Terra Magazine

30.09.08

CO2, vida e morte: simulação

Tags:, , , - srlm às 17:04

breathing-earth-brazil.png

www.breathingearth.net é uma simulação, em tempo real, das emissões de CO2, nascimentos e óbitos no mundo, por país. no planeta, ainda nascem duas vezes e meia mais gente, por unidade de tempo, do que morrem. estamos muito longe, ainda, do desenvolvimento sustentado.

 

Blogs que citam este Post

dois possíveis fins-de-mundo?…

Tags:, - srlm às 11:58

o que é mais provável? o fim do mundo pela via econômica ou física? segundo os economistas, o federal reserve americano vai, como nas novelas, lutar até o fim pra evitar o primeiro. e talvez consiga. já o segundo, ninguém sabe: o LHC, mega acelerador destinado a descobrir como o mundo começou, é vítima de insistentes boatos sobre poder vir a ser a causa do fim do mundo. o último é que seus 700.000 litros de hélio líquido, imersos em alguns dos campos magnéticos mais poderosos da terra, poderiam se transformar em uma bose supernova. talvez precisem do fed por lá, também…

Blogs que citam este Post

28.09.08

inovação [pela hora da morte?...]

Tags:, , , , - srlm às 23:58

inovação, nos ensina peter drucker, é a única fonte de aumento [sustentado] de produtividade e esta, por sua vez, é a única maneira de sobreviver numa economia competitiva. muitos milhares de páginas têm sido escritos sobre o assunto nas últimas décadas e milhões de horas são gastos nas empresas, no mundo inteiro, na busca das melhores práticas pra garantir que a empresa saia de onde está para um lugar mais competitivo em sua cadeia de valor. e inovar, quase a qualquer custo, se transformou num mantra corporativo no mundo inteiro.

nakamats_water-inventor.jpgse você pensa que não há um método garantido para "inovar", esqueça suas crenças pregressas e vá ao encontro do dr. yoshiro nakamatsu, [ou "dr. nakamats"] de quem o guinness book of records diz que é o recorde mundial de patentes, cerca de 3.200. nakamatsu san ganhou o igNobel de 2005, tem uma análise de todas as suas refeições dos últimos 34 anos e pretende viver pelos próximos 64, pelo menos, o que significa não morrer antes dos 144.

método do "dr.", para garantir idéias, patentes e inovação permanente: mergulhar sem nenhum auxílio até que a morte chegue bem perto, munido de um sistema, que ele mesmo inventou, pra tomar notas debaixo d’água [veja foto deste texto]. segundo o japonês com quem a ibm tem uma relação continuada, as melhores idéias rolam meio segundo antes da morte certa. aí ele tem um surto de imaginação e "cria" alguma coisa, logo antes de morrer afogado… e a satisfação de fazê-lo o traz de volta à superfície. usando tal processo, muito pouco usual e provavelmente suicida [para qualquer mortal comum. inclusive ele], o doutor pretende chegar às 6.000 patentes em seu [longo, se tudo der certo] tempo de vida. mas não tente imitá-lo, em casa ou no trabalho, sem supervisão de adultos sãos. até porque o "método" nada tem a ver com inovação.

por que? porque inovação tem muito pouco a ver com patentes ou mergulhos suicidas [de qualquer tipo...] para ter "idéias": inovação é a mudança de comportamento de agentes, no mercado, como consumidores e/ou fornecedores de qualquer coisa. e mudar o modo de ver, sentir e estar tem pouco a ver com idéias e sim com a execução, premeditada e ao mesmo tempo imperfeita, porque sempre aprendendo, de estratégias que consideram as necessidades dos consumidores, a [nova] forma de atendê-las, os benefícios e custos envolvidos e a atitude da competição em relação ao que você está tentando fazer.

você pode até ter uma "idéia" genial usando um método como o do dr. nakamats ou qualquer outro tão idiota quanto. mas inovação não tem nada a ver com este tipo de pirotecnia. e pode, muito bem, ser transformada em processo e realizada por mortais comuns, dentro dos ambientes mais insuspeitos. é só ter objetivos, metas e métricas, criar [no seu negócio] a energia para mudar e mantê-la no ar, com processos e incentivos apropriados, que os resultados não demoram a aparecer. e estão aparecendo em todos os lugares que estão fazendo justamente isso.

Blogs que citam este Post

26.09.08

a [falta de] interatividade na tv digital

o brasil resolveu lançar seu programa de TV digital -que por sinal não vai muito bem das pernas- sem interatividade. a partir de uma plataforma de hardware [para transmissão e recepção do sinal de vídeo e áudio] similar à japonesa, botamos a coisa no ar em são paulo há quase um ano [dezembro de 2007] e, de lá pra cá, a penetração do SBTVD, o sistema brasileiro de TV digital, vem andando a passo de cágado.

até porque, como o ministro das comunicações descobriu recentemente, ninguém mais tá falando de TV digital, a não ser os fabricantes de set top boxes [as caixas que convertem o sinal digital pras TVs analógicas], provedores de middleware [o sistema operacional dos boxes] e os potenciais desenvolvedores de aplicações. as grandes redes de televisão, depois de terem conseguido o que queriam -migrar para o padrão digital sem admitir novas estações no espectro e excluindo as operadoras de telecom da TV digital móvel- relaxaram e estão esperando que alguma coisa aconteça.

a questão é… que coisa? certamente não vai ser a TV aberta fazendo um monte de propaganda da TV digital. com um público reduzidíssimo [algumas dezenas de milhares de set top boxes vendidos e interesse dos anunciantes perto de zero], não há porque ninguém se preocupar, agora, com TV digital aberta. o cabo e o satélite, também digitais e há muito tempo, vão bem, com seus 52% de crescimento em cinco anos, chegando a mais de cinco milhões de lares hoje [sem contar os gatos de todos os tipos]. um milagre, pro brasil, mas pouco, ainda, pra um país do nosso tamanho. mas, mesmo assim, talvez cubra boa parte dos 15% da população que estão nas classes A e B e pode pagar por centenas de canais em casa… e que não têm nenhum interesse em TV digital aberta, que passa a mesma coisa que já se vê na TV digital… paga.

o que falta, mesmo? duas coisas, talvez. uma, outra ou as duas em conjunto. a primeira é uma programação diferente no canal digital. tipo o canal analógico da TV X passando titanic pela ducentésima vez, enquanto o digital da mesma emissora passa corinthians vs. palmeiras ao vivo no paulistão. aí a TV digital aberta, grátis [financiada por anunciantes], passaria a ter [parte d]a programação da TV paga e o público de baixa renda, que não pode pagar por TV fechada, iria pro SBTVD na hora. pode apostar em milhões de set top boxes vendidos em pouco tempo, dependendo só da capacidade das emissores e redes de prover uma cobertura decente pelo país afora.

a segunda é interatividade. poder mexer na programação, interagir com ela, apostar no resultado dos jogos, acessar o banco, pagar contas, comprar coisas cm o controle remoto, marcar uma consulta, ver o boletim de seu filho na escola. a menos de um detalhe: interatividade não deu certo na TV digital em nenhum lugar do mundo até agora. por causa de uma mistura de padrões confusos, direitos e propriedade intelectual ainda mais confusos e falta de planos de negócios viáveis para emissoras e anunciantes, todas as tentativas de dotar a TV digital de uma interatividade real e prática naufragaram. aqui no brasil, está se tentando fazer vingar uma plataforma de interatividade nacional, ainda não completamente especificada e tampouco preparada para o horário nobre.

e aí aparecem umas idéias de botar um monte de caixas na rua com uma versão inicial [um "beta"] e, depois, trocar [pelo ar?] seu sistema operacional [ou um conjunto significativo de suas funções básicas]. algo me diz que isso é muito complexo e não vai rolar. até porque os fabricantes do primeiro time [como philips, sony...] não vão querer desfilar com este modelito. talvez fosse melhor tentar alguma coisa de classe mundial, um modelo de negócios em que participássemos dos resultados junto com o resto do planeta, algo que fosse ser usado em quase todo canto e mais alguns.

nos estados unidos, depois de décadas de idas e vindas, as maiores operadoras de tv fechada [e digital, também] incluindo a comcast e time-warner [mais de 80% do mercado de 100 milhões de lares], fecharam com tru2way, o padrão da cableLabs, baseado na linguagem java e livre de royalties. isso porque ninguém nunca havia conseguido resolver, antes, o que pagar, e a quem, nos middleware anteriores como o mhp, um natimorto muito complexo [e caro]. somando-se a isso o apoio da intel, samsung, sony, panasonic e outros gigantes do setor, é capaz do problema de interatividade na TV digital estar sendo resolvido exatamente da forma que os americanos mais gostam: de forma prática, pela via do modelo de negócios, sem discussões filosóficas e teóricas… e no mercado.

enquanto eles pensam em negócios e tentam estabelecer padrões de fato, ficamos discutindo, aqui, o direito constitucional que deveria levar [?] à independência científica e tecnológica do país. ao perdedor, neste caso, as [cascas de] bananas…

falando nisso, um padrão americano [de fato] de rádio digital [IBOC, da ibiquity] está se infiltrando no brasil, insidiosamente e sem muita discussão, e pode acabar se tornando o padrão de fato da próxima geração de rádio nacional. e parece que este processo vai ser ainda mais natural do que a escolha do modelo japonês de TVD pelo brasil…

pra terminar, tenho conversado com muita gente, nos últimos anos, sobre interatividade em TV digital. e muito dessa gente me diz que o principal problema do padrão brasileiro de interatividade para TV digital é que ele não é muito interativo… no seu processo de definição e construção. e que uma boa parte dos atores que deveria estar sentada à mesa, decidindo principalmente o negócio de interatividade e os negócios ao redor dela… não está lá. exatamente o contrário do que sempre ocorre nos estados unidos, mesmo quando o padrão, comoo o tru2way, é feito por uma companhia qualquer. um dia, vai ver, a gente aprende alguma coisa com eles.

Blogs que citam este Post

24.09.08

guerra por talento: a convocação da embraer

Tags:, , , - srlm às 12:22

embraer-asa-180.jpgsegunda passada a gente falou de gente em TICs, no mercado americano, onde mesmo depois do naufrágio de alguns grandes bancos de investimento a perspectiva de mercado de trabalho para profissionais de TICs continua muito boa. falta gente e os salários estão subindo. segunda mesmo saiu um texto no K@W [Not What, Not How, but Who? Western Companies Face a Worldwide Talent Crunch] sobre as dificuldades que as companhias ocidentais -muitas delas vivendo em mercados de crescimento exponencial, como certos nichos de TICs- estão tendo para contratar gente, principalmente gente senior, líderes de projeto com dez ou mais anos de experiência.

jim hemerling, da consultoria BCG [de san francisco], diz que dois fatores estão por trás da "guerra" por talento: a "significant aging of the workforce in North America, Europe and Japan… shrinking the supply of experienced people in developed markets", e o crescimento das "rapidly developing economies, or RDEs, driving up demand".

segundo hemerling, um de seus principais clientes diz que… "We used to worry about what to do from a strategy standpoint. Then we worried about how – operations. Now, in addition to strategy and operations, we worry about who. Who is going to be there to get the work done? In fact, our biggest challenge is not what, it’s not how — it’s who." ou seja, a preocupação principal das empresas deixou de ser o que ou como fazer e passou a ser com quem fazer. não há gente.

e isso não é só no setor de TICs. e o que as companhais estão fazendo? além de rodar o mundo atrás de gente, contratando para si e terceirizando com outros, entraram no setor educacional e estão formando seu próprio pessoal. este é o caso de companhias tão diversas como motorola, na índia e embraer, no brasil. aqui, a empresa que já fabricou quase 5.000 aeronaves [que voam em quase 80 países] começou a formar engenheiros para si própria desde 2001, em um programa de especialização dirigido a engenheiros recém-formados. de lá pra cá, cerca de 1000 engenheiros entraram no programa de especialização da embraer, feito em parceria com o ITA, e todos os 850 que já terminaram foram imediatamente contratados. outros 150 estão no pipeline, no momento, para atender a demanda por projetistas e construtores de tudo que entra na fabricação, manutenção e evolução de uma aeronave, inclusive [e muito] software.

1_legacy_600_cockpit_baixa-400.jpg

se você está afim de trabalhar com aerodinâmica, estruturas, comandos de vôo, aviônica, engenharia elétrica e eletrônica, software embarcado… tá na hora de se inscrever no processo seletivo da especialização da embraer. só há lugar pros cem melhores, as inscrições já começaram e vão até nove de novembro. e boa sorte.

 

Blogs que citam este Post

22.09.08

crise? que crise?

Tags:, , , , - srlm às 01:21

enquanto parte da indústria de tecnologias de informação e comunicação [TICs] avisa que a crise financeira pode muito bem afetar seus resultados, o que tem tido um impacto sobre o valor das empresas, parece que não há sinais de diminuição da demanda por capital humano competente em TICs.

é coisa pra se duvidar, já que o tamanho do socorro americano à indústria financeira de lá vai chegar perto de US$700B. e isso vai ser a maior conta pública de todos os tempos em qualquer país, guerras e desastres fora. a insolvência de wall street é da ordem de magnitude de uma grande guerra; a do iraque já custou aos cofres americanos perto de US$600B e as estimativas são de que poderá custar pelo menos três trilhões de dólares.

mesmo diante de um pipoco de tal ordem de magnitude, não há sinais de que o mercado de trabalho de TICs esteja sendo afetado, pelo menos até agora. um relatório publicado logo antes do fim do mundo, que foi notícia na AP, diz que "Overall technology employment is up in America and the wages associated with it are up",  segundo a forrester research. ou pelo menos o mercado de trabalho de TICs tinha esta cara no dia 5 de setembro.

bank-trading-room-440.jpg

apesar da apreensão geral, não há sinais de mudança radical até agora. em boa parte, pode ser porque, apesar do menor número de bancos, por causa das fusões e aquisições em andamento, os reguladores americanos e mundiais quase certamente vão exigir maiores níveis de controle sobre as ações e instituições do setor financeiro.

e como todo negócio, hoje -e principalmente nos mercados de capitais- é software, vai ser preciso mais software e gente pra escrevê-lo e mais hardware pra rodar tudo e gente de suporte pra manter as coisas no ar. mesmo se alguém se encontrar no olho da rua, um analista do setor lembra que"if you’re really good in IT, you won’t be on the street for very long".

 

Blogs que citam este Post

21.09.08

gPhone: competição pro iPhone?

Tags:, , , - srlm às 01:52

android_phone.jpgvem aí o primeiro produto de conectividade móvel construído sobre android, o sistema operacional da open handset alliance, cujos trinta associados incluem a telefónica, tim, china mobile, docomo, motorola, lg, htc e samsung, além de ebay e google, que dá o nome aos bois. quase todo mundo que já ouviu falar da coisa acha que haveria, ou há, um "google phone". de tanto acharem, pegou.

nesta terça-feira, a t-mobile, outro membro do grupo, lança o primeiro celular da família android, um celular 3G feito pela htc. a máquina chega ao mercado americano por US$199 e tem inimigos declarados… o iPhone, os blackberry e os smartphones que rodam symbian e windows mobile. entendidos estimam que o primeiro gPhone vai ocupar 4% do mercado americano no último trimestre do ano. isso -se ocorrer- vai ser três vezes menos do que a apple conseguiu no primeiro trimestre do iPhone. vamos ver se outros fabricantes e operadoras vão lançar outros modelos, pra quem e por quanto.

a família "gPhone" deve se espalhar pelo mundo e, em breve, estar no brasil pelas mãos de algum de seus fabricantes e operadoras associadas. se pegar, vai ser porque quase tudo no celular pode ser mudado, inclusive a tela principal e o discador. e porque, segundo a promessa da aliança, qualquer aplicação vai se comportar como uma aplicação nativa. tomara. se isso acontecer, os outros que se cuidem. iPhone também.

Blogs que citam este Post

Posts mais antigos »

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol