Terra Magazine

sábado, 31 de outubro de 2009

tempo de twitinovação

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com a palavra, evan williams, CEO de twitter, talvez o negócio mais inusitado, improvável, querido e, quem sabe, do ponto de vista de retorno sobre investimento… entre os mais lucrativos do futuro próximo:

"Most companies or services on the Web start with wrong assumptions about what they are and what they’re for. Twitter struck an interesting balance of flexibility and malleability that allowed users to invent uses for it that weren’t anticipated."

…a maioria das companhias e serviços na web parte de pressupostos falsos sobre o que são e pra que servem. twitter atingiu um equilíbrio interessante entre flexibilidade e maleabilidade que permite inventar usos [do site, sistema] que não haviam sido antecipados.

agora ouça o que diz eric von hippel, autor de democratizing innovation, ninguém menos do que o líder do grupo de inovação e empreendedorismo da sloan school of management do MIT…

“Twitter’s smart enough, or lucky enough, to say, ‘Gee, let’s not try to compete with our users in designing this stuff, let’s outsource design to them’ ”…

…twitter é inteligente ou sortudo [ou esperto] o suficiente para dizer… “peraí, não vamos competir com nossos usuários no desenho deste negócio, vamos deixar que eles o façam, vamos terceirizar nossa inovação para nossa comunidade”.

image resumo? inove com seu público, seus usuários e clientes. mais: permita, crie espaços, entradas, infraestruturas para que sua comunidade se torne o motor de inovação do negócio. ela é parte essencial de sua empresa e cadeia de valor e sabe, ou vai descobrir, com você [se tiver chance e meios], o que é bom pra todos. e isso acaba sendo bom pra você, seu negócio e renda também.

caso contrário? todos se tornarão seus ex-usuários, serão parte de outra comunidade onde seja possível ser mais do que simples parte da audiência.

na web, aliás, audiência já era. pra sempre, aliás. ainda bem.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

tributo a evandro, ao afroreggae

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como muitos brasileiros admiradores do afroreggae, recebi por emeio uma carta aberta do coordenador do grupo, meu amigo josé júnior. este blog, solidário com o movimento, os amigos e a família de evandro, republica a carta de júnior na esperança sincera, renovada, de que a luta por uma sociedade muito mais equilibrada signifique, num futuro cada vez mais próximo, cada vez menos mártires como evandro.

daqui até lá, que a luta de evandro, relatada por júnior de forma tão singela e objetiva abaixo, sirva de exemplo para todos nós. porque a luta por uma sociedade mais justa, mais limpa, menos violenta, mais capaz de lidar com as desigualdades, injustiças e com a impunidade é de todos nós.

quanto mais medo tivermos, como indivíduos e grupos, de lutar contra as mazelas do estado e, ao mesmo tempo, seu aparelhamento por forças que, ao fim e ao cabo, destroem as bases da sociedade que queremos, mais mártires teremos.

temos evandro por mártir da luta por um brasil mais justo. ao mesmo tempo, temos todos que nos unir para que não precise haver mais evandros para que tenhamos, todos, o brasil que queremos. e que podemos ter se muitos mais, verdadeiramente, quiserem ter.

tá na carta aberta de júnior: evandro é mártir, e mártir não morre. vira inspiração, transforma indignação em força; força que um dia, mais dia menos dia, vai acabar a guerra.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

as relações de trabalho e as redes sociais [abertas]

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o national law jornal publicou recentemente um texto que, se não tivesse fundo de verdade –e real possibilidade de acontecer- seria pura história de trancoso. segundo o journal, as consequências não intencionais de se tornar “amigo” de alguém em uma rede social, se você é o empregador ou superior, no trabalho, deste alguém, podem causar ou exarcebar processos judiciais que começam em demissão sem justa causa, passam por favorecimento indevido e discriminação e acabam em assédio, sexual inclusive.

