digital [cobrindo os mais de 130 milhões de celuares que há por aí], porque políticos em campanha vão mandar mensagens difamatórias sobre outros candidatos.

urnas-eletronicas.jpegjá está mais que na hora de começar a acreditar nos eleitores e em seu discernimento. não parece haver nenhuma evidência de que panfletos difamatórios [amplamente distribuídos nas vésperas de todas as eleições] tenham tido grande influência no resultado de pleitos passados. mesmo se um ou outro, aqui e ali, teve alguma conseqüência, não passou pela cabeça de ninguém fechar todas as gráficas do país e proibir o tráfego de veículos, certamente instrumentos essenciais para a confecção e distribuição dos papéis.

tudo bem que não é fácil [ainda] escrever regras para a internet. a rede [como cultura] ainda está sendo processada e absorvida pela sociedade, principalmente pelas estruturas que já existiam antes [como a justiça e a justiça eleitoral]. tanto assim que estamos muito indecisos sobre as regras para a internet nas eleições.

um número de interpretações [de juízes] diz que a rede tem que ser tratada como se fosse um meio de comunicação como rádio e televisão. mas a rede não é rádio ou televisão. na internet, rádio e televisão podem ser construídas como aplicações, sobre um conjunto de infra-estrutura e serviços padrão, disponíveis para todos, em todo o mundo. rádio e tv [clássicas] são concessões públicas, limitadas, porque o espectro eletromagnético é limitado e as concessões resolvem o conflito no uso do mesmo.

mas a rede está fazendo uma reforma digital dos tais meios de comunicação. um candidato com um blog legal pode ter uma audiência muito maior do que toda a propaganda eleitoral de uma cidade, em todos os seus canais de rádio e tv. e a propaganda [em todas as mídias] na internet, pode ir [e vir de] muito mais longe, a lugares onde não há rádio [e muito menos tv] dessas que vão “pelo ar”. pra que, então regular o uso da rede? o ministro joaquim barbosa decifrou o enigma: tentar regular o uso eleitoral da rede é uma armadilha que pode criar muito mais problemas do que resolveria. como regular que sites de candidatos devem ser retirados do ar “x” dias antes da eleição… mas quem vai retirar a cópia do cache dos engenhos de busca?

a solução de verdade seria o óbvio: tirar a internet do ar. mas isso é impensável. por que, então, imaginar que o serviço de SMS, que todos usam o tempo todo, pode ser desligado? vamos voltar à mesa e discutir isso de novo… porque, além de impensável, não faz o menor sentido.

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23.06.08

uma nova [?] geografia da internet

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icann.jpgos nomes de sites na rede, até aqui, terminam em um número limitado de domínios de alto nível [ou TLDs], que são genéricos [como .com ou .org] ou estão relacionados a países [como .br e .pt]. dentro dos genéricos, vale mais ou menos qualquer coisa; nos ccTLDs [os country code top level domains], cada país faz sua regra. pra dar um exemplo, tentei registrar um domínio no .it [itália] por meses a fio, sem sucesso. e sem retorno.

nesta quinta, tudo pode mudar. a icann, que serve como um regulador mundial pra [algumas coisas da] internet, vai votar a liberação [ou não] de TLDs realmente genéricos, de sorte que companhias poderão ter seu próprio TLD [acima e ao lado do .com... imaginem quem vai querer .cola?]. há anos o assunto está em debate, até porque muita gente queria domínios específicos como .xxx, para sites de sexo, além de muitos outros.

a mudança pode ser a mais radical e perceptível, daqui de fora, no funcionamento da internet, em décadas. segundo paul towney, ceo da icann“The impact of this will be different in different parts of the world. But it will allow groups, communities and business to express their identities online. Like the United States in the 19th Century, we are in the process of opening up new real estate, new land, and people will go out and claim parts of that land and use it for various reasons they have. It’s a massive increase in the geography of the real estate of the internet.”

uma reforma agrária da rede. uma nova geografia da internet. uma corrida de carruagens digitais dos nossos tempos. talvez eu me anime e corra pra registrar, além de meira.com, o .meira, puro e simples. o que me daria o emeio silvio@meira, sem nenhuma terminação adicional. alguma hora vamos ser conhecidos pelos nossos nomes e o protocolo de acesso a nossos endereços e nada [?] mais. danado vai ser se alguém, com muito mais recursos [e/ou informação e interesses] do que temos… levar embora nossos sobrenomes… e muito, muito mais.

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21.06.08

são joão lá no meu taperoá…

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g_taperoa.jpgeste blog se mudou do resto do brasil [e da vida digital], onde passa maior parte do tempo, pra viver o são joão de taperoá, no cariri da paraíba, onde não há cobertura celular e a internet [que só existe em uma lan house...] fecha na hora do almoço. este é o brasil real, do povo brasileiro de ariano suassuna, que é daqui. como eu.

a feira do sábado foi do outro mundo, com forró do trio mineiro, que a pesar do nome, é daqui mesmo. e rolou caipirinha, às 9h da manhã, grátis [cortesia da prefeitura], pra quem tinha alma e fígado. vou treinar pro ano que vem.

a última vez que escrevi sobre taperoá foi em julho do ano passado e o texto está aqui; as impressões se confirmam a cada volta. um grande pedaço do brasil está desaparecendo, absorvido por um presente/futuro que bate à porta de todos, em todo lugar, quer se queira ou não.

mas é são joão até terça, a festa do ano no interior e, ainda mais, neste pedaço escondido da paraíba. um dia eu volto pro resto do brasil. até lá, vivo por uns poucos nas minhas raízes analógicas. tomara que cada um que ainda tenha as suas consiga voltar pra lá, vez por outra, como eu quase sempre volto e vivo aqui.

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20.06.08

convergência: presente, passado e futuro

a HSM está organizando um ciclo “convergência em debate” no brasil, que começou no 20 de maio em BH e terminará no rio [em agosto], via curitiba e brasilia [que já rolaram]. a cobertura completa do evento está aqui [para BH] e o pessoal se esmerou: no caso da minha palestra e do debate que se seguiu, estão lá as imagens, um resumo muito bem feito do que eu disse e os slides que usei. se você está interessado em telecom, informática e vizinhanças, vale a pena dar uma olhada.

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