Terra Magazine

terça-feira, 29 de março de 2011

varejo, loja, web, preços… e o comércio social

Tags:, , , , - srlm às 08:00

tente comprar um note ou netbook. por onde você começaria? perguntando pra um carinha numa loja qualquer? acho que não, pelo menos na vasta maioria dos casos, a menos que você conheça [e respeite] um deles.

imagepor outro lado, você pode ter um daqueles sobrinhos que parece descender direto de caras como turing, church, gödel, von neumann, shannon, wiener, bush, kleinrock, , berners-lee e castells, só pra citar uns poucos. se seu apadrinhado é este cara, parabéns, ouça-o e tome nota do que ele [ou ela] acha que vai servir pra você. mas cuidado: se o carinha é um dos "fascinados por tecnologia" e aconselha a compra de "tecnologia", o último-grito-da-moda, ao invés de uma combinação de custo e benefício que atende requisitos de performance, usabilidade e preço [por exemplo]… corra. muito, e rápido. você [nem ninguém] quer comprar "tecnologia"… mas solução.

[peraí: quem são os sobrenomes em laranja do parágrafo anterior? são umas poucas das muitas personalidades por trás das teorias fundamentais da informaticidade... a infraestrutura do espaço informacional em que vivemos. a lista, claro, é só um pequeno exemplo de nomes e há muitos mais...]

bem, depois de decidir umas poucas coisas [é pra navegar? é pra jogar? que tipo de jogo?... tem modelagem geométrica na parada?...] e ver um número de alternativas na web, talvez nos sites dos fabricantes e certamente em avaliações de revistas de informática e blogs especializados… você vai em alguma ferramenta de comparação de preços e vê onde é mais barato.

normal; olha só o que a nielsen descobriu, no mundo inteiro:

…online reviews are playing an increasingly important role in purchasing decisions; 57% of online respondents consider reviews prior to purchase, particularly for cars, software and consumer electronics; and 40% of participants said they would not even buy electronics without consulting online reviews beforehand.

imagequarenta por cento dos potenciais consumidores nem pensariam em comprar alguma coisa sem levar avaliações online em consideração. até porque o produto em pauta, apesar da sofisticação tecnológica de seu design, componentes, peças, fabricação e software embutido… é uma commodity. não no sentido de grãos de soja ou pelotas de minério de ferro, claro. mas… qual é mesmo a diferença entre trinta modelos de laptops que usam placas desenhadas pelo mesmo fabricante e software do mesmo fornecedor? o "look and feel" do teclado? o plástico-com-jeito-de-alumínio da estrutura?…

mas tergiverso. você foi lá no buscapé e descobriu que "seu" laptop está na loja eletrônica "x", por um preço bem, mas bem mais barato do que a concorrência. e as chances são altas, muito altas, de que você vai fazer esta compra online. veja o que diz a imagem abaixo, deste gráfico do mashable, sobre compras online:

image

na letra miúda está escrito que, na américa latina, pelo menos um terço dos compradores prefere comprar em lojas online que também têm uma loja física. somos desconfiados; metade ou mais dos americanos declara comprar em lojas que só existem online. mas tirando a áfrica, somos todos parecidos: mas de 80% de nossas populações dizem já ter feito alguma compra online. no caso da américa latina, acho o número exagerado e acredito que inclua carga de celular pela rede [celular], o que não deixa de ser uma "compra online".

então, a cena é a seguinte: você achou o menor preço numa loja online de uma rede física e, morando a quarteirões poucos do lugar, vai até lá ver se consegue o mesmo preço da internet e, no topo disso, ainda ajuda o ambiente. como o notebook que você queria já está na esquina, não vai ser preciso transportar mais um pra perto da sua casa… era só você fechar o negócio ali perto, pegar a coisa no estoque e ir cuidar da sua vida, jogando cityVille, que fosse.

nada disso: na loja "de verdade", o notebook é R$200 mais caro que na web; na web, a entrega é grátis para todo o brasil. então estamos falando de 200 pilas a mais mesmo. mas o vendedor diz… "senhor, eu gostaria muito de não perder esta venda, mas o fato é que não competimos com nossa própria loja online". detalhe: ele me diz que "competimos com outras lojas online, mas não com nossa própria…", ao que eu pergunto se a função da loja deles, online, é destruir a loja física vendendo produtos quase 20% mais baratos desde que você tope esperar seis dias para receber o bem em casa. o vendedor, que tem mais coisa pra fazer, dá uma rabissaca sem palavras e vai vender um ventilador a algum incauto [ou desconectado?...] que ainda não sabe que na web está mais barato… e com frete grátis.

as lojas online das redes físicas parecem ser, de verdade, empresas diferentes. o consumidor, cada vez mais digital, conectado e móvel, sabe entrar na rede a partir da loja de cimento e tijolos e, se não souber liga pra casa e, como já vi mais de uma vez, pede: "minha filha, veja aí na internet o preço da geladeira X, modelo Y… e veja o preço da entrega também…" e lá se foi o negócio para a loja física e seu vendedor, que vive mais da comissão do que do salário.

vamos combinar que muitas das lojas físicas de quem tem lojas virtuais vivem de assimetria de informação, da aposta que uma certa parcela dos consumidores ainda não está em rede ou não domina os instrumentos que lhe possibilitariam, literalmente, usar informação de qualidade a seu favor. mas isso não vai durar muito, as lojas que se preparem. o comércio eletrônico no brasil já passa o faturamento de todos os shoppings da cidade de são paulo combinados e vem crescendo a taxas acima de 30% por ano.

como se não bastasse, sabe mais o que está para acontecer? uma revolução de comércio social, um mercado cujo substrato são os grafos sociais que vem sendo construídos em ambientes como faceBook, twitter, linkedIn e tantos outros, mudança radical que vai desmantelar até uma boa parte do comércio eletrônico clássico.

se eu fosse o gerente da loja física onde tentei comprar um laptop pelo preço da [sua] loja na web anteontem… eu ia ver a apresentação que fiz ontem, em recife, sobre social commerce, para lançamento da plataforma de comércio social clubox. e iria conversar, e a sério, com a galera da minha própria empresa que decidiu me detonar via web. antes que fosse tarde. demais…

image

Blogs que citam este Post

segunda-feira, 28 de março de 2011

o voo, decifrado?

Tags:, , , , - srlm às 09:49

uma das cenas mais intrigantes de blade runner, um dos maiores clássicos da ficção científica, é o "vôo da coruja". a coruja, claro, é um android, e abre a cena em que deckard [harrison ford] se encontra com rachael [sean young]. você pode conferir no vídeo abaixo.

o "voo da coruja": deckard se encontra com rachel em blade runner
por alguma –e misteriosa- razão, a platéia do filme [isso lá em 1982, e de lá pra cá] ficava pelo menos tão impressionada com a possibilidade de uma coruja "artifical" do que com os replicantes hiperdotados do filme de sir ridley scott. e muita gente ficou mais preocupado com a coruja –que voa, claro- do que com "meros humanóides"… tão parecidos conosco e, se tão fortes, tão frágeis, pois de tempo de vida limitadíssimo.

pois: a festo, uma empresa alemã, anunciou recentemente uma "gaivota artificial" que replica, literalmente, o voo de uma herring gull.  você pode conferir o vídeo da coisa voando abaixo…

festo smartBird: um dos primeiros "pássaros artificiais"…

…onde a empresa não brinca em serviço e diz que sua gaivota artificial "decodifica o voo" dos pássaros, um dos objetivos da humanidade há milênios. sem jogar tanto confete, o fato é que o smartBird da festo decola, voa e pousa sozinho. ainda é, basicamente, uma obra de engenharia mecatrônica e tem pouca capacidade de percepção e processamento, digamos, onboard..

mas imagine, partindo deste ponto, onde se pode chegar. veja o vídeo de novo e pense nas possibilidades das próximas gerações da gaivota e outros replicantes dentro de oito anos, já que blade runner se dava logo ali, em 2019. e radicalize: e daqui a vinte, trinta, cinquenta anos?…

image

Blogs que citam este Post

quarta-feira, 23 de março de 2011

educação empreendedora: 19

este post é parte de uma série sobre educação empreendedora, derivado de uma palestra dada no sebrae nacional, em brasilia, no 27 de janeiro passado. pode até ser que você entenda o texto que se segue sem ler os posts anteriores; mas os textos foram escritos como se fossem uma palestra, uma conversa, o que significa que há uma sequência, começo meio e, espero, um fim, uma conclusão que faça sentido.

o primeiro post da série está neste link… passe por lá, até para entender o preâmbulo e contexto desta conversa.

nesta série, antes deste texto: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18; depois, nenhum, ainda. simbora.

. : . : . : .

nosso problema hoje é tentar discutir porque e como a política nacional de empreendedorismo deveria mudar…

…que é uma política de retrovisor, destinada principalmente a evitar que os "coitados" dos empreendedores em dificuldades entrem em processo falimentar, para uma de…

…que, se quisermos, é uma política de óculos [se olhar muito perto], binóculos [se pensar um pouco mais longe] ou telescópio, se realmente pensar do tamanho do país, de suas oportunidades e do papel dos novos negócios inovadores de crescimento empreendedor no aumento da performance da economia nacional.

a figura abaixo é um link para o modelo de empreendedorismo usado no global entrepreneurship monitor [GEM], página 13 deste documento.

image

caso você não vá lá’ver em melhor resolução do que o formato deste blog permite, saiba o GEM estuda o que está na parte verde escura da figura, que recebe o nome de "total early-stage entrepreneurship activity, TEA", o período que vai desde a criação do negócio até seus 3,5 anos de vida.

onde está o brasil neste cenário? a figura abaixo está na página 25 do relatório, que mostra a porcentagem da população entre 18 e 64 que está "em TEA", ou nos estágios iniciais do processo empreendedor.

image

o brasil não está mal; nas economias em desenvolvimento [o grupo da esquerda do gráfico], a maioria das pessoas que está empreendendo e o alto grau de TEA se deve à pobreza, falta de oportunidades de trabalho ou colapso econômico do país em pauta. o ponto mais alto da curva, mais de 50% em TEA, está vanuatu. o brasil tem TEA perto de 20%… com um problema, mostrado na figura abaixo…

image

…que mostra nosso nível de empreendedorismo por necessidade em relação ao PIB per capita em termos de poder paritário de compra: estamos "fora da curva" e para estar nela deveríamos diminuir em 50% a galera empreendendo por necessidade. pra lembrar, este é povo que está montando um negócio porque não encontra outra ocupação econômica… muito provavelmente a galera atendida pelo "retrovisor" da políticas públicas de empreendedorismo. será que é por causa do que o gráfico abaixo demonstra?…

image

o histograma acima diz que só 20% dos empreendedores em estágio inicial de construção de seus negócios, por aqui, acha que vai criar 20 ou mais empregos. igual a à zâmbia e bolívia. e metade da áfrica do sul, e menos da metade de chile e colômbia.

nosso "pequeno empreendedor" pensa muito pequeno e, pelo visto, não gera tantos empregos quantos poderia gerar. por que? pela percepção de risco nas relações trabalhistas? sentimento de incapacidade empreendedora? falta de preparo? falta de recursos, baixa densidade da cadeia de valor de investimentos, excesso de impostos sobre a folha ou sobre todo o negócio?… é preciso descobrir e agir sobre as causas… senão sempre estaremos muito abaixo do potencial de empreendedorismo do país. e, como se sabe, mais empreendimentos significa mais trabalho, mais empregos.

se você achou que nossos problemas terminavam aí, lamento desapontá-lo. dos 59 países analisados no relatório GEM 2010, temos o menor índice de inovação na avaliação dos próprios empreendedores, e ficamos abaixo de uganda!…

image

… seguido do menor índice de internacionalização entre nossos pares, globalmente acima apenas de gana e índia, e por muito pouco, como mostra o histograma abaixo.

image

aí não dá mesmo; sem inovar e sem pensar no mundo como mercado, reféns de uma política paleolítica de "substituição de importações", usufrutuários de reservas de mercado resultantes de barreiras injustificáveis criadas e mantidas por nós e para nós que estamos aqui, porque o brasil é um país "difícil"… tem como resultado, no cenário global de inovação e empreendedorismo… que não iremos para lugar nenhum. e, óbvio, que não vai levar muito tempo para a propaganda oficial desqualificar o relatório do GEM e dizer que não… pelos "nossos" dados, somos os tais.

se somos mesmo, se fôssemos, porque a balança comercial de tecnologia é tão desfavorável aos nossos interesses?…

o diagrama abaixo [do paper foresight in economic development policy: shaping the institutional context for entrepreneurial innovation, de colwell e narayanan, neste link] descreve um cenário que pode explicar porque nós, no brasil, estamos onde estamos.

image

somos uma economia emergente, então estamos na coluna do meio. e nosso ambiente para empreendedorismo e investimento empreendedor se situa entre a base e o topo desta coluna, mais para a base do que para o topo, na minha opinião. ou seja, estamos no estágio de desenvolvimento de uma cultura empreendedora que encoraja ações criadoras e aceita a falha e o sucesso empreendedor, com algumas poucas e desarticuladas ações destinadas  a desenvolver as macro instituições que apóiam a atividade empreendedora ao mesmo tempo em que gradualmente se remove as barreiras para tal.

sem querer ser pessimista ou desnecessariamente desestimular ninguém, por aqui fala-se muito na [e da] micro e pequena empresa e seus problemas, nas dificuldades e do quase heroísmo do pequeno empreendedor, dos cabeludos problemas da malha burocrática e fiscal, sabidamente complexas demais, e toda uma ladainha que não precisamos repetir.

aí, entra governo e sai governo, há promessas muitas de se criar condições efetivas para diminuir [em muito] a mortalidade das empresas nascentes e aumentar seu potencial econômico [e de geração de empregos]… e o resultado disso tudo é… a criação de um ministério para micro e pequenas empresas. ou seja, resolve-se aumentar o tamanho do governo, como se a única forma de realizar políticas públicas fosse através do aumento do tamanho da máquina estatal. será que o novo ente federal vai, pelo menos, se articular com o SEBRAE?… ou irá competir com ele? no brasil, ninguém nunca sabe, pois nossos governos parecem ser feitos de estrutura só na coleta de impostos; todo o resto é conjuntura.

uma coisa é certa: precisamos subir a escada das políticas de suporte ao empreendedorismo, em escala nacional, e uma das coisas que isso deveria implicar seria um foco, político, estratégico, tático, operacional, objetivo, determinado e de longo prazo em micro e pequenas empresas promissoras.

e quem são elas? pense… e claro, você acertou: são os novos negócios inovadores de crescimento empreendedor. são as iniciativas que podem mudar para melhor nossa posição em todos os gráficos acima… e que dependem, entre muitos outros, da solução dos problemas apontados pelos gráficos abaixo.

aidis et al. fizeram um estudo que considera os vários fatores que definem o grau de liberdade de um mercado e o compararam ao tamanho do governo…

image

…num monte de países. e olhe só o que eles encontraram:

image

o tamanho do governo em relação à economia, no brasil, é maior que na argentina e méxico e o grau de liberdade do mercado é menor que na áfrica do sul e jordânia.

isso não pode ser bom, não é? o que aidis et al. concluem, na sua pesquisa, usando dados do mesmo GEM que mencionamos acima?… que "entrepreneurial entry is inversely related to the size of the government, and more weakly to the extent of corruption". que quanto maior é o estado [e a corrupção] menores são as chances de que se comece novos negócios. poderíamos adicionar que menores ainda são as chances de se começar negócios inovadores e que empregam mais gente, se a geografia onde estariam tem um estado grande, confuso e instável.

por isso que a tese desta série, desde lá do segundo capítulo, é que o estado tem tres papeis principais no  apoio à inovação e empreendedorismo: 1. educar gente; 2. criar oportunidades e 3. sair da frente. e o que fica cada vez mais claro é que precisamos de um conjunto de políticas públicas –e não necessariamente de um ministério a mais- que efetivamente realizem estas tres coisas, senão vamos continuar chovendo no molhado e vendo, ainda por muito tempo, gráficos e histogramas como os desta página.

passando a limpo nossa conversa, apoiar as MPEs [ou SMEs, na terminologia inglesa] mais promissoras quer dizer 1. educar mais gente, com mais qualidade, com uma visão de mundo e não de seu quintal, gente muito melhor educada e com uma visão global a partir do seu local; 2. criar oportunidades efetivas de empreender, reescrevendo de forma radical as regras para tal no país, incentivando o empreendedorismo e o investimento de risco em novos negócios empreendedores de crescimento inovador e redesenhando os mecanismos já existentes de apoio e suporte ao empreendedorismo, visando empresas mais inovadoras e capazes de gerar mais trabalho, emprego, renda e sua distribuição e 3. sair da frente.

sair da frente, claro, é uma "meia palavra". pra um bom governo, meia palavra basta. o governo, um bom governo, tem muito o que fazer para estar gastando sua preciosa energia se metendo em tudo. um bom governo se concentra no que tem que fazer e só pode ser feito pelo governo e sai da frente e abre espaço para quem sabe, pode e quer fazer o resto melhor do que ele.

ficou longa, nossa conversa de hoje? ficou, desculpem. mas o assunto não era simples não. talvez seja mais fácil e direto falar, no nosso próximo encontro, da formação das…

image

…de seu negócio. não saia daí… e até lá.

Blogs que citam este Post

segunda-feira, 21 de março de 2011

educação empreendedora: 18

Tags:, , , , - srlm às 07:00

este post é parte de uma série sobre educação empreendedora, derivado de uma palestra dada no sebrae nacional, em brasilia, no 27 de janeiro passado. pode até ser que você entenda o texto que se segue sem ler os posts anteriores; mas os textos foram escritos como se fossem uma palestra, uma conversa, o que significa que há uma sequência, começo meio e, espero, um fim, uma conclusão que faça sentido.

o primeiro post da série está neste link… passe por lá, até para entender o preâmbulo e contexto desta conversa.

nesta série, antes deste texto: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17; depois, nenhum, ainda. simbora.

. : . : . : .

depois de termos passado um monte de tempo falando sobre modelos [e plano] de negócios e as perguntas de wadhwa, nossa conversa de hoje parte do princípio que nosso[a] candidata[o] a empreendedor[a]…

…o que não é tarefa menos difícil do que tudo o que já foi discutido até aqui. mas também não é nada que não se consiga alcançar, desde que haja imaginação, dedicação e determinação, associadas a uma idéia que faça sentido e capacidade –pelo menos em potencial- de transformá-la num negócio de verdade.

você pode até achar que as pré-condições acima são muito estritas, certo? mas deixe eu contar uma história [verdadeira]. o c.e.s.a.r, além de ser um instituto de inovação, também é uma fábrica de empreendimentos e gerador de novos negócios. há quinze anos que a instituição está no mercado de inovação e, direta ou indiretamente, participou do processo de criação de dezenas de negócios, além de ter ganho dois prêmios finep [2004 e 2010].

daí que um monte de gente vem aqui conversar, assumindo que somos, pelo menos em um estágio inicial, investidores em potencial do negócio deles. de um tempo para cá, criei uma regra pra quem quer conversar comigo sobre um novo negócio: só nos encontramos se houver, na parada, dois ou mais indivíduos. por que? ora, se você está pensando em começar um novo negócio e não consegue convencer seus mais próximos colegas e amigos a entrar na aventura, como é que você vai me convencer?…

o começo do time, para o investidor em potencial, é de fundamental importância. investidores de sucesso não se associam às idéias das pessoas, mas às pessoas. por um grande número de razões, onde a menor das quais não é a dinâmica de mercado e competição, a maioria dos investimentos começa indo para um lugar e acaba em outro completamente diferente. e pra que isso dê certo é preciso que as pessoas nas quais se está investindo realmente tenham condições de empreender. e não só de empreender aquela idéia específica lá do ponto de partida..

investidores não procuram por idéias, mas por capacidade de execução. nunca se assuste se um investidor qualquer já conhecer a vasta maioria das "idéias" que você discutir com ele. investidores conversam com muita gente [para escolher oportunidades e empreendedores capazes], investem em muita gente ao mesmo tempo [o que quer dizer que terão pouco tempo para você; use bem o tempo que que conseguir conquistar...] e trabalham em conjunto com outros investidores, tanto abaixo como acima de sua posição na cadeia de valor.

onstartups cash connections

aliás, isso é alguma coisa que você tem que descobrir quando "achar" um investidor: se for preciso de mais recursos [mais rodadas de investimento], de mais contatos, de outras capacidades… "seu" investidor está isolado, parado no espaço-tempo sem se relacionar com ninguém e achando que sozinho [por mais recursos que tenha...] resolve todas as necessidades de seu empreendimento? fuja! vai ser um mau negócio pra você [e pra ele].

quando se constrói um novo negócio, é essencial pensar que a empresa resultante é, em si. um produto. alguma hora se encerra o ciclo daquela oportunidade, por abertura de capital, venda, fusão ou falência [sim, pense em falência também... empreendedorismo é risco] e você, o empreendedor, vai partir para um novo negócio. ou seja, vai precisar de uma rede de investidores, de novo… mesmo que seu negócio anterior tenha dado resultados que lhe transformem, também, em um investidor. se for isso, aí é que você precisa de uma rede mesmo.

uma coisa que muita gente empreendedora não consegue fazer é montar, evoluir e manter uma rede de investidores durante o processo de criação de um novo negócio inovador de crescimento empreendedor. e talvez seja este o mais importante resultado de sua primeira tentativa de montar um negócio, já assumindo que, na primeira vez, você será muito mais aprendiz do que na segunda e que as chances de errar, e muito, são grandes. e bota grande nisso.

o que deveria fazer com que os empreendedores devessem olhar para a rede de investidores que se envolveu diretamente na sua tentativa de montar um negócio como o principal resultado de seu esforço. lamentavelmente, no estágio atual do capital empreendedor no brasil, não é isso que ocorre quase sempre, como deveria ser o caso. muita gente boa se perde e destrói suas redes de contatos, investimentos, relacionamento e de valor, por falta de entendimento do processo combinado de empreendimento e investimento e das tensões e riscos daí resultantes. é uma pena, mas é o caso.

será que isso quer dizer que os empreendedores deveriam se comportar como coelhinhos numa mata cheia de raposas e fazer tudo o que deles se exige? não. parece que empreendedores são de vênus e investidores são de marte: encontre seus pares e, todo o tempo, tenha sinceridade com base de suas relações. no topo disso, se lembre o tempo todo que há agendas e agendas… e que os investidores têm as deles e você, as suas. de certa forma, trata-se de descobrir qual é o "casamento" que funciona. e tem pra todo mundo. senão, como uma rede de investidores botaria oito milhões de dólares em… control-C?…

se lembre que nem todos os investidores são iguais. há os "tim draper" e "sequoia" e outros dos quais só as pessoas "do meio" ouvirão falar. sejam eles que forem, uma coisa é certa: você não deve ir atrás do "dinheiro" do investidor, pois esta é a coisa menos importante que ele pode lhe oferecer. se for só isso que ele quer investir na sua iniciativa, corra, antes que seja tarde. já passei por isso em mais de um projeto e, mais do que atrapalhar, é um clássico agente de destruição de valor.

o investidor tem que se envolver no processo, tem que trazer sua agenda, visão de mundo, perguntas [sim, perguntas, muitas perguntas!] suas idéias, conexões, redes pessoais, de negócios, tudo. senão ele lhe passa o cheque e, de tres em tres meses, quer saber o que aconteceu. se por acaso der certo, ele vai achar que foi por causa do dinheiro dele e, em quase 100% dos casos, não foi. se der errado, é culpa sua, que não soube cuidar do dinheiro dele. isso se não rolar uma desconfiança de que você botou o dinheiro no bolso [isso se não houver gastado tudo na noite] ao invés de ter "trabalhado para o negócio dar certo".

Desperation

conclusão? o investidor vai lhe fazer um monte de perguntas, tentando descobrir como e o que você vai empreender. faça o mesmo, pergunte muito, pergunte tudo o que for preciso até descobrir o que e como ele vai investir no seu novo negócio. principalmente se ele for muito próximo, como pai ou irmão e, ainda mais radicalmente, cunhado: não saber exatamente onde se está pisando não destrói apenas redes de contatos e negócios, mas amizades e, pior, famílias inteiras.

mais: imagine que tudo, mas tudo mesmo vai [no sentido de pode] dar errado. eu penso assim. e aí cuide para que não dê [eu tento fazer isso]… e suas chances melhoram muito.

PS: se você chegou até aqui, continue e leia o texto abaixo, que escrevi em 2006, no tempo em que ainda usava maiúsculas. parece "antigo", mas ainda sigo as mesmas regras [como empreendedor] sempre que posso. e sempre que não uso dá errado. é a existência e observância de regras como essas que, se fosse seu investidor, eu iria cobrar. sem ter algo parecido… duvido que você descubra, atraia, desenvolva e mantenha uma rede de investidores que faça sentido para o desenvolvimento de seu negócio. e tem até uma regra, aí, sobre as "mentiras dos investidores"… vá ler.

Vez por outra sou assaltado, no meio da noite, por pesadelos vários. Dia destes foi Pedro, meu quatro-anos-de-idade, que apareceu num sonho e, como se fosse de verdade, me acordou. É que, como ele não dorme uma simples noite inteira desde que nasceu, quando me aparece em sonho me acordando, acho que é pra valer e me acordo mesmo. Ainda bem que meu sono está sempre atrasado e durmo de novo muito rapidamente. Senão…

Noutras noites, muito tarde, às vezes, penso em começar um novo negócio. Estive na Newstorm e no Radix, o que não foi pouco, observei o nascimento (e morte de muitos novos negócios), estou na Qualiti há alguns anos e no c.e.s.a.r há uma década. Neste, que é um instituto de inovação, cada dia aparece uma proposta de novo negócio, então não tenho o que reclamar da variedade, complexidade e novidade dos problemas que despencam sobre minha mesa todas as manhãs. Mas, um dia destes, alguém me perguntou, de bate-pronto, andando em alguma praia… “o que é que faz um novo negócio de tecnologia de informação”?

Muitas respostas. E pra cada uma delas, muitas coisas a pesar, medir e equilibrar. Mas se eu fosse, uma hora destas, começar um novo negócio onde a corda passasse perto do meu pescoço (qualquer um que tenha estado em um startup de tecnologia sabe o que isso significa) eu usaria um conjunto pequeno e muito simples de regras pra jogar o jogo, que vez por outra, os investidores olham pra você e dizem… “jogado”. O que significa, normalmente, que você perdeu.

Primeira regra: tenha apenas os melhores – na sua opinião, e você, como melhor, na deles - como seus parceiros de aventura. Quando –se a você couber- escolher os melhores, lembre-se que um negócio de tecnologia de informação é muito mais que pura e simples tecnologia. Algum de vocês é o “vendedor nato”? Um outro entende de dinheiro, mesmo? Algum outro tem cara, jeito, fala e age como um sargento dos fuzileiros navais, pois é ele quem vai organizar e liderar –e não comandar- o time que deveria, se tudo corresse bem, desenvolver e botar pra rodar o software, a infra-estrutura, do seu negócio? Pois é, ter os melhores em tudo é o ponto de partida para um novo negócio que tem alguma chance de dar certo. Mas não é tudo.

Segunda regra: tão importante quanto a primeira, por sinal. Estas pessoas todas, que você juntou no passo anterior, têm, em cada um, a certeza de que o que vocês estão tentando fazer é o sonho de cada um e de todos? Vocês não precisam ser muitos, pra começar; mas seja lá o que vocês tentarão fazer, vai dar um trabalho danado. Vidas pessoais, e as relações de vocês com outras pessoas, vão possivelmente sentir muito do efeito deste novo negócio que vocês estão prestes a começar. Melhor, portanto, ter certeza de que todo mundo está lendo a mesma página do livro, pra ninguém vir, depois, com estórias de trancoso, acusando um ou outro de ter logrado os que, depois, se dirão de boa fé. Um preceito geral, de vida, que a gente aprende depois de velho, é que os amigos, de verdade, estão acima de tudo; é dificílimo fazer novos amigos, ainda mais depois de uma dada rodagem, quando nossos crivos são mais radicais. Logo, principalmente se você tem amigos no lance, tenha muito cuidado. Se tiver parentes ou, pior, marido ou mulher, aí é dialogar muito antes e depois de começar a peripécia. Pra não ter que conversar muito mais depois de acabar. Ou se apartar, o que é ainda mais grave… e às vezes conseqüência direta da aventura.

Terceira regra: dado que vocês são a turma certa e estão lendo a mesma página do manual da vida, será que estão fazendo a coisa certa, no momento certo, do jeito certo, pro mercado apropriado, com o conjunto necessário e suficiente de insumos? Complicado isso, não?… Será que não poderia ser mais simples? Não… Pode até ser que a sorte lhe abra portas; mas todas evidências são de que a galera que tem sorte é exatamente a melhor preparada: no lugar certo, na hora certa, com a oferta certa, pelo preço certo, exatamente na hora em que o mercado quer justamente… algo parecido com aquilo que está sendo ofertado. Não é preciso acertar tudo, claro; mas é preciso chegar bem perto… pra ter a tal sorte.

Quarta regra: desenhe seu negócio e faça com que todo mundo do time inicial entenda quais são os pontos críticos, as prioridades, qual o papel dos primeiros clientes, mesmo que eles não paguem, para a coisa começar a dar certo. Desenhar um negócio para fora da sua iniciativa, com um cliente, sempre implica, principalmente numa empresa que começa, em redesenhar a parte de dentro de seu negócio para atender o cliente. Confiar na competência do time de vendas mas não ter a competência correspondente para entregar as promessas vendidas é um caminho certo para a bancarrota prematura. Parece fácil alinhar vendas (e receitas, que pagam salários e contas) e execução (que entrega resultados)… mas, me acredite: em mais de trinta anos de software quase nunca vi uma entrega fácil. Melhor assumir, então, que vai dar rolo sempre, se as precauções devidas não forem tomadas. Daí porque a…

Quinta regra é fundamental: prepare-se para crises. Um negócio dos que a gente chama “de tecnologia” é também “de cultura”. O tal desenho vendido para fora combinado com o redesenho interno para recriar o mundo externo (dentro de seu negócio) cria, por sua vez, tensões de muito grande porte. Destas que implodem negócios pela explosão de pessoas e relações. Entre as lembranças que me vêm à mente, estão diretores levando café da manhã a programadores, sem o que o sol não ia nascer no próximo dia do negócio. Sem falar na quantidade de horas que o staff mais experimentado vai gastar, no seu negócio, para convencer clientes que algum idiota (seu melhor engenheiro de software) não tem bom senso, ao mesmo tempo em que convence um dos gênios do seu negócio (sim, o mesmo idiota) de que o cliente, por acaso o pagador do salário dele (e de suas contas) tem, ou deveria ter, razão. Sempre, por sinal. Se seu negócio só tiver uma grande crise por dia, no começo, jogue suas mãos para o céu. Vai ajudar muito quando você precisar seguir a…

Sexta regra: você é a alma da companhia. Independentemente de vocês terem obedecido as três primeiras regras à risca, em tempos de tensão e crise você vai ser sim, sozinho, o “débil mental sem-noção que nos enfiou, a todos, nesta aventura idiota e sem fim, onde só temos a perder”. Renovar seu espírito, todo dia, várias vezes por dia, será peça-chave de seu repertório pessoal de preparação para injetar ânimo em espíritos que estão, talvez, partindo para a mais franca e sincera animosidade entre si, contra o mundo e… contra você. No meu caso, sempre trabalhei dia, noite, domingos e feriados para construir negócios, sem nunca ter esperado um obrigado de ninguém. Muito pelo contrário, a estrada ficou cheia de gente que, por mais que eu tenha tentado, acha que não fiz o que deveria ter feito, além de tê-los enganado, escondido informação, faltado com a verdade, sem falar nos que, analisando todas as alternativas possíveis, acham pura e simplesmente que eu não passo de um… deixa pra lá. Se você não consegue dormir com as conseqüências da assimetria de informação causada pela (velocidade de) criação de um novo negócio, coisa montada sobre urgências e emergências, nem comece. Porque sempre vai haver gente que preferirá a pior interpretação de seus atos. E você tem que ser à prova disso, ainda mais se tiver certeza de que não está faltando com seus princípios, valores, com sua ética e moral. Dito isto, chegue, todo dia, pronto pra enfrentar as adversidades; nem com sorriso falso de esconder derrotas, nem cabisbaixo, derrotado: chegue pronto. Para o que der e vier. Quando sair, saia de vez; nada de ficar arranjando desculpas e falsos motivos pelos cantos. Peça pra sair e saia, como homem (ou mulher).

Sétima regra: até aqui, exigiu-se de você o que é humanamente possível. O sobre-humano, sem o que quase nenhum negócio de tecnologia dá certo… é: transforme sua vida no seu negócio e vice-versa. Workaholic é muito pouco; torne-se maníaco; veja clientes, parceiros, desenvolvedores, vendedores, investidores, alianças, competidores, em todo mundo, lugar, dia, hora. Enquanto estiver decolando sua iniciativa, só pense nisso, tanto quanto pilotos, tripulação de cabine, turbinas e até passageiros se concentram na decolagem de um avião, Em altitude de cruzeiro e sem turbulência, qualquer um, quase literalmente, toca qualquer negócio. Danado é na decolagem. Aliás, se você não estiver disposto a seguir esta sétima, talvez seja bom nem começar. Pior do que falhar tentando arduamente, é saber que falhou por não ter se dedicado como deveria, aliás, como se exige de um empreendedor de vera.

Penúltima regra: tome cuidado com as mentiras que vão lhe contar. Você ouvirá mentiras sobre tudo, muitas delas na forma de promessas irrealizáveis, de associados, parceiros, potenciais compradores… Em especial, previna-se contra investidores, sem sair de perto deles, que podem ser a força e luz de seu negócio, mas também seu fim. Guy Kawasaki, que entende muito do assunto, montou uma lista com as principais mentiras dos investidores, que vale a pena ser lida com atenção até para você descobrir que seu investidor é diferente. Ou confirmar que ele é igual a todos.

Última regra: não minta pra ninguém. Sinceridade pode até fazer mal a muita gente, principalmente os incompetentes e, mais do que a estes, aos preguiçosos, interesseiros, carreiristas, conspiradores, derrotistas e todo tipo de escória que coabita o mundo conosco. Mas no fim é a verdade que reina. Peça desculpas antecipadamente e, com toda a delicadeza, diga o que você pensa sem agredir, mas com firmeza. Mais do que dizer o que você pensa, se há dados idôneos e confiáveis que sustentam suas opiniões, ponha-os à mesa. Não se engane, não engane os outros, muito menos seus parceiros e associados. O mesmo Guy Kawasaki tem uma lista muito boa das mentiras dos empreendedores, e vale a pena você ir lá ver se, mesmo com toda a lisura com que você acha que age, não está pisando no tomate aqui e ali. E muito.

De resto, que o tempo, o vento e a sorte ajudem, e muito, você e sua trupe. Vocês vão precisar.

no nosso próximo capítulo, vamos discutir porque o foco da política nacional de empreendedorismo deveria mudar…

image

para…

image

…sem o que nossa performance na criação de novos negócios inovadores de crescimento empreendedor ficará no mesmo patamar de hoje, ou seja, muito abaixo do que poderia ser num país tão rico, complexo e de tantas oportunidades como o nosso.

Blogs que citam este Post

sexta-feira, 18 de março de 2011

um bloguinho, um milhão?

srlm às 09:14

parte da blogosfera e das redes sociais brasileiras despertou, dia destes, com a revelação de que uma das grandes divas da canção nacional iria "receber" mais de um milhão de reais para… botar um blog no ar.

para muitos deve ser assustador, considerando que qualquer um tem à disposição, e gratuitamente, dezenas de ferramentas e ambientes de criação e publicação na web. ainda mais porque destes ambientes e da inspiração e dedicação de indivíduos em todas as partes do mundo têm surgido grandes sucessos da web, vez por outra transportados para a mídia de massa. como foi o caso, no carnaval, de "vou não, posso não…" e de outras pérolas da cultura nacional e mundial.

aqui neste TERRA, o diretor do projeto do "blog" atacou o "patrulhamento idiota" que vem sofrendo, o que não abateu o fervor da discussão, até porque o projeto, apesar de privado, será realizado com recursos de isenção de impostos. e é aí onde está o problema, para o projeto, seus proponentes e a vida brasileira.

fosse o nosso um país mais simples, haveria uma regra qualquer no sistema de imposto de renda dizendo que qualquer cidadão ou negócio pode investir uma parcela de seus impostos a pagar em atividades e bens culturais que beneficiem a cidadania como um todo. aí, o cidadão poderia comprar telas, montar um museu particular… desde que tal instituição fosse aberta ao público, gratuitamente, um número de dias por ano. simples assim. e é assim que funciona em muitas partes do mundo civilizado.

e eu e o leitor, em conjunto com outras 1.700 pessoas, poderíamos doar, cada um, R$1.000 de nossos impostos a pagar [desde que dentro das tais regras simples de um "novo" imposto de renda...] para cobrir o orçamento original do projeto de um "blog" cultural, fosse o que está sendo discutido esta semana u qualquer outro. isso seria um problema de nossa economia privada, eu e mais 1.699 pessoas, fãs da cantora, do cantor, poeta, pintor ou o que fosse. e o assunto estaria encerrado aí.

ou quase: o trabalho teria que ser feito, os recursos teriam que ser aplicados nele e, alguma hora, algum tipo de processo de auditoria de investimentos oriundos de renúncias fiscais iria conferir se os fundos não teriam desaparecido pelo ralo. assim é que a coisa toda deveria funcionar.

mas não, aqui é o brasil e o estado… uma babá, cuidando para que só seja feito, pelas crianças traquinas que todos parecemos aos olhos da vasta, confusa, ineficaz e ineficiente burocracia estatal, o que "pode" ser feito, o que é autorizado pelos cartórios federais, estaduais e municipais. e, claro, pelos privados.

resultado? o "blog" teve que pedir autorização a um cartório federal, situado no minC, para captar os recursos. aí, lá no cartório do minC, se reúne uma comissão de sábios que decide não só que projetos podem ou não captar recursos mas quanto cada um pode, entrando no mérito de cada proposta, cortando aqui, modificando ali, literalmente tutelando a iniciativa de cada proponente, cerceando sua criatividade, limitando a inovação em potencial e por aí vai. e este não é só o caso do cartório do minC; são milhares de cartórios controlando a vida nacional em todos os níveis.

aí é onde o país está de cabeça pra baixo. o problema não é o "blog". o problema, gigantesco e histórico, é o sistema, é a tutela da vida nacional, das relações privadas, das trabalhistas até culturais, que estamos nos impondo há séculos. e que, quando discutimos como agora, apontamos todos os dedos para o "blog". e as pessoas do "blog" reagem, com muitos argumentos de qualidade, inclusive… mas nenhum deles apontando para a insanidade do sistema que nos cerca, no qual estamos imersos.

ou mudamos o sistema, simplificando-o imensamente, dando mais largura de banda para pessoas e instituições atuarem, ou seremos sempre um país travado, confuso, e burro. porque todo sistema de muitas e conflitantes regras leva necessariamente a um emburrecimento de todos os agentes privados e da sociedade como um todo. quanto mais específica e minutária é a intromissão do estado na vida das pessoas, menos somos nós mesmos, mais somos uma massa homogênea sob um controle central.

isso sem falar que quanto mais difícil se torna cumprir todas as regras, por causa da inerente complexidade de sistemas que têm muitas delas, maior o potencial de corrupção, ética, moral e concreta, na bolsa e no bolso, porque sempre haverá, em tais sistemas, um grande mercado de criação de dificuldades para se vender facilidades.

resultado? o problema não é um "blog" que obtém uma licença para captar um financiamento milionário. o problema é o sistema como um todo, burro como ele só. e é ao sistema, muito mais que ao "blog", que todos nós deveríamos estar dirigindo nossas críticas e exigindo mudanças.

porque enquanto o sistema for como é… vai continuar sendo absolutamente legal se pedir uma licença para captar fundos milionários para o que quer que pareça cultural. mas no brasil, na vasta maioria dos casos, preferimos criticar a conjuntura ao invés de combater a estrutura. será que não está na hora de mudarmos a forma de lidar com este tipo de problema?…

pra terminar… no caso de um projeto como este, com os propósitos, pessoas e competências envolvidas, com as redes [sociais e muito mais] de que participam, como agentes de primeira linha… eu aposto que, mesmo sem qualquer isenção, se houvesse um "livro de ouro" [como o que sustentava o taperoá F. C. na década de 50] para ser assinado a mil reais por linha, com direito a créditos e agradecimentos no "blog"… os 1.700 mecenas-fãs apareceriam em menos de 72 horas. ou não?…

Blogs que citam este Post

terça-feira, 15 de março de 2011

educação empreendedora: 17

este post é parte de uma série sobre educação empreendedora, derivado de uma palestra dada no sebrae nacional, em brasilia, no 27 de janeiro passado. pode até ser que você entenda o texto que se segue sem ler os posts anteriores; mas os textos foram escritos como se fossem uma palestra, uma conversa, o que significa que há uma sequência, começo meio e, espero, um fim, uma conclusão que faça sentido.

o primeiro post da série está neste link… passe por lá, até para entender o preâmbulo e contexto desta conversa.

nesta série, antes deste texto: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16; depois, nenhum, ainda. simbora.

. : . : . : .

começamos a falar da necessidade de descobrir, definir e desenvolver um modelo de negócios para seu novo negócio inovador de crescimento empreendedor neste texto, discutimos os problemas de como descobrir e atingir consumidores e clientes que associamos ao problema de entender a competição e diferenciação de sua oferta neste outro. passamos pelos problemas estratégicos e operacionais de produção, custos e preços neste aqui, no texto logo anterior a este discutimos os problemas de vendas e distribuição que você tem que tratar e, hoje, quase para terminar as considerações sobre seu modelo de negócios, é hora de pensarmos, em conjunto, se você já tem ou está desenhando…

image

já sabemos que os princípios para qualquer tipo de negócio de sucesso são: colaboradores satisfeitos, excelência no atendimento e clientes satisfeitos. e até pode parecer simples ter ou fazer um atendimento de excelência… mas não é não.

se lembre que seu negócio vai gerar trabalho e empregos, mas não mais do que for necessário e suficiente. se você tiver mais gente do que precisa é provável que os custos cheguem muito perto [ou passem] do faturamento e aí vai tudo por água abaixo. inclusive os postos de trabalho [todos!] que você estava gerando. por outro lado, não se deve ter menos gente do que necessário para rodar o negócio, sob pena de seus colaboradores, insatisfeitos com a carga de trabalho, não conseguirem prestar o tal do atendimento de excelência.

o diagrama abaixo mostra, vagamente, os tipos de "offices" que você deveria ter para três classes básicas de serviços: quanto mais acima e mais à esquerda, maior o contato humano, maior o esforço de atendimento para cada usuário. se você estiver vendendo celulares [direita, lá embaixo] e tratando os compradores como se fossem clientes de uma clínica de saúde [esquerda, cá em cima]… você tem um problema…image

…que não deveria ter.

pra isso que existem métodos e processos, transformados em sistemas de informação, responsáveis pelo gerenciamento do ciclo de vida de informação no negócio, de tal forma que humanos só precisem entrar em ação quando for absolutamente necessário. especialmente se for para dar uma boa notícia ao consumidor.

imaginem o susto que levei quando meu provedor de telefonia ligou [através de uma pessoa, claro] para perguntar se eu não queria optar por um plano mais barato, já que não estava usando todos os minutos pelos quais pagava na minha conta. refeito da surpresa, aceitei a oferta, a mudança foi feita na hora, agradeci e o provedor ganhou minha fidelidade "para sempre até que ele faça uma grande besteira".

sim, porque atendimento gera satisfação, mas toda satisfação é temporária. depende do contexto, competição e desejos e demandas do consumidor… como mostra a figura abaixo, um modelo de satisfação de usuários de restaurantes à la carte [em português, neste link].

image

nada, pois, garante que sua oferta e atendimento de hoje sejam competitivos daqui a seis meses. você tem que dormir e acordar pensando no que sua oferta e atendimento correspondente vai fazer para garantir a satisfação de seus usuários. até porque, na maioria dos casos, antes dos [potenciais] consumidores falarem com algum humano no seu time, o contato direto com seu negócio será através de um conjunto de processos [online, por exemplo] onde as pessoas deveriam encontrar o que estão procurando de forma simples e rápida. pense nos últimos serviços que você tentou usar, online, e conte quantos são simples, diretos, intuitivos e ágeis. quantos?

não é sempre que, do zero, você [ou mesmo grandes empresas] consegue criar o atendimento de excelência que gera usuários [quase] sempre satisfeitos. se seu novo negócio tiver meios [convença o investidor!...] procure uma turma como a ponto de referência, que vive intensamente e há muito tempo o negócio de atendimento. estamos falando de métodos, processos, consultoria e gente que entende de atendimento. vá atrás.

image

se seu atendimento for competente [mesmo sem ser espetacular...] uma coisa que é sempre capaz de garantir a satisfação dos consumidores é eles perceberem que estão pagando um "preço justo" por um "serviço de qualidade". claro que preço justo é algo muito difícil de definir em qualquer contexto. mas uma das definições é que "preço justo" é o que permite ao fornecedor "cobrir seus custos" e ter "um lucro razoável".

isso equivale a determinar uma espécie de "limite moral" para lucros que se pode ter por serviço prestado ou produto fornecido. é exatamente isso que leva parte dos usuários das operadoras móveis brasileiras, que considera os serviços prestados "abaixo da crítica", mas que ao mesmo tempo vê os lucros das prestadoras "acima do aceitável, em função da qualidade do serviço prestado"… a considerar que o comportamento das operadoras está aquém dos parâmetros éticos que deveriam balizar as concessionárias de serviços públicos.

mesmo se você não for uma operadora, o equilíbrio entre atendimento [ou qualidade de serviço, como percebida pelo consumidor], geração e valor [para o consumidor], satisfação [do consumidor] e sacrifícios [idem] depende de uma rede muito complexa de fatores, que foi modelada por wang e outros neste artigo [acesso só para assinantes] e que é mostrada na figura abaixo.

image

por causa de tal complexidade é que talvez você precise mesmo de ajuda de gente como a ponto de referência para desenrolar um modelo e operações para seu atendimento, da mesma forma que você não vai criar toda uma rede de valor de crédito [pense na complexidade, esforço, tempo...] só porque seu negócio aceita um cartão qualquer. isso já faz parte do cenário e não usar tais soluções, já existentes, só não é sinal de incompetência se você tiver descoberto –e tiver condições para empreender- negócios inovadores para certas coisas que você precisa que, schumpeterianamente [!] vão cuidar da destruição criativa [de parte] do contexto ao seu redor.

lembre-se que quase todo negócio que começou antes do seu é uma preciosa fonte de conhecimento, inclusive os que deram e estão dando errado. com estes, você aprende; com os que estão dando certo, um dos seus papéis, como empreendedor, é formar redes de valor usado todos os agentes que possam agregar valor ao seu negócio, mantendo um núcleo de valor que é diferenciadamente seu.

imagevoltando a valores e preços… preço é um condicionante muito sensível para qualquer um e para seus clientes e usuários também. em um mercado perfeito, é lá que o preço se determina. isso exigiria que todos os agentes de mercado obedecessem as mesmas regras e que fosse possível comparar as ofertas para produtos comparáveis de forma comparável e que tal comparação pudesse ser usada de forma ideal para tomada de decisão objetiva sobre o quando se gastar para ter que bens e serviços.

talvez seja melhor pensar que "preço justo" é aquele com o qual tanto fornecedores como consumidores concordam, dentro de condições de simetria de informação. danado é que, na maioria dos mercados e produtos, o que há é uma assimetria –às vezes radical- beneficiando o fornecedor.

se a gente deixar toda esta teoria pra lá, talvez seja interessante notar que muita gente está disposta a pagar caro por dispositivos e serviços que geram um lucro espantoso para seus fornecedores. isso certamente está relacionado à satisfação que a posse e/ou uso destes produtos e/ou serviços traz aos clientes e consumidores. ou seja: se seus clientes e consumidores estiverem muito satisfeitos com seu atendimento, é muito provável que eles não se preocupem muito com os lucros que você está tendo às custas deles. that’s life.

isso, por enquanto, dá conta da última das cinco perguntas de wadhwa. se você chegou até aqui, aproveite e vá ver este texto aqui do blog sobre reinvenção de modelos de negócios [inclusive e principalmente o seu], que começa bem assim:

seja lá qual for seu negócio, de padaria a alta tecnologia, as maiores e mais radicais possibilidades de inovação estão em inovar no próprio modelo de negócios, criando novos níveis de alcance, performance, satisfação de usuários, renda e margens. quem sabe, redefinindo o mercado.

aí, o exemplo canônico recente é a apple e o iPod, que chegou num mercado que já estava tomado por outros players… mas com um modelo de negócios que ligava o player às músicas, num ciclo de valor de hardware, software, conteúdo e serviços definido e controlado pela própria apple.

o resultado é conhecido: a apple saiu do zero para US$10B de faturamento em iPod/Tunes em 1000 dias, resultando numa multiplicação do valor de mercado da empresa por um fator de 150 no mesmo período.

como se vê, tudo a ver com o que estamos falando aqui e uma lembrança radical de que seu modelo de negócios não é uma constante e sim uma ampla matriz de variáveis. vá ler. no próximo texto, a gente vai falar de como, depois de ter pelo menos uma primeira versão consistente de tudo o que falamos até agora, como é que o nosso empreendedor…

image

fique conosco que, daquela apresentação de janeiro que fizemos para o sebrae e que estamos transformando neste pré-livro-em-forma-de-blog… só falta discutir 40 slides. hoje, se você quiser saber, demos conta do número 90. a gente chega lá, questão de tempo, aprendizado  e dedicação… para fazer o que for necessário para chegar lá. exatamente como é o caso de qualquer outro empreendimento.

Blogs que citam este Post

segunda-feira, 14 de março de 2011

educação empreendedora: 16

este post é parte de uma série sobre educação empreendedora, derivado de uma palestra dada no sebrae nacional, em brasilia, no 27 de janeiro passado. pode até ser que você entenda o texto que se segue sem ler os posts anteriores; mas os textos foram escritos como se fossem uma palestra, uma conversa, o que significa que há uma sequência, começo meio e, espero, um fim, uma conclusão que faça sentido.

o primeiro post da série está neste link… passe por lá, até para entender o preâmbulo e contexto desta conversa.

nesta série, antes deste texto: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15; depois, nenhum, ainda. simbora.

. : . : . : .

no texto anterior, falamos da necessidade, quase fundamental, de pensar seu startup como uma "transnacional". isso pode parecer estranho como parte do processo de descobrir, definir e desenvolver um modelo de negócios mas, se você não pensar assim, vai acabar fazendo mais um carrinho de churros na feira.

não que um carrinho de churros [na feira, inclusive] não seja um negócio legal, decente e honesto; é sim. e há carrinhos de churros que podem se tornar grandes negócios, se transformado em espaços gourmet… [como assim?... clique nos dois links anteriores] mas isso só rola quando se persegue algo bem maior do que fazer o melhor churros da feira. sem um alvo maior e/ou mais distante, nem o melhor da feira ele será.

hoje vamos falar de…

…do seu modelo de negócios, ou seja, você sabe como [e a quem] vender seu produto ou serviço e, feito isso, tem como distribuir [fisicamente] ou entregar o resultado [online, por exemplo]? observe, para começar, que as respostas a estas perguntas podem impactar as questões anteriores sobre seu modelo de negócios. como não poderia deixar de ser, e não por acaso: imagine que você consegue realmente vender muito, porque tem uma oferta matadora; feito isso, e se você não conseguir entregar seus produtos e serviços aos consumidores? será, quase sem dúvida, o fim de sua iniciativa.

e isso acontece –principalmente online- em muitos casos: alguém "vende" um serviço [pense twitter...] e não consegue entregar os resultados de forma consistente; vez por outra, um destes "alguéns" tem tanta sorte que consegue sobreviver a meses de serviço vaga-lume, como era o caso de twitter na partida. mas não conte com a sorte que eles tiveram, eles são um acaso na longa história de companhias que se mudaram para o grande cemitério de CNPJs exatamente por causa dos problemas aos quais eles, quase incrivelmente, sobreviveram.

assumindo que você vai pensar nos processos de vendas e distribuição como parte do mesmo problema, o que é mesmo que as pessoas "compram"? será que isso explicaria porque twitter "sobreviveu" aos seus primeiros muitos meses "baleiando"?… talvez. vejamos: segundo peter drucker, as pessoas compram qualidade. e o que é qualidade? simples: qualidade é…

image

…o que nos leva de volta a twitter: aparentemente os clientes do twitter –que no começo eram também os consumidores- queriam muito o serviço [até porque não havia nada igual à época] e estavam dispostos a pagar o preço cobrado. e o preço era [lá no começo] nenhum, em moeda, mas relevante, do ponto de vista de nosso investimento em tempo e perda de tempo quando o serviço, literalmente, sumia da rede.

continuando a olhar o caso do twitter, note que com o tempo nós [usuários] passamos a ser só consumidores do serviço e os [primeiros] clientes [como bing e google] passaram a pagar a twitter para usar nossos timelines –no caso das máquinas de busca, por exemplo, para melhorar seus resultados. para comparar com um modelo de negócios que você está desenvolvendo, leve em conta que twitter teve que pensar, implementar e operar dois mecanismos de venda e distribuição. o primeiro só gerava custos para o negócio: atender pessoas que queriam se comunicar através do serviço e, ao fazê-lo, criaram uma rede social que [de mais de uma forma] passou a sincronizar uma boa parte do planeta, a ponto de se dizer que "se não está acontecendo no twitter é porque não está acontecendo".

o segundo mecanismo de venda e distribuição, tornado possível somente porque twitter já havia atingido massa crítica de participação e contribuição de indivíduos e instituições, foi o de empacotar, vender e entregar, separado por local, tempo, assunto… etc., o conteúdo criado pelos usuários. é óbvio que os investidores pagaram a conta da criação da tal "massa crítica", como acontece em um grande número de instâncias.

se seu negócio depende da combinação de massa crítica de usuários e da aquisição de um [potencialmente pequeno] grupo de clientes, se lembre de que você precisa ter pelo menos dois conjuntos de processos e práticas de vendas e distribuição. e que seus investidores precisam ter o tempo e os recursos para pagar a conta entre o começo do primeiro e os resultados do segundo.

image

sem mudar de assunto, mas mudando de foco, vender não é mágica; vender qualquer coisa pode e deve ter como base métodos e processos, mesmo que seja a venda de algo tão abstrato como software. neste caso particular, aísa pereira vem fazendo um trabalho muito importante ao mostrar como se vende software de forma sistemática –e com resultados num número muito grande de empresas- e tem um processo de vendas de software codificado em livro e treinamento. olha só o que eu disse quando o livro saiu:

"Trata-se de uma obra prática, objetiva, destinada a profissionais da área de vendas de software, escrita para mudar o rumo dos processos - muito pouco entendidos, até hoje - de venda de software em empresas de todo tamanho. A profissionalização - no sentido da construção das teorias que levam às boas práticas - dos processos de venda de software tem, neste livro, um excelente primeiro texto, por sinal aliado a um excelente curso que vem sendo ministrado pela própria Aísa, com excepcional reconhecimento de qualidade por parte dos alunos."

se o cenário de seu negócio for outro, de churros a viagens de aventura, passando por incenso orgânico [!], tenho certeza de que é possível codificar, instrumentar, medir, avaliar e corrigir processos [isso, mais de um] de vendas que, devidamente associados a infraestruturas de distribuição, podem tornar seu novo negócio um dos líderes do setor. se ligue que isso pode não ser uma das coisas que você tem que saber antes de começar e que suas idéias sobre o que [e como, e por quanto, e para quem...] pode ser vendido devem ser parte deste grande e complexo experimento que é começar um novo negócio inovador de crescimento empreendedor.

o tal do mercado não sabe tudo, como a introdução de novos e inesperados produtos e serviços que ninguém estava "pedindo" tem demonstrado nas últimas décadas. mas, ao mesmo tempo, deve-se ouvir o mercado o tempo todo; demandas de clientes e consumidores são cada vez mais sofisticadas, complexas e interessantes [veja como é interessante este caso de um indie comic] e devem fazer parte da elaboração de seu processo de vendas e distribuição de produtos e serviços.

falando em distribuição física de bens, este é um capítulo à parte, que faz com que –por exemplo- o centro de distribuição da www.wine.com.br seja no aeroporto de palmas, no tocantins, e não no rio, são paulo ou mesmo brasília. se você acha que a escolha parece esdrúxula, vá ler parte das razões pelas quais a decisão faz todo sentido. mas… e se seu negócio fosse queijos finos, produto delicado, que tem que viajar refrigerado, e sua base estivesse a centenas de quilômetros dos centros consumidores… será os preços compensariam os custos?… num mercado onde não se pode cobrar prêmios das garrafas de vinhos finos que a wine entrega em todo o brasil em 48 horas?

neste artigo [só para assinantes] há uma análise dos fatores críticos de sucesso em operações de comércio eletrônico, usando leilões online de moda como exemplo. o caso não é tão atípico a ponto de não servir de modelo para outros negócios [como as redes de compras coletivas] e os autores chamam especial atenção para os problemas de gestão de fornecedores, armazenamento, estoque e distribuição e suas relações com a marca, qualidade, reputação e valor do serviço.

image

entrega é coisa complicada, especialmente em geografias onde não faz muito tempo que se estabeleceu a noção de que as coisas têm que chegar no prazo e em condições pristinas, como o usuário entende que comprou. falando nisso, se ele não recebe o que acha que comprou, você tem que resolver o problema da logística reversa, de como ele vai lhe mandar de volta o que recebeu e não quer, quando e como você vai devolver o que ele lhe pagou… e tudo isso tentando fazer com que esta –que deu errado- não seja a última vez que ele faz negócio com você. pense…

problemas, problemas, a vida do empreendedor é um longo e complexo rol de problemas. mesmo que seu novo negócio "só" dependa de entregas urbanas, saiba que tal "simplicidade" é tema de teses de doutorado, que começam por explicar o básico dos básicos, como mostra a figura abaixo.

image

em tempos onde as condições de mobilidade urbana são muito restritas, mesmo que você tenha acesso e meios de transporte, os problemas de distribuição não podem ser deixados para depois quando você pensa nas bases operacionais de seu negócio. pra ter uma idéia da complexidade das soluções, dê uma folheada nesta tese.

no próximo texto, vamos conversar sobre a última das perguntas de wadhwa: nossos processos e práticas cuidam de vendas e distribuição…

image

…? já falamos de atendimento e dissemos que era um dos tres pilares de um negócio de de sucesso. isso foi bem neste link. se você não lembra desta conversa, volte lá e leia, porque vai ser essencial para entender o próximo texto. até lá.

Blogs que citam este Post

quinta-feira, 10 de março de 2011

educação empreendedora: 15

este post é parte de uma série sobre educação empreendedora, derivado de uma palestra dada no sebrae nacional, em brasilia, no 27 de janeiro passado. pode até ser que você entenda o texto que se segue sem ler os posts anteriores; mas os textos foram escritos como se fossem uma palestra, uma conversa, o que significa que há uma sequência, começo meio e, espero, um fim, uma conclusão que faça sentido.

o primeiro post da série está neste link… passe por lá, até para entender o preâmbulo e contexto desta conversa.

nesta série, antes deste texto: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14; depois, nenhum, ainda. simbora.

. : . : . : .

passado o carnaval, que aqui em recife e olinda foi muito massa [apesar do calor danado] é hora de voltar à série sobre educação e empreendedorismo, antes que o carnaval chegue de novo. só pra você saber, a primeira saída da CABRA no carnaval de 2012 vai ser na quinta, dezesseis de fevereiro. prepare-se. mas, por enquanto, vamos deixar isso pra lá.

no texto anterior da série, discutimos as duas primeiras "perguntas de wadhwa", que são parte do problema mais amplo de descobrir, definir e desenvolver um modelo de negócios. perguntamos se nosso empreendedor vai conseguir…

…e se ele tem os meios para…

…dois problemas gigantescos em qualquer situação. o terceiro problema, que tratamos hoje, é se nosso modelo de negócios compreende uma…

…para o que vamos entregar para consumidores e clientes, mesmo que nosso produto seja virtual. aliás, talvez, principalmente se nosso produto for virtual, em função das muitas dependências existentes em um serviço entregue na rede em termos da web 3.0 [a rede, programável; vamos falar disso lá na frente]. lembre-se que nossa discussão está situada sempre no contexto da criação e desenvolvimento de novos negócios inovadores de crescimento empreendedor, o que pode dizer, neste caso, que temos o problema de desenhar um conjunto inovador de estratégias e operações de produção, associadas a seus custos e preços, que nos diferencie no mercado escolhido.

pois é, a vida do empreendedor inovador bem que poderia ser mais simples; mas não é. pra começar, estamos em mercados cada vez mais integrados, em rede, o tempo quase todo, a menos de uma reserva de mercado aqui ou ali. crise no oriente médio sempre resulta em aumento de preços de petróleo e gasolina ou prejuízo para as estatais que vivem neste mercado. de certa forma, todos os negócios –inclusive seu novo negócio- são transnacionais. como assim? olhe a figura abaixo…

image

…que está neste artigo de rudberg e west, e vem de um livro clássico de bartlett e ghoshal. ambos os textos tratam de grandes companhias, do tamanho da unilever e procter & gamble, o que certamente não é o caso do seu startup [se for, melhor ainda]. mas a idéia da figura, que serve de base para o conceito de corporações "transnacionais", é esclarecer o que são companhias globais [as que competem principalmente em custos, fazendo onde é mais barato... pense china e taiwan], as empresas multinacionais [que são capazes de dar melhores respostas nacionais, pois têm maior flexibilidade de atuação... pense ambev] e os negócios internacionais, que melhor usam a capacidade global de aprender e inovar e não são necessariamente os mais competitivas em custos e flexibilidade [pense apple e microsoft].

bartlett e ghoshal propuseram, em 1998, que a empresa transnacional é aquela que usa uma combinação destas tres estruturas [e estratégias, e operações] para competir, dinamicamente, em cenários onde o mercado e a e os competidores são multifacetados. isso não quer dizer que você tem que começar seu negócio com uma base em taiwan, se você fabrica alguma coisa física. mas trate de entender se [e como, e porque] um outro alguém, importando alguma coisa de taiwan [ou qualquer outro lugar] e adicionando parte do valor aqui [talvez daqui para o mundo], não vai por a perder todo o seu esforço, recursos e, principalmente, tempo.

imageentender significa aprender e possivelmente simular –e eventualmente exercitar- as possibilidades de formação de sua cadeia de valor que façam mais sentido. mesmo que seu negócio seja a tal pipoqueira do shopping: de onde vão vir seus insumos? e a manutenção do meio de produção… será feita por quem e a que custos? se seu novo negócio for uma padaria e vai vender vinhos [porque pão e queijos e frios levam a azeites e vinhos...] de onde virão? do intermediário de nível "N" na cadeia de valor de vinhos na sua região? ou de um outro, mais em conta, que você mesmo vai "desenvolver"?

o "transnacional" de bartlett e ghoshal, no cenário de um novo e pequeno negócio, de meios limitados, também pode ser reentendido dentro de um  mais-que-local, onde a escala de sua rede não precisa necessariamente envolver taiwan, se seu negócio precisa de componentes e sistemas eletrônicos. mas se ligue: se precisar, sua concorrência está –agora- usando skype [custo de ligação zero] e discutindo detalhes [em inglês macarrônico, como o seu e o do carinha lá de taiwan...] com um fornecedor de equipamentos de biometria… capaz de mandar uma amostra para o brasil de uma hora pra outra. se eu fosse você, certamente estaria pensando em startups transnacionais

image

quer saber mais por que? tenho visto pequenas empresas de [ou intensivas em] software gastarem semanas, meses, subindo a curva de aprendizado de um sistema qualquer [pense coisas que têm APIs ou pacotes de software aberto] ao invés de lançar um "job" num ambiente de trabalho virtual, onde centenas de milhares de trabalhadores estão à disposição e podem resolver o problema em horas e a custo muito baixo.

isso funciona. mesmo. leve em conta. especialmente se você também conseguir aprender durante o processo e puder ser parte da evolução da solução, com o tempo. mesmo que você seja uma companhia "de tecnologia", como às vezes se diz… e como quase nunca é verdade.

claro que você não deve simplesmente "mandar" alguém fazer alguma coisa e deixar pra lá; lembre-se que se seu negócio é intensivo em tecnologia, o entendimento da plataforma tecnológica, por um time que faz parte da sua empresa, pode ser um elemento chave de um processo de venda futura do negócio. mas que faz sentido fazer outsourcing de uma boa parte do que você teria que fazer dentro de casa, faz. especialmente se você tiver uma estratégia para tal. vá ver este artigo, do mesmo wadhwa das nossas cinco perguntas, para saber porque. aliás, lá no texto, e sem dizer porque, ele defende uma visão de mundo, para as micro e pequenas empresas, bem parecida com a que estamos explicando aqui.

o que nos leva de volta ao trabalho de rudberg e west e o conceito, por eles proposto, de model factory, que você vê na figura abaixo…

image

…e onde, no caso de seu startup, "global" não precisa significar "mundial" e sim do negócio como um todo. mas lembre-se de taiwan… e da china.

o que diz a figura? diz que você deveria articular seu empreendimento de tal forma que um número de grupos de competência, apoiados por processos, sistemas e ferramentas de suporte ao negócio, deveria trabalhar em rede, dentro de um fluxo continuado de informação e conhecimento sobre o que todos e o todo estão fazendo, de tal forma que, quando cada um tiver feito sua parte, o todo terá sido feito. articulação, coordenação e integração, o tempo todo, entre todos. por isso que não adianta simplesmente "terceirizar" uma parte de sua estratégia [e/ou operação] para um outro qualquer.

mudando de assunto, sua estratégia de negócios [e sua estratégia de operações] deve considerar os processos de seleção não natural que um novo negócio enfrenta, incluindo as escolhas [a agenda] dos investidores, que representam um dos conjuntos de filtros de mercado. se seu tipo de negócio ou sua estratégia para ele não passar por tal processo seletivo, é improvável que você se torne uma oportunidade de investimento.

e os investidores levam em conta, e numa peneira muito fina, qual é sua estratégia de capital humano e social: seu time é muito bom e está feliz trabalhando com você? as conexões que você já tem [no mercado] são boas e você tem facilidade de criar mais, se os investidores aparecerem com as oportunidades? ou você é marrento, turrão, desconfia de todo mundo…?

já dissemos nesta série que 98% de tudo, no seu negócio, é gente se não leu isso ainda, leia]. tenha, portanto e acima de tudo, uma estratégia simples, coerente e transparente para tratar gente [e como as pessoas vão mover sua rede de valor] e uma boa parte de sua estratégia "global" e de produção estará resolvida. e você estará trilhando um bom caminho para começar seu "startup transnacional".

no próximo texto, vamos falar de…

image

..mais um dos problemas de nossa já muito longa agenda de preocupações para todo empreendedor em potencial. até lá.

Blogs que citam este Post

quarta-feira, 2 de março de 2011

educação empreendedora: 14

este post é parte de uma série sobre educação empreendedora, derivado de uma palestra dada no sebrae nacional, em brasilia, no 27 de janeiro passado. pode até ser que você entenda o texto que se segue sem ler os posts anteriores; mas os textos foram escritos como se fossem uma palestra, uma conversa, o que significa que há uma sequência, começo meio e, espero, um fim, uma conclusão que faça sentido.

o primeiro post da série está neste link… passe por lá, até para entender o preâmbulo e contexto desta conversa.

nesta série, antes deste texto: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13; depois, nenhum, ainda. simbora.

. : . : . : .

no texto anterior da série, discutimos um bocado sobre o processo de…

vá lá ver o que rolou, até pra entender porque estamos discutindo, neste capítulo, o que convencionamos chamar de "as perguntas de wadhwa".

vivek wadhwa é visiting scholar da UC berkeley e escreveu em janeiro passado um texto [este] perguntando "o que é, exatamente, um modelo de negócios?". a discussão anterior serve de base para tentar responder um bom número de perguntas que você [se] fizer sobre o assunto, mas wadhwa as sumariza em sete questões, que transformamos em cinco, duas das quais tratadas neste texto.

a primeira e mais óbvia pergunta que temos que responder para validar nosso modelo de negócios está indo por um bom caminho é: será que vamos conseguir…

image

por mais trivial que a pergunta possa parecer, pense três vezes, pelo menos, antes de dizer que sabe a resposta. e que sabe, também, transformar a resposta em um processo que vai atrair consumidores e clientes. pra lembrar, consumidor é quem usa seu produto ou serviço; cliente é quem paga por isso. vez por outra, os dois são a mesma pessoa. mas no rádio e na TV aberta, por exemplo, eles são diferentes. o anunciante paga a conta, é o cliente; o espectador "consome" o conteúdo. é o consumidor que, vez por outra [?] paga o… pato, tendo que aguentar conteúdos abaixo da crítica. mas do "gosto" daquela tal média do público que interessa ao cliente.

na web, para a maioria das coisas, a situação é similar e a isso podemos chamar de modelos de negócio multifacetados: o "nem sempre quem paga é quem usa" uma dá conta de duas facetas e pode haver muitas outras.

imagemas volte a pensar em descobrir consumidores e clientes: mesmo quando ninguém atende um certo mercado, não é trivial criar um atendimento. quer ver? considere a oportunidade de construir redes sociais de pesquisadores e as dezenas de tentativas fracassadas de desenvolver um negócio baseado em tal público potencial, cujas necessidades específicas não são atendidas por redes sociais "genéricas" como faceBook.

a lista das razões pelas quais as muitas tentativas de entrar neste mercado falharam passa por 1. não levar em conta qual é o bem mais precioso para os pesquisadores… que talvez seja tempo; se for, apareça com algo que salve ou "crie" tempo; 2. falta de incentivos relevantes para a população alvo, inclusive e principalmente na partida e 3. não conseguir envolver os membros da rede em um ciclo virtuoso de interação, criação, captura e distribuição de valor.

e um passarinho me contou que razões como estas podem ter efeitos muito sérios nos mais de 300 [400?, 500?...] sites de compras coletivas que já temos no brasil, sem falar nos milhares mais que todo mundo e mais um bocado de gente está para lançar depois do carnaval.

assumindo que você vai tentar entender o mercado potencial [pesquisa de mercado, análises demográficas, do mercado de anunciantes, da cadeia de valor, de experiências passadas em setores correlatos...] para descobrir onde estão os consumidores e clientes e que atratores você vai usar para trazê-los para seu produto ou serviço, o próximo problema a ser enfrentado é…

image

…o que pode lhe levar a pensar que aqui só se fala de problemas complexos [talvez desnecessários?...] para você, seus parceiros e sua proposição de novo negócio.

mas lembre que estamos falando de "novo negócio inovador de crescimento empreendedor" e não de botar mais uma carrocinha de pipocas no shopping ou, já que falamos nisso ainda agora, "mais um" site de compras coletivas. o "mais um" é o tipo de "novo" negócio que não é nem inovador nem de crescimento empreendedor e não precisa passar pelo crivo destes textos.

competição pode ser um incentivo essencial para melhorar a qualidade dos produtos em um mercado. ainda melhor se for você que está entrando para oferecer um produto de melhor qualidade. mas pode ser um problema, se [no "seu" mercado] há firmas com poder para diminuir qualidade e levar os clientes para este novo "nível de serviço", matando seu produto ou, por outro lado, capazes de criar níveis de qualidade [e de serviço] tão altos que você não consegue encontrar uma brecha para entrar no mercado. ou, para entrar, tem que ser –ou vir a se tornar- tão grande e poderoso como eles.

pensou na aliança que google montou, com meio mundo de fabricantes, para competir com a apple/iPhone? acertou em cheio. note que o gPhone [leia android sobre qualquer smart hardware] é –teve que ser- uma rede, ao invés de um silo [como s apple] para ter gás suficiente para entrar no mercado. qual é a competição, para google? a apple. qual o diferencial do entrante? muitos: a rede de fabricantes de hardware, velocidade de desenvolvimento e evolução da plataforma, uma plataforma mais aberto e mais livre, não ir atrás dos "mods" abertamente disponíveis como cyanogen [que roda num dos meus milestones...] e por aí vai.

image

vez por outra ouço empreendedores [da área de tecnologias da informação e suas aplicações] dizerem que seu produto "está pronto" e "já é vencedor"… agora só falta "convencer uma operadora" [brasileira...] a "botar a coisa no mercado comigo". este é o tipo de ilusão que mata os mais competentes, determinados e bem intencionados empreendedores, com raríssimas exceções. você nunca emitiu uma nota fiscal e o diferencial da sua oferta passa por convencer uma tele brasileira que seu produto ou serviço vale a pena? esqueça.

não porque seja uma tele, e brasileira, mas você sabe quais são os casos em que um startup criou uma agenda estratégica e operacional, para um novo produto, numa empresa de bilhões de faturamento anual?… na prática, nenhum. nos livros texto e casos de estudo em MBA de empreendedorismo, um ou outro que se quer promover como exemplos, como se você seguisse os passos do empreendedor que, quase sempre por acaso, deu certo, você fosse escalar, mais rápido [porque está seguindo um "benchmark"], uma montanha ainda mais alta.

aqui pra nós, não é porque você assistiu "a rede social" que você agora sabe o que é um startup e, como se não bastasse, aprendeu tudo o que precisava saber para montar aquela rede social de pesquisadores de que falamos lá atrás. ou, quem sabe, seu site de compras coletivas…

diferenciação não deveria ser novidade para ninguém. passe por este texto de uma revista de construção civil, de 1991 cujo título é "indiferenciação pode ser o caminho do fracasso". logo na abertura [lembre-se de que estamos falando de construção civil... pedreiros e talz...], lê-se:

The 1990s will be the decade of the head, not the feet in construction. Working smart, not hard will keep construction companies in business. A primary focus for companies wanting to stay in the lead in an increasingly competitive marketplace is differentiation: something which makes a company stand out from the rest of the pack.

e isso era construção civil no começo dos anos 90. vinte anos depois, qual você acha que é a demanda por diferenciação no setor de, por exemplo, sistemas de informação ou serviços web ou, ainda, aplicações móveis?…

mas… [sempre há um mas na atribulada vida do empreendedor] mesmo sabendo que seu negócio pode depender de diferenciação para nascer, crescer e continuar vivo, é bom tomar nota de que, em certos mercados [pense acomodações-padrão, como discutido neste artigo] diferenciação pode não valer a pena. como talvez não valha, no caso da pipoqueira do shopping, produzir trinta diferentes tipos de pipocas em uma dúzia de diferentes de embalagens. o mercado para tal "diversidade diferenciada" pode simplesmente não estar lá.

cada caso, claro, merece uma análise, um estudo cuidadoso, para se entender a competição e se descobrir o quanto e como é possível se diferenciar dela. estudos como este aqui [de 2009], que trata de como companhias podem se diferenciar dentro de um modelo de produto, preço, imagem e serviço de "delivery" de pizza em natal, aqui mesmo no brasil. diferenciação em entrega de pizza… já pensou?… como? dá resultado? vá ler. e olhe que está em inglês: e no brasil, tudo que está escrito em inglês é verdade…

e talvez [se seu negócio é 'físico", tipo loja-na-rua] valha a pena olhar isso aqui, só pra ver como é complicado analisar se vale ou não a pena, para diferenciar sua "loja" das demais, ir para perto das outras, como é o caso das aglomerações de lojas de peças, eletrônica, vestidos de noiva e por aí vai. pra gente se assustar, olha só a quarta equação do paper [são 24]…

image

…que dá a probabilidade de consumidores de uma vizinhança i, saírem de casa para entrar numa loja do tipo k em um aglomerado de lojas l. pois é, a vida é dura… e complexa na maioria dos casos.

pra terminar a conversa de hoje, é bom lembrar que se você se diferenciar e se der resultado, ou seja, se você afetar a competição porque tirou algum mercado dela, é muito provável que ela lhe imite, como mostra este estudo sobre o mercado de automóveis nos EUA. e, vez por outra, a imitação vai gerar resultados melhores do que os seus.

e aí, fazer o que? como diz kanter, surpresas e mudanças são o novo "normal" e resiliência é a nova "habilidade", a habilidade de sobreviver às mudanças que, ao fim e ao cabo, é bem capaz de você ter começado ou provocado.

ah, sim: kanter também diz que as empresas têm que se preparar para surfar esta onda de mudança permanente no modo 5F: focused, fast, flexible, friendly & fun. mantenha o foco, seja rápido, ao mesmo tempo flexível e amigável e, por fim, se divirta muito fazendo tudo o que tem que fazer, mesmo que precise entender a tal equação do artigo sobre aglomerados mais acima. c’est la vie.

na próxima edição, vamos falar da…

image

…do modelos de negócios do nosso startup. fique ligado.

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol