Terra Magazine

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

o fim do ano e dos jornais…

srlm às 14:13

warren buffet, aquele que tem um toque de midas para investimentos, já foi um grande fã da indústria da notícia e botou seu dinheiro [e de seus investidores] em jornais. mas isso foi há muito tempo. recentemente, o oráculo de omaha disse que não investiria em nenhum jornal, sejá lá a que preço fosse. pra ter uma ideia do contexto de tal declaração, veja o gráfico abaixo, do SAI.

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o emprego, nos jornais americanos, regrediu meio século, para menos da metade do seu auge na década de 80. o gráfico acima mostra dados de ninguém menos que o BLS, o bureau of labor statistics, responsável oficial pelos números de emprego nos estados unidos.

no brasil, estamos pra reviver o diploma obrigatório para o emprego [não necessariamente o trabalho] de jornalista. imagina-se que haverá muitos concursos e vagas na mídia oficial, porque o mercado do que se costumava chamar de mídia, especialmente jornais, não parece lá estas coisas.

para se ter uma idéia do futuro do jornalismo, e descartando a possibilidade de patrocínio, as contas do marketWatch apontam para uma renda média de US$0.02 por pageview, dos quais se acredita que 25% seja overhead. sem levar em conta os custos de infraestrutura para disseminação e conectividade, um jornalista que espere ter uma renda de US$40K por ano teria que ter 11.000 pageviews por dia de trabalho [ao redor de 250 por ano].

a conta não fecha nem em jornais de renome mundial como o new york times, segundo o marketWatch: o NYT teve 145M pageviews em novembro, o que dá menos de 4.000 pageviews por dia para cada um de seus 1.250 jornalistas. nos EUA, US$40K não é um grande salário; mesmo assim, se nem o pessoal do NYT chega perto de 11.000 pageviews por dia, lá, imagine aqui, onde nem banda pra isso temos, ainda.

no longo prazo, a menos que alguma coisa muito diferente esteja para acontecer, vai valer o princípio de pareto, a conhecida lei dos 80-20: 20% dos noticiários em rede terão 80% da disseminação e conectividade e 20% dos textos terão 80% dos pageviews. o resto irá para a lata de lixo da história, será escrito de graça, terá patrocínio de alguma forma… mas deverá estar fora do centro da economia da rede.

o que não significa que não será feito: um grande número de boas [e independentes] fontes de informação começa a ser financiado por grupos de interesse que querem ver certos pontos de vista debatidos abertamente. este é o caso de www.oeco.com.br, talvez o melhor conteúdo ambiental brasileiro, inicialmente patrocinado pela fundação avina e hoje pela fundação hewlett.

mas oEco não é um jornal, nem quer ser; tampouco é mídia oficial, nem cobra diploma de jornalista pra quem colabora com o site. oEco está situado depois da crise da imprensa escrita, falada e televisada. e pode ser um dos bons laboratórios pra se entender o futuro dos noticiários brasileiros.

pra fechar o ano, um jornal muito antigo: abaixo, o facsimile da primeira página do primeiro diário de pernambuco, de 1825, primeiro jornal da américa do sul e ainda imprimindo, diariamente, na assaz populosa cidade do recife. clique na imagem para vê-la em alta definição; vale a pena. e note que, lá no começo, se tratava de um “diario de annuncios”… exatamente o que vem sendo transferido, dia após dia, para a internet.

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

seu carro, um hotspot

srlm às 11:45

pra quem nao sabe, um hotspot é um lugar onde há acesso à internet via uma rede local sem fio. mais vagamente, é um ponto qualquer onde se tem acesso a uma rede wiFi, da qual se espera uma conexão com a internet.

imagese depender da ford, wiFi e internet vão ser argumentos para você comprar veículos da marca. por que? basta conectar seu modem 3G aos carros ford equipados com a tecnologia SYNC e pronto: seu carro inteiro se torna um hotspot wiFi e suas crianças poderão fazer seus deveres de casa já a caminho de casa.  e muito mais.

o pessoal do banco de trás vai poder navegar no engarrafamento, você vai ter copilotos muitos com mapas e navegadores de todos os tipos para todos os tipos de trânsito, vai poder fazer a feira de dentro do seu carro… e tudo mais que já pensava em fazer se tivesse conectividade e computação móveis, porque tempo, em trânsitos como o de são paulo, você já tem.

se o pessoal que regula o trânsito estava preocupado com meros celulares e nós, motoristas, falando neles, pode começar a pensar no desafio de regular o uso de conectividade, computação e controle nos carros. e isso pra começar a conversa. porque coisas como SYNC irão muito mais longe: que tal painéis LCD puros [e simples, como o datasense do nissan GTR, abaixo, onde todos os instrumentos são virtuais e programáveis], em todos os carros, em conexão direta com a fábrica, a revenda e outros carros?…

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SYNC é por enquanto, uma resposta à pergunta como manter meus passageiros online no trânsito?… mas vai acontecer muita coisa até que a pergunta mais geral… o que eu posso fazer com/num/para veículos online, instrumentados, controláveis e georeferenciados?… tenha respostas criativas e inovadoras, ao nosso alcance, sem que seja preciso estar ao volante de um GTR. um dia, aliás, vou ter um…

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

kindle: e-books > books

srlm às 23:45

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o cara da foto acima é jeff bezos, da amazon. o que você acha que ele está comemorando?… uma pista é que a amazon está vendendo, neste fim de ano, mais livros eletrônicos do que de papel.

por que? porque um monte de gente comprou e ganhou kindles no natal e, ato contínuo, resolveu testar se a coisa compra [e traz] livros pela rede, e se os tais e-livros são livros mesmo, destes que a gente lê e coisa e tal.

bem… nem tudo, os livros “e-“ de hoje em dia não chegam nem perto do que serão os e-livros do futuro; pra se ter uma idéia, ainda não há uma rede social, por trás do kindle, pra gente compartilhar nossas anotações de pé e lado de página com as nossas comunidades. mas isso não vai demorar muito a acontecer.

mas… mesmo assim, e até por isso, o kindle é apenas o começo de uma revolução que vai ter um impacto tão grande, nos nossos tempos, como gutemberg e sua galera tiveram no séc. XIV. pena, como diriam  os apressados, que demorou tanto.

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sábado, 26 de dezembro de 2009

a mobilidade que vem por aí, segundo a morgan-stanley

srlm às 08:00

não faz muito tempo, o blog escreveu umas 40 páginas sobre oportunidades de negócio em mobilidade, quase todas centradas em internet móvel, até 2012. você pode pegar a conversa aqui, pra ler no feriado.

mas você pode querer ler muito mais, algo comoo megarrelatório da morgan-stanley que está na rede em três formatos:

1) The Mobile Internet Report Setup”, 92 slides sobre os principais temas do relatório do item 3; 
2) The Mobile Internet Report Key Themes, nada menos de 659 slides detalhando o tal relatório, em nada menos que 40MB e…
3) The Mobile Internet Report”, um relatório de 424 páginas sobre oito temas escolhidos e incluindo 1 & 2; nada menos que 50MB pra você baixar. pra quem estiver mesmo afim, é leitura e reflexão para o natal, ano novo, festa de reis… até o carnaval e talvez páscoa e são joão.

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a questão é… vale a pena ler? a resposta é curta: sim. principalmente se você estiver próximo do negócio de mobilidade ou tiver que entender mobilidade para seu negócio, seja lá qual for. vá lá, pegue e, pelo menos, folheie do começo ao fim.

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a sistematização da MS é interessante, as observações e sínteses do relatório são relevantes, seja lá o que você quiser fazer, pensar, empreender ou usar de tecnologias de informação e comunicação. móveis.

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mas esse “detalhe” pouco importa: móvel, quase tudo vai ser. daqui a pouco TICs vai ser o mesmo, ou quase, que TICs móveis e, aí, vai ser só TICs.

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no japão [que seria um lugar que já parece com aquele em que todos estaremos, no futuro móvel], a rede social prevalente já tem mais de 70% de acessos a partir de celulares, contra menos de 30% de desk e laptops. é o óbvio, confirmado pela M-S: estamos o tempo todo com nossos celulares, e a vida rola o tempo todo, também. nada mais normal do que estarmos nas redes [sociais] em tempo real, dos nossos celulares. vai rolar a mesma coisa aqui, cedo ou tarde.

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é só olhar o histograma acima, da evolução do tráfego na rede da docomo, no japão: dados cresce mais de 50% por ano, enquanto voz cai 2% por ano. hoje, lá, dados já é dez vezes mais do que voz, e isso não vai ficar assim. lá, voz vai cair ainda mais; e a tendência vai se espalhar mundo afora.

ao mesmo tempo, como a internet móvel é livre, não temos mais que nos prender aos sites das operadoras, como era o caso dos modelos anteriores de acesso à rede, nos quais elas nos faziam passar pelas suas operações à la minitel, de serviços que… bem, deixa pra lá. deixe o público escolher e… veja o gráfico abaixo, sobre o acesso à rede, pela internet móvel, na inglaterra, em 2007 e 2009: as operadoras perderam quase dois terços do tráfego em meros dois anos…

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e vai rolar pra todo mundo, é só –como se espera- uma questão de tempo: ano que vem os assinantes de 3G, no mundo, vão passar de 1/5 do total, a caminho de mais de 2/5 em 2014. breve, todo mundo na web: móvel.

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e, você diria, pra que serve, neste cenário, o plano nacional de banda larga? o plano tá atrasado, e muito. e não só no tempo, mas conceitualmente. no topo disso, provavelmente vai levar meia década ou mais pra agregar um “móvel” ao nome. aí vai ser tarde, de novo, pra nós.

o futuro não vem do passado, do que os outros fizeram, mas de dar, junto ou antes deles, os saltos para o próprio futuro. enquanto não soubermos fazer isso, estaremos sempre atrasados… muito atrasados…

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

mídia antiga: anúncios [continuam] sumindo…

srlm às 11:31

a figura abaixo é de um estudo recente da IBM, Beyond advertising: Choosing a strategic path to the digital consumer. segundo o relatório, nos dez anos entre 2002 e 2012, 20% do mercado de propaganda e marketing se mudaria de seu estado antigo [na TV, jornal, rádio…] para as mais variadas formas de redes, sociais inclusive.

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pode parecer muito; mas pode ser que a IBM esteja atrasada em suas previsões. no meio [ainda] da crise americana e no terceiro trimestre deste ano, a receita de anúncios online caiu 5.4% em relação ao ano passado, o que é um nada perto da TV aberta, que caiu 22.6% no mesmo período. nos primeiros três trimestres do ano, a TV aberta teve uma perda de anúncios de 15.7%, revistas cairam 19.7%, os jornais 22.8% e o rádio idem. outra medida que é importante notar é a queda em anúncios em mídias locais, de 23.7% no período.

o gráfico abaixo é sobre isso: Beyond advertising: a evolução dos modelos de negócio…

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pra quem está no negócio, ou pensando em entrar, o quadrante a ser atingido é o de consumer-centric marketing, que está diretamente associado a conectividade para interação [e comunidades], versus o tradicional, onde a conversa é sobre comunicação para disseminação [ou audiência].

o texto do relatório [só mais um a focar neste tema] é simples, claro, direto: audiência já era; vamos todos pras comunidades. isso tá acontecendo muito rápido e este blog chuta que tal velocidade só vai aumentar, à medida que todo mundo vai passar pra web móvel, com smartphones e contas de dados de preço fixo. é só uma questão de tempo, pouco tempo, mesmo no brasil.

duvida? pergunte-se, então, porque google estava [ou está?] tentando comprar yelp… que não caiu no canto das sereias [de meio bilhão de dólares] do googleplex e pensa em fazer um IPO… que poderia ser o primeiro de uma longa série de empresas do negócio de mobilidade e arredores.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

nicolau, basílio e os armazéns de papai noel

Tags:, , - srlm às 07:00

imagea lenda do papai-noel é antiga. data pelo menos do séc. IV e talvez da generosidade de são nicolau [Άγιος Νικόλαος, à esquerda, na imagem] de myra, bispo do que hoje é a cidade de demre, na turquia.

o bispo de myra tem feitos muitos a seu crédito, incluindo ressureição de crianças assassinadas por um açougueiro, retalhadas e postas num barril para charquear, além de outros milagres menos votados.

nicolau gostava de distribuir moedas aos pobres e tinha a reputação para dar presentes em segredo, o que o ajudou a ser o ponto de partida para o mito de “santa”, em inglês, e de papai-noel aqui pra nós.

coisa parecida se deve a são basílio de cesaréia [Άγιος Βασίλειος ο Μέγας], também no séc. IV e também na turquia [hoje, kayseri]. os santos turcos da época, parece, se pareciam. e gostavam de dar presentes…

daí pra fábrica de brinquedos, trenó e renas voadoras, elfos, cartas para o papai-noel [entregues pelos correios, com resposta e presentes depois…] não foi exatamente um pulo, mas a tradição de natal que conhecemos foi sendo construida ano a ano, reforçada pelo comércio, publicidade… até que noel e natal se tornaram um grande negócio.

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mas não só. o espírito de natal ainda existe em muitos e provoca o ressurgimento do melhor que os seres humanos têm, uns para os outros [e para todos], no mundo inteiro. capaz do planeta ser mesmo um lugar onde quase todos queremos viver em harmonia e paz. a tal da paz que parece pairar sobre a terra entre natal e ano novo, quando a esperança pessoal e coletiva se renova no fim do ciclo anual, a despeito de nossas fraquezas e fracassos do ano anterior e das incertezas do ano que vem.

o comércio espera [e ajuda, com propaganda, para] que a gente se lembre de tudo isso e, para replicar um nicolau ou basílio, vá às compras, parte da esperança das fábricas e lojas de ter um “bom ano”. será que, quando a história dos natais for contada num blog daqui a cem anos, as fábricas de presentes de papai-noel terão sido substituidas por uma rede de lojas online que inclui a amazon, americanas [será?] e umas poucas outras?…

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pra ter uma ideia da atividade incessante destas novas operações natalinas, dê uma passeada pelos sites que mostram como funciona, hoje, o varejo online, clicando nas fotos mostradas neste post. na foto acima, uma panorâmica interna de um centro de distribuição; abaixo, montanhas de cópias e mais cópias de um dos livros da série harry potter.

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será que a lenda de papai-noel vai mudar? na inglaterra, a semana que antecede o natal representa compras online de setenta milhões de reais por hora, boa parte das quais passa pelo gigantesco armazém da amazon em milton keynes. a foto abaixo, em maior tamanho e resolução, é impressionante. clique pra ver.

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será que a fabriqueta de brinquedos está sendo substituida pela china, combinada com armazéns de distribuição onde a montagem dos pacotes para envio é feito por gigantescas máquinas crisplant [como a mostrada abaixo] que custam mais de quarenta milhões de reais cada?…

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se eu fosse você, clicava na imagem acima; ela leva a uma série de 12 fotos sobre um dos mais de dez armazéns da amazon.

será que o trenó de noel, puxado por suas renas mágicas, desaparecerá em prol da modernidade de muitos milhares de aviões de carga que entregam de um tudo pelo mundo afora? clique na foto abaixo, do pátio de aviões da fedex em memphis, pra ter uma idéia do tamanho e complexidade da operação de entrega dos presentes do papai-noel em nossos tempos…

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mais radicalmente, será que o varejo online [como previsto aqui] vai acabar com as lojas de tijolo? sobre noel e a história do natal, não sei; é provável que muita coisa mude no longo prazo. mas o imaginário humano parece precisar de lendas como as de nicolau, basílio e do natal. sobre o fim das lojas de tijolo, acho que uma boa parte delas vai desaparecer mesmo. quais? por causa de que outras?… pense, procure ao redor…

enquanto isso, aproveite o fim do ano, o natal e as festas. imagine-se um papai-noel de esperanças, capaz de distribuir parte de sua felicidade para todos os outros, perto e longe de você. lembre-se de que por trás de todos os presentes e suas operações mundiais de fabricação, venda e distribuição, está o natal, pra muitos um natal verdadeiro.

deste blog para você, um feliz natal. pra sempre, enquanto dure…

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sábado, 19 de dezembro de 2009

um [novo] olhar eletrônico

srlm às 07:00

image a sensimed, da suíça, lançou um sistema que permite acompanhar pacientes de glaucoma vinte e quatro horas por dia. pra quem não sabe, o glaucoma é uma doença insidiosa: acomete 4% da população mundial acima de 40 anos, é assintomático, progressivo e, não tratado, implica em perda total de visão.

o tratamento adequado da doença pode exigir de monitoramento contínuo da pressão intraocular, o que o sistema triggerfish faz. o desenho ao lado mostra o esquema da coisa, composta por 1} uma lente de contato que tem um sensor MEMS e um processador de telemetria embutido; 2} uma antena [colada ao redor do olho] e cabo de dados, que conecta a antena ao 3} gravador digital carregado pelo paciente e, por fim [e que não aparece no diagrama] 4} software que captura, processa e diagnostica a informação armazenada no gravador.

deixando todo o resto de lado, por enquanto, a parte revolucionária do sistema é a lente de contato com os sensores e processadores embutidos, mostrada na figura abaixo, que não é simulação: trata-se de uma lente real, num olho verdadeiro, destes que eu e o leitor temos.

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esqueça por um momento que a lente que você vê acima é um instrumento médico e imagine as possibilidades de uma lente de contato com hardware e software dentro… que –claro- você pode levar para qualquer lugar, no seu olho.

as possibilidades são imensas, começando pelas mais triviais: que tal gravar tudo que você vê e ouve? em cada olho, uma lente-câmera little brother capaz de causar arrudagates que fariam o próprio parecer o jardim de infância dos escândalos. na distopia de orwell, haveria um big brother capaz de ver, ouvir e controlar tudo, até cada pensamento. no cenário little brother, cada um de nós seria capaz de, pelos seus próprios meios, testemunhar, em muitos casos para sempre, o que ocorre ao nosso redor, de uma onda perfeita a representantes do povo enchendo malas, bolsos, cuecas e meias de dinheiro.

mas isso é pouco: imagine as possibilidades de uma mera lente, em seu olho, ser seu ponto de contato com a web: a lente acima está conectada a um gravador da mesma forma que poderia estar conectada à rede. agora, pense nas possibilidades.

e se… você pudesse fazer perguntas, via lente [pela qual receberia respostas] direto às máquinas de buscas, sistemas de informação e repositórios que estão na rede, mais ou menos num piscar de olhos?…

isso seria o fim da “decoreba”!… ao invés de decorar coisas, a gente ia aprender, na escola, como encontrar respostas [em primeiro lugar] e, depois e mais importante, como descobrir perguntas.

vá pensando. estique os limites. imagine… será que sua lente, no futuro, poderia incluir as funcionalidades que hoje estão, por exemplo, nos celulares mais sofisticados?… por que não? nos quarenta anos entre 1965 e 2005, a capacidade computacional pelo mesmo preço cresceu um bilhão de vezes; outro bilhão de vezes de multiplicação da capacidade, pelo mesmo preço está acontecendo entre 2005 e 2030. estamos bem no meio de um processo de aceleração gigantesca da capacidade de processamento, partindo de um patamar que não era nem tão trivial assim.

imagine. a lente é só um exemplo. mais lá na frente pode ser seu olho, todo. partes do seu ouvido. e muito mais. por enquanto, é só um novo olhar. eletrônico.

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

de e-gov para… gov

srlm às 18:47

estive esta semana em porto alegre para um seminário de inovação em governo eletrônico promovido pela secretaria do planejamento e gestão do rio grande do sul.

um número muito grande de ações de governo já é realizado, hoje, sobre suporte eletrônico. lá no rio grande, o portal de serviços de governo lista mais de 700 serviços de interesse de cidadãos e empresas, de nota fiscal eletrônica à localização das lombadas eletrônicas nas ruas de porto alegre e seus limites de velocidade.

o que nos leva a perguntar: é possível, hoje, governar sem uma infraestrutura de hardware, software, serviços e aplicações que dê suporte aos processos de negócios que costumamos chamar de governo? não, não mais.

só pra dar um exemplo, é impensável trazer de volta para o papel e para a conferência e análise manual todo o processo associado ao imposto de renda de pessoa física. imagine o caos. o que é preciso, por outro lado, é evoluir o processo do IRPF pra gente só declarar alguma coisa se achar que deve [ou tem contas a ajustar com a receita]. mas voltar atrás, ao papel, jamais.

todo governo, o “gov” de tudo, começa a ser “e-gov”. e bem mais cedo do que se pensa vamos prescindir do “e-” e voltar a chamar o governo de “gov”, simplesmente.

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o mesmo deve ter acontecido quando os egípcios começaram a usar matemática para medir áreas com precisão e melhorar a cobrança do imposto territorial há mais de 3.500 anos. no começo, o processo provavelmente tinha um nome parecido com “m-gov”, para “governo usando matemática”. com o passar do tempo, com todo mundo entendendo como usar e usando a nova ferramenta dentro e fora do governo, o “m-“ tornou-se não apenas natural mas lugar comum e, presente em todo canto, desapareceu.

é o destino do “e-gov”: presente e essencial em todas ações de governo, vai se tornar, de volta, “gov”. os slides da minha apresentação? neste link.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

mobilidade: as previsões

Tags: - srlm às 15:38

a próxima fronteira do uso de nossa capacidade pessoal e móvel de comunicação, comunicação e controle [C3] são as aplicações que podem funcionar no celular ou serem acionadas por ele. tal mercado de mobilidade vai de sistemas baseados em localização a aplicações baseadas em comunicação a curta distância e pagamentos móveis.

este blog publicou uma longa série sobre o assunto entre os dias 21 de novembro e 11 de dezembro de 2009 e este material está reunido em um texto integral que está neste link e que, de quebra, o conjunto inclui dois textos recentes sobre a tramitação do PL29 e o mercado de convergência digital no brasil.

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o PL29 [quando -ou se- virar lei] pode ser um dos condicionantes de tudo o que pode acontecer -ou não- no seu celular, porque interfere [ou vai interferir] em tudo o que tenha a ver com conteúdo, mídia e rede. talvez valha a pena ler sobre o PL29 para você mesmo fazer suas previsões -fixas ou móveis- para 2012.

pegue o pdf. boa leitura. e faça suas próprias previsões. e vá atrás delas.

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domingo, 13 de dezembro de 2009

convergência, teles e PL29

Tags: - srlm às 01:24

image pra quem não sabe, está tramitando na câmara um projeto de lei que visa ordenar a convergência digital. trata-se do o PL29/2007, ou simplesmente PL29, que “dispõe sobre a organização e exploração das atividades de comunicação social eletrônica e dá outras providências”. este blog tratou do assunto num longo e detalhado post há cerca de um mês. se você quiser mesmo entender este texto, vá lá ver o artigo original e clique em alguns links.

semana passada o PL29 foi aprovado imagepela CCTI e enviado à CCJ da  câmara; a proposição original tem tantos remendos [veja aqui] e tão poucos acordos que pode ficar que nem alma penada, vagando pelas casas legislativas anos a fio. e olha que já está na câmara há quase três anos.

nossa curta conversa de hoje é sobre a declaração de josé fernandes pauletti, presidente da abraFix, a associação das teles fixas, ao comentar a passagem do PL29 pela CCTI: a aprovação é positiva, mas não resolve o problema das teles.

image segundo paulettias prestadoras precisam de alternativas de geração de renda usando suas redes, o que seria possível nos termos do PL29; mas as mesmas teles, pelos termos atuais do PL29, ficarão proibidas de produzir conteúdos ou comprar grandes eventos nacionais. na opinião de pauletti, conteúdo é o mercado do futuro, daí sua insatisfação com os termos da passagem do projeto pela CCTI.

o PL29 ainda deve ficar algum tempo no congresso. e talvez seja preciso que fique mesmo. pois assim como tem quem só pense no que é melhor pras teles, tem outra [e grande] galera defendendo o que é melhor pras TVs [e rádios, produtoras, jornais…]. mas o que não se vê claramente, no meio da multidão, é quem esteja defendendo o interesse das comunidades de espectadores e usuários. que deveriam, aliás, ser justamente o foco da discussão, da regulamentação ou da falta ou desnecessidade dela.

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do jeito que está indo, o PL29 corre o risco de revogar a convergência digital [mostrada, por exemplo, na imagem acima], como este blog comentou há pouco tempo. e como isso é mais difícil de controlar –porque virtual e disperso pela rede- do que a “jabuticaba elétrica”, a genial tomada que só existe no brasil… é muito provável que um PL29 em sua forma atual não pegue. pelo menos na internet. já o pessoal de cabo e satélite vai comer o pão que o congresso amassou. e sua audiência idem.

segundo os maldosos, é nisso que dá deixar comitês e comissões tomarem decisões importantes, que podem ser relevantes pra todos. pra ver no que deu no caso da jabuticaba elétrica, clique abaixo pra saber porque você vai ter que trocar todas as suas tomadas e plugs nos próximos dez anos, e como um simples comitê criou um mercado do nada, desnecessariamente.

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à exceção do diagrama acima, todas as outras imagens deste texto sairam de um documento neozelandês equivalente ao PL29; lá no meio do texto deles, se lê que…

For New Zealand content to be visible and widely used by New Zealanders, it needs to be more relevant, important and easily accessible to New Zealanders than overseas content, and well enough designed by way of metadata and other descriptors so that it can surface among the masses of international content.

…para o conteúdo neozelandês se tornar visível e largamente usado por neozelandeses, ele precisa ser mais relevante, importante e facilmente accessível aos neozelandeses do que o conteúdo internacional e seu desenho deve ser bom o suficiente para fazê-lo aparecer no meio da enxurrada de conteúdo internacional.

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eles estão falando da mesma coisa que nós, mas de outro jeito: falam de design, qualidade e conteúdo de classe mundial, projetado e desenvolvido na e para a nova zelândia mas visível para o mundo, enquanto parece que aqui, sempre, estamos discutindo cartórios e sesmarias e reservas de mercado… com medo até da nova zelândia. como pode?…

vai ver é porque eles, lá em 2006, já escreviam [no governo] coisas como…

Television, music, film, radio and print publication are all fundamentally changing as a consequence of new digital technologies and the need to maintain audience and income streams.  Customers and end-users increasingly want control over the content itself, along with the flexibility to access it on-demand via platforms of their choice; while creators and distributors want to ensure appropriate payment, along with protection of their content and rights.

Businesses that have largely been only providers of telecommunication services (such as Internet Service Providers) are now entering a market that has been traditionally the realm of broadcasters, while those that commission and produce content are broadening their distribution channels via the Internet and other platforms (e.g. TVNZ ondemand, Fairfax’s Stuff.co.nz, NZ Herald, Radio NZ, SKY Mobile TV) to compete with other Internet and multi-platform content. 

Content creation is becoming a stronger focus as the channels for delivery become diversified, while the potential for digital platforms to provide multiple and simultaneous channels of content is increasing.  This environment is increasing in complexity, with revenue models, particularly those based on advertising (e.g. broadcast commercials, print advertisements) or on selling physical media (e.g. CD, DVD, print), being potentially threatened as the audience and market fragments. Traditional content distinctions based solely on the delivery mechanism are becoming less relevant, as more content is being made for multiple channels of delivery and income generation.

image …e, depois disso, partiram pra transformar a nova zelândia em um dos pontos focais da economia criativa no mundo, levando em conta as responsabilidades do governo, as necessidades das comunidades e os interesses dos negócios [e não qualquer outra combinação das mesmas palavras]. e nós não.

vai ver que é por falta de tais definições, aqui, que todos os setores da economia de mídia e conteúdo estão disputando nacos do PL29 às tapas: é porque nós não conseguimos, ainda, encontrar um conjunto de propósitos verdaderiamente brasileiros, de classe mundial e, a partir daí, uma estratégia para realizar o que queremos. sem isso, nem pauletti nem ninguém será atendido, seja lá quando e qual PL29 for aprovado.

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