Terra Magazine

terça-feira, 29 de junho de 2010

por mais tecnologia no futebol e nas copas

srlm às 11:06

na mitologia popular brasileira, o juiz de futebol deve ser o deus do roubo, portanto padroeiro de uma larga porcentagem dos políticos. ao mesmo tempo, e principalmente se seu time perde -quer seja culpa dele ou não, a honestidade da ascendência materna do árbitro é seriamente questionável. coisas do futebol. pro bem, dizem uns: afinal de contas, se o juiz fosse mesmo justo, haveria pouco o que discutir depois da partida, que talvez se tornasse previsível e “certinha” demais.

mas o que dizer do “segundo” gol da inglaterra contra a alemanha? a bola entra mais de 30 centímetros, juiz e bandeirinha ignoram o fato e fica por isso mesmo. como se não bastasse, com uma câmera dentro do gol?…

Manuel Neuer of Germany watches the ball bounce over the line from a shot from England's Frank Lampard.

sua senhoria tem rádio e há um quarto juiz fora do campo; em lances como aquele, não custaria nada parar a partida por alguns segundos e conferir o que aconteceu de verdade. afinal de contas, assume-se que o juiz está em campo para garantir que as regras do jogo serão obedecidas com toda a “justiça” possível. este, aliás, é um dos mottos do futebol, propalado aos quatro ventos pela própria FIFA: fair play, acima de todos os outros significados, quer dizer jogo justo, decente, honesto. falando nisso, o goleiro da alemanha viu que foi gol; mas não é o papel dele [mesmo com o tal do fair play…] denunciar ao juiz um gol do adversário. afinal de contas, se o juiz não “acha” que foi gol, não foi gol. e ponto final.

mas sua senhoria não tem toda a informação de que precisa para tomar suas decisões. o juiz não é onipresente [para isso, não por acaso, há bandeirinhas], tampouco onisciente… e vive num mundo de assimetria de informação, em tempo real, bola rolando, pressão por todo lado, bilhões de olhos observando e muitos mais bilhões de dólares em jogo. e isso faz toda diferença, do ponto de vista de usar [ou não] auxílio de tecnologia de informação para tomar decisões em campo… porque aqui fora todos nós vimos, segundos após o acontecido, que o gol inglês foi mesmo gol e que o tevez estava impedido, na banheira mesmo, como você vê na imagem abaixo.

e o público não chegou a tais conclusões usando supercomputação, bolas com chips, sensores nas traves ou na rede, câmeras robôs, nada disso; tudo o que usamos era muito, muito simples e disponível, fora do campo e com autorização da FIFA, para os espectadores: as câmeras de TV, daquelas normais, que estão às centenas dentro do campo.

Mexico-argentina-world-cup-2010-germany-picture-england-live-soccer_display_imagequerer esconder do juiz a informação que todos nós temos aqui fora é tirar boa parte do fair play do futebol e fingir que o mundo não está mudando. será que a tecnologia da jabulani, a bola maluca desta copa, é igual a das bolas de capotão dos anos 60? será que a tecnologia que construiu e permitiu 200 mil pessoas no maracanã de 1950 é a mesma de hoje? que tal ler o caderno de encargos da FIFA, que despachou o morumbi, para comparar?…

mais de meio século de evolução nos deu a jabulani [por bem ou por mal], estádios muito mais confortáveis e seguros, ingressos negociados pela internet, cobertura global do futebol em 3D e em todos os detalhes e, ao mesmo tempo, trata-se a assimetria de informação do juiz como se vivêssemos na década de 50, ouvindo os jogos pelo rádio de ondas curtas. não estamos mais, e é isso que a FIFA teima em não entender. e de nada adianta pedir desculpas, como fez sepp blatter, ao méxico e à inglaterra, pois isso não muda o resultado dos jogos.

na década de 50 e talvez até a década de 90, o juiz, mesmo com todos os problemas de tratamento de informação, tinha mais dados do que a torcida, à exceção de um ou outro espectador privilegiado [e este, só em alguns lances]. hoje, e em muitos casos, a audiência tem muito mais informação do que o juiz. como a audiência se transformou em comunidade, ativa, na rede, conectada e relacionada, a verdade fica do lado de fora das quatro linhas do gramado. lá dentro, prevalece a hipocrisia que quem simplesmente não quer usar os meios que já estão disponíveis [como um simples e eficaz replay] no controle remoto da TV lá de casa.

é a FIFA brincando de avestruz e deixando o fair play fora do jogo.

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domingo, 27 de junho de 2010

termina a ROBOCUP: brasil chega em quarto lugar

Tags:, , - srlm às 13:07

em 新加坡 [chinês: xīnjiāpō, singapura ou cingapura], terminou a ROBOCUP 2010 e a bandeira da competição foi passada para Βυζάντιον [bizâncio, atual İstanbul] como mostra a imagem abaixo, cortesia do professor marco simões da UNEB.

passagem-da-bandeira-de-cingapura-para-istambul-1

da ásia, simões mandou seu último emeio para o blog, relatando o fim da competição:

…ao final, a equipe Bahia2D não conseguiu livrar-se da lanterna e perdeu por 3×0 para o AuA. A equipe melhorou mas um bug não diagnosticado fez com o que nosso agente técnico (coach) travasse (crash) antes do iníco da partida. Isto prejudicou muito o desempenho durante toda a competição…

como se vê, não é só no mundo do futebol de seres humanos que os técnicos entram em pane; o “coach” [veja o papel do coach da robocup aqui, por exemplo] do bahia2D capotou e detonou o time. na copa do mundo da áfrica vez por outra a gente vê coisa muito semelhante…

e simões continua…

Na Small Size, a equipe da FEI conseguiu um empate em 0×0 e perdeu os demais jogos na fase de grupos e foi eliminada nesta fase, a exemplo do que aconteceu com a equipe Bahia3D na Simulação. Na categoria Junior, nenhuma equipe brasileira esteve entre os top 3.

nossa esperança, então, era o time bahiaMR:

Na MR tivemos o melhor desempenho brasileiro. A equipe BahiaMR qualificou-se para as semifinais; após uma madrugada de trabalho intenso [ao invés de concentração, programação!…] o pessoal conseguiu ajustar as principais falhas do time e jogou a semifinal contra o RT-Lions da Alemanha de forma muito equilibrada. Após um primeiro tempo em 0×0, no segundo tempo a equipe alemã conseguiu dois gols e venceu por 2×0, numa partida de boa qualidade e muito disputada. Uma hora depois, outra excelente partida, também muito equilibrada, terminou numa vitória de 3×0 do MRL do Irã sobre o BahiaMR, decidindo o 3o Lugar. Isto deixou o BahiaMR em 4o Lugar no ranking final da competição.

Na final, outra excelente partida vencida pelo WF Wolves da Alemanha por 2×1 sobre o conterrâneo RT-Lions manteve o título na Alemanha, trocando apenas de instituição.

alemães, historicamente muito bons em automação e controle, nos dois primeiros lugares, irã em terceiro e brasil em quarto. talvez fosse bom entender o que o irã está fazendo para –mesmo isolado da maior parte da comunidade mundial de qualquer coisa- estar entre os três primeiros de uma competição mundial de robótica. mas isso é outra história.

ainda segundo marco…

Cada competição da RoboCup possui um comitê organizador (OC) e um comitê técnico (TC). O OC é responsável por organizar e garantir o sucesso de cada edição da competição. O TC lida com todas as questões técnicas de software e hardware para garantir a evolução da infra-estrutura da competição para apoiar nos objetivos globais da RoboCup Federation. Este ano eu era um dos membros do OC e o José Grimaldo era um dos membros do TC. Na eleição para os comitês de 2011, tivemos novamente brasileiros eleitos. Nossos estudantes Juliana Reichow (OC) e Fagner Pimentel (TC) foram eleitos para realizar a organização da competição Mixed Reality juntamente com os demais membros eleitos para estes comitês.

juliana e fagner estão na foto abaixo e têm uma longa e detalhada agenda para cumprir até e durante as competições de 2011 em constantinopla.

1-Juliana Reichow (OC) e Fagner Pimentel (TC)

pra terminar, marco simões faz a seguinte avaliação sobre a participação de seus liderados na robocup2010:

Minha análise final da nossa participação na RoboCup é que foi novamente muito proveitosa. Fico bastante satisfeito em ver o progresso dos meus estudantes, o aprendizado e o amadurecimento dos mesmos ao participar destas competições. Infelizmente não levamos a bandeira brasileira ao pódio este ano, mas estamos confiantes que todas as lições aprendidas ainda trarão muito orgulho para o nosso país e, o mais importante, transformarão estes jovens em grandes cientistas da computação, que poderão trazer muitas alegrias e resultados importantes ao Brasil.

Na RoboCup, todos os que têm a oportunidade de estar lá são grandes vencedores. Pela primeira vez nosso grupo de pesquisa teve um artigo aceito para o Simpósio, com apresentação oral. Apesar de termos dois professores co-autores do artigo presentes no evento, motivamos o estudante de graduação, autor principal do paper, a apresentar e ele o fez muito bem, apesar de ser a primeira vez que faria uma apresentação deste porte. A contribuição que pudemos proporcionar para a formação deste estudante foi fantástica e isto já nos recompensa bastante.

Agradeço pela cobertura que o blog e o TERRA fizeram deste evento e da nossa participação em especial; espero que a maior repercussão que a vinda dos brasileiros para Cingapura ganhou possa refletir em maior apoio público e privado para novas iniciativas desta jovem e dedicada comunidade de robótica inteligente que temos no Brasil. Tomara que nos próximos anos o BRT e equipes de todo o Brasil possam brilhar na RoboCup.

Finalizo agradecendo a todos os parceiros que tornaram possível a nossa participação na quarta RoboCup da história do BRT: Uneb, em especial ao Magnífico Reitor Lourisvaldo Valentim; aos programas PICIN/UNEB, IC/FAPESB, PIBIC/CNPq pelas bolsas de IC que viabilizam a manutenção dos nossos estudantes dedicados ao projeto; ao BiLab pelo apoio no trabalho com o hardware dos micro-robôs da Realidade Mista e à Fácil Computadores pelos investimentos de P&D feitos no nosso projeto.

 

é isso aí; grato ao marco pelo trabalho adicional de relatar esta ROBOCUP para o blog e para o TERRA.

é bom lembrar que a ROBOCUP é algo bem maior do que robôs correndo atrás de uma bolinha: em computação e qualquer outra área de engenharia, em especial em tempos de tendência mundial [como agora] de diminuição do número de estudantes interessados nas áreas de exatas e engenharias, é muito importante ter desafios e competições que capturem o imaginário popular, que mostrem a face lúdica de coisas muito complexas como autonomous agents, multiagent collaboration, strategy acquisition, real-time reasoning and planning, intelligent robotics, sensor fusion… trazendo para mais perto de todos um entendimento, mesmo que superficial e informal, do que está acontecendo e quais suas potenciais consequências.

todos os resultados da ROBOCUP 2010 estão neste link; o site da robocup2011 já está no ar e a competição rola daqui a exatos 371 dias. esperamos que muitos times brasileiros estejam lá; o blog, certamente, estará. finalmente, se você estiver querendo saber o que aconteceu até chegarmos aqui, clique, na ordem, nestes links: robocup: a outra[!] copa; o brasil na robocup 2010: 1; o brasil na robocup 2010: 2; o brasil na robocup 2010: 3; na copa, brasil detona portugal: 13 a 3 e robocup: brasil ainda tem chances na classe MR.

missão cumprida na ásia, o time da bahia volta pra casa com gás pra virar dias e noites atrás de uma melhor performance na turquia. tomara que nossa seleção de carne, osso e nervos esteja pronta pra fazer pelo menos o mesmo [e tomara, mais] que o time de robôs da bahia. saravá!

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terça-feira, 22 de junho de 2010

robocup: brasil ainda tem chances na classe MR

Tags:, - srlm às 12:27

continua a saga brasileira na robocup de cingapura: veja o relato dos últimos acontecimentos, enviado por marco simões, da UNEB, uma das duas instituições brasileiras competindo no evento:

Fim de mais um dia de competição. Resumindo a conversa, na categoria 3D fomos eliminados na fase de grupos. Os resultados estão atualizados neste link. Apesar da desclassificação a participação é positiva; nossos estudantes tiveram bastante oportunidadede interagir com membros de outras equipes, trocar informações, contatos e obter feedback.

A principal deficiência da nossa equipe 3D está nos controladores dos robôs. Os robôs possuem muitos graus de liberdade e isso  requer um esquema de controle complexo.Conseguimos fazê-los executar todos os movimentos básicos (andar, chutar, etc) mas tudo é feito muito lentamente. Por outro lado, a opinião de todos os times é que os movimentos dos nossos robôs estão entre os mais estáveis de todos os times. Se conseguirmos fazê-los mais rápidos mantendo a estabilidade, poderemos passar a disputar entre os melhores no mundial. Este feedback é muito importante pois ajudará no planejamento para continuidade do trabalho.

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Na 2D, também aconteceu a eliminação na fase de grupos mas, pelas regras desta competição, ainda será disputado um triangular contra outras duas equipes nesta quinta feira para definir as classificações entre 17o e 20o lugar. Continuaremos trabalhando para fugir da temida lanterna. Independente do resultado, os últimos dois mundiais nos levam a refletir o planejamento do projeto da 2D dentro do grupo, para que possamos voltar a ter um mesmo ritmo de evolução qualitativa que tivemos no início há 4 anos atrás.

 

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Por fim, a MR: jogamos mais duas partidas, perdemos para o MRL do Irã por 3×1 e vencemos o Northern Starts da Alemanha por 9 x 3. A classificação está bastante embolada e pelo menos 5 times brigam por 3 vagas (um time alemão, WF Wolves, está praticamente garantido). Estamos atualmente em 3o Lugar. Na próxima rodada, o BahiaMR jogará mais duas vezes em busca da classificação para as semifinais. As próximas madrugadas serão longas…

para saber mais, veja os outros textos recentes do blog sobre a robocup 2010 aqui, aqui, aqui e aqui. neste outro link, veja um relato de marco simões sobre o estado da competição em dias anteriores.

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na copa, brasil detona portugal: 13 a 3

Tags:, - srlm às 00:31

não foi na copa da áfrica do sul, mas na robocup 2010 em cingapura: o time bahiaMR, nosso representante na categoria mixed reality [veja ambiente abaixo; clique na imagem para saber mais] da copa de futebol de robôs, trucidou portugal [na verdade o time FC portugal, das universidades de aveiro e porto], por um placar ainda mais vergonhoso do que nossos irmãos lusos infligiram à coréia do norte.

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os resultados parciais estão neste link. até ontem, o time baiano havia ganho duas [de portugal e dos alemães do osna-BE!, da universidade de osnabrück, por 10 a 4] e perdido uma partida [por 4 a 1] para o WF wolves, melhor time na categoria até agora, da universidade de ostfalia, na alemanha, cujos craques MR aparecem na imagem abaixo.

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o bahiaMR está em segundo na classificação das eliminatórias e, de acordo com nosso “correspondente” marco simões, o WF wolves… é a equipe que tem apresentado o melhor desempenho até o momento, mas estamos esperançosos de melhorar o ajuste fino do time para vencê-los nas semifinais ou finais, caso possamos confirmar o bom desempenho nos próximos dias e garantir a classificação.

estamos na torcida. ainda segundo marcos… o pessoal da FEI, que está competindo na categoria small size, não havia “jogado” ainda, e acha que vai ter problemas… pois [eles] não conseguiram testar o robô novo antes da viagem e os testes terão que ser feitos durante a competição. ou seja, vai ser jogo e treino ao mesmo tempo; boa sorte à galera da FEI mesmo assim.

os times 2D e 3D da bahia perderam todas, até aqui; veja os resultados nesta tabela. os resultados da categoria MR, onde parece que temos chance, estão neste link.

abaixo, o ambiente de competição: galera do bahiaMR programando até o último minuto da competicão. como trata-se de um embate entre algoritmos e suas implementações, acaba ganhando quem sustentar a onda de permamente invenção, descoberta, inovação e evolução até a hora de entrar em campo.

BahiaMR-Bahia2D-programando

como são todos contra todos, claro que não são só nossos baianos programando até a hora do pontapé inicial; abaixo, um alguém tentando descobrir exatamente que bit entortar para ganhar, talvez, mais precisão nos chutes da categoria humanóides.

humanoides-preparacao-1

finalmente, robô de campeonato de futebol parece com técnico [ruim] de seleção brasileira e esquenta –literalmente- a cabeça; na foto abaixo [todas desta série são cortesia de marco simões] um robô nem tão famoso assim sendo resfriado por um ventilador no intervalo de um treino, para não fundir, de vez, a cuca. ainda bem, para os times da robocup, que ainda faltam quarenta anos pra 2050…

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para saber mais, veja os outros textos recentes do blog sobre a robocup 2010 aqui, aqui, aqui e aqui. neste outro link, veja um texto do guardian sobre a robocup deste ano. e até nossa próxima “reportagem” sobre a robocup 2010.

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domingo, 20 de junho de 2010

o brasil na robocup 2010: 3

srlm às 06:04

image o blog começou falando de ROBOCUP neste link e estamos, há dois textos, entrevistando marco simões, da UNEB, que está na robocup 2010 liderando o BRT, bahia robotics team. as duas primeiras partes da nossa conversa estão neste e neste links. hoje, rodamos a terceira e última parte do papo e, daqui pra frente vamos dar conta da robocup 2010 a partir dos relatos do próprio marco, nosso “correspondente” em cingapura.

vamos, então, à última parte da conversa com marco:

silvio meira: como anda a robótica no brasil?

marco simões: Ainda incipiente. Como indústria ainda é quase imperceptível, apesar de algumas excelentes iniciativas já serem conhecidas. Ainda dependemos muito de tecnologia estrangeira para muitas coisas. As dificuldades burocráticas e os altos impostos presentes no processo de importação, terminam por encarecer demais possíveis produtos brasileiros na área dificultando a competitividade.

Por outro lado, a mão de obra qualificada para empreendimentos nesta área existe, mas ainda em quantidade pequena. Se de fato, o país pretende ter uma indústria de robótica relevante no cenário internacional, precisa de um investimento sério na formação destes recursos com qualidade em maior escala. A incorporação de iniciativas vinculada à RoboCup no processo de formação, desde o ensino fundamental, pode ser importante para ajudar a atrair mais jovens para a área e, consequentemente, aumentar a quantidade de bons engenheiros e cientistas capacitados a desenvolver a robótica nacional. O incentivo às competições científicas de robótica no país pode ter um papel importante neste processo.

Poderíamos ter um programa de renúncia fiscal para incentivo a estas competições, a exemplo dos programas de incentivo ao esporte e a cultura. Assim, empresas que patrocinassem equipes de robótica ou competições nacionais e internacionais sediadas no Brasil poderiam beneficiar-se com o pagamento de menos impostos. Algo neste sentido poderia estimular que empresas, ainda que não fossem do segmento tecnológico, pudessem interessar-se por financiar as iniciativas nacionais.

Da mesma forma que nossa economia é criticada pelos especialistas por não acompanhar o ritmo dos países emergentes do BRIC, podemos dizer que estamos bem atrás em termos de investimentos públicos e privados em robótica, seja com fins industriais, seja com fins cientifico-educacionais, a exemplo das competições de robótica.

SM: quem sao os melhores do mundo, na robocup, hoje?

MS: Tradicionalmente equipes do Japão, EUA e Alemanha sempre vêm fortes para a RoboCup. Mas um dos objetivos da RoboCup Federation, que é o de ter uma iniciativa realmente global, vem tendo bom resultado. Com isto, não é pouco provável ver equipes do Irã, China, Romênia, Tailândia e outros países em desenvolvimento com bons desempenhos no mundial. Por exemplo em 2009, os campeões da Simulação 2D e 3D foram os chineses, da Small Size veio da Tailândia, e por aí vai. Nada menos que 40 países tiveram equipes qualificadas para ir ao mundial de 2009 em Graz, Áustria.

De fato, nestes dias de competição RoboCup convivemos intensamente com milhares de pesquisadores e estudantes de todos os cantos do planeta. Os países que têm dado maior suporte às suas equipes estão colhendo resultados. Os brasileiros já demonstraram que têm talento também para o futebol de robôs, só não temos investimentos sequer parecidos com aqueles que o futebol humano recebe em nosso país.

Grandes empresas multinacionais de tecnologia investem na RoboCup e acompanham atentamente os eventos RoboCup. Os países que têm equipes bem sucedidas neste evento têm boas chances de atrair para si os investimentos destas empresas para suas áreas produtivas. Por isto, talvez já seja hora da nossa pátria calçar também chuteiras em nossos robôs, pois é difícil competir em nível mundial contando apenas com a abnegação de alguns poucos professores e estudantes brasileiros.

SM: a robocup de 2014, tal como a copa, vai ser no brasil também? teremos chance, até lá, em quais categorias?

MS: O procedimento para sediar a RoboCup é análogo ao que ocorre para eventos esportivos de classe mundial como as olimpíadas e a copa do mundo de futebol. Atualmente a RoboCup Federation está recebendo candidaturas para 2012. Os países interessados apresentam suas propostas que serão avaliadas e depois anunciados os países sede a cada ano.

Algumas diretrizes são consideradas nesta avaliação como a consistência da proposta e garantia de infra-estrutura adequada ao evento, apoio do governo do país-sede é fundamental, parceiros da indústria apoiando a proposta também ajudam bastante. Enfim, toda uma análise técnica será feita. Além disto, a RoboCup considerará outras questões como: intenção de diversificar o evento, países que nunca o sediaram terão preferência.

Aproveitando a possibilidade da divulgação da própria RoboCup e da analogia da sua meta com o evento esportivo, países sede da copa do mundo de futebol e das olimpíadas têm preferência também. Foi assim com a China em 2008, Alemanha em 2006, Japão em 2002 e França em 1998. Portanto, se o Brasil apresentar candidatura para 2014, terá boas chances de ganhar o direito de organizar a RoboCup daquele ano.

Considero que o interesse no Brasil vem crescendo a cada ano. A competição brasileira de robótica vem se tornando um evento mais forte e com mais equipes ano a ano. Em 2010, já sabemos que teremos a maior competição brasileira de robótica da história com 140 equipes [no próximo outubro, na FEI]. Ainda não disputamos todas as modalidades no evento brasileiro, mas teremos por exemplo a modalidade humanóide pela primeira vez este ano. Considerando o estado atual, as melhores chances do Brasil em 2014 são na Mixed Reality, Small Size e Simulação. Mas daqui até lá outras boas oportunidades podem surgir.

Se conseguirmos os investimentos públicos e privados que já citei, poderemos com certeza ter equipes fortes em 2014. Considero muito importante que a comunidade brasileira que se reúne ao redor das competições nacionais de robótica busque apoio do governo eleito em outubro para planejar uma possível RoboCup 2014 em nosso país.

SM: finalmente, como surgiu o grupo da UNEB? e quais são os planos, daqui pra frente?…

MS: Em 2005, ingressei na Uneb, 2 anos após a conclusão do meu Mestrado em Ciência da Computação na UFPE. Em Recife, ouvi falar sobre a RoboCup pela primeira vez nas disciplinas de Inteligência Artificial [IA]. Mas não tive oportunidade de trabalhar com nada relacionado à RoboCup durante minha dissertação de Mestrado nem logo que o concluí.

Na Uneb, assumi a cadeira de IA e utilizei a RoboCup como exemplo nas minhas aulas introdutórias. Alguns alunos se interessaram e quiseram saber mais. Busquei mais informações sobre a RoboCup e apresentamos e discutimos em sala sobre o assunto. Terminado o semestre, um aluno desta turma me procurou propondo fazermos um projeto para começar a montar um time na Simulação 2D. Não tínhamos laboratório nem qualquer infra-estrutura para tal, mas elaboramos o projeto, conseguimos os primeiros recursos e assim, em agosto de 2006, iniciamos um projeto com dois bolsistas trabalhando com seus computadores próprios em suas residências e horas vagas dos laboratórios da universidade (quando não estavam sendo usados para aulas).

Em outubro de 2006, Jackson Matsuura [professor do ITA] esteve em Salvador para um evento de automação e ministrou um minicurso para nossos alunos (dois bolsistas e outros curiosos) sobre a Simulação 2D e 3D. Foi apenas uma tarde, mas um fator decisivo para resolvermos entrar de vez na iniciativa RoboCup. Jackson nos estimulou a tentar participar da qualificação para a RoboCup no início de 2007. Não planejávamos isto pois sabíamos que as nossas chances eram pequenas. Mas ele nos convenceu que quanto mais brasileiros tentassem seria melhor, pois mostraria o interesse do nosso país para a comunidade internacional.

Na época, Jackson e outros professores de aproximadamente 12 instituições no país tentavam obter patrocínio para a Seleção Brasileira de Robótica, que seria formada por todas as equipes que conseguissem se qualificar para a RoboCup 2007 em Atlanta. Sendo assim, nos inscrevemos para tentar a qualificação na Simulação2D e numa competição nova que iria ser criada em 2007 que chamava-se Physical Visualization (que depois mudou para Mixed Relality). Nesta última, a idéia era que as equipes qualificadas iriam receber gratuitamente 20 micro-robôs que seriam usados na competição em Atlanta.

Na Simulação 2D, a qualificação se dá de duas formas: primeiro disputa-se remotamente um torneio -como se fossem as eliminatórias da copa do mundo- onde os melhores classificados qualificam-se para o mundial. Os times fazem upload dos seus binários para um servidor e depois os organizadores rodam os scripts das partidas. Todos os times se enfrentam. Além destas vagas, algumas vagas são reservadas para times que não obtiveram a qualificação no torneio mas que possuem boas e promissoras propostas apresentadas através de artigos científicos chamados Team Description Paper (TDP) submetidos junto com os binários.

Para nossa surpresa, fomos a única equipe brasileira qualificada pelo critério do TDP. De quebra, durante o torneio de qualificação nosso time derrotou todos os outros brasileiros mais experientes no evento como o próprio time do ITA, além da FURG e FEI. Conseguimos também a qualificação na Mixed Reality e ganhamos os 20 micro-robôs para iniciar nosso time. Estes resultados nos garantiram apoio instituicional da Uneb, que nos permitiu conquistar nosso primeiro laboratório dedicado, além de atrair o interesse de outros alunos que vieram a ingressar no grupo. Foi assim o nosso início.

Os planos incluem a conquista de um título mundial para o Brasil -que torcemos que venha este ano, mas se não vier continuaremos tentando- e também o ingresso nas categorias físicas com robôs maiores. Hoje trabalhamos apenas com Simulação e micro-robôs na Realidade Mista. Planejamos montar um time para Small Size e depois chegar às ligas Humanóide e Medium Size. Isto demandará mais investimentos em termos de infra-estrutura e também o estabelecimento de parcerias com outras instituições brasileiras, especialmente aquelas com cursos de engenharia, já que nossos alunos são todos de cursos de informática.

Para trabalhar com robôs físicos montados no nosso próprio laboratório, precisaremos destas parcerias ou de recursos para contratar a parte de design e montagem eletro-mecânica. De qualquer forma, nosso principal plano é colocar o Brasil de forma definitiva no cenário mundial da RoboCup, participando dos mundiais para brigar pelo título em diversas categorias. Acredito que se as instituições brasileiras unirem forças em torno deste ideal, isto será possível.

grande marco. parabéns a ele e a todos que –como vimos até aqui- saindo praticamente do nada, em qualquer lugar e laboratório do brasil, seja onde for, chegam onde ele e seu time já chegaram. e isso, como qualquer um pode notar, pode ser só o começo.

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sábado, 19 de junho de 2010

o brasil na robocup 2010: 2

srlm às 10:52

começou hoje, em cingapura, a robocup 2010, a edição deste ano do torneio mundial de futebol de robôs cujo objetivo [até 2050] é criar um time humanóide autônomo capaz de bater os campeões humanos. o blog já falou do assunto neste link e este texto é a continuação de nossa entrevista com marco simões, da UNEB, que está liderando em cingapura o time da UNEB [ele e mais adailton junior, bruno silva, juliana reichow, fagner pimentel, adriano veiga, josé grimaldo filho e josemar souza].

marco “virou” correspondente do blog na principal competição robótica mundial e está abaixo, lá pela ásia, segurando um dos robôs da classe MR, ou mixed reality, do time baiano.

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a seguir, a continuação de nossa conversa.

silvio meira: a "meta 2050", de um time de robôs humanóides ganhar da seleção humana campeã do mundo de então, deve ser levada a sério? que consequências colaterais ela poderá ter, daqui até lá, para robôs usados em "home care", saúde, fábricas, trânsito?…

marco simões: Eu penso que deve ser levada a sério. Na verdade já é levada a sério pelos milhares de pesquisadores e estudantes que fazem a RoboCup. Se será cumprida ou não, dentro do prazo ou não aí é difícil prever.

Eu costumo comparar esta situação com a do desafio do Xadrez considerado no século anterior como grande desafio para a inteligência artificial [IA]. No início da segunda metade do séc. XX, quando foi cogitada a possibilidade de um computador vencer um humano campeão do mundo de xadrez, certamente a maior parte das pessoas não levou esta possibilidade a sério, principalmente dadas as capacidades computacionais daquela época.

Talvez se considerarmos o mesmo hoje para o futebol de robôs, o fato se repita. Dada a situação atual, parece ainda bem distante a possibilidade da meta da RoboCup ser realizada. Se olharmos os jogos dos robôs entre si, embora possamos ver já algumas jogadas surpreendentes, não conseguimos imaginar ainda estes robôs atuais vencendo humanos, ainda que sejam apenas pernas-de-pau.

Mas quem acompanha durante alguns anos a RoboCup sabe que a evolução tem acontecido de forma considerável e que não é impossível que a meta seja atingida, mesmo que demore mais tempo do que o previsto. Mas o melhor é que, mesmo se a meta não for atingida, os benefícios para a humanidade virão de qualquer forma.

As pesquisas testadas no ambiente RoboCup irão gerar resultados que servirão para outros robôs autônomos. Por exemplo, na automação doméstica poderemos ter robôs capazes de limpar uma casa, lavar louças, roupas, arrumar, servir, cozinhar, etc. Poderemos ter os sonhados veículos autônomos, robôs capazes de executar tarefas de alta periculosidade, minimizando riscos à vida humana, dentre outras aplicações.

Todas estas aplicações podem ser fortemente beneficiadas pelos resultados das pesquisas testadas e validadas no ambiente da RoboCup, mesmo que aquela meta de 2050 não seja atingida.

SM: destas competências, quais estão presentes no desafio da robocup?

MS: A autonomia talvez seja uma das principais competências desenvolvidas na RoboCup. Um robô autônomo é capaz de tomar decisões visando atingir algum objetivo. Um robô autônomo não tem comportamento determinístico, ou seja, não repete um algoritmo conhecido e previsível como na computação convencional. Ele é programado para criar soluções para um determinado problema dado.

Para isto, utiliza métodos não determinnísticos da IA. No futebol de robôs, nunca os designers de um time poderão prever com certeza qual será o comportamento do adversário e, por isto, soluções determinísticas não têm boas chances de funcionar. Lidar com o imprevisível é o desafio tanto no futebol de robôs, quanto nas aplicações reais citadas.

Outra habilidade muito relevante é a coordenação entre equipes. No caso do futebol de robôs, como em várias aplicações reais, o problema é complexo demais para ser resolvido por um robôs apenas. Pode ser necessário uma equipe de robôs que, apesar de ter perecepções diferentes do ambiente em que estão inseridos e canais de comunicação limitados, devem agir de forma coordenada para atingir os objetivos coletivos da equipe. Esta área denominada sistemas multiagentes é um foco importante de desennvolvimento proporcionado pelo desafio RoboCup.

Mais recentemente, algumas modalidades da RoboCup como RoboCup@Home passaram a tratar de questões como interação humano-computador, especialmente a capacidade dos robôs em obter informações dos humanos através de um diálogo, como obedecer da melhor forma possível comandos de voz dados pelos humanos.

As habilidades de controle de articulações precisas e potentes o suficiente para executar os movimentos com maior perfeição são um desafio presente também na RoboCup. Em algumas situações, robôs precisam ter força para chutar uma bola, correr na maior velocidade possível, etc. Em outras, precisam ter movimentos precisos para fazer um drible, servir uma taça de vinho, ou estacionar um veículo.

Este balanceamento do controle bem como o desenvolvimento e novas articulações que permitam a execução destes e outros movimentos é uma contribuição relevante das pesquisas que compõem a iniciativa RoboCup.

amanhã tem mais.  hoje é o dia de setup em cingapura, times reconhecendo o “gramado”… etc [clique na imagem abaixo para ver os detalhes]. assim que a coisa começar, a gente fala por aqui…

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

o brasil na robocup 2010: 1

srlm às 01:41

como já dissemos num post anterior, dia 19/06 começa a robocup 2010, o torneio mundial de futebol de robôs cujo objetivo [até 2050] é criar um time humanóide autônomo capaz de bater os campeões humanos de ludopédio.

o representante do blog no certame, em cingapura, é marco simões, bacharel em processamento de dados pela ufba, mestre em ciência da computação pela ufpe e doutorando em ciência da computação pela ufba. marco é professor assistente da universidade do estado da bahia, UNEB, e coordena a pesquisa em robótica inteligente do núcleo de arquitetura de computadores e sistemas operacionais [ACSO] daquela universidade.

RC2010- 001

marco lidera um dos dois times brasileiros no evento [o outro é o da FEI], é o cara [cansado e] agachado na foto acima –junto com o time da UNEB, chegando no aeroporto de cingapura- e topou responder uma série de perguntas deste blog sobre a robocup e o que é que o brasil está fazendo por lá.

as respostas abaixo foram enviadas via emeio e são repetidas, aqui, ipsis litteris.

silvio meira: marco, qual a importância da robocup?

marco simões: A RoboCup é uma das mais importantes iniciativas científicas da atualidade. Surgiu de sucessivas discussões entre cientistas da área de inteligência artificial no início da década de 1990, quando se buscava um novo desafio para a inteligência artificial [IA], considerando que um dos grandes desafios que dominou a área na segunda metade do século XX - o xadrez - estava prestes a ser vencido (como aconteceu em 1997 com o episódio Deep Blue vs. Kasparov).

O novo desafio precisava representar a mesma complexidade dos diversos problemas não resolvidos no mundo real, como os veículos autônomos não tripulados (terrestre, aéreos e aquáticos), o planejamento da geração e distribuição de energia elétrica, o controle de tráfego urbano, o controle de tráfego aéreo, a automação doméstica, etc.

Estes problemas caracterizam-se por sua natureza eminentemente distribuída e por demandar o uso de métodos avançados de inteligência artificial para lidar com a imprecisão e/ou pouco conhecimento do ambiente e requisitos nos quais estão inseridos.

Foi aí que o futebol de robôs apareceu como grande desafio para a IA. O jogo de futebol, além de ser um forte atrator -inclusive do público leigo- pela própria popularidade do esporte, reúne as características dos problemas citados, além de ser, naturalmente, um ambiente de tempo real e dinâmico onde os robôs precisam tomar decisões rápidas e, enquanto decidem, o ambiente está em constante mutação.

A grande vantagem de se utilizar um desafio padrão lúdico como este é a grande redução de custos e riscos que se ganha nos experimentos. Quando um experimento em futebol de robôs falha, o pior que pode acontecer é um time perder o campeonato ou uma partida. Mas quando um experimento com um carro autônomo falha, pode até gerar acidentes de maiores proporções ocasionando grandes perdas financeiras ou mesmo riscos à vida humana.

Desta forma, resolver o problema de futebol de robôs equivale a resolver grande parte dos desafios científicos da Inteligência Artificial e Robótica no século XXI. A RoboCup Federation é uma organização científica sediada na Suíça que reúne estudantes e pesquisadores de todo o mundo interessados no problema descrito acima.

A grande meta é, até 2050, construir um time de robôs humanóides capaz de vencer a última seleção de humanos campeã da Copa do Mundo da FIFA. A RoboCup organiza anualmente sua Copa do Mundo com sede intinerante que reúne diversas modalidades de competições entre robôs, associadas a  simpósios científicos que vêm contribuindo fortemente para o alcance das metas estabelecidas.

SM: e para o brasil, porque a robocup é importante? temos chances reais em alguma das categorias em que estamos competindo?…

MS: Para o Brasil, estar integrando a iniciativa RoboCup significa participar de um dos maiores projetos científicos em andamento neste século.

E isto significa a oportunidade de dominar o conhecimento que estará por trás da tecnologia que fará funcionar grande parte dos inventos que estão por vir nos próximos muitos anos. Se nosso país conseguir ser competente em acompanhar esta iniciativa de forma ativa e relevante, poderemos entrar no grupo de grandes países criadores e exportadores de tecnologia de ponta, saindo da posição de meros consumidores tecnológicos.

Infelizmente, não se valoriza iniciativas e empreendimentos científicos deste porte no país. O Brasil entrou tarde na RoboCup e, apesar de algumas participações esporádicas de equipes brasileiras nas primeiras edições, só passamos a ter a presença brasileira de forma mais frequente a partir de 2006.

Deste então, todos os anos tivemos equipes brasileiras participando do mundial da RoboCup. Apesar disto, a presença brasileira é em boa parte resultado do esforço pessoal de pesquisadores-professores e estudantes que acreditam na importânicia da participação brasileira nesta iniciativa. Ao contrário de  vários outros países, não há financiamento público ou privado de porte que possa solidificar esta presença brasileira.

Mesmo com as dificuldades, nossa presença vem crescendo em quantidade e qualidade, o que nos dá a esperança de poder atrair investimentos mais relevantes para os projetos e equipes brasileiras.

Quanto às chances brasleiras no mundial deste ano, eu diria que há boa expectativa em duas modalidades. Na Realidade Mista - única categoria em que uma equipe brasileira (BahiaMR do grupo BRT) já chegou ao pódio com a conquita do 3o lugar no mundial 2009 - há uma boa expectativa de poder conquistar o primeiro título mundial para o Brasil. Mas não será fácil, pois existem concorrentes bem fortes de Portugal, Irã e Alemanha que inclusive já protagonizaram excelentes duelos com a BahiaMR em edições anteriores.

Outra boa expectativa é quanto à participação da equipe RoboFEI na categoria Small Size. Em 2009, eles conseguiram fazer um excelente papel avançando até a 3a colocação no seu grupo, ficando próximos da qualificação para as quartas-de-final. Sei que este ano trazem com robôs mais competitivos e poderão disputar em condições mais próximas com os demais times; então há a expectativa que possam avançar além da fase de grupos e quem sabe não chegam também ao pódio ficando entre os três primeiros?

As outras duas equipes do BRT que participam na liga de Simulação - Bahia2D e Bahia3D - têm perspectivas diferentes em função do próprio status desta liga. Na Simulação 3D, atualmente é simulado um robô real - o NAO fabricado pela francesa Aldebaran Robotics - que também é usado na liga Standard Platform da RoboCup. Este é um robô humanóide que traz um aumento considerável de complexidade à liga de simulação, uma vez que além das questões de IA, os desafios de controle também estão presentes.

A adoção deste modelo de robô é bem recente (deu-se em 2007) e de lá para muitas mudanças relevantes vêm sendo feitas no simulador visando tornar o desafio gradativamente mais realista e alinhado com as metas globais da RoboCup. Por isto, a versão oficial do simulador vem sendo sempre anunciada poucas semanas antes da competição mundial. Esta variação faz com que o desempenho das equipes seja uma incógnita.

Por vezes, equipes que foram muito bem numa edição mundial podem ir muito mal na seguinte, devido à dificuldade em adaptar seus agentes às mudanças no ambiente de simulação. Outro fator a considerar nesta competição é a existência de times relativamente novatos participando, permitindo um maior nivelamento entre as equipes.

A equipe Bahia3D teve a primeira participação no mundial em 2009 e conseguiu classificar-se na primeira fase, sendo eliminada na segunda fase. Ficou à frente de 8 equipes no rannking final. Se ainda não é uma colocação de destaque, foi um bom resultado considerando o pouco tempo de trabalho. Para este ano, o agente está mais robusto e com melhor nível de IA que em 2009, mas não há como fazer previsões. É torcer por um bom resultado e um avanço em relação ao ano anterior.

Na simulação 2D, o cenário é outro. Trata-se de uma das mais antigas categorias da RoboCup, possui um ambiente bem estável e conhecido pelos times. Há grandes equipes que detêm uma certa liderança mundial, o que resulta em poucas mudanças drásticas no pódio 2D. Equipes mais recentes como a Bahia2D têm ainda muita dificuldade em acompanhar o nível da maior parte dos competidores.

A grande meta da equipe Bahia2D neste ano é tentar ao menos classificar-se na primeira fase, o que já será um resultado muito bom, dado o alto nível das equipes nesta competição. Mas é uma meta ambiciosa, pois na 2D é onde se joga um dos melhores níveis de futebol dentre todas as ligas da RoboCup. Vale ressaltar que esta liga desafia exclusivamente as questões da IA, já que os desafios de controle são abstraídos pelo simulador. Os times têm um robô "ideal" sem ter que se preocupar com os desafios de controle e engenharia presentes em outras ligas.

Em resumo, existem boas expectativas de avanço da posição brasileira nas ligas em que vamos participar… e nos próximos dias saberemos se isso irá se confirmar ou não.

a entrevista continua. amanhã tem mais. e a copa começa no sábado, e nós vamos acompanhar. fique na linha…

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

uma “federação” de “twitters”?

Tags:, , , , - srlm às 09:27

máquinas de busca, há muitas. google, bing, yahoo [ainda], yandex [que domina o mercado russo], baidu [que é dona da china]… sem falar das alternativas específicas, como a que eu uso para buscar textos acadêmicos, www.scirus.com, feito pela fast search and transfer, hoje parte da microsoft [que pagou US$1.2B por ela em 2008].

redes sociais, há muitas mais. de netlog a bebo [quase sendo vendida pela AOL], de www.oro-aro.com a facebook, de hi5 a www.eons.com, uma rede social para a terceira idade, são tantas que você poderia desligar orkut de uma hora pra outra e não notar a falta dele depois de algum tempo, tantas são as alternativas.

o mesmo vale para infraestruturas de emeio, de blogs, de imagens [como flickr…], documentos, discos virtuais… e o que mais você quiser na web, menos para uma coisa: máquinas de status, o tipo de lugar onde todo mundo diz o que está fazendo e rolando agora e, a partir de lá, todo o resto do mundo sai atrás do que está acontecendo e volta pra relatar o que viu, comentar o que acha, o que queria que fosse e mandar, de quebra, galvão calar a boca. esta, só há uma, e ela é o twitter.

resultado? desde que começou, o twitter está sobrecarregado e não há nenhuma alternativa prática para ele. tudo bem, há identi.ca, que ainda por cima é software aberto, mas não “pegou”.

no twitter, é só nós [brasileiros, por exemplo] começarmos uma campanha qualquer [como o cala a boca, galvão!] que a coisa fica de joelhos. pra você que tá vendo a coisa de longe e diria… e daí, deixa isso pra lá e vamos brincar de outra coisa!… o problema é muito maior do que “brincar”; twitter se tornou parte essencial da statusfera, o lugar virtual distribuído no espaço [mas concentrado nele, twitter, e sincronizado no tempo] onde todo mundo se atualiza, a ponto de se poder dizer que, se não acontece no twitter, é porque não está acontecendo.

consequência? é preciso repensar o modelo do twitter; talvez não seja razoável ter um único sistema e única timeline [a linha de tempo do twitter]sincronizando todo o planeta. e isso da mesma forma que não há uma única empresa processando todos os emeios enviados: seriam perto de dois milhões por minuto! e, se houvesse, deveria estar sujeita a um órgão regulador na altura da ONU, tal a complexidade do que estaria fazendo e, claro, o poder que deteria.

o “problema do twitter” foi discutido recentemente por om malik, que lembrou um texto de 2009 onde já se propunha uma “federação de twitters”, uma rede articulada e resiliente de máquinas virtuais capazes de replicar o serviço [daí o rede, articulada] ao redor do planeta, de tal forma que uma queda parcial da infraestrutura [daí o resiliente] não tivesse o efeito o-mundo-está-acabando que rola, hoje, quando o twitter sai do ar.

isso porque todo mundo, até o bolão da galera do futweet, usa a autenticação do twitter como mecanismo de acesso ao jogo de palpeets. também, quem mandou o twitter disponibilizar uma API pra isso? ocorre que ontem, dia em que parece que todo mundo estava na rede e no twitter [e twitter resolveu atualizar o software], quem tentou dar um palpeet através do twitter dançou. dependência é isso aí.

pois é: o problema está aí e muita gente sabe como resolvê-lo. mas a solução, nestes casos, tem pouco a ver com a técnica pura e simples. há negócios, poder e política em cena e não vai ser nada fácil achar uma solução. a não ser que twitter se resolva e se torne o dono, o monopólio da statusfera mundial.

mas talvez o melhor, para todos e para twitter, não seja mesmo ele –twitter- dar conta de tudo, criando a oportunidade para que se empreenda uma solução em rede, de múltiplas operações do “tipo” twitter, capazes de se atualizarem mutuamente, usando protocolos abertos e possibilitando os usuários migrarem de uma para outra, junto com seus perfis.

ah, você diria… este seria o ideal, num mundo que não existe. pois é.  não existe mesmo. então, enquanto isso, aguente o twitter baleiando o tempo todo,,,

twitter joke whale down real whale

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terça-feira, 15 de junho de 2010

robocup: a outra[!] copa

Tags:, - srlm às 01:06

em tempo de copa, só se fala em copa. no país do futebol, da pátria em chuteiras de nelson rodrigues, não ia dar outra coisa mesmo.

mas este blog não entende do assunto a ponto de competir com os milhões de comentaristas de plantão, além do bob fernandes aqui mesmo do terra, baiano da gema, claro, que até profissional da bola foi, num passado –diz o juca kfouri- muito distante.

imageapesar disso, há pelo menos uma outra copa, também de bola, que chama a atenção, a partir do dezenove de junho: a robocup 2010, rolando este ano em cingapura, the “fine city”.

a robocup lá de s’pore é muito diferente do mundo da áfrica do sul, primeiro porque não tem vuvuzelas [acho]; segundo porque são múltiplos campeonatos de robôs, todos com regras ainda muito primárias se comparadas às do jogo humano inventado pelos bretões; terceiro porque as robocups estão acontecendo há apenas 13 anos, desde a primeira competição em nagóia, japão.

diferentemente da copa da fifa, há uma robocup por ano e, mesmo considerando que o atual nível das “partidas” não emocionaria muitas platéias humanas, o pessoal por trás do evento não está pra brincadeira. pra se ter uma idéia, o objetivo original da robocup é…

…by mid-21st century, a team of fully autonomous humanoid robot soccer players shall win the soccer game, complying with the official rule of the FIFA, against the winner of the most recent World Cup…

ou… aí por 2050, ter criado um time de robôs autônomos capaz de ganhar um jogo de futebol -jogado pelas regras oficiais da FIFA- contra o time puramente humano que houver ganho a copa do mundo mais recente.

pra colocar as coisas em perspectiva, vale a pena lembrar que a capacidade computacional pelo mesmo preço aumentou um bilhão de vezes entre 1965 e 2005 e que isso era só o começo. de 2005 a 2030 estima-se que aumente mais um bilhão de vezes. foram quarenta anos para o primeiro bilhão de vezes, seriam vinte e cinco para o segundo… e, deixando barato, é bem possível que haja outro bilhão de vezes de aumento de capacidade entre 2030 e 2050.

ou seja, daqui até a fatídica data do eventual embate entre humanos e humanóides, estaríamos competindo contra capacidade computacional [pelo mesmo preço] um quintilhão de vezes superior a atual… isso é, só pra você ter em mente, um “1” seguido de dezoito zeros. coisa grande, muito grande.

melhor, portanto, achar que os carinhas que vão “jogar” contra os campeões mundiais humanos em 2050 serão bem melhores do que a galerinha abaixo, os robôs “kidsize” de darmstadt [dribblers] e berlin [FUmanoids] na final de um dos campeonatos da robocup de 2009.

 

a segunda parte da decisão de 2009 está neste link e darmstadt destroçou berlin pelo placar de 11 a 1!

2010 tem copa; 2050 tem copa. se os engenheiros por trás do desafio estiverem certos, é bom a galera da FIFA não programar um jogo com os humanóides pra entregar a faixa de campeão aos humanos… só pra não correr riscos desnecessários, como diziam ontem uns sábios repórteres da maior TV do país: segundo as tais fontes abalizadas, o projeto do único time pentacampeão do planeta, no dia de hoje, é não fazer feio diante da… coréia do norte!

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como assim? mesmo eu, com toda minha ignorância futebolística, sei que nós deveríamos entrar em campo como o santos de andré, ganso e neymar e, mesmo que tomássemos algum gol deles, era fazer como darmstadt fez com berlim no “kidsize” e vencer de 11a 1!…

mas esta é outra conversa. aproveitando que não se fala em outra coisa [inclusive sobre a genial estratégia que estamos desenvolvendo, de ganhar uma copa na defesa…] este blog, que não –como já se disse antes- entende de futebol, vai falar, nos próximos dias, de futebol de robôs, coisa da qual também não entendemos direito, ainda, mas que serve pra testar os limites de um bom número de tecnologias que poderão mudar, e muito, a vida dos humanos e a forma como vivemos no planeta.

imagee a robocup não é só um desafio futebolístico; é, também, um simpósio científico cujo único artigo brasileiro, entre as 22 apresentações [MR-Simulator: A Simulator for sub-league Mixed Reality of Robocup] é da galera da UNEB, de salvador, liderada pelo professor marco simões, que também está competindo nas categorias simulation 2D & 3D e mixed reality.

times da FEI e da FURG [seria o time da UFRGS, mas eles não irão] estão competindo na categoria small size e há um número de times classificados na categoria JR, para estudantes até 19 anos, muitos dos quais vão perder o evento e as competições por pura falta de condições financeiras para estar lá. pena, pois se trata de uma grande oportunidade para ver, competir, discutir, ensinar e aprender, junto com os melhores do mundo.

o blog, cortesia de marco simões, vai acompanhar pelo menos parte da aventura brasileira na robocup 2010. vamos ver em qual das duas copas o brasil vai mais longe, e por quanto tempo, no futuro próximo. fique conosco, que aqui também tem copa!…

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terça-feira, 8 de junho de 2010

twitter & .edu: o caso #PNW

srlm às 16:52

se você der uma olhada no timeline de @srlm no twitter, vai descobrir que um número de updates contém a tag #PNW. como quem não está no twitter facilmente detecta na sentença anterior, twitter é uma linguagem, cheia de neologismos próprios do sistema [timeline, @…, updates, tag] e outros, como #PNW, criados por cada usuário.

a instância de #PNW que nos interessa aqui foi criada por mim mesmo, para servir de indexação para informação associada a uma das minhas cadeiras de graduação do semestre, na UFPE, programação e negócios na web [daí o PNW]. a idéia básica por trás da disciplina é que “programação” como nós conhecíamos já era… e, ao invés de programarmos “computadores”, como num passado bem recente, estamos passando a programar a web.

isso tem consequências de todos os tipos e quilates para a engenharia de software, sistemas de informação e os modelos de negócio [e performance, segurança, e muito mais] de tais sistemas na rede, na web. a ideia de PNW, uma cadeira opcional deste semestre [que não sei se e quando seria repetida] é pelo menos tocar a superfície destes problemas e fazer com que grupos de alunos programem alguma coisa que tenha um modelo de negócios mínimamente desenhado sobre uma das plataformas de web 3.0, como azure, salesforce ou amazon AWS.

clip_image002mas e o twitter com isso? tudo o que leio [ou estudo] que é relevante para esta cadeira ou para a versão dela para a pós-graduação de informática da UFPE [online, entre na rede social www.oro-aro.com e procure a comunidade in0953 2010] acaba aparecendo no timeline de @srlm com a tag #PNW. em tese, pelo menos, todos os alunos das duas disciplinas deveriam estar me seguindo [no twitter] e levando em conta tais links como parte do processo de criação de oportunidades de aprendizado. nem todos, claro, o fazem; mas os que optam por fazê-lo acabam por acompanhar, em tempo quase real, o que eu leio sobre a área da disciplina, que vem a ser, também, um dos meus principais interesses como pesquisador.

exemplos? abaixo, alguns, dos antigos [do começo do semestre, em março] até alguns bem recentes, de hoje…

Natl Pub Transp Access Nodes http://bit.ly/cYyBqd todas as paradas de transporte público no .UK #informaticidade #opendata #PNW

este é do projeto opendata inglês, de abrir todos os bancos de dados governamentais públicos ao público e, no topo disso, publicar a interface de todos os sistemas de informação de interesse geral…

computação EFÊMERA: A Case for Disposable [Mobile] Apps > http://bit.ly/dsP9ou /interessante!/ #PNW #HFC #IN953

este tweet é interessante porque o recomendei a alunos das minhas três disciplinas: PNW e IN953 [as duas tags foram unificadas em PNW, depois] e HFC, que é a disciplina de história e futuro da computação, também da graduação. a idéia discutida no link é a de computação “efêmera”, de coisas que se autocarregariam [sob demanda] no seu smartphone pra resolver algum problema localizado, temporal [talvez a um certo preço] e depois desapareceriam… como se fosse reciclagem de software.

How do you build an $850 million fad? Simple: Start strong, then fail to evolve. Just like Bebo. http://bit.ly/aV3i0r #PNW

link sobre a história da criação, crescimento e desgraça de bebo. como #PNW é sobre, também, negócios na web, a ideia é discutir a cadeia de valor dos negócios em rede como parte do processo de programar a rede…

Until Twitter has a successful business model, third parties should expect erratic behavior. – @cdixon http://j.mp/b5zHjn #PNW

idem, e sobre o twitter; como twitter pode ser programado através de sua API, quem vai programá-lo tem que acompanhar os humores da companhia por trás da API, que de certa forma é errática. tempos interessantes, estes…

[e-gov como informatização do caos http://bit.ly/awh3T5] vs. [open, networked, 3.0, .gov: http://data.gov.uk] #PNW #IN953

os links acima apontam para discussões sobre como o governo chega –ou não, e como- na web 3.0: informatização do caos ou aberto e verdadeiramente em rede?…

investidores botam US$8M em TYNT, que… rastreia uso de ctrl-C na web. como não tive esta idéia? http://tcrn.ch/9jTesj #PNW

a ideia por trás de TYNT é simples e simplesmente genial; acompanhar o uso de copy+paste na web. qualquer um sabe programar, mas eles tiveram a idéia do modelo de negócios e atrairam os investidores…

finalmente, de hoje…

A DICTIONARY OF CREATIVITY: Terms, Concepts, Theories & Findings in Creativity Research http://bit.ly/cTSHHB #PNW

boa parte do que se faz em software, pra ser bem feito e útil, envolve uma boa dose de criatividade. senão só sai gambiarra de vida curta. vez por outra eu passo, de volta, por links como esse, que acho que deveriam estar no cardápio de leitura de todo mundo.

pra ver o resto,ou melhor, os últimos cinco dias de updates com tag #PNW via @srlm, clique nesta busca do twitter… e boa leitura. aliás, porque só cinco dias? porque isso é tudo o que twitter vai lhe retornar, mais ou menos. a coisa é mesmo, na interface, em e para tempo real. alguém tem que fazer alguma coisa sobre isso. #PNW.

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