Terra Magazine

12.03.09

promoção na operadora: [uma] música a R$18

Tags:, , , - srlm às 02:26

o mercado de entretentimento móvel, no brasil, quase não existe. um amigo resolveu tentar entender porque. no país, 81.5% dos celulares são pré-pagos; o extremo é o pará, que tem 90.8% de pré-pagos. de acordo com a anatel, o país tem [não necessariamente em operação] 151 milhões de celulares. em números redondos, são 120 milhões de pré-pagos e 30 milhões de pós-pagos. nesta conversa, estamos falando da vasta maioria, os 120 milhões de pré-pagos, que poderiam ser um grande mercado. mas não são. por causa deles, o ARPU [renda média das operadoras, por mês, por usuário, incluindo os pós-pagos] é menos de quarenta reais.

pois bem. o amigo pega um pré-pago e carrega com R$25, pra fazer um teste. poderia ter lido um texto do ti inside –celular no brasil é o mais caro do mundo- e não precisaria testar nada. mas é um cabra prático e vai atrás de ver como as coisas funcionam na vida real. assume que quase todo mundo que tem pré-pago não tem banda larga em casa e, se quiser uma música tocando no celular, vai trazê-la pelo próprio celular.

isso se não souber das consequências… quais? bem, no site da operadora há um grande sucesso à venda por módicos R$3,99. meu amigo assume que o bom cidadão, cumpridor das leis, não vai copiar a música do celular ao lado. gente boa, ele entra no site da operadora e paga 75% mais caro do que se estivesse comprando a canção no iTunes [US$0.99], bota fé na transação e confirma o dá-o-loud.

algum tempo depois, o tal sucesso está carregado no pré-pago [emprestado, pro experimento]. vai rolar a festa. antes, pra saber o que mais pode fazer com o celular, meu amigo verifica quanto sobrou de crédito. a surpresa? sobraram R$7. como sabemos,  a música custou R$3,99. quanto devemos somar a R$3,99 para, ao subtrairmos o resultado de R$25, termos R$7 como resultado?… QUATORZE REAIS. a música custou quatro reais e o download custou quatorze, dos quais mais de cinco reais vão para o governo como imposto e a operadora fica “apenas” com uns nove reais, ou pouco mais de duas vezes o preço da música, pra enviá-la pra seu celular.

feitas [e entendidas] as contas não é nenhuma surpresa que, primeiro, o ARPU do brasil seja um dos mais baixos das américas. afinal de contas, ninguém é doido o suficiente pra correr tal tipo de risco com alguma frequência, tipo umas duas vezes na vida inteira. eu mesmo –nem pra testar- nunca comprei nada do site de nenhuma operadora. eu e quase toda a população móvel do país, pelo visto.

segundo, enquanto o modelo de negócios das operadoras não mudar, radicalmente, para limitação de banda [enquanto houver limitação de infraestutura] combinado com volume ilimitado [em potencial] de dados, a coisa vai continuar exatamente como está. nem nós participamos dos negócios móveis, nem elas ganham, conosco, o que poderiam estar ganhando. garanto que, com um modelo de negócios que faça sentido para os usuários, todos nós ganharíamos muito mais. simples assim…

Blogs que citam este Post

11 Comentários »

  1. Olha vamos adaptar teu modelo pra o Brasil:
    Tu pega uma carroça (dessas que vende DVD), põe um MacBook de 10 pol com tela de toque (vai sai logo mais) .Coloca uma placa “VENDO MUSICA”.Ai o fregues vem com o dedo escolhe a música .O mac vai lá acessa o itunes via 3G, baixa a musica e depois passa pro celular do fregues.

    Comentário por Marcio — 12.03.09 @ 08:48

  2. Concordo que os preços das operadoras são abusivos, pra isso o governo criou uma agência reguladora a Anatel, para que as empresas não suguem nosso sangue. Mas advinhem ? Ó que surpresa !!! A “agência reguladora” governamental não regula nada, não sever pra nada, a não ser receber verba, e as operadoras acabam sugando nosso sangue. Nos países ricos o custo do investimento é até mais caro, mas os preços são mais baratos. Mágica ? Não, é que as agências fiscalizadoras européia e americana marcam duro, e se a empresa cobrar 1 centavo abusivo, é fechada e os dirigentes podem pegar cana. No Brasil isso parece uma utopia.

