Terra Magazine

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

livro vira serviço…

Tags:, , , , , - srlm às 11:08

…e enciclopédia também. a imagem abaixo é do "app" da encyclopaedia britannica no iPad, que tamém vai rolar em breve para iPhone e android.

[PTECH]

transformada em app, a britannica custará dois dólares por mês, contra US$70 por ano da versão web e meros US$1400 do impresso, se você quiser ter um na sua estante. e isso se, num futuro próximo, sua casa ainda tiver uma estante.

a wikipedia, como se sabe, é grátis. e tem dezenas de apps pelas quais podemos interagir com seu conteúdo. em relação aos 144.000 artigos da britannica em inglês, a wikipedia na mesma língua tem quase 3,7 milhões de textos, e não há comparação quando o domínio é atualidades: a wikipedia ganha longe, apesar de ser criticada por imprecisão e polarização. nada que crowd curation não resolva. e, enquanto houver uma economia da boa vontade em que uns poucos financiem o que quase todo mundo usa, vai continuar grátis.

a imagem acima é de um "mapa de links", as conexões entre o artigo que você está lendo e todos os outros itens que têm a ver com ele. os links, é óbvio, são para outros textos da britannica. este blog tem dito que o futuro do "livro", ou da literatura, é digital, interativo, estendido, conectado, em rede, compartilhado, como serviço. no mundo real [ou seja, fora e além da britannica] os links de um app de leitura como mostrado acima seriam para todo tipo de fonte "confiável" e "estável" em toda a rede.

estamos vendo apenas as primeiras gerações de tal mudança. a transição papel-kindle deu conta, no começo, apenas da transposição do analógico para o digital. o @author, também da amazon, criou uma ponte interativa entre leitor e autor. de repente, a amazon [jeff bezos, atrasado] conectou 11.000 bibliotecas americanas ao kindle: se você é membro de uma delas, pode tomar um livro emprestado via kindle, sem sair de casa. de repente, também, as bibliotecas estão deixando de precisar de estantes.

sony e barns&noble chegaram às bibliotecas antes da amazon. mas é o peso do maior negócio de vendas online do mundo que deverá mudar tudo mais rápido. os livros que você toma emprestado vão para o kindle, ficam lá pelo tempo do empréstimo, "voltam" para a biblioteca… mas suas anotações "ficam" na sua conta da amazon [e não no seu kindle] e aparecem de volta quando o livro, comprado ou emprestado de novo, "voltar" ao kindle.

não tenho certeza de que chegamos ao modelo de suporte à literatura digital que vai durar séculos, como foi o caso de gutenberg para o analógico. na nova economia da literatura, quase tudo é altamente experimental, a menos da digitalização propriamente dita e da óbvia transformação do conteúdo em serviço sobre múltiplas interfaces. ainda há muito a fazer e estamos longe [veja aqui] das fundações, formatos, funcionalidades, flexibilidade e facilidades que vão definir o futuro de longo prazo do livro digital.

mas que não reste dúvida: o futuro é digital, interativo, estendido, conectado, em rede, compartilhado, como serviço. só estamos tentando, errando e aprendendo para decidir "como"… e não mais "se".

amazon_kindle_books.top.jpg

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

second life: de novo?

dias destes, passando por uma das minhas leituras, encontro novas sobre um seminário no second life. faz tempo que não passo lá. e nem lembrava mais do second life; pra mim, poderia ter fechado sem dar notícia e eu nem teria notado. aliás, esqueci completamente quem eu era, por lá. não sei nem o meu "sobrenome" no mundo virtual. vou ver se redescubro isso e procuro alguma vida no lugar.

independentemente de usuários infiéis como eu, há gente usando a coisa, como os 80 avatares que estiveram no seminário mostrado abaixo, que está relatado neste link.

Opening presentation by Humanity+ Chair Natasha Vita-More

se você quiser saber como um destes eventos se desenrola do seu lado da tela [imaginando que você nunca esteve no second life quando estava na moda] clique na imagem abaixo, gravação de parte do evento acima

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second life foi lançado em junho de 2003. datando a abertura de facebook em 2006, second life começou a tentar ser "a" rede social para onde todo mundo iria em 3AF, terceiro ano antes de facebook. e não tentava pouco: há quase uma década, queria ser a "realidade virtual" onde haveria pessoas, instituições, marcas, produtos, serviços, mercado, dinheiro e bancos. houve falências e tudo! pense também em casas, prédios, eventos, shows, o diabo a quatro aqui do mundo "real". um lugar onde –em última análise- seria possível uma imersão tão intensa a ponto de se tornar uma extensão [ou mais] da vida "real" aqui fora.

trata-se de um caso quase clássico de tecnologia muito sofisticada antes da janela de oportunidade. o cliente que você tinha que trazer para seu PC [em 2003] não chegava nunca. não havia rede. e, instalado, era tão pesado que tomava todo seu hardware [lembre-se, 2003...] e, ainda assim, a experiência não era lá estas coisas. mas muita gente apostou muito. uma empresa brasileira criou o primeiro "país" no mundo virtual [a "mainland brazil"] em 1DF. me lembro da discussão à época… e não apontava pra "mainland" ou companhia sobrevivendo no médio prazo. e parece que foi o que aconteceu.

philip rosedale, um dos criadores de second life, ainda não desistiu. na palestra abaixo, apesar de falar de second life quase sempre no passado, ele aponta pra coisas interessantes que podem vir de realidades virtuais online. e second life não morreu: tem mais de 10 milhões de usuários e lucrou US$100 milhões em 2010. e está diversificando para games.

Rosedale, um dos criadores de Second Life, aposta no futuro do mundo virtual

e a atividade ao redor de espaços virtuais como second life não cessou. um monte de gente está apostando em plataformas como openSim, inclusive universidades e escolas interessadas em exercitar a ideia de campi virtual, onde gente do mundo inteiro pode participar das atividades de aprendizado sem "ir" fisicamente até um local qualquer.

lá em 2003, não havia rede e hardware para um second life dar certo e assumir um papel que tivesse a escala que faceBook tem, hoje. em 10DF, talvez o próprio faceBook apareça com funcionalidades que possibilitem o que second life tentou entregar e não conseguiu, dentro das expectativas de benefício e custos esperadas pelos potenciais usuários.

daqui até lá [ou depois] vamos ver um monte de experimentos interessantes, como usar openSim para diminuir deslocamentos de alto custo [tô dentro!]e, talvez, exercitar os modelos de negócio da próxima geração de realidades virtuais, uma possível "third" life…

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

google e nossa memória

olhe a imagem abaixo, que está neste link em muito maior resolução.

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neste outro link, há uma afirmação radical sobre a imagem acima: google está destruindo sua memória. será? o argumento é que os serviços de google, destinados a organizar e encontrar toda a informação do mundo [inclusive a sua e a minha, pessoais] estão mudando, de forma radical, o que costumamos chamar de memória.

este tipo de discussão não começou por causa de computadores e internet. vem de longe, desde quando nossos cérebros, depois de começar a criar ferramentas para estender as capacidades intrinsecamente físicas do corpo [pense facas, espadas, alavancas...] começou a pensar em ferramentas para estender o próprio cérebro.

como a escrita, por exemplo. a escrita [lá no começo dos tempos] fez com que parte de seu cérebro pudesse ir a lugares… sem ir lá fisicamente. como assim? cartas, por exemplo. sem escrita, a única forma de você dizer algo a alguém distante era ir até a pessoa com quem você queria se comunicar.

mais: a escrita passou a levar partes de seu cérebro a tempos onde ele não iria. o que você escreve, hoje, representa parte do que você pensa e, com um pouco de sorte, vai sobreviver a seu próprio corpo por muitos anos. milênios, talvez.

escrita é memória. um diário é uma memória. eu e você escrevemos um blog para registrar o que pensamos sobre coisas que nos interessam. é muito provável que, no longo prazo, a importância de um blog seja muito maior para [ou sobre] quem escreve do que para quem lê.

o debate sobre o impacto da escrita na memória existe pelo menos desde a grécia antiga. em fedro, platão mostra um diálogo entre theuth [o "inventor" da escrita] que vai promover sua criação para thamus, o deus-faraó que reinava sobre o egito. diz theuth:

"Essa invenção, ó rei, tornará os egípcios mais sábios e promoverá sua memória, pois isso que descobri é um elixir (phármakon) para a memória (mnémes) e para a sabedoria (sophías).

ao que thamus responde:

“Ó muito inventivo Theuth, alguns têm a habilidade de descobrir as artes, outros têm a habilidade de saber qual o benefício e malefício para aqueles que as utilizam. E tu, que és o pai da escrita, foste conduzido pela tua afeição a atribuir-lhe um poder oposto ao que realmente possui. Pois isso vai produzir esquecimento na mente daqueles que a aprendem: eles não vão exercitar a memória por causa da sua confiança na escrita, que é algo exterior (éksothen), provinda de caracteres alheios, e não vão eles mesmos praticar a lembrança interior (éndothen), por si mesmos. Tu inventaste um elixir da lembrança (hypomnéseos), e não da memória (mnémes), e tu ofereces aos teus discípulos uma aparência de sabedoria, não verdadeira sabedoria, pois se tornarão muito informados (polyékooi [...] gignómenoi), sem instrução, (áneu didakhês) e terão, assim, a aparência de que sabem de várias coisas (polygnómenes) quando na verdade são, na maior parte, ignorantes e difíceis de conviver, já que não são sábios, mas apenas aparentam ser.

a citação acima, com ênfase do blog, está em "o fedro e a escrita", de marcus reis pinheiro, leitura importante pra quem quiser entrar nos detalhes desta conversa.

com se vê, o debate sobre ferramentas que estendem o cérebro vem de longe. e hoje? será que o business insider pode simplesmente afirmar, qual thamus, que google está "destruindo" sua memória? não. google, e todo o ambiente informacional baseado na internet ao nosso redor, é parte de um longo e complexo processo [r]evolucionário que [re]cria métodos, técnicas, ferramentas e ambientes que estendem as capacidades humanas em todas as direções.

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se fazemos o exoesqueleto robótico parcial que ajuda a levantar e carregar peso, aumentando nossa força física, porque não fazemos um conjunto de ferramentas como as de google, para nos lembrar de nossos compromissos, encontrar a informação [seja qual for, inclusive caminhos] no mundo, guardar todos os nossos textos, livros e arquivos?

claro que esta informaticidade vai mudar nosso mundo e nos mudar. deve estar mudando o que costumávamos chamar de humanidade, inclusive. mas, sendo tudo baseado em tecnologia [como a escrita!...] e sendo tecnologia o domínio do possível… se for possível ser feito, será.

depois, como no caso da escrita, veremos as consequências.

PS: se thamus tivesse proibido a escrita e se isso valesse até hoje, que seria do imaginário [e do] brasileiro sem [por exemplo] machado de assis, ariano suassuna, guimarães rosa, nélson rodrigues…

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

vida: lógica e simples?

john maeda, que era do mediaLab e hoje é o presidente da RISD, uma das principais escolas de design do mundo, conta uma história sobre a aula introdutória de um curso do mestre da tipografia wolfgang weingart, que, ano após ano, dava exatamente a mesma aula. fantástica, mas sempre a mesma. maeda começou a achar que weingart estava perdendo a noção da realidade, até descobrir a verdade: apesar do mesmo conteúdo, a cada ano as teses, conceitos, exemplos e explicações se tornavam mais simples, mais diretas, mais concisas. o velho professor, ano após ano, estava simplificando o que sabia… simples assim.

esta história, seu entendimento e consequências estão por trás do pequeno-grande livro de maeda, "as leis da simplicidade", leitura essencial pra quem quer pensar em tornar as coisas –definições, interfaces…, bem mais simples do que são.

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muitas coisas são simples, outras são naturalmente complicadas ou complexas e outras, ainda, tornamos complicadas apesar de serem naturalmente simples.

a vida, por exemplo, pode ser muito simples. mas normalmente é [ou se torna] muito complicada, pela simples razão de que simplicidade [neste e em qualquer caso] exige muitos tipos de manutenção, para as quais, por variadas razões, não damos a devida atenção e energia. ou, simplesmente, não temos competência para tal. o resultado é conhecido.

algo que não parece trivial ou simples, por outro lado, é definir o que é vida.

segundo Schejter e Agassi [em um artigo de 1994], uma definição adequada de "vida" não deve ser circular, nem estreita nem larga demais, não pode excluir coisas vivas nem incluir as mortas e, por último, não deve ter biologia como componente, parte ou consequência essencial de química e física. ou seja, tem que haver uma certa abertura para imaterialidade.

o parágrafo anterior faz parte de um texto do sciTopics [Definition of Life: At last "What is Life?" can be anwered, simply and logically], escrito por arnold de loof, que continua e define vida de uma forma "simples"…

In my opinion, what we call ‘Life’ (L) is not a noun, but a verb. It is nothing else than the total sum (Σ) of all acts of communication/problem-solving (C) executed by a given sender-receiver compartment (S), at all its levels of compartmental organization, from the lowest one (n=1: prokaryotic cell or cell organelle in eukaryotic cell) to the highest one (n=j: cell,…, tissue, organ, organism, …, aggregate, …, population, community, up to the Gaia-level, where relevant) at moment t. This definition meets all criteria listed by Schetjer and Agassi (1994), and it can be used in both biology and the humanities.

The simplest symbolic notation for ‘Life’ (as an activity) reads: L=ΣC

A somewhat more complex but more correct notation is:

                                                    j

                                   L (S, t) = ΣC (S, t)

                                                   1

Thus, ‘Life’ has both a quantitative (number of communication acts) and a qualitative aspect (content of the acts). It cannot else than incessantly change.

segundo a definição, "vida" é a soma de todos os atos de comunicação e resolução de problemas executados num dado momento por um sistema transmissor/receptor em todos os seus níveis de organização, do mais elementar ao mais alto. para de loof, vida não é um nome e sim um verbo; vida não é um estado de coisas, e sim um fluxo de acontecimentos.

