Terra Magazine

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

apps: smart markets?…

srlm às 10:48

o presidente da GSMA, rob conway, disse na futurecom [em são paulo , nesta semana] que o o número de smartphones ultrapassará o de PCs [e laptops] em 2013. o slide que mostra isso está abaixo…

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…e a fonte da previsão é o gartner group, originalmente neste link.

smartphones, por definição, estão em rede e a [quase] única forma de modificar suas funcionalidades é através da rede, instalando software que convencionamos chamar de aplicações ou apps.

num planeta de smartphones, os mercados de aplicações vão acabar sendo "redes sociais de software", quase que completamente virais. terão que ser plataformas de desenvolvimento, descoberta, aquisição, entrega, interação e evolução de aplicações, quase cada uma delas concebida e implementada como a interface de um serviço que está na rede, certamente na web 3.0, a web que nós todos podemos [e vamos] programar.

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mas os app markets de hoje ainda são espaços muito rudimentares, quase só de entrega de aplicações. em vasta quantidade, é certo; o slide acima, da amesma presentação de conway, diz que o "store" da apple tem mais de 250 mil aplicações e seis e meio bilhões de downloads e o "market", de google, passa de 80.000 apps e teria 1.4 bilhão de downloads. os dados de conway são antigos; o store tem mais de 300.000 apps e o market já tem mais de 100.000, como você pode ver neste link.

só que os mercados de apps para os smartphones podem ser tudo, menos smart, ou seja, simples, funcionais, eficientes e eficazes em prover o serviço que deveriam. até achar uma aplicação qualqeur, hoje, ainda é um problema considerável. sem falar na balcanização do mercado que mais cresce no mundo, android, que além do mercado tocado por google tem um da motorola, outro da verizon e por aí vai.

esta combinação de problemas cria uma grande oportunidade no planeta smartphone, o do desenvolvimento e estabelecimento de smart markets de aplicações móveis [e fixas, para TV, por exemplo...], mercados que só serão verdadeiramente smart quando forem redes sociais no nível 9 desta hierarquia.

dado que o tal nível 9

nove: a empresa –ou empreendimento- é uma rede social de fato; toda a conversa [corporativa] é viral e os processos de negócio, internos e externos, são realizados em comunidades das mais diversas redes sociais, inclusive e principalmente a sua.

…está lá no topo da escada de valores das redes sociais, isso não vai ser fácil de fazer e o que estamos vendo agora [os mercados atuais] são simples pontos de partida para os smart markets, as redes sociais de aplicações de um futuro bem próximo. pode apostar.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

quem define o mercado?…

aqui no blog, pra não fugir muito do nosso tema central [se você ainda não sabe, este blog gira em torno do conceito de informaticidade; saiba mais sobre isso neste link] a pergunta é quem define o mercado de [e para] tecnologias de informação e comunicação, o que podemos especificar de forma mais simples e ao mesmo tempo mais ampla como o mercado de informática. se usarmos a definição do blog, informaticidade é informática, provida e usada de forma tão simples como eletricidade e bilhetada [e cobrada] cmo tal, por uso. simples assim.

certo, vamos combinar –pelo menos por enquanto- que seja assim mesmo; se é, quem define tal mercado? olhe a tabela abaixo, tirada de slides de minha palestra de hoje na futurecom, em são paulo, sobre inovação e empreendedorismo em TICs [ou seja, em informaticidade...] em um mundo social…

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a tabela é uma releitura, minha, de conceitos e faixas etárias mostradas em "the shift", um livrinho muito interessante sobre o que torna instáveis os modelos de negócios de nossos tempos, que a alcatel/lucent vai lhe mandar se você clicar neste link.

na coluna da esquerda, uma faixa de anos em que alguém nasceu ou, depois de 2010, ainda vai nascer; à direita, o modo de [comunicação ou] conectividade de seu tempo quando você tinha mais ou menos quinze anos, modo este que provavelmente possibilitou e limitou seu entendimento de mundo.

se você nasceu até 1925 [ano em que seu inácio, meu pai, apareceu no planeta, em taperoá, PB], você é do mundo do papel impresso; se teve sorte e estava no lugar certo [no brasil] teve acesso a bibliotecas e jornais [atrasados, e muito] quando tinha entre 15 e 20 anos. além de limitada, e muito, sua informação sobre o mundo era fora de tempo [especialmente na periferia] e pouco você podia dizer para o centro.

entre 1925 e 1945, você é dos tempos gloriosos do rádio; o centro de seu mundo estava na rádio nacional, francisco alves, orlando silva e as rainhas das ondas hertzianas [!] aracy de almeida, dalva de oliveira, dolores duran, linda e dircinha batista, marlene e emilinha borba. entre muitos e muitas outras, claro

nascido entre 1945 a 1965, como eu, você é do tempo da TV; se nascido em 55, aos 15 você viu o brasil ganhar a copa do méxico pela TV ao vivo e isso marcou nossas vidas, por muito tempo. este é também o tempo do cinema, claro, mas a TV, nas casas, logo começou a ter um impacto muito maior e só recentemente o cinema [pelo menos por aqui] voltou a ser o palco que nunca deveria ter deixado de ser, pois ponto de encontro mediático e social.

os que nasceram entre 1965 a 1980 [pegue quem nasceu em 1970, por exemplo] viram os primeiros computadores pessoais assumir seus lugares nos bancos, lojas e supermercados quando tinham 15 anos. os mais afortunados entre este povo da era digital tinham acesso a um PC nos escritórios dos pais, quem sabe até em casa; mesmo com suas poucas centenas de kilobytes de memória e processadores que mais pareciam lesmas comparados aos atuais, era o início, perceptível e utilizável, de uma era digital nos escritórios e nas poucas casas que tinham um PC.

vale a pena lembrar que, aí por 1985, telefone fixo era coisa rara e celular não existia; tenho uma declaração de renda da época… em que linha telefônica era declarada como bem e, em recife, valia quatro mil dólares. coisa de louco. que estava para mudar muito em breve. ainda bem, por sinal.

os anos de fim de uma faixa e de começo da outra, na tabela, colidem e isso é proposital; as faixas, por sinal, não são  nem devem ser tratadas como muito precisas, servem apenas para nos dar uma idéia geral dos tempos em que mudanças e eventos marcantes aconteceram, e pode ter sido mais ou menos tempo e anos para cada coisa ou faixa, dependendo de quem você era ou estava.

mas uma coisa é certa: se você nasceu de 1980 pra frente, quando você tinha quinze anos ou menos havia algo ao redor, ou ao seu alcance [ainda na década de 90, com sorte], chamada internet e esta coisa tinha um caráter completamente diferente de tudo o que tinha acontecido antes em se tratando de tecnologias de informação e comunicação: servia para conectar, mais do que para comunicar. nossa conectividade veio pela internet, e aí nos tornamos agentes independentes, em rede, capazes de contar nossas histórias pela nossa própria e desintermediada voz.

pense numa mudança radical, que mudou tudo o que já existia do ponto de vista de mídia. quer ver? olhe este texto, aqui mesmo do blog, sobre impresso, rádio e TV sendo literalmente consumidos pela web.

mas a vida continua; no brasil, já são 193 milhões de celulares e os telemóveis, no mundo, acabam de atingir 79% de penetração: pelo menos em tese, é quase como se quatro em cada cinco habitantes do planeta tivessem um celular em suas mãos agora; são [ou seriam, dependendo de nossa crença nos dados] cinco bilhões e trezentos milhões de assinantes móveis, contra "apenas" dois bilhões de usuários da internet

isso inclusive porque, se você nasceu de 2000 pra cá, sua era é a da mobilidade; você sabe que pode carregar sua informaticidade com você, que não precisa [e nem deve, talvez] compartilhá-la com mais ninguém e que todas as fontes de informação do mundo para você e de você para o mundo podem ser parte quase que inseparável de sua identidade. afinal de contas, como foi que, num mundo em que "todo mundo" tem um número e onde não há mais nenhuma lista telefônica… todo mundo [que lhe interessa] sabe "seu" número? de que outra forma, aliás, os assinantes móveis do planeta trocariam 200.000 SMS por segundo?…

finalmente, há os que ainda estão para nascer de 2015 pra frente. claro que isso [e é verdade para cada uma das faixas] já inclui gente pequena e grande que está aí agora, hoje: estamos passando a viver em tempos onde temos acesso [e queremos ter acesso] à programabilidade do mundo e dos dispositivos ao nosso redor. não queremos mais, e apenas, acesso às fontes de informação; querems e vamos programá-las para que forneçam a informação que queremos, que sabemos que temos direito a ter e que, por falta de alguém para programá-la para nós, em nossos formatos, nós mesmos o faremos.

um sinal é a web 3.0, a rede onde, além de inserir meu próprio conteúdo, eu programo as funções que acho que deveriam estar lá. outro, muito mais pessoal, é a grande rede de dispositivos móveis programáveis, onde cada um já "programa" seu smartphone para que ele tenha as funcionalidades essenciais [ou simplesmente preferidas...] do ponto de vista de cada um, vindas de um mercado de apps de possibilidades cada vez maiores, que nos deixa tratar quase cada smartphone como um lego infinito [se tanta memória tivesse para tal].

dentro de uma década não haverá nenhum "celular" que não seja smart, pela simples razão de que "celular", o telefone, já é há muito tempo apenas uma aplicação a mais em um dispositivo [e sistema] que nos habilita, a todos e a cada um, a fazer muito mais do que simplesmente "falar" ao telefone.