    Comentário por Daniel Seabra — 12.03.09 @ 09:51

  3. Estava conversando com um amigo americano meu sobre isto outro dia. Quando ele me perguntou respondi: Oi Tim… simples, não use celular. Não engordo mais operadora nem o governo. Um ‘tostão’ a menos no bolso deles e um a mais no meu. Vivo muito bem sem isto. No BRasil das Telecomunicações, uso orelhão - called to call. Então ele respondeu: Claro! veeeery niiiiice!!!

    Comentário por Sr. Barriga — 12.03.09 @ 10:11

  4. Olá,
    A operadora testada não foi a Vivo, pois na Vivo o usuário só paga pelo conteúdo, não pela navegação e nem pelo Download.

    []’s

    Comentário por JR — 12.03.09 @ 10:31

  5. Além dessa questão que está abordada de maneira brilhante (parabéns !!) há o fato negativo das altas tarifas de ligação de celular e para um celular, e por isso há limitação de ligações para celulares, bloqueio nas empresas, etc. Essa situação era possível entender no passado, quando os aparelhos surgiram, mas não mais hoje, com a quantidade de aparelhos, superiores às linhas fixas.

    Comentário por Flávio Costa — 12.03.09 @ 10:45

  6. O problema aqui no Brasil é sempre jogado para quem opera os serviços, o que é uma injustiça, pois se nossos governantes ao invés de taxarem abusivamente todos os serviços, cobrassem o justo e fizessem uma fiscalização rigorosa, a coisa seria bem diferente. O negocio é taxar muito e arrecadar bastante, para ter o que roubar. Certo?

    Comentário por Carlos — 12.03.09 @ 10:56

  7. Enquanto a tributação sobre telefonia móvel continuar a enriquecer o governo (entenda-se por isso mais de 30% do faturamento das teles), dificilmente veremos preços mais agressivos nas prateleiras das operadoras. Se somarmos a este fato a falta de transparência na cobrança pelos serviços o pato continuará sendo pago pelo consumidor. Como usuário de downlaods pelo celular, vejo uma luz no fim do tunel, no caso específico da Vivo eles não me cobram pelo trafego de dados, uma música que custa R$ 4,30 é entregue por R$ 4,30 para o meu telefone, sem pagar $ 0,01 centavo a mais. Quisera o mercado seguisse este mesmo modelo…

    Comentário por Felipe — 12.03.09 @ 11:07

  8. o brazilé uma vergonha!!!!!!!!!!! ninguem toma providencia !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    acho q 75% da população só usa o celular para receber ligação rsrsrsrsrsrsr

    Comentário por ricardo — 12.03.09 @ 11:16

  9. O problema do abuso e falta de respeito das operadora é tão vergonhoso de deveria se tornar caso de polícia, dada as lesões causadas nos bolsos e na saúde, por consequencia, dos clientes.
    O desmando é geral, nós clientes não temos proteção, e entre elas as operadoras funcionam como um verdadeiro CARTEL. Equanto isso, vamos continuar vivendo em mundo globalizado com recursos colonias……quem foi que entregou estes 150 milhões de consumidores para o capital e a EXPLORAÇÃO externa??

    Comentário por Antonio SC — 12.03.09 @ 11:35

  10. Tem mais !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    As empresas daqui cobram roaming Nacional. Isso é um abuso. Porque eu preciso pagar roaming se minha operadora também está em outrso estados?
    Nos EUA não se paga roaming nacional.
    Usava um pré-pago nos EUA onde a ligação do celular pro Brasil custava apenas 0.25c/min. Isso mesmo: 0,25 centavos de dólar. É mais barato ligar dos EUA pro Brasil do que pagar 1,15 reais/min pra ligar pro meu vizinho.

    As operadoras reclamam, mas devem ganhar mais dinheiro aqui do que nos EUA.

    Comentário por fabiolic — 12.03.09 @ 11:48

  11. credo q roubo!

    http://culturaatual.blogspot.com/
    http://www.mipy.com.br/

    Comentário por leonardo — 14.03.09 @ 17:50

Feed RSS para os comentários do post. Link de TrackBack

Deixe seu comentário

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol