Terra Magazine

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

o tempo dos [e os] mercados

olhe para o cenário de mercado das principais plataformas operacionais móveis, nos últimos quatro anos

…pra ter uma ideia de como sorte e destino de todo sistema, em contextos de intensa inovação [e não só em tecnologia] e competição mudam muito rapidamente.

o gráfico mostra uma rapidíssima consolidação do mercado de plataformas de mobilidade, começando com mais de 25% do mercado de 2007 [os "outros"] se tornando, praticamente, uns poucos porcento de bada, o sistema operacional móvel da samsung.

de metade do mercado em 2007 [e quase 75% em 2006], symbian, antigo sistema dominante da nokia, está perto de 20% do mercado agora, talvez a caminho de um fim incerto. ou certo e definitivo, a extinção.

windows phone, o competidor da microsoft, nunca foi grande; mas queria ser, por causa do efeito "família" [de sistemas e dispositivos, que voltou com toda força, agora] de redmond. acontece que a microsoft demorou muito, talvez demais, a chegar com uma oferta realmente competitiva como phone 7 "mango" e potenciais sucessores, como tem agora. e deu no que deu: olhe o gráfico. mas, entre as muitas variáveis a considerar, há skype, o poder de fogo da microsoft… e a família e seus efeitos.

blackberry, a oferta da RIM, levava jeito. mas a empresa se perdeu no presente, deixou passar o futuro e está em sérias dificuldades, sem ter, como a nokia, um parceiro da classe microsoft para tentar uma recuperação. há quem diga que a RIM está com os dias contados, com que 20% de seus usuários pensando em mudar de plataforma no curto prazo.

e quem causou este rolo todo? a apple, com o iPhone e iOS e, até em resposta tal proposta, google e sua rede de valor ao redor de android. e isso foi ontem, entre 2007 e 2009.

os mercados têm um tempo. podem até ficar muito tempo como que parados, ao sabor dos produtos, serviços e empresas incumbentes. mas, mais cedo ou mais tarde, descobre-se um desatendimento, algum tipo de descontentamento [talvez implícito]. aí, é partir pro abraço, desde que seja possível desenhar uma proposta de valor que atenda as necessidades [de novo, podem ser necessidades implícitas...] de um mercado ou de um nicho, nele, gerando benefícios que compensam em muito os custos de troca, deixando a competição a ver prejuízos.

ninguém, em sã consciência, descartaria a microsoft. a empresa renasce das cinzas o tempo todo, como demonstra o kinect, que já fez a o xbox360 passar o wii [o queridinho, dia destes] e começar a perseguir o ps3, a mais poderosa máquina de jogar de todos os tempos [ou era assim que a sony queria que fosse].

da mesma forma que o wii foi uma grande inovação e sucesso instantâneo, a revolução sem interface, ou onde você é a interface, reescreveu o mercado de jogos. e, como quem está lá no mercado de jogos sabe, o problema não é fazer um jogo dar certo, mas criar e evoluir famílias inteiras de jogos que, no tempo, mantêm a companhia que está por trás deles no mercado, com receita maior do que despesa. e o mesmo vale para sistemas inteiros como as plataformas operacionais de mobilidade.

foi isso que microsoft, RIM, nokia e outros esqueceram, pelo menos por um tempo. quantos deles estarão competindo de fato, como gente grande, no mercado de mobilidade em 2020?

não sei o que diz a sua bola de cristal, mas a minha aponta para três. a apple e iOS, certamente. google e android, idem. você acha que há algum terceiro [no cenário acima e fora dele...] mais provável do que a microsoft e a "família" windows?…

PPT: porque a gente precisa de um cachorro…

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

um crescimento amazônico

pra quem achava, muito tempo atrás, que e-commerce não ia "dar dinheiro", taí a curva de crescimento dos negócios da amazon.com nos últimos dez anos…

…onde se vê que o volume de negócios aumentou quase vinte vezes desde 2000 e cresce, ainda, a taxas superiores a 50% por ano. não é coisa pouca para um negócio que já tem mais de 15 anos.

no começo, a amazon.com era uma livraria. depois, o maior shopping center do planeta. agora, além de ter virtualizado o negócio de livros com o kindle [a plataforma, e não só o dispositivo; quase US$5.5B este ano] e entrar no mercado de aplicações móveis e dispositivos de informatização pessoal [vem aí o tablet da empresa, sobre a plataforma android]…

…a amazon criou o primeiro e até agora mais efetivo negócio de infra e serviços computacionais e de informação sob demanda na internet [amazon web services, AWS]. não é coisa pouca: AWS, criado do zero a partir de 2006, já aponta para uma receita de US$2.5B em quatro anos.

a amazon começou do zero. o kindle também, apesar de canibalizar parte do negócio de venda de livros físicos. mas o impacto, aqui, é sobre a venda dos "livros dos outros" e não da amazon, que continua vendendo os livros, agora digitais, em volume ainda maior que físicos. e AWS também veio do zero, como parte dos dois níveis inferiores da "torre de software" de que falamos no texto passado aqui do blog.

isso é parte da explicação da curva lá em cima. inovações que não entram em conflito [direto, pelo menos] com negócios já existentes e sobre as quais não há uma arenga institucional relacionada à "proteção" de núcleos de receita e poder na corporação. resultado? mais receitas e mais lucros.

pra ter uma idéia da bronca num outro negócio onde o "novo" entra em conflito permanente e explícito com o "velho" e quais são as consequências para a receita, no tempo, olhe o gráfico abaixo…

chart of the day, microsoft, profit, income by division, july 2011

…que mostra cinco anos consecutivos de prejuízos da divisão de "serviços online" da microsoft. redmond, certamente, tem competência para "fazer" alguns dos melhores "sistemas online" do mundo. mas o tal do "online", lá, pode nunca ter tido a prioridade estratégica que kindle e AWS tiveram, na amazon, por causa do conflito em potencial com outras áreas de negócio da empresa. pra explicar o prejuízo do online, talvez a gente devesse olhar para o tamanho do lucro da "divisão office" do negócio de steve ballmer, muito mais lucrativo agora do que há cinco anos. o problema é… isso é sustentável por quanto tempo?

se eu fosse a microsoft –ou qualquer outro negócio, digital ou não, hoje- olhava mais para a amazon. muito mais. e muito mais de perto. afinal de contas, aquela curva lá em cima não é brincadeira…

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

mobilidade: mudanças na ecologia…

Tags:, , , , , , - srlm às 09:48

olhe para o diagrama abaixo, da vision mobile

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…descrevendo [parcial, abstratamente] a ecologia de android, e se pergunte o que mudou no cenário econômico de mobilidade de uns tempos pra cá.

o relatório de onde esta imagem veio é bem recente e analisa como marcas e desenvolvedores estão tentando ganhar dinheiro numa nova economia de mobilidade, representada pelas "grandes plataformas" como android, iOS, RIM e windowsPhone, que vem por aí.

se você ainda não notou o que mudou, aqui vai: olhe à direita, onde está o smartphone, e veja que ele é descrito como sendo fabricado por "OEMs", que vem a ser "original equipment manufacturers", a galera que faz os aparelhos a partir de projeto, ordem e encomenda de terceiros. no caso da apple, isso é a mais pura verdade: a empresa de cupertino não tem fábrica há tempos e usa uma ampla rede de fornecedores e fabricantes para fazer os produtos que levam sua marca.

no caso de google, isso é menos claro mas o diagrama, forçando a barra, mostra como as coisas estão se desenrolando para os fabricantes de hardware e serve para explicar um bom conjunto de coisas sobre muitos deles.

ao não perceberem que o aumento significativo da sofisticação dos equipamentos iria centrar a percepção de valor do usuário na experiência de uso, provida pelo hardware mas controlada e apresentada pelo software, os fabricantes cuja especialização era mais claramente de hardware parecem ter perdido o bonde da história e entregue o valor de suas ecologias às empresas que controlam a plataforma, como apple, google e microsoft.

