Terra Magazine

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

uma SOPA, entornando o caldo da rede? [2]

paulo coelho escreveu um texto muito importante sobre as propostas americanas [e de muitos outros países] para restringir a liberdade na rede. "my thoughts on S.O.P.A" ["o que penso sobre SOPA"] está sob um link, http://paulocoelhoblog.com/2012/01/20/welcome-to-pirate-my-books/,  mais interessante do que o título e que diz muito. coelho, que já vendeu mais de 140 milhões de exemplares, é de longe o mais lido e conhecido escritor brasileiro. escreveu o quinto livro mais vendido no mundo em todos os tempos, o alquimista, que é também o livro mais largamente traduzido de um autor vivo. não é coisa pouca, por nenhum critério.

sobre #SOPA, paulo coelho diz…

…how do I feel about this? As an author, I should be defending ‘intellectual property’, but I’m not.

Pirates of the world, unite and pirate everything I’ve ever written!

The good old days, when each idea had an owner, are gone forever. First, because all anyone ever does is recycle the same four themes: a love story between two people, a love triangle, the struggle for power, and the story of a journey.  Second, because all writers want what they write to be read, whether in a newspaper, blog, pamphlet, or on a wall.

pra quem não sabe, o blog de paulo coelho é em inglês, sua audiência é global. tempos modernos. who knows, we ought to be writing this blog in english as well. bem… mas o que disse paulo coelho, acima? que há quem pense que ele deveria defender a propriedade intelectual. mas não. muito pelo contrário, ele conclama os piratas do mundo a copiar e distribuir seus livros. noutro lugar do texto, fala do site pirata onde deposita –e compartilha- seu próprio trabalho pirateado, quando acha na rede. coelho também diz que os velhos tempos, quando toda ideia tinha um dono, se foram para sempre. segundo ele, todas as estórias giram em torno de quatro grandes temas universais e o que os escritores querem, mesmo, é ser lidos. se escrevesse por dinheiro, diz, e não para dar significado à vida, já teria parado há anos, até para fugir das críticas quase sempre depreciativas ao seu trabalho.

paulo coelho defende pirataria como [parte de] um modelo de negócios, como já foi comentado aqui no blog e como sempre foi –e é- largamente praticado em todo mundo. ao fim do texto, ele diz que…

‘Pirating’ can act as an introduction to an artist’s work. If you like his or her idea, then you will want to have it in your house; a good idea doesn’t need protection. The rest is either greed or ignorance.

…pirataria pode ser uma introdução ao trabalho de um artista,. se você gosta, vai querer ter em casa. uma boa ideia não precisa de proteção. e o resto é ganância ou ignorância.

radical, não?… mas em 2009, o cantor daniel causou um grande debate ao afirmar que pirataria poderia ajudar a divulgação do seu filme menino da porteira, até em função do que havia ocorrido em 2007 com o primeiro tropa de elite, que foi o filme mais pirateado e, ao mesmo tempo, a maior bilheteria de 2007 no país. quem sabe daniel estava certo; mas a união da indústria de vídeo surtou com a declaração cantor e escreveu: pirataria não é solução e alternativa para nada.  PIRATARIA É CRIME previsto em lei, ela é um câncer que deve ser combatido por toda a sociedade brasileira, mas, principalmente pela classe artística e produtora de obras audiovisuais.

aqui no blog, na época, perguntamos:

será mesmo? parece mais que a pirataria que vemos hoje [no caso do audiovisual, não vamos generalizar] se dá pela falência de um modelo de negócios baseado em distribuição de conteúdo sendo remunerado pelo preço do suporte físico. este modelo começou a funcionar lá na era do gramophone, começou a falir no tempo dos CDs, piorou nos DVDs e papocou, com calambote e tudo, quando o suporte físico se tornou irrelevante e as redes conectaram o mundo e as fontes de mídia.

no topo disso, a indústria cultural, preocupada em proteger suas fontes históricas de renda e seu legado, do ponto de vista de suporte e modelo de negócios, resolveu partir pra briga. ao invés de tentar entender o mundo.

claro que não é "toda" a indústria que sofre de cegueira cognitiva e negocial. há honrosas, criativas e lucrativas exceções, mencionadas em  estudos do próprio setor. quer ver? acabou de sair um do IFPI [Digital Music Report 2012 Expanding Choice. Going Global], resumido na imagem abaixo, uma colagem de figuras do relatório, que, tomara não me renda um processo por infringir propriedade intelectual…

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tem tempo? clique aqui pra pegar o relatório completo. não? tome nota: a tabela a), mostra que as vendas de "álbuns digitais" de música cresceram 24% globalmente em 2011; b) diz que 71% da receita de música na china é digital, apesar de c) estimar a pirataria, lá, em 99%. por que?… pense: não deve ser fácil comprar um CD de mombojó em zhāngjiākǒu e dificilmente há um serviço de música digital que já se estruturou a ponto de prover tal oferta lá. consequentemente, não há "renda" possível na mongólia interior, agora, pra alguém estar a dizer que há "pirataria" lá. o diagrama d) diz que 32% da renda global da indústria da música gravada está online, contra 1% dos filmes, que precisam de banda larga de verdade para "passar" na rede.

aliás, qual é a velocidade média de download no planeta, observando dezenas de milhões de PCs em 224 países? meros 580K. e no brasil? miseráveis 105K. resultado? para quase todos, não se pode confiar em um serviço de streaming musical como pandora ou spotify [que não funcionam no brasil, por causa de restrições de copyright!] e pagar pela música [como muitos podem e querem fazer]. vídeo, então, nem pensar. MPAA, RIAA e seus similares mundo afora deveriam fazer uma campanha global por mais banda, de muito melhor qualidade, para todos. porque? a tabela e) mostra que, mesmo onde há banda, o uso de P2P para compartilhar arquivos caiu pela metade entre 2007 e 2010. e a "indústria"… na dela, chiando.

gabe newell, de VALVE [a galera por trás de STEAM, que administra e distribui milhares de games para milhões de jogadores] diz que

"In general, we think there is a fundamental misconception about piracy. Piracy is almost always a service problem and not a pricing problem.

For example, if a pirate offers a product anywhere in the world, 24×7, purchasable from the convenience of your personal computer, and the legal provider says the product is region-locked, will come to your country 3 months after the US release, and can only be purchased at a brick and mortar store, then the pirate’s service is more valuable. Most DRM solutions diminish the value of the product by either directly restricting a customers use or by creating uncertainty.

Our goal is to create greater service value than pirates, and this has been successful enough for us that piracy is basically a non-issue for our company."

tradução? há um equívoco conceitual generalizado sobre pirataria [de bens digitais], que é quase sempre um problema de serviço e não de preço. por exemplo, se um pirata oferece um produto em qualquer lugar do mundo, 24×7, fácil de adquirir, pagar e levar, e o fornecedor legal diz que o produto dele só funciona por região, só estará na sua 3 meses depois dos EUA, só pode ser comprado numa loja física… então o serviço do pirata tem mais valor. e a maior parte das soluções de controle de propriedade intelectual diminui o valor do produto através da redução das possibilidades de uso e/ou aumento de incerteza. a proposta da VALVE é bater os piratas em seu próprio jogo, criando e prestando um serviço de maior valor. e temos tido sucesso o suficiente para dizer que, para nós, pirataria não é um problema.

falou e disse. aqui mesmo no blog, há tempos, resumi uma palestra de matt mason, autor de the pirates’ dilemma, em sete pontos, tratando a coisa toda de uma forma construtiva: o que pirataria tem a ensinar pra inovação?… visto por um outro ângulo, lutamos contra os piratas ou aprendemos com eles? vamos lá.

1. quer derrotar a pirataria? copie os piratas. os piratas [jogos "originais" para consoles a R$10, com nota e garantia!] estão adicionando valor so jogadores, num clássico exemplo de falha no mercado; aprenda com os piratas e faça melhor. olhe para VALVE e, porque não, mombojó: desde o começo, tudo o que fazem está na rede e não me consta que tenham "perdido dinheiro" por causa disso. muito pelo contrário

2. negócios são uma forma de arte; arte é rebelião. as novas formas de rebelião envolvem mudança, nos levam mudar o que não está funcionando, porque os meios para tal estão [especialmente no caso de mídia] à nossa disposição. de cada um e todo mundo, aqui e agora. inclusive dos big businesses, mas eles estão perdendo tempo com o passado ao invés de construir o futuro.

3. a arte de contar histórias mudou. e de uma vez por todas. a abundância e sofisticação de novos meios abertos e globais de expressão, torna cada um o cotando em rede, das suas histórias. o grande negócio, hoje, é trazer as pessoas pra dentro da história, pra que elas nos agreguem a sua história… e vice-versa. ao invés de comunicação para disseminação de conteúdo criado de forma centralizada, o tempo é de conectividade para interação em torno das histórias nas quais todos estão interessados e para as quais podem contribuir, e não só o que quer [ou melhor, queria] o centro. o conteúdo, pra quem ainda não notou [MPAA, RIAA... alô!] se "separou" da forma, do meio e do controle central, e isso é para sempre.

