Terra Magazine

terça-feira, 29 de novembro de 2011

bits.0: um olhar… em rede?

ao fim deste quase já ido 2011 e janeiro de 2012, o blog vai publicar [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo.

vamos tratar de UMA situação, UMA explicação e/ou consideração e, se for o caso, UMA pergunta. depois, UMA consideração sobre o tema, talvez uma opção pessoal. corporativa, se pudermos revelar uma. regional, se isso fizer sentido considerar um país ou região no contexto. vamos ver no que dá.

Relógio

cientistas americanos e finlandeses testaram, pela primeira vez, uma lente de contato digital em um olho vivo. a lente, que depende de energia sem fio para funcionar, contém eletrônica capaz de intercambiar informação com o mundo exterior e um display de um único pixel.

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como você pode ver pela imagem acima, trata-se de uma gambiarra, o tipo de exercício tecnológico que demonstra a possibilidade de se fazer algo mas que ainda está muito distante do que será verdadeiramente feito. no futuro, em escala, para nós todos. mas… todos? sim. imagine que você tenha uma destas e que possa, de alguma forma [subliminar?...] interagir com a rede. perguntar coisas para google e bing. consultar a wikipedia. mapas. interagir com seus amigos no facebook enquanto está na mesa com seus amigos no bar. não que você não faça isso hoje. mas direto, no olho, sem ninguém notar… vai mudar tudo.

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as possibilidades são imensas. e as implicações também. quando a gente aprender a interagir com esta coisa [veja este texto de ficção] e ela estiver muito mais sofisticada, vamos "aumentar" a realidade ao nosso redor, em tese, com o que quisermos. como, pela lente, passar pela marginal do tietê achando –porque vendo!…- que é o champs-élysées. tô na fila pra testar.

Relógio

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

educação empreendedora, 27: inovação e performance

toda vez que alguém me diz que seu negócio é focado em inovação e que sua empresa só pensa nisso eu fico ressabiado. porque começou a parecer com quem diz que é fascinado por tecnologia, e não com o valor [inclusive diversão] que ela pode agregar a seu trabalho e vidas. ligados ao [ou no] meio, parecem se esquecer dos fins.

inovação é um meio para se atingir diferenciação. drucker dizia que é a única fonte de vantagens competitivas sustentáveis. mas se inovação é fonte, dela sai algo, que há de ter um curso, um fluxo, movimentos, destino, um fim. o que queremos é diferenciação e isso depende, em boa parte, da execução –ou performance- do negócio. e de quem o faz.

na prática, no ciclo de vida dos negócios, é preciso combinar pelo menos duas culturas: a de performance e a de inovação. e isso não é fácil, porque elas fazem coisas diferentes e estão em diferentes quadrantes da vida corporativa.

tempos atrás, uma discussão sobre políticas e gestão da inovação me levou a refletir sobre sucessos e fracassos das empresas, inovadoras ou não, e a uma [re]leitura de textos sobre práticas de inovação. os slides para o debate estão neste link e, entre as fontes consideradas, vale a pena lembrar uma [Projects as communicating systems: Creating a culture of innovation and performance, de johannessen e olsen], discutida abaixo

os autores simplificam as culturas organizacionais em termos da relação entre duas vertentes, o grau de interação [entre as pessoas em um projeto ou organização] e o de coordenação [e controle, realizado pela organização sobre as pessoas e grupos], como mostrado no diagrama abaixo.

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o grau de interação numa organização [ou projeto, numa] vai de pequeno [quase ninguém diz nada pra mais ninguém, por variadas razões] até grande, onde todo mundo fala com todo mundo sobre tudo. isso é um continuum e não uma separação binária, claro. o grau de coordenação vai de pequeno a grande, extremos que representam negócios [ou projetos] onde as pessoas são deixadas livres para se articular como quiserem [e puderem] e, na outra ponta, quando a organização administra o grupo em grande grau de detalhe.

no primeiro quadrante deste mapa, temos uma cultura contra producente: os agentes foram deixados livres para se articularem, mas não interagem. e aí nada –ou muito pouco- acontece. o resultado? muito provavelmente seu negócio está indo para o grande cemitério dos CNPJ. se for um projeto, provavelmente vai dar errado, e pode arrastar o negócio para o mesmo destino.pior é que pode levar muito tempo para as pessoas perceberem isso, pois a conversa, no grupo, é muito pouca.

no segundo quadrante, o resultado de pouca conversa e muita coordenação é uma cultura de comando e controle, que funciona muito bem para iniciativas onde não é necessário um grau de liberdade e criatividade no desenvolvimento do negócio. tipicamente, estamos falando de humanos executando ações repetitivas, dia e noite. coisa cada vez menos comum em qualquer cenário de negócios.

se há um alto grau de coordenação e, ao mesmo tempo, muita liberdade de expressão [que tem que ser usada, na prática, para "criar" este quadrante], temos uma cultura de performance. o efeito rede funciona, as "entregas" acontecem, os clientes estão satisfeitos e há resultados todo fim de mês. este é o quadrante que paga as contas; sem ele, lá vamos para o cemitério dos CNPJ de novo.

por fim, se o grau de coordenação é pequeno e o de interação e expressão alto, estão criadas as condições para uma cultura de inovação. muitas ideias vão circular, muita novidade vai aparecer, muita gente criativa se sentirá habilitada a propor mudanças… enfim, o negócio sempre estará pronto para mudar, até porque sempre haverá muita energia para tal.

