Terra Magazine

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

um dezembro de tweets

Tags:, - srlm às 18:02

você desceu pra praia no ano novo e tá chovendo… ou resolveu ler… ou tá procurando o sentido da vida digital… sei lá: se você estiver passando por aqui, aí vai uma seleção de tweets de @srlm para o mes de dezembro. boa leitura [clique nos links] e feliz ano novo!

dia 1. wikiLeaks >no blog> http://bit.ly/eqTPmJ > parece que (sob pressão?) vai perder o hosting da amazon.AWS: http://bit.ly/e769VF

o rolo continua, assange foi preso e solto… e ainda há centenas de milhares de telegramas a publicar…

dia 2. RT @bsantosaraujo: pt->en->pt: gambiarra -> workaround -> solução .:. gambiarra = solução. /MASSA! olha isso: http://bit.ly/eEtNFb

gambiarra sempre foi inovação. ainda mais quando faltam “meios”.

dia 3. as redes sociais… desde o tempo em que [até] eu usava calças curtas: http://tcrn.ch/ghqKTF #história

somos gregários; sempre fomos “sociais”.

dia 4. analistas: compra de groupon [mais cara de seu tipo em 11 anos] revela "falta de confiança" de google > http://read.bi/fL08yv

não rolou. groupon disse “não”.

dia 5. hacking [sempre] pode ser um dos princípios fundamentais por trás dos processos de inovação: http://bit.ly/eJd42s #hackInnovate

“hacking”, aqui, pode querer dizer “reescrever regras”.

dia 6. previsão de 1900 para 2000: There Will Be No Street Cars in Our Large Cities. > há! e tem mais no link http://bit.ly/h5R7jI

segundo a lei de amara, tendemos a superestimar o impacto das novas tecnologias no curto prazo e a subestimá-las no longo…

dia 7. você trabalharia numa empresa totalmente distribuída, sem hierarquias, sem dono, sem centro? http://bit.ly/fjV9bS #vidaEmRede

existe, e no .BR. eu trabalharia sim. aliás, estou quase lá.

dia 8. os 15 maiores #TECfracassos de 2010: entre eles… apple, hp, microsoft, google, yahoo, rim, twitter > http://read.bi/g8NQ7P

a falha deixa rastro. no caixa das empresas também. quando há processos para tal, constrói aprendizados. e isso é bom.

dia 9. microsoft confessa que tentou comprar facebook [e não conseguiu, claro] http://tcrn.ch/eBVlBM teria sido bom ou ruim pra todos?

não dá pra saber. mas o fato é que até agora microsoft, google e apple, companhias de uma outra rede [e de tempos em que nem rede havia] não têm qualquer oferta de rede social que faça sentido.

dia 10. há dois anos, no blog: nas redes sociais, parece que a felicidade é contagiosa >> http://bit.ly/ggE9yn #felicidadeEmRede

não só a felicidade contagia em rede; redes sociais são mecanismos fundamentais para suporte pessoal, sem falar de ação grupal.

dia 11. ontem, SFO: MICROSOFT tomando café da manhã com TWITTER ou… tomando twitter como café da manhã?… http://bit.ly/haGbXs

é a tal história: “precisamos de uma rede social”.

dia 12. [acho que aqui eu tirei um dia de férias do twitter]

dia 13. os 107 slides da apresentação [de 10 min] do @cesar_recife para ganhar o #prêmioFinep de #inovação de 2010 http://bit.ly/f3zU3H

massa! c.e.s.a.r bi-campeão do prêmio finep, 2004 e 2010.

dia 14. no mapa mundi das redes sociais, orkut ficou isolado no brasil. por quanto tempo, até google agir? http://bit.ly/f9xr64 #blog

eu acho que orkut subiu no telhado. não se sustenta só no brasil não…

dia 15. diniz, lehman e @srlm no #fazDiferença na ECONOMIA.BR d’oGlobo > vc tbem vota > http://bit.ly/i0YBdc #inovação

pra mim, já é uma vitória estar em tão importante companhia na final do prêmio. a votação pela web termina dia 05/jan/2011.

dia 16. governos variados vão usar o caso #wikiLeaks para tentar censurar toda #crítica e #oposição na rede > http://bit.ly/fziNlS

o preço da liberdade em rede [ou em qualquer outro lugar] é a eterna vigilância.

dia 17. há dois anos, no blog… como foi MESMO [como foi?] que a OI conseguiu comprar a BrT > http://bit.ly/dLmke2 #oBrasilComoEleÉ

o brasil não tem muita noção ou senso de história. este caso é luminar. e vez por outra vale a pena voltar lá e ler, pra ver como as coisas realmente funcionam.

dia 18. no brasil, 15 metrópoles são a casa de 36,2% da população; são os PICOS da economia, cultura, esportes… http://bit.ly/fTwHVw

o mundo não é plano; pelo menos não como friedman anunciava. e você pode ver mais aqui, no blog mesmo: http://bit.ly/brsjB3.

dia 19. a "dimensão ecológica" da "alfabetização informacional" > http://bit.ly/iiZgkJ > gostei deste debate > #sociedadeDaInformação

vez por outra a gente deveria discutir, de novo, o que está acontecendo na tal sociedade da informação. sendo substrato para o conhecimento contemporâneo e com o impacto que tem nos hábitos, costumes , educação e cultura, não se trata de uma infraestrutura como outra qualquer [como água, luz, esgoto…].

dia 20. "@srlm vc sabe se já disponibilizaram os PPTs daquele Forum da McKinsey?" -@lorenzo > o meu tá aqui > http://bit.ly/hJsHAN

“aquele fórum” foi um dia inteiro de debates sobre redes sociais e negócios; tive o prazer de ser o animador e mediador; meus slides estão no link acima.

dia 21. consumidor digital, conectado, móvel já afeta 10-15% do varejo nos .US, .GB, .DE e .FR… =US$340B http://bit.ly/fs6Slv #blog

diminui a assimetria de informação; cada vez mais, cada negócio local passa a sofrer mais influência dos negócios globais. e global se torna.

dia 22. .US, 2010: anúncios online passam jornais por um triz; em 2011, 15+% http://bit.ly/hMqJ6U > e no .BR? > http://bit.ly/bGucBi

irreversível: plataformas físicas para mídia vão ser substituídas pelas virtuais. e nesta década, para todos os efeitos práticos.

dia 23. TRON.1982: fracasso que "recriava um cérebro esquizofrênico". TRON.2010: sucesso que "recria um cérebro…" http://lat.ms/iiLKYG

e a trilha sonora é muito fera.

dia 24. no blog: pessoas, tempo, escolhas, empresas, espaços… e os dez anos do porto digital http://bit.ly/emRobR #portoDigital

são só mais uns 15, 20 anos de trabalho pesado pra chegar “lá”.

