Terra Magazine

31.05.09

do que se falou aqui, em maio

srlm às 12:29

a tag cloud abaixo foi construída por wordle.net [está neste link, em seu tamanho normal], processando todos os textos publicados no blog neste mês de maio.

image pra quem não tem familiaridade com tag clouds, o tamanho das palavras, na imagem, tem relação direta com a frequência de seu aparecimento no texto; trata-se de uma medida de importância relativa.

podia ser bem mais interessante; clicar em cada palavra poderia mostrar os posts onde a palavra ocorre, pra gente ir direto pra lá. mas não dá, pelo menos não usando esta tecnologia. wordle, aliás, é grátis e online; vá lá e construa umas clouds com seus textos. talvez você se surpreenda.

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30.05.09

bing: muda O QUE no universo de BUSCA?

Tags:, , , , , - srlm às 00:54
semana que vem a microsoft lança seu "novo" engenho de buscas, bing, que antes iria se chamar kumo e que, na verdade, é uma combinação do que já estava rolando em live search com tecnologias que a microsoft estava desenvolvendo em casa e outras compradas recentemente [como powerset, por exemplo]. sem falar num redesenho razoável da interface de apresentação e interação.
 
segundo vozes internas da MSFT [don dodge, entre muitos outros] a empresa vai apontar bing para quatro alvos: tomar decisão de compra [e comprar de dentro do próprio bing]; planejar uma viagem [decidindo para onde ir e onde ficar e, a partir daí, como...]; pesquisar uma condição de saúde [e, quem sabe, decidir marcar um médico e comprar um remédio...] e, finalmente, achar um negócio local, perto de onde você está ou mora [e, talvez, decidir fazer alguma coisa a respeito]. tudo, óbvio, centrado no mercado americano, que é o maior do planeta [ainda] e onde a empresa de redmond perde de google por 8 a 1 [isto é, a cada oito buscas feitas em google, uma é feita em live search].
 
a microsoft está dizendo duas coisas básicas sobre bing: 1. ele não é um engenho de busca; ou seja, nada de enfrentar google cara a cara; google é de busca, mas bing é de "decisão": a microsoft propõe que as pessoas usem seu serviço como auxiliar no processo de tomada de decisões [vamos ver se "pega"]; 2. não se espera resultados significativos, no mercado, no curto prazo; estão olhando, segundo steve ballmer, anos à frente.
isso tira a pressão de cima da turma de bing, que de outra forma teria que enfrentar google [o que vai ocorrer, queiram ou não] e mostrar resultados já. no topo disso, acho que o posicionamento de bing, como um sistema de decisão com a ajuda do qual [e de dentro de sua interface, veja o vídeo aqui] as pessoas vão poder tomar decisões de compra e realizá-las… muda o modelo SFO. como assim?
 
SFO é a abreviatura para search [faça uma pergunta], find [encontre o que você quer] e obtain [pegue uma cópia, isntância ou exemplar da coisa pra você] que é, digamos, o modo normal de navegar na rede. se você prestar atenção nos demos de bing [em vídeo, aqui] talvez concorde comigo que uma boa parte do esforço por trás da nova aposta da microsoft é fazer com que o "O" de SFO seja realizado, também, dentro do sistema "de busca". assim, google seria um sistema do tipo SF e bing, SFO; talvez, no começo, com um "o" minúsculo: SFo. com a microsoft participando do processo, mediando as transações e, consequentemente, ganhando dinheiro com isso.
 
pode pegar, pode não. medida de sucesso? se eu estivesse financiando o esforço, iria querer alguma coisa como passar yahoo [que ganha de live search, no mercado americano, por 2.5 x 1] em 18 meses. ainda iria estar perdendo pra google por 3 x 1, mas aí já dava pra pensar em virar o jogo. quarta-feira a gente vai saber que time, mesmo, tá entrando em campo e em que condições. em qualquer caso, no começo da partida, eu não esperaria muita precisão e cobertura nos resultados, para conteúdo em português, localizado no brasil. mas tomara que eu esteja errado. na quarta a gente vai saber.

 

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28.05.09

redes sociais nas empresas: hora de aprender

srlm às 01:19

a serviço da deloitte, a opinion research consultou 2008 pessoas [empregados, na prática e em potencial] e 500 executivos de companhias americanas sobre redes [mídias] sociais e comportamento de cada um e o que é [ou seria] esperado, pelos executivos e pelas empresas, de seus colaboradores. parte dos resultados pode ser vista no histograma abaixo:

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um terço dos executivos está no facebook [que agora, em parte, tem os russos da DST por trás]; um terço também considera que redes sociais são parte do negócio e de sua estratégia e operações; perto disso usa redes sociais como parte da estratégia de comunicação interna do negócio… 14% dos CEOs tem um twitter, 13% bota algum vídeo corporativo no youTube e 11% tem um grupo, no facebook, ostensivamente patrocinado pela corporação.

no brasil? como sempre, faltam dados. mas não seria surpresa se os números aqui fossem bem mais modestos, devido a um processo mais lento de aculturação e, ao mesmo tempo, ao fato de que a rede social dominante no país, orkut, não tem “tanta cara” de negócio quanto facebook. que, convenhamos, também não é essas coisas todas pros negócios… mas tá lotada de gente e empresas.

mas o histograma acima vem dos 500 CEOs consultados. e os 2008 empregados, acham o que?… 53% têm certeza de que sua atividade online, seja onde e porque for, não é da conta de seus patrões, empresas ou clientes. vivam e deixem-me viver. no topo disso, mais de 1/3 de todos os empregadosnever consider what their bosses, clients or colleagues think before posting… não estão nem aí para o que patrões, clientes e colegas pensam antes de dizerem, eles próprios, o que pensam. para o mundo inteiro.

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resultado? 3/4 dos empregados acham que o uso de mídias sociais pode prejudicar a reputação de suas companhias… e isso enquanto apenas 17% dos CEOs tem algum tipo de programa ou operação de monitoramento e controle de danos dos efeitos das redes sociais nos seus negócios.

até aí, nada de novo. e o mundo [corporativo] vai se acabar por causa disso? não, certamente que não. pense bem: com toda a mídia negativa, de massa e social, dos últimos anos, o congresso brasileiro não acabou e ainda há quem se lixe. as empresas, principalmente as mais responsáveis, não vão acabar só porque um vídeo de funcionários trêbados na festa de fim de ano vazou no youTube.

depois de emeios, páginas e blogs, redes sociais são apenas mais um passo na escalada de conectividade –e consequente abertura- por que estamos passando na era da informação, nas nossas vidas e na das empresas [e partes do Estado]. em algum lugar, lá na frente, as coisas vão se equilibrar.

enquanto isso, quem vai perder? na minha opinião, as empresas que, por puro e simples temor do desconhecido [e descontrolado], perderem a oportunidade de aprender como usar [interna e externamente] as redes sociais e a internet em tempo real [coisas como twitter] para se tornarem mais capazes, enquanto é tempo. lá na frente, depois que muita gente já souber e praticar, vai ser sempre mais difícil e agregará, em relação ao que poderia fazer hoje, muito pouca competitividade adicional.  

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26.05.09

carros que fotografam, analisam imagens…

srlm às 17:39

…pra descobrir eventos específicos, como acidentes e infrações de trânsito, trocam informação entre si, com outros sistemas móveis especiais [a polícia, por exemplo]… este é o conteúdo da palestra de mario gerla, que está rolando esta tarde, no XXVII simpósio brasileiro de redes de computadores, em recife.

gerla, da university of california los angeles, está falando sobre sistemas de informação [veicular] móveis, e exemplificando, em particular, o ambiente mobEyes, no qual está diretamente envolvido. as perspectivas são imensas, da mesma forma que os problemas; afinal de contas, você [nem ninguém] quer que seu carro saia por aí, fotografando a tudo e a todos, e depois dedando à polícia.

Vehicular_sensor_networks

mas que ia ser massa se os carros ao redor do seu tivessem fotografado, ou melhor, gravado, em áudio e vídeo, aquela batida na qual um sem noção qualquer destruiu sua lateral e quer que você seja o culpado… lá isso ia. até porque o carro do doidão teria gravado a mesma coisa também, no caso dele incluindo velocidade, posição, freio, condição do sinal [que ele cruzou…] etc.

pela proposta de gerla, apenas os metadados [informação sobre a informação real que o carro detém] seria passado a outros carros [e aos “agentes especiais”…], garantindo que somente em certas condições se teria acesso à informação gerada no [ou pelo] carro. beleza. mas… e os hackers?… e os grampos, que haveria, certamente no brasil, nos carros?…

pode ser que, com o tempo, os carros não saiam por aí “gravando” tudo e todos. mas algo me diz que eles vão estar em rede, entre eles e com as ruas [e sinais, e radares…] muito em breve. e que este tipo de pesquisa vai ser fundamental pra isso.

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25.05.09

futebol, redes sociais [e violência]

srlm às 11:56

briga de torcida de futebol não é nenhuma novidade, é má notícia. e há muito tempo. e tampouco é novidade, hoje, que as articulações internas [numa “organizada” qualquer] e externas [pra combinar confusão] sejam feitas pela internet. e tem o day after: a série de eventos, na rede, que vai levar à próxima confusão.

a rede, como mecanismo essencial da bagunça e violência do futebol, em escala, está aí desde que redes sociais como orkut, há meia década, começaram a invadir o brasil. clique aqui para ver uma notícia sobre o assunto, publicada em 2005, sobre violência de torcidas no rio e neste link aqui, também de 2005, sobre a confusão em são paulo.

e ninguém estava copiando ninguém: os mais jovens, principalmente, aprendem qualquer coisa nova muito rápido e se apoderam de novos meios, de qualquer tipo, desde que sejam eficientes e eficazes, para atingir seus, digamos, objetivos. no caso dos brigões das torcidas organizadas, as redes sociais [e a profusão de lanhouses da periferia] caíram do céu, em termos e eficácia e eficiência, para articular e coordenar os processos, métodos, meios e pessoas que levam à violência que vemos antes, durante e depois dos jogos.

mas parece que muita gente continua se surpreendendo [pelo menos aparentemente] que uma coisa que “poderia ser tão boa…” [sic] para a humanidade, como a rede, seja usada para fomentar a violência. este é o tom do noticiário que, no fim de semana passado, deu conta da pancadaria entre galeras do são paulo e palmeiras, lá no distante itaim paulista. a manchete, aqui mesmo no terra, foi: Briga entre 400 torcedores foi marcada pela internet, diz PM. dos 400 envolvidos, 158 foram parar na delegacia do jardim noêmia, e a foto que ilustra a matéria está logo abaixo.

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fazer qualquer coisa “pela” ou com “ajuda da” internet não é mais novidade. tudo passou a ser feito tendo a internet como, no mínimo, coadjuvante de primeira grandeza. segundo uma atendente de um motel de recife que tem internet em todas as suítes, aquelas onde o PC e a rede não estão funcionando só são ocupadas em “noite de fila e quando o casal ‘tá muito precisado’”. e quem quiser pode pedir uma webcam à recepção; o que quer dizer que há muita gente, por aí, fazendo sexo “em rede”, na rua, na chuva e no motel, além da casinha de sapê.

pois bem: sabendo que a rede faz parte do cotidiano das torcidas e das “organizadas”, tá mais do que na hora de pararmos de nos surpreender com isso. temos que passar a usar as redes onde as galeras se encontram pra tratar o problema, antecipando ações de prevenção e controle. ao mesmo tempo, redes sociais têm um imenso potencial motivacional e educacional, que deveria estar sendo melhor usado para articular a grande maioria dos torcedores e torcidas que está interessada em times, jogadores, futebol e campeonatos e torneios, e não em violência e quebra-quebra.

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24.05.09

mídia social é… social

image ao invés de negocial, econômica ou financeira, no caso das redes sociais abertas. pelo menos é isso que mostra um estudo que bem recente da knowledge networks. segundo a pesquisa, 83% da população da internet na idade entre 13 e 54 anos usa mídias [ou redes] sociais como twitter, facebook, digg ou linkedin e muita gente, 47%, tá lá toda semana. e olhe que estamos falando de algo que não existia há cinco anos: mySpace, facebook, orkut, linkedin e bebo têm, todos, cerca de meia década.

que as pessoas estão de mudança pras redes sociais é inegável: nos últimos 12 meses, o número de visitantes únicos de google cresceu 1.8%, os de facebook 250% e os de twitter 1.192%. mas… não trate de mudar toda sua publicidade digital pras mídias sociais agora: menos de 5% usa as redes sociais para tomar decisões de compra de produtos ou serviços em nove categorias pesquisadas, de viagens [4%] a remédios [1%].

e tem mais: apenas 16% de todos pesquisados diz que anúncios em redes sociais os tornaria mais predispostos a comprar produtos ou serviços do anunciante. 502 pessoas foram consultadas, como parte de um painel que [em tese] representa toda a população dos EUA. não se conhece estudo semelhante para o brasil. de qualquer forma, ainda é preciso rodar muito pra entender como influenciar pessoas em uma rede social, principalmente se você é uma companhia e ainda acredita no “método direto”: criar uma campanha e botá-la, como se dizia nos tempos da TV, “no ar”. os tempos mudaram. radicalmente.