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aí aparece a pergunta, quase óbvia: que tipo de negócio queremos, numa economia como a atual, onde as coisas estão mudando na velocidade, largura e profundidade em que mudam?…

parece claro que uma cultura contra producente não é desejável. uma cultura de comando e controle pode ser interessante em certos cenários, mas este paradigma está sendo reconsiderado até nas forças armadas, que estão se reorganizado ao redor de princípios de formação e evolução de redes…

queremos, certamente, uma cultura de performance: entregas de qualidade, no preço e prazo, mantêm o negócio vivo, atendem clientes e pagam contas. mas o hoje bem feito não garante o amanhã. é por isso que, à performance de todo dia, é preciso aliar a construção, em beta perpétuo, de um amanhã que ainda não sabemos bem o que é e tampouco sabemos fazer direito [até porque o desconhecemos, pelo menos em parte]. o resultado é mostrado no diagrama abaixo, sumário do artigo de johannessen e olsen.

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e você diria: como? pois é, grande problema. não há regra geral. há formas quase certeiras de falhar, como separar o pessoal que "cuida de inovação" da galera que entrega performance. o exemplo canônico é o PARC, o centro de inovação da xerox onde foi criada boa parte da computação pessoal das últimas décadas, sem que quase nada disso fosse capturado, como valor, pela empresa.

parece inevitável que inovação [e quem cuida dela] tem que estar espalhada por toda a empreitada, seja negócio ou projeto, com todo mundo pensando e agindo, ao mesmo tempo, em prol de um presente de entregas e um futuro de mudanças, ao tom da dinâmica do mercado [ou criando o tom de tal dinâmica]. os dois implicam em um alto grau de interação no negócio, o que talvez possa ser qualificado como uma "democracia" corporativa.

empresas como a w. l. gore têm mostrado como combinar performance e inovação por décadas, aliando times pequenos e mentores ao invés de chefes, gestão de longo prazo, tempo para as pessoas interagirem… e têm dado resultado. isso envolve toda a estrutura do negócio: para você ter uma idéia, a atual CEO [terri kelly, vídeo abaixo] foi "escolhida", em boa parte, numa "pesquisa aberta" entre os funcionários. você imaginaria isso em uma empresa americana, numa economia centrada em resultados?…

performance e inovação embutidos no modelo de negócio e administração: W. L. GORE

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

educação empreendedora, 26: "cuidado com o gato"

era uma vez uma vila rural, em meio a montanhas longínquas, onde todos viviam felizes. quase que para sempre…

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…até porque um eremita, numa alta caverna, era o guardião espiritual que garantia a saúde e bem estar daquele pequeno povo, assim como de seu sustento. até que, de tão bem que estava, a coisa desandou. os casais começaram a se desentender, a safra já não dava para todos, os jovens não queriam nada com a vida, os mais velhos começaram a morrer sem razão. o conselho dos anciãos resolveu tomar uma medida extrema, nunca dantes contemplada: em comissão, foram à loca do sábio, em busca de conselho e conforto.

lá chegando, encontram o ermitão descabelado, a lidar com uma praga de ratos que tirava sua paz e sustento: "desde que os roedores me descobriram e aos meus grãos, nada mais faço a não ser lutar, dia e noite, para tirá-los daqui. de pouco tem adiantado. não posso lhes fazer mal; só assustá-los. e isso de pouco adianta. não mais medito, não há tempo para cuidar dos espíritos da aldeia, porque nem do meu há mais tempo para tratar".

os anciãos, em concílio sobre tal cena, propõem ao sábio uma solução tão natural que, quem sabe, ele aceitaria: "mestre, humildemente vos propomos um presente, da aldeia; ele saberá tratar os ratos e, como parte da mesma natureza que os criou, não é um mal que vos propomos, mas um bem: será que o mestre aceitaria, como nossa humilde oferenda, um gato?"…

o velho sábio parou e refletiu: um gato!… óbvio! como não havia pensado nisso? gatos competiam com ratos, parte da ordem natural das coisas e não havia nenhum mal em ter um deles por ali. afinal, era capaz até do gato não fazer mal a nenhum rato; sua simples presença os levaria a procurar outra fonte de sustento que não a sua.

o eremita, agradecido, aceitou o gato e o comitê de anciãos, de volta à aldeia, providenciou um de imediato. e a paz foi restaurada. por muito pouco tempo. o tempo fechou e até uma morte violenta foi registrada, numa disputa entre vizinhos, algo que jamais havia acontecido antes.

estarrecido, o comitê de anciãos volta a visitar o eremita e descobre que, depois de dar cabo de uns poucos ratos e ter-se saciado, o gato viu sua comida desaparecer. de pronto, começou a exigir de seu hospedeiro o alimento devido. o gato não comia grãos e miava o dia todo. e à noite. toda. e o velho sábio tinha perdido a paz de vez. parecia ensandecido.

o comitê, de pronto, descobre o que falta: leite. e resolve o problema, com o aceite do velho mestre, presenteando-o com uma vaca e um bezerro. agora, o gato cuidaria dos ratos, se voltassem, o bezerro fazia a vaca produzir leite, e parte do leite seria do gato, o sábio poderia meditar e cuidar dos espíritos e todos estariam contentes e felizes. e os anciãos tinham certeza de que todos os problemas estavam, de novo, resolvidos para sempre.

por um tempo. depois algumas estações, a vida na aldeia se tornou um inferno. secas, pragas, brigas, tudo o que não poderia acontecer estava acontecendo, muito e muito frequentemente. de novo, os anciãos sobem a montanha e, espantados, chegam a um velho homem descabelado, na lide com uma vaca que havia acabado de parir outro bezerro dentro de sua loca, agora imunda e inabitável, fezes sobre os preciosos grãos que outrora eram o sustento das preces… e um gato apavorado com bovinos e um humano dentro de um espaço onde mal cabia ele, o gato. e o felino só estava lá por causa do leite. e não entendia como o homem era incompetente a ponto de não conseguir ordenar a casa. ou ordenhar a vaca para si, o gato.

os anciãos chegaram à mesma conclusão em pouco tempo e, ao mesmo tempo, a uma solução: o velho homem não tinha nada de prático, nem tinha que ter. o que ele precisava, mesmo, era de alguém que cuidasse dele e da casa, para que ele, por sua vez, pudesse cuidar dos espíritos. propuseram que o mestre esposasse uma das moças da aldeia, o que foi aceito depois de alguma relutância. mas, como estava, a coisa não podia ficar. e, se havia alguém que poderia arrumar a coisa e a casa, talvez este fosse o caminho para voltar a meditar e, de mais de uma forma, "sair de si e do mundo".

o velho mestre desce à aldeia: casamento, comemoração, despedidas e partem os nubentes montanha acima. todos respiram aliviados, afinal de contas, agora, sim, os problemas estavam resolvidos. e para sempre.

por um tempo. algum tempo. depois do qual a aldeia mergulha na mais profunda barbárie, a ponto de terem se esquecido, quase todos, do mestre e suas responsabilidades para com a vila. até porque, na guerra civil em que estavam mergulhados, vários membros do conselho perderam a vida, alguns condenados por traição, corrupção e crimes menores. até que, num hiato de paz no vale, alguém conseguiu reunir um grupo que lembrava do mestre e, em nome de todos, subiria a montanha a pedir conselho e guarida.

o que foi feito de pronto. lá em cima, encontram um senhor que cuidava da terra com um filho no braço e outro à barra da calça, aos berros. uma jovem grávida tangia um pequeno rebanho, enquanto um velho gato gastava mais uma de suas vidas esperando o leite, olhando a caverna para que nela não chegassem os ratos. para o sábio, tempo para meditar que é bom, nada.

estupefatos, os aldeões gritam, surpresos: "mestre?!?…" ao que o homem, com a cara mais lavada do mundo, replica "cuidado com o gato…"

esta história me foi contada há quase vinte anos por um alemão, yahooo! [sim, com três o's e exclamação], em pipa. e na época em que pipa era uma vila no mar do rio grande do norte e não uma búzios nordestina, yahooo! era dono de uma pousada do mesmo nome, sem energia elétrica mas com uma hospedagem e comida fantásticas. longe de tudo, mesmo da pipa da época. abaixo, a praia vista de um dos quartos, nos velhos e idos tempos.

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antes de pipa, yahooo! girou mundo e havia passado um tempo com osho. o polêmico mestre, como se sabe, falava muito por parábolas e a do gato foi uma delas, presenciada por yahooo!, em resposta a uma pergunta feita por um americano ao fim de um estágio de muitos meses de ensinamentos e meditação. tentando tirar algo definitivo do guru que só falava em contextos, fluxos e reflexão pessoal permanente como forma de viver, quis saber qual era "a" regra para o equilíbrio e qual era, mesmo o "segredo da vida"?…

"cuidado com o gato…", foi a resposta. e ninguém entendeu porque.

depois de muita discussão, o grupo de sannyasin solicitou uma última audiência antes do fim do retiro para fazer uma pergunta: "mestre, como assim… cuidado com o gato?"… e o que se seguiu foi a parábola repetida acima, que yahooo! me contou num dia de muito sol em pipa.

como em todas as parábolas, há muitas interpretações. mas há uma, quase padrão, que tenho visto e ouvido: o gato representa a ligação, o attachment. uma vez que o sábio [veja o vídeo abaixo] deixou para os outros escolherem como resolver seu "problema", aceitou o "gato" e se ligou a ele, tudo passou a girar em torno da "solução", que se tornou o verdadeiro problema.

erros são essenciais: erre para aprender, erre para crescer. você é o primeiro aqui… explore!

pense você mesmo: há muitas maneiras de resolver o problema dos ratos sem o gato. com o gato, e sem aprender a resolver os "problemas do gato", é preciso cada vez mais ajuda externa até que, ao invés de viver, aquele que era sábio e conexão espiritual da aldeia deixa de viver e passa, apenas, a passar tempo. não "com" o gato, mas "para" o gato.

estamos no fim de mais uma semana global do empreendedor. levando em conta todos os aspectos do empreendedorismo, não é empreendedor apenas aquele ou aquela que cria e evolui negócios. para viver a vida que queremos viver e não a que nos querem impor, cada um deve empreender seu aprendizado, carreira, família, um ou muitos negócios, a vida inteira. caso contrário, estaremos só passando tempo. que é como muita gente "gasta" seu tempo, passando tempo. enquanto espera para viver uma aposentadoria tranquila, "passando ainda mais tempo". pra que?…

não há nenhum bom manual para viver ou para aprender. tampouco para empreender. a arte de empreender apreende-se: não só aprendemos ao empreender, mas empreendemos ao aprender. escrevemos nós mesmos o manual, o mais apropriado deles, mesmo tendo os melhores conselheiros. o mundo está cheio de gente para dar conselhos, a maior parte acompanhada de um "gato". o manual da vida e do empreendedorismo é escrito e reescrito a cada oportunidade, a cada momento, a cada novo problema. claro que há uma gigantesca rede de conhecimento e experiência a que temos acesso e, principalmente, um repertório monumental de erros que podemos evitar.

mas nossos problemas –e os do nosso novo negócio inovador de crescimento empreendedor-, no nosso contexto, tempo, rede social, mercado, regulação, clientes, colaboradores…, são únicos, são nossos. sempre. e as coisas só [a]parecem como são quando abandonamos os preconceitos sobre elas. sob certos pontos de vista os ratos não são o problema que pareciam ser. muito menos precisam de gatos na solução.

aprender, criar, inovar e empreender são atividades sempre muito complexas porque implicam na descoberta e/ou criação de espaços e comportamentos, produtos, serviços, métodos, processos, modelos de negócio. e porque são circulares: quando tudo está muito bem, quando você acha que sabe tudo, ou fez tudo, é exatamente antes deste ponto que você já deveria ter voltado a um novo ponto de partida e começado tudo de novo. caso contrário, você se torna irrelevante. ou seu negócio morre. ainda mais rápido se tiver um gato. pense. e escreva você mesmo seu manual. e reescreva, o tempo todo.

a série sobre educação empreendedora está quase no fim e os textos já publicados até aqui estão neste link. o texto anterior trata das condições de empreendedorismo por aqui, relembrando tom jobim e seu "o brasil não é um país para principiantes". pois é: além de um monte de gatos, o brasil já vem junto com uma montanha de ratos

na rússia é ainda pior do que aqui e são os ratos que ATACAM gatos. radical.

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sábado, 19 de novembro de 2011

o ataque à bomba dágua

a bomba dágua estava em springfield, IL, EUA. automática, controlada por um sistema SCADA [supervisory control and data acquisition, sistema para aquisição de dados, supervisão e controle]. os SCADA são sistemas usados para monitorar e controlar processos industriais, infraestruturas como água, energia e gás e ambientes [de grande porte, normalmente] como fábricas, aeroportos e estradas.

nem todo sistema SCADA está em rede, mas muitos, como a bomba dágua lá de illinois, estão. porque, em rede, pode-se descobrir o que está rolando na bomba, a centenas ou milhares de quilômetros, no gelo, talvez, de dentro de um muito bem aquecido centro de controle. perto de casa.

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o problema de estar em rede é conhecido. o sistema SCADA lá da bomba é feito de hardware e software e, como tal e todos os sistemas de hardware e software que estão por aí, tem vulnerabilidades. algumas, desconhecidas. e outras muito bem conhecidas. no caso de SCADA, há muito tempo.

e daí? imagine que você soubesse o endereço da bomba dágua de illinois. como ela está na rede, tem um endereço. alguém, em algum lugar, tem o endereço. e, se um tem, outros terão. por muitos e variados meios. se o "você" que sabe como chegar, pela rede, na bomba de illinois, não tem muito boas intenções… a bomba, e illinois, têm um problema. grande.

que tipo de problemas? alguém, de uma máquina associada a um endereço na internet russa, entrou no SCADA da bomba, assumiu o controle da coisa e passou a ligar e desligar o equipamento até destruí-lo. grandes bombas dágua não resistem a muitas e sucessivas operações de liga-desliga.

bombas como as de illinois são coisas complexas e caras, e um sistema delas chega a 20% do investimento total de uma adutora. perder uma não é brincadeira. "atacar" uma tampouco deveria ser fácil mas, pelo que se vê e ouve, é mais fácil do que invadir certos sistemas financeiros.

ataques a infraestruturas críticas, como foi o caso de illinois, estão se tornando frequentes, mais do que era de se esperar num mundo equilibrado. o problema é que o mundo sempre está meio desequilibrado e há bem mais de um espírito de porco disposto a invadir uma bomba dágua, destruí-la e deixar muita gente a seco por muito tempo.

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isso do ponto de vista dos indivíduos. mas pode ser pior, porque há um certo tipo de comportamento corporativo que, em tese, poderia estar por trás de ataques a partes de infraestruturas críticas providas pela "competição". ou, ainda pior, há estados [ou parte deles] dispostos a invadir e destruir a infraestrutura de outros.

a estratégia nacional de defesa tem pelo menos parte disso em mente quando diz que… Todas as instâncias do Estado deverão contribuir para o incremento do nível de Segurança Nacional, com particular ênfase sobre…

…as medidas para a segurança das áreas de infraestruturas críticas, incluindo serviços, em especial no que se refere à energia, transporte, água e telecomunicações, a cargo dos Ministérios da Defesa, Minas e Energia, dos Transportes, Integração Nacional e Comunicações, e ao trabalho de coordenação, avaliação, monitoramento e redução de riscos, desempenhado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR).

infraestruturas críticas. cada vez mais online. um megaproblema nacional. pra montar, manter e defender. online, também. que o digam todos os que foram atacados e, como a bomba de illinois, destruídos.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

mobilidade: fragmentação, diversidade e execução. entre "americanos".

o mercado de smartphones tem um líder. por muito. android tem 52% de todas as vendas, como mostra a tabela abaixo. clique pra ver em detalhe.

gartner-q3-2011-smartphone-shares-o

e o mercado de mobilidade tem um líder. a apple tem 52% do lucro, como mostra o gráfico abaixo. e a apple só vende 4% de todos os celulares.

chart-of-the-day-apple-has-4-of-the-phone-market-and-52-of-its-profits

e a imagem abaixo apareceu aqui mesmo no blog há um mês, mostrando como a apple [iOS] e google [android] mudaram tudo no mercado de smartphones nos últimos quatro anos.

agora volte para a primeira imagem, a tabela. veja quem é o segundo maior vendedor de smartphones por sistema operacional. sim, a nokia. com menos da metade do mercado de 2010, mas em segundo lugar, ainda.

a nokia acaba de lançar seus primeiros smartphones windows phone 7.5 e não deve parar por aí, entrando também no mercado de tablets a partir de 2012 [rodando windows 8]. para a microsoft, a entrada da nokia no "seu" mercado de sistema operacional móvel é a promessa de uma grande família de dispositivos, de todos os preços e capacidades, para o mercado mundial.

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testando windows phone 7.x há alguns meses, estou vendo a melhoria continuada do sistema, em funcionalidade, confiabilidade e performance. a atualização via zune é transparente e já rolou duas vezes para o LG E900 [disclosure: da vodafone inglesa, cedido pela microsoft brasil], sem qualquer problema, e a última foi para a versão mango, que praticamente reescreve o sistema operacional.

a microsoft perdeu quase a metade do mercado de smartphones em um ano. e caiu pra região lá do 1%. o fim, se não fosse a microsoft [e, agora, a nokia]. em maio, a IDC previu que a microsoft teria 5.5% do mercado de smartphones em 2011. errou, pelo menos até agora. e apontou pra mais de 20% em 2015. pouca gente acredita que redmond consiga tanto em tão pouco tempo.

certo é que o mercado de mobilidade agora é quase só de smartphones e isso significa todas as faixas de idade, preço, geografias e usos. como android está mostrando, a estratégia de [quase só] um sistema e muitos vendedores de hardware é muito mais abrangente [apesar de menos lucrativa, agora] do que a necessária verticalização da apple.

para garantir uma participação majoritária no mercado global de sistemas de informação pessoais, conectados e móveis [leia-se  smartphones e tablets] a proposição da apple deveria ser mais diversificada do que um de cada.

pode ser que a microsoft consiga combinar as estratégias de google e apple: uma plataforma informatização pessoal menos fragmentada do que a da primeira e mais aberta do que a da segunda. combinada com hardware de qualidade, usando a definição de drucker: qualidade é o que o cliente quer, pelo preço que ele pode pagar.

agora que a microsoft começou a alinhar sua oferta e abrir o caixa pra enfrentar android e iOS, os próximos mil dias vão nos dizer quem sairá do outro lado.

maiores problemas de cada um? google, fragmentação e, daí, a gestão do ciclo de vida: nenhum de meus android foi atualizado, nenhuma vez, sem minha intervenção direta. isso é um problema para o usuário comum.

para a apple, o problema no grande mercado global que se desenha vai ser a diversidade: como manter a qualidade "apple" em um número muito maior de dispositivos. ou não. a empresa pode decidir ficar [por um tempo] onde está: pequena no mercado, mas com margens assombrosas. e prestar atenção, o tempo todo, pra ver onde foi mesmo que a RIM errou.

para a microsoft, que está começando agora, o principal problema deverá ser execução: noite e dia, ballmer & co. terão que fazer, em casa, o que não vinham fazendo com o velho windows phone. além de alinhar a nova oferta com windows 8 [a estratégia "família"], atrair um grande número de fabricantes e desenvolvedores e adensar a rede de valor… em suma, fazer tudo que google e apple já vêm fazendo há anos, pra ter uma presença lucrativa no mercado. lembrando que se trata de, literalmente, "tirar" dinheiro da apple e de google, e isso não vai ser nada fácil.

em suma, os próximos mil dias serão de disputa entre os que são a favor e contra, na apple, da diversificação de sua oferta móvel; lá em google, entre os que querem e podem, ou não, diminuir radicalmente a fragmentação de android; na microsoft, entre os que têm a capacidade, ou não, de cuidar da execução que pode colocar a empresa em um patamar de competição com os outros dois. e você diria: e os outros? mas que outros? como um slide recente de mary meeker mostra, a parada é entre os  "americanos". e se entrar mais um, o que pode rolar em grande escala, será a amazon.

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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

as reuniões de avatares

lá no princípio da internet comercial, uma operadora portuguesa botou um gigantesco outdoor sobre seus novos serviços de conectividade na entrada do aeroporto de lisboa. o anúncio dizia… "economize tempo e dinheiro: não vá". uma referência direta ao que se gasta em viagens aéreas de negócios, parte das quais para ir a reuniões que, bem mais que vez por outra, servem para não mais que gastar –mesmo- tempo e dinheiro.

há quinze anos, a promessa da operadora era não mais que promessa. não dava para substituir uma reunião presencial, por mais improdutiva que fosse. se –hoje- mal dá pra conversar pela rede [em áudio, básico], com algumas poucas pessoas, por uma hora, sem interrupções, imagine lá em 1997.

mas as instituições se distribuem cada vez mais e têm interesses cada vez mais globais, onde nem sempre dá para estar presencialmente. o que leva à demanda por meios cada vez mais realistas de montar encontros onde uma ou mais pessoas estão noutra cidade ou continente. e não é preciso estar muito longe para pensar em "não ir": na maioria das grandes cidades, a demanda por reuniões virtuais é cada vez maior, face ao tempo que se gasta, quase a qualquer hora, pra ir de um lugar a outro.

o que era norma apenas em são paulo, aqui no brasil, agora é o caso em quase toda grande cidade, incluindo recife. e cada vez mais gente trabalha em casa e "não vai" fisicamente ao que se costumava chamar de "local de trabalho". o blog já discutiu o assunto neste link, pensando em redesenhar cidades, conectando-as, para que bem menos gente tenha que ir "longe" de casa só para ter acesso a meios de trabalho que, hoje, são essencialmente informacionais ou dependem, muito, de infraestrutura de informação.

e quem já esteve em conversa só por vídeo sabe que é diferente, por melhor que seja, do que estar presente. o ambiente criado pela presença em tela [na reunião] apesar dos muitos avanços dos últimos anos, ainda é muito menos interessante do que a participação direta no evento. é isso que o bell labs está querendo resolver com robôs de telepresença, como os da visão artística abaixo.

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a ideia, ainda em estágio de laboratório, é simples: robôs controlados pela rede, por quem está longe, com câmeras, microfones e falantes, capazes de alguns movimentos básicos, como girar e olhar pra "alguém", talvez um outro robô. segundo os proponentes, o uso deste tipo de tecnologia poderia deixar encontros com participantes remotos mais pessoais e realistas para todos.

exemplo? numa reunião presencial, quando mais de um começa a falar ao mesmo tempo, continua falando quem captura a atenção da maior parte dos outros participantes.  os tais "robôs de reunião" conseguiriam transmitir esta e muitas outras sensações para quem está longe, melhorando a qualidade do encontro.

evoluções como esta são um prenúncio do fim dos encontros presenciais? bem… sim e não. é possível defender que certos elementos [conexões, impacto...] das reuniões presenciais nunca vão rolar nos encontros virtuais. pelo menos enquanto estivermos pensando em realizá-los sobre plataformas tão básicas quanto os robôs propostos pelo bell labs ou em mundos virtuais como second life, discutido aqui. sem falar no intervalo, que é quando a maior parte das coisas realmente interessantes começa ou acontece.

o problema é muito maior do que reuniões, reais e/ou virtuais. a taxonomia de trabalho colaborativo no espaço-tempo [de ellis et, al., discutida neste link, pág. 47] mostrada abaixo, nos diz que reuniões virtuais são interação síncrona distribuída. acontecem ao mesmo tempo, mas com participantes de diferentes lugares. a maior parte do trabalho distribuído [pense uma disciplina de graduação, quatro meses de aulas, estudos e trabalhos] tem a ver com interações assíncronas e distribuídas, porque nem todo mundo pode estar disponível ao mesmo tempo para alguma coisa, mesmo que não seja no mesmo lugar.image

pode-se defender a tese de que a maior parte do trabalho do futuro vai ser realizado em diferentes lugares e tempos, ou seja, no quadrante inferior mais à direita da imagem: interações assíncronas e distribuídas. e [quase] todos nós já participamos de ambientes onde isso ocorre, não necessariamente para trabalhar. se você está pensando que redes sociais são tais ambientes, acertou na mosca.

ainda mais, como quase tudo são redes sociais, inclusive empresas, e como memória e conhecimento estão nos fluxos destas redes e não depositados em um lugar qualquer, entender como tais fluxos acontecem, dentro e fora dos negócios, é muito mais importante no médio prazo do que fabricar robôs que participam de reuniões. porque o que precisamos mesmo é de avatares que nos representem nas interações, ao ponto de [no futuro] eles continuarem agindo como se fossem "só" uma representação de nós próprios, apesar de, depois de um tempo, terem adquirido capacidade independente, provocada e parcialmente construída por nós, de resolver problemas. pelo menos os mais simples.

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pra descobrir quão distante a gente está deste ponto, dê uma folheada na tese de doutorado de tony clear, 849 páginas dedicadas à mediação tecnológica para interações assíncronas e distribuídas. e vá ver este conjunto de textos, daqui mesmo do blog, que parte do princípio que empresas são abstrações. avatares, por sinal, também. mais dia, menos dia, ainda vamos ver reuniões deles. só deles, por sinal.

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

a oportunidade móvel

em laranja, na imagem abaixo, o tráfego global móvel, a cada trimestre, por mês, de voz. em vermelho, o tráfego de dados. tudo em petabytes por mês.

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pra começar, se você não sabe que voz, nas redes móveis, é transferida como dados, fique sabendo. é até por isso que dá pra comparar o "volume de dados correspondente a chamadas telefônicas clássicas" com o "volume de dados de todas as outras coisas" [incluindo voz em skype, por exemplo].

o volume de dados móveis ultrapassou o de voz no fim de 2009 e já era o dobro no começo de 2011. e isso só está começando. observe a imagem abaixo e veja quais são as previsões da ericsson [neste relatório] para o crescimento do número de conexões e de banda larga móveis nos próximos cinco anos.

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estamos falando de 8 bilhões de conexões móveis em 2016, quase 5 bilhões delas com acesso a banda larga móvel. a curva amarela, avançando muito rapidamente na direção da verde e se encontrando com ela perto do fim da década ou no começo da próxima, parece mostrar que todos os sistemas de informação pessoais, conectados e móveis, serão em essência digitais. é mais ou menos por aí, também, que a ideia de "pacote de minutos de voz" das operadoras vai deixar de fazer qualquer sentido, levando consigo, talvez, uma noção criada em 1879/1880 por um médico americano, o número telefônico. apesar de você precisar dele ainda hoje, para usar um sistema de voz digital que independente totalmente da "voz, na operadora", como viber.

quem já tem esta conectividade digital pessoal móvel… como usa?

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metade das pessoas usa dados nos smartphones antes de dormir e quase 40% assim que acorda; a hora mais "calma" do dia é o jantar, onde parece que as pessoas se encontram e, sem uma maior mediação informatizada… conversam de verdade, talvez sobre a [péssima, no caso do brasil] qualidade das infraestruturas de banda larga móvel. e os picos de uso são na ida para o trabalho [nos transportes públicos, principalmente] e tarde da noite, talvez [quase certo, veja o gráfico abaixo, deste outro texto] vendo TV.

a mudança de comportamento embutida na ubiquidade dos smartphones e tablets é radical. o autor e cristina coghi discutiram parte do impacto deste aumento de conectividade no fim de junho, na CBN, neste link [em áudio].

veja o relatório da ericsson e pense nas oportunidades. em particular, imagine um mercado em que o número de participantes vai crescer cinco vezes em cinco anos. e isso a partir de um patamar de quase um bilhão de usuários. estamos falando –na prática- de universalização de banda larga móvel na próxima meia década. muito provavelmente, haverá consequências em quase todos os mercados, de varejo a logística, de educação a saúde, de mobilidade a entretenimento.

e você, vai fazer o que? e nós, em todo o brasil, temos que grandes ideias e capacidade de execução para dar conta de que nichos deste gigantesco e multibilionário mercado global?… dos cinco bilhões de usuários de banda larga móvel de 2016, quantos estarão usando soluções e aplicações brasileiras no seu dia-a-dia, pra trabalhar ou se divertir?

o brasil quer quase 50% das exportações mundiais de carnes em 2020. seria muito pensar em 5% dos usuários de banda larga móvel usando pelo menos um serviço ou aplicação móvel made in brazil em 2016 [ou 2020]? isso daria uns 250 milhões de pessoas. numa conta de padaria, se o ticket médio por usuário fosse US$10 por ano, seriam US$2.5 bilhões de dólares do lado certo da balança comercial de TICs, que este ano será deficitária em quase US$40 bilhões [US$33.4B em hardware e perto de US$5B em software, assumindo um crescimento de 20% sobre 2010]. vale a pena observar que as exportações de software made in brazil por empresas de capital brasileiro não chegam a US$250 milhões, perto de 10% do total exportado pelo país..

o tamanho da oportunidade móvel é imenso. quem estiver perto do setor tem que pensar nisso. e no mercado global. e nos próximos cinco, dez anos, pelo menos. quem apostar, verá.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

a volta do "ciberespaço"

william hague é o equivalente do ministro de relações exteriores de sua majestade elizabeth II. lá, o nome literal do cargo é, simplesmente, o "secretário do estrangeiro". olhando do ponto de vista de mr. hague, o "estrangeiro" online está se transformando em um megaproblema.

ao ponto do governo inglês ter provocado e organizado a primeira grande conferência mundial de "segurança do ciberspaço". sim, ciberespaço, uma forma de nomear a internet que andava meio fora de moda. mas que pode fazer sentido, se a ótica for de que a internet –a rede- é a base para um ambiente que acontece sobre sua infraestrutura, serviços e aplicações. no topo desta tríade, rola um "espaço virtual", que interfere e se mistura com o concreto… e é este lugar que poderia ser denominado "ciberespaço".

o governo inglês quer que todos os outros países comecem a entender um bocado de coisas sobre a rede [ou o "ciberespaço"]  e sua segurança. avalia que ataques virtuais já custaram US$43 bilhões à economia da ilha e são a causa [direta] da falência de um fabricante de turbinas eólicas. por baixo do pano, diz-se que a culpa é da… sim, você adivinhou, da china. a coisa chegou a um ponto em se publica uma "matriz de retorno de investimento para crime virtual" que ser vista na imagem abaixo [para 2011], tirada deste relatório. e roubo de dados está lá, na crista da onda.

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segundo william hague, a conferência terminou com quatro mensagens bem claras para os governos: 1. seja lá qual for o país, o crescimento do crime virtual é uma ameaça séria para seus cidadãos e tratar este problema tem que deixar de ser uma atividade ocasional para se tornar parte das políticas, estratégias e operações de todos os países; 2. a internet não deve ser tratada como sendo propriedade dos governos e conter os problemas de segurança discutidos na conferência só vai ser possível trazendo para muito perto pessoas e instituições que estão fora do governo; 3. ataques virtuais incentivados ou apoiados por governos não interessam a ninguém no longo prazo e devem ser contidos imediatamente e 4. ignorar as forças da rede, que pedem e promovem mais transparência, abertura e intercâmbio, à guisa de tratar os problemas de segurança… é uma má ideia e vai dar errado.

hague ainda disse que a mensagem da conferência aos empreendedores e companhias é… continuem inovando; mantenham o fluxo de ideias e trabalhem junto com seus governos para salvaguardar propriedade intelectual e prevenir o crime virtual. para os indivíduos, o secretário inglês deixou claro que "este é o seu debate": sem as pessoas e sua participação, a rede não seria o espaço de expressão e diversidade de conteúdo e opinião global que é. e seu valor e importância seria muito menor. irrelevante, talvez.

um número de países não acha que deveria ser assim e está propondo, na ONU, um código de conduta global que chega perto de "relocalizar" a rede, como se a internet em cada país fosse a "sua" rede, para a qual valeriam controles geográficos e de fronteiras do começo do século passado.

joe biden, vice-presidente dos estados unidos, discorda:

"What citizens do online should not, as some have suggested, be decreed solely by groups of governments making decisions for them somewhere on high… No citizen of any country should be subject to a repressive global code when they send an email or post a comment to a news article. They should not be prevented from sharing their innovations with global consumers simply because they live across a national frontier. That is not how the internet should ever work in our view."

este embate faz parte do vai-e-vem da vida inteligente no planeta, nos eixos do espaço e tempo. toynbee já dizia que a civilização é um movimento e não uma condição, uma viagem e não um porto. por um tempo, pode ser possível "conter" as forças que se articulam na [e em] rede. pouco tempo. o tempo social, no entanto, é longo. esse "pouco" pode ser 50 anos. mas mais cedo ou mais tarde [pense daqui a cem ou, radicalize, mil anos] vai haver um só planeta, uma só civilização. com seus sotaques e costumes locais, claro. mas muitas coisas vão ser globais, como a grécia demonstra hoje em dia: pra ter a mesma moeda, tinha que ser a mesma economia.

na internet, ou no tal ciberespaço da conferência inglesa, pra fazer parte da mesma rede vamos ter todos que seguir os mesmos princípios, mais cedo ou mais tarde. de segurança, também.

mas não vai ser fácil. e vai ser preciso muito mais de uma conferência. esta pode não ter sido muito boa. ou um completo fracasso. e os princípios propostos por uns podem não ser aceitáveis por muitos. pode até ser que o reino unido tenha realizado tal encontro para se redimir de ter pensado em censurar a rede no quebra-quebra de londres. mas todos concordam que é preciso agir para garantir que todos vão ter acesso confiável e seguro à rede, tão livres de restrições e ataques quanto possível e que, sem uma ampla colaboração internacional, isso não vai acontecer.

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é muito provável que o cenário que queremos para o planeta seja o que o GBN e a rockfeller foundation descrevem como "clever together", ou todo mundo muito esperto, junto, o que quer dizer alta adaptabilidade e alto alinhamento político e econômico. travar a rede, criar restrições para o maior engenho de alinhamento e crescimento [em todos os sentidos] global, seja lá por qual razão for, não é um bom começo. tomara que nem tentem. e, se tentarem, aí é que vamos ter que nos alinhar e provar que valemos os links das redes que estamos construindo.

na rede, o problema é muito mais complexo e bem maior do que segurança. a imagem abaixo é um link para um relatório onde se discute os possíveis cenários para a internet em 2025, ou como vamos evoluir de uma rede de 2 bilhões de pessoas [e 3 trilhões de dólares anuais] hoje para 5 ou 6 bilhões de pessoas, lá, e todo um novo mundo pra se conectar e [re]descobrir.

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ciberespaço, internet, rede ou web, a história do virtual só está começando. e as decisões desta década terão impactos profundos nas próximas e todo cuidado é pouco. e o cuidado com a rede… tem que ser em rede.

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