Terra Magazine

sexta-feira, 30 de julho de 2010

futuro do trabalho? software.

srlm às 01:15

mariana gouvêa, da casa do cliente e nós da comunicação, fez uma entrevista comigo e o resultado está neste link, na íntegra. uma de suas perguntas está abaixo, com sua autorização, tirada ipsis litteris da revista. aproveito aqui para comentar o que disse por lá. simbora.

Nós da Comunicação – Existe uma ‘profissão do futuro’?

Silvio Meira – Se você quer uma profissão do futuro, entenda de software, de programação. Isso vale para todas as áreas. A mola motriz da sociedade da informação e do conhecimento é software.

Quem souber fazer software tem um diferencial competitivo enorme, porque todo o resto do planeta vai depender de quem faz.

Se você não souber escrever software – e não se trata de usar uma linguagem de programação sofisticada, complexa, mas saber qual é o software da sua profissão e como se ajuda a escrevê-lo –, definitivamente terá um problema de competitividade no futuro próximo.

Se você imaginar que conseguirá sobreviver sem saber programar em um mundo totalmente programável, está sendo basicamente levado pelos acontecimentos. Está sendo um objeto.

parte dessa conversa passa por uma constatação da vida cotidiana: já é impossível viver sem software. está embutido nos carros, nas ruas, no elevador, celulares e TVs. software é quem entrega água, luz, eletricidade, está por trás de todas as infraestruturas da sociedade contemporânea. daqui pro futuro, seja ele qual for, vai haver software e cada vez mais software em absolutamente tudo que você imaginar. isso a menos que você se torne um ermitão e se retire do mundo como quase todos entendemos. e, por sinal, nunca esteja do outro lado do servidor deste blog, na sua tela, lendo este texto.

mesmo assumindo que software permeia todas as atividades humanas, poderia se dizer que outras coisas têm a mesma importância. concordo. eletricidade, por exemplo. água, para ser ainda mais radical. mas…

…mas é muito mais difícil encontrar e dominar os meios para produzir eletricidade e água que sirva o mundo [ou mesmo uma pequena parte dele] do que escrever software que realize ou habilite trabalho para [ou de] muita, muita gente. o volume de investimentos para construir uma hidroelétrica, das pequenas, é de milhões. mas basta um nerd, um hacker, sozinho, escondido num quarto, garagem ou porão pode estar escrevendo, agora, alguma funcionalidade de redes sociais que estará sendo usada, daqui a pouco, por milhões de pessoas. ao custo de milhares ou, no máximo dezenas de milhares de reais… muita coisa do que a gente está usando na rede, hoje, começou exatamente assim.

pode parecer sonho [ou pesadelo] mas, daqui a algum tempo [quanto? décadas; muitas? talvez não] ou você faz parte da galera que faz software ou você –e seu trabalho- fará parte do conjunto de processos e funcionalidades que, na sociedade e economia, estará virando software.

tudo é software. de uma ou outra forma, você também. a escolha é sua.

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

oi, portugal telecom…

srlm às 02:07

já faz algum tempo que este blog comentou o gigantesco e muito complexo jogo de cadeiras que envolve a proposta que a telefonica está fazendo para comprar a parte da portugal telecom na vivo [e ficar com toda a companhia] e quais seriam as consequências disso para a operadora portuguesa. o grande negócio, no momento, está travado por opção do governo de portugal, depois de aprovado pelos acionistas da tele portuguesa.

image isso porque portugal é muito pequeno para as ambições que seu governo tem para a portugal telecom, apesar do dinheiro da telefonica ser ótimo para seus acionistas privados. por outro lado, a portugal telecom é muito pequena para tentar a china ou algum mercado significativo da europa. estados unidos, nem pensar.

para os portugueses, o brasil –e a américa latina- são uma questão de vida ou morte. daí porque nosso “chute”, no começo de junho passado, pensando alto e como donos da portugal telecom, era

…e eu, se fosse a portugal telecom? então: tentaria conseguir uns trocados acima de sete bilhões de euros [ali pelos €7.2B] pela minha parte na vivo e venderia mesmo se não chegasse a tanto, mas só e somente se, numa operação quase casada… pudesse comprar o controle da oi.

boato vai, boato vem… não é que os governos do brasil e portugal, mais os acionistas da telefonica, portugal telecom e oi parecem estar chegando num acordo e criando um cenário no qual os portugueses passariam a ter 23% da oi, depois de vender sua parte na vivo?… pelo que se diz no mercado, a única pendência é a telefônica dar ainda mais do que "eu pedi", algo como €7.5B, que o negócio está fechado, prego batido e ponta virada

certas “fontes bem informadas”, que não citam suas fontes, apostam que tudo está dito e acertado, exatamente como descrito acima, faltando só os papéis assinados. ainda mais, o anúncio da coisa toda seria hoje, 28 de julho. é esperar pra ver…

boato se tornando realidade, a oi deixará de ser a única operadora 100% nacional, mas continuará sendo uma empresa com forte influência estatal, agora com os dois maiores governos lusófonos do planeta em seu grupo de controle. tomara que isso seja, ao contrário do que muitos esperam, uma boa notícia. tomara.

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segunda-feira, 26 de julho de 2010

debate online: e a abertura dos dados públicos?…

srlm às 11:00

daqui a pouco tem “sabatina com marina”… que na verdade deveria ser um debate da web com os principais postulantes à presidência; mas os dois candidatos com maior intenção de voto desistiram de participar, deixando a web brasileira em dúvida quando a seus propósitos de interagir com a rede. afinal de contas, é muito fácil ter um twitter ou um perfil de redes sociais funcionando em modo “push”, do candidato para o mundo, como se a rede fosse de “audiência”, e não de “comunidade”.

este blog defende a tese de que a web, nesta campanha, é mais pra aprender do que pra qualquer outra coisa. dissemos em outro texto queo grande público [talvez mais de 75% dos eleitores] não está online como deveria, numa evidência da falha [ou falta] de políticas públicas para a rede e para inclusão digital na década… o que parece ser verdade a ponto de quem está à frente das pesquisas tratar a web com reverência [afinal de contas, todos os que fazem opinião estão na rede] mas não se envolver com a rede, de verdade, para um debate promovido por quatro dos principais portais brasileiros.

mas as perguntas não calam. o blog tem quatro já alinhadas [1, 2, 3, 4] e bem mais que isso vai surgir daqui até e depois das eleições. as perguntas não dependem dos candidatos e há muito mais gente fazendo as suas do que um solitário blog sobre os impactos políticos, econômicos, sociais e pessoais da informática.

e por que os candidatos deveriam ter respostas para perguntas como as nossas? porque a sociedade e economia contemporâneas são mediadas por tecnologias de informação e comunicação [TICs] numa intensidade e complexidade tais que é tão importante, para qualquer candidato, responder competentemente a questões concernentes a TICs quanto àquelas sobre habitação, água, esgoto, eletricidade, estradas, aeroportos e taxas de desmatamento, juros e desemprego. e bem mais importante do que qualquer discussão relativa à copa de 2014 ou à olimpíada de 2016.

informaticidade –ou a disponibilidade de informática, de forma tão ampla e simples quanto eletricidade e entregue como serviço, e não como produto- é a infraestrutura do futuro. ou do presente, caso você esteja observando de perto o que anda acontecendo no planeta. TICs é o que está por trás disso, habilitando a transformação da economia e sociedade globais em escala que não era possível imaginar há, digamos, meras duas décadas.

TICs estão possibilitando a transformação de países, estado e cidades na mesma escala. quando se considera a transparência das ações de governo em níveis bem mais elevados do que os atualmente existentes. este blog publicou, não faz muito tempo, um texto sobre abertura de informação de governo, que deveria ser pública, para o público, dizendo que…

…pode-se pensar em engajar cidadãos e empresas com governo, em todos os níveis, ao redor de informação pública compartilhada;

formar comunidades de interesse para agir sobre problemas e temas de interesse comum;

contribuir para o debate sobre transparência da esfera pública, aumentado a eficiência, eficácia e controle da sociedade sobre os serviços públicos;

construir agendas comuns entre cidades, estados, federação e mesmo entre países, diminuindo a quantidade de software que precisa ser escrito para realizar processos de negócio do setor público e compartilhando dados que deveriam ser comuns a uma parte ou todas as instituições, aumentando o retorno sobre os investimentos e diminuindo, quando fosse o caso, a assimetria de informação;

experimentar, fora dos sistemas de governo, mas com dados reais, deles, novos modelos de uso e aplicação de informação pública e gerenciamento de seu ciclo de vida;

experimentar modelos comuns e abertos de desenvolvimento de sistemas de informação de governo e públicos, da sociedade, na nuvem e usando arquiteturas e plataformas comuns…

em suma, uma gama quase impossível de ser descrita de usos de informação e sistemas públicos, abertos, em benefício da sociedade, economia, cidadania e do próprio governo.

isso, ao contrário do que parece, não é trivial, algo que ocorre naturalmente. quer ver? há pelo menos uma grande capital brasileira onde a estatal que cuida do trânsito metropolitano ameaçou levar ao tribunal um startup focado em melhorar o fluxo de informação para quem queria se locomover na região, fosse de taxi, trem ou ônibus. os meninos gostariam de usar os dados públicos sobre as rotas de ônibus, o que não conseguiram através do site da estatal… que por sinal não oferece nenhum serviço minimamente competente para os mesmos usuários em potencial. no topo disso, ainda ganharam uma ameaça de processo. patético.

os gestores públicos deveriam estar conscientes e determinados a cumprir o artigo quinto da constituição, que diz termos direito às informações que, de posse do estado, são direito do público. mas as coisas não funcionam como deveriam, o que está levando o congresso a tornar o processo bem mais explícito: a câmara já aprovou a lei geral de acesso [à informação], que agora tramita no senado.

mas a proposta embutida na lei é de antes da rede, parece coisa do século XIX: o poder público teria, agora, 20 dias para entregar dados solicitados por pessoas ou entidades da sociedade. vinte dias é uma eternidade e, em rede, dá para fazer mais e muito melhor, a um custo muito mais baixo, caso se inicie uma ampla e irrestrita reforma dos sistemas de informação do [e em posse do] estado, para entregar aos cidadãos e sociedade, em tempo real, toda informação e funcionalidade que não seja sigilosa. as exceções óbvias incluem dados e informação cuja publicação vá ferir os direitos individuais e corporativos à privacidade, também garantidos pela constituição federal.

deste contexto vem mais uma de nossas perguntas aos senhores e senhoras candidatos ao posto de presidente da república:

5. o senhor ou senhora acha importante e, se for o caso, pretende criar políticas e alocar recursos para abertura de dados e sistemas de informação públicos em poder do estado, em todos os níveis? como e em que prazo?… começando por onde e com que objetivos?…

a pergunta tem três partes porque a resposta padrão –de quase todo candidato- para qualquer pergunta minimamente sensata que envolva “pretende” é… "sim, claro". mas o diabo, como se sabe, está nos detalhes. pense em todas as promessas que você ouviu nas últimas campanhas e conte quantas se tornaram, de fato e como prometidas pelo candidato, realizações do gestor…

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domingo, 25 de julho de 2010

debate online: “web made in brazil?”

srlm às 13:02

o debate online virou uma conversa-sabatina com marina silva; parabéns pela decisão de continuar a conversa em rede, candidata. o blog está fazendo uma série de perguntas aos candidatos, que começou pelo megaproblema de universalização de acesso, continuou pela discussão sobre regulamentação –ou de marco legal- da internet.BR e, no texto passado, tratou do que a rede tem –potencialmente, pelo menos- a ver com a melhoria da qualidade e quantidade de oportunidades educacionais para todos os brasileiros.

continuando nossa conversa, que terá ou não respostas dos candidatos, mas que vem de perguntas que são feitas, quase todo dia por muita gente em toda a web brasileira, aqui vai mais uma, que tem a ver com nossa própria capacidade de empreender na web, com a web e, porque não, a própria web:

4. que políticas o[a] candidato[o] vai por em prática para estimular a criação de negócios na, com e de web, especialmente os últimos, que seriam empreendimentos brasileiros, baseados no brasil, para a web em todo o mundo?…

explico: entre os brasileiros que estão na web [ver pergunta 1…], estamos entre os indivíduos que mais usam a rede, em todo mundo [ver pesquisa recente aqui]. e isso há muito tempo, desde que o brasil começou a entrar em rede. mas, do outro lado –o do serviços em rede- o brasil vai muito mal: quase nenhum dos sites ou serviços de sucesso na web, no brasil, é brasileiro.

isso quer dizer que deve haver dificuldades muito grandes em empreender com, na e para a rede, no brasil. o mercado nacional, olhando só para o número de pessoas na rede, pode ser multiplicado por um fator de dois ou tres na década, e este mercado, fora do brasil, é muitas vezes maior.

as razões pelas quais não há empreendimentos brasileiros em muito maior quantidade, na rede, passam certamente por questões de política nacional que resvalam [por exemplo] no malsinado “custo brasil” e em várias de suas perversas manifestações, incluindo uma legislação trabalhista do século XIX que se tenta aplicar, na economia da informação, para trabalhadores de conhecimento… em pleno século XXI. duzentos anos de atraso conceitual, pelo meno.

e não precisa ninguém com muito conhecimento de web e criação de novos negócios para entender que uma política verdadeiramente nacional de geração de empreendimentos que usem intensamente a web ou que sejam negócios nativos da web, da rede, pode ser uma alavanca para uma participação bem maior de empreendimentos brasileiros na web mundial, gerando trabalho, emprego e renda no país. segundo andy grove, fundador da intel, o objetivo primeiro de toda política de estado deveria ser a criação de empregos de qualidade no país. isso é possível e provável, na web brasileira, se houver alguma mudança no cenário político… que venha a servir de ponto de apoio para tomada de risco e investimentos brasileiros na rede.

em todo o parágrafo anterior, o grande problema é o SE… num país que, nas últimas décadas, vem paulatinamente se comoditizando. daí a pergunta, agora talvez só pra marina silva: vamos ou não vamos ter políticas nacionais que incentivem a criação de negócios brasileiros, de classe mundial, na web?…

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

debate online: irrelevante?

srlm às 01:51

a candidata do governo decidiu que não ia. faz parte do processo, sempre fez; quem acha que tem boas chances de ganhar não quer aproveitar nenhuma oportunidade de dizer seja lá o que for, pois que pode ser motivo para afastar eleitores. não é decisão do[a] candidato[a], apenas, mas da teia de opiniões e interesses ao seu redor, que tange o[a] postulante pelas trilhas que acha mais palatáveis. debater na rede, pelo visto, era muito complicado… ou podia complicar muito as coisas.

por que? porque não há nenhuma discussão política na federação [ou nos estados]. daí, pra que debate? como nossos partidos são arremedos das agremiações que deveriam ser, falta-lhes o mais básico da grande política: programas de governo, que deveriam ser efeito colateral de visões de mundo, de localizar o brasil no mundo. resultado? as eleições brasileiras, ao correr do tempo, se assemelham cada vez mais a concursos de beleza: quem “parece” mais isso ou aquilo acaba eleito. e nada de perguntas, por favor, porque resposta de miss, como se sabe…

sem a verdaderia política, candidatos[as] e candidaturas têm que ser desenhados ao gosto da mídia, do sentimento [e não da razão] popular e em torno da capacidade de encher urnas, como se não houvesse alternativas. as exceções são poucas; fora estas, sobra aos eleitos atingir uma tal de governabilidade que nos custa, como se sabe e vê, boa parte do futuro. e afunda, cada vez mais, a possibilidade de fazer política como se deveria.

se a situação desiste, o que faz o principal candidato da oposição? segue o exemplo e resolve, também, não aproveitar a chance de dizer alguma besteira. ou pelo menos é isso que parece aqui de fora, na rede, seja lá o que for que seus estrategistas e marqueteiros pensaram. perdeu, com isso, uma boa oportunidade de estar em rede com tanta gente que estava se mobilizando para ver, ao vivo e em rede, um debate sobre o brasil que poderia vir a governar.

os portais, considerando a ausência daqueles que têm a vasta maioria das intenções de voto, cancelaram o debate. perdemos todos, e perdemos muito.

ou, quem sabe, nem tanto assim. há tempos que penso e digo que, na rede, esta eleição será de tentativas, erros e –para muitos, entre os poucos que estão em rede- aprendizado. o grande público [talvez mais de 75% dos eleitores] não está online como deveria, numa evidência da falha [ou falta] de políticas públicas para a rede e para inclusão digital na década. some-se a isso o déficit educacional histórico do país: 1/4 da população entre 15 e 24 anos, cursando da 5ª e a 8ª série, não consegue entender sequer o título deste texto… e apenas 1/4 dos brasileiros entre 15 e 64 anos pode ser considerado plenamente alfabetizado… ou capaz de entender [mesmo sendo todo escrito em minúsculas… veja aqui porque] este texto.

entre tantas outras discussões, o debate que não vai acontecer poderia ter sido sobre as políticas educacionais dos candidatos e seus partidos; sobre porque temos avançado tão pouco em tanto tempo e, sobre…

3. qual é a posição de suas excelências [em potencial] sobre o apagão educacional brasileiro e como poderiamos [se é que…] usar a web para acelerar a criação de oportunidades educacionais para todos, em todo o país? como? a que custo? e com que resultados, em quanto tempo?…

o debate online deu xabu e os que desistentes levaram falta. mas as perguntas são muitas e continuarão por aí, circulando em rede e por muito tempo, quer os senhores e senhoras candidatos queiram ou não. mais cedo ou mais tarde, a rede será centro e não borda e quem faltar a debates online, como este que não teremos, sentirá –e muito- a falta de votos nas urnas. aliás, é bem capaz que este já venha a ser o caso nas urnas de outubro…

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quarta-feira, 21 de julho de 2010

presidenciáveis: mais perguntas [2]

srlm às 17:23

o blog está fazendo uma série de perguntas que talvez devessem ser respondidas pelos candidatos a presidente, numa espécie de preparação para o debate online que terra, iG!, yahoo e MSN vão promover na segunda, 26 de julho.

a primeira da série rolou no post anterior e foi sobre inclusão digital, mais objetivamente sobre qual é o plano de universalização de acesso à rede dos candidatos e como ele seria implementando, financiado e sustentado.

mesmo que nem todos concordem que universalização de acesso à rede é essencial, um bom e grande número de brasileiros já está em rede, assim como empresas, governo e terceiro setor. e desde o começo da internet.BR, existe um debate sobre a necessidade de regular ou não a rede além das leis e normas já existentes que, de uma ou outra forma, dão a base jurídica para solução de disputas e tratamento de crimes cometidos na ou com a rede. e, claro, passamos pela confusa iniciativa do projeto azeredo, uma tentativa  de criminalizar um número de comportamentos na web, que continua viva apesar de poucas chances na câmara.

neste contexto, talvez fosse hora de saber o que os candidatos pensam sobre o assunto, perguntando se…

2. é preciso regular a internet? se preciso, é possível regular o que? o que o candidato entende por e o que acha do processo de construção e da proposta de marco civil para a internet.BR?…

obviamente, não é o caso do[a] candidato[a] tirar da cartola um monte de opiniões desencontradas e tentar atirá-las aos eleitores. a conversa já está rolando, e não começou ontem. uma coisa boa pra fazer era clicar nos links deste post, ir atrás de outros pontos de vista sobre o assunto e ter uma proposta, como deveriam ser todas, de todos os candidatos, simples, concisas, factíveis e veiculadas de forma inteligente e inteligível.

será que é pedir muito?…

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terça-feira, 20 de julho de 2010

perguntas curtas… em rede, para possíveis presidentes

srlm às 11:49

segunda, 26 de julho, vai rolar o primeiro debate online entre candidatos a eleições presidenciais no brasil. e não vai ser um debate qualquer: a idéia é ter um debate amplo, geral e irrestrito [ou quase] com a comunidade, na web. atente para o “comunidade”, na web, ao invés de “audiência”. tudo bem que haverá uma editoria selecionando as perguntas que estarão vindo da rede; mas as perguntas, feitas em aberto, na rede, podem ter sua própria vida e impacto, independentemente do que os selecionadores definirem.

a interação com o público, no debate, está descrita neste link e passa [entre outros] por mandar um tweet mencionando @terra_eleicoes, que será capturado, agregado a outros do mesmo teor e levado à discussão na segunda, 26. a esta altura do campeonato, já há um monte de indagações esperando os candidatos, às quais eu vou agregar umas outras neste blog, todas bem curtas, no estilo do twitter.

minhas perguntas estão todas relacionadas à rede, à web, seu uso para empoderar a sociedade, a cidadania e os negócios, às coisas do dia a dia que começamos a viver nesta infraestrutura que tão bem caracteriza –para quem está dentro e usando competentemente- nosso tempo. vamos lá; até segunda minhas perguntas, umas dez, vão aparecer aqui, em série.

senhor[a] candidat[o/a]…

1. qual é seu plano de universalização de acesso à rede, como vai ser implementando, financiado e sustentado?

pra responder, o postulante ao cargo máximo de gestão do país deveria ter lido coisas como minha pequena receita de um brasil digital, de 2006, onde começo dizendo que… “Nos próximos anos, quem não tiver banda larga não terá internet. Como chegaremos lá se estamos, ainda, com apenas 10% dos brasileiros na rede?… Pode ser mais fácil do que parece, se conseguirmos seguir uma receita bem simples…”. receita que, aliás, não foi usada pelo governo atual nos últimos quatro anos…

também é preciso entender como anda a rede no .BR; como? lendo o excelente comunicado do IPEA sobre o assunto, comentado por @srlm e @fabiolacidral aqui neste podcast. isso deve ser feito, quase que necessariamente, comparando com o que ocorre no planeta, onde o brasil anda caindo nos rankings mundiais de competitividade digital, como o do economist, onde descemos mais duas posições, caindo para 42o. e ficando atrás do chile, grécia, hungria, malásia, áfrica do sul e méxico, por exemplo.

e não se pode esquecer que o governo de plantão tem um plano, o PNBL: seja da situação ou oposição, qualquer candidato tem que entender “qual é a do PNBL”. na minha opinião, o plano tem a jeitão de [e pode vir a ser] um novo “plano de integração nacional” que, se executado com um mínimo de competência, pode dar muito, muito certo. ao governo atual, o crédito de ter proposto o PNBL; mas quem governar a partir do ano que vem terá que adaptá-lo às suas condições políticas, de investimento e gestão e fazer algo do tamanho do brasil sobre ele.

* * *

bom, isso é pra começar. imagino que os candidatos tenham um dever de casa pelo menos deste porte para cada pergunta que lhes seja feita sobre os grandes temas de interesse nacional… e que será impossível obter de cada um, mesmo dos mais preparados, uma resposta articulada, na ponta da língua, para as dezenas, centenas de temas que preocupam o país, as pessoas, as empresas, a sociedade civil… desde o déficit da previdência ao no mercado de commodities agrícolas e o programa espacial, passando pela universalização do esgoto tratado nas casas, algo tão importante, pelo menos, quanto o acesso à rede em banda larga.

mas todos e todas têm que saber, pelo menos, quais são as perguntas que nós –do lado de cá das urnas- consideramos importantes e relevantes. e nós todos, dada a oportunidade de um debate público, aberto e em rede, não podemos deixar de expressar nossas preocupações, na forma de perguntas que exijam uma reflexão sincera e resposta séria, possível de ser transformada em planos, projetos, investimentos e realidades, se o candidato ou candidata se tornar presidente.

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sábado, 17 de julho de 2010

informação.gov: pública ou privada?

Tags:, , , , - srlm às 17:10

no reino unido, e há muito tempo, foi criado um grupo para discutir que informação o governo deveria tornar disponível ao público, em larga escala, em todos os setores. apresentando as recomendações do grupo, o ministro tom watson dizia que “…information, presented in the right way, was a potent driver for improving public services and government.”

informação, apresentada de forma apropriada, é um habilitador de melhoria nos serviços públicos e no governo. o tempo, na inglaterra, era 2007 e as recomendações levaram à criação de uma força tarefa [chamada de “poder da informação”] em 2008, levando por sua vez ao que hoje é o data.gov.uk, um portal onde se descobre que informação pública está disponível para todos [inclusive fora do reino unido], mas não só: o governo de sua majestade começou a publicar todas as interfaces não sigilosas de todos os sistemas de informação de governo. clique na imagem abaixo e vá ver, vale a pena.

basta olhar a imagem e você nota que muita informação está sendo tornada pública pelo governo britânico. no dois de julho, foi liberado uma tabela que contém dados de todos os servidores civis que ganham mais £150.000 por ano; muito dinheiro, mesmo lá, acompanhando de muita responsabilidade e, por conseguinte, muito acompanhamento público. em tempo real, se for o caso. na tabela, se pode ver que christine connelly, CIO do ministério da saude, ganha mais de £200.000 por ano. ela, espera-se -e agora vai haver muito mais dados públicos para se avaliar- deve fazer por merecer.

no doze de julho, sairam os dados sobre o gasto de energia de alguns dos principais prédios do governo; em vinte e cinco de junho, havia sido publicado o banco de dados de custos, entre outras informações, dos sites do governo central. ou seja, estamos falando de abrir para o público, em larga escala, toda a informação de governo que deveria ser pública.

se isso for bem feito, o que pode acontecer? pra começar, se cria comunidades para desenvolver aplicações ao redor de informação pública, engajando a cidadãos e o governo em uma agenda comum. quer ver um resultado? clique na imagem abaixo, de uma aplicação que permite à comunidade relatar os problemas da sua vizinhança, compartilhando informação com outros e acionando os órgãos públicos responsáveis…

fixMyStreet é apenas um de uma miríade de possíveis oportunidades de uso de dados e funcionalidades informacionais públicas disponíveis na web. coisas que qualquer um pode pensar e, talvez, fazer; pense você mesmo o que seria possível, no brasil, se você tivesse acesso aos repositórios de dados públicos que, por alguma razão, ainda não são liberados para a comunidade.

mas desenvolvimento de aplicações é só um exemplo: pode-se pensar em engajar cidadãos e empresas com governo, em todos os níveis, ao redor de informação pública compartilhada; formar comunidades de interesse para agir sobre problemas e temas de interesse comum; contribuir para o debate sobre transparência da esfera pública, aumentado a eficiência, eficácia e controle da sociedade sobre os serviços públicos; construir agendas comuns entre cidades, estados, federação e mesmo entre países, diminuindo a quantidade de software que precisa ser escrito para realizar processos de negócio do setor público e compartilhando dados que deveriam ser comuns a uma parte ou todas as instituições, aumentando o retorno sobre os investimentos e diminuindo, quando fosse o caso, a assimetria de informação; experimentar, fora dos sistemas de governo, mas com dados reais, deles, novos modelos de uso e aplicação de informação pública e gerenciamento de seu ciclo de vida; experimentar modelos comuns e abertos de desenvolvimento de sistemas de informação de governo e públicos, da sociedade, na nuvem e usando arquiteturas e plataformas comuns… em suma, uma gama quase impossível de ser descrita de usos de informação e sistemas públicos, abertos, em benefício da sociedade, economia, cidadania e do próprio governo.

sem falar que, com a mudança do paradigma de desenvolvimento de sistemas de informação de programação de computadores para programação da web, temos muito mais o que fazer na rede do que em nossos computadores. para ler um pouco mais sobre isso, veja este texto, do autor do blog, sobre o fim da disputa entre software aberto e fechado.

pode muito bem ser o caso que venhamos a redefinir, na sociedade da informação e do conhecimento, a noção de governo ou país democrático, que passaria a ser dada em termos de quão abertos e livres são os sistemas de informação públicos e a informação de caráter público neles depositada. a inglaterra está dando um excelente exemplo, que deveria ser observado e analisado por outros países.

e o oposto da democracia, na mesma sociedade da informação? bem, não precisamos, infelizmente, ir muito longe. é só olhar para a venezuela: lá, e recentemente, a suprema corte decidiu queliberdade de expressão não é um direito absoluto… [e] que a magnitude dos dados solicitados [ao setor público] deve ser proporcional ao uso que se pretende fazer com a informação… e que os salários e as declarações de bens dos funcionários públicos são informações privadas.

ah sim: e a ditadura de lá criou um Centro de Estudio Situacional de la Nación (Cesna), el cual establece una serie de normativas que centralizan la difusión de informaciones del Estado… acima da ordem constitucional, para filtrar toda a informação de governo e estado que será tornada pública por lá. mais um grande passo em direção ao… passado.

países ou seus líderes, com ou sem [no pior caso] o respaldo da sociedade, fazem escolhas, definem se seu futuro esta embaixo do passado ou acima das suas próprias perspectivas atuais de futuro [parafraseando corisco, cangaceiro de lampião]. tomara que continuemos todos trabalhando para escolher um futuro de todos, para e por todos, como vimos fazendo –cada vez mais- nos últimos [pelo menos] 25 anos. e que isso implique, também, numa abertura cada vez maior dos sistemas e informação de governo para a sociedade.

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terça-feira, 13 de julho de 2010

facebook: maior que orkut. no brasil, também?

srlm às 01:13

google tem, por autodesignada missão, organizar toda a informação do planeta. mas boa parte da informação que há por aí está nas redes sociais, pela simples razão de que nós todos estamos lá, conversando com nossos “amigos”, quer dizer conhecidos ou, ainda melhor, “relações” [ou pessoas de nosso relacionamento?].

por todos, acima, entenda quase todos mesmo: no brasil e entre os maiores de 18 anos, 98% sabem o que é uma rede social; aqui, entre os maiores de 18 anos que estão na rede, 95% participam de alguma rede social. gregário, este povo.

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pra google, poderia ser uma solução, mas é um problema. a empresa perdeu o bonde de redes sociais em todos os países menos dois: a índia, onde orkut empata com facebook em número de usuários e no brasil, onde o serviço de relacionamentos de google passa, em muito, facebook.

mas isso pode ser por muito pouco tempo: ano passado, o número de usuários de facebook no brasil passou de um para oito milhões. bem menos do que os vinte e oito milhões de usuários de orkut, mas um crescimento espetacular para um único ano. se o tamanho do facebook brasileiro estiver dobrando este ano… pode ser que orkut, aqui e em breve, tenha o mesmo fim de mySpace no mundo. ou seja, deixe de ser relevante. e desapareça.

esta discussão é muito, mas muito importante e relevante nos e para os negócios da web, porque as pessoas tendem a dar muito mais atenção ao que outras pessoas falam e apontam do que a confiar nas recomendações de máquinas como o engenho de busca de google. o boca-a-boca das redes sociais pode determinar muita coisa, inclusive compras; grupos formados nestas redes podem influenciar muita coisa, de política a governos, passando por comportamentos de todos os tipos.

image e facebook está crescendo como cresce [duas vezes nos EUA, tres no méxico, quatro na alemanha, oito no brasil em 2009] e tem meio bilhão de usuários porque é bem mais do que uma rede social: é uma plataforma para desenvolvimento de aplicações na rede e estas aplicações podem ser, lá, sociais, ou seja, posso fazer algo que, dentro de facebook, está “naturalmente” numa rede social; posso pular todos os estágios de formar a comunidade para um [digamos] novo site, por exemplo, porque, se meus usuários em potencial estiverem lá [mark zuckerberg, o menino que toca a coisa, fala em um bilhão de usuários fácil…] e minha aplicação for interessante e relevante, uns convidam os outros e, de repente, a custo muito baixo, posso ter dezenas, centenas de milhares de usuários usando meu “serviço social” sobre a plataforma de facebook.

simples de fazer? não, muito complexo. mas facebook está anos na frente da competição e, agora, está atrás de google, aliás de orkut, que não tem nada minimamente parecido ou tão popular. ou talvez venha a ter, na forma de zynga, os carinhas por trás de farmville, que podem vir a ser a galera de google games

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esta disputa, este corre-corre, é bom pra todo mundo; ruim seria se uma só companhia, realmente, organizasse toda a informação do planeta, seja ela quem fosse, google, facebook ou microsoft. cada uma –e outras- pode e até tem que ser grande; gigantesca, se for o caso; mas tem que haver muitas delas e alternativas a cada uma delas. antes de sermos gregários, o somos por sermos diferentes, diversos, variados.

por sermos inquietos, no topo disso tudo, é que facebook passou mySpace, deve passar orkut e, se tudo correr bem, vai ser passado por alguém ainda mais interessante, simples e mais facilmente programável em breve, daqui a uns –digamos- cinco anos. tomara que empreendedores brasileiros estejam pensando justamente nesta oportunidade…

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domingo, 11 de julho de 2010

a rede que se renova… e as chances da microsoft

Tags:, , , , - srlm às 11:57

image dia atrás, prince declarou que a internet havia “se acabado”. a entrevista foi ao mirror inglês e quem tiver tempo e dominar a língua deve passar por lá pra ver quão estranho um ser humano pode se tornar. prince, há tempos, chegou no nível 9 da escala jackson de esquisitice. este blog comentou o delírio do artista neste link, a business insider neste outro e a rede inteira falou sobre isso, dias a fio.

vamos voltar rapidamente ao assunto pela ótica da business insider que, dando uma outra conotação à frase de prince, diz que a internet está mesmo se acabando; se acabando e renascendo, todo dia, o tempo inteiro. e o olhar é sobre as empresas: para algumas, o sol está se pondo quase de uma vez por todas; para outras, ele pode continuar nascendo, mas com muito, muito esforço.

claro que isso vale para todos os tipos de negócio, na rede ou não. em particular, eu acho que todas as pequenas empresas de software, dessas responsáveis pela informatização de pequenos negócios, estão correndo sério risco de terminarem, nos próximos anos, no grande cemitérios dos CNPJ. nos EUA, a estimativa é que esta parte da economia de software perca centenas de milhares de empregos nos próximos anos; no brasil, não vai ser diferente. a razão é software como serviço, SaaS. com tanta mudança envolvida, o assunto é controverso.

e este não é um cenário de fim de mundo; o que desaparece, se feito por uns e ainda necessário –mesmo que de outra forma e com outra eficiência- será feito por outros, de outra forma. ou então será substituído por outras coisas, que terão que ser feitas… e por aí vai.  o mundo todo, todo dia, se renova.

voltando ao “fim da internet”, business insider cita algumas das grandes empresas da economia digital e discute como elas estão administrando um legado monumental de um passado digital distante, de dez, quinze anos atrás e o trabalho gigantesco que terão que realizar para estarem vivas daqui a dez, quinze anos. e as chances de isso acontecer.

a lista dos gigantes problemáticos tem a microsoft [que tem 35 anos de vida, já], yahoo, AOL, mySpace e eBay. claro que a microsoft atrai mais atenção do que todo o resto; AOL, mySpace e eBay, para todos os efeitos práticos, são página virada –pelo menos segundo o pessoal da insider; pra saber porque, clique neste link. yahoo, como se sabe, casou com a microsoft e é por isso mesmo que o blog vai tratar, nos próximos poucos parágrafos, somente do estado da empresa de bill gates. e isso de forma muito ingênua, simples e curta, pois a discussão é longa e complexa e merece livros, artigos e teses. vamos lá.

antiga dona do desktop, a microsoft vê seu domínio ameaçado por aplicações na rede; perde espaço para google na coleta, geração e organização de informação em rede e para a apple nos dispositivos. e pra eles e muitos outros em mobilidade. como se não bastasse, há tempos e estágios da evolução do mercado de TICs, demora muito a agir e mudar. veja a dificuldade do momento, a de criar uma estratégia de mobilidade que ofereça uma alternativa a iPhone e android. como todos sabem, os KIN, celulares da empresa, morreram alguns meses depois de lançados, um fracasso retumbante sob todos os aspectos. na verdade, nunca deveriam ter sido lançados; ninguém, em bom juízo, sabe até hoje porque foram lançados. segundo um funcionário [e acionista] da MSFT…

"We had a huge launch party on campus and I bet that party cost more than the amount of revenues we took in on the product. As an employee, I am embarrassed. As a shareholder, I am pissed. It’s one thing to incubate products and bring them to a proof-of-concept to see what works, but it’s something else to launch. I suspect we launched because we felt like we HAD to so we could save face because we were trying to build buzz, but overall - HUGE fail."

ou seja: KIN não era um brinquedo… e havia gente levando a coisa a sério a ponto de dar uma megafesta de lançamento do “produto”. pra entender o problema, veja os muitos [muitos mesmo, e muito interessantes, alguns] comentários de gente da própria empresa em um texto sobre o fim do KIN neste link. grave, sob qualquer ponto de vista.

claro que o problema da microsoft –como de toda empresa de sua idade e porte- é muito maior do que o de uma linha de celulares; mas há muita gente, e gente que saiu da microsoft, repetindo aos quatro ventos que a empresa deixou de tomar decisões com base em negócios e engenharia para ser um grande e confuso espaço de politicagem.

se for isso mesmo, o risco de caos organizacional nunca foi tão grande, especialmente neste tempo dos negócios em rede, quando o “inimigo” da empresa [de “software fechado”] deixou de ser a diversidade, riqueza e animação [e, em parte, a desarticulação e desalinhamento] dos grupos de “software aberto” para vir dos negócios, muito bem estruturados e alinhados, de “software como serviço”. em poucas palavras, a disputa entre software aberto e fechado está sendo vencida por software como serviço, ou “no software”. closed vs. open = no, eu diria [num texto de 2004, aqui].

ao mesmo tempo, o estilo ballmer de administrar as coisas trata tudo do mesmo jeito: games, do ponto de vista estratégico e operacional, parece que tem que funcionar como office ou windows. ou, muito pior, como o malfadado KIN. e ballmer, ao contrário do que gates era consistentemente capaz de fazer, talvez não esteja vendo muitos possíveis futuros.

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vale a pena dizer que os problemas da microsoft já duram mais de década, como pode ser visto neste link, que aponta para dificuldades, em 2000, que a empresa enfrenta até hoje. pra ver o tamanho do problema em valor de mercado, clique na imagem acima, de um infográfico interativo do NYT, comparando a microsoft e apple nos últimos dez anos.

segundo muitos analistas, as chances de empresas do porte da microsoft se renovarem são baixas; mas redmond tem muitos bilhões de dólares [mais de 37B] em caixa para gastar numa mudança [radical, se quiser]. mas não será fácil. segundo gente senior que saiu da empresa, um tal esforço deveria começar pela demissão de muita gente [uns quarenta mil… dos quase noventa mil empregados] que estão batendo cabeça em redmond e no resto do mundo… coisa difícil de fazer em uma estrutura do porte e complexidade da microsoft. e tem gente que acha que o próprio steve ballmer deveria pegar o caminho de casa para nunca mais voltar, responsável que seria pela “década perdida” da empresa. complicado.

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mas deve-se lembrar que a IBM já esteve bem pior, lá pela década de 90, se recuperou e voltou a ser um gigante do setor, com quase cem bilhões de dólares de faturamento e margem de lucro acima de 14%. tudo bem que a empresa de t. j. watson não é a lançadora de pods, pads e modas; mas é um grande e lucrativo negócio, depois de sua gigantesca crise dos anos oitenta e noventa.

e não é difícil lembrar que a própria microsoft, depois de achar que a internet não era pra valer, deu a volta por cima e se tornou um dos líderes do mercado de software para e na web. segundo muitos, foi exatamente o custo político e estratégico desta virada que levou a empresa ao limbo onde hoje se encontra.

mas o mundo que gates criou, definitivamente, ainda não acabou. vamos ter muito o que falar disso, ainda.

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