dia 26. PIB PPP? JP=2.5BR: http://bit.ly/gQ0qrQ; orçamento em trilhões de US$? JP=1,1 http://bbc.in/hFJd5w BR=1,2 http://bit.ly/hKBOOG

faça as contas: se a economia japonesa é duas vezes e meia maior que a nossa, como é que o orçamento do nosso governo federal é 10% maior que o deles? pra onde –dado o estado das coisas e serviços públicos… vai tanto dinheiro? o serviço da dívida, lá, é 25% e aqui é 33% do orçamento; isso não explica tamanha diferença…

dia 27. stuxnet teria detonado 1000 centrífugas de enriquecimento de urânio iranianas http://bit.ly/eWvdR2 teria sido criado para isso?

isso pode ser um dos exemplos mais cabais da amplitude e profundidade que a “guerra informacional, ou infowar” pode assumir. quando e se confirmado, claro.

dia 28. da série "falta pouco para"… mandarim se tornar dominante na rede; já é a 2a., tamanho >80% do inglês http://bit.ly/g9ggHJ

já faz uma década ou mais que sugiro o aprendizado de mandarim a todos meus alunos que têm algum tempo extra… vem aí mesmo.

dia 29. balanço digital de 2010:por @srlm e tiago barbosa ontem, CBN BITS da NOITE http://bit.ly/5A0MQn #redesSociais #infraestrutura

2010 foi o ano das redes sociais. e de muito mais. vá ouvir.

dia 30. alow, concorrência: GROUPON tem US$500[+450]M para investir. é por isso que rejeitou google? #comprasColetivas #winnerTakesAll

não consigo entender como todo dia surge mais uma rede social de compras coletivas no brasil. e olha que a maioria é só “mais um site”.

dia 31. porque [se? pra que?] a microsoft deveria comprar a nokia [como?] e não a RiM: http://read.bi/fGNnbI #informaticidade #comVocê

faz todo sentido do mundo. já tem até um carinha de redmond tocando o negócio da nokia. a questão é… a microsoft tem a energia?…

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

pessoas, tempo, escolhas, empresas, espaços…

google acaba de investir [ou gastar?...] quase dois bilhões de dólares na maior transação imobiliária do ano nos EUA, comprando espaço, um dos maiores prédios de nova iorque, a antiga administração do porto da cidade. o ícone da imagem abaixo tem cerca de dois milhões de pés quadrados, ou perto de 190 mil metros quadrados e a companhia [da califórnia] já tem mais de dois mil colaboradores ao redor de manhattan e está contratando, lá, como se não tivesse ninguém, ainda.

isso me lembrou que, no começo da década passada, um dos espaços que queríamos pra começar o porto digital do recife era exatamente o prédio da administração do porto. além, claro, de todos os armazéns [vazios então, vazios agora] da imagem abaixo…

…porque tudo [menos passageiros] estava e está, hoje, indo para suape, um megaporto logo ao sul, a poucas milhas náuticas do centro do recife, espaço parcialmente mostrado na imagem abaixo.

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tivéssemos conseguido –lá no passado- o espaço, e se ele tivesse casado com o tempo, com as janelas de oportunidades da época, a história talvez fosse outra e o porto digital, hoje, poderia ser muito maior do que as 150 empresas e 5.000 pessoas que já trabalham na rede de valor de software no centro velho do recife, ocupando espaço de armazéns que, há dez anos, literalmente caíam aos pedaços.

mas a história não é feita de "se’s" mas de fatos, acontecimentos, contratos e contratações… nem nós éramos ou somos google. pelo menos não ainda.

google foi a companhia paradigmática da web dos anos 00, a web 1.0, talvez como facebook e twitter sejam dos anos 10 e da web 2.0. pra comparar os tempos e as companhias, o que twitter [por exemplo] está fazendo agora?…

twitter está comprando… gente. acaba de adquirir fluther, e disse, a quem perguntou, que não estava comprando o serviço, pois não pretende agregá-lo às suas ofertas. pra quem está crescendo como twitter e só vale uns poucos bilhões de dólares [menos de quatro, ao contrário de google, que vale US$193B], gente é fundamental, muito mais importante do que prédios para botar gente. até porque, no caso de twitter, que segundo o próprio "ainda não tem um modelo de negócios viável"… comprar prédios é um vacilo. grande, talvez. neste mercado, "sede própria" só faz sentido pra quem tem o futuro garantido.

mas definir, estruturar e evoluir espaços articulados para alavancar e adensar redes de valor da economia do conhecimento, especial e principalmente criando e mantendo as condições para que empreendimentos de classe mundial coexistam em tais lugares… é um valor único em um mundo que não é plano como muitos pensavam [veja aqui porque os picos são muito importantes na economia em rede]. por que?…

porque [da série do blog que discute o plano e os picos da economia planetária]…

…o lugar ainda importa e vai continuar sendo importante; mais de 50% da população mundial mora em cidades densas [contra 30% em 1950]; se o lugar não importasse [em termos de potencial econômico individual], as pessoas não iriam se mudar para estes lugares densos onde parece haver mais oportunidades.

o porto digital entende o mundo desta forma e  trabalha para criar, em um pequeno espaço conexo no centro do recife e para a economia de software e intensiva em software, picos. picos de performance e produtividade, de geração e captura de valor, bem como de educação, qualificação e certificação de pessoas e empresas, atração de talentos, tecnologias e investimentos e aumento da capacidade de geração e de realizar negócios, inclusive a partir dos desafios enfrentados pelas empresas que já existem no sistema local de inovação… e por aí vai, passando obviamente pela criação de um ambiente propício para inovar, sem o que é quase impossível sobreviver na economia do conhecimento e de software em particular.

isso leva tempo, muito tempo. pólos e parques tecnológicos podem levar décadas para atingir um estágio de maturidade de classe mundial. o porto digital está comemorando, em recife e pernambuco, os primeiros dez anos de um trabalho que pode levar mais dez ou mais vinte até chegarmos "lá", como a gente discute na entrevista do bom dia pernambuco abaixo.

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dez anos até aqui e talvez mais quinze para maturar parece muito tempo. mas mudanças sócio-econômicas, culturais e educacionais de grande porte são assim, precisam de muito tempo, muito trabalho, muito conhecimento, investimento, planejamento, empreendimento e envolvimento, e de muita gente.

o porto digital não é uma ou poucas pessoas. são milhares, literalmente milhares. e, pelo andar das coisas e pelos investimentos que estamos recebendo e discutindo para o futuro próximo, parece que em breve seremos muitos milhares mais. não quer dizer que não temos problemas; temos sim, e são muitos. mas ninguém, hora nenhuma nestes dez anos, foi ingênuo a ponto de achar que o caminho era curto ou fácil e as escolhas, simples. não é, não está sendo, nunca será. se fosse, haveria algo como o porto digital em quase todo lugar.

vá ver o vídeo. talvez, depois, pense em vir prá cá.

pra todos, dentro, ao redor, fora, perto e longe do porto digital e de suas empresas, feliz natal, um grande 2011 e muita sorte e sucesso em todas as suas escolhas de caminhos, espaços e negócios, sempre.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

o consumidor conectado

imageo natal chegou, e não foi em dezembro não. pelas minhas contas visuais, foi lá pelo dia da criança, pelo visto na decoração de lojas e shoppings.

neste tempo de compras, onde parece que o verdadeiro espírito do natal sumiu [veja aqui porque, do ponto de vista das ficcões úteis, a gente talvez devesse reinserir o papai noel de volta no natal…] é quase certo que [se o leitor tem um smartphone e uma conta de dados de preço fixo] você já deve ter entrado numa loja, olhado um produto com cara de eu quero e, ato contínuo, pesquisado a coisa e comparado seus preços em múltiplas fontes.

de vinho a roupa, de TVs a laptops e aos próprios celulares. faço isso o tempo todo e, das duas uma: acabo levando o que quero da loja por um preço menor do que está anunciado ou, quando não consigo, compro na web. nas últimas vezes, quase sempre tenho levado o produto da loja por um preço que, se não igual ao da web [pois os lojistas sempre dizem que… “na internet as condições de fazer negócio são melhores do que nas lojas”], faz sentido do ponto de vista de custo de oportunidade.

se você acha que este pode vir a ser o comportamento natural dos brasileiros no médio prazo, pode apostar alto. são 19 milhões de smartphones agora, 35 milhões ano que vem e 107 milhões em 2014, segundo a qualcomm, que fabrica parte parte considerável dos chips que movem os telemóveis.

mas se você pensa que olhar preços e propriedades de produtos na web é a grande mudança de comportamento do consumidor conectado, móvel, instrumentado por ferramentas que diminuem, e muito, a assimetria de informação no mercado, deve ler um texto da strategy+business [que precisa de registro, mas é grátis], novinho em folha. começa assim…

You may not have heard of Shopkick yet, but it’s one of the best examples of the dramatic changes facing retailers now. An application that runs on iPhones, Shopkick pays consumers “kickbucks” — reward coupons — just for checking in when they enter a Best Buy, American Eagle, Macy’s, or other participating retailers. Additional kickbucks are available for performing particular actions — for example, scanning a poster on a store’s dressing room wall into the iPhone camera. The kickbucks can be redeemed for gift cards and donations to charitable causes. Moreover, when shoppers at Best Buy show their iPhones running Shopkick to the cashier, they receive instant discounts.

shopkick e kickbucks. imagine e combine: olhar, analisar, socializar [criar, sei lá… flash shopping mobs?], receber incentivos e, quem sabe, comprar. segundo a booz allen, que publica o strategy+business, alguma coisa entre 10 e 15% de todas as compras de varejo de 2010 nos .US, .UK, .DE e .FR deve ser infuenciadas por aplicações móveis como google goggles:

Retailers can tap into this feature to offer products, sales, and buying ideas. Consumers can vet pending purchases with their online network of friends, compare Web-based reviews and ratings, and see prices from a competing store down the street. American Apparel, Best Buy, Dell, Macy’s, Sears, and Walmart use Facebook in this way now. In the Booz & Company survey, upward of 85 percent of customers said that retailers should do more to integrate social networking into their m-commerce offerings.

olhe o fim do parágrafo: mais de 85% dos consumidores pesquisados pela booz allen diz que o varejo tem que fazer mais [no caso do brasil, eu diria bem mais] para integrar redes sociais nas suas ofertas de comércio móvel. isso é muito significativo. quer dizer que o consumidor já se entende dentro de um universo digital, conectado, móvel e [eu diria, o consumidor não diz, ainda], em pouco tempo, programável. o blog falou sobre a geração 65-Y [quem nasceu de 1965 pra cá] neste post, mostrando o slide abaixo [sobre as gerações recentes e do futuro próximo e suas relações com as plataformas de comunicação e conectividade], de uma palestra cujo link está lá, tocando exatamente neste assunto.

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o montante do comércio varejista que já afetada pelo “digital, conectado, móvel” só nos quatro países mencionados é perto de US$340 bilhões. isso é muito, mais ainda muito pouco perto do que se pode esperar lá no fim da década, talvez cem vezes mais, dezenas de trilhões. e o varejo que [só] esperar pra ver vai estar, lamenta-se muito, no caminho do grande cemitério dos CNPJ. pra saber como não ir pra lá no período, comece por ler o bom texto da strategy+business. e feliz natal [digital], cortesia de angry birds.

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sábado, 18 de dezembro de 2010

as metrópoles: os picos

Tags:, , , - srlm às 08:00

este blog publicou –faz pouco tempo- uma série de textos questionando a noção [de thomas friedman] do mundo ter se tornado plano e da localização ter perdido a relevância de uma vez por todas. pela ordem, pra ler a série, você deveria clicar aqui, aqui e aqui.

pra quem quer um resumo da conversa, a conclusão [até agora] é que…

a conectividade digital [quase universal] está transformando um mundo analógico que tinha um grande número de pequenos picos e um pequeno número de grandes picos em um outro, certamente mais plano, onde os picos menores tendem a desaparecer mas os maiores… depois de um processo de seleção [não]natural… tendem a se tornar muito maiores ou, melhor, muito mais relevantes.

ou seja: o mundo é mais plano mas, ao mesmo tempo, tem picos muito mais relevantes. como assim?…

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isso tem a ver com física, condensados de bose-einstein [vixe!…], redes livres de escala e uma de suas leis que, em suma, diz que “quem ganha leva tudo”. na conclusão da série “plano ou picos”, comentamos que

redes e fluxos no espaço [o mundo de bush-drucker-castells] abstraem, estendem, complementam… os lugares concretos onde ainda vivemos, trabalhamos e empreendemos fisicamente. e cada um destes lugares tem símbolos, linguagem e cultura próprios; richard florida descreve e estuda, há anos, lugares especiais onde há uma combinação de talento, tecnologia e tolerância e –por causa disso, em tese e na prática- cuja participação na articulação entre os lugares e no espaço também é especial.

as redes mudaram o mundo, é certo; mas ainda não ao ponto onde só e somente as redes são o mundo. se este fosse o caso, não seriam apenas algumas poucas cidades que estariam capturando quase todo o valor gerado no mundo abstrato. pense seattle [microsoft e amazon] e o próprio silicon valley [de google a oracle, passando por facebook e twitter].

quer ver o tamanho do problema [ou solução]? o ibge nos diz que 80% da população do país é urbana… mas não só: mais de 1/3 de toda a população está nas 15 regiões metropolitanas mostradas do mapa abaixo…

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de acordo com o observatório das metrópoles, em 1991 as 15 maiores metrópoles brasileiras representavam 34,9% da população, percentual que aumentou para 36% em 2000 e 36,2% em 2010. no conjunto, parece que não exista a tal “fuga” para o interior “descoberta” e apontada por parte do noticiário. alguns lugares, como o gráfico abaixo mostra, têm crescido menos do que a média nacional, por razões que passam [no caso de recife… ainda bem] por absoluta falta de espaço.