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aceita tal definição de vida, a de morte é trivial: um sistema está morto quando perde, de forma irreversível, a capacidade de se comunicar no seu nível mais elevado de organização. a partir daí, o que acontece nos níveis inferiores é irrelevante. daqui sai, por exemplo, a definição de morte cerebral e, consequentemente, de morte de acordo com preceitos éticos, morais e legais.

se você acha que nada é tão simples assim, é porque não é mesmo. veja parte da discussão sobre o assunto nesta dissertação de mestrado e nesta outra, de doutorado.

semana passada, falamos da possibilidade de vida eterna. isso porque, daqui a algum tempo, pode ser possível viver para sempre no mesmo corpo, sempre recondicionado. ou  talvez dê para copiar [um processo chamado  uploading] o nível mais alto de organização da vida [cérebro/mente] para uma infraestrutura de computação, comunicação e controle e, desta forma "continuar vivo". para sempre, também.

tal "cópia" certamente seria classificada entre as formas mais sofisticadas de "vida" de acordo com a hierarquia de Jagers op Akkerhuis [ver cap. 5, pág. 141 do link anterior]. um "upload" está na classe "memon" da figura abaixo, e isso certamente nos levaria a fazer perguntas muito complexas sobre um tal sistema [definido de forma tão "simples" como vimos acima].

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quer ler? pra começar, quais são os direitos de um upload? ele [ela?...] pode ser terminado [no sentido de "desligado"] ou modificado? pode [ou deve] ser atualizado? como, por que e por quem? se tiver [terá? quase certamente...] capacidade autônoma de aprendizado, deve haver algum limite no que pode aprender? imposto por quem, em que termos? se pode aprender, poderá ensinar? teremos "professores virtuais"? se veicular opiniões contrárias às normas legais, pode ser processado? por calúnia e difamação, por exemplo? se sim, seria condenado a que? se tiver capacidades motoras e causar dano material por causa disso, quais são as consequências? se não tiver mas puder controlar dispositivos móveis, no que isso implica, do ponto de vista ético e legal? quem vai "pagar" pela continuidade do "upload", já que não se trata de coisa estática e sim dinâmica, interativa? o seguro de saúde? o estado? haverá tratamentos diferentes para certos tipos de memons?

e por aí vai. a vida pode até ser simples e definida simplesmente. criar condições para a existência [nem que seja virtual] de vida eterna, idem.

mas, pelo menos por enquanto, fazer perguntas sobre as implicações da vida eterna é muito mais complexo do que pensar as tecnologias para sua realização. é sempre assim: do ponto de vista da tecnologia, se é possível, será feito. depois a ciência e humanidades vão atrás e descobrem porque funciona e como, em contexto, pode ser interpretado… ao redefinir o próprio contexto e as possibilidades de interpretação.

e pur se muove

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

trabalhar ou fazer concurso?

atepassar.com é uma rede social para gente que está estudando para concursos públicos, os autodenominados concurseiros. estimativas variadas apontam para mais de 10 milhões de pessoas em algum estágio do processo de fazer concurso público no brasil. se você está por fora deste ambiente, saiba que dia destes só um concurso da CHESF [que classificava para uma reserva de capital humano, não havia muitas vagas imediatas], teve mais de 850 mil inscritos.

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não estranhe cem a duzentos, trezentos, quatrocentos… candidatos por vaga em concursos, coisa de dez, vinte ou muito mais vezes acima dos vestibulares mais concorridos do país. em rondonópolis, um concurso teve mais de mil candidatos por vaga. no banco central, um concurso na área técnica já teve 1.900 candidatos por vaga. só em 2011, em todos os níveis e esferas de governo, estariam sendo preenchidas mais de 130 mil vagas no setor público, emprego estável e, em muitos casos, muito bem remunerado.

não é de se espantar, portanto, que haja tanta gente estudando para fazer um concurso e se tornar um servidor público. um trabalhador que, em tese, cercado de garantias justamente para não ser manipulado por superiores que teriam planos próprios e não da causa pública, do serviço público, teria que se dedicar –de novo, em tese- muito mais do que a um emprego ou função, mas a uma causa, a de servir o público, além e acima de interesses políticos, partidários e do seu próprio.

pois bem: a rede atepassar.com tem uma área de perguntas e respostas onde se debate desde como e o que estudar até se vale a pena estudar pra concursos públicos. olhem a pergunta que eu achei por lá, reproduzida aqui ipsis litteris

Pessoal trabalho como gerente de uma operadora de telefonia, onde a pressão é enorme, não se tem tempo para nada, um superior que joga seu psicologico lá em baixo, onde tudo que voce faz esta ruim. Ai eu pensei vou largar meu emprego e estudar para um concurso. Estou guardando uma grana legal e não tenho mulher(só namorada) e não tenho filhos. Sera que estou fazendo certo?

depreende-se, do estado de coisas relatado, que a cobrança na operadora é muito alta; que o trabalhador está sob constante pressão por resultados e que, de certa forma, ganha bem, pois está "guardando uma grana legal" que lhe permitiria parar de trabalhar para "estudar para um concurso". uma das interpretações da lógica acima é que estudar para e passar num concurso levaria a outra relação trabalhista, de menos cobrança e pressão, mais tranquilidade e, em muitos casos, a mesma ou melhor remuneração.

desejando toda a sorte do mundo a quem fez a pergunta, talvez a gente deva fazer outra outra: será que as cobranças e pressão, no setor público e sobre os servidores idem, deveriam ser menores do que na iniciativa privada? até porque, mesmo com a "pressão" das operadoras, não estamos lá muito satisfeitos com o serviço que elas nos prestam, não é?…

a esperança do contribuinte brasileiro, que paga uma das mais elevadas cargas tributárias do planeta, é que os novos concursados [mais de 200 mil só nas duas últimas gestão federais] se comprometam com as verdadeiras causas públicas e trabalhando, dia e noite, façam dos serviços públicos exemplos [no mínimo] nacionais de seriedade, dedicação, eficiência e eficácia, dignas de serem copiadas pelas empresas privadas.

e você diria… mas isso é impossível. não, não é. nada é impossível para grupos, mesmo pequenos, de pessoas dedicadas a uma causa. aliás, é só por causa destes pequenos grupos de idealistas e sonhadores que o mundo muda. e, como diria o dalai lama, se os sonhos de quem quer mudar o serviço público estão nas nuvens, eles estão no lugar certo. o que se tem que fazer, a partir daí, é construir as estruturas que os apoiem e mantenham nas nuvens, não como sonho, mas como realidade.

e nós todos –servidores inclusive- podemos fazer mais sobre isso. tanto quanto há redes para estudar para concurso, deveria haver redes, ou mais espaços em redes já existentes, pra acompanhar os serviços e servidores públicos e a dedicação de todos às causas públicas.

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falta alguma coisa além de um reclameAQUI para serviços públicos, algo que não seja só pra reclamar. uma rede social, geográfica, por assunto, por problema, por serviço, que ajude os próprios serviços e servidores públicos a melhorar a qualidade de sua oferta, a simplificar seus serviços, acompanhar problemas e soluções, resolvê-los em conjunto com suas comunidades.

se um tal ambiente existisse e fosse usado, no mínimo, para aumentar a transparência das obras públicos em tempo real… os tribunais de contas não teriam nem dez por cento do trabalho que têm. uma rede social de serviços e servidores públicos talvez devesse começar por aí, nas obras públicas, que é por onde vaza boa parte da carga tributária que pagamos, e de onde vem boa parte da má fama –não merecida pela vasta maioria- dos servidores e serviços públicos.

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[nota: o autor é funcionário público –concursado- há 33 anos; se você quiser ver parte do que ele andou fazendo na UFPE desde 1978, clique este link.]

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

pizza: imprima a sua!…

Tags:, , , , , - srlm às 07:46

olha só o título do artigo científico: Hydrocolloid Printing: A Novel Platform for Customized Food Production, de cohen et al., todos da universidade de cornell, nos EUA. o nome diz a que vem: uma plataforma para produção customizada de comida. na prática, uma impressora de comida, que usa tintas comestíveis para simular sabores e texturas.

por que você usaria isso? primeiro, porque [no longo prazo] vai dar pra imprimir muita coisa que parece com comida real. se você não tiver muito jeito com as panelas, é capaz de qualquer coisa impressa nesta sua nova impressora ficar [muito] melhor do que o que você tentaria no fogão. depois, porque é só fazer o download da receita e mandar imprimir: comida como serviço. você não pede a comida o restaurante e ela chega na sua casa de moto: a receita vem pela rede e é impressa, quentinha e sob demanda, na sua casa.

por último, estas coisas vão começar a ficar baratas o suficiente para se tornarem realidade nas cozinhas, sem que o dono precise ser um milionário fanático por curiosidades tecnológicas. a curto prazo, estamos falando de menos de R$2000 por impressora. danado, como é o caso das impressoras normais, vai ser [será?] o preço da tinta. se for alguma coisa com açafrão, então…

abaixo, uma pequena obra prima da mais nova impressora de cornell: um bolo que mostra as iniciais [da sua amada?] quando é cortado.

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pense nas possibilidades. em tese, dá pra desenhar [literalmente] qualquer comida [quase literalmente] e imprimi-la em qualquer formato, sabor, cor, textura… descortinando um mundo absolutamente novo de experiências culinárias e gustativas.

3-d printer, cornell, cornell creative machines lab, printing food, stochastic printing, French Culinary Institute, food

a manufatura digital direta [ou fabricação de formas livres sólidas] é resultado de um conjunto de técnicas, métodos e processos que vem sendo aperfeiçoado desde os anos 80 e que vai levar a uma nova cultura e espaço de construção de todo tipo de objeto, tornando cada sala ou garagem numa fábrica em potencial. e cada cozinha, pelo visto, numa miríade de espaços culinários.

todos os objetos da imagem abaixo foram criados por uma "impressora 3D" e você pode descobrir muito mais sobre eles e o que está por trás deles e do futuro deste tipo de tecnologia clicando neste link.

as possibilidades são muitas, podem revolucionar indústrias inteiras e criar novas, estabelecendo no processo uma verdadeira cauda longa para átomos, em escala e complexidade tão interessante quanto já é possível para bits.

num certo futuro, é capaz de se poder imprimir uma pizza de verdade em casa, a partir de princípios básicos. como? em 1999, quando o milênio passado acabava, o jornal da tarde me pediu um texto longo sobre o que viria a ser o milênio da informação, este nosso. o texto está abaixo e, lá no fim, com a usual ingenuidade e esperança que o fim de um milênio e o começo de um novo ensejam, está minha receita [ou desejo] para uma imprezzora de pizza. afinal de contas, não custa nada sonhar. até porque esta impressora de cornell é só… um simulador de comida. boa leitura.

O próximo milênio vai mudar a face do planeta ainda mais radicalmente do que tudo o que já vimos até agora. Na minha esperança, para melhor: talvez, daqui a mil anos, consigamos retomar um pouco do equilíbrio que o planeta tinha há dois mil anos. Leva mais tempo pra limpar a sujeira da humanidade do que para reestruturar a economia…

Boa parte das surpresas e mudanças dos próximos 100 a 200 anos, pelo menos, deverá estar associada à informação e sua geração, processamento e disseminação. As tecnologias para tal têm uma história de milênios, desde os sumérios usando tabletes de barro para armazenar registros de transações, perto de 4.000AC, passando pela invenção do ábaco ao redor de 3.000AC, na Babilônia, até a álgebra para lógica, de George Boole, em 1854, que ainda serve de base para a computação moderna.

Alguns indícios do que está por vir já podem ser encontrados em eventos científicos programados para o ano 2000, um dos quais, organizado por Aaron Sloman da University of Birmingham, discutirá "como projetar uma mente humana". No subtítulo, diz que é para propósitos de entendimento ou de engenharia… O professor Sloman trabalha com "cérebros são processadores?" e "por que máquinas podem amar?". Por trás da aparente heresia, estão conceitos baseados em agentes autônomos reflexivos, sistemas computacionais que agem como que por vontade própria e que têm uma noção deles mesmos (daí o "reflexivos").

Este tipo de pesquisa passa por definições simples de entender, como as dos quatro (só?) tipos de máquinas universais: as que manipulam força e energia; as que manipulam matéria, reorganizando-a; as que transformam o estado físico da matéria e, finalmente, aquelas que tratam informação. Cada um de nós seria, de fato, uma máquina composta por muitas máquinas dos quatro tipos, organizada em torno de pelo menos três camadas: a de reação (a condições externas e internas), a de deliberação (que cuida do planejamento e tomada de decisões) e a de meta-administração, onde estão os processos que supervisionam e controlam as outras.

Parte dos argumentos usados por alguns pesquisadores, hoje, leva à conclusão de que humanos são, primordialmente, máquinas manipuladoras de informação e, como tal, possivelmente replicáveis. E sem precisar de corpos como os nossos servindo de suporte físico à rede de processamento de informação. Assim, seria possível construir uma mente humana daqui a algum tempo.

Ray Kurzweil, em seu livro The Age of Spiritual Machines (só sai no ano 2000), lista uns números esquisitos: ele estima que, em 20 anos, um microcomputador tão poderoso quanto um cérebro humano, incluindo nossos 125 Gigabytes de memória, sairá por uns 1000 dólares. Caso tal profecia se concretize, as possibilidades seriam muito interessantes: poder-se-ia "transferir" a capacidade de manipulação de informação de um ser humano para uma máquina? Poderíamos aprender russo simplesmente instalando o "driver" daquela língua? Poderíamos virar software?

Difícil dizer. Sloman, Kurzweil e suas idéias têm adversários ferozes e o debate sofre de falta de racionalidade, dado que muitos ainda creditam o aparecimento do homem (e da mulher) à obra divina. Mas o certo é que algumas das mais fundamentais crenças sobre a superioridade humana poderão ser seriamente desafiadas já nos próximos 100 anos. Imagine daqui a 1000!

Aqui na Terra, por enquanto, há questões urgentes a resolver, nos primeiros anos do próximo milênio. O que virá depois de Windows e/ou Linux? E depois da Microsoft? E dos processadores da Intel? E da própria Intel? O que virá depois de TCP/IP? Ou melhor, de que processadores e protocolos dependeremos para administrar uma Internet com dezenas de bilhões de processadores? Das respostas a esta questão, nos próximos dez anos, depende a operação da rede.

E quais serão os padrões de computação e comunicação dos assistentes digitais pessoais móveis? Eles foram aclamados um dia destes, em Las Vegas, como os que nocautearão a Microsoft, como se houvesse uma luta pelo título mundial de informática num daqueles cassinos macarrônicos…

É interessante como cada geração de tecnologia cria suas companhias e, ao mesmo tempo, é criada por elas. As que dominam um mercado ou que defendem seus produtos contra os novos competidores, acabam -ou têm acabado- perdendo tudo no fim das contas. Procure, para começar, a Burroughs, Univac, Data General, Digital e ICL.

Na década de 80, quando a Sun não existia e só -ou quase- as máquinas da Digital rodavam Unix, eu tive certeza de que a próxima IBM seria a fábrica dos históricos PDP-11. Aí vieram as estações de trabalho e o PC, que seria feito, depois, também pela Compaq, que comprou a Digital, não pelo mercado ou máquinas que ela produzia, mas pelas pessoas e pela propriedade intelectual e conhecimento do mercado que elas detinham.

Hoje, Intel e Microsoft lutam para defender seus domínios e, avisadas, tentam reconstruir-se, diuturnamente, para o futuro, inclusive comprando quase tudo e todos que possam vir a ter alguma importância. O problema é que seu presente é passado (vide Windows com DOS por baixo, ou a linha de CPUs da Intel) e seu futuro, no mais das vezes, está muito perto: na indústria dominante, hoje, poucos trabalham para 2010, quase ninguém para 2020.

Não que eu e outros o façamos e o futuro seja nosso. Mas algumas coisas fora das empresas mais faladas do mundo podem ser gratas surpresas em menos tempo do que esperamos. Um exemplo é Joseph Jacobson, do MIT, fazendo transistores sobre plástico, usando impressoras pouco mais sofisticadas do que uma jato de tinta comum. Jacobson imprime componentes cujos limites teóricos são centenas de vezes mais densos do que os construídos numa fábrica de chips moderna (fab, na intimidade) e que tolerariam velocidades acima de 1GHz.

Para uma impressora que custaria algumas dezenas de milhares de dólares e que poderia ser usada numa sala normal, contra os bilhões de dólares necessários para construir uma fab, é bacana. Criaria também a possibilidade de qualquer um de nós ir na copiadora da esquina e imprimir um componente, talvez de nossa criação… ou que compramos pela rede! Chips por e para todos não está longe: acho vamos ter isso antes de 2020. Um jornal, como o que você lê, poderia "vir" cheio de chips… imagine as possibilidades! Como o jornal-celular-tv-rádio-agenda com smart card…

Perto de 2010, Stanley Williams da Hewlett-Packard acha que teremos dificuldades em continuar aumentando a densidade dos componentes como eles são projetados e construídos hoje. Pelas contas dele, uma fab decente vai custar uns US$30bi para montar, o que poderia inviabilizar a produção de componentes ultra-densos e velozes. Williams está trabalhando na possibilidade de construir componentes (processadores, memórias) 1000 vezes menores (mais densos) do que os hoje existentes usando… processos químicos.

A pesquisa de Williams e outros, como Eric Drexler (do Foresight Institute) e C. H. Bennet (da IBM) envolve computação e medidas quânticas, associadas a sistemas que se constróem por si próprios, coisas do domínio da nanotecnologia, que inclui desde robôs que não podem ser vistos a olho nu até sistemas computacionais tão pequenos que seriam biodegradáveis.

Os primeiros poderiam saber como limpar placas de colesterol e, injetados em solução, passariam o tempo andando pelo seu sistema venoso, decompondo gordura. Os últimos poderiam ser usados para pulverizar nuvens, coletar e transmitir dados da mesma para bases em terra, cair junto com a chuva e, depois, degradarem-se no ambiente.

Parece exótico? Tem muita gente apostando nisso, para construir sistemas micro-eletromecânicos (MEMS, em inglês), que deverá ser a próxima grande coisa feita com silício, o material básico a partir do qual fazemos computadores, hoje. Também chamados de matéria esperta (smart matter), estes dispositivos serão a base da próxima onda da informática.

Até agora, presenciamos duas ondas, ou gerações, de computadores. Na primeira, tivemos a revolução dos processadores, a partir dos primeiros sistemas eletrônicos digitais ingleses e americanos montados logo depois da II Guerra Mundial. Os computadores desta geração eram mainframes clássicos: não eram bons em comunicação e não estavam ligados em rede.

O processamento era por lotes: num banco, todas as transações do dia eram digitadas e processadas à noite e voltavam, pela manhã e como listagens, para a agência. Visto de outra forma, quando você ia ao banco, falava com o caixa, que se relacionava com o funcionário que usava o computador… a computação estava atrás do balcão. Tal foi o caso, mais ou menos, entre 1950 e 1985.

Na segunda geração, a revolução foi das comunicações. A primeira fase foi a dos terminais, redes privadas de arquitetura fechada e redes locais do tipo cliente-servidor (onde algumas máquinas maiores auxiliam o trabalho de muitas menores). Os centros operacionais do banco falavam entre si, as transações ficaram mais leves e ágeis e o caixa do banco passou a usar um terminal ou micro para nos atender. A computação veio para o balcão e o intermediário, que operava o computador para o caixa, desapareceu; mas o caixa sabia tudo sobre nós. Sigilo zero, entre 1985 e 1995.

A segunda fase da revolução das comunicações é a que estamos vivendo, desde o início da Internet comercial, em 1995, um dos marcos do fim deste milênio. As redes abertas, às quais se pode conectar qualquer computador, por mais rudimentar, associadas a clientes universais, os browsers, criam um ambiente no qual podemos fazer funcionar qualquer sistema de informação, por mais complexo que seja. Isto levou a computação para depois do balcão, tirando a intermediação do caixa em nossos negócios bancários e outros. Mas ainda temos que usar PCs, terminais bancários e coisas muito grandes para carregar no bolso e que gastam muita energia.

A terceira fase desta revolução vai levar computação diretamente ao usuário, onde ele esteja, seja lá que tipo de dispositivo use. Do celular, pager, agenda, do jornal impresso junto com chips e antenas de comunicação, mais cedo ou mais tarde vamos poder usar qualquer sistema de informação, bancos, rádio, jornais, sistemas de comércio, bolsas de valores, qualquer hora, em qualquer lugar. Achar festas na noite, comprar a entrada enquanto se vai para lá, guiar o carro pelo mapa que vai vir junto com o ingresso, isso dá para começar a fazer agora. Daqui a 10, 20 anos, dê asas à sua imaginação.

Mas o novo milênio vai iniciar, com impressoras de chips, MEMS e dispositivos ultra-miniaturizados e de grande capacidade de processamento, a revolução e a era dos sensores e atuadores (da sensação, dos sentores). Eles estarão em tudo, não só nos computadores como percebemos hoje: porque serão minúsculos, baratos, poderão ser fabricados (impressos?) por quase todo mundo, em quase qualquer lugar.

Vai ser um mundo muito interessante, onde a marca da laranja será um sentor que me dirá se ela está madura, doce e quanto tempo faz, a despeito da propaganda do feirante, que ela saiu do pé. A não ser que… ele também imprima os selinhos, programe-os… Certamente passaremos por uma redefinição do que significa informação confiável e segura.

Nos carros, haverá sentores às centenas: desde termômetros e controladores de pressão dos pneus (e que deles fazem parte: ao jogar o pneu fora, lá se vão seus sentores), até os que funcionam como alertas de todos os tipos. Em breve, haverá um conjunto que decide se seu "teor alcóolico" lhe permite dirigir ou não. É a multa ideal, pois nem lhe deixa correr riscos nem expõe o público àquelas oito doses a mais que você tomou.

Nas casas, farão parte das portas, janelas, pisos, utensílios e equipamentos domésticos, de tudo. Se forem baratos e flexíveis como os preconizam os laboratórios, não vai haver como se esconder dos danados. Ando desconfiado, pois, que Pokémon é um coletivo-apronto, em software, para a realidade, em hardware, que os sentores estão a nos aprontar para o futuro.

Uma coisa que aparentemente não vai rolar nem tão cedo, aparentemente porque depende de teleportação, ou transmissão quântica de matéria, é minha última idéia, a impressora de pizza. Explico, antes, que não se trata de uma impressora comum, modificada para imprimir relatório de CPIs. É algo que produziria pizzas mesmo… Como?

Simples: pizza de verdade é feita em Nápoles, que os radicais garantem ser único lugar no mundo onde se faz pizza. Em Nápoles, pois, haveria um Internet Pizza Server, no qual poderíamos "comprar", por exemplo, a receita da pizza alla Margherita feita por Raffaele Esposito, em 1871, para a princesa Margherita di Savoia. Talvez criem um Portable Recipe Format, PRF, na trilha de seu antecessor PDF, Portable Document Format, hoje usado para garantir que os documentos têm a mesma aparência em qualquer impressora. Depois de pagar, a receita -que ao ser usada, se auto-destrói- será transferida para o meu (ou seu) computador, que está conectado à… impressora de pizzas!

A imprezzora, uma elaboração da impressora de Jacobson, funciona como o laboratório de química de Williams e, a partir de um caldo primal de partículas elementares, faz tudo in loco, qual máquinas auto-montáveis de Drexler. Massa, tomate, manjericão e mussarela, de búfala. As primeiras versões da imprezzora vão ser lentas e só farão certas coisas, como pizzas, chopp e mousse de chocolate.

Apesar de uns alunos de doutorado daqui terem me garantido que não vai funcionar, porque leva jeito de teletransporte, eu sou mais Bennet. Riram muito quando ele criou o conceito de teleportação quântica, até que um experimento independente o provou correto, na mosca.

Enquanto minha pizza não chega, direto do séc. XIX, e talvez não chegue antes do séc. XXII, podem rir de mim o séc. XXI inteiro. Mas quando a margherita sair da imprezzora, não divido com ninguém. E, se tiver bugs introduzidos por Sloman or Kurzweil, se for uma pizza inteligente, abro uma CPI para investigar. Original, vai ser a primeira que já começará em pizza!

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terça-feira, 13 de setembro de 2011

a lei, offline vs. online

hoje, um picopost, só pra gente saber até que ponto as coisas podem chegar quando algum espírito azerediano toma conta do pedaço. pra quem chegou de alfa do centauro ontem à tarde e ainda não sabe o que anda rolando por aqui, azeredo é o sobrenome do deputado que assumiu, como missão terrena, colocar a criminalização da internet.br à frente de seu marco civil.

An anonymous organization activist holds a mask in front of his face as he arrives at Paris court on October 27, 2009 for the trial of the Church of Scientology, classified as a sect, with seven of its members for illegally prescribing drugs. The court fined the Church of Scientology for defrauding vulnerable followers, but officials voiced regret that a recent change in the law prevented France from banning it outright. Scientology's Celebrity Centre and its bookshop in Paris, the two branches of its French operations, were ordered to pay 600,000 euros (900,000 dollars) in fines for preying financially on its followers in the 1990s.

tergiverso e o post pode ficar longo. vamos encurtar a história. anonymous é um não-coletivo de hackers que está em guerra não declarada contra partes do sistema, seja lá o que a gente entenda que é o sistema.

a polícia inglesa acusa quatro carinhas de fazerem parte do não-coletivo e, por isso, serem uma ameaça à lei e à ordem. uma corte de sua majestade, face a acusações que podem chegar a sedição, acaba de proibir os quatro de estar na rede usando suas personas online. podem usar o que quiserem, menos os nomes pelos quais são reconhecidos como parte do "grupo" que, como se sabe, não é "grupo" e que, anônimo e disperso, talvez nunca possa ser formalmente acusado de coisa alguma.

ocorre que um dos quatro acusados usa, como persona online… seu nome.

isso. exatamente o que você leu acima. consequências? a justiça inglesa cassou o direito de um de seus súditos de usar seu próprio nome online. transformou peter david-gibson, 20 anos de idade, de hartlepool, co. durham, em ninguém. peter frequentava a rede, imagine, disfarçado de… "peter". peter, uma ameaça global, disfarçado de… "peter". LOL…

há alguma coisa profundamente errada entre os céus e a terra. a lógica está deixando de ser entendida –e, quase certamente, de funcionar- e isso pode estar relacionado ao fato de que, no fim de semana passado, quase todos os meus chutes conseguiram, pela primeira vez em décadas, encontrar o caminho da "meta". dois deles, inclusive, teriam sido pontos olímpicos, não fosse o reflexo e maestria do goleiro.

as chances disso acontecer num mundo que mantém algum grau de coerência, garanto, são iguais a você receber, enquanto lê este texto, um SMS de oliver cromwell defendendo uma revisão das bases do poder na terra de sua majestade.

sei não, sei não. 2012 vem aí. cruzem os dedos…

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

marketing móvel explode

Tags:, , , - srlm às 13:00

há quase um ano, este blog publicou um texto [quem define o mercado?] onde discutia as tendências de formação de mercados, hoje, lideradas por pessoas digitais, conectadas, móveis e, em breve, capazes de programar seus dispositivos e o mundo ao redor.

a imagem acima, de uma apresentação realizada na futureCom do ano passado, diz que as pessoas nascidas de 1965 para cá [gente de 45 anos ou menos] vivem em um ambiente digital, conectado, móvel e programável.

em agosto, entrevistamos ricardo cavallini, da wMcCann, sobre o mercado brasileiro de mobilidade, e ele nos dizia que…

Os brasileiros têm o hábito de acessar redes sociais e levaram este comportamento para o celular. Os brasileiros que compram pela internet o farão no ambiente móvel também. Então, o resultado pode não vir no curtíssimo prazo, mas se eu fosse um varejista, começaria ontem a experimentar e marcar minha presença no ambiente móvel.

Nos próximos mil dias, acho que a influência do celular na compra será  mais importante do que a compra em si através do celular. O aparelho  será nossa grande interface com o mundo analógico. Poderemos comparar preços, ver opinião de outros consumidores e até achar lojas próximas com ofertas melhores. Todo aquele poder que a internet trouxe para o consumidor, na sua mão, o tempo todo.

agora olhe os números abaixo, de um relatório recente da millenial media sobre o crescimento do mercado mundial de marketing móvel.

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em um ano, o mercado de marketing móvel dobrou e, nos quatro anos até 2015, pode sextuplicar. isso valida, globalmente, a opinião de cavallini, ainda mais quando se olha para o crescimento do investimento em marketing móvel em alguns segmentos de mercado…

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…o que aponta para uma mudança radical de comportamento das empresas em relação à mobilidade. isso porque o comportamento das pessoas está mudando radicalmente, e em pouco tempo, como mostra o gráfico abaixo…

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em pouco mais de dois anos, a porcentagem de pessoas que, a partir de uma provocação, faz um download, cresceu 667%. hoje, três vezes mais pessoas estão dispostas a ver um vídeo no celular do que em 2009.

mas marketing é meio, o resultado deve ser posições ou ações no mercado: na austrália, segundo mercado mundial em penetração de smartphones e onde 87% das pessoas afirma levar em conta mobile marketing, 12% das ordens da domino’s pizza são originadas em celulares [no negócio, 40% é online]. sinal dos tempos. breve, num smartphone perto de você. ou, melhor ainda, no seu.

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domingo, 11 de setembro de 2011

a vida: eterna? como?

a fonte da juventude tem muito mais cartaz do que o el dorado. o ouro do segundo, se existisse, só poderia ser gasto aqui e agora. nas condições atuais –e, ainda mais, quando o mito da cidade de ouro estava mais aceso, antes de google maps e GPS- todo o ouro do mundo não compraria a vida eterna. até porque a igreja católica saiu do mercado e igrejas mais recentes, que entraram atrasadas no negócio, não estão entregando o pago e prometido.

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pois bem. independentemente do contexto religioso, há razões outras para se pensar na vida eterna. uma delas é de puro e simples balanço energético: imagine o custo de se atingir a maturidade, ainda mais chegando lá unindo conhecimento e sabedoria. cada humano que desaparece leva, consigo, não só sua atividade e história pessoal; além de deixar um vazio na história dos que ficam, a morte de cada um de nós representa um imenso desperdício de energia.

se olhamos para seres humanos como consumidores de energia, que é acumulada na forma de realizações e conhecimento, cada um de nós consome, hoje, o equivalente a mais de 70 bilhões de joules por ano. em 80 anos de vida, seriam perto de 6 trilhões de joules. consumimos muito mais energia por ano do que um homem das cavernas o faria em toda sua vida.

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sim: e 6 trilhões de joules é o que, mesmo? pense gasolina: um litro tem cerca de 40 milhões de joules. se seu mundo fosse movido só a gasolina, consumiria o equivalente a 150.000 litros da coisa durante sua vida, pouco mais de 5 litros por dia. parece pouco? cinco carretas de trinta toneladas de combustível cada uma não é pouco; sempre que passar por uma, na rua, lembre-se que sua vida são cinco delas. hoje. e está aumentando 10% a.a.

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mas o que é que isso tem a ver com a vida eterna? se somos tão "caros", é bem capaz de haver razões, acima de nossa vontade pessoal de viver "para sempre", para preservar a energia consumida no processo de desenvolver um ser humano maduro e sábio.

assumindo que esta seja uma das razões por trás das respostas a uma pergunta feita pelo IEET [o instituto para ética e tecnologias emergentes], veja abaixo no que deu a pergunta "que expectativas você tem em relação à duração de sua própria vida?"…

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entre os que têm 35 anos ou mais, a maioria acha que vai morrer dentro da expectativa normal de vida de um ser humano. apenas 21% acha que pode viver por séculos a fio no seu corpo atual e 19% acredita que poderá ter sua mente "uploaded" para um computador algum dia. entre os que têm menos de 35 anos, as porcentagens são 32% [morrer "como um humano atual"], 36% [viver por séculos...] e 26% [fazer um "upload"].

este público não é "normal", para qualquer idade. são leitores do IEET, que se dedica a singularidade, trans-humanismo e similares. ou seja, gente que, a priori, acha que pode rolar [de uma forma ou de outra] uma vida eterna básica. deixando a pura e simples vida eterna [séculos a fio no mesmo corpo] pra lá, por enquanto, face à complexidade das implicações éticas e morais [por exemplo, qual o significado de "prisão perpétua" na "vida eterna"?...], que tal considerar "uploading" como forma de não perder [toda] a energia gasta pra chegar um certo ponto da vida? mas… que ponto? qualquer ponto: a priori, todas as mentes deveriam ser "uploaded"… e nenhuma delas poderia "se perder".

o conceito de "uploading" não é trivial e, de certo ponto de vista filosófico, é simplesmente impossível. mas, se for realizável, pode ter consequências não triviais para o futuro do que chamamos de humanidade. neste relatório de 130 páginas, nick bostrom e anders sandberg explicitam algumas das possibilidades…

Brain emulation is the logical endpoint of computational neuroscience’s
attempts to accurately model neurons and brain systems…

…emulação cerebral é uma consequência lógica das tentativas de modelar, de forma precisa, neurônios e sistemas neuronais;

Neuromorphic engineering based on partial results would be useful in a
number of applications such as pattern recognition, AI and brain‐computer interfaces…

…a engenharia resultante deste tipo de esforço de pesquisa seria muito útil em aplicações como reconhecimento de padrões, inteligência artificial e interfaces humano-computador;

The economic impact of copyable brains could be immense, and could have profound societal consequences…

…o impacto econômico [a economia de energia, por exemplo, entre muitos outros] poderia ser imenso, gerando profundas consequências sociais;

If emulation of particular brains is possible and affordable, and if concerns about individual identity can be met, such emulation would enable back‐up copies and “digital immortality”…

…se a emulação de cérebros específicos for possível, e se os problemas de identidade puderem ser resolvidos, seria possível fazer backups de mentes e, por isso, atingir uma "imortalidade digital"… e…

Brain emulation would itself be a test of many ideas in the philosophy of
mind and philosophy of identity, or provide a novel context for thinking
about such ideas…

a emulação de cérebros seria, ela própria, um teste para uma miríade de ideias das filosofias da mente e identidade ou, no mínimo, criaria um novo contexto para pensar sobre tais ideias.

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tecnologia é o domínio da possibilidade. se é possível ser feito, em qualquer área de expertise humana sobre métodos, técnicas e ferramentas, é feito. por alguém, algum dia, de alguma forma. a ciência, domínio da verdade, cuida dos "por quês" depois e irá, se der, descobrir as bases para o funcionamento do que está funcionando. quase tudo o que usamos de software, por exemplo, é assim. por fim, as humanidades irão teorizar sobre o uso das tecnologias e nós, enfim, entenderemos o que estamos usando há tanto tempo e quais são as consequências daquilo tudo.

a "pesquisa" do IEET mostra que há um mercado potencial de pessoas que almejam viver pra sempre, real ou digitalmente. do lado de cá, estamos entendendo, cada vez mais, do espaço físico, da vida e da mente. os dois últimos são, cada vez mais, codificados em termos de informação e conhecimento e, ainda mais, entendidos como software, dentro de um contexto em que "tudo é software". 

se for –e parece que é…- tudo será escrito de forma executável por máquina. e reescrito. evoluirá até que, alguma hora, uploading seja possível. se isso rolar, vamos ter descoberto, também, como fazer downloading… e, se tudo der certo, faremos download de partes de uma mente e não da coisa toda. tipo… aprender mandarin por downloading. pode nunca ser possível mas… pense nas consequências: e se for? quanta energia a gente economizaria?…

energia, energia: a vida depende, intrinsecamente, dela. tudo o que for possível para economizar [ou maximizar os resultados d]o uso de energia será feito. tomara que a as consequências, quando conseguirmos entendê-las, sejam administráveis. tomara.

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[PS: rafael evangelista acaba de publicar {10/09/2011} "Singularidade: de humanos feitos simples máquinas em rede", na revista ConCiência; leitura deste link tem tudo a ver com o texto discutido aqui].

 

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

o futuro dos jornais digitais: apps, web, …?

Tags:, , , , , , - srlm às 08:00

este blog acabou de publicar um texto sobre a indústria da literatura, olhando para uma [muito] pequena parte do problema que já está sendo enfrentado pelos que vivem no e do livro. parte do que pode acontecer com o livro já vem acontecendo com os jornais há pelo menos uma década: nos dez anos passados, o investimento em propaganda e marketing nos jornais, no brasil, caiu 40%. e isso enquanto triplicou na internet, como você pode ver neste outro texto do blog.

que as notícias estão indo para a rede há tempos é fato irrefutável. veja o gráfico abaixo, fruto de pesquisa da PEW americana, publicado aqui no blog em julho deste ano. lá nos EUA, a internet já é a principal fonte de informação para 65% das pessoas entre 18 e 29 anos. aqui não vai ser diferente, assim que tivermos conectividade mais ampla e barata.

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a pergunta já não é mais, há tempos, se dá pra salvar os jornais em seu formato atual. não dá mais, mesmo que se perceba, no brasil, um aumento de circulação provocado pela ascensão sócio-econômica recente de milhões de famílias. a pergunta é se dá pra salvar o bom jornalismo, o que este blog vem discutindo desde 2009.

e o problema –que editoras, livrarias e autores também estão começando a ter- é de encontro de contas: o que se gasta para criar, publicar e distribuir conteúdo tem que ser remunerado em receita vinda dos usuários e [ou] clientes. mas as receitas da web, até agora, parecem não ser suficientes para sustentar jornais como o financial times que, por isso, resolveram usar plataformas como o iPad para distribuir seu conteúdo. pago, claro. e, como não poderia deixar de ser, com a apple como sócia.

a apple como sócia? pois é: tudo que passa pelo appStore deixa 30% nos cofres da companhia de cupertino. até aí, tudo bem, até porque a empresa [que faz uma fortuna em hardware e não nas receitas do market] tem um trabalho considerável para manter seu mercado de aplicações no ar.

mas, desde fevereiro, tudo o que é comprado dentro de uma app qualquer… também paga 30% para steve & co. ou seja, caso você compre a app do financial times e, lá dentro, resolva comprar uma edição especial, ou um serviço qualquer que não faz parte de sua assinatura… a apple leva 30%. com se não bastasse, todos os dados dos compradores dos seus serviços são tratados pela apple como segredo de estado e a chance de você por as mãos na informação que lhe ajudaria a entender o comportamento de seus clientes e usuários é… zero.

a revolta entre muitas empresas que usam o appStore não é pequena, até porque a regra de taxar "in app purchasing" foi introduzida a posteriori e, bem ao estilo apple, sem qualquer consulta prévia. mas vamos admitir que tais atritos sejam parte do processo de estabelecimento da cadeia de valor propriamente dita e que, até os mercados de aplicações e serviços digitais se estabelecerem, haverá mudanças drásticas.

resultado, até aqui? o financial times, que teve sua app de notícias para o iPad comendada pela apple como uma das melhores de 2010, decidiu descontinuar sua oferta para o iPad e iPhone e vai procurar outras alternativas de receita. que podem passar por HTML5 como plataforma, o que a amazon já está fazendo com seu "kindle cloud reader" que, tratado diretamente por um browser, passa completamente por fora de qualquer appMarket. 

HTML5 é a última versão do velho HTML que existe desde o começo da web e, mais arrumado e capaz do que seus antecessores, pode trazer de volta para dentro da web padrão o que há tempos vinha fugindo para apps e appMarkets: a capacidade de codificar, distribuir e processar aplicações complexas [como o kindle reader] dentro do próprio browser, ao invés de se tratar e gerir uma miríade de aplicações de propósito específico como estamos quase nos acostumando a fazer nos smartphones e tablets.

olhando para as dificuldades dos mercados de aplicações, as peculiaridades da apple e as novas capacidades trazidas por HTML5, é capaz de estarmos começando a observar uma volta, em grande escala, para  browser. o que não seria de todo ruim. isso porque, no caso de iPad e iPhone, nem a apple nem os desenvolvedores ganham dinheiro de verdade com apps, porque o app market de google para android é confuso… e porque as empresas não estão dispostas a serem sócias, obrigatoriamente, de seja lá que mercado for. ainda por cima, uma volta radical ao browser poderia ser o fim dos sistemas operacionais, o que seria ainda melhor para os usuários [e não necessariamente para os fabricantes, mas isso é problema deles].

em tempo: o próprio steve jobs acha [ou achava] que o futuro é da web aberta e não de padrões fechados. é certo que ele não falou contra mercados fechados e controlados, se também [como o appStore] seriam coisa do passado da rede, mas que é capaz da evolução de HTML5 dar cabo de vários deles. vamos esperar pra ver quem vai seguir a amazon, financial times, box… no caminho de volta para o browser.

em particular, vamos ver o que os jornais digitais vão fazer. pra quem não fez uma app de respeito ou que é usada em larga escala até aqui, a hora é de pensar porque não investir em HTML5 e "pular" os mercados de aplicações, trazendo de volta a web de informação e notícia para dentro do browser, que talvez seja a única aplicação que realmente precisamos ter numa rede ubíqua e pervasiva.

e voltar a pensar -resolvida a tecnologia, pelo menos por enquanto- em modelos de negócio capazes de sustentar, de novo e daqui pra frente, um jornalismo de qualidade. possivelmente em rede [e social] como nunca foi antes. e que talvez seja uma das únicas saídas daqui pra frente.

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