Terra Magazine

29.04.09

o blog, o conteúdo e o estilo

Tags:, , - srlm às 12:24

este blog, como quem passa por aqui vez por outra sabe, não tem paciência para usar a tecla “shift”. depois de ponto, nada de maiúsculas, por exemplo. e nomes próprios quase nunca ganham uma capital no princípio; daí que vez por outra brasil aparece com um “b” ao invés de “B”. questão de estilo, diriam uns, inclusive o autor. alguns outros, membros da patrulha ortográfica da língua portuguesa, ficam possessos: ao invés de ler o blog, que trata de tecnologias da informação e comunicação [TICs: algumas siglas aparecem em capitais] e seu impacto na sociedade, os patrulheiros se dirigem direto pros comentários e detonam o autor em gênero, número e grau.

pura perda de tempo: meu contrato com o terraMagazine [com “M” bem no meio] não me sujeita a um manual de estilo que o terra [e o magazine], por sinal, não publicou. escrevo o que quero, quase quando, e certamente como quero. quem quiser ler português perfeito, casto, última flor do lácio inculta e bela… deve procurar outro endereço, que é o que não falta na rede brasileira, com tantos e cultos autores publicando tanta coisa boa todo dia.

se o blog não tá nem aí pra [falta de] regras e pros comentários sobre seu relaxamento, o que é mesmo que este texto está fazendo aqui? ah, bem: o texto de ontem era sobre alpha [com ph mesmo…], a máquina de respostas da wolfram research; mas boa parte dos comentários [como sempre, quando um assunto qualquer chama atenção] era sobre a tecla “shift” [e não, deve-se observar, sobre “caixa-alta”…]. como sempre, este tipo e nível de comentário não mereceria  nenhuma resposta, mas aí a antonia berlotto, pelo fim da tarde, escreveu:

Silvio Meira:

Vou te fazer uma pergunta e quero resposta: Há mais de um ano quem entra aqui sabe que vc escreve com minúsculas; um direito seu, cada um escreve como quiser, ninguém é obrigado a ler. Entra quem quer, lê até o final quem quer. Quem não quer, ou não entrra ou muda a página na primeira linha. Quem se move pra te escrever é movido por alguma coisa; ciúme, ódio, ressentimento… Quem entra e escreve comentário, um ano depois de vc escrever com minúsculas, é óbvio que é algum desafeto ou ex-namorada movido(a) por algo negativo, baixo, mesquinho. A pergunta, portanto, é:  porque você, que tem como mediar, não nos poupa dessas mediocridades no seu ótimo, híper interessante blog. Porque eu tenho que ler aqui estas manifestações da miséria humana? Busco os comentários como complemento do debate, não há como saltá-los salvo uma linha depois -que faço- mas, por favor, nos poupe. E responda-me.

Comentário por Antonia Berlotto — 28.04.09 @ 18:13

como o comentário de antonia já está mesmo publicado, não pedi sua licença para copiá-lo aqui; é apenas a mesma coisa do texto anterior, no seguinte. e a pergunta é importante e merece resposta: por que este blog não media os comentários e deleta a irrelevância?…

antonia, eu acho que a resposta é simples e tem duas razões básicas. primeiro, por tolerância: tá cheio de gente sem espaço para se expressar e os comentários, em qualquer blog que tenha um mínimo de audiência, são um lugar precioso. servem como terapia pra uma galera que passa aqui uma vez, desfia um rosário de impropérios contra o autor, vai embora e não volta nunca mais. o efeito desta turma é nulo, até porque não consegue organizar uma campanha pelo “bom” português na web, que tenha como ícone [por exemplo] a retirada deste blog do terraMagazine. até que seria interessante uma tentativa destas, pra gente ver no que ia dar.

a segunda razão é educacional e também tem a ver com tolerância: estamos em tempos de formação de novos mecanismos de expressão, incluindo a [re]criação da língua, da escrita e dela na rede. e isso não começou a acontecer na internet, pois no latim antigo já se distinguiam o sermo quotidianus [língua do dia-a-dia], sermo urbanus [citadina], sermo plebeius [popular, em oposição aos patrícios]… ou seja, tantas línguas quantos fossem os grupos sociais, ocupações maiores, distribuição geográfica e por aí vai. a língua “ideal”, referendada pela academia, nunca passou de… um ideal.