no caso da terceira, isso já era verdade há tempos, mesmo sem o controle radical exercido pela apple. qualquer máquina rodando windows é uma máquina rodando windows, seja ela qual for, e é exatamente isso que permite que, ao não gostar do meu atual provedor de hardware ["meu" OEM] eu troque para outro num piscar de olhos, sem perder nada significativo da experiência de uso.

a apple pode trocar de fornecedor –OEM- sem que você perceba. a microsoft já podia desde o princípio pois, ao contrário da apple, nunca foi fabricante de hardware. e agora, google: se podemos trocar nosso android X por um Y sem que uma parte significativa da experiência de uso seja modificada… é porque o fornecedor de smartphones foi reduzido a um OEM e vai ter que ralar muito, muito mesmo, para se diferenciar de dezenas ou centenas de outros que estão fazendo [quase o] mesmo hardware.

na minha ou sua mão, o que vai interessar mesmo são as camadas acima do físico, onde a sorte da plataforma é decidida…

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quinta-feira, 12 de maio de 2011

smartphones… em 2015 e depois

criar o futuro é muito mais fácil do que prever o futuro. dito popular nos mercados de tecnologia há décadas, esquecido vez por outra pelas casas especializadas em… previsões. mas, afinal, se não fizessem isso mesmo, apostar em futuros possíveis e prováveis, viveriam de que?

de todas as bolas de cristal que apontam para os futuros de tecnologias muitas, uma previsão em particular me chamou a atenção mês e meio atrás e, depois da compra de skype pela microsoft, busquei o link e fui ler de novo.

não é que a IDC, endereço de um dos mais respeitados grupos de analistas de mercado do planeta, está prevendo que windows phone 7 [8...] será o segundo sistema operacional móvel mais popular do planeta em meros quatro anos?…

pelo mostrado no gráfico abaixo, google dominaria o mercado por uma larga margem [o que parece óbvio], apple e RIM ficariam mais ou menos onde estão [e isso não é óbvio, pelo menos no caso de iOS], symbian [da nokia] desapareceria completamente [isso até eu acho que é óbvio] e a microsoft multiplicaria por quatro sua penetração no mercado de smartphones. o "resto", ou seja, todas as outras plataformas, teria menos de 5% do mercado daqui a quatro anos.

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o relatório é assinado por ramon t. llamas, william stofega, stephen d. drake e stacy k. crook só pra gente saber de quem cobrar se rolar alguma coisa muito diferente do histograma acima. ciosa, aliás, que não deve vir de uma análise trivial do mercado a ponto de transferir a participação da nokia pra microsoft, face a aliança recente entre as duas empresas. se bem que é isso que fica aparente na imagem acima, não é? muito dura, a vida dos futurologistas.

segundo a análise, foram vendidos 173.5 milhões de smartphones em 2009, 303.4 milhões [74.9% a mais] em 2010 e a previsão para 2011 é de 452.5 milhões de unidades, cerca de 50% a mais do que em 2010. em 2015, seriam 925.7 milhões de smartphones postos no mercado por todos os fabricantes. assumindo que um smartphone tem uma vida útil de [chute!] 24 meses, pouco mais, pouco menos, os 2 bilhões [arredondando...] de smarties rodando em 2015 teriam sido vendidos entre 2013 e 2015.

seria impossível a microsoft acertar o passo, criar as redes de valor [de fabricantes a desenvolvedores...] e sair de onde está para vice-líder [400 milhões de usuários] do mercado de smartphones, nestas condições? não. veja o texto anterior do blog sobre o que redmond anda comprando e articulando, como parte de sua estratégia. é difícil a microsoft chegar a 20% do mercado de smartphones em meros quatro anos? sim, e muito. vai dar um trabalho danado.

mas a empresa parte de mais de 80% de todos os usuários do planeta usando seus sistemas operacionais na vida privada e nas corporações. é quase um milagre [reverso] que tenha se embananado tanto no negócio de mobilidade a ponto de lançar e matar o KIN em dois meses e a custos bilionários. só mesmo uma empresa do porte da microsoft pode fazer uma besteira deste tamanho e sobreviver…

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…ainda por cima porque os KIN, que não tinham nada a ver com WP7, foram lançados logo depois do anúncio do novo sistema operacional móvel, em barcelona, ano passado. clique na imagem para ler um ótimo resumo de porque tudo deu errado.

mas uma coisa é certa: daqui a dez anos não haverá dez plataformas de software básico para mobilidade. cinco talvez ainda seja muito. é mais provável que sejam só três. pelas contas da IDC, 2015 mostra google e microsoft abrindo vantagem significativa sobre a competição. se você fosse futurologista deste negócio, quais seriam os três atores [ou sistemas] da sua aposta para 2020? e por que?…

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

no brasil, crise chega aos PCs

Tags:, , , , , - srlm às 09:20

a crise que não ia chegar aqui, ou que ia ser só uma "marolinha", está aqui. e fungando no cangote de todo mundo. segundo a consultoria it Data, os PCs já ficaram 15% mais caros e, por causa da combinação de aumento de preços e juros, associadas à diminuição dos prazos de financiamento, as vendas já caíram 30%. desde o começo da crise financeira mundial, as ações da positivo informática, principal fabricante nacional, cairam mais de 50%.

o mercado brasileiro de PCs vinha tendo um crescimento excepcional, com vendas ao redor de 25 máquinas por minuto, o que ia dar perto de seis milhões de PCs vendidos no ano, até porque no natal as coisas se aceleram muito. agora, ninguém sabe ao certo o que pode acontecer. boa parte dos insumos é importada e em dólares, que saiu de perto de R$1.50 para bem mais de R$2. veja o drama no gráfico abaixo, cortesia de yahoo finance.

dollar-real-1yr.png

todo mundo com quem eu falei diz que o dólar vai voltar para perto de R$1.75, mas o grau de certeza, mesmo dos mais confiantes, está diminuindo. dependendo do que aconteça no mercado interno de PCs, quem pode diminuir, também, é o déficit da balança de eletrônicos, que andou acima de oito bilhões de dólares só no primeiro semestre [como o blog mostrou neste texto]. para tal, com preços mais altos nos insumos, teríamos que ver um quase colapso no mercado interno de PCs. deus nos livre desta "alternativa"…

mas o fato é que crises são grandes oportunidades. sempre. crises de muito grande porte, com esta, são oportunidades fantásticas. dólar alto, falta de crédito e investimentos, novos e importantes componentes e modelos de negócios, mais internet… estão mudando o modo de ver o mundo. e de fazê-lo funcionar. este blog citou o exemplo dos netbooks, pcs bem mais enxutos, que estavam se tornando uma febre no mundo rico como segundo ou terceiro pc de alguém. no nosso mundo, e servindo de mecanismo de acesso a serviços em rede, bem que poderão se tornar o primeiro [e único] sintonizador da internet nas casas de mais baixa renda. isso enquanto não tivermos 3g em escala universal e o acesso pessoal, à rede, através de uma nova geração de celulares do tipo android. e estas são apenas duas das possibilidades ao nosso redor.

ao invés de ficarmos paralisados pela crise, esperando o mundo se acabar, é hora de começar a antever -e portanto, construir- o que vai existir depois da crise. sem ignorar, como alguns queriam, que há uma grande crise ao redor e aqui. mas sabendo que ela vai passar. e vai haver mercado, problemas, oportunidades, trabalho, clientes, usuários, investimentos… do outro lado do que hoje parece, pra muita gente, um fim do mundo. empreendedorismo de verdade trata crise como oportunidade. sempre. a crise de nossos tempos é a oportunidade de nossos tempos.

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