este é o mundo de hoje e do amanhã. se você vai simplesmente usá-lo ou está pensando em empreender nele ou para ele, se lembre que as gerações que detêm [hoje] e estão criando [para daqui a pouco] a maior parte das formas de geração de renda, consumo e poder são aquelas das pessoas que estão vivendo em contextos e mercados digitais, conectados, móveis e programáveis.

isso está centrado em quem nasceu de 1965 em diante, pessoas que hoje têm quarenta e cinco anos ou menos. mas não está e nem vai ficar restrito a estas gerações, pois todo mundo, entre os mais antigos, ouviu o galo cantar e sabe onde, sabe que [viva chacrinha!] quem não se conecta se trumbica.

e conexão, hoje, é digital, móvel e programável, assim como os mercados que pipocam, todo tempo e em todo o mundo, e para todos, quase todos, justamente para e por causa disso.

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ah, sim: este link leva a uma cópia dos slides da palestra na futurecom. boa leitura.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

TICs: a maior fonte de inovação nas empresas…

srlm às 08:00

…nos últimos dez anos. e de onde se espera a maior parte das inovações nos próximos dois, o que vai levar mais empresas a investir em TICs, nesse período, com mais atenção e dedicação do que em qualquer outra coisa.

veja a tabela abaixo, resultado de respostas de 304 CEOs internacionais a uma pesquisa da harris interactive, cujo resumo executivo você pode obter neste link.

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a pesquisa harris não é sobre TICs, trata de inovação; em especial, trata dos problemas e condições para "enterprise innovation", a inovação corporativa, aquela que muda as organizações, sua gestão, seus modelos de negócio, afetando sua competitividade de maneria muitas vezes radical.

todos nós já vimos muitas empresas capazes de lançar, mais de uma vez,  produtos e serviços inovadores e, depois de um tempo, sumirem da linha do tempo dos negócios. quando isso ocorre, normalmente foi porque a empresa não conseguiu se redesenhar [a tal "enterprise innovation"] para um novo cenário e contexto de negócios e deixou de ser capaz de fazer, em um novo contexto, o que fazia como líder inovador em passado recente.

exemplo bastante atual desta condição é a nokia, líder do mercado de celulares que [ainda?] não se redesenhou para smartphones ou, ainda mais radicalmente, conectividade pessoal [smarts, tablets, PADs, etc]. na mesma cadeia de valor, a motorola passou por situação bastante crítica e, a duras penas, vem fazendo um "corporate redesign" [um dos insumos essenciais para "enterprise innovation"] muito impressionante.

a expectativa de 63% dos CEOs mundiais consultados pela harris é de que a maior parte da inovação empresarial e de negócios, nos próximos dois anos, virá de situações, métodos, processos, ferramentas, produtos e serviços criados, provocados ou habilitados por TICs. o segundo lugar [terceirização], tem a aposta de 36% dos CEOs e o atendimento ao consumidor a preferência de 34%.

vale dizer que terceirização e atendimento são operações intrinsecamente dependentes de TICs em qualquer negócio; olhando por este prisma, TICs aparece de forma muito intensa nas tres primeiras preocupações, problemas e 0portunidades de inovação nas corporações.

tal interpretação está em linha com resultado de uma outra pesquisa, feita pela IBM e já citada neste blog [sobre complexidade nos ambientes de negócios, neste link] que mostra que informática fica atrás apenas das preocupações com as mudanças nos mercados e que, ainda mais, a vasta maioria dos executivos projeta um futuro mais volátil, mais incerto, mais complexo e estruturalmente diferente do que ocorre hoje em dia. é isso que mostra o diagrama abaixo.

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boa parte desta complexidade adicional nos negócios é oriunda das mudanças causadas por novas formas e novos usos de TICs em todos os negócios e mercados.

tudo é software. e software e seu uso está mudando o mundo de forma radical e vai continuar a fazê-lo pelo tempo que se pode imaginar. décadas, séculos à frente, TICs e software determinarão a complexidade dos desafios de competir e criarão, para quem inovar no seu desenvolvimento e uso, as capacidades competitivas capazes de definir o futuro de qualquer negócio, empresa e, em muitos casos, cidades e regiões.

CorporateInnovationMachineL.gif (600×480)

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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

rádio, jornais e TV… consumidos pela web

srlm às 11:00

este blog gosta dos histogramas do e-marketer e vez por outra uns deles aparecem por aqui. até porque –se nos EUA há dados em quase excesso- o brasil é o país onde faltam dados. ou onde os dados são, muitas vezes, tão antigos que fazem apenas parte da história. isso quando não são muito conflitantes com outros levantamentos e, às vezes, inexplicáveis.

dito isto, olhe pro histograma abaixo, que mostra a evolução dos hábitos matinais dos jovens americanos na década passada: rádio perdeu quase a metade da audiência neste público, jornais cairam para menos de um terço, enquanto TV subiu quatro pontos percentuais e uso da internet, pra começar o dia, foi multiplicado por mais de 2.5.

Regular Morning Media Activities of US Teens and Young Adults*, 2000 & 2010 (% of respondents)

bote ou tire alguns por cento [para incluir populações de características diferentes na discussão] e adicione algum tempo, [para tratar países menos conectados] e dados como estes tendem a valer de forma mais ou menos universal. agora, dê uma olhada no histograma abaixo [do mesmo texto da referência acima], que tenta nos mostrar história e tendências de uso de mídias nos últimos anos e uma tendência para os próximos poucos. note o crescimento de redes sociais [um fator de sete entre 2006 e 2012], rádio na rede [mais que sete] e podcasting, mais que oito vezes maior, no período.

Media Usage, 2006-2012 (% of US consumers)

o declínio relativo do rádio e dos jornais é fenômeno global; veja este texto sobre a situação em portugal, onde se defende a tese de que, ainda por cima, a situação atual dos jornais pode ter raízes bem anteriores ao embate com o digital. e o jornal de papel, então? sua cadeia de valor tem problemas estruturais que vêm de muito longe, como mostra este texto de 2000, sobre o fim de um dos fins do papel. uma pergunta recorrente e muito atual é se dá ou não para salvar [o bom] jornalismo, mesmo que os jornais desapareçam…

no brasil, aposta-se que o volume de comerciais na web passa o rádio este ano. atrasado, por sinal; o blog apostou que isso ia acontecer no ano passado. apostas, apostas.

segundo estudo do grupo publicis, o mercado publicitário crescerá 11,8% no ano e a mídia online vai aumentar 29,2% em volume de recursos. ano passado, o rádio recebeu [no brasil] US$514M em publicidade e a web US$502M; os valores são em dólar para haver base de comparação internacional. este ano, o rádio cresce pouco mais de 8% [para US$558M] e a web salta para US$649M.

mas a tendência de crescimento da mídia digital interativa [como é chamada nos relatórios do setor, como este do IAB] é bem maior: julho de 2010 foi 34,25% maior que julho de 2009. olhe a situação no histograma abaixo; como o todo cresceu 26.72%, só as TVs abertas e pagas e a internet estiveram acima desta média [ou seja, todo o resto, em termos relativos, perdeu mercado. os jornais cresceram, no período, cerca de um quinto da internet e perderam sete pontos percentuais da publicidade total entre 2000 [21,2%] e 2009 [14,1%]. a situação dos guias e listas, então…

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vai ser ainda mais interessante ver este estudo em ano sem copa, como 2011; o grande evento mundial de futebol aumenta desproporcionalmente o gasto em publicidade na TV, ainda a principal fonte de sincronização de massas em tempo de megaeventos. o mesmo relatório do iab mostra que o crescimento de investimentos na web é consistente ano a ano [figura abaixo], confirmando no brasil o que é uma tendência mundial.

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nos EUA, nem a TV escapa; estudo de fevereiro deste ano mostrava [aqui] que mais de tres vezes mais consumidores, se forçados a escolher o que cortar, cortariam a TV paga e não a internet de suas casas. até porque, para os jovens [veja este outro texto aqui] internet já era, em 2009, muito mais importante que jornais como fonte de notícias e empatava com TV.

o que vai mudar tudo de vez, de uma vez por todas, vai ser a TV conectada na internet ou, se você quiser, o hábito de se ver, a partir daí, TV dentro de um browser. quando isso acontecer, ao contrário do que se esperava com a TV digital interativa [levar a interação para dentro do ambiente da TV], a TV terá se tornado parte do ambiente da internet de uma vez por todas.

e isso é muito importante até porque, se você voltar e olhar o primeiro histograma deste texto, vai se lembrar que os jovens estão vendo mais, e não menos, TV.

Sony Google TV with white remote control

a forrester prevê 43 milhões de casas  americanas tendo uma TV conectada no meio desta década. agora olhe para  brasil [25% das casas com banda larga, hoje] adicione o PNBL [duplicando, talvez triplicando isso até o fim da década?...] e imagine o cenário se repetindo aqui, de forma possivelmente mais acelerada, porque não temos tantas instalações antigas de TV a cabo, como têm os americanos, para atrapalhar nossa evolução. é esperar pra ver.

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

enfim, sós. no táxi…

srlm às 09:00

…sem motorista. algo me diz que estamos começando a viver o que é apenas o comecinho de uma megamudança nos carros e no trânsito, vinda de tudo o quanto é lado. observe os sinais, e não apenas os de trânsito.

os carros têm que mudar radicalmente para continuarem fazendo sentido, principalmente nas cidades, como mostra esta conversa de um ex-diretor de pesquisa da GM. e nós temos que mudar –talvez ainda mais- a forma como vemos e usamos os carros, talvez fazendo com que eles deixem de ser objetos de uso pessoal e passem a ser compartilhados e, quem sabe, nos acostumando com a ideia de que não, não somos nós que dirigimos os carros. vai haver muita discussão sobre isso, até chegarmos ao ponto de decidir [na constituição?...] se temos ou não o direito de dirigirmos, nós próprios, "nossos" carros.

TrafficJamCartoon

mas esqueça isso por enquanto e veja o vídeo abaixo, do "primeiro táxi sem motorista de berlim" e que não é, de jeito nenhum, o único carro sem motorista sendo testado no mundo. tudo bem que não há [pelo menos no vídeo] nenhum carro competindo com nosso herói pelo espaço e mão na rua. mas há de se convir que ele se dá muito bem mesmo assim, levando em conta que a coisa toda é autônoma, pelo visto completamente autônoma, ou seja, capaz de encontrar rotas e se guiar em ruas normais, sem sinalização especial e se comportar dentro das leis do trânsito.

 

segundo a equipe do projeto… "Cars that use sensors to recognise other vehicles, pedestrians and bikes will in future drive more safely than people who lose concentration and get tired…" os carros que usarem sensores para reconhecer outros veículos, pedestres e bicicletas irão [se] dirigir de forma mais segura do que os motoristas o fazem, porque não vão se cansar ou perder a concentração. ok, não leve isso muito a sério, pelo menos por enquanto. hoje, o treco não tem a menor chance de sobreviver no trânsito de recife, onde tudo é muito mais complicado do que são paulo e [por tudo que sei] só está em vigor um subconjunto muito restrito do código nacional de trânsito.

mas pense nisso daqui a, digamos, 15 anos. em 2025… o que você vê neste táxi será muito mais sofisticado [e complexo] e capaz, provavelmente, de desenrolar as ruas das grandes cidades até melhor do que muito motorista profissional, sem nenhum stress. aliás, como 61% dos motoristas [nos EUA] fala ao celular enquanto dirige e 27% consegue mandar SMS e dirigir ao mesmo tempo… até causar algum acidente, quer apostar como boa parte desta galera gostaria muito de um TX destes? ou mesmo de uma viatura destas, "privada" se pudesse pagar por uma? até porque seria muito melhor do que –literalmente- forçar o cérebro do motorista a prestar atenção integral no carro e suas condições

nem tudo, óbvio, são rosas: a informática dos carros [veja neste link] tem o mesmo grau de segurança das urnas eletrônicas brasileiras, o que talvez seja um aviso pra não se confiar muito em complicações como o tal táxi autônomo até que suas funcionalidades e segurança [em condições reais de uso] sejam atestadas por alguma instituição verdadeiramente independente.

isso, mais cedo ou mais tarde, vai acabar acontecendo, pelo menos com os carros, uma indústria que já se acostumou a ser escrutinada ad nauseam. aí, é só pegar o "pad" da vez, chamar seu táxi e sair por aí… enfim, sós.

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

facebook domina, blogs e emeio resistem: e depois?

srlm às 08:00

pesquisa muito recente da chadwick martin bailey mostra que, apesar de todos os avanços de mecanismos mais recentes de compartilhamento de informação, emeio ainda é o principal. veja a tabela abaixo, referente aos EUA, separada por idade.

emeio resiste - compartilhamento

até os 24 anos, emeio perde para facebook; até os 34, está bem perto e, a partir daí, passa a ficar longe; entre os maiores de 65 anos, perde de muito. note que esta última é a geração telefone, que o usa duas vezes mais que os que têm até 24 anos e que escreve tres vezes mais cartas [de verdade, em papel] que os mais jovens.

emeio resiste mas a tendência é contra emeio e correio e a favor de mecanismos mais sintéticos de interação. note que os blogs, na tabela acima, pertencem à geração entre 25 e 24 anos, afetando da mesma forma os mais jovens e a geração imediatamente superior, de 35 a 44 anos e são praticamente irrelevantes para todo o resto.

como twitter não parece ser [nem é] competidor de facebook, a pergunta de muitos bilhões de dólares é: quem vai suceder facebook, especialmente para as gerações que têm, hoje, menos de 18 anos? alguma coisa baseada em jogos? uma rede social [por princípio] móvel? a combinação dos dois?

em um post anterior, dissemos que as crianças contemporâneas nasceram num mundo digital, móvel, conectado e programável. em casa, olhando pedro e sua turminha jogarem everybody edits, imagino se não vai ser de cosias como esta que vai sair a próxima experiência em rede, em muito larga escala. clique na imagem abaixo e vá ver o que é.

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coisas novas e revolucionárias vão aparecer; até porque outras pesquisas mostram que a atividade de criação [de conteúdo] sobre as plataformas sociais atuais começou a se restringir a quem já estava publicando há algum tempo. a porcentagem total de pessoas publicando material não só já estabilizou mas parece estar começando a decrescer, o que você pode ver neste link.

isso -no caso dos blogs, pelo menos- certamente tem a ver com um efeito que este blog [há quase dois anos, em “quem matou a blogosfera?…”] descreveu neste link, discutindo a profissionalização dos blogs e sua absorção pela mídia [clássica]. o resultado é que gigantes como AOL estão pagando a dezenas de milhares de freelancers para gerar conteúdo e tirando, por assim dizer, a novidade e o romantismo do processo criativo na web… pelo menos para uma certa e grande maioria.

por enquanto, emeio resiste e facebook hospeda tanta gente e vale tanto dinheiro, no presente e futuro próximo, que nem vale a pena pensar em ir atrás. blogs como este serão levados em frente pela geração 25-34 e uns outros poucos, nas outras faixas de idade e, cada vez mais certamente, em locais como o terraMagazine. twitter assumiu seu papel como máquina de sincronização do planeta e o faz muito bem e de forma estável; até o fundador já partiu para fazer outra coisa. no futuro…

o que tem que nos levar a perguntar… mas e o futuro? será que poderíamos tentar escrevê-lo –de forma diferente, quão diferente?- a partir do brasil?… quantas boas idéias para empreender há por aí? especialmente para a geração que começa a chegar aos 15 anos? e quanta competência e capacidade de investimento e realização temos por aqui?…

perguntas, perguntas…

enquanto pensa nas possíveis e muitas respostas, estude a imagem abaixo, do global social technographics report da forrester, sobre os papéis de quem participa de processos relacionados a conteúdo na web. e pense: por trás desta demografia, possivelmente em lugares e grupos que não são visíveis neste estudo, há centenas de milhões de pessoas não atendidas. e, seguramente, muitas oportunidades de inovação e empreendedorismo.

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

direitos das crianças digitais

lá no começo da internet pública no brasil, uns quinze anos no passado, rolou uma discussão muito interessante no centro de informática da ufpe, então departamento. juntamos um monte de gente pra discutir a sociedade da informação e fizemos isso por áreas, de infraestrutura e estradas até educação, passando por trabalho, saúde e, claro, cultura.

que eu me lembre, chico saboya, hoje diretor-presidente do porto digital, defendeu que lutar por uma cultura digital popular era muito mais importante do que ir atrás de uma cultura popular digital. esta última, por sinal, era o que quase todo mundo queria ver acontecendo, na época: como fazer pra enfiar tudo o que fosse cultura popular, de bumba-meu-boi, ciranda, maracatú… até o cordel e os bonecos de vitalino… tudo, na rede? como “digitalizar” a cultura?…

acho que chico foi um dos primeiros a propor que o problema não era este e sim o de criar tantas e tão boas condições para que acontecesse, tão rápida e tão intensamente quanto possível, uma cultura digital popular, isto é, o povo, [as bordas] todo, usando as ferramentas, ambientes e infraestruturas digitais tão bem quanto a elite [o centro; no caso, lá atrás, mais uma elite tecnológica do que econômica] e, daí pra frente, era só deixar acontecer que aconteceria, ou seja, a cultura popular, quando e para que fosse o caso, iria se tornando digital também.

o problema é de magnitude social e, até hoje, não estamos vendo uma cultura digital popular na escala que deveríamos estar; mas estamos mais perto do que longe e, uma década, duas a mais de muito trabalho e a gente chega lá, pra todos.

no meio destes todos estão as crianças, todas, de todas as cores e posses. aproveitando a semana em que o futuro é comemorado em torno delas, que tal fazer um exercício, aqui, nos termos da discussão do centro de informática de tanto tempo atrás?…

vou seguir saboya: ao invés de falar de potenciais direitos digitais das crianças, talvez seja muito mais interessante e objetivo tentar estabelecer uns poucos e simples direitos das crianças digitais.

primeiro, note que as crianças de hoje já nasceram em um mundo que é digital [PCs desde a década de 80, influenciando os pais], conectado [a própria rede, chegando na década de 90], móvel [celulares, antes, e smartphones, agora, chegando às mãos de todos] e programável. não só o digital, rede e celulares são intrinsecamente programáveis mas apps, instalados no digital e/ou no móvel, são uma forma de programar, principalmente no caso dos smartphones.

o cenário onde vivem as crianças de hoje é digital, conectado, móvel e programável. crianças que vivem este cenário em toda sua intensidade poderiam ser chamadas “crianças digitais”, ao invés de millennials ou post-millennials, como fazem alguns… pois não é a quadra em que nasceram o principal determinante de seu contexto, mas os meios tecnológicos que estão ou deveriam estar à sua disposição, para interagir com outros humanos e com as instituições, que o faz.

claro que há uma declaração universal dos direitos da criança, aprovada  por ninguém menos que a assembléia geral da ONU em 1989; você pode vê-la neste link. é do preâmbulo da declaração, que fundamenta os direitos das crianças com base na liberdade, aprendizado, brincar e convívio social que tiramos a nossa declaração dos direitos das crianças digitais:

os meios da sociedade em rede, as capacidades dos sistemas digitais, conectados, móveis e programáveis, deveriam estar à disposição de todas as crianças como ambientes e ferramentas para brincar, aprender e conviver, garantidas as liberdades de expressão, informação e comunicação e as salvaguardas necessárias, em tais ambientes e ferramentas e seus usos, para os pequenos.

pense. é simples de escrever, muito difícil de implementar. não é, foi ou será diferente com a declaração universal ou qualquer outro conjunto de princípios que vise garantir alguma coisa, qualquer coisa, para todos.

e tem mais: um monte de gente teria muito boas razões para ser contra uma declaração dos direitos das crianças digitais como escrita acima, ainda mais em países e situações onde tantas crianças “ainda nem têm o básico dos básicos”, como alimentação e outros cuidados minimamente aceitáveis. claro que todo mundo e o autor concordariam com tal ponto de vista.

mas o que está em jogo é uma outra coisa, muito mais ampla e significativa: num mundo onde as crianças que têm posses e, consequentemente, meios, estão completamente imersas em um universo digital, conectado, móvel e programável, incluir todas as outras crianças, de todas as periferias, neste mesmo universo deixa de ser opção e passa a ser obrigação, pois que deixaria todos os petizes nos mesmos patamares de entendimento de mundo e perspectiva de competitividade futura.

os direitos das crianças, digitais ou não, passam por brincar, aprender e conviver em liberdade. num cenário de mudança de plataformas tecnológicas de tão grande impacto na percepção e ação no mundo como o que vivemos nas últimas décadas [e viveremos nas próximas], o dever dos adultos, especialmente os responsáveis por políticas públicas, é não deixar nenhuma criança para trás.

e isso, hoje, pode ser traduzido em trazer, como pequenos cidadãos e cidadãs de primeira classe, todas as crianças para a sociedade em rede. e estamos atrasados, muito atrasados, no atendimento a tal conjunto de direitos fundamentais.

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

bye, bye, cadeira de rodas

Tags:, , - srlm às 17:08

amanda boxtel, no vídeo abaixo, mostra como usar o exoesqueleto parcial eLegs, da berkeley bionics, para se livrar da cadeira de rodas pela primeira vez em 18 anos. há um monte de coisas para ser descrito e discutido sobre a tecnologia [de origem militar, por sinal] mas o vídeo diz tudo.

ou quase tudo, porque em verdade é apenas um dos começos do uso de computação, comunicação e controle [C3, mas pode chamar, neste caso, de “robótica”] para resolver problemas muito complexos no bodyscape [leia mais sobre este conceito e outros, associados a ele, neste link].

veja o vídeo. o preço destas coisas vai chegar no nível do SUS em poucos anos. pena, aliás, que haja tão pouca expertise em robótica no brasil e tão pouco fomento para o desenvolvimento de tecnologias como as que podem fazer amanda e tanta gente anônima de novo, andar.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

o sistema eleitoral…

srlm às 09:00

…e o resultado das eleições, até agora.

muito já se disse, aqui no blog, sobre o sistema eleitoral brasileiro, sua urna eletrônica e suas potenciais falhas de segurança. pra ver os últimos dois textos sobre o assunto, clique aqui [sobre o que aconteceu em alagoas nas eleições de 2006] e aqui [pra ler porque a OAB nacional não assinou, digitalmente, o software das eleições 2010].

olhando para os números, as eleições brasileiras são um sucesso de público: em menos de um dia e meio, segundo o TSE, 111.193.747 eleitores compareceram a exatas 400.001 seções, clicaram [se o eleitor não errou nada e votou em tudo o que tinha direito] umas 25 vezes por eleitor… o que levou a mais de dois bilhões e meio de dígitos capturados no processo eleitoral, e isso tudo foi totalmente apurado até 24 horas depois do fim da eleição.

eficiência é isso aí. já eficácia é o que vimos discutindo aqui há tempos. eficiência é fazer rápido; disso não temos dúvida, o TSE faz e fez na eleição 2010 até aqui. já eficácia é resolver o problema certo, da melhor forma possível… e é aí que tem estado a diferença entre os defensores do voto seguro e o TSE.

até aqui, que eu saiba, não paira nenhuma suspeita sobre o resultado das eleições em lugar algum. pelo menos em termos de suspeitas públicas. há sinais, aqui e ali, de manipulação de informação [como pesquisas infladas, com os suspeitos usuais], mas isso é externo ao processo de votação e apuração, apesar de estar regulado pela lei eleitoral. a urna e o sistema, segura ou insegura, nada têm a ver com isso. pelo menos à primeira vista.

tudo bem que um candidato poderia inflar seu nome nas pesquisas como ponto de partida para fraudar o sistema e fazer com que o “resultado das urnas” representasse o resultado das pesquisas. uns diriam que isso é muita teoria da conspiração para uma eleição só… e outros que não só é possível e provável mas que, caso aconteça, o tipo de sistema que temos [completamente fechado pelo TSE e impossível de ser verificado ou auditado externamente…] não possibilitaria que tal tipo de arranjo fosse apontado por fiscais independentes.

em são paulo, para dar uma ideia, a fiscal escalada por um partido para acompanhar a apuração [no TRE] ficou restrita a ver o que todos nós, sem credencial partidária, vimos: os resultados parciais sendo publicados, incrementalmente, na página da justiça eleitoral. o caso foi relatado à OAB paulista e se soma às dezenas que, na tentativa de escrutinar os escrutinadores, ficaram a ver votos –ou números que parecem muito com votos- pela rede.

mesmo que ninguém tenha –pelo menos que eu saiba- nada a levantar contra a lisura dos resultados das eleições 2010 até agora, resta a certeza de que, sem auditoria independente do processo e resultado eleitorais, não dá para ter certeza de que todos os votos dos eleitores foram contabilizados como digitados nas urnas. à comprovada eficiência do TSE, falta agregar um certificado de aprovada eficácia, o que só será possível quando se tiver muito mais transparência no processo do que temos hoje.

temos eleições a cada dois anos, numa espécie de corre-corre eleitoral onde sempre se poderá arguir que não é possível mudar o sistema porque não há tempo hábil. mas o sistema já foi mudado, mais de uma vez. e pode ser mudado de novo. até porque pode ser mudado de forma paulatina, escolhendo-se colégios eleitorais menores, a partir dos quais se prototipasse um sistema de votação aberto [taí um bom uso para as práticas de free/libre/open source software development…], validado, verificado, certificado e independentemente auditável.

nas palavras de uma autoridade no assunto, talvez isso só aconteça quando uma inevitável catástrofe eleitoral forçar o TSE a rever suas infundadas certezas de que o sistema é completamente eficaz e impossível de ser fraudado. por um lado, ainda bem que ainda não foi desta vez que isso aconteceu. mas há quem diga que, à medida que cada vez mais gente, dentro e fora do sistema, entende como ele funciona e quão frágil é o sistema de auditoria externa, mais razoável é supor que estamos nos aproximando daquela tal catástrofe que vai nos levar a revisar todo o sistema, de forma muito ampla e estrutural.

eu continuo achando –sem ter nenhuma preferência tecnológica por este ou aquele modelo- que nós não precisaríamos passar por isso. é só tratar o problema com uma boa dose de bom senso, construir uma comunidade de pessoas genuinamente interessadas ao redor de um processo livre e aberto para tratar o problema do sistema eleitoral que teremos, em pouco tempo, a eficácia [auditada e verificada] que já deveriamos ter associado à eficiência que, sabidamente, já temos.

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sábado, 2 de outubro de 2010

se eu fosse candidato…

Tags:, , , , , - srlm às 09:56

minha plataforma seria muito simples, e trataria do papel do governo na sociedade. governar não é complicado; é complexo [veja a diferença aqui]e isso, na maioria dos casos, exige propostas que sejam resumidas de forma muito básica, elementar. talvez sejam difíceis de executar, mas devem ser mostradas e explicadas de forma absolutamente elementar.

minha plataforma de governo teria três pontos, apenas: 1. educar gente; 2. criar oportunidades e 3. sair da frente.

sair da frente não quer dizer deixar tudo ao léu [além de 1 e 2]; envolve regulação em mercados críticos, por exemplo, até por causa de dos itens 1 e 2 da proposta. mas olhe ao redor e veja que em quase todo lugar onde o governo –qualquer tipo de governo- tenta fazer bem mais do que estes tres fundamentos, a ineficácia e ineficiência tomam conta do pedaço e pode levar décadas, ou séculos, para que o lugar ache um rumo de novo. os exemplos estão por aí e são muitos.

ano passado, em novembro, participei do TEDxSP e dei um “talk”, como são chamadas as curtas [15 minutos] palestras do TED sobre o primeiro ponto da agenda. o vídeo da palestra acaba de ser publicado e você pode dar uma olhada clicando na imagem logo abaixo. com tantas eleições neste fim de semana, resolvi republicar aqui no blog. vai ver, um ou outro candidato acha que educação é importante e pode até ser que o meu “talk” ajude.

TEDxSP 2009 - Silvio Meira from TEDxSP on Vimeo.

em tempo: não sou [nem serei] candidato a nada, em lugar ou governo nenhum. mas sempre achei que devemos [todos] ajudar a construir políticas públicas, pois que são para todos, pagas pelos impostos de todos, resultado de escolhas políticas e estratégicas de quem está no poder. historicamente, as evidências mostram que se nós não influimos no processo, e de forma bastante objetiva e direta, não dá para esperar que o resultado seja o que nós iríamos querer que fosse… ou não?

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