Terra Magazine

25.06.08

eleições sem SMS?

Tags:, , , , - srlm às 01:29

os tribunais regionais eleitorais estão considerando [muito seriamente] a possibilidade de exigir que as operadoras de telefonia móvel desliguem o serviço de SMS na semana antes das eleições, como forma de impedir que torpedos eleitorais atinjam a população. segundo um dos juízes eleitorais, “às vésperas da eleição, fica impossível para os candidatos se defenderem de propaganda negativa”.

com todo respeito, senhores juízes: é inimaginável que se desligue um serviço da utilidade [pública] do SMS, que permeia toda a sociedade brasileira, talvez no papel de principal instrumento de inclusão digital [cobrindo os mais de 130 milhões de celuares que há por aí], porque políticos em campanha vão mandar mensagens difamatórias sobre outros candidatos.

urnas-eletronicas.jpegjá está mais que na hora de começar a acreditar nos eleitores e em seu discernimento. não parece haver nenhuma evidência de que panfletos difamatórios [amplamente distribuídos nas vésperas de todas as eleições] tenham tido grande influência no resultado de pleitos passados. mesmo se um ou outro, aqui e ali, teve alguma conseqüência, não passou pela cabeça de ninguém fechar todas as gráficas do país e proibir o tráfego de veículos, certamente instrumentos essenciais para a confecção e distribuição dos papéis.

tudo bem que não é fácil [ainda] escrever regras para a internet. a rede [como cultura] ainda está sendo processada e absorvida pela sociedade, principalmente pelas estruturas que já existiam antes [como a justiça e a justiça eleitoral]. tanto assim que estamos muito indecisos sobre as regras para a internet nas eleições.

um número de interpretações [de juízes] diz que a rede tem que ser tratada como se fosse um meio de comunicação como rádio e televisão. mas a rede não é rádio ou televisão. na internet, rádio e televisão podem ser construídas como aplicações, sobre um conjunto de infra-estrutura e serviços padrão, disponíveis para todos, em todo o mundo. rádio e tv [clássicas] são concessões públicas, limitadas, porque o espectro eletromagnético é limitado e as concessões resolvem o conflito no uso do mesmo.

mas a rede está fazendo uma reforma digital dos tais meios de comunicação. um candidato com um blog legal pode ter uma audiência muito maior do que toda a propaganda eleitoral de uma cidade, em todos os seus canais de rádio e tv. e a propaganda [em todas as mídias] na internet, pode ir [e vir de] muito mais longe, a lugares onde não há rádio [e muito menos tv] dessas que vão “pelo ar”. pra que, então regular o uso da rede? o ministro joaquim barbosa decifrou o enigma: tentar regular o uso eleitoral da rede é uma armadilha que pode criar muito mais problemas do que resolveria. como regular que sites de candidatos devem ser retirados do ar “x” dias antes da eleição… mas quem vai retirar a cópia do cache dos engenhos de busca?

a solução de verdade seria o óbvio: tirar a internet do ar. mas isso é impensável. por que, então, imaginar que o serviço de SMS, que todos usam o tempo todo, pode ser desligado? vamos voltar à mesa e discutir isso de novo… porque, além de impensável, não faz o menor sentido.

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18 Comentários »

  1. Estava aqui verbalizando de forma extensa meus pensamentos mas é melhor resumir a isso: que absurdo!

    Acho que é menos custoso impugnar uma eleição/candidatura a perder um avanço tecnológico desses, mesmo que seja dos mais simples.

    Comentário por Jônatas Gardin — 25.06.08 @ 02:00

  2. se lembrarmos que a um dos preceitos basicos na concepçao do que se tornou a internet ( darpanet) que era de ser capaz de sobreviver sem cabeça (nó central)e consideramos que a expansão da internet decorreu exatamente desta incapacidade de frea-la, veremos que ela não e´regulamentavel, como tão bem conceituou o ministo. interntet e´caótica, (no bom sentido)e quem tentar regula-la nao vai conseguir.

    Comentário por celso marcos — 25.06.08 @ 09:02

  3. Perderam o noção…estão ficando loucos….

    Comentário por Ze — 25.06.08 @ 10:17

  4. Diria que pela incompetencia governamental, como sempre se proibe o que nao se pode controlar…começou em são paulo com os outdors, como nao tinha controle proibiram….o queijo mineiro…tão querendo proibir porque nao tem controle de qualidade(inspeção), beber uma cerveja….tah proibido porque nao se tem controle e equipamentos…comer bombom de licor entao nem pensar…é CANA….
    Agora mais esta, não é mais fãcil ser organizado e FISCALIZAR…ah nao pode fiscalizar candidato…é contra a lei? Ou é será que sem lei é nao poder saber que tal candidato tem um monte de processos criminais em andamento…é isso nao pode…o que pode é proibir os manes do brasil e saber quem tem uma ficha corrida extensa e quando se tornar politico…nada vai acontecer com ele né….É gente é proibido ter livre expressão, ter internet, ter torpedo, a censura esta de volta…nao se pode mais ver tv sem censura….é pessoal…a coisa tá mais feia do que a gente pensa….daqui a pouco a gente nao pode mais falar ao tel pq é proibido…e ai por diante….

    Comentário por Isso é BRASIL? — 25.06.08 @ 11:20

  5. Fazia tempo que eu não escutava uma idéia tão ESTÚPIDA. A massa crítica (sic) do Brasil sempre nos surpreende com pérolas… incrível. Ia ser muito ridículo ver as notícias lá fora sobre um episódio desses…
    “NY Times: Idiotas do Brasil barram serviço de SMS para proteger candidatos corruptos”.
    “Herald Tribune: Brasileiros se superam e mostram mais uma vez que não merecem ser tratados com seriedade pela comunidade internacional.”
    Que legal!!!

    Comentário por Cacthos — 25.06.08 @ 11:50

  6. Desliguem-se todos os meios de comunicação nas eleições: TVs, rádios, celulares, telefones, internet. E por fim, tapem-se os ouvidos, fechem-se as bocas e os olhos de todos. Assim podemos ter eleições tranquilas coordenadas por juízes desajuizados. E viva o brasil (com b minúsculo mesmo!).

    Comentário por Pedro Alvares Cabral — 25.06.08 @ 12:11

  7. O título da matéria me espantou…o conteúdo então me deixou pasma…A cada dia aparecem mais coisas que nos fazem duvidar se este grande latifúndio ainda tem jeito….

    Comentário por Amira Saleh — 25.06.08 @ 15:29

  8. E vão desligar também a boca dos fofoqueiros?

    Comentário por Desnomeado — 25.06.08 @ 15:29

  9. [...] Imagina então que os nobres querem desligar a rede de SMS no país? Cara, cada dia uma piada-pronta nova. Viva o Brasil! E o pior é que isso pode mesmo acontecer. [...]

    Pingback por Inclusão Digital: A arte de cometer gafes! // justplay.info — 25.06.08 @ 16:00

  10. Só lembrando que esses caras não estão em seus cargos por magica. Quem os coloca lá somos nós, quem paga seus salários também! Antes “deles” serem burros e “perderem a noção” nós fizemos o mesmo, permitindo que esses senhores ocupassem as cadeiras que NÓS pagamos…

    Comentário por Dirceu Jr. — 25.06.08 @ 16:25

  11. Acreditar nos eleitores e em seu discernimento? Acorda Silvio Meira, o Brasil não é só o Fantástico não… Eleitor sem ter tido acesso a uma educação de qualidade não tem, nem terá nunca a uma capacidade decente de discernimento político. Mas é claro que isso não justifica esse absurdo que seria a ordem de desligamento do serviço de SMS em função da politicalha que impera no Brasil. Esses juízes devem mandar desligar é a pessíma educação e a impunidade que reina no Brasil.

    Comentário por José Soares — 25.06.08 @ 18:35

  12. os juízes do tre não são eleitos. os tribunais são arrogantes e querem fazer a sua democracia. como diz o autor do blog o povo não é burro e não precisa de tutores. a internet , os sms e outras tecnologias tem que se manter livre de leis autoritárias. a sociedade é a melhor juiza para os abusos cometidos nas redes. porque os tribunais não usam seu poder para cobater os grandes grupos de comunicação , detentoras de concessões públicas, que fazem campanhas diariamente a favor de seus canditatos.
    abraços e parabéns pelo blog.

    Comentário por claudio dutra — 25.06.08 @ 18:43

  13. Já faz algum tempo que venho lendo seus artigos no blog, são muito bons mesmo.
    Você poderia me enviar um e-mail pra gente trocar umas idéias sobre Engenharia de Software.

    Prof. Rodrigo M. Ferreira

    Comentário por Rodrigo — 26.06.08 @ 10:34

  14. São coisas como estas que tornam cada vez mais urgente, a necessidade de atualização para estas pessoas que são responsáveis em julgar o destino das pessoas em nossa sociedade. O mundo se transforma, a cultura e os hábitos também. Agora mais do que nunca a tecnologia se apresenta como um fator de mudança exponêncial e estas pessoas estão vivendo num mundo de 50 anos atrás e não conseguem entender o mundo de hoje.

    Comentário por Ricc — 26.06.08 @ 15:17

  15. Olá Silvio,

    Ontem assisti sua palestra no Café Filosófico (Campinas-SP, eu estava lá, hehehehehe) e você comentou sobre isso. Acho estranho o governo proibir uma ferramenta tecnológica que boa parte da sociedade (principalmente baixa renda, que é uma grande maioria) utiliza como recurso de comunicação e até mesmo sobrevivência. Estranho isso, hã? No fim das contas, como você mesmo disse ontem, não muda nada as posicões e acontecimentos. Os mecanismos são os mesmos. Apenas a tecnologia que muda.

    Grande abraço e sem dúvida foi uma das melhores palestras que assisti no café filosófico em quase 2 anos como visitante cativo.

    Grande abraço.

    Comentário por Santaum — 28.06.08 @ 09:39

  16. Enquanto no japao e na europa migra-se para a tecnologia no Brasil volta-se no tempo, rumo à anacronia. Decisões que visam sobre a proibição de direitos fundamentais e de serviços de utilidade pública por falta de técnica ou de qualidade no policiamento e na administração das atividades em si demonstram o anecefalismo do legislativo brasileiro. Certamente criando um estatuto de desarmamento civil a violencia diminuiu: é por isso a sociedade civil vê-se livre da violencia social, afinal de contas, os assaltantes sempre se interessaram em obedecer as leis, e, em decorrencia disso, nao irão mais andar armados; da mesma sorte, criar benefícios com caráter subjetivo, como raciais, que são algo que ninguém sabe como funciona e gera polêmicas como escolher o filho mais negro ao invés do mais pobre; ou então, criar benefícios que estimulem a explosão demográfica em zonas miseráveis, como o Bolsa Gestante: que ao invés de ser limitado a um único filho, extende-se ilimitadamente, fazendo com que os miseráveis tenham mais filhos. Anos atrás, quando certos cargos políticos nao eram remunerados, a máquina publica funcionava de maneira muito mais transparente e proveitosa.

    Comentário por Lucas — 29.06.08 @ 13:29

  17. Eu por acaso assisti ao programa Café Filosófico na Tv Cultura do dia 29.06.08 e amei… pena é q eu já peguei na metade .
    Gostaria de conseguir fazer a busca na rede do programa completo,
    para q eu possa assistir na integra.

    Comentário por Elisa — 30.06.08 @ 15:57

  18. Que país lamentável!!

    Comentário por sandoval — 04.07.08 @ 08:16

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