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segundo o jornal legal americano, ser amigo de alguém em uma rede social [aberta, como facebook] pode levar um dos lados a saber coisas [do outro] que não se saberia no ambiente de trabalho… levando a consequências, desejadas ou não, nas relações e litigação trabalhistas.

nas redes sociais abertas, as pessoas estão contando suas vidas ao mundo. no caso de muita gente, talvez a maioria, sem qualquer crivo que separe o pessoal do profissional. a participação de gerentes e empregados, patrões e funcionários, nas mesmas redes, pode elevar o potencial de conflito nas relações de trabalho e emprego a níveis impensados, especialmente no cenário americano, onde a história do litígio, por qualquer coisa ou causa, é muito antiga e cara.

e olhe o histograma abaixo, publicado neste blog em maio passado:

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um terço das empresas americanas tem seu CEO em facebook, tem redes sociais como parte de sua estratégia de negócios e mais de 20% usa uma rede social como parte de seu processo interno de comunicação. o risco anunciado pelo national law jornal pode ser bem real. e alto.

um segredo que só a rádio corredor sabe, numa empresa [como um alguém que só trabalha bicado toda segunda e sexta], pode ser fato amplamente conhecido numa rede social e, ouvido por quem não deveria [o “chefe”], pode ter consequências funestas. para todos os lados. uns perderiam o emprego, outros seriam processados. pelo menos, nos EUA, este é o alerta do national law jornal: se você é o empregador, nem pense em fuçar a vida de seus empregados em redes sociais abertas; a acusação poderá passar, em  muito, de invasão de privacidade. será?

e no brasil? podemos degringolar, aqui, e em que escala, para os níveis de conflito dos EUA? algo que me diz que a advocacia trabalhista nacional, cada vez mais criativa e litigiosa, não tardará a arguir, aqui, as mesmas causas de lá. daí, talvez e pra todos, de um lado e de outro das relações trabalhistas, todo cuidado seja pouco com as relações nas redes sociais abertas.

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

competir perdendo dinheiro: quem pode, pode…

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há quarenta e cinco meses a microsoft perde dinheiro em suas operações online. só nos últimos três meses foram US$480 milhões. no último ano, muito mais de US$2B. coisa de gente grande.

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a microsoft, obviamente, tem caixa [perto de US$30B], resultante de suas operações offline, para bancar tamanho prejuízo. e o faz –e não desiste do online- porque sabe que o futuro de tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e comunicação está na rede. é por isso que a microsoft não desiste de suas operações deficitárias de internet e web, nem que pra isso tenha que gastar muito mais dinheiro do que está investindo hoje. mas o caminho é longo e a subida, muito difícil.

mas a empresa já fez isso em outros departamentos, e por muito tempo. em 2001, cada xbox vendido dava US$125 de prejuízo. pra redmond, isso era apenas uma parte da estratégia contra sony e nintendo; anos depois, em 2005, redmond perdia [coincidência?] US$125 por xbox360 vendido, como parte da mesma e renovada estratégia. e os resultados nem sempre são os esperados, como mostra o gráfico abaixo:

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a estratégia de vender por preço abaixo do custo nem sempre dá certo: o PS3 [em setembro] vendeu mais, nos EUA, do que o wii e o xbox360 [492 mil vs.462 mil vs.352 mil], pode pegar vapor e ser o console mais vendido nas festas de fim de ano. nos três últimos trimestres, a EDD, divisão da MSFT onde está o xbox360, perdeu dinheiro em dois.

mas nem todos os números são ruins: em 2009, a EDD lucrou US$319M, e a porção online do negócio é cada vez mais importante; no último trimestre, a receita do xbox live cresceu mais de 50%. sinal de que o futuro de todas as divisões de qualquer empresa, inclusive a microsoft, é online.

e pra isso vai ser preciso, ainda, muito investimento nos negócios baseados em internet e web. e não será só a microsoft que estará fazendo isso. quem não o fizer vai estar fora do jogo, e de uma vez por todas. no caso da microsoft, em particular, competir está dando muito trabalho e gastando dinheiro. e muito. mas quem pode, pode…

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domingo, 25 de outubro de 2009

bbc, click, tokyo, cyberdyne e… HAL [e XOS]