claro que este blog não está propondo uma revisão do português e o fim das maiúsculas. mas nada o impede de usar seu próprio estilo, e isto envolve uma certa tolerância, por parte de quem lê, pois tem que sair do seu modo usual de percepção de texto e varrer a página com mais atenção, pelo menos nas primeiras vezes. afinal de contas, onde foi mesmo que o autor colocou o ponto?…

talvez haja uma terceira razão, subliminar, que é afastar um certo tipo de audiência potencial: quem não tolera o estilo vem aqui uma vez, quase que por engano, esculhamba geral e, se tudo correr bem e nossas preces forem atendidas, não volta nunca mais. amen.

curiosamente, boa parte das pessoas que reclama da ausência de maiúsculas não parece perceber que, no passado distante, o latim só tinha letras capitais e todas as palavras [em muitos contextos] eram separadas por um “ponto”. o estágio onde ainda temos pontos e maiúsculas talvez seja apenas um ponto intermediário no caminho das minúsculas sem nenhuma pontuação [ou acento]. já pensou? talvez não, mas não leve muito a sério, pois pode ser apenas outra provocação.

abaixo, uma das mais antigas inscrições latinas de que se tem notícia [séc. V a.c.?], encontrada no lapis niger, em roma. pra quem gosta de maiúsculas, boa leitura. e até a próxima…

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28.04.09

terça é dia de alpha

srlm às 08:01

stephen wolfram, o gênio milionário por trás da wolfram research e do software mathematica, vai apresentar sua máquina de respostas [em oposição a buscas] na web, o wolfram alpha [ainda em beta fechado], no berkman center de harvard, às cinco da tarde desta terça, hora de brasília. o evento será webcasted neste link.

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wolfram descarta a competição entre máquinas de busca, como google e live search, e alpha, sua máquina de respostas. as primeiras varrem a web e compilam o melhor conjunto de páginas que atende a algum requisito, como search engines, por exemplo. alpha, por outro lado, responde a perguntas diretas e objetivas usando um engenho computacional que entrega respostas [supostamente] ótimas dentro de certas condições. ao invés de busca, a máquina de wolfram é um computational knowledge engine, ou uma máquina de conhecimento computacional.

vale a pena ver? para ajudar você a decidir, um pouco de história e contexto. em 1988, wolfram publicou um software que viria a revolucionar o estudo, ensino e uso de matemática, que vem a ser o tal mathematica, base de sua fortuna atual. o programa, inicialmente um engenho limitado de cálculo integral e diferencial contínuo, está na versão sete e faz, automaticamente, o que muita gente pensou que seria impossível realizar sem um cérebro humano por trás. além de cálculo contínuo e discreto, mathematica pode ser usado para modelagem, simulação, processamento e visualização de imagens e mais um monte de coisas que deixaram newton e leibniz, inventores do cálculo, verdadeiramente impressionados. dê uma olhada neste cálculo integral online e nestas demonstrações, pra ter uma idéia da sofisticação da coisa… abaixo, um exemplo de integral e seu gráfico, computado e visualizado por mathematica.

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em 2002, wolfram lançou um livro que deveria mudar a história da computação, chamado a new kind of science, ou simplesmente NKS, cujas quase mil páginas estão online, na íntegra, neste link. NKS não é para os fracos de coração e gerou muita controvérsia por insistir na idéia de que toda a computação –e, em última análise, toda a ciência e natureza ao nosso redor- está fundamentada em máquinas [abstratas] muito simples chamadas autômatos celulares, dos quais o jogo da vida é um exemplo muito simples.

por baixo de alpha está a base de mathematica e uma infraestrutura de autômatos celulares como a descrita em NKS. alpha contém modelos formais de quase tudo que a gente sabe, para tentar construir uma representação –tão fiel quanto possível- de nosso conhecimento sobre o mundo. e isso inclui matemática, computação, física, química, biologia, previsão de tempo, culinária, negócios, viagens, pessoas, música…

a interação com alpha é baseada em linguagem natural [só inglês no lançamento, em maio] e você pode fazer perguntas diretamente, como "integrate x^3 sin^2 x dx" ou "uncle’s uncle’s brother’s son". a primeira tem como resposta algo que parece muito com a saída de mathematica para a mesma questão e a segunda vem com uma árvore genealógica completa descrevendo os laços de sangue que levam ao parentesco.

aí tem coisa: alpha pode ser, para conhecimento formal, o que google é para conhecimento informal. no último, a relevância da resposta é decidida por um conjunto de heurísticas que inclui descobrir o quanto outras páginas, na web, acham que uma certa página é relevante para um conjunto de palavras chave. no primeiro, uma pergunta é respondida por um sistema formal que parte de uma ampla gama de respostas pré-computadas, uma quantidade muito grande de dados e fatos e um conjunto integrado de sistemas formais de computação, dedução e inferência. google encontra páginas; alpha [quer] computar respostas. duas classes de sistemas, para dois [ou mais] usos distintos. a prática, é claro, decidirá quem vai usar qual deles para quais fins…

alpha, no momento, é um sistema de informação baseado em cinco milhões de linhas de código escrito em mathematica e roda sobre algumas [poucas, pelo que se sabe] dezenas de milhares de cpus [contra muitas centenas de milhares, indo para milhões] de google. vamos ver no que vai dar. eu vou ver a demo. encontro vocês lá.

