Terra Magazine

segunda-feira, 4 de abril de 2011

pesquisa, desenvolvimento e resultados: conexões?…

este post é uma espécie de intervalo técnico para a série sobre educação empreendedora aqui do blog. antes deste texto, já foram publicados os "capítulos" 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15,16, 17, 18 e 19; depois, nenhum, ainda. simbora.

. : . : . : .

somando os recursos públicos com os da iniciativa privada, o brasil gastou 1,57% de seu produto interno bruto de 2009 em ciência e tecnologia, segundo dados do governo. em reais de 2009, os gastos da década são mostrados abaixo.

image

como se vê, tanto os gastos privados como públicos cresceram em valor de forma acentuada desde 2005, e isso correspondeu a um aumento, em termos de percentual de PIB, de mais de 20%.

image

ainda não temos os dados para 2010, que pode ter sido tão bom quanto 2009, mas já sabemos que –pelo menos do lado dos financiamentos públicos- 2011 será pior, pois o orçamento do ministério de ciência e tecnologia sofreu um corte de R$1,7 bilhões e não se sabe de onde poderiam vir as compensações que manteriam o investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento pelo menos igual ao de 2010, que podemos supor ser da mesma ordem de 2009.

quando se diminui o investimento público em ciência e tecnologia, vem à tona a idéia de que as empresas deveriam investir mais em "pesquisa", como se diz na linguagem dos cientistas.

mas, mesmo em países em que as empresas têm tradição em investir em seus laboratórios, os cortes federais em tempos de crise [como é o caso do desencontro entre compromissos e receitas do governo federal, que tem causa conhecida...] a coisa não é tão simples: na crise européia, o governo inglês detonou parte do orçamento nacional para pesquisa e as empresas e fundações disseram que

The private sector spends around £13bn a year on R&D in the UK, and a significant portion is spent in partnership with universities to fund basic science or to turn ideas into commercial products. But all that investment is dependent on a strong, publicly funded university system…

…boa parte da produtividade dos recursos empresariais destinados a C&T depende do vigor de um sistema universitário de qualidade como eles têm por lá, financiado por recursos públicos. o que as empresas querem dizer, talvez, é o mesmo que constata esta notícia sobre os investimentos das empresas de tecnologias de informação e comunicação nos seus laboratórios.

se o brasil investe menos de 2% do PIB em C&T, sabe quanto investe a microsoft em pesquisa e desenvolvimento? 13,9% de seu faturamento. a nokia? ainda mais: 14,4%. e google? 12,8%. o que os investimentos da microsoft e nokia têm em comum? nenhuma conexão com a participação das empresas no mercado; as duas vêm perdendo compradores, clientes e usuários há anos, mais notadamente a nokia. e google? não há nenhum resultado prático dos bilhões de dólares que a empresa investe anualmente em pesquisa que esteja, hoje, em qualquer linha de receita.

enquanto isso, sabe quanto a apple investe? 2,9% de sua receita. em ciência e tecnologia? nenhum centavo. a apple investe em inovação e desenvolvimento de produtos. comparando, a microsoft gastou mais em pesquisa em 2010 do que a apple em inovação toda a década passada. agora compare as ações de AAPL, MSFT e GOOG no gráfico abaixo e se pergunte em posse de qual delas você queria estar…

image

empresas podem fazer ciência, pensada como o avanço do conhecimento, sem restrições? sim, em certos casos talvez até devam, se isso estiver alinhado com sua estratégia de inovação [no caso, de longo prazo].

empresas têm que desenvolver tecnologia? sim, se forem intensivas em tecnologia [e não só de informação e comunicação], é muito provável que não haja como levar certos produtos ao mercado a não ser com um boa dose de investimento próprio em desenvolvimento tecnológico.

mas o que empresas têm mesmo que fazer para sobreviver e, fazendo isso, agregar valor à sua rede de compradores, clientes e usuários e, por causa disso, ao acionista, é desenvolver produtos e serviços que atendam, de forma competitiva e sustentada, demandas do mercado. às vezes demandas que o mercado –e cada indivíduo- nem sabe que tem. afinal de contas, quantos dos milhões de usuários de hoje usuários estavam na porta da apple pedindo, exigindo que ela desenvolvesse um iPad?… bem antes dele aparecer?…

CEOs must be designers, já dizia muito apropriadamente bruce nussbaum, numa escola de design em londres:

I think managers have to BECOME designers, not just hire them. I think CEOs have to embrace design thinking, not just hire someone who gets it. I think many business schools have to merge with design schools, not just play poke and tickle with them.

vá ler o texto de nussbaum. faz todo o sentido do mundo e se aplica, linha por linha, à nossa discussão.

microsoft, nokia e google parecem não ter aprendido nada com o palo alto research center, ou PARC, um dos maiores, mais criativos e mais caros laboratórios de todos os tempos. muitas das tecnologias desenvolvidas no PARC só chegaram ao mercado através de empreendedores que deixaram a empresa e criaram seus próprios startups, como descrito neste artigo.

qual era o problema, no PARC? um monte de gente muito competente, uma montanha –quase infinita- de recursos, oriundos de uma companhia à época muito lucrativa, muito pouca agenda e quase nenhum design de que tipos de problemas e nichos de mercado deveriam ser atacados, explorados ou resolvidos. resultado? PARC deu uma contribuição muito menor do que poderia dar à empresa e, em último caso, muito do que foi investido por lá serviu de semente para a criação de muitas das empresas que tornaram a própria xerox obsoleta.

mãe de todas as tecnologias que criaram as interfaces que usamos na informática mundial, a xerox vale 1/14 da microsoft e 1/21 da apple. aliás, foi numa visita a PARC, em 1979, que steve jobs descobriu o mouse, ícones, janelas e muitas outras das coisas que o laboratório havia inventado a para os quais a xerox não tinha nada em mente. steve, hoje sabemos, tinha.

antes que você vá lá nos comentários dizer que empresas não são países, não é isso que estamos dizendo neste artigo. estamos tentando fazer ver que são as visões, os grandes desenhos de cenários competitivos [ou de resolução de problemas] que criam as agendas de sucesso para o desenvolvimento científico e tecnológico. nos negócios e nos países. parte da indústria de informática que conhecemos hoje surgiu da do desejo americano de ir à  lua; outra parte, do desejo de –e consequente desenho para- criar uma rede de comunicação de dados resistente a tentativas de aniquilação nuclear.

estes desejos eram desenhos –designs, como pode e deve ser o caso de qualquer esforço, nacional ou empresarial, que vá resultar em investimento de unidades, dezenas ou centenas de bilhões de qualquer moeda mundial em conhecimento e suas aplicações.

tais desenhos são passíveis de serem tratados em termos de processos, como o mostrado na figura abaixo. e tal tratamento cria, na maioria das vezes deliberadamente, problemas que levam à descoberta de conhecimento novo, ao avanço da ciência [que às vezes se convenciona chamar de básica], dentro de um contexto que, no caso das nações, está ligado às grandes estratégias nacionais e, no caso das empresas de todos os portes, à sobrevivência.

image

mas você é um cientista [no jargão da academia, você faz "pesquisa básica"] e perguntaria: "e a minha liberdade de fazer o que quiser, para descobrir novas fronteiras… e a quantidade de coisas, a partir de tais buscas pessoais por novas fronteiras e fundamentos, que acabou no mercado, revolucionando o mundo e a vida"?…

fique tranquilo, sua liberdade está garantida. se você trabalha mesmo com fundamentos, saiba que só uns poucos por cento de todos os cientistas do planeta são como você e que qualquer sistema de financiamento à ciência, tecnologia e inovação do porte do brasileiro vai levar suas competências e características em conta e nunca lhe irão faltar os meios para realizar seu trabalho.

o danado é que, sob uma capa de estar trabalhando em "ciência", há um grande número de acadêmicos trabalhando em "tecnologia sem cliente", fugindo à sua responsabilidade de atacar problemas de mercado talvez porque complexos ou talvez porque, no recôndito do laboratório, seja mais fácil e efetivo manter aquele fluxo de publicação de trabalhos científicos que lhe garante os galardões e mais acesso a financiamentos para fazer ainda mais "tecnologia sem cliente".

se sua empresa está tentando interagir com a universidade e está achando muito difícil, talvez a principal razão seja a dificuldade de mudar as agendas de pesquisadores que estão [re]descobrindo "tecnologias sem cliente", em função de um sistema de reconhecimento e mérito que quase só mede, como performance acadêmica, publicações por unidade de tempo.

o que nos falta, como país? seria um design? talvez o mesmo design que falte a empresas como nokia, microsoft e google, do ponto de vista da interação entre o que se gasta em ciência e tecnologia e o resultado no mercado?