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a galera do programa click, da bbc inglesa, esteve andando por tokyo recentemente e produziu um vídeo de quase seis minutos, cujo resumo é… gente, muita gente, trens e metrô, e-wallets [carteiras eletrônicas] para pagar tudo, akihabara [e como a santa efigênia é de brincadeira], games, hordas de jogadores de dragonQuest nos nintendo ds, ambientes hi-tech para doação de sangue e… idosos, muito idosos e muitos idosos e a cyberdyne [de verdade].

a cyberdyne [de brincadeira] é a companhia que, na ficção, domina o planeta com a skynet e constrói os robôs terminator, popularizados nos filmes de schwarznegger. no cinema, a companhia é a mais pura e simples encarnação do fim do mundo.

image na vida real, o estranho senso de humor japonês batizou com o mesmo nome uma empresa que vai fabricar um robô de vestir, HAL [hybrid assistive limb], ou membros híbridos assistidos. a coisa é um exoesqueleto inteligente capaz de [veja figuras ao lado] auxiliar o movimento de quem o veste, mais ou menos assim…

1] quando tentamos nos movimentar, o cérebro envia estímulos elétricos aos músculos; como resultado, sinais bioelétricos muito fracos aparecem na pele;

2] para HAL funcionar, sensores bioelétricos colados à pele capturam os sinais enviados pelo cérebro aos músculos;

image3] estes sinais são enviados aos sistemas computacionais de HAL, que interpretam o movimento se deseja fazer e qual sua intensidade;

4] em sequência, sinais de controle são enviados para as partes desejadas do exoesqueleto, determinando que movimento deve ser feito e qual o torque a ser usado;

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5] em função disso, as unidades de potência geram o torque necessário e põem o exoesqueleto em movimento;

6] toda esta sequência de ações se dá em frações de segundo e, segundo os proponentes da “máquina”, vai resultar em um conjunto de movimentos muito natural.

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HAL tem um vasto banco de dados de sinais bioelétricos e seus possíveis encadeamentos e isso o torna, em tese, capaz de responder aos estímulos cerebrais com a naturalidade desejadas pelos seus projetistas e construtores.

se não é possível capturar sinais bioelétricos, o que pode ser o caso em algumas circunstâncias, o exoesqueleto pode ser dirigido por um controle remoto, o que certamente torna o processo muito mais complexo, mas oferece uma alternativa para casos muito mais difíceis do que idosos com problemas de mobilidade.

as tecnologias por trás de HAL vêm sendo desenvolvidas há muito tempo pelos laboratórios do prof. yoshiyuki sankai, na universidade de tsukuba, e podem ser um grande passo na assistência a pessoas com problemas de mobilidade causados por condições de idade ou acidentes.

mas o mesmo tipo de tecnologia, que está sendo desenvolvido em várias partes do planeta, muitas delas bem menos pacíficas do que o [atual] japão, pode ser usado para bem mais do que auxiliar idosos a se movimentar.

este é o caso de XOS, um exoesqueleto de uso militar que está sendo desenvolvido pela raytheon para o governo dos EUA e que pode ser visto em ação neste vídeo aqui.

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os dois projetos são candidatos a se tornarem inovações radicais, capazes de mudar a vida de seus usuários. alguns vão poder voltar andar. outros vão poder andar muito mais, por muito mais tempo, carregados de armas e munições. resultados de HAL certamente servirão de base para projetos militares e tecnologias oriundas de XOS serão vistas em produtos parecidos com HAL. a tecnologia, por si própria, não tem moral ou caráter. vai caber a quem a usa decidir o que fazer com ela. como sempre, desde sempre.

vamos esperar que nenhum dos projetos seja a base para transformar a cyberdyne de hoje na de amanhã…

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

web: cada vez mais sem fio, móvel e em tempo real

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em pouco mais de um ano, de agosto do ano passado a setembro último, o número de usuários da internet [nos EUA] que usa [de alguma forma] twitter pouco mais que triplicou, de 6 para 19%, como mostra o gráfico abaixo.

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e isso tem que ser comparado com 47% [em setembro, contra 29% em agosto de 2008] dos americanos [usuários da rede] que mantêm seu status, online, atualizado e disponível para seus pares e, às vezes, para o mundo todo.

tem mais: numa tendência que é mundial, 54% dos americanos têm conexão sem fio com a internet através de algum tipo de dispositivo, de consoles a celulares. destes, 25% usa twitter, contra apenas 8% do povo que está, literalmente, ligado à rede apenas por um fio qualquer.

um número muito grande de pessoas considera [gráfico abaixo] que estar conectado enquanto móvel é muito [ou de alguma forma] importante [81%] porque as conexões com outras pessoas se mantêm; 73% dá importância às conexões móveis porque podem acessar informação em movimento e 41% porque querem, de alguma forma, compartilhar informação enquanto fora de suas bases.

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pra terminar, quanto mais dispositivos conectados se usa, mais se “tuita” [vai estar no próximo aurélio…], como mostra o gráfico abaixo.

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resumo da ópera: quanto mais sem fio, móvel e com mais dispositivos à mão, mais as pessoas estão dispostas a usar e compartilhar informação com os outros

os dados são de um relatório do pew internet project, publicado em 21/10, twitter and status updating, fall 2009, e mostram o óbvio: somos gregários, mesmo [e especialmente] em movimento, temos raízes [mesmo em movimento] e, para onde vamos, levamos todo [ou boa parte d]o nosso contexto.

e nosso contexto, hoje [para quem já está na rede], são nossas conexões. as virtuais, em boa parte representando, online, as reais. daí, nada mais normal que… haja atualizações e leituras de status, em tempo real, móveis e cada vez mais intensas.

taí uma demografia pra quem estiver pensando em novos negócios na web. em breve, também e com muita intensidade, no .BR.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

espaços, criatividade, inovação e… gambiarras

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o texto anterior deste blog tratou de espaços para inovação [e criatividade], usando como exemplo um “veículo” desenvolvido em taperoá, no interior da paraíba. e isso levou a uma discussão [via twitter] com marcelo tas sobre criatividade, inovação, o brasil, suas periferias e as condições, lá longe, de desenvolvimento de novos produtos e serviços.

o que, por sua vez, levou à procura de referências brasileiras sobre o assunto e à dissertação de mestrado de rodrigo boufleur, a questão da gambiarra: formas alternativas de desenvolver artefatos e suas relações com o design de produtos, onde se desenha, logo na abertura, uma definição e contextualização do tema:

Dentre diversos significados relacionados, o termo gambiarra vem sendo freqüentemente usado de maneira informal para identificar formas de improvisação: adaptações, adequações, ajustes, consertos, reparos, encaixes, emendas, remendos, inventos inteiros, engenhocas, geringonças.

A despeito das depreciações que se costumam atribuir a alguns destes tipos de procedimentos – em muitos casos com total fundamento, na qualidade de “precário”, “feio”, “malandro”, “tosco”, o termo gambiarra recebe também conotações positivas. Acompanhando um momento de mudança na maneira como alguns pensadores e a própria população brasileira têm enxergado sua cultura e identidade, o termo gambiarra tem sido remetido à idéia do pronunciado “jeitinho brasileiro”, numa visão que busca enfatizar em seu próprio povo, uma propensão ao espírito criativo, à capacidade inventiva e inovadora, à inteligência e dinâmica da cultura popular; levando em consideração a conjuntura de adversidades e vicissitudes às quais todos nós (muitos evidentemente mais) estamos expostos; entendendo-a como uma prática que se aproxima de conceitos como reutilização/reciclagem ou bricolagem.

Independentemente de questões vernaculares, o termo gambiarra é usado por muitos para definir qualquer procedimento necessário para a constituição de um artefato ou objeto utilitário improvisado. Neste sentido, sob a ótica da cultura material, o termo gambiarra pode ser entendido como uma forma alternativa de design: Gambiarra é uma forma heteróclita de desenvolver uma solução funcional / aplicada. Ou seja, um processo baseado no raciocínio projetivo imediato, elaborado a partir de uma necessidade particular ou algum recurso material disponível - os quais proporcionam a constituição de um artefato de maneira improvisada. Esta relação nos leva a compreender a gambiarra como um paradigma paralelo, o qual surge a partir dos limites e dos impactos proporcionados pelo modelo industrial de produção e consumo. Se a atividade do design de produtos se define, não pelo estilismo, mas principalmente pelo desenvolvimento de artefatos (sejam eles industriais ou não), então na essência, design e gambiarra são procedimentos similares.

O que tende a ser diferente, são alguns fatores relacionados a cada contexto que podem variar, como por exemplo, a tecnologia empregada, os métodos, a infra-estrutura envolvida (fábrica, pessoas, equipamentos, matéria-prima, etc), o processo industrial, seus propósitos políticos e alguns objetivos corporativos, como por exemplo, para quem, porquê e para quê se produz.

O intuito de relacionar os termos design e gambiarra nos induz a uma reflexão sobre valores, mitos e significados, as contribuições e conseqüências dos objetos na configuração da cultura e no desenvolvimento da sociedade pós-moderna. A questão da gambiarra envolve temas como o desenho de artefatos, o resgate da função social do design, a problemática do lixo, o contexto da indiossincrasia e das necessidades específicas, bem como a identidade da cultura material brasileira.

lá no meio da conversa, rodrigo chega no ponto: design e gambiarra são a mesma coisa. gambiarra é design limitado por restrições de conhecimento, ambiente, meios… a gambiarra é design na periferia. o diagrama abaixo [também da dissertação] dá uma idéia geral da conversa. pra quem estiver interessado, a dissertação, com muitas imagens legais, está neste link. boa leitura.  image

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

taperoá e [ou] os espaços para inovar

srlm às 20:21

pra inovar, é preciso liberdade. é preciso tentar. errar, às vezes muito, e aprender com os erros. porque erros haverá. de preferência, têm que ser erros rasos, rápidos e muitos, pra tornar mais suave o tentar-errar-aprender. sem espaço, sem território para errar e, quem sabe, depois acertar, não se inova nunca. por medo. ou por amarras. abaixo, um espaço, aberto, livre e, de certa forma, desimpedido.

DSCF1615 by you.

acima, a rua XV de novembro, em taperoá, PB, sábado passado, em pleno dia de feira na cidade, a três quarteirões desta foto. clique na imagem pra ver outra, de maior resolução, onde você vai descobrir que o pessoal nas motos não usa capacete. isso não é inovação, claro, é falta dela.

e não é a falta do produto no mercado, porque inovação tem a ver com o produto mas não é o produto. inovação é a mudança de comportamento de agentes, no mercado, como fornecedores e consumidores (de qualquer coisa). simples assim. inovação não é idéia ou invenção, ciência, tecnologia, pesquisa ou desenvolvimento. muito menos inovação é algo essencialmente tecnológico. algumas das maiores e mais importantes inovações de nossos tempos são mudanças de modelos de negócio. e nas mudanças dos costumes, como proteger a cabeça com um capacete. em muitos lugares, tal costume não chegou, até porque não há, por lá, um sistema [outra inovação] para esclarecer, educar, incentivar e cobrar seu uso.

em taperoá, algumas regras do trânsito ainda não pegaram. isso significa que há um espaço para tentar, errar, aprender e acertar, por lá, muito mais amplo do que em outras partes do brasil. o que nos leva à imagem abaixo, com a feira atrás da foto:

JJL 2009, no trânsito de taperoá by you.

à esquerda, um motoqueiro, de boné [clique na imagem pra ver os detalhes]. nada de capacetes por aqui. à direita, depois de ter passado célere pelo fotógrafo, um bólido até esta altura não identificado, mas que tinha jeitão de moto transformer, como se partes de várias delas tivessem entrado em acordo operacional para fazer outra coisa.

que coisa?… abaixo, o JJL2009, seu projetista, construtor e único piloto de testes [e um curioso tentando entender “o que é que é isso, mesmo”?]:

josé júnior lusa posando ao volante do JJL 2009 by you.

josé júnior luísa, nosso personagem, pegou um motor de 125cc muito usado, desenvolveu um chasis “tubular”, acoplou quatro rodas de moto [com calotas de auto], um sistema de tração traseiro a corrente…

josé júnior lusa girando a chave do JJL 2009 by you.

…painel, pedais, bancos, chave de ignição e alavanca de câmbio como se fosse carro e, segundo o próprio, depois de três anos de experimentação, testes, acertos e desacertos e muita labuta, hoje já dá pra usar seu veículo no dia a dia de ida-e-volta ao trabalho, que fica a quase 10km de casa. além de servir como confortável meio de transporte, o JJL2009 serve para puxar um reboque que transporta leite da fazenda para a cooperativa.

claro que o JJL2009 não passa em nenhum dos testes pelos quais os carros que estão certificados para rodar por aí são obrigados a passar. nem o blog acha que deveria passar; nem este texto, apesar de ilustrado pelo carro de júnior, é sobre automóveis.

estamos falando de espaço para inovar, nas empresas, no governo, na sociedade. e a metáfora [bastante real] de taperoá, suas “leis” de trânsito e o JJL2009 servem para refletirmos sobre os espaços em que vivemos nos negócios, por exemplo. no seu, ou no que você trabalha, há espaços como taperoá, onde dá pra experimentar com um JJL ou algo parecido para tentar inovar? não de brincadeira, mas num serviço, performance ou produto real, como o JJL2009, usado muito a sério, por júnior, para trabalhar?…

JJL 2009, o veculo, rodando em TAPEROÁ by you.

se não houver, há duas coisas a fazer. primeiro, descubra se dá pra criar um espaço de inovação como as ruas de taperoá. isso pode gastar um bom número de perguntas a vários dos poderes que comandam e controlam seu negócio e muita criatividade sua e de muitos mais. se der, crie, ou ajude a criar, mesmo que limitado seja e, todo dia, lute para manter, porque vai haver sempre uma galera tentando enquadrar o espaço criativo, assim como num futuro nem tão distante assim, as leis do trânsito, com força total, chegarão a todos os taperoás que há no brasil.

se não houver e não der para criar um espaço de e para inovação, há uma lembrança essencial a considerar. nem todo negócio precisa ser inovador, mesmo em mercados que demandam inovação, às vezes o tempo todo. empresas ortodoxas e pouco adaptáveis podem sobreviver por anos a fio,  até um dia tomarem o caminho, quase nunca indolor, do grande cemitério dos CNPJs, destino ao qual lhes terá levado a falta de competitividade. justamente porque eram ortodoxas, muito pouco inovadoras

sabendo disso, pense em que tipo de empresa você está. se ela não tiver pelo menos um taperoá pra inovar… prepare-se para ver em breve, por lá, um por-do-sol como o da rua XV, lá do meu taperoá, em pleno outubro de primavera parecendo janeiro de verão. tomara que não seja, também, seu por-do-sol pessoal. e boa sorte.

por-do-sol na rua 15, taperoá by you.

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domingo, 18 de outubro de 2009

anúncios “banner”: o fim de um modelo de negócios?

srlm às 09:38

estudo recente da comscore, especialista em análise da web, mostra que o número de pessoas que clica em anúncios do tipo display [ou banner, como a gente diz no brasil e como o que está lá no topo desta página] caiu mais de 50% nos EUA. a porcentagem de pessoas que clica um display despencou de 32 para 16% de quem vê uma página com um deles na web.  e isso nos últimos 20 meses. como se não bastasse, meros 8% dos usuários responde por 85% dos clicks… deve ser algum tipo de vício, talvez doença, bannerite crônica.

este tipo de estudo e dado é muito mais raro no brasil, mas pode-se assumir [sem muito medo de errar] que os padrões de uso e consumo de rede, aqui, não demoram muito a se tornarem similares aos dos EUA.

e isso tem implicações não triviais para modelos de negócios dependentes de propaganda online, especialmente na forma de banner e usando a medição padrão de banners impressos vs. clicados. isso porque, na maioria dos casos, o custo de manter coisas como este blog é suportado pelos tais banners, como se vê acima. se os leitores não estão nem aí para anúncios, vai ser preciso ir atrás de outras fontes de renda e modelos de negócio para manter uma boa parte do conteúdo que se vê na web. isso porque a quase totalidade dos leitores [inclusive o locutor que vos fala] está pouco disposto a pagar por conteúdo na rede.

