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terça-feira, 10 de maio de 2011

e a microsoft comprou skype

Tags:, , , , - srlm às 13:23

em janeiro de 2010, apareceu aqui no blog o texto “skype incomodando as teles”, falando de como a empresa que começou e mantém mais de 40% de seus colaboradores em talinn, na estônia, estava começando a capturar muitos minutos de voz internacionais das operadoras clássicas. claro que não há nada mais óbvio do que isso, considerando os preços astronômicos que as operadoras cobram por ligações de longa distância, como se um portador humano, a cavalo, tivesse que carregar os bits de nossas chamadas.

e a coisa pode ficar muito pior se você estiver em roaming celular: um amigo pagou quase mil reais por dia de conta de dados no chile, por não ter levado em conta que os smartphones passam o tempo todo mandando e recebendo dados, especialmente se conectados a redes sociais. resultado? em 2009 skype detinha 12% do mercado mundial de conexões internacionais de voz, comparado com 4.4% em 2006. entre 2009 e 2010, foram mais de 100% de crescimento, chegando a 24.7% do tempo de conexão internacional. coisa de gente grande.

mas isso é a história vista de nosso mundo -dos bits- olhando para o das teles, que ainda teimam em enxergar os usuários em minutos na maior parte dos casos. e não é isso que a microsoft está comprando.

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om malik, que foi o primeiro a falar do assunto, elenca uma série de razões [do lado da vida digital, conectada, móvel] para a microsoft pagar US$8.5 bilhões de dólares por skype, tornando-o um bom negócio para eBay e todos os outros investidores. a coisa, como não poderia deixar de ser, passa guerra global de posições nas redes sociais e os papéis de google, apple, facebook e da própria microsoft.

imagea compra de skype pela última significa que google não pegou os 663 milhões de usuários de skype que, tratado como rede social, é 10% maior do que facebook. quer dizer também que facebook, de quem a microsoft é investidor [até para excluir google da cena…] pode pensar em construir uma liga entre seu grafo social e a conectividade distribuída oferecida por skype. ainda por cima, a apple vai ter que rebolar para enfrentar a combinação de microsoft, skype e facebook em todos os cenários, o que deve tornar a estratégia “social” de tim cook ainda mais difícil de ser executada.

em especial, a microsoft –há décadas expert em estratégias emergentes, inclusive e principalmente a partir do mercado- não gastou uma fortuna [1/6 do caixa da companhia] só para manter google longe de skype e aperriar a apple. os negócios de mobilidade de redmond, centrados em windows phone 7 e no acordo com a nokia, têm muito a ganhar com um skype “nativo”, até porque há teles que já acordaram para jesus e vinham conversando com skype sobre a transição para as redes LTE [long term evolution] que, de uma vez por todas, vão acabar com a história de “voz” e “minutos” nas operadoras móveis.

claro que há críticos e críticas de todos os tipos quando se trata de uma aquisição deste porte, por companhias de perfil tão elevado, num cenário competitivo tão acirrado. mas a grande maioria parece concordar que se a microsoft não “bagunçar” skype e souber usar, apropriadamente, o que sua mais nova aquisição oferece, o resultado pode ser um significativo aumento da competitividade de redmond nos mercados social e de mobilidade. como os dois estão cada vez mais visceralmente conectados… é bem capaz de steve ballmer ter feito a operação que vai garantir seu nome na história dos negócios da era da informação.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

BBB: o Y da questão

Tags:, , , , , - srlm às 06:00

como todo mundo já sabe, carol bartz e steve ballmer, os dois primeiros B’s de nosso comentário, se sentaram dia destes e decidiram que yahoo e bing [e não yahoo e a microsoft, note bem] iam se casar. bing é nosso terceiro B, e você pode clicar no link a seguir para ler uma detalhada análise do assunto, feita pela AP e publicada no chicago tribune.

a noiva, yahoo, estava há tempos no caritó, como se diz em pernambuco [antigo] das moças que estão quase passando do ponto. yahoo não podia mais deixar passar qualquer oportunidade, sob o risco de não ter mais nenhuma mesmo. os antecessores de bartz, terry semel e jeff yang, não tinham planos de casar com ninguém e fizeram tudo pro noivado com ballmer não dar certo. enquanto mandavam no pedaço, não deu mesmo.

o noivo, ânimo e roupa renovadas, depois de uma reestruturação que lhe deu, pra começar, mais audiência em busca [no mercado americano, em certos dias…] que o próprio yahoo, precisava de uma parceira pra acompanhá-lo em sua longa batalha contra o quase monopólio de google, alvo de todo mundo no mercado.

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e não é pra menos. veja [e clique n]o gráfico acima, de statcounter. hoje, google tem cerca de 75% do mercado; olhando para os dois últimos meses, google somou mais de 80% de todas as buscas nos EUA e canadá, contra pouco mais de 17% de yahoo e bing [clique aqui pra ver em detalhe]. o monopólio virtual de google em busca tem um porte similar ao da microsoft em sistemas operacionais e suites de programas de escritório.

o contrato de casamento assinado por bartz e ballmer é simples: yahoo vai “vender” busca e bing vai passar a ser a “busca de yahoo”, além de ser sua própria, claro. yahoo vai, muito provavelmente, demitir toda sua engenharia de busca [e talvez todo o resto da tecnologia] e ficar nas mãos da microsoft [leia “bing”] para tudo o que quiser fazer. de uma vez por todas. porque dez anos [do contrato], na rede, é infinito.

tudo bem que já fazia um tempo que não se via muita coisa de inovadora vinda de yahoo. a companhia não sabia se era mídia ou tecnologia, serviços ou o que. e estava tão longe de google, e tão sem forças para tentar alcançar o líder… que talvez a única alternativa fosse o casamento BBB –sem Y- acertado recentemente. e aí yahoo virou um portal, sem conteúdo original. como qualquer outro. os acionistas não gostaram, como mostra o gráfico abaixo; a seta vermelha indica o dia do anúncio do acordo BBB, com YHOO em azul, GOOG em verde e a MSFT em vermelho; clique no gráfico para ver o detalhe… no site de finanças de yahoo!

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o efeito colateral do acordo vai ser [na minha opinião e de mais um bocado de gente] matar yahoo. que talvez já fosse morrer de morte morrida mesmo, dentro de uns mil dias. e talvez carol bartz tenha conseguido o quase impossível: extrair de steve ballmer um dote de meio bilhão de dólares por uma noiva que… nunca iria sair do caritó de outro jeito.

o Y da questão está resolvido. a briga [mais uma] é entre microsoft e google; e yahoo, depois de ter escrito uma das mais belas páginas da internet, vai começar a descansar. para sempre.

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