2011: balanço da mobilidade
recorde: em 2011, foram feitas 39.3 milhões de habilitações de terminais móveis [6.1 milhões só em dezembro, parece haver um pequeno erro no histograma abaixo], somando celulares, tablets e outros terminais de dados na rede móvel, como modem 3G e os POS, as maquininhas de cartão de crédito que vão até a mesa no bar. a imagem abaixo, da teleco, mostra o que aconteceu durante o ano…
…e, pra gente ter uma ideia do tamanho relativo de mobilidade do mercado de comunicações, veja o que aconteceu no mercado de telefonia fixa nos últimos anos, também cortesia da teleco:
pra começar, note que o número de novos telefones fixos por ano, no brasil, de 2008 a 2011, é menor que o de novos acessos móveis por mês em 2011, para qualquer mês. de agosto em diante, as adições móveis superam novos acessos de banda larga fixa e TV por assinatura, por ano, nos últimos quatro anos. a figura abaixo mostra que o mercado se recuperou depois da "crise" de 2008/2009 e atingiu, ano passado, uma performance que dificilmente será superada neste ou nos próximos anos.
a surpresa para muitos é que a taxa de crescimento do pós-pago foi, pela primeira vez em mais de meia década, muito superior à do pré-pago, como mostra a imagem abaixo…
…o que certamente é resultado do crescimento do poder aquisitivo e da diminuição dos preços das operadoras… como mostra o gráfico abaixo…
…que demonstra uma queda de 41% no preço médio do minuto de chamada móvel em dois anos, sem descontar a inflação [a queda real foi ainda maior]. sabe qual foi a consequência disso? ao invés de gastar menos, todo mundo falou mais…
…e o tempo de uso médio, por mês, cresceu 38.4% no período e chegou a 122 minutos. a OI não divulga estes dados para sua rede. e os orelhões, coitados? dançaram: no mesmo período do gráfico acima, a receita bruta por orelhão da OI caiu 76%, de R$92 para R$22. devem estar dando um prejuízo danado, talvez seja hora de rever a regulação pra este pedaço de passado.
qual é a próxima grande mudança neste mercado? vamos olhar os dados da teleco de novo, um oásis de informação histórica e consolidada no caos e favelas de dados do país. estudo feito em julho passado pela consultoria mostrava que 85% dos acessos móveis brasileiros ainda não eram 3G.
assumindo que esta proporção tenha mudado em cinco pontos percentuais no segundo semestre, pois o número de celulares 3G vendidos é cada vez maior em relação aos outros, é possível que tenhamos 15% de celulares 3G no brasil, agora. em números redondos, seriam 35 milhões de celulares 3G por aí. arredondando de novo, como 80% [veja gráfico] desta galera está na web, são perto de 30 milhões de brasileiros na web móvel. mas menos de 10% são smartphones, contra mais de 30% nos principais mercados do mundo.
um chute, sem medo de errar: nos próximos anos, vamos ver uma troca de celulares simples e 3G por smartphones, em muito larga escala, com uma mudança radical no padrão de interação mediado pela infraestrutura móvel, com uso muito intensivo de dados, para quase tudo. e isso vai exigir muito investimento das operadoras, muita atenção e fiscalização do regulador e muita paciência de todos nós, usuários. mas até um ponto: do lado de lá do "celular", todos têm que entender que estão nos prestando um serviço e que estamos pagando por ele. e não é pouco: temos a quinta maior tarifa do planeta, o que deveria gerar receitas suficientes para serviços de qualidade acima da média, e não o que temos tão frequentemente. e vamos ver se o governo faz sua parte: política, estratégia, articulação e incentivo são muito mais importantes do que parecem e, bem feitas, sempre fazem uma grande diferença.
dito isto, o gráfico abaixo mostra o número de pessoas por chip SIM nas grandes regiões do planeta. aqui, temos uns 194 milhões de habitantes. dividindo habitantes por celulares, dá 0.8 pessoas por celular [ou melhor, por SIM], a mesma média da europa ocidental. claro que podemos comemorar isso. mas temos que dizer, e tão alto quanto, que nos falta a qualidade de rede que eles têm por lá. e isso atrapalha muito, tanto as relações pessoais como de negócios.
densidade e qualidade de rede, a preços aceitáveis, fora da competição pelos mais altos do mundo, devem ser nossa grande preocupação dos próximos anos. e vamos trabalhar, todos, que estamos atrasados.





Estamos causando um passivo ambiental muito importante e negativo com as aquisições de celulares e junto com eles as baterias. Há uma febre para adquirir tal celular de última geração e muitas vezes nós não nos contentamos com um celular mas 2 ou 3 .Há quem diga que é para melhorar a comunicação entre as pessoas, mas isso pode não ser muito válido. Importante que as empresas fabricantes de celulares façam campanhas informativas, orientando seus consumidores o que fazer com aquele celular que você não usa mais.
Comentário por Jose Ramos de Melo — quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 @ 07:18
COMENTARIO INTELIGENTE E MOSTRA AS REAIS TENDENCIAS DO MERCADO!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Comentário por ANTONIO ROBERTO — quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 @ 09:10
Celulares e baterias, principalmente as baterias, deveriam ter código de lei para descarte de forma a proteger o meio ambiente. Isso é uma necessidade urgentissima. Como sugestão, entendo que as operadoras é quem devem receber os celulares e baterias descartaveis e dar o devido encaminhamento para reciclagem de forma correta.
Alguem deveria criar essa lei e obrigar as operadoras a iniciarem já tal procedimento.
PZ
Comentário por Paulo Zatta — quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 @ 09:24
Evolutivamente, vale a análise: antes, a gente ligava para um lugar. Depois passamos a ligar para uma pessoa. Agora o caminho é inverso: uma pessoa acessa tudo e qualquer coisa, diretamente do aparelhinho que ela tem. Acho que a questão da bateria também passará por um processo evolutivo, porque ainda é um dos gargalos da indústria. E a história mostra que qualquer gargalo é o grande motivador da inovação tecnológioca, haja vista a questão dos processadores e o calor que dissipavam antes, entrave para os grandes desempenhos. A questão ambiental, como um todo, é que tem de ser trabalhada nos humanos. O descarte correto das baterias será consequencia.
Comentário por Jaff — quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 @ 09:47
Oi Silvio,
Primeiro quero parabenizá-lo pelo trabalho informativo, adoro vc! Ouço sempre seus comentários na CBN e que simpatia !! Vc tem o dom como daquelas pessoas especiais… falam de assuntos complexos e de maneira simples e tranquila!! Abraços.
Comentário por Katia Cristina Bueno — quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 @ 12:54
Todo mundo que é ligado em tecnologia lê o blog do Sílvio Meira, menos Luiza que está no Canadá.
Comentário por Everaldo matias — quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 @ 07:09
Muito bom este blog, Silvio, gostaria de falar com você, o meu Email esta incluído neste formulário, abraço
Comentário por brayon pieske — quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 @ 09:56
Professor, obrigado pela primeira parte da aula no programa do Roberto D’avila.
grande abraço
Raphael Bezerra
Comentário por raphael bezerra — domingo, 22 de janeiro de 2012 @ 19:57
Ignorância grande a minha, mas sempre é tempo de aprender … acabei de conhecer o professor Silvio Meira por acaso, ao assistir o programa Conexão Roberto D’Avila.
Se suas aulas forem parecidas com o que vi na entrevista, que vontade de voltar a estudar !
Comentário por Maristela Rodrigues — domingo, 22 de janeiro de 2012 @ 21:04
Obrigada pela aula no Roberto dAvila Amei espero anciosa o próximo sabado a segunda parte do programa.
Comentário por Ruth Mezeck — segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 @ 11:41
Mobilidade física X Imobilidade virtual…?
“Should cars be a mobile-free space?”
06 February 2012 - By Chris McGinnis
http://www.bbc.com/travel/blog/20120206-should-cars-be-a-mobile-free-space
“Despite US highway fatalities hitting an all-time low in 2010 — only 1.10 deaths per 100 million miles travelled — an increase in accidents caused by distracted driving is prompting the US National Transportation Safety Board (NTSB) to call for a total ban on mobile phone use behind the wheel — including hands-free and voice activated devices.
There’s also a similar movement in Europe. Such bans, however, are not welcome news for business travellers who need to work from the road.”
…
Comentário por Romano — terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 @ 02:04