máquinas de busca como google e bing são bem menos afetadas por tal tipo de comportamento, porque o anúncio que veiculam é muito mais dirigido; afinal, sabem exatamente qual é o interesse do usuário.

já para outros tipos de sites, a coisa é mais complicada. twitter, por exemplo, nem pensou em botar anúncio em sua página. e nem adiantaria, já que mais de 80% dos usuários não vai ao site twitter.com. eu mesmo nunca vou lá; uso um número de ferramentas [como seesmic] que tratam, de longe, a minha interface com a rede social.

esta conversa tem a ver com um texto que este blog acabou de publicar, sobre como um dos maiores jornais ingleses, the guardian, está se reescrevendo [na web 3.0] para tentar criar um novo tipo de ecologia de negócios ao seu redor. vá ver. o exemplo do guardian é muito interessante, porque representa um caminho alternativo para um negócio de informação na rede. e a busca por novos modelos de negócio para financiar conteúdo na web, hoje, não é só importante. é, também, relevante e urgente.

  [acima, a rua do mercado, em manchester, onde ficava a primeira redação do guardian, no séc. XIX.]

[acima, a rua do mercado, em manchester, onde ficava a primeira redação do guardian, no séc. XIX.]

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

um [possível] futuro para os jornais: o caso do guardian

no passado, os jornais tiveram o papel de dar relevância e sincronicidade às notícias. as coisas que aconteciam, de fato, eram apenas aquelas que se tornavam notícia nos grandes jornais. tais “bons tempos” eram também aqueles que, ao sincronizar um país [ou o estado, região…], um grande jornal era capaz de formar a opinião da massa e derrubar [ou manter] um governo.

image faz algum tempo que não é assim. de mais de uma forma, a sociedade e economia se dessincronizaram. isso porque, na rede, não há mais quase nenhum agente capaz de monopolizar a atenção de uma quase totalidade das pessoas por um longo tempo. as três maiores audiências de internet, no brasil, são uma máquina de busca, uma rede social e um conjunto de aplicações. nenhum dos três tem opinião, ou é formador de opinião; são infraestruturas que usamos para criar nossa presença em rede. sem editor, sem horário, independente de geografia ou de quaisquer grandes temas [impostos pelos outros] do momento. é o fim do “programador” central.

mas os jornais ou, se quisermos, os “noticiosos”, com profissionais ou amadores competentes, possivelmente remunerados, no levantamento, redação e edição, não deixaram de ter um papel na economia. ao fazer seu trabalho de levantar, filtrar, qualificar, editar e sintetizar informação, os jornais criam bancos de dados que contêm, se sua largura e profundidade de análise for boa o suficiente, a história de uma sociedade. quer seja de um interior como taperoá ou de um país como a inglaterra, no último caso possivelmente incluindo uma visão de mundo a partir dali.

image este é o caso do jornal inglês the guardian, fundado em manchester por john edward taylor em 1821. quase bicentenário, o jornal enfrenta, como todos os outros, a internet, a maior mudança de plataforma de gestão de ciclo de vida da informação desde gutenberg. com uma diferença fundamental em relação à maioria: resolveu entender o desafio e arriscar, digamos, tudo o que tem numa perigosa travessia para o futuro.

até porque ficar parado do lado de cá, tentando sobreviver no passado, não é bom pro negócio, como se vê no grande cemitério dos jornais. em 2008 e 2009 [até agora] quase 30.000 pessoas perderam o emprego só em jornais americanos.

este blog vem comentando o “fim” dos jornais de papel há algum tempo; veja, por exemplo, este texto [sobre o fim de um dos fins do papel], este outro [sobre a internet, como fonte de notícias, passando os jornais], este aqui [sobre a evolução dos jornais, na rede] e, por fim… dá pra salvar o bom jornalismo?… sobre exatamente o que o título diz: vão-se os jornais mas fica o jornalismo, pelo menos o que vale a pena salvar?

o guardian faz parte da seleta classe do jornalismo que vale a pena tentar salvar. eles, aliás, também acham isso e estão tentando se salvar. para isso, estão transformando radicalmente o que poderíamos chamar de jornal.

