Terra Magazine

domingo, 28 de fevereiro de 2010

militares mais liberais do que civis?

srlm às 12:13

pense no ambiente militar: cada coisa em seu lugar, cada um com sua função, tudo ordenado [literalmente] de cima pra baixo… e você acaba pensando, também, que o ambiente de trabalho, por lá, não deve ser muito liberal.

liberal, por uma das definições do dicionário, quer dizer… “que ou o que preza a liberdade de opinião e de ação; que ou quem mantém o espírito aberto, tolerante…” e, olhando de longe, os tais comandos militares certamente poderiam ser definidos através dos antônimos de tudo isso.

mas não é que o departamento de defesa americano decidiu liberar o uso de redes sociais para combatentes? e a partir, inclusive, dos computadores das bases e missões militares? a notícia está bem aqui, no defense.gov, e é comentada neste artigo da bbc. não só liberaram youTube, twitter, facebook e as redes sociais como um todo, mas a idéia é aproveitar o “fenômeno da web 2.0”, segundo david wennergren, que cuida de TICs no departamento de defesa americano. ouça a ordem do dia, lá, sobre militares e redes sociais:

“The world of Web 2.0 and the Internet provides these amazing opportunities to collaborate. It not only promotes information sharing across organizational boundaries and with mission partners, but also enables deployed troops to maintain contact with their loved ones at home”…

…o mundo da internet e web 2.0 nos oferece amplas oportunidades de colaboração, promovendo não só o compartilhamento de informação entre limites organizacionais e com parceiros na missão, mas também permite que os soldados no campo mantenham contato com seus entes queridos em casa. muito, muito interessante, não é?

no topo disso, já dá para ver coisas como esta: o almirante mike mullen, chefe do estado maior das forças armadas americanas, está no twitter, onde tem quase 17 mil seguidores [clique na imagem e você vai direto à página dele].

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o almirante mullen também está no flickr, facebook e youTube, assim como, a partir de agora, qualquer um de seus subordinados, desde que tal participação não ofereça riscos à missão sendo desempenhada.

pense nas implicações disso tudo… e compare com o último texto publicado neste blog, que dava conta do grau de restrição ao uso de redes sociais nas corporações brasileiras:

…aparecemos também em primeiro lugar em uma outra competição, a dos países onde mais se controla o uso de redes sociais no ambiente de trabalho. estudo da manPower com 34 mil empregados em 35 países mostra que 55% das empresas brasileiras têm alguma política para restringir o uso de redes sociais pelos seus colaboradores, contra uma média de 20% no mundo. na argentina, peru, japão e estados unidos, este número é perto de 25%; na europa, a média é 11%, sendo que na alemanha e suíça só 6% das empresas têm restrições ao uso de mídias sociais, número que cai para ínfimos 2% na frança.

e aí? no embate entre o centro querendo controlar e as bordas querendo se expressar [e se relacionar], pra quem torcemos? para a liberalidade dos militares ou para o controle, censura, acanhamento e sovinice informacional das empresas?…

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

brasil lidera restrições ao uso de redes sociais no trabalho

Tags:, , - srlm às 12:49

o brasil aparece bem na foto da internet: sempre estamos no topo [ou perto] em horas de uso, apesar de tal “título” ser questionável: o brasileiro parece passar mais tempo na rede porque precisa do que porque gosta, pois aqui a banda larga é estreita. ainda assim, estamos muito bem em todas as redes sociais e somos a terceira língua no twitter, por exemplo, logo atrás de inglês e japonês. gostamos de gadgets e parece que não temos medo de novidades.

imageagora [infelizmente?] aparecemos também em primeiro lugar em uma outra competição, a dos países onde mais se controla o uso de redes sociais no ambiente de trabalho.

estudo da manPower com 34 mil empregados em 35 países mostra que 55% das empresas brasileiras têm alguma política para restringir o uso de redes sociais pelos seus colaboradores, contra uma média de 20% no mundo. na argentina, peru, japão e estados unidos, este número é perto de 25%; na europa, a média é 11%, sendo que na alemanha e suíça só 6% das empresas têm restrições ao uso de mídias sociais, número que cai para ínfimos 2% na frança.

pedro guimarães, da manPower brasil, acha que as políticas para mídias sociais das empresas…  “ainda estão focadas no gerenciamento de riscos, e não na maneira como as organizações podem aproveitar essas ferramentas em benefício dos empregados e do negócio". faz todo sentido. e o blog fez mais duas perguntas a pedro, respondidas com exclusividade:

SM: que políticas você acha que a empresa deveria usar como incentivo [ao invés de restrição] ao uso de redes sociais para aumento de performance dos colaboradores nos negócios?

PG: Desafie os colaboradores a inovar, estimulando-os a desenvolver maneiras de usar essas ferramentas para melhorar seu trabalho. Incentive o compartilhamento das boas práticas, como por exemplo, o uso das mídias sociais para gerar acessos ou atender melhor aos consumidores ou clientes.

Fique de olho nos especialistas dentro da empresa, e estimule-os a demonstrar o uso de mídias sociais para os colegas. Preste atenção às ideias que surgem dessa interação.

Deixe que os colaboradores assumam a tarefa. A base de qualquer rede social saudável é o comprometimento dos usuários. Estimule os empregados a ajudar no desenvolvimento e implantação da rede, promovendo a confiança nos objetivos instituídos no fim do processo.

SM: será que, dentro dos ambientes corporativos brasileiros, com tamanha restrição ao uso de redes sociais abertas, não seria o caso de se estimular redes sociais internas, corporativas, como mecanimo de gestão de conhecimento e articulação do capital humano?…

PG: Estabelecer políticas quer dizer dar a tenção à ferramenta objetivando aproveitar o que tem de melhor a oferecer. Ao contrário de dar as costas e fechar a porta. O estímulo ao uso das redes sociais traz ganhos significativos para o ambiente corporativo, quando utilizadas sob políticas alinhadas com os objetivos da empresa. Seguem algumas das atividades que claramente se beneficiam com o uso das redes sociais num ambiente corporativo:

Produtividade: Um bom exemplo de produtividade é o atendimento ao cliente utilizando o Twitter. Uma pesquisa feita pela empresa de relações públicas Burson-Masteller indica que mais da metade das Fortune 100 tem contas no Twitter para atendimento ao público.

Colaboração: O mundo do trabalho já teve uma transformação bastante significativa com a necessidade da colaboração e pelas tecnologias que promovem teamwork. De acordo com uma pesquisa feita em 2009 pela Palo Alto Networks, 91% das empresas tinham algum tipo de ferramenta de workgroup. O uso de aplicações de virtual-meetings e colaboração só tendem a crescer à medida que a necessidade de trabalho presencial diminui.

Gestão do conhecimento: Muitas companhias tem tentado, há muito, desenvolver formas de capturar de alguma forma o conhecimento dos seus empregados. Com o advento das mídias sociais, esse esforço poderá tornar-se realidade com a utilização de blogs e sites de relacionamento de "grupos de conhecimentos" específicos.

Inovação: Companhias que veem além dos esforços seus grupos internos de pesquisa, tem oportunidade de abrir novas fronteiras de relacionamento com o mundo exterior, conectando seus melhores recursos com comunidades do conhecimento externas, tais como clientes, acadêmicos, pesquisadores, os quai seriam difícil de encontrar de uma forma convencional.

Envolvimento dos empregados: Um rede interna de comunicação com os empregados poderá ser uma poderosa ferramenta de endomarketing, assim como poderá promover o relacionamento e a aproximação entre os grupos, trazendo-os cada vez mais como "parte" da empresa.

Seleção: Redes sociais, tais como o Linkedin e Plaxo, já são uma realidade na seleção de pessoas, em especial de Profissionais. De acordo com um estudo da Deloitte, 23% das empresas já utilizam as redes como um instrumento de contratação. Importante ressaltar que tanto empresas como candidatos deverão ter cuidado extra, certficando-se da reputação da outra parte no processo seletivo.

falou e disse. e a pesquisa referida neste texto está neste link. resta saber o que acham os emrpegadores. um dos que eu ouvi recentemente me dizia que “…deixar usar redes sociais no horário de trabalho… faz a produtividade cai a zero”. será mesmo? e você, que trabalhar –e usa ou não usa- acha o que?

 

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

faltou grana: cortamos a TV ou a internet?…

srlm às 01:29

se o bolso ficar muito raso, o que você cortaria, entre seus instrumentos de ver, ouvir e participar do mundo? a goldman sachs descobriu que muito menos gente cortaria a internet, se comparada com TV [nos EUA, a cabo] celular ou fixo. é o que diz o histograma abaixo, mostrando dados de 2010 comparados a 2009, resultado de uma pesquisa feita entre mais de duas mil pessoas entre 12 e 18 de janeiro de 2010.

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a escala das cores do histograma, especialmente o preto sobre azul escuro da parte superior, deve ter sido feita por um designer que já foi demitido por justa causa. pra você que quer saber, só 8% dos americanos [em 2010, contra 10% em 2009] cortariam seu acesso à internet se fossem forçados a reduzir suas despesas, contra 26% [27% em 2009] que cortariam seu acesso a TV e 21% [20% em 2009] que detonariam a linha de telefone fixo. 17% [contra 18% em 2009] deixariam de ter celular.

ou seja: na prática, nos EUA, mais de três vezes mais consumidores estão dispostos a cortar TV do que internet caso sejam forçados a um regime de contenção de despesas. e internet é muito mais [mais de 2x] importante do que telefone fixo e duas vezes mais importante do que celular, pela mesma medida. como internet será para todos, em breve, móvel, espera-se que as percepções destes dois acabem por convergir: como internet vai estar no meu celular, tenho que ter um celular se quiser ter internet.

voz, no celular –e, menos perceptivelmente, no “telefone”- é só mais uma aplicação sobre as mesmas camadas de serviços e aplicações. e os consumidores estão entendendo isso muito mais rápido do que as teles.

[PS: o histograma acima é parte do estudo Independent Insight: Eighth Annual Internet Usage Survey, 2010, publicado pela goldman sachs global investment research em 22/2/2010, do qual, pelo menos aparentemente, não há nenhuma versão aberta.]

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

há como aprender com “aperitivos informacionais”?

srlm às 00:19

pergunta de tony karrer no learning circuits blog: como aprender em um mundo de aperitivos informacionais? a pergunta vem da aparente constatação de que as pessoas têm cada vez menos tempo –e atenção- para processar grandes quantidades de informação [refeições informacionais] e, ao invés, parecem se contentar com aperitivos, pequenas quantidades de informação [information snacks], em tempo mais real, menos processadas e quase sempre esquecidas ao passar do tempo.

tal constatação vale para pelo menos uma classe de pessoas que lê este blog: sempre que algum texto daqui é chamado na página principal do TERRA, um número de indivíduos se dana a fazer comentários sem ter lido o conteúdo. vão da chamada de capa aos comentários, sem escala. seria este o povo que “não aprende” ou para o qual, se tentamos responder a pergunta de karrer, deveríamos descobrir um ou mais métodos de aprender através de aperitivos informacionais?…

há evidências de um novo tipo de gente por aí. uma delas mostra que jovens que passam quarenta ou mais horas [por semana!] em vídeo games parecem sofrer mudanças mensuráveis nas ondas cerebrais ligadas aos processos de “prestar atenção”. resultado? sérias dificuldades de engajamento em aulas de uma, duas horas… ou de passar a manhã conectado com o professor, a turma, a leitura, o exercício.

tudo bem que o mundo está muito mais em tempo real do que já foi um dia. ao mesmo tempo, há muito mais informação disponível, nos mais variados estilos e formatos. e a atenção é o recurso cada vez mais escasso, até por causa de tantos games interessantes que ainda não jogamos. resultado? será que deveríamos gastar tanto tempo para entender o que o autor queria dizer num texto tão longo? por que não, direto da chamada, ir aos comentários? afinal, a chamada é um aperitivo da classe “twitter”, algumas poucas palavras e [talvez] uma imagem que já diz “muito”.

exemplo recente, aqui mesmo no blog? este post, sobre estupidez parcial contínua, terminava num parágrafo sobre celulares em aviões comerciais nos céus do brasil…

não custa nada lembrar que em breve teremos internet e celulares em todos os aviões mesmo aqui no brasil; espera-se que os pilotos, pelo menos, estejam prestando atenção –contínua- às coisas certas…

e o resultado, ao invés de um debate sobre estupidez parcial contínua –ou celulares nos aviões- foi uma cacofonia desordenada, com as raras exceções habituais, como quase sempre é o caso dos comentários em qualquer blog. até parece que as pessoas ligam os dedos antes dos olhos e estes, sem ligar o cérebro.

voltando a karrer, uma classe de respostas certamente deve passar pelo fato de que estamos em uma zona de transição: os mecanismos que usávamos para nos informar e gerar conhecimento estão mudando em muito grande velocidade. toda criança de 7, 8 anos sabe “pesquisar” na rede e vai achar alguma resposta, lá, para qualquer pergunta que o professor lhe passe como “dever de casa”. a tal resposta pode ser ótima, ruim, mais ou menos… para o aluno, pouco importa. pergunta feita, respondida pela rede.

o que pode mudar este cenário, hoje? primeiro, professores, alunos, gestores e pais precisam entender que num regime de abundância de informação o conhecimento não mais reside na resposta e sim na pergunta. se a pergunta tem uma resposta óbvia, na rede, a resposta é a da rede. segundo, que é preciso criar oportunidades de aprendizado baseadas em problemas que as pessoas encontram no seu dia-a-dia, real ou imaginado. sem isso, perguntas serão apenas perguntas e qualquer resposta servirá.

enquanto o sistema olhar para os aprendizes como meros respondedores de perguntas, eles terceirizarão a resposta para a rede. o que é, por sinal, óbivo, a ponto da dinamarca estar autorizando estudantes a fazer provas usando a internet. significativamente, chat, SMS e emeio estão proibidos, já que trazem um outro cérebro para ajudar na resposta.

a rede, todos os seus repositórios e sistemas [como as redes sociais] representa a maior oportunidade de mudança dos processos educacionais desde gutemberg. aliás, desde a academia, considerando que a maioria dos ambientes educacionais prescinde dos mecanismos de busca e reflexão usados na escola de platão. o grande problema é como vamos sair deste grande dilúvio e caos informacionais para um conjunto de ambientes que conduza a um aprendizado mais eficiente, eficaz e situado entre as demandas do mundo ao redor do aprendiz.

talvez seja preciso, pra começar, reaprender a aprender; o fundamental, nos primeiros anos de escola, tem que passar a ser o estabelecimento dos métodos e processos pelos quais o indivíduo passa a descobrir, por si só, o que não sabe e, a partir daí, como chegar a fontes confiáveis para dirimir suas dúvidas ou, ele próprio, achar respostas para perguntas que ainda não têm resposta. isso só poderá ser feito aumentando em muito a qualidade da educação em todos os níveis mas, ainda mais, nos primeiros anos do aprendizado.

pense num problema grande, complexo e importante, para ser resolvido por todos, em todos os lugares. vai levar décadas até fazermos alguma coisa perto disso. até lá, os alunos continuarão achando [e, em boa parte, com razão] que a escola não tem “nada a ver” e que jogos, especialmente em rede, são muito mais interessantes. o que já é uma saída, pois jogos podem ser ambientes e ferramentas educacionais de alta efetividade… mesmo que pareçam apenas, para alguns, “aperitivos informacionais”.

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domingo, 21 de fevereiro de 2010

a escola e o “big little brother”

srlm às 13:02

logo antes do carnaval este blog dizia que o governador arruda foi pego pelo little brother, o hoje em que todo mundo tem acesso a meios de supervisão [ou espionagem] das ações alheias que, ontem, eram domínio apenas dos melhores serviços secretos.

arruda foi preso pela lei de moore: dobrando a capacidade computacional pelo mesmo preço a cada dezoito meses, a informática chegou até aqui, com microcâmeras a preço de banana e a mesma velocidade de desenvolvimento vai [se acreditarmos em ray kurzweil] levar a um laptop com a mesma capacidade computacional do cérebro humano, por US$1.000, dentro de mais ou menos uma década. clique na imagem para seguir até um texto do próprio kurzweil com os detalhes.

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agora veja uma instância bizarra do little brother, na verdade do big little brother, pois operado por uma uma instituição estadual da pennsylvania, EUA: uma escola distribuiu laptops a seus alunos [até aí nada demais], os laps têm câmeras [idem] e software que pode ativá-las remotamente. aí danou-se tudo, até porque um aluno foi repreendido, na escola, em termos de que “deveria se comportar melhor em casa…”.

orwell puro. rolou há poucos dias e a história já tem mais de 1.600 notícias indexadas por google, FBI e procuradores federais na jogada… e vai levar a todo tipo de debate sobre privacidade e intervenção da escola –e/ou do estado, como é o caso- na vida verdadeiramente privada dos cidadãos, sejam eles adultos [empregados] ou crianças e adolescentes [estudantes]. as decisões judiciais que devem se seguir devem estabelecer, em caráter histórico, quais são [de novo] os direitos informacionais dos cidadãos. é esperar pra ver.

quanto à previsão de kurzweil, caso se realize de fato, pode ser que tenhamos que discutir um outro arranjo legal e um novo conjunto de limites, desta vez para máquinas: se seu laptop tiver a mesma capacidade de processamento que você, dependendo do conjunto de regras que ele resolva usar, não só vai “dedurar” um bom números de suas atividades às “autoridades” mas poderá tentar, de várias formas, impedir certos comportamentos legítimos que considere, digamos, perigosos, ofensivos, um risco ao estado e sabe-se lá mais o que.

este, sim, vai ser o verdadeiro big little brother.

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

vancouver: medalhas de lixo

srlm às 12:09

o comitê das olimpíadas de inverno está chamando atenção para um tipo  complexo de lixo que começa a assumir proporções gigantescas no planeta: o e-waste, ou lixo eletrônico. e faz isso de forma simples, bela, prática: as medalhas olímpicas são feitas de metal retirado de e-waste.

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e-waste é a forma de lixo que mais cresce entre os resíduos sólidos, e não é um tipo simples de detrito: carregado de metais e contaminantes pesados, teria que estar sendo tratado na mesma escala em que vem sendo gerado, ao invés de ser “jogado” em aterros ou depósitos ao ar livre como o mostrado na figura abaixo ou queimado em incineradores.

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e-waste contém dezenas de tipos de substâncias perigosas, de tóxicos a cancerígenos. entre elas, estão amerício [radioativo], mercúrio, cádmio e chumbo [contaminantes pesados], berílio, germânio, silício, lítio, níquel, zinco, ouro… que, se abandonadas no ambiente, podem gerar todo tipo de efeito colateral, de contaminação de lençóis freáticos a envenenamento de pessoas e animais. sem falar em coisas como bromina e clorina, usadas nos circuitos como retardantes de chamas [por exemplo], cujos efeitos colaterais são a destruição da camada de ozônio. ou seja, a escala do problema é realmente global.

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só nos EUA, estima-se que haja mais de um milhão de toneladas métricas de lixo eletrônico no ambiente. o problema é global e deveria estar sendo regulado por todas as nações, forçando uma política de take back aos fabricantes: fabricou, vendeu? depois de usado e inservível, tem que pegar de volta e dispor [desmontando, reciclando, reutilizando] de forma social e ambientalmente segura. muitas companhias, como a HP, estão anunciando suas próprias políticas mundiais sobre e-waste, mas é preciso fazer muito mais, e muito mais rápido.

isso aumentaria o preço dos eletrônicos? provavelmente sim, mas não muito. e o retorno do investimento seria um planeta mais sustentável e uma vida mais limpa. tá mais do que na hora de pensarmos mais seriamente nestes termos.

as medalhas de vancouver são um bom exemplo. precisamos generalizá-las de tal forma a desarmar uma cadeia de valor que joga tantas coisas perigosas fora, no ambiente ao nosso redor.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

arruda, moore e o “little brother”

srlm às 12:32

o [des]governador do distrito federal corre o sério risco de ver o carnaval nascer quadrado. foi pego em áudio e vídeo digital, testemunha da farta distribuição de notas de todos os valores a gente de muitos matizes da política brasiliense.

no passado, a tecnologia que pegou arruda era domínio exclusivo da CIA, MI5 e KGB. mas bote uns 30 anos de lei de moore, com a capacidade do hardware dobrando a cada 18 meses pelo mesmo preço e… voilá: como se de repente, qualquer pessoa pode comprar uma “camera-espiã” de boa resolução, miniaturizada, conectada, capaz de gravar arruda de perto e de longe para assombrar os espectadores dos telejornais noturnos.

e muito mais gente: você já imaginou quantos escândalos estão esperando para ser revelados, em todos os escalões do poder, daqui até as eleições [e depois]?… as câmeras estão em todo canto, até nos tênis, como você pode ver na imagem abaixo; em tese, pelo menos, você está sempre agindo e falando para uma câmera. o incrível, mesmo, é como a maior parte dos políticos corruptos ainda não “captou esta mensagem”.

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parece “big brother”, não é? parece, mas não é. trata-se de “little brother”, que apareceu recentemente neste blog: todos, e cada um, podem espiar o que todo o resto está fazendo, da babá torturando o bebê ou a vovó, ao político e empresário corruptos destruindo ou se apossando da coisa e causa públicas.

imagedesde o começo e até aqui, isso tem sido uma caixa de pandora: uma vez disponível a baixo custo para aplicações que passam por analisar o comportamento de espécies raras em seu habitat natural, os dispositivos se espalham pela sociedade e podem [e vão] ser usados por todo mundo, para o bem e para o mal.

sim, porque o efeito “little brother” pode servir para muita coisa boa, como botar o arruda pra desfilar na [des]unidos da papuda, nem que seja só por um carnaval; mas a perspectiva de estar na academia, malhando e sendo filmado sem seu consentimento, para virar estrela de humor no youTube daí a alguns minutos… não necessariamente agrada ninguém…

exatamente por isso é que podemos esperar para breve um projeto de lei dando a câmeras em miniatura [e celulares?…] o mesmo status de armas letais, que se tornariam privativas dos órgãos de sua segurança de suas excelências. será que alguém teria coragem de tramitar uma tal proposta?

provavelmente sim. nossa resposta? simples: preferimos o “little brother”. falta total de controle é sempre muito melhor do que controle total. no intervalo entre os dois, a vida real [pelo menos aqui, agora], e para todos os casos de uso indevido da imagem de terceiros, já existe uma constituição e as instituições democráticas.

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

mais ou menos liberdade para os jurados?

srlm às 03:05

no brasil, só existe júri para crimes contra a vida. nos EUA, até para acidente de trânsito. é mais ou menos como se o poder por lá fosse dos jurados e, aqui, dos juízes.

jurado, aqui, é incomunicável. enquanto durar o júri, não pode falar com ninguém, nem com outro jurado. internet, então, nem pensar. nos EUA, não era [e nem é, ainda] assim, mas pode muito bem vir a ser, começando por uma decisão [de setembro passado] da suprema corte de michigan, determinando que os jurados não devem"use a computer, cellular phone, or other electronic device with communication capabilities while in attendance at trial or during deliberation…" e que, fora da corte, não podem usar nenhum meio… "to obtain or disclose information about the case."

em resumo, nada de celular ou internet de nenhum tipo no júri; fora dele nada de usar nenhum tipo de comunicação para obter ou liberar informação sobre o caso. a regra pode começar a valer em todo o país, e de forma mais severa, agora que o judicial conference committee on court administration and case management enviou um memorando a todas as cortes distritais americanas sugerindo que os juízes comuniquem aos jurados que…

You, as jurors, must decide this case based solely on the evidence presented here within the four walls of this courtroom. This means that during the trial you must not conduct any independent research about this case, the matters in the case, and the individuals or corporations involved in the case. In other words, you should not consult dictionaries or reference materials, search the internet, websites, blogs, or use any other electronic tools to obtain information about this case or to help you decide the case. Please do not try to find out information from any source outside the confines of this courtroom.

os jurados devem decidir o caso levando em conta somente as evidências apresentadas entre as quatro paredes da corte. nada de pesquisar o assunto, indivíduos ou corporações envolvidas, usando dicionários, internet, websites… o que for. e continua:

You also must not talk to anyone about this case or use these tools to
communicate electronically with anyone about the case. This includes your family and friends. You may not communicate with anyone about the case on your cell phone, through e-mail, Blackberry, iPhone, text messaging, or on Twitter, through any blog or website, through any internet chat room, or by way of any other social networking
websites, including Facebook, My Space, LinkedIn, and YouTube.

nada de falar com niguém sobre o caso, direta ou de forma mediada por qualquer ferramenta eletrônica, como emeio, iPhones, twitter, chats, blogs ou qualquer tipo de rede social. ou seja, a idéia é fazer com que os jurados americanos se comportem da mesma forma que os brasileiros, tornando-os completamente isolados do mundo enquanto durar o caso que estão analisando.

image o papel dos jurados, como se sabe, é buscar a verdade. agora, vamos pensar alto: qual é a direção, senão correta, mais apropriada? aumentar o isolamento dos jurados americanos ou diminuir o dos brasileiros? qual das duas opções aumenta as chances de se encontrar a verdade? com a miríade de fontes de informação disponíveis, os quase infinitos meios de acesso às mesmas e a interconexão cada vez maior entre pessoas e sistemas de informação, é razoável supor que a discussão de casos complexos, que podem envolver sentenças milionárias ou anos de cadeia, seja feita em isolamento? no mundo de hoje?…

se os ministros do supremo, por aqui, estão na internet e em chats durante os julgamentos do tribunal, porque não deveríamos ampliar as liberdades informacionais dos jurados?… depois do vazamento das telas de ministros do supremo na leitura da denúncia do mensalão em 2007, dei uma entrevista para o estadão onde dizia que…

“Vejo o fato de os ministros do Supremo Tribunal Federal estarem conectados durante o julgamento do mensalão, ou em qualquer outro momento, de forma muito tranqüila. Isso significa, acima de tudo, que os magistrados da mais alta corte do Brasil estão conectados. Uma ótima notícia. É importante que eles sejam parte da sociedade para julgar e estabelecer os limites, deveres e direitos que dizem respeito a todos nós.¨

se os ministros podem, porque os jurados não poderiam? ainda mais, neste mundo conectado, como evitar que os jurados possam? incriminando-os por, como quer a justiça, buscarem a verdade?…

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

robôs: tornando a guerra “mais segura” para humanos?

srlm às 00:06

uma das coisas que está acontecendo em teatros de combate reais, enquanto nós estamos [aparentemente] ainda discutindo se compramos caças mais caros ou baratos, é o aumento de robôs nos campos de batalha. VANTs, ou veículos aéreos não tripulados, de observação ou armados, são elementos essenciais da estratégia das forças da OTAN no remoto afeganistão.

a literatura sobre robôs completamente autônomos é vasta. veja um resumo da ópera e links para mais dois textos deste blog bem aqui. e a BBC acaba de produzir um bom texto, com a palavra de especialistas e fabricantes, sobre robôs no campo de batalha, começando com uma pergunta muito complexa:

Can war be fought by lots of well-behaved machines, making it "safer for humans"?

em bom português, dá pra guerrear usando um monte de máquinas bem comportadas, tornando a luta armada mais segura para os humanos? segundo a reportagem da BBC…

That is the seductive vision, and hope, of those manufacturing and researching the future of military robotics.

…esta é a sedutora visão e esperança daqueles que estão pesquisando e fabricando robôs militares.

este blog discutiu o assunto longamente em julho do ano passado, neste link. em particular, relatamos um um seminário em asilomar, califórnia, onde alguns dos principais especialistas em inteligência artificial do planeta concluiram que

robots that can kill autonomously are either already here or will be soon…

já existem ou existirão, muito em breve, robôs que capazes matar de forma autônoma. em português bem claro, estamos falando de máquinas capazes de selecionar um alvo que atenda seus objetivos [supostamente definidos por humanos] e eliminá-lo, sem que para isso seja preciso intervenção humana.

pra ver as consequências de tais possibilidades, sugiro que você volte no tempo e leia este texo, do blog, sobre robôs militares.

image até porque as coisas podem ficar completamente fora de controle com sistemas autônomos do tipo EATR, iniciais para energetically autonomous tactical robot, pronunciado como “eater”, traduzido como “devorador” e mostrado no esquema acima. EATR é um robô da RTI financiado pelo pentágono, que literalmente come “biomassa” para usar como fonte de energia. segundo a página da RTI

The system obtains its energy by foraging – engaging in biologically-inspired, organism-like, energy-harvesting behavior which is the equivalent of eating. It can find, ingest, and extract energy from biomass in the environment (and other organically-based energy sources), as well as use conventional and alternative fuels (such as gasoline, heavy fuel, kerosene, diesel, propane, coal, cooking oil, and solar) when suitable.

ou seja, a coisa come como se fosse um organismo vivo. a RTI garante que o EATR é “vegetariano”… mas seu inventor, robert finkelstein, disse à BBC que ele consumiria "organic material but mostly vegetarian", o que quer dizer outra coisa: material orgânico, a maior parte do qual vegetariano. a verdadeira prova dos nove é você, leitor [eu me conto fora desta], ficar por perto pra ver se EATR se controla perto de “biomassa” ou não passa de um pitbull mecatrônico.

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pelo que se vê, sabe e se imagina, a corrida dos robôs de guerra só está começando. nas democracias que vivem em armas, como EUA e reino unido, o custo político de soldados voltando pra casa em caixões é muito alto e a alternativa “não tripulada”, autônoma ou não, é o sonho de quem quer lutar uma guerra [na sua opinião] “limpa”. veja este depoimento, também à BBC, de mark jenkins, piloto da RAF que combate na região do afeganistão: .

"I’ve got a 45-minute drive home. And then by the time I’m home, I’m kind of straight into family life."

jenkins é piloto de VANT e luta de uma base em nevada, a 13.000km de onde seu avião está. cumprida a missão, ele dirige 45 minutos de volta à sua residência e, nas suas próprias palavras, uma vez em casa, volta direto e todo dia para a vida em família.

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isso é que é guerra segura. pra ele, jenkins, e seus colegas, como o que está no sistema de controle remoto da imagem acima. para os civis afegãos e paquistaneses que vez por outra viram alvo dos VANTs da OTAN, a guerra é um verdadeiro inferno. segundo fontes bem informadas, entre um quarto e um terço dos mortos por VANTs na ásia central são civis. eu adicionaria um “por baixo” a estas proporções. o número real de mortos civis pode ser bem maior. e quanto a uma guerra segura, pra quem e por quanto tempo… bem, pense e tire suas próprias conclusões.

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

um palácio tuitando para o mundo

srlm às 01:24

aqui em pernambuco há uma estação de rádio antiga, a jornal do commércio [no ar desde julho de 1948] cujo slogan inicial, usado por muito tempo, era “pernambuco falando para o mundo”. isso só se tornou verdadeiro mesmo quando a rádio JC entrou na rede, primeira na américa latina a fazê-lo. mas o que importava, antes, era a impressão de se estava, mesmo, falando para o mundo.

muda o contexto, estamos em brasília. ao invés de rádio, uma reunião no planalto, presentes dois dos homens mais poderosos do país: o presidente da república e seu ministro de planejamento. o assunto é um dos mais importantes dos próximos muitos anos, um plano de inclusão digital [desta vez denominado plano nacional de banda larga, ou PNBL] que pode, se for levado a cabo, resultar em 14 ou mais bilhões de reais de investimento. no contexto, o papel da [nova] telebrás e dos restos da eletronet, fracassada operação de backbone sobre a infraestrutura do sistema de transmissão de energia.

há mais gente na sala e um dos presentes, segundo o ministro paulo bernardo, é autorizado a “tuitar” a reunião. trata-se de marcelo branco, da associação software livre.org. pelo que consta, marcelo pediu, foi liberado, e pela primeira vez lá estava o palácio tuitando uma reunião presidencial para o mundo. não acho que coisa semelhante tenha ocorrido antes em qualquer outro país.

mas até aí tudo bem; poderia ser apenas mais uma conversa informal do presidente com visitantes. mas um dos tweets tinha a voz do dono e estava destinado a ser bem mais do que 140 caracteres na grande mesa de bar que é o twitter

#pnbl Lula: "depois de muito trabalho conseguimos conquistar de novo a ELETRONET"… "queremos fazer a TELEBRÁS voltar a funcionar"

a consequência aparente deste pequeno texto foi uma movimentação bem acima da média das ações da telebrás, empresa listada na bovespa e que está sujeita a regras específicas de funcionamento em função disso. o anúncio presidencial de que se resolveu o contencioso da eletronet e que a telebrás vai funcionar, com responsabilidades e faturamento muito grandes tinha que ter algum efeito colateral, só não se sabia o quanto.

isso tem grandes implicações, queiramos ou não. porque o mercado de ações tem regras, que devem ser obedecidas sem exceção, senão vira bagunça, com gente que tem informação privilegiada manipulando negócios. dois dias depois da reunião, o governo veio a campo na voz de cezar alvarez, para dizer que não é nada disso que foi tuitado e que, apesar das preferências pela reconstituição de uma grande telebrás, as regras da bovespa têm que ser e serão cumpridas na íntegra.

resultado do imbroglio? difícil de imaginar, principalmente quando se leva em conta que o brasil não é um país tão formal como inglaterra ou alemanha. mesmo assim, será que vai ser permitido [daqui pra frente] tuitar reuniões com o presidente? se sim, que reuniões? e quem julgará –em tempo- o que pode ser dito para o mundo ou não, durante o evento? porque twitter é parte da statusfera, a web em tempo real, aquela que rola na hora, que nem caldo de cana.

desde que o mundo é mundo que a palavra de presidentes de república  e outros poderosos passa por assessorias especializadas [e não só pela de imprensa] antes de ser comunicada, em tempo apropriado, em coletivas para as quais toda a mídia é convidada. isso é feito justamente para que se considere o que pode ser dito publicamente, evitando consequências como as desta semana. uma ou mais pessoas tuitando uma reunião [presidencial] dá à conversa ares de entrevista e, considerando o papel de mídias sociais como twitter [por onde chegam, hoje, os links para a maior parte da informação que consumo], o impacto pode ser bem maior, dependendo do assunto, do que uma coletiva.

daí o cuidado que se deve ter… não ao liberar informação pelo twitter, o que pode ser absolutamente normal na quase totalidade dos casos, mas ao se decidir “transmitir” reuniões importantes em tempo real, sem qualquer crivo editorial. pode ser muito bom mas, por outro lado, pode gerar um auê de todo tamanho.

não dá pra saber se a reunião do PNBL foi apenas a primeira de uma série que será “transmitida” ao vivo e a cores por quem estiver presente. a julgar pelas palavras de alvarez, não. até porque ninguém pensava, enquanto as coisas aconteciam, que o presidente falaria o que falou, que havia gente ouvindo e que a especulação tomaria conta da bolsa no dia seguinte. e este não é o único –nem pior- cenário em que efeitos colaterais adversos podem ocorrer.

por causa disso, é improvável que ministros como paulo bernardo [veja o twitter dele aqui] tomem notas de uma reunião de gabinete, daquelas de cortes no orçamento, no seu twitter. mas no dia seguinte ao incidente do PNBL, o ministro dizia que…

Na reuniao sobre o PNBL foi solicitado e autorizado a liberacao do uso de celulares e laptops para postar informacoes, inclusive fotos.

…exatamente como acima, sem qualquer acento. então foi.

uma coisa é certa: o poder de multiplicação do twitter é imenso e pode atingir milhões de pessoas em alguns minutos; se alguém como marcelo tas estivesse ligado, seguindo e replicando o assunto na hora, só ele chegaria a mais de 500.000 seguidores. uma rede social em tempo real, como o twitter, além de transformar audiência em comunidade [como não poderia deixar de ser] é capaz de criar efeitos flash mob, de mobilizações relâmpago ao redor de um tema, causa, discussão, o que for.

estas mobilizações podem durar semanas, como foi o caso das eleições iranianas, mas na maioria dos casos parecem durar apenas umas poucas horas. daí o “flash”, como parece ser o caso do PNBL. que é como será, caso a CVM resolva deixar o incidente prá lá, como um flash. mas, se a comissão investigar o assunto, não poderá deixar de emitir um aviso de que casos de “tuitorréia” [veja cartoon abaixo] envolvendo empresas listadas não serão tolerados… pelo menos até que se mude as leis e regras e/ou o tempo e informação deixem de ser importantes nos mercados.

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