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26.04.09

computação e conexão para as massas

srlm às 11:01

uma das notícias mais quentes no mercado de netbooks é o anúncio do skytone alpha 680, um netbook baseado no chip ARM 11 e no sistema operacional “de google”, android. em seis de abril, este blog dizia que

android, o “sistema operacional” de google, é na verdade uma plataforma para desenvolvimento e uso de aplicações móveis baseada no kernel [a parte essencial] do sistema operacional aberto linux. para saber mais sobre a coisa, clique aqui. durante algum tempo, se pensou que o alvo de android eram os smartphones, os telefones da classe do motorola motoQ, nokia e71 e apple iPhone; google, aliás, a open handset alliance [OHA], não falava em outra coisa.

isso mudou radicalmente na semana passada. segundo o wall street journal, a HP está testando android em netbooks, mas ainda não decidiu se nem quando lançaria android num deles.

a hp, como toda grande companhia, demorou demais. o primeiro netbook rodando android vem de uma firma… chinesa, a guangzhou skytone transmission technologies, cuja especialidade, até agora, era a produção de netbooks pra crianças. pelas imagens alpha 680 no site da companhia, o netbook tem jeitão de tablet, e uma tela sensível ao toque deve estar em suas próximas versões.image

o alpha 680 deve custar US$250 no lançamento, preço que pode cair muito se o volume de vendas for suficientemente alto. segundo nixon wu, ceo da skytone, numa entrevista à computerworld the goal is to bring low-cost computing to the "80% of the world" that can’t afford it today. That means villagers in Africa or farmers in China, need access to information on the Web as much as anyone else… o objetivo do 680 é trazer computação de baixo custo aos 80% das pessoas que não têm como pagar por ela hoje, na periferia da áfrica e china. bem que ele poderia ter acrescentado brasil e o resto da américa latina, onde a necessidade é tão grande quanto.

quem tiver um alpha 680 no começo do segundo semestre vai trazer suas aplicações direto do android market [na partida, 20% não devem rodar no alpha, por questões de portabilidade, segundo wu] e talvez [não há nada sobre isso na especificação ou entrevista] haja conexões diretas [e privilegiadas?] aos apps de google na web.

uma coisa: este mercado vai pegar fogo. o alpha 680 vai pesar 700 gramas e tem, como opcional [além de wi-fi e ethernet] conexão GPRS, CDMA, EDGE,WCDMA. ou seja, um plug-in básico transforma a coisa num telefone.

agora pense: mais mil dias de desenvolvimento, teste e uso, no mercado, por dezenas de fabricantes –incluindo os gigantes mundiais e alguns brasileiros- que vão entrar nesta corrida; cpus, memórias e conexões mais rápidas, eficientes, menores e mais baratas; telas maiores, de resolução mais alta e consumindo menos energia; baterias menores e de maior duração; interfaces mais agradáveis e de melhor usabilidade em espaço muito restrito; preços caindo com o tempo, por causa de melhoria na tecnologia e aumento do mercado… e teremos uma convergência celular-PC de fato: cada telefone, na sua e na minha mão, será um smartphone e este smartphone, por sua vez, será um computador muito mais interessante do que os laptops de hoje. muitas vezes menor, mais rápido, mais sofisticado, melhor conectado, mais barato e consumindo muito menos energia. adeus telefone, alô computação e controle, conectados em rede

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24.04.09

brasil: república de software?

srlm às 12:00

a brasscom, associação das empresas do setor de software, informa: em 2008, as exportações brasileiras de serviços de software cresceram 75%, atingindo US$1.4B, o que levou o país a saltar da décima posição que ocupava em 2007 para a quinta, o que não é feito menor, dado que somos o oitavo mercado de TICs do planeta.

o mercado global, que era de US$50B em 2007, cresceu 40%, passando a US$70B em 2008 e pode chegar, segundo previsões da at kearney, a US$100B em 2010. metade deste crescimento será atendido por uma fonte: a índia. entre os que competem pela outra metade, estão o brasil, china, argentina, méxico, chile e outros países menos votados.

o brasil quer mais que triplicar suas exportações de software nos próximos anos, para US$5B, o que poderia gerar entre cinquenta e cem mil empregos no setor. parte do dever de casa é aumentar a performance da produção, trazendo mais e melhor educação e inovação para as empresas e seus colaboradores. a outra parte, muito mais complexa, é simplificar o brasil, diminuindo os custos de contratar, aqui, o que hoje vai pra índia e outros países.

ao contrário do que alguns pensam, não se trata de pagar salário-escravo pra engenheiros e programadores, mas diminuir impostos e custos trabalhistas e operacionais que separam o brasil das nações que estão participando a sério da economia do conhecimento. é possível redesenhar o conexto trabalhista brasileiro para a economia dos processos e do conhecimento? tomara que sim… pois os novos empregos não vão vir da agricultura e da indústria.

e não há melhor hora para fazer tais mudanças do que agora, no meio de uma crise que, por si só, está redesenhando o mundo. se não vamos –e não vamos- trazer muito mais indústria clássica, daquela da revolução industrial, que gerava emprego em massa, para cá, bem que poderíamos nos aplicar para tornar o país, de verdade, mais competitivo em software.

há sinais de mudança no ar: o chanceler brasileiro disse recentemente que o brasil é uma “república de software, aviões a jato…”, se libertando pelo menos em parte de um imaginário que, há meros cinco anos, o levou a dizer [em relação à índia] que… “nossas economias se complementam. eles têm o software; nós temos a indústria de alimentos mais competitiva do mundo”. bem vinda seja sua mudança, senhor ministro, e mãos à obra. ainda temos muito o que fazer para sermos, de fato, uma república de software.

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22.04.09

a atenção e as redes sociais

srlm às 14:32

lá no começo da internet se dizia que o negócio de todo e qualquer site estava era relacionado a eyeballs, ou olhos. dos olhos com que se via e se vê a rede é de onde vem a atenção que, por sua vez, é de onde vem a renda que transforma sites em negócios. antigamente [há uma meia década…] certamente poder-se-ia dizer que “no eyeballs, no business”.

mas o tempo da internet é acelerado; a rede é uma economia exponencial. basta ver as curvas de performance e penetração das tecnologias da rede. escolha a sua e procure um gráfico. abaixo, o crescimento do número de visitantes de twitter nos últimos doze meses

imagesó entre fevereiro e março deste ano, twitter cresceu 131%, pulando de perto de quatro para mais de nove milhões de visitantes por mês. é deste tipo de pegada, e suas prováveis consequências, que negócios estabelecidos como google e microsoft tem medo. no último ano [e não no último mês] google cresceu 8%. e eyballs, hoje, é um tipo bem diferente de atenção; é a atenção associada à contribuição, à participação pessoal em comunidades, e não à realização de transações simples como uma busca.

image no passado, claro, google teve uma curva de crescimento muito similar ao twitter de hoje. só que, nas economias exponenciais das quais estamos falando, cada sistema ou site não é uma curva exponencial para sempre, mas uma sigmóide, uma função que começa como uma exponencial mas que, depois de um tempo, diminui sua velocidade de crescimento até, literalmente, “bater no teto”. twitter tá no começo de sua sigmóide e google está muito mais perto do “teto” do S.

só que google tem, hoje, cerca de 3/4 dos old eyballs da rede, quando o negócio é busca. para todos os efeitos, google é imbatível no “seu” negócio. mas… e se a atenção, se os new eyeballs e todo o resto começarem a se mudar para outras plagas, tipo blogs e, principalmente, redes sociais como facebook e twitter?…

leia este texto de joshua porter, que termina dizendo que… in conclusion I see Google’s dominance being eroded by the social networks. It won’t be a direct assault on search, just as Google didn’t directly assault Microsoft by trying to build a better OS or a better Office suite. It will be a direct assault on attention. You don’t kill the incumbent at their own game. You change the game, and then beat them at that one.

em português?… você não derrota monopólios no jogo deles. primeiro, você muda o jogo, pra um que eles não sabem ou não conseguem jogar e, aí, você os derrota no seu jogo. o ataque a google não vai ser à busca, mas à atenção que google tem hoje. porter, e muito mais gente, acha que google está começando a perder atenção para os sistemas sociais da rede. façam suas apostas, pois em pouco tempo –menos de meia década- saberemos a resposta.