na época da TV, as pessoas faziam parte de uma coisa chamada audiência, que ficava sentada no sofá vendo o que estava rolando na telinha; e pouco mudou com o controle remoto. na rede, e principalmente nas redes sociais, além do controle do browser, cuja barra de endereços e clicks de mouse me levam para onde eu quiser [e não para onde o programador central queria me levar], são as pessoas que criam a “mídia”. por isso mesmo é sites como orkut e youTube são chamados de mídias “sociais”: todo mundo pode contribuir com seu conteúdo e influir na criação e consumo do conteúdo do resto do mundo. e a audiência virou comunidade. pra sempre.

resultado? estar conectado à família e amigos [sua “rede social” mais próxima] é o que leva 54% dos consultados pela knowledge networks a fazer parte de redes sociais; e isso deve ter a ver, também, com o fato de que 60% das pessoas só usa redes sociais a partir de casa. de todos os consultados, 34% disseram que usam as mídias sociais mais intensamente agora do que há um ano, enquanto 18% diminuiram a intensidade de sua participação.  o estudo, vale a pena lembrar, foi feito sobre redes sociais públicas, abertas, às quais qualquer um de nós pode ter acesso, bastando criar um par login/senha.

image no caso das empresas e seus produtos e serviços, e se elas criassem, para quem os adquire [ou pensa em], redes sociais que pudessem servir como mecanismo de articulação e plataforma de relacionamento, cooperação, colaboração e inovação, tanto para clientes e parceiros como para gestão de seu próprio conhecimento sobre o negócio, “abrindo” as portas de suas casas para seus usuários, que há tempos deixaram de ser mera “audiência”?…

isso –a rede social do “seu” negócio- poderia ser essencial para melhor conectar o dentro [como os projetistas de automóveis] e o fora [os motoristas, fornecedores e compradores em potencial] e estes muitos mundos passariam a fazer parte de uma mesma… rede!

o estudo da knowledge networks parece dizer que quando se cria uma “rede social” sobre um produto, processo ou empresa em um site “de” redes sociais, agrega-se valor ao site mais que à empresa ou produto. ainda que a empresa vá lá e, de certa forma, patrocine a coisa com seus anúncios. hora, na certa, de repensar como se deveria usar redes sociais nos negócios…

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21.05.09

mais gente nos GAMES do que no CINEMA…

Tags:, , , - srlm às 22:41

…nos EUA. relatório que acaba de sair, feito pelo npd group, dá conta de que 63% dos americanos jogaram algum tipo de game [sim, game mesmo, e não baseball ou futebol real, físico] nos últimos seis meses, enquanto apenas 53% saíram de casa pra ver um filme no mesmo período.

segundo a pesquisa, os jogadores gastam cerca de US$13 por mês em “todos os tipos de conteúdos associados a jogos”. pouco, para os estados unidos; pelas contas de hoje, pouco mais de R$26 por mês. o preço médio de uma entrada de cinema nos EUA é US$7.18; nos grandes cinemas das grandes cidades, a entrada sai por US$10, uma pipoca sai por US$6 e um refri por US$4. um casal, duas crianças, um filme qualquer, e lá se foram US$80. caro demais, não?

melhor comprar um nintendo wii, que sai por US$249 na amazon, um lote de jogos [mario kart sai por US$49] e mandar ver. na vasta maioria dos casos, a família interage e aprende muito mais: você, por exemplo, já jogou mario kart com seu filho pequeno, ele lhe ensinando?… não tem preço. e isso sem falar que, sem ir ao cinema, você ainda pode [mas este blog não aconselha tal comportamento] pegar todo e qualquer filme em alguma torrent por aí, caso em que o cinema em casa sai por um custo, literalmente, marginal.

a gente já falou disso aqui muitas vezes: trata-se de uma mudança radical de certos modelos de suporte físico na indústria de mídia. dia destes, falamos sobre coisas como kindle e literatura; tempos atrás, e várias vezes, sobre a internet, as notícias e os jornais e, vez por outra quase sempre, sobre música, que sempre incendeia o que resta da indústria de “gravação”.

agora pense: e se as pessoas acham, hoje, que o custo vs. benefício de jogar, no computador, console ou web, é muito melhor do que ir ao cinema, fazer o que?… obrigá-las a ir ao cinema? nesse caso, a indústria precisa alistar o ministro hélio costa, que está em campanha pra tirar os “jovens” da internet e mandá-los de volta à… televisão. vai ver ele assume, também, as dores dos cinemas vazios, nos EUA e no mundo.

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