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segundo estudo recente publicado pelo observatório…

…é importantíssimo considerar também que as metrópoles são as iniciais de apresentação das alterações demográficas em nosso país. Se pensarmos na redução das taxas de fecundidade, por exemplo, este foi um processo que se iniciou em espaços metropolitanos, de onde as mudanças geralmente se expandem devido ao acesso ao mercado de trabalho, maior escolarização, empregos mais qualificados, maior proporção de ocupados com alto rendimento, participação feminina no mundo do trabalho e no acesso à educação superior, entre outros processos, justamente pelas metrópoles serem espaços mais afeitos às mudanças sócio-culturais.

Tudo isso está diretamente ligado às mudanças populacionais nas metrópoles, que não se resumem apenas à saída de pessoas, até porque boa parte da emigração dos núcleos metropolitanos ocorre para municípios da própria periferia metropolitana, ou para municípios que apresentam forte relação com a dinâmica metropolitana. Nesse sentido, não se deve pensar apenas em termos quantitativos, é preciso avaliar também as mudanças qualitativas que vêm ocorrendo no interior das áreas metropolitanas.

taí um algo que vale a pena ler na íntegra. e você pode pegar o .pdf aqui. boa leitura.

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

um mapa mundi…

…de relações humanas. como? assim: crie uma infraestrutura que permita que quase 10% da população da terra se conecte, virtual e livremente. depois, faça um mapa destas conexões. data? dezembro de 2010. taí:

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agora chegue mais perto, trazendo o brasil mais pro centro, e…

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…olhe ainda mais perto pra ver que…

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…ainda não estamos tão conectados [usando a tal infra, que é facebook]entre nós quanto chile, paraguai, uruguai e argentina entre eles, mas a coisa tá pegando no sudeste… e olha a densidade de links que sai do nordeste para a… europa:

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e, sobre nosso último post [falando de como, depois de facebook ter passado orkut na índia, orkut ficou isolado no brasil…], olhe pra cobertura quase total de facebook no subcontinente…

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…observando também que a maior parte da conectividade das redes sociais é local e não global. estamos nos tornando globalmente conectados mas, muito mais, melhor conectados localmente. e isso é bom, pois quer dizer que as redes sociais virtuais podem ser um poderoso instrumento de formação e evolução de comunidades geograficamente conexas, para elicitação, compartilhamento e resolução de seus problemas locais.

dados, dados, montes de dados. e descoberta de conhecimento neles. o blog falou disso aqui. se o walmart gera 167 vezes o volume de dados da biblioteca do congresso dos EUA por hora… e isso nos caixas, com a lista de quantas fraldas e cervejas você comprou, quantos cliques por hora dão os 600 milhões de usuários de facebook, que em poucos dias transformaram cityVille de um nada em um jogo comunitário de 20 milhões de usuários?…

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experimentação, simulação, codificação, ciclo de vida de formas de ver o mundo, de muitas formas, mas, principalmente, através da mediação dos “códigos”, dos algoritmos que [flusser!], ao redor, condicionam, quase de uma vez por todas, nossa forma de criar e experimentar a realidade.

falando em algoritmos, se você quiser ver como o mapa foi feito, por um estagiário de facebook, é só clicar neste link. boa leitura e até a próxima.

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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

orkut: isolado no brasil

Tags:, , , , , , - srlm às 10:00

o gráfico abaixo mosta qual era a rede social dominante em cada um dos países do mundo onde tal noção fazia sentido um ano e meio atrás.

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os dados foram coletados por vincenzo cosenza e estão, no original, neste link. agora veja a situação neste dezembro, usando as mesmas fontes de dados e as mesmas bases para comparação:

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em 115 dos 132 países da amostra, facebook é o líder. as exceções são brasil, onde orkut domina, rússia, onde quem manda é uma operação local tocada por acionistas de facebook, vKontakte, japão, domínio de mixi, e china, onde QZone é a rede social predominante. ah, sim: na síria é maktoob, na moldávia, quirguistão e armênia é odnoklasniki e no irã é cloob, isso quando o governo de lá deixa alguem dizer alguma coisa online.

se a gente for para o passado, quando orkut completou 3 anos [isso foi em 2007] cerca de 59% dos usuários eram brasileiros e alexa dizia que o alcance diário [mundial] da rede social de google era tres vezes maior do que facebook, como mostra o gráfico abaixo.

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a situação por aqui, hoje, é comparável à do planeta há três anos; orkut tem mais de tres vezes o número de visitantes de facebook, como você pode ver no gráfico da comScore abaixo. o problema [para google] é que facebook cresceu 16 vezes mais do que orkut entre os últimos dois agostos. faça as contas pra ver em quanto tempo orkut passa pra segundo lugar também no brasil.

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o blog escreveu recentemente sobre a “batalha da década” entre organização [web 1.0] e conectividade [web 2.0] na rede, em organização & conexões, onde dissemos que…

…contrapondo os desejos institucionais revelados em suas missões, google quer organizar [toda a informação] e facebook quer conectar [todas] as pessoas. a “organização”, no modelo proposto por google, depende de como pessoas [e sistemas] conectam a web, pois assim funcionam os algoritmos fundamentais de google. só que, cada vez mais, as pessoas se “conectam” através de facebook [quase 600 milhões delas] e tal informação não está disponível [via de regra] para ser organizada [por google]…

…discutindo as estratégias das duas companhias mais importantes das webs 1.0 e 2.0.

pode até ser que google consiga recuperar uma base de lançamento na e para a web 2.0 a partir de uma estratégia fundamentada no que orkut está fazendo no brasil. mas, ao contrário de vKontakte na rússia [um ambiente para compartilhamento, também, de vídeos pirateados…] o orkut “brasileiro” é uma rede social “pura”, sem um atrator pirata ou contextual como mixi, no japão, e QZone na china.

ficar isolado no brasil não é futuro para orkut ou qualquer outra propriedade de google, uma companhia essencialmente global, de negócios globais. por isso que os próximos 300 dias vão definir o futuro de orkut, aqui e no mundo. e é mais provável que, muito mais que o “site” orkut em si, a experiência de orkut, o ambiente e seus usos, seja parte essencial do aprendizado de google para tentar competir num mercado onde a década da web 2.0, a rede social, já está dominada… por facebook.