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21.04.09

crise leva sun para os braços da oracle

Tags:, , , , - srlm às 10:23

a SUN microsystems, que já foi uma das empresas de tecnologia mais importantes da rede [arquitetura sparc, java, openOffice e, mais recentemente, mySql], e do mundo, esteve para ser vendida, poucas semanas atrás, para a IBM. não rolou. por um número de razões, a IBM desistiu em cima do laço. e há quem diga que a IBM, ao comprar a SUN, estaria comprando algo que pareceria muito com uma parte de si mesma.

enfim, não deu. e aí larry ellison, dono da oracle e uma das figuras mais singulares do silicon valley, resolveu comprar [por US$7.4B] a companhia que, mais de duas décadas atrás, criou o slogan "the network is the computer", ou a rede é o computador, antevendo que um dia tudo o que gostaríamos de ter num computador [e muito mais] estaria, na verdade, na rede. a noção de "nuvem", ou "cloud computing" já fazia parte do credo da sun antes mesmo da internet a rede que vemos hoje.

diz-se que larry ellison gostaria muito de ser a apple do mercado corporativo. comprando a SUN, ele pode ter se tornado outra IBM, com quem vai competir diretamente, agora, no mercado de servidores. e a oracle comprou um conjunto de problemas, também. a companhia é um dos líderes no mercado mundial de sistemas de gerenciamento de banco de dados [SGBD] e tem muito pouca aproximação com a comunidade de software livre. junto com a SUN, a oracle passou a ser dona do SGBD líder do mercado aberto, mySql, que tem mais de 11 milhões de instalações no mundo todo. em muitas empresas pequenas e médias, no meio desta crise, "trocar oracle por mySql" tem sido uma das formas de salvar recursos preciosos. qual será, na oracle, o futuro de mySql?…

olhando de longe, parece que a microsoft não tem nada a ver com o assunto, mas tem. ellison nunca deixou de bater em redmond sempre que teve oportunidade. e até procurou as oportunidades quando elas não eram assim tão claras. só que, agora, ele também vende sistemas e isso pode levar empresas como dell e HP a olharem com outros [mais carinhosos] olhos para a microsoft, que não tem nem parece querer ter um negócio de hardware para competir com seus principais clientes. tempos de crise são tempos estranhos. sempre…

 

 

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19.04.09

lei anti-pirataria “mata” metade da internet sueca

Tags:, , , , , - srlm às 19:35

a suécia botou em prática uma lei draconiana contra cópia de material protegido por copyright. no dia seguinte, o tráfego internet entre a suécia e o resto do mundo caiu de cerca de 160Gbps para ao redor de 90Gbps e continua nesta média até agora. cerca de metade da internet sueca, como vista pelo resto do mundo, "desapareceu". é isso que o gráfico abaixo, cortesia da netnod, mostra.

 

pra apertar ainda mais a grade onde o país quer prender sua rede, a suécia condenou a galera or trás do pirate bay, um dos principais sites de compartilhamento de conteúdo do planeta [mais de 4M de torrents por dia] a um ano de cadeia mais o pagamento de US$3.6M para compensar royalties supostamente "perdidos" por seus donos.

para a suécia, por enquanto, pirataria não é apenas mais um modelo de negócios. prá uns, é assim mesmo que tem que ser. pra outros, entre os quais um número de provedores de acesso na suécia, é o ponto de partida de um controle orwelliano sobre a internet do país.

eu acho que esta história de copiar arquivos tá com os dias contados; e isso nada tem a ver com leis e controles de estados como a suécia, ou com o que vai acabar sendo a "lei da internet" no brasil. mas porque "ter" um arquivo com você, seja lá em que dispositivo for, ainda é uma forma de manter o concreto dentro do abstrato, como se a rede fosse desaparecer a qualquer momento. com cada vez mais rede, cada vez mais presente e de cada vez mais qualidade, nós vamos ver, ouvir e participar de fluxos… e a localidade, armazenamento e propriedade de arquivos vai se tornar cada vez menos importante.

pense: numa rede onde todo mundo tenha 100Mpbs, o tempo todo, a custo fixo [vamos chegar lá, vai levar tempo, mas vamos chegar...] prá que mesmo é preciso ter alguma coisa, arquivo que seja, "local"?… prá que copiar música pro seu HD se você vai poder ouvir [entre tantas muitas outras...] grooveshark?… ainda mais, se ainda restar alguma inteligência na velha indústria de conteúdo, ao invés de brigar por leis pra manter o passado no futuro, é capaz de -olhando construtivamente para coisas como grooveshark- conseguirem, ao invés, trazer uma boa parte do futuro para o presente… enquanto isso, os suecos, sempre eficazes e eficientes, nada mais fazem, desta vez, do que perder tempo.

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