um jornal é, principalmente, sua história. as posições que assumiu e defendeu, sua trilha de informação. e o guardian publicou os últimos dez anos de sua história, mais de um milhão de artigos, na rede. e na íntegra. abertos. pra todo mundo. segundo a direção, a competição pode usar como quiser mas, para [qualquer um] usar de forma sistemática, deve fazer um acordo com o jornal.

um jornal é, também, sua máquina de formatação, impressão e distribuição de informação. lembro ter visto rotativas desfilando por cidades, em carretas, como se fosse o futuro do lugar chegando de alguma parte da alemanha. isso era o mundo físico. na web, estamos falando de laptops, bancos de dados, web servers… estamos falando de plataformas de programação e distribuição de informação.

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o guardian resolveu se tornar uma tal plataforma: publicou uma API [application programming interface, uma interface de programação, na rede]que torna possível manipular tudo o que existe nos bancos de dados do jornal, agora transformado em plataforma de informação na web. isso significa o que, exatamente? quer dizer que qualquer um que entenda a interface de programação do jornal [mudança: jornal como plataforma de programação] pode manipular tudo o que está no sistema [o guardian], utilizando-o como meio para seus fins, construindo aplicações que, por uma ou outra razão, usem a funcionalidade ou a vasta base de dados do jornal. como estas aqui, da galeria

tal tipo de mudança vai ser cada vez mais comum, em jornais [o NYT está tentando movimento semelhante] e redes sociais [twitter tem uma API que torna possível um monte de operações sobre o que está armazenado no sistema, como um jogo de palpites sobre futebol…], de empresas a bancos, de governo a sites de comércio e muito mais. dá pra fazer um monte de coisas usando [por exemplo] a plataforma da amazon, amazon web services, inclusive escrever o twitter nela, o que é, aliás, o caso.

deixar de ser um “jornal” e passar a ser uma “plataforma programável, na rede, intensiva em conteúdo” dá dinheiro? ninguém sabe. nem o guardian. mas pelo menos eles estão, entre poucos outros jornais, experimentando, até porque o futuro do negócio de jornais, como jornal clássico, daquele que embrulhava peixe depois… é certo. e nada bom. nem peixe se embrulha com jornal, mais…

se você tem alguma curiosidade sobre o que é uma plataforma de programação intensiva em informação “curada”, editada, revisada, na rede, vá dar uma olhada no que os “novos leitores”, ou melhor os “programadores” do guardian estão fazendo, do ponto de vista de visualização de dados, uma das oito categorias de aplicações que qualquer um pode programar no jornal. abaixo, o resultado de uma delas, as emissões de carbono de um número de países desde 1751.

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o próprio guardian [em um de seus twitter] passou a produzir uma sequência muito interessante de dados e gráficos sobre um monte de coisas, como a inflação da inglaterra desde 1948… clique abaixo e vá ver; lá, a visualização é interativa…

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…ou efeito usain bolt no recorde mundial dos 100m rasos, mostrada no último ponto do gráfico abaixo, em 2010, baixando o tempo do recorde em quase 1.2%.

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agora imagine o dever de casa de um grupo de estudantes do fundamental daqui a alguns anos: descobrir as fontes de dados geográficos, de população, de índices financeiros e econômicos variados e produzir um mapa bo brasil, interativo, sobre a inflação e crescimento, incluindo sua distribuição regional e per capita, para todo o país. no fundamental, e não como dissertação de mestrado. e, ao invés de pegar tal gráfico em algum lugar [hoje, ele não existe] descobrir como programá-lo. no fundamental.

o guardian está participando de uma tendência de abertura dos negócios na e para a web, e não só dos negócios de informação como jornais e portais. para estes, vai ser obrigatório abrir suas bases de informação e criar uma API que torne possível disponibilizar, a partir de lá, novas formas de ver, ouvir, filtrar, compor e interagir [e faturar] com informação, a partir de múltiplas interfaces, sistemas, dispositivos e redes.

as outras empresas? estão no mesmo caminho, e muito mais longe. mas delas a gente fala depois. até lá.

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