olhe só o que aconteceu nos últimos dez anos das exportações brasileiras, segundo dados oficiais. a exportação de manufaturados caiu 30% na década. e isso na década em que aumentamos 60% os recursos para ciência e tecnologia… o que, pelo menos em parte, deveria resultar em mais e melhores resultados de pesquisa e desenvolvimento tecnológico que deveriam se tornar inovação, no mercado. internacional, inclusive.

image

mas não foi isso que aconteceu… muito pelo contrário. somos cada vez mais exportadores de commodities e, mesmo nos setores industriais, diminuiu a intensidade de média e alta tecnologia nas exportações.

image

e o número de empresas que exportaram em 2010 é só marginalmente superior ao de 2001, e mais de 2.500 empresas abaixo do pico de 2004.

image

ah… você diria, isso não tem nada a ver com C&T e suas consequências para inovação, estamos falando de câmbio e das mais variadas facetas do custo brasil. sim, estamos falando de câmbio e custos do brasil, e isso é parte do grande design.

o que quer dizer que mesmo havendo muito mais foco [na forma de uma agenda bem definida, como a inglaterra está tentando] no investimento em ciência e tecnologia e um conjunto simples e efetivo de incentivos para inovar, se não houver num posicionamento de mercado que demande tais resultados como parte de uma plataforma [de empresa, região, país] de diferenciação e competitividade no mercado… mais recursos em C&T não irão resultar, necessariamente, em mais receitas, resultados e lucros.

ou, no caso de um país, e no nosso foco em educação empreendedora, na criação e desenvolvimento sustentado de um número bem maior de novos negócios inovadores de crescimento empreendedor que tenham presença significativa no mercado nacional e internacional.

Blogs que citam este Post

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

eletrônicos: a crise ainda não acabou e…

image dados recentes da abinee, associação da indústria do setor eletroeletrônico, mostram que a crise continua por aí, e em variados setores da economia. clique no gráfico ao lado, que mostra as exportações do setor nos últimos três anos [2009 em verde, bem abaixo de 2007, em vermelho, e do azul de 2009], que você vai direto para o balanço feito pela abinee até setembro deste ano.

a crise neste mercado tem vários componentes, incluindo o day after da crise de crédito e a valorização do real. e o real forte não causoimageu, por exemplo, um aumento excessivo das importações, como mostra o gráfico à direita, onde se vê que a entrada de eletrônicos, em 2009 [verde], voltou aos níveis de 2007 [vermelho]. mas a valorização da moeda brasileira pode ter tido um efeito negativo muito sério na competitividade de produtos brasileiros lá fora: só a exportação de celulares, no ano e em valor, caiu 38% em relação ao mesmo período de 2008.

a única consequência benigna do atual estado de coisas  [?] é que o déficit do setor, eterna preocupação dos formuladores de política para a área, caiu, imagee caiu muito, como mostra o histograma ao lado. em relação a 2008, estamos economizando mais de cinco bilhões de dólares até agora. a previsão para 2009 é de US$22B de compras e US$7B de vendas, o que vai causar um rombo de US$15B nas contas do país. grande, muito grande, mas bem menor do que os US$22B do ano passado.

pra se ter uma idéia comparada do tamanho do problema, a tonelada de soja [este mês; veja os dados históricos aqui] está cotada ao redor de US$400 e o brasil deve exportar cerca de 25 milhões de toneladas de soja este ano o que vai resultar em US$10B do lado positivo da balança: por estas contas, precisamos de safra e meia de soja [exportada] só para cobrir o déficit de eletrônicos.

segundo a abinee, o mercado de 2009 será de 5 a 7% menor do que 2008, e a indústria deve voltar a crescer no ano que vem, mas… "Não há um futuro muito promissor… A tendência é que o déficit volte a aumentar em 2010". talvez voltemos aos níveis de 2008, e aí será necessário exportar duas safras de soja [no ano] pra pagar a conta: haja desmatamento.

a pergunta que talvez devêssemos fazer, sobre a crise da balança de pagamentos de eletrônicos, é… quais são as causas estruturais do déficit ou, talvez, qual é a principal causa estrutural do déficit? a indústria tem sua lista, ela é longa e passa pelos onipresentes e reais juros altos, parte do ubíquo custo brasil.

do lado de cá do blog, meus botões e muitos especialistas acham que o problema é mais profundo. o fato é que nós não somos competitivos no mercado internacional porque não temos o custo da china [e parece que nunca teremos] e, ao mesmo tempo, não somos inovadores como a finlândia [por exemplo]. e a consequência é que, no negócio de eletrônica em geral, informática inclusive, continuamos [majoritariamente] produzindo commodities para o mercado nacional.

precisamos de muito, mas muito mais empresas e empreendimentos que, ao invés de se pensarem num quintal de mundo e aceitarem como uma espécie de dádiva divina o quinhão que lhes sobra, quase que por definição e exclusão, passem a pensar no mundo como um quintal de suas operações. claro que é um quintal complexo e difícil, cheio de gente, parte da qual muito competente. mas competir em mercados internacionais nunca foi fácil e sem riscos.

para competir, de verdade, é preciso inovar. e a receita é conhecida: vamos ver o que pensa paulo tigre, presidente da fiergs: a inovação é a chave para a competitividade das empresas e o desenvolvimento do país e, consequentemente, determinante para o aumento da produtividade e da renda real. quase todo ator de primeira grandeza do cenário industrial e de negócios brasileiro, se provocado, daria uma declaração similar.

mas enquanto as empresas brasileiras de eletrônica e informática, inclusive muitas que se acham inovadoras, continuarem pensando em cópias rápidas e rasteiras de produtos existentes no mercado internacional, criadas para substituir importações para o mercado nacional, sempre num espírito rasteiro de “precisamos correr atrás”… continuaremos, sim, atrás e muito pouco competitivos no mercado internacional. e a balança comercial do setor continuará desbalanceada.

e os sinais de que ela pode se tornar ainda mais negativa são muitos, incluindo o significativo número de empresas brasileiras [de hardware] planejando a terceirização de sua produção para o sudeste da ásia. quando isso acontecer [é só o dólar cair um pouco mais…] o governo certamente reagirá com barreiras à importação, reinstalando com toda força o mercado cinza do setor, pelos caminhos desastrosos, do ponto de vista de trabalho, renda e impostos, que todos nós já conhecemos.

a crise da balança comercial dos eletrônicos e da informática não é superficial e tampouco conjuntural; ela é profunda, estrutural e nunca [na história deste país…] foi tratada com a atenção, dedicação, conhecimento e investimento que deveria, tanto do ponto de vista das empresas como das políticas públicas. enquanto isso não for feito, a crise não será resolvida, pois não se resolverá sozinha.

e o resto é economia de elevador, publicada todo mês como se fora tábua de marés, com números dançando para cima e para baixo, sobre discursos vazios e ouvidos ocos.

Blogs que citam este Post

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

a balança dos eletrônicos [de novo]

Tags:, , , , - srlm às 12:57

em junho passado este blog publicou um texto sobre a importação e exportação de eletrônicos, onde se dizia que… o déficit da balança de eletrônicos, até maio deste ano, já está 61% maior do que no mesmo período no ano passado [que foi, por sua vez, 41% maior que 2006, comparando ano a ano]. estima-se que o rombo passe dos US$20B em 2009, resultado de um mercado interno que compra cada vez mais PCs, laptops, celulares e tudo que tem, dentro, componentes, partes e peças que importamos a granel da ásia, combinado com uma muita dificuldade de exportar o que é produzido aqui, por causa do que se convencionou chamar de “custo brasil”, que agora inclui um real tão valorizado como há uma década. 

de lá pra cá, o real se desvalorizou muito, o que deveria ser parte das boas notícias para o setor, mas não é: dólar mais caro significa insumos mais caros, principalmente componentes eletrônicos importados majoritariamente da ásia para o brasil, o que, como mostramos em outro texto, acaba complicando o cenário para os fabricantes nacionais de eletro-eletrônicos.

ss-20081121114513.pngpois bem. a abinee acaba de publicar os resultados da balança comercial até setembro [ou seja, até o começo da "crise"] e a situação piorou um pouco. nos primeiros nove meses do ano, o déficit de eletro-eletrônicos está 65% maior do que no ano passado, como mostra a figura deste parágrafo. segundo a associação da indústria eletro-eletrônica… No acumulado de janeiro a setembro de 2008, o déficit comercial de produtos eletroeletrônicos foi de US$ 17,22 bilhões, 65% acima do ocorrido no mesmo período do ano passado (US$ 10,44 bilhões). Este total é resultado de exportações de US$ 7,53 bilhões e importações de US$ 24,75 bilhões …este saldo negativo é recorde histórico, e o resultado acumulado nos nove primeiros meses deste ano foi superior ao total acumulado nos 12 meses dos anos anteriores. Vale lembrar que, no ano todo de 2007, o déficit atingiu US$ 14,75 bilhões.

a abinee ainda deixa claro que… neste período ainda não foram contabilizados os efeitos que podem ocorrer em função da crise mundial. Portanto, por enquanto, permanece a previsão de o setor encerrar este ano com saldo negativo de US$ 20,6 bilhões, resultado de exportações de US$ 9,3 bilhões e importações de US$ 29,9 bilhões.

por um lado, a notícia é boa: como o país está crescendo e qualquer parte da infra-estrutura de qualquer país depende de eletrônica e informática, estamos investindo massivamente no que deveríamos estar investindo, inclusive do ponto de vista pessoal, com um monte de empresas [e pessoas] comprando, por exemplo, seu primeiro PC.

por outro, talvez se deva notar que o setor industrial de informática, no país, não é competitivo internacionalmente, o que significa que temos em voga, ainda, uma política industrial de substituição das importações. importamos componentes e fabricamos equipamentos [PCs, celulares...] para suprir o mercado nacional, com uma pequena parcela de exportações para, principalmente, o mercado latino-americano [60% dos US$1.7B exportados em celulares foram para argentina e venezuela].

resumo da ópera? espera-se que o déficit da balança comercial esteja sendo pago pelo aumento da produtividade dos negócios e das pessoas, como já está demonstrado que é o caso da introdução massiva de informática na economia. mas isso vai acontecer mesmo é no longo prazo. no curto prazo, aqui e agora, o buraco da balança comercial de eletrônica está sendo coberto mesmo é pelo nosso sucesso nas commodities

Blogs que citam este Post

quinta-feira, 19 de junho de 2008

os PCs e a balança comercial

de acordo com pesquisa do idc, foram vendidos mais de 21 PCs por minuto no brasil durante o primeiro trimestre de 2008. isso dá quase 2.4 milhões de computadores pessoais nos três primeiros meses do ano, um aumento de quase 19% sobre período similar de 2007, que tinha sido considerado atípico [de tão bom].

segundo o idc, citado pela folha,  até 2010 o brasil alcançará o terceiro lugar em volume de vendas de PCs no mundo, atrás apenas de eua e china; pelas contas dos consultores, há cerca de 50 milhões de PCs funcionando no país, no momento.

e a balança comercial com isso? o déficit da balança de eletrônicos, até maio deste ano, jádecon141-import.gif está 61% maior do que no mesmo período no ano passado [que foi, por sua vez, 41% maior que 2006, comparando ano a ano]. estima-se que o rombo passe dos US$20B em 2009, resultado de um mercado interno que compra cada vez mais PCs, laptops, celulares e tudo que tem, dentro, componentes, partes e peças que importamos a granel da ásia, combinado com uma muita dificuldade de exportar o que é produzido aqui, por causa do que se convencionou chamar de “custo brasil”, que agora inclui um real tão valorizado como há uma década.

no passado, quando isso acontecia, fechava-se as fronteiras e se tratava de “substituir as importações”. à medida que o país se globaliza,decon142-deficit.gif o mercado [ou seja, todo mundo que não fabrica alguma coisa aqui, só para comércio local] quer os melhores produtos, pelos melhores preços, pouco importa de onde venham. até porque nosso argumento para vender [por exemplo] etanol nos estados unidos é menos barreiras na fronteira e menos subsídios dentro delas. se saímos com etanol, onde somos muito competitivos, os outros vão querer entrar com os produtos onde são muito competitivos. simples assim. antigamente, até que dava para pensar em ser competitivo em tudo. no mundo globalizado e conectado, onde a antiga brahma vai acabar comprando a cerveja símbolo dos eua, só burma e a coréia do norte acham que estão isoladas. por pouco tempo mais.

vamos ter que tomar e implementar decisões sérias de política industrial muito em breve, em muitas áreas. uma delas vai ser a de fabricação de commodities eletrônicas [PCs, laptops, celulares, câmeras, pods...] de baixo peso e alto valor agregado, onde o custo do transporte é irrelevante. ou se cria, aqui, condições para fazermos mais coisas pro brasil e outras partes do mundo ou acabaremos importando tudo pronto, até porque vai ficar, ao fim das contas, mais barato.

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol