Terra Magazine

05.08.08

pirataria: chegou pra ficar

Tags:, , , , , , - srlm às 00:26

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agora é oficial: a pirataria chegou pra ficar. estudo que acaba de ser publicado pela MCPS-PRS [aliança inglesa que representa os donos do copyright de mais de 10 milhões de títulos musicais] e bigChampagne [de medição de audiência online] mostra que, mesmo quando o preço de um bem digital chega perto de zero [caso do último álbum do radiohead, cujo preço podia ser escolhido pelo usuário], a vasta maioria das cópias que circula na rede vem de sites piratas.

o caso de in rainbows, disco de radiohead que podia ser trazido de graça do site da banda, é emblemático: mais de 100.000 cópias pirata circularam na rede, por dia, durante o primeiro mês de disponibilidade do álbum [dando uns três milhões de cópias piratas na rede]. apesar do número de downloads a partir do site oficial não ter sido revelado [mas pode ter chegado a um milhão, 38% das quais pagas], o estudo diz claramente que as cópias pirata [as que bigChampagne achou... deve ter perdido muitas!] excederam em muito o tráfego do site da banda.

vamos imaginar que a pirataria seja de cinco a dez vezes o tráfego "normal". ou entre 80 e 90% do que foi pago [ou trazido de graça do site da banda]. qual foi o efeito disso nos resultados de radiohead? o álbum [legal] foi um sucesso, as turnês lotaram, a pirataria "quase autorizada" do material da banda fez o projeto in rainbows bombar, em todos os sentidos.

conclusão [de eric garland, um dos autores]? "…non-traditional venues are stubbornly entrenched, incredibly popular and will never go away… It’s time to stop swimming against the tide of what people want". em português? fontes "alternativas" de música [e mídia] são populares, gozam de muita e boa marca e reputação entre seus usuários e nunca desaparecerão. está na hora de parar de remar contra a maré e ser contra o que as pessoas querem. a conversa completa está aqui, no financial times.

segundo o estudo, os atuais donos de copyright precisam procurar novas formas e lugares de geração de renda pra seu material, fazendo acordos com sites como youTube e outros, ao invés de continuar processando sua própria audiência. é bom lembrar que o estudo não foi feito por um grupo de adolescentes que vara a noite nos torrents da vida, mas por uma associação da indústria de copyright inglesa, justamente uma das que mais ganha com propriedade intelectual [musical] no planeta. resta saber se a própria indústria vai se ouvir. é esperar pra ver… aliás, ouvir.

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5 Comentários »

  1. Concordo com Eric Garland, as gravadoras e artistas precisam parar de remar contra maré fechando sites e aplicando processos por ai, é perda de tempo. É necessário se adaptar ao modelo da web e aproveitar o seu potencial, oferecer serviços e conteúdo de qualidade free e ter retorno com publicidade ou alguma outra maneira alternativa. O Google está ai para nos dar uma aula.

    Comentário por Leandro Reinaux — 05.08.08 @ 10:19

  2. Genial o post. Eu mudaria o titulo para: “pirataria: ela venceu”

    Comentário por Bernardo Carvalho — 05.08.08 @ 11:47

  3. De fato, novos modelos de negocio devem ser criados a partir das regras mercadologicas atuais, que estão um tanto ou quanto defasadas, deve-se haver uma especie de refinamento destas. Um trecho interessante do texto “está na hora de parar de remar contra a maré (…)”, representa o cerne desta nova otica. Empresas que detem copyright, sejam musicais, livros, ou qualquer outra obra passivel de distribuicao online, se desejam ganhar dinheiro, jamais (leia-se “sera muito dificil”) poderão ir contra a web, e seus torrents, e X-mules. A pesquisa mostrou isto! E outras que virão tambem o farão! Excelente post!

    Comentário por Ivan C M — 06.08.08 @ 09:19

  4. Olá Silvio! Não quero que fique parecendo jabá, mas se quiser dá uma olhada nesse link http://focozero.blogspot.com/2008/08/uma-idia-para-driblar-o-download-ilegal.html

    É do meu blog. Lá eu comentei sobre esse assunto e pensei numa idéia meio capenga para se ganhar dinheiro com a pirataria, pelo menos no caso dos direitos autorais. Como vc tem mt mais conhecimento e inteligência do que eu, talvez consiga desenvolver de modo que ela fique melhor. Quem sabe…

    Um abraço!

    Comentário por Marcio — 06.08.08 @ 20:31

  5. o que quase ninguém atenta é que a questão não é precisamente se eu pago ou não, mas se eu tenho na hora em que eu quero. Se o acervo está catalogado, indexado, navegável, eu pago $5 num álbum digital.

    acontece que todos nós já temos nossos sites “acho na hora que quero”, possivelmente 99% deles ilegais. Então, é só unir o útil ao agradável. Álbuns de música, com raríssimas exceções, são alavancados por duas ou três trilhas no máximo. Nunca mais perco tempo indo a uma loja, enfrentando uma fila, pagando até 5x o valor digital para voltar para casa e ouvir 20% do cd…

    Comentário por bruno — 07.08.08 @ 10:23

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