4. cuidado com os advogados. em caso de dúvida sobre os seus, ligue para ronaldo lemos e pergunte o que ele acha. se seu departamento legal está tirando coisas do youTube, pode apostar que o tiro é no seu pé. ah, sim: antes de ligar pro ronaldo, pergunte pros seus advogados se eles ouviram falar de "performance"; você paga seus advogados por performance e não por direito autoral.  não se toca o DVD deles defendendo um caso parecido com o seu no tribunal. eles têm que ir lá in vivo… raciocinar em tempo real, falar bonito, ter deferência e paciência com suas excelências e coisa e tal. p-e-r-f-o-r-m-a-n-c-e. músicos entendem isso muito bem.

5. abundância é a melhor propaganda e melhor do que propaganda pura, simples e antiga. ninguém diz isso abertamente, mas pirataria é, há muito tempo, parte do modelo de negócio de varejo de software. quer ver? pergunte à microsoft e outras grandes empresas; windows e office piratas sempre foram os maiores adversários de linux e open office. e há quem use auto-pirataria [?] para conquistar mercados. como? "vazam" seu próprio software em mercados onde não há renda, pra cobrar quando houver. a primeira dose, como se sabe, é quase sempre grátis.

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6. cinema é "muito melhor do" que TV e cobra ingresso por isso; cinema é performance, tem um custo muito maior do que a combinação de DVDs piratas e uma tela de dezenas de polegadas em casa… mas qual é a maior tela que você pode ter, em casa, pra assistir RAN, de kurosawa? a cena de cavalaria acima precisa de mais mais polegadas de boa resolução do que se pode ter em casa, para transmitir o que kurosawa queria dizer… e pra vê-la, como tal, vamos pagar um ingresso de cinema. tomara que a projeção seja muito boa, senão quero meu dinheiro de volta.

7. em economias baseadas em abundância, model de negócios têm que ser círculos virtuosos. entregue grátis aqui pra ganhar em performance acolá, lance sua música em guitar hero, faça comerciais, descubra seu "luiza, que está no canadá", se vire. acabou o tempo de ganhar a vida deitado em casa, qual nababo, ao som de uma chuva de moedinhas. a transmutação do analógico, centralizado, para o digital, em rede, é também a transformação de reais em centavos: na netflix, cada cliente de aluguel de DVD perdido, só é compensado por cinco de streaming. e eles estão tentando trocar a base toda, antes que seja tarde [como foi para a blockbuster e a kodak].

hummm… você diria, coisa de piratas. mesmo? que tal ler parte de um texto do duke law and technology review, de 2002, analisando os 10 anos do audio home recording act? ARHA foi a primeira lei, nos EUA, a relacionar tecnologia com propriedade intelectual, a criar provisões para punir a quebra [anti-circumvention] dos mecanismos de proteção e, ainda criou royalties sobre dispositivos e meios. ao comprar um CD virgem para fazer backup de arquivos pessoais, paga-se um imposto que vai subsidiar as organizações que cuidam do direito do autor [e que o autor sempre tem muita dificuldade de ver]. o texto…

Sometimes progress may feel more like loss than gain when a technology that an industry has developed a significant portion of their products around becomes outdated. While this may be a frustrating experience for those industries that are tangential to the technology, the proper solution is not to hinder progress, but instead to adapt accordingly.

diz que… há vezes em que o progresso pode parecer mais perda do que ganho, quando a tecnologia ao redor da qual uma indústria criou uma parcela significativa de seus produtos se torna obsoleta. ao mesmo tempo em que isso pode ser frustrante para tais indústrias, a solução apropriada não é atrapalhar o progresso, mas se adaptar aos novos tempos. e olha que foi escrito num jornal legal, de juristas.

quer ler um argumento bem sólido e recente sobre o mesmo assunto? david pakman acaba de desancar [em wither the giants? the arrogance of aging incumbents] o CEO da groupM [leia WPP...] irwin gotlieb, de cabo a rabo, "só porque" gotlieb disse que… we have a responsibility to ensure that technology develops in a manner that doesn’t shake up the supply-and-demand equation of our business. como assim, garantir que tudo continua como está, sem mudar as equações de demanda e oferta?… o texto de pakman é muito bom e segue a mesma linha do parágrafo anterior…

Technology forces which bring greater efficiency and transparency to markets simply don’t care about privilege, access, and rolodexes. They disrupt predecessor markets because of structural problems like price opaqueness and false scarcity that no longer “work” in the new market.

…dizendo que tecnologias que provêem maior eficiência e transparência simplesmente não levam em conta privilégio, acesso e redes de contatos e poder previamente estabelecidas. elas reescrevem o mercado porque as "qualidades" estruturais anteriores, como opacidade dos preços e falsa escasse,z simplesmente não existem no "novo" mercado. paulo coelho poderia ter escrito a mesma coisa no texto que abriu esta longa conversa.

como o leitor já percebeu muitas linhas atrás, quero escrever sobre este assunto até o fim do universo. para o bem de todos e felicidade geral da web, já passou a hora de parar e, pra terminar, vou repetir [com licença de nelsinho motta] um texto de 2009, estrelinhas, constelações e galáxias, sobre o fim dos popstars planetários e de toda a indústria que vivia deles, ao passo que emergem novas formas de entretenimento. os grifos são nossos.

A morte de Michael Jackson é um dos signos mais evidentes e dolorosos do fim da era dos popstars planetários. Até os anos 90, o poder de comunicação e difusão estava nas mãos das grandes gravadoras multinacionais. Só elas tinham o dinheiro, a tecnologia e a organização para divulgar, promover e vender seus artistas no mundo inteiro. Estratégia vitoriosa: as filiais internacionais dividiam os custos, e multiplicavam os lucros. Tão vitoriosa que logo os orçamentos de promoção e marketing superavam de longe os de produção e desenvolvimento.

Na era da internet, da tecnologia da informação, da democratização dos meios de comunicação, o efeito é a multiplicação de estrelas locais, regionais, nacionais, e cada vez menos popstars globais como Michael Jackson, Madonna ou os Rolling Stones. Esses, são história viva.
Hoje, os pretendentes ao estrelato mundial competem com todos os anônimos, ou quase, com todas as pequenas e médias estrelas em ascensão em todos os cantos do mundo, que cantam na língua que as pessoas entendem, que falam de coisas que eles sentem, que têm redes de fãs na internet. Produzir é fácil, difícil é chamar a atenção do público. Está dura a vida de popstar hoje em dia.

Nos anos 70 e 80, não só da ditadura, mas do nacionalismo e do protecionismo, a música angloamericana dominava os grandes mercados e os periféricos, inclusive o Brasil, apesar de nossa fabulosa produção musical da época. Com a globalização e a internet, as previsões nacionalistas e antiimperialistas eram de que a música angloamericana, o som do Império, tomaria conta do mundo de vez, era tudo uma conspiração tecnológica para dominar o planeta. 

Pura paranóia do perfeito idiota latinoamericano. Na era da informação globalizada, o jogo virou: as músicas nacionais passaram a dominar as vendas de discos. No Brasil, mais de 75% do mercado são de produto nacional, bruto ou fino. E também na China, na Índia, na Espanha, no Japão, os artistas nacionais dominam o mercado. A internet pulverizou a informação e transformou um céu de poucas estrelas muito brilhantes em novas constelações e galáxias.

falou e disse. grande nelsinho.

Anotação

este texto faz parte de uma série sobre propriedade intelectual, pirataria, velhos e novos modelos de negócio, seus promotores e detratores, mais as tentativas, cada vez mais radicais, de controlar a rede e o que fazemos dela e nela. o primeiro está neste link e, se tudo correr bem, o próximo texto será o último da série, pelo menos por enquanto. até lá.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

uma SOPA, entornando o caldo da rede? [1]

parte do congresso americano, sob pressão de organizações como MPAA e RIAA, representantes dos interesses dos "grandes" e antigos negócios do entretenimento [leia cinema e "discos"], gostaria muito de passar leis com os que atendem pelas sopas de letrinhas SOPA, ou stop internet piracy act [veja detalhes em vídeo, em espanhol, aqui] e PIPA, para protect intelectual property act, que para efeitos práticos é equivalente a SOPA. o último tramita na câmara e o primeiro no senado americano.

a "indústria" de [plataformas de suporte ao] entretenimento representada pela dupla MPAA e RIAA depende de leis de propriedade intelectual pré-internet e pretende estender seus direitos de posse e exploração até o fim dos tempos. é um setor muito bem articulado da economia americana [a ponto do presidente da MPAA ser um senador, que fala explicitamente de "apoio" de hollywood a políticos...] e tem conseguido operar milagres, como a "lei mickey mouse", aprovada em 1998 quase que para evitar que o mickey caísse no domínio público cinco anos depois.

Steamboat-willie-title2

pelas leis de 1790, primeiras a tratar do assunto nos EUA, obras artísticas e literárias eram protegidas por 14 anos após a morte do autor, mais uma renovação pelo mesmo prazo. no limite, as obras caíam no domínio público 28 anos após a morte do autor. com a lei mickey mouse, a proteção dos direitos é a vida do autor mais 70 anos, no máximo 120 anos se for uma criação corporativa. e 20 anos de proteção adicional para o que havia sido feito antes de 1978, caso de "steamboat willie", onde primeiro apareceu o mickey, que deveria ter se tornado domínio público [pela legislação de cada época] em 1956, depois em 1984, 2003 e agora, se nada mudar, em 2023. um grande "se". o aumento da proteção é mostrado na imagem abaixo; clicar leva à explicação de cada uma das faixas.

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a inspiração para SOPA e PIPA não é a mesma da lei mickey mouse, mas vem da mesma fonte: proteger negócios já estabelecidos contra a inovação. primeiro, vamos estabelecer que, no regime democrático [ideal?], com todas as instituições funcionando, há leis a cumprir, sob penas conhecidas. mas regimes se estabelecem em função de interesses. e o "ideal" do governo do povo, pelo povo, para o povo, com que abraham lincoln fechou o discurso de gettysburg em 1863, parece ter sido substituído por valores, princípios e interesses bem menos merecedores de figurar em discursos históricos. e, certas horas, "o povo" tem que lutar para mudar leis, quando não regimes inteiros, como nas ditaduras. os mais jovens não viveram esta experiência, mas já fizemos isso no brasil, para acabar com uma ditadura que durou 21 anos.

outras horas, há que se lutar para evitar a edição de leis contra o interesse "do povo", quando os que estão no poder "pelo povo" têm uma ideia muito diferente do que fazer "para o povo"… do que o "povo" quer fazer ou já está fazendo. SOPA e PIPA levam a tal conflito [assim como o "nosso" próprio ai5 digital] não só porque defendem interesses de indústrias ameaçadas de extinção por uma inovação em larga escala –a internet, usada por mais de dois bilhões de pessoas em todo mundo- e seus efeitos colaterais em todos os tipos negócios. em última análise, aprovada a combinação das duas propostas, qualquer site [como a wikiPedia] poderia ser retirado do ar in totum se qualquer um de seus artigos fosse, de forma deliberada ou não, cópia de material cuja propriedade pudesse ser reclamada por um terceiro. numa rede social como faceBook, então, as penalidades impostas pelo que poderiam vir a ser as novas regras tornariam impossível manter o serviço "no ar". o impacto das leis, se aprovadas, é muito maior do que a defesa pura e simples dos direitos autorais, trata-se de uma intervenção radical nos mecanismos de funcionamento da própria rede.

a ideia central de SOPA, PIPA e do AI5 digital [proposto pelo deputado azeredo, veja mais sobre o tema aqui] é velha, é de que há um editor, que um centro controla as bordas, o que elas publicam ou fazem. como consequência, o "editor" deveria responder por "tudo" o que acontece no seu "meio", como se todos que o usam  fossem controlados por ele, como é o caso dos jornais, rádio e televisão. dantanho, claro, pois ninguém pauta, cria ou "controla" o que "vai ao ar", ou melhor, à rede, no youTube, twitter ou faceBook ou wordpress. a não ser quem antigamente era "audiência" e, hoje, é comunidade. posso subir o vídeo de um caldo que alguém levou na praia, com péssima qualidade de gravação e nenhuma edição [mas alto potencial de entretenimento] ou uma cópia de "steamboat willie", o filme de 1928 que tem a proteção de que falamos, caso em que posso ser processado [e não youTube] por infringir a lei que tem o nome do rato.

semana passada, como forma de protesto, um grande número de sites que poderiam ser afetados por estas leis resolveu protestar, com a wikipedia em inglês "saindo do ar"por 24h e mostrando apenas a página abaixo.

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o movimento se tornou mundial e, antes da manifestação popular que afetou toda a internet [gerando mais de 4.500 tweets por minuto], as propostas de lei podiam ser explicadas pelo infográfico abaixo. agora, o lado de lá está se reorganizando. e vai voltar à carga, pois o que se conseguiu até aqui foi parar o trator, mas não impedir –de uma vez por todas- a demolição das bases sobre as quais usamos a rede. isso ainda vai nos dar muito trabalho, tanto global como localmente. vamos continuar a discussão no próximo texto desta série. até lá, entenda as propostas de lei com o remix de quino e mafalda, pelo menos enquanto não tiram o derechoaleer.org do ar…

infografia-sopa-2012-01 mafalda

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

2011: balanço da mobilidade

recorde: em 2011, foram feitas 39.3 milhões de habilitações de terminais móveis [6.1 milhões só em dezembro, parece haver um pequeno erro no histograma abaixo], somando celulares, tablets e outros terminais de dados na rede móvel, como modem 3G e os POS, as maquininhas de cartão de crédito que vão até a mesa no bar. a imagem abaixo, da teleco, mostra o que aconteceu durante o ano…

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…e, pra gente ter uma ideia do tamanho relativo de mobilidade do mercado de comunicações, veja o que aconteceu no mercado de telefonia fixa nos últimos anos, também cortesia da teleco:

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pra começar, note que o número de novos telefones fixos por ano, no brasil, de 2008 a 2011, é menor que o de novos acessos móveis por mês em 2011, para qualquer mês. de agosto em diante, as adições móveis superam novos acessos de banda larga fixa e TV por assinatura, por ano, nos últimos quatro anos. a figura abaixo mostra que o mercado se recuperou depois da "crise" de 2008/2009 e atingiu, ano passado, uma performance que dificilmente será superada neste ou nos próximos anos.

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a surpresa para muitos é que a taxa de crescimento do pós-pago foi, pela primeira vez em mais de meia década, muito superior à do pré-pago, como mostra a imagem abaixo…

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…o que certamente é resultado do crescimento do poder aquisitivo e da diminuição dos preços das operadoras… como mostra o gráfico abaixo…

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…que demonstra uma queda de 41% no preço médio do minuto de chamada móvel em dois anos, sem descontar a inflação [a queda real foi ainda maior]. sabe qual foi a consequência disso? ao invés de gastar menos, todo mundo falou mais…

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…e o tempo de uso médio, por mês, cresceu 38.4% no período e chegou a 122 minutos. a OI não divulga estes dados para sua rede. e os orelhões, coitados? dançaram: no mesmo período do gráfico acima, a receita bruta por orelhão da OI caiu 76%, de R$92 para R$22. devem estar dando um prejuízo danado, talvez seja hora de rever a regulação pra este pedaço de passado.

qual é a próxima grande mudança neste mercado? vamos olhar os dados da teleco de novo, um oásis de informação histórica e consolidada no caos e favelas de dados do país. estudo feito em julho passado pela consultoria mostrava que 85% dos acessos móveis brasileiros ainda não eram 3G.

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assumindo que esta proporção tenha mudado em cinco pontos percentuais no segundo semestre, pois o número de celulares 3G vendidos é cada vez maior em relação aos outros, é possível que tenhamos 15% de celulares 3G no brasil, agora. em números redondos, seriam 35 milhões de celulares 3G por aí. arredondando de novo, como 80% [veja gráfico] desta galera está na web, são perto de 30 milhões de brasileiros na web móvel. mas menos de 10% são smartphones, contra mais de 30% nos principais mercados do mundo.

um chute, sem medo de errar: nos próximos anos, vamos ver uma troca de celulares simples e 3G por smartphones, em muito larga escala, com uma mudança radical no padrão de interação mediado pela infraestrutura móvel, com uso muito intensivo de dados, para quase tudo. e isso vai exigir muito investimento das operadoras, muita atenção e fiscalização do regulador e muita paciência de todos nós, usuários. mas até um ponto: do lado de lá do "celular", todos têm que entender que estão nos prestando um serviço e que estamos pagando por ele. e não é pouco: temos a quinta maior tarifa do planeta, o que deveria gerar receitas suficientes para serviços de qualidade acima da média, e não o que temos tão frequentemente. e vamos ver se o governo faz sua parte: política, estratégia, articulação e incentivo são muito mais importantes do que parecem e, bem feitas, sempre fazem uma grande diferença.

dito isto, o gráfico abaixo mostra o número de pessoas por chip SIM nas grandes regiões do planeta. aqui, temos uns 194 milhões de habitantes. dividindo habitantes por celulares, dá 0.8 pessoas por celular [ou melhor, por SIM], a mesma média da europa ocidental. claro que podemos comemorar isso. mas temos que dizer, e tão alto quanto, que nos falta a qualidade de rede que eles têm por lá. e isso atrapalha muito, tanto as relações pessoais como de negócios.

densidade e qualidade de rede, a preços aceitáveis, fora da competição pelos mais altos do mundo, devem ser nossa  grande preocupação dos próximos anos. e vamos trabalhar, todos, que estamos atrasados.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

trânsito mata. solução? tirar os "motoristas" de lá…

a violência no trânsito é problema global, mesmo onde há acentuado declínio de acidentes por quilômetro rodado. nos EUA as fatalidades diminuiram 3% [11%, na califórnia], entre 2010 e 2009. ao comparar com 2005, o número de vítimas fatais caiu 25%, graças à melhoria das condições das estradas, viaturas mais seguras e leis mais duras sobre a segurança de motoristas e passageiros nas estradas e ruas e, em geral, de todos as pessoas, animais e coisas nas vias trafegáveis. pra se ter uma ideia da evolução relativa das coisas, o los angeles times afirma que o número de mortos por drogas e seu ecossistema, nos EUA, é maior do que os casos letais no trânsito, desde 2009.

a frota daqui tem mais de 65 milhões de automóveis, caminhões e ônibus. nos EUA, são mais de 250 milhões. em 2010, foram 32.885 mortos lá [1/3 relacionada a álcool], e nós tivemos 40.610 mortes, segundo o SIM.MS. se bem que nossos dados são pouco confiáveis; veja um estudo sobre o brasil neste link, e note a disparidade dos dados de diversas fontes oficiais. mais dados? o brasil teve 40.974 assassinatos em 2010. e dados do DNIT dão conta de 182.900 acidentes nas rodovias federais em 2010, com 317.711 veículos envolvidos, resultando em 102.896 feridos e 8.616 mortos. só nos primeiros 9 meses de 2011, em todo o país, foram 42.224 casos de morte em acidentes de trânsito e outros 165.592 de invalidez. mais um dado? os 9 anos de guerra no iraque, desde 2003, mataram 162.000 pessoas; por ano, é menos de um terço dos mortos no trânsito do brasil.

e daí? o universo é cada vez mais interligado e programável, vivemos cada vez mais em [e como parte de] fluxos de informação. nestes fluxos, usamos e usaremos redes sociais para tudo, inclusive avisar onde está a blitz, como discutimos aqui no blog, informação que deveria ser usada para entregar a chave a outro motorista. qual motorista? em muito breve, o próprio carro. os carros sem motorista de google já "dirigiram" mais de 300.000km em ruas e estradas reais, sem qualquer auxílio humano. e sem nenhum acidente. mais cedo ou mais tarde, eles e outros carros "sem motorista" vão tomar conta da minha e da sua direção. ainda bem. vai ser melhor pra todo mundo. quando a gente quiser dirigir, aluga um carro num autódromo e, depois de passar em alguns testes básicos, vai poder fazer a besteira que quiser. veja o vídeo, e o parágrafo vai parecer realidade. mesmo.

TED TALK, "google cars": um dia, vai parecer ridículo dirigir. ou que dirigimos, um dia…

 

Relógio

em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o blog publica [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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sábado, 7 de janeiro de 2012

o motorista, vigiado

decisão judicial no espírito santo proibiu o uso de faceBook e twitter para divulgar a localização de blitzes da lei seca. olhando de longe, o ato é razoável e atende a interesse social, de salvaguardar vidas e bens, tentando capturar motoristas guiando sob efeito do álcool. a fundamentação legal e constitucional da decisão é nula, como decerto nos dirão os especialistas muito em breve. na prática, e de perto, a utilidade da decisão é discutível, como comentei sobre um tweet da revista época…

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…porque ninguém que tem um smartphone [assuma que todos têm GPS e conta de dados, o que dá uns 30 milhões de usuários aqui] depende do uso de faceBook e twitter no trânsito. o WAZE que mencionei é uma aplicação de navegação social que permite compartilhar [sobre um mapa clicável] informação sobre tráfego, ruas e estradas, de buracos a baladas e, por acaso, a localização da polícia. abaixo, duas telas [não necessariamente atualizadas, da web].

arquivo waze

WAZE é mapa, é game [ganha-se pontos ao informar estradas e ruas que não estão no mapa, por exemplo], navegação e diversão: crianças no banco de trás podem passar muito tempo reportando engarrafamentos, acidentes, buracos, pistas com problemas… ao mesmo tempo em que coletam dados para instrumentar o motorista sobre o que rola ao redor, como um protesto de horas que fechou uma estrada inteira em pernambuco recentemente. WAZE já tem mais de 10 milhões de usuários, muitos no brasil, e se trata de um "mashup", uma combinação de fontes de informação diversas que, articuladas num certo "centro", criam toda uma nova aplicação. WAZE não é único, claro. um concorrente nacional é o WABBERS, que usa os mesmos princípios: rede social móvel, no tráfego, de pessoas que podem se informar mutuamente sobre as condições de seus arredores e minimizar as agruras de seu dia a dia no trânsito. e WABBERS ainda pretende que os usuários monetizem a agregação de valor à comunidade. tomara que dê certo.

e isso nada tem a ver com informar aos bêbados a localização da polícia. de certa forma, aplicações [de tamanha utilidade, por sinal] como WAZE ou WABBERS podem ser criadas por qualquer grupo de alunos de graduação em informática. o danado, claro, é transformá-las negócio de sucesso. ao mesmo tempo [haja filosofia...], a atividade cidadã, ao reportar onde está a polícia, é um contraponto ao panopticon de foucault, forma de criar um catopticon [de ganascia], ambiente social multifacetado onde todos vêem e supervisionam todos [sousveillance] ao invés de só o estado saber onde todos estão e o que estão fazendo [surveillance]. claro que muito bit ainda vai passar nessa conversa. e, pra tantos perfis quantos forem desligados, surgirão muitos outros. até porque, por lei, nada os proíbe…

Relógio

em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o blog publica [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

separações sociais…

dados de março passado dizem que faceBook é citado em 1/5 das separações nos EUA. dados ingleses de dezembro informam que 1/3 de todas as disputas judiciais entre [ex-]casais contém a palavra faceBook em algum lugar do processo. há dois anos, eram 1/5. os dados da ilha, obtidos por divorce-online, revelam que as três maiores razões onde  faceBook é citado como prova são: 1. mensagens a pessoas do sexo oposto; 2. um ex-detonando o outro na rede e 3. conhecidos "dedando" comportamento fora da linha de um dos membros do casal. no último caso, como bem se conhece nas pequenas comunidades, trata-se de fuxico puro.

faceBook detém 20% de todo o tempo de uso da internet no planeta. e isso acontece porque [nos EUA, UK...] mais de 3/4 dos usuários ativos da rede está em faceBook, a vasta maioria todo dia. a mesma coisa começa a rolar por aqui [veja os gráficos depois deste parágrafo, de comScore]. no topo disso, o tempo de uso das redes sociais no brasil é maior que a média, e [surpreendentemente?...] europa e américa. uma pesquisa recente em países representativos da web também mostra que falamos mais: 35% dos brasileiros compartilha conteúdo frequentemente; só 8% dos ingleses e 12% dos americanos faz o mesmo. estamos entre os os chineses, 45%, e os indianos, 32%. resultado? breve, também por aqui, uma grande onda de disputas onde "faceBook" será mencionado como parte do processo.

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estranho? de jeito nenhum. no tempo do telefone [velho, fixo] tancredo neves costumava dizer que “telefone serve no máximo para marcar encontro, de preferência no lugar errado”. um grande número de escândalos do passado tinha dois ou mais telefones, detetives e grampos. as ligações, hoje, saíram das telecomunicações para as redes sociais. ao ponto dos jovens mudarem seu status de relacionamento em faceBook minutos depois que um namoro [ou coisa parecida] acaba. a norma, pois, é que faceBook e quetais sejam parte, cada vez mais, dos nossos relacionamentos, disputas, vida. afinal, foi pra lá que transferimos parte significativa das nossas transações sociais.

Relógio

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

como é o mundo, tuitado

Tags:, , , , , , , - srlm às 07:00

o blog esteve comemorando o fim de 2011 desde a véspera do natal e está de volta com votos de um grande 2012 pra todos e todas, de todas as idades, cores, lugares e opções de vida. que 2012 seja o ano da diversidade e da aceitação das diferenças, mais até do que da tolerância. falando nisso, dados de 2011 mostram que estamos cada vez mais levando nossa vida pessoal, familiar e comunitária para as redes virtuais. e que precisamos nos tolerar e, porque não dizer, aceitar, mutuamente, cada vez mais.

pra começar, uns dados sobre twitter: sabia que @justinbieber tem mais de 16 milhões de seguidores e aparece em mais de 540 mil listas? bieber tem um milhão e meio de seguidores a menos do que @ladygaga, mas tuita 10 vezes mais e, por múltiplas razões, é a pessoa ou instituição de maior impacto global hoje [no twitter, claro]: cada um de seus tweets, como o mostrado abaixo…

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.. pode tornar qualquer hashtag uma tendência global, pois é replicado 5 milhões de vezes, em média. pra comparar, é mais de vinte vezes mais do que @barackobama, que tem 11.7 milhões de seguidores e busca fundos para sua tentativa de reeleição, como mostra o tweet abaixo.

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de certa forma, é fácil dizer que "não sabemos usar o twitter" e outras redes sociais, que poderiam "ter maior impacto na educação, cultura e economia", sem falar da "perda de tempo" com tanta trivialidade, como os 8.969 tweets por segundo sobre a gravidez de beyoncé [recorde histórico, contra 5.530 menções/segundo no tsunami do japão]. ocorre que, mutatis mutandis, twitter, facebook e outros são o papel, caneta, envelope e correio [ou poster e poste, parede ou porta] de nosso tempo. escrevemos muita coisa boa nos últimos séculos, mas quanta letra foi literalmente jogada fora para cada uma de joyce em ULYSSES? e quanto pôster foi apenas sujeira, comparado ao impacto do que lutero pregou à porta de wittenberg? moral da história? a existência da ferramenta [ambiente, tecnologia, métodos, processos, o que for] e seu potencial para o engrandecimento humano não garante que todos os que a ela têm acesso irão usá-la para os tais grandes e elevados fins. e ainda bem!… se tudo fosse levado a sério assim, de onde viria um hikakin? ele é o carinha no vídeo abaixo, beatboxing. talvez completamente inútil, mas divertidíssimo, na opinião de quase 17 milhões de "views"… vá ver!

hikaru kaihatsu, aka HIKAKIN, considerado um dos maiores beatboxers do mundo

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