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

wikiLeaks? openLeaks…

Tags:, , , - srlm às 01:34

a esta altura do campeonato, não deve haver um só transeunte que seja, na rede, que não tenha ouvido falar de wikiLeaks [veja os primeiros dois textos do blog sobre o assunto neste e neste links]. pode até achar que é algum medicamento para incontinência urinária, mas não ignora o nome. a vasta maioria sabe que é um ambiente para aumento de simetria de informação, ou, mais basicamente, para liberação de informação que estava contida em seus repositórios originais e, possivelvente, devidos e legais, para o domínio público.

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um monte de gente também sabe que julian assange, um dos carinhas por trás do grupo que publica wikiLeaks, é preso inafiançável das masmorras de sua majestade elizabeth II da inglaterra… por causa de uma camisinha que supostamente vazou na… suécia. estranho, muito estranho.

você também deve ter visto que a reação “do sistema” a wikiLeaks e jukian assange detonou uma guerrilha cibernética onde anônimos, no mundo inteiro, estão atacando as propriedades virtuais de companhias que ficaram “contra” wikiLeaks e tirando seus serviços do ar, quando podem, como foi o caso de mastercard [abaixo] e visa.

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como era de se esperar, outros grupos, mais locais, decidiram tocar suas próprias operações de “leaks”, ou de vazamento organizado de informação do poder estabelecido para o domínio público, em muitos caos como forma de aumentar a transparência das ações de governo no futuro, como era a esperança original do próprio pessoal do wikiLeaks. isso é o que está para rolar na república tcheca, com o patrocínio de nada menos do que o partido pirata do país, que é oficialmente registrado na política de lá. você pode ler mais sobre o pirateLeaks que os tchecos vão ter, a partir de segunda, neste link.

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o que talvez pouca gente esperasse é que o wikiLeaks cindisse tão no começo de sua trajetória: o grupo está se dividindo em wikiLeaks [ou a turma do assange ou, talvez, ele sozinho] e openLeaks, o resto da galera, o povo que acha que a coisa ficou muito personalizada, dominada por uns poucos e passou a fazer parte de um “star system” onde um [e apenas um] do coletivo que pensou, suporta e opera a coisa toda passou a ser a parte “caras” do movimento.

este é o furo do dagens nyheter sueco sob o título ”Nytt Wikileaks” gör revolt mot Assange [um “novo wikiLeaks” se revolta contra assange], que pode ser lido em inglês do próprio DN.se neste link. segundo as fontes do DN.se, o openLeaks será governado democraticamente por todos os seus membros e não por um grupo ou indivíduo, será um intermediário neutro, sem qualquer outra agenda política a não ser a disseminação de informação e com o objetivo de longo prazo de construir uma plataforma transparente e segura para vazamento de informação, ao mesmo tempo em que encorajará outros grupos a fazer o mesmo.

openLeaks será lançado nesta segunda e quer dividir o tipo de pressão que wikiLeaks sofre hoje com muitos outros grupos, passando a servir apenas como plataforma de preservação de anonimidade e distribuição, enquanto provê, para qualquer um que queira revelar o que sabe [ou obteve] sobre qualquer operação questionável planeta afora, infraestrutura aberta de classe mundial.

parece que a galera aprendeu rápido. e, se for isso mesmo, também parece que assange não vai ter muita solidariedade dos seus agora ex-colegas do wikiLeaks, talvez descontentes demais com sua estratégia, o risco inerente a ela e o status de estrela que o até então desconhecido australiano passou a ter.

no meio deste rolo todo, talvez seja interessante reler um texto que publiquei aqui no blog em janeiro de 2009, sobre transparência e privacidade na rede, nesta década. lá, sobre privacidade, eu dizia que…

um dos argumentos mais falaciosos, usado por muita gente, segue a linha do… "não tenho nada a esconder", para acusar quem defende a privacidade, na rede, de estar fazendo alguma coisa imoral ou ilegal. não tem nada a esconder? então porque não deixa o vizinho tirar fotos suas tomando banho ou na cama, com a mulher, numa daquelas noites quentes, e publicar na internet? imagine o milhar de outras situações que não queremos ver disseminadas, na rede ou em qualquer outro meio. de repente, temos tudo a esconder. simples assim.

todo mundo tem muito a esconder. a privacidade é um dos princípios essenciais da vida e um dos direitos humanos fundamentais. daniel solove, da george washington university law school, escreveu um paper precioso sobre o assunto ['I've Got Nothing to Hide' and Other Misunderstandings of Privacy], onde o argumento "nada a esconder" é desmontado passo a passo. o artigo está em primeiro lugar na lista de downloads da SSRN [rede de pesquisa em ciências sociais] há um ano. vale a pena ler. para quem quiser ir mais fundo, o mesmo autor liberou na rede todo o texto de seu livro The Future of Reputation: gossip, rumor and privacy on the internet. o capítulo dois [How the Free Flow of Information Liberates and Constrains Us] é uma excelente leitura em nosso contexto.

ao mesmo tempo… há de se considerar que, do ponto de vista de transparência [do mesmo texto de 2009]…

é certo que a rede vem aumentando a transparência de pessoas, instituições e, principalmente, governos em países democráticos. transparência é a base para a boa governança; sem saber o que realmente está acontecendo nos intestinos de uma organização, como garantir que ela está cumprindo sua missão dentro dos preceitos morais, éticos e legais de uma sociedade?

a falta de transparência é um dos principais insumos para a corrupção, e corrupção não se dá apenas nos meios governamentais. as empresas que têm baixos níveis de transparência e governança costumam sofrer do problema com intensidade muito grande. no seu índice de pagadores de propina de 2008, a organização transparência internacional analisou 22 países quanto à participação de suas empresas privadas em atos de corrupção no comércio internacional. os piores da lista não são nenhuma surpresa: em 17o. lugar, estão brasil e itália, empatados; depois, aparecem índia, méxico, china e rússia. os 22 países da pesquisa correspondem a 3/4 do total de exportações e investimentos do planeta em 2009.

e minha conclusão de janeiro de 2009, que continuo assinando hoje, com wikiLeaks, openLeaks ou sejaLáQueLeakFor, é…

enfim, se um tipo de agente, na sociedade, não parece ter direito ao anonimato e privacidade na internet, é aquele que decide, executa e controla bens públicos, e isso enquanto servidor público. sua vida privada é -e deve continuar sendo- privada, desde que não se misture à sua responsabilidade pública. como nosso representante no governo, pago pelos nossos impostos, queremos saber de tudo o que faz, com quem faz, pra que faz… e a internet, para estes fins, pode ser um agente libertador, se soubermos usá-la para tal.

e daí?… se há informação que governos e empresas querem manter privada, que cuidem para que tal seja o caso. gestão competente do ciclo de vida de informação inclui não só sua geração, coleta e preservação mas –e entre muitas outras coisas- a segurança dos dados e dos sistemas envolvidos.

vazou, tá vazado. prender bradley manning, um soldado de 23 anos, por ter posto a mão em centenas de milhares de textos secretos da diplomacia e máquina de guerra americana… é brincadeira perto de tentar escamotear a falha de segurança de informação que permitiu que ele fizesse o que fez.

o que está fundamentalmente em cheque, no momento, não é assange, manning e wikiLeaks, mas os processos de gestão de ciclo de vida de informação [supostamente sigilosa] dos governos e empresas. afinal, qual seria a dificuldade de um obter dados para um brazilGate?… ou informações que causassem um preSalGate?…

para manter a informação reservada, governos e empresas, principalmente aqueles e aquelas de grande porte e alcance global, que sempre afetam os desejos e visões de muita gente que pode se organizar ao seu redor, devem ter muito mais cuidado com tudo o que reside e trafega em suas redes.

isso porque estamos vivendo em tempos de muito maior transparência de informação, habilitada por mecanismos de socialização digital que passaram a existir apenas na última meia década. o significa que toda esta conversa apenas começou… e que os xLeaks provavelmente vieram para ficar.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

empresa "teia"? como assim? [final]

Tags:, , , , , - srlm às 07:11

este blog publicou ontem o primeiro texto sobre um tipo radicalmente novo de empresa que está sendo prototipado no brasil, um negócio completamente em rede, sem centro, sem sede, sem dono… um treco tão diferente que vale a pena um conjunto de explicações e reflexões sobre novos modos de empreender e trabalhar. oswaldo oliveira [que ganhou o codinome O2 aqui no blog], um dos líderes do processo de criação da empresa teia, começou a conversa neste texto e terminamos o assunto, temporariamente, hoje.

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digo temporariamente porque o trabalho em rede estará mudando tanto, nas duas próximas décadas, que voltaremos muitas vezes para esta conversa. por enquanto, abaixo, o resto da conversa com oswaldo oliveira, O2:

SM: como a empresa teia gera valor? como captura valor?

O2: Mesmo sendo apenas um dos nós da rede a Empresa Teia gera valor para os atores da rede multiplicando os poucos caminhos de desenvolvimento sustentável que eles conheciam antes por fazer parte de processos hierárquicos e centralizados que se caracterizam pela escassez de caminhos. Em uma organização distribuída, em rede, cada conexão (pessoa, empresa ou instituição) é uma nova possibilidade para a malha toda. E isto é exponencial pois cada um que entra é atraído pelo que já está lá e ao entrar adensa a malha que fica mais atraente para quem não tinha entrado ainda e por ai vai….

SM:  já há casos e/ou exemplos onde se pode ver a empresa teia competindo com empresas, digamos, "normais"?

O2: Não diria nem competindo, nem “normais”. Não é para ser político não, mas é que o entendimento comum sobre o que significam estas palavras não batem com o que vemos no dia a dia em rede. Primeiro porque trabalhando em rede a multiplicidade de caminhos é tão gigantesca e abundante que até acontecem embates entre concorrentes no primeiro momento mas depois a coisa tende mais para a coopetição. Mas para não parecer que fugimos da resposta, olhando pela ótica tradicional, já existem sim vários casos de “vitória” de atores que estão conectados à Empresa Teia sobre atores que não estão. Quanto ao segundo termo, alguém já disse: de perto, ninguém é normal!…

SM:  você acha que é possível criar "teias" eficazes e eficientes para que mercados? quais seriam as dificuldades fundamentais?

O2: A TEIA é a rede. A rede é a sociedade. A sociedade é para todo mundo e todo mundo é a sociedade. Portanto, por definição, esta iniciativa tem que atender a qualquer um. As dificuldades são culturais. Não é comum encontrar quem entenda as diferenças entre a sociedade do conhecimento e a sociedade industrial sem fazer comparações ou juízo de valor. Normalmente as pessoas ficam inseguras em função do desconhecido. Na verdade, a inovação é um processo muito duro e difícil e gera inseguranças enormes. Isto atrasa a entrada das pessoas em um mundo que se reorganiza em rede numa velocidade exponencial e pode significar um  grande risco de exclusão econômica no futuro. É aí que atuamos. tentando dar a segurança que as pessoas precisam para seguir adiante.

SM: como poderíamos fomentar mais "empresas teia"?

O2: Bom, depende. Nós quem cara pálida? Do ponto de vista do desenvolvimento sustentável seria um grande avanço se os gestores públicos começassem a fomentar a criação de redes pela sociedade em vez de querer colocar a sociedade dentro de suas redes. A experiência do TEIA em Minas Gerais deveria ser melhor compreendida por outras instâncias de governo no próprio estado e também em outros estados. O mais difícil já foi feito por lá, pois o investimento foi amortizado e o conhecimento adquirido é público. Quanto a outras instâncias da sociedade que não o governo é necessário investir no entendimento do que são redes, suas características distribuídas e os impactos disto em seus objetivos. Qualquer empresa pode se tornar uma empresa Teia, ou seja, uma empresa que é uma rede.

SM: da sua experiência até aqui, o que você recomendaria para outros empreendedores que pensassem em criar uma empresa como a teia?…

O2: 3 coisas: 1. Comece já; 2. Comece já e… 3. Comece já. E não tenha medo do erro. Não é filosofia de vida. É matemática. Na sociedade industrial desenvolveu-se um preconceito contra o erro pois ele custava muito caro. Da forma como as coisas eram feitas a mobilização de recursos humanos, tecnológicos e financeiros para se iniciar qualquer empreendimento eram muito grandes e portanto qualquer erro detectado tinha que ser corrigido a um custo muito grande. Na sociedade do conhecimento o erro não tem custo (ou tem custo muito mais baixo do que na economia industrial) e, sendo assim, se torna matéria prima do aprendizado que é o verdadeiro ativo do processo. Não existem barreiras de entrada e errando é que se constrói o patrimônio… que é o conhecimento. Portanto comece ontem e não tenha medo de errar.

SM: como você compara a empresa teia com negócios como zooppa.com e rentacoder.com? elas são especializações da "teia" ou nem isso dá pra dizer?

O2: Sim, apesar de achar que o termo não é exatamente este concordo com a idéia de especializações da "teia". São comunidades de especialistas  trabalhando (crowdsourcing) em rede globalmente, não são? Tanto os profissionais quanto empresas e instituições que estão nas redes que conectamos ainda não desenvolveram o hábito de se relacionar desta maneira. Também aqueles que já são iniciados não conseguem acompanhar a evolução quantitativa e qualitativa destes serviços e suas possibilidades. Me passaram a imagem abaixo outro dia. É uma tentativa de conseguir visualizar de forma categorizada as opções de crowdsourcing no mundo. Este monte de informação é só o início do projeto. [ao leitor: clique na imagem para ver com maior resolução].

CrowdsourcingLandscape_v1

Agora olha que legal a imagem abaixo:

jequiteia

É uma iniciativa espontânea de jovens ligados à teia do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Levam conhecimento sobre ferramentas, processos e culturas da sociedade do conhecimento para localidades remotas no norte do estado. Fazem isto ajudando as pessoas a montar redes locais (veja algumas neste mapa). A empresa Teia os apóia neste desafio e as redes que nascem vão sendo conectadas na malha. Aí aparece a oportunidade de conectar estas redes a mecanismos de crowdsourcing já existentes no mundo todo e desta forma criamos novas possibilidades nas relações de trabalho desta comunidade.Fazemos esta conexão de várias formas. Uma delas é o ROTEIA (www.roteia.com.br) que permite que a evolução destes contatos tenha cara de chamados em um helpdesk e, em função da nossa mediação (e não intermediação), as diferenças de cultura, língua e conhecimento são atenuadas e aí a coisa anda para todo mundo.

SM: que outros casos nacionais e mundiais perecidos com a "teia" você citaria?…

O2: Infelizmente não conheço. Não fiz nenhuma pesquisa estruturada mas temos contato cotidiano com vários players globais e todos se mostram surpresos com a nossa forma de trabalhar e comentam que não conheciam nada assim. Falo com a maior humildade do mundo e sem achar que isto seja vantagem. Não é bom ser o único em nada.Se tivéssemos outros atuando desta forma, o nosso negócio seria potencializado com mais conexões e poderíamos ser mais úteis ainda para os nossos clientes. Na vida em rede pra valer a visão sobre concorrência é outra. Acho que isto é assim porque o entendimento sobre redes, fluxos e modelos de negócio atrelados a eles ainda não estão totalmente absorvidos. A boa notícia é que avança aceleradamente.

agora, pense: que partes de sua empresa, ou da empresa em que você trabalha poderiam se tornar "teias"? agora, dentro de 5, 10, 15 anos? como? com quem? pra quem? e, talvez mais importante, por que?…

pra ajudar na reflexão, pense que o inglês network pode significar rede, as redes das quais dependem a empresa teia para funcionar, ela própria, como uma rede. mas, tanto quanto, network quer dizer trabalho em rede ou, na forma net work, significa trabalho líquido, o resultado do trabalho depois que tiramos tudo o que foi feito pra realizar as funções que entregamos, na ponta, como resultado. 

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

empresa "teia"? como assim? [1]

Tags:, , , , , - srlm às 08:00

oswaldo oliveira [daqui pra frente, O2] está há tempos no negócio de redes sociais, das reais inclusive. O2 estava no peabirus desde 2006 e foi coordenador do projeto TEIA [tecnologia, empreendedorismo e inovação aplicados] em minas gerais, cujo objetivo era ser…

…uma rede de prestadores de serviços e de conhecimento que, usando ferramentas e aplicativos da Web 2.0, auxiliam empresas, escolas, associações, sindicatos, departamentos governamentais e todos os participantes das comunidades locais, a trabalharem seus projetos na internet, com o objetivo de promover a inovação nos processos econômicos, políticos e sociais.

se tudo é software e todo o software está em rede ou indo pra lá, o projeto TEIA tinha a clara intenção de ser uma rede de agentes que cooperavam para criar condições para comunidades locais, normalmente remotas e desassistidas, participarem da web 2.0 [e, diria eu, 3.0] como instituições de primeira classe.

pois bem. O2 resolveu oxigenar o ambiente de negócios do país propondo a primeira empresa totalmente em rede, totalmente distribuída do país e, seguramente, uma das primeiras do planeta. de acordo com uma classificação que fizemos aqui no blog, a empresa teia é um exemplo de competências e capacidades estratégicas em redes sociais de e para negócios, como uma tentativa de fazer uma empresa no nível mais alto de sofisticação em rede, ou seja…

nove: a empresa –ou empreendimento- é uma rede social de fato; toda a conversa [corporativa] é viral e os processos de negócio, internos e externos, são realizados em comunidades das mais diversas redes sociais, inclusive e principalmente a sua.

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antes de descrever este nível, o texto do blog avisa que isso só deve ser tentado se… "você passou por um estágio de transformação real de seu negócio em uma rede onde tudo o que pode e deve ser aberto e colaborativo o é". O2 e seus parceiros da empresa teia sabem muito do assunto e já passaram por um tanto de coisas e aprenderam muito no caminho. a seguir, a primeira parte de sua entrevista para o blog.

silvio m.: o que é, o que faz e como funciona a empresa teia?

oswaldo oliveira: A empresa teia é uma infra estrutura completa para quem quer desenvolver um projeto em rede. Tem como missão oferecer soluções que viabilizem a evolução sustentável de quem quer articular, fazer negócios ou trabalhar em rede. Conecta pessoas, instituições e empresas que querem se integrar nos fluxos da sociedade em rede independentemente do nível de maturidade em que estão. Faz isto utilizando  ferramentas, serviços, processos, ambientes e conexões disponíveis na nuvem computacional da internet.

SM: qual foi a sua motivação para empreender este conceito?

O2: Nos últimos 10 anos, trabalhamos com projetos compartilhados e contribuídos na internet. Fomos evoluindo em conjunto com a rede e amadurecendo o entendimento de que além de compartilhada e contribuída a internet é, principalmente, distribuída. Em função disto -e no melhor estilo darwiniano -nos adaptamos. Nossa última atuação como empresa “tradicional” foi a implantação do projeto TEIA MG - Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados para a  SECTES - Secretaria de Ciência, Tecnologia, e Ensino Superior do governo do estado de Minas Gerais.

O objeto do contrato era o de criar uma rede que massificasse os conceitos da sociedade em rede como uma das estratégias para criar um ambiente favorável à inovação em Minas. Além disto, este projeto tinha que atingir a auto sustentabilidade. Os contratantes entendiam que o projeto só tem sentido, pelos próprios conceitos que tenta multiplicar, se conseguir gerar a sua própria receita independentemente de novos aportes de recursos públicos. Conseguimos atingir este objetivo com aproximadamente 18 meses de projeto (em abril de 2010). Depois de ter conseguido isto achamos que tínhamos amadurecido o suficiente para criar uma empresa que fosse 100% em rede, ou seja, totalmente distribuída, sem hierarquias, sem dono, sem centro. 

SM: como as pessoas participam? como se remuneram?

O2: Na verdade, não é bem participar. É mais se conectar. Em geral, existem 3 tipos de interessados em torno de uma rede:

A. Os articuladores: Percebem a existência de uma rede social (pessoas interagindo por afinidade) mesmo sem estarem visíveis em alguma ferramenta de mídia social. Detectam aí uma oportunidade de acelerar seus  objetivos sejam eles quais forem: Empresariais, Educacionais, Artísticos, Políticos, etc. Querem “empreender uma rede” mas esbarram em obstáculos vários. Principalmente de conhecimento e de financiamento do empreendimento. A Empresa Teia quebra esta inércia conectando-os a redes que já existem, mostrando como começar sem colocar dinheiro, como  adquirir massa crítica daí para frente, como  achar e mobilizar pessoas para trabalhar junto e como gerar receita no empreendimento.

B. Os fornecedores: Em geral são empresas (mas podem ser pessoas e instituições também) que tem produtos e serviços que são de interesse dos membros de uma ou mais redes. Normalmente enxergam as pessoas somente como público alvo e não como comunidade. Em função disto querem desenvolver ações de comunicação (publicidade) que é o que se acostumaram a fazer no modelo broadcast da sociedade industrial. A Empresa Teia auxilia-os a perceber a comunidade e a se integrar no dia a dia dela, entendendo-a, atendendo-a e desenvolvendo-se junto ela.

C. Os trabalhadores: São pessoas de todas os tipos. De todas as origens, idades, sexo, cor e religião. Só tem uma coisa em comum: a vontade de não trabalhar em organizações tradicionais que os aprisiona pela padronização. Querem aprender coisas novas todo dia. Querem interagir com pessoas no mundo inteiro. Intuem que agora, com a internet, existem alternativas ao modelo da sociedade industrial para o seu desenvolvimento profissional e querem se integrar a isto. Querem ganhar dinheiro mas também querem ser livres. Querem liberdade sustentável! A Empresa Teia os ajuda a viabilizar esta intuição conectando-os a empreendimentos que estão sendo desenvolvidos em rede.

amanhã vamos descobrir como a empresa teia gera e captura valor, se ela se sente competindo com alguém e com quem se compara no cenário de negócios. até lá. enquanto isso, pense: você trabalharia numa empresa totalmente distribuída, sem hierarquias, sem dono, sem centro?

 

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

o império contra ataca

nada como revelar uns poucos [face ao total, claro] segredos do poder  e dos poderosos para que a resposta, feroz e precisa, venha atrás de quem, sabendo ou não das consequências, abriu o bico ou a caixa de pandora.

o blog disse [no último post] e repetiu [analisando o "cableGate" na CBN] que as sociedades e a diplomacia mundial, além da política local e da vida pessoal, estão baseados em –porque construídos sobre- assimetria de informação. isso quer dizer que nunca, em tempo algum, ninguém sabe [ou deveria saber] tudo sobre qualquer outro alguém que lhe interessa, sob pena da ruína relacional imediata. o que sempre leva a processos dolorosos, quando não impossíveis, de reconstrução das ligações perdidas ou interrompidas.

por isso que o cableGate causado pelo wikiLeaks tem impactos tão espalhados e profundos. claro que se sabe que os donos da arábia saudita gostariam muito de fazer sumir o irã atual; mas um diplomata americano dizendo que eles realmente dizem isso?… não tem preço. claro que se sabe que, mesmo aqui, pedaços inteiros do governo não se bicam; mas ler um telegrama do ex-embaixador americano clifford sobel dizendo isso com todas as letras tem outro peso. e um outro conjunto de medidas.

Wikileaks cables breakdown

os exemplos são tantos que nem vale a pena citar. e são tão demolidores que a secretária de estado hillary clinton disse que a coisa toda é um golpe nas relações internacionais. se é, e o povo do wikiLeaks deveria saber e sabe que é, sim, desde que o material lhe veio às mãos, ninguém demoraria muito para ligar os pontos e descobrir que o atacado, se tão poderoso, se voltaria contra o atacante.

julian "wikiLeaks" assange está sendo procurado pela interpol, face a uma ordem de prisão emitida na suécia, que quer investigá-lo por estupro e tem gente bem situada no poder internacional [e não só nos EUA] que defende que ele deveria ser, simplesmente, executado. isso é parte [natural, nas circunstâncias] da guerra fria contra wikiLeaks. quer esteja envolvido ou não no incidente do qual é acusado, assange deve ter visto pelo menos uma [dúzia!] de filmes onde tal cenário [o poder, acuado, reage com força desmesurada contra o indivíduo, indefeso] onde se dá tal tipo de situação.

e isso é o de menos, porque o verdadeiro contra-ataque do império foi, na prática, forçar a amazon.AWS, a banda da amazon que provê serviços de informaticidade [veja nossa definição aqui], a não mais servir de plataforma de suporte ao wikiLeaks. aí é onde a coisa pega. veja só:

Sen. Joe Lieberman (I-CT), the chairman of the Senate Homeland Security Committee… said in a statement that Amazon’s "decision to cut off Wikileaks now is the right decision and should set the standard for other companies Wikileaks is using to distribute its illegally seized material."

Committee staff had seen news reports yesterday that Wikileaks was being hosted on Amazon’s servers… Staffers then… called Amazon to ask about it, and left questions with a press secretary including, "Are there plans to take the site down?"

Amazon called them back this morning to say they had kicked Wikileaks off… Amazon said the site had violated unspecified terms of use.

então: um senador americano, não por acaso o presidente do comitê de segurança nacional, perguntou à amazon se "havia planos pra detonar wikiLeaks", que havia saído de seu provedor, na suécia, por causa de ataques ao site. a amazon "cumpriu a ordem" [que deve ter vindo também de muitas outras fontes e causado um imenso debate interno...], anunciando que o site violava seus "termos de uso", que tentam evitar [a promoção de] atividades ilegais. que se saiba, wikiLeaks não está sendo processado por nada e muito menos foi condenado por qualquer coisa.

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em debate está muito mais do que a simples suspensão do serviço de suporte a wikiLeaks. no passado, quando os jornais de papel faziam a cabeça do povo, governos de todos os tipos atacaram suas plataformas de redação, impressão e distribuição, restringindo o papel de impressão, invadindo redações, prendendo, espancando e matando jornalistas. basta passear pela história do última hora, de samuel wainer, pra entender parte do contexto.

o problema que nós precisamos tratar daqui pra frente é mais ou menos descrito assim:

se a liberdade de informar e o direito de ser informado são essenciais para a democracia e se tal liberdade e direito dependem, cada vez mais, de informaticidade [ou do provimento de sistemas e informação em rede], como garantir que as infraestruturas, serviços e aplicações que sustentam as fontes de informação de todos as vertentes de política e poder possam ser usadas, livres de pressão e censura, por todos e qualquer um, garantidos os preceitos da legislação vigente?…

forçar a saída de wikiLeaks da amazon não foi uma ação muito esperta, mesmo que não possa ser debitada diretamente ao governo americano. haverá outras formas de armazenar e distribuir o cableGate e, em última análise, a coisa toda pode parar no torrent, até porque a advocacia das grandes empresas, provável próximo alvo do wikiLeaks, não vai descansar enquanto o site estiver no ar.

aliás, se isso acontecer, estaremos vendo a reedição, na era das redes, dos samiztadt que mantiveram viva o que havia de oposição à ditadura soviética. vai ver que é aí mesmo onde vamos parar…

 

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