Terra Magazine

21.06.09

bloggers: foi-se o anonimato

Tags:, , , , - srlm às 07:00

image pelo menos na inglaterra. a justiça de lá, ao decidir sobre o polêmico caso de um policial que mantinha, anonimamente, um blog sobre a polícia, suas ações, erros e omissões, julgou que richard horton, detetive do lancashire constabulary, não podia ter, ao começar seu blog, “nenhuma expectativa razoável” de anonimato.

a decisão é quase final, pois vem da high court: na inglaterra, o número de textos legais é pequeno e uma parte significativa da legislação é criada quando as cortes mais altas do país julgam casos como este.

uma sentença da high court inglesa dizendo que um blogger não pode ter “nenhuma expectativa razoável” de anonimato porque “blogging é uma atividade essencialmente pública”, adicionando que o interesse público, em situações semelhantes, sempre estaria acima de qualquer arguição em prol do anonimato de um indivíduo, cria uma norma legal que vale como se fosse lei. a menos que a court of appeals e/ou a house of lords revertam a decisão, o que parece muito remoto neste caso.

mas isso não significa que deu um azeredo básico no sistema legal inglês e que, a partir daí, todos os candidatos a blogueiro têm que se registrar, provando sua identidade de forma irrefutável. fosse no brasil, era capaz de criarem uma rede de cartórios [hereditários] das varas virtuais só para identificar blogueiros. lá, não.

image continua sendo possível escrever, no anonimato e com toda a simplicidade do mundo e de sempre, um blog, inclusive pra falar mal de quem você quiser. mas, agora, ninguém mais pode arguir –ao ser descoberto por um jornal, como foi o caso de horton- que seu blog é publicado no anonimato. cada um que cuide de se esconder atrás de sua presença online como melhor puder; ao ser descoberto, daqui pra frente, não terá qualquer amparo legal.

um repórter do times fez um trabalho [básico] de detetive para descobrir que um detetive era o anônimo atrás de um blog sobre a polícia, que chegou a ter meio milhão de leitores por semana. ao responder como chegou lá, patrick foster quase soltou um “elementar, meu caro watson”.

 

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29.04.09

o blog, o conteúdo e o estilo

Tags:, , - srlm às 12:24

este blog, como quem passa por aqui vez por outra sabe, não tem paciência para usar a tecla “shift”. depois de ponto, nada de maiúsculas, por exemplo. e nomes próprios quase nunca ganham uma capital no princípio; daí que vez por outra brasil aparece com um “b” ao invés de “B”. questão de estilo, diriam uns, inclusive o autor. alguns outros, membros da patrulha ortográfica da língua portuguesa, ficam possessos: ao invés de ler o blog, que trata de tecnologias da informação e comunicação [TICs: algumas siglas aparecem em capitais] e seu impacto na sociedade, os patrulheiros se dirigem direto pros comentários e detonam o autor em gênero, número e grau.

pura perda de tempo: meu contrato com o terraMagazine [com “M” bem no meio] não me sujeita a um manual de estilo que o terra [e o magazine], por sinal, não publicou. escrevo o que quero, quase quando, e certamente como quero. quem quiser ler português perfeito, casto, última flor do lácio inculta e bela… deve procurar outro endereço, que é o que não falta na rede brasileira, com tantos e cultos autores publicando tanta coisa boa todo dia.

se o blog não tá nem aí pra [falta de] regras e pros comentários sobre seu relaxamento, o que é mesmo que este texto está fazendo aqui? ah, bem: o texto de ontem era sobre alpha [com ph mesmo…], a máquina de respostas da wolfram research; mas boa parte dos comentários [como sempre, quando um assunto qualquer chama atenção] era sobre a tecla “shift” [e não, deve-se observar, sobre “caixa-alta”…]. como sempre, este tipo e nível de comentário não mereceria  nenhuma resposta, mas aí a antonia berlotto, pelo fim da tarde, escreveu:

Silvio Meira:

Vou te fazer uma pergunta e quero resposta: Há mais de um ano quem entra aqui sabe que vc escreve com minúsculas; um direito seu, cada um escreve como quiser, ninguém é obrigado a ler. Entra quem quer, lê até o final quem quer. Quem não quer, ou não entrra ou muda a página na primeira linha. Quem se move pra te escrever é movido por alguma coisa; ciúme, ódio, ressentimento… Quem entra e escreve comentário, um ano depois de vc escrever com minúsculas, é óbvio que é algum desafeto ou ex-namorada movido(a) por algo negativo, baixo, mesquinho. A pergunta, portanto, é:  porque você, que tem como mediar, não nos poupa dessas mediocridades no seu ótimo, híper interessante blog. Porque eu tenho que ler aqui estas manifestações da miséria humana? Busco os comentários como complemento do debate, não há como saltá-los salvo uma linha depois -que faço- mas, por favor, nos poupe. E responda-me.

Comentário por Antonia Berlotto — 28.04.09 @ 18:13

como o comentário de antonia já está mesmo publicado, não pedi sua licença para copiá-lo aqui; é apenas a mesma coisa do texto anterior, no seguinte. e a pergunta é importante e merece resposta: por que este blog não media os comentários e deleta a irrelevância?…

antonia, eu acho que a resposta é simples e tem duas razões básicas. primeiro, por tolerância: tá cheio de gente sem espaço para se expressar e os comentários, em qualquer blog que tenha um mínimo de audiência, são um lugar precioso. servem como terapia pra uma galera que passa aqui uma vez, desfia um rosário de impropérios contra o autor, vai embora e não volta nunca mais. o efeito desta turma é nulo, até porque não consegue organizar uma campanha pelo “bom” português na web, que tenha como ícone [por exemplo] a retirada deste blog do terraMagazine. até que seria interessante uma tentativa destas, pra gente ver no que ia dar.

a segunda razão é educacional e também tem a ver com tolerância: estamos em tempos de formação de novos mecanismos de expressão, incluindo a [re]criação da língua, da escrita e dela na rede. e isso não começou a acontecer na internet, pois no latim antigo já se distinguiam o sermo quotidianus [língua do dia-a-dia], sermo urbanus [citadina], sermo plebeius [popular, em oposição aos patrícios]… ou seja, tantas línguas quantos fossem os grupos sociais, ocupações maiores, distribuição geográfica e por aí vai. a língua “ideal”, referendada pela academia, nunca passou de… um ideal.

claro que este blog não está propondo uma revisão do português e o fim das maiúsculas. mas nada o impede de usar seu próprio estilo, e isto envolve uma certa tolerância, por parte de quem lê, pois tem que sair do seu modo usual de percepção de texto e varrer a página com mais atenção, pelo menos nas primeiras vezes. afinal de contas, onde foi mesmo que o autor colocou o ponto?…

talvez haja uma terceira razão, subliminar, que é afastar um certo tipo de audiência potencial: quem não tolera o estilo vem aqui uma vez, quase que por engano, esculhamba geral e, se tudo correr bem e nossas preces forem atendidas, não volta nunca mais. amen.

curiosamente, boa parte das pessoas que reclama da ausência de maiúsculas não parece perceber que, no passado distante, o latim só tinha letras capitais e todas as palavras [em muitos contextos] eram separadas por um “ponto”. o estágio onde ainda temos pontos e maiúsculas talvez seja apenas um ponto intermediário no caminho das minúsculas sem nenhuma pontuação [ou acento]. já pensou? talvez não, mas não leve muito a sério, pois pode ser apenas outra provocação.

abaixo, uma das mais antigas inscrições latinas de que se tem notícia [séc. V a.c.?], encontrada no lapis niger, em roma. pra quem gosta de maiúsculas, boa leitura. e até a próxima…

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05.12.08

novos modos de produção de conhecimento…

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galera… há dois vídeos no ar [veja este, primeiro e este outro, depois], cortesia de beto largman, curador do projeto descolagem do nave do instituto oi futuro, do qual o c.e.s.a.r é parceiro, com a íntegra de um debate do qual eu participei, em julho, sobre novos modos de produção do conhecimento [em rede!].descolagem.jpg

e não só. a conversa teve os quarenta anos da internet [isso, começou em 68...], os modos de entender e mudar o mundo ao nosso redor [depois que nós deixamos de nos "formar" pra sempre]… uma economia e sociedade de execução imperfeita do desconhecido [o mundo em modo BETA!], taperoá, a aldeia e o mundo, de como que o ponto, pra existir, tem que ser [e ser visto como] parte do todo. o que é o "mundo largo" do aprendizado, uma discussão sobre processos de colaboração, periferia, inovação, proximidade à distância, educação ontem e hoje, paulo freire, suas [e minhas, nossas] interfaces com o mundo [celular no CENTRO delas], derivando pra escolas e lanhouses, times de desenvolvimento de jogos e o que isso tem a ver com educação, principalmente com educação divertida, futebol, jogos e as leis da física [e seu aprendizado na escola]… terminando em mundos virtuais, WoW e o futuro da educação e processos de aprendizado… aliás, o que é o virtual? é exatamente aí que acaba o segundo vídeo. vá la ver.

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17.06.08

comentário na web é “compartilhado” [para 40% dos usuários]

Tags:, , , - srlm às 02:18

2008-06-17_021503.pngparece óbvio [pelo menos a mim] que meus comentários [num blog qualquer, numa rede social, num jornal impresso]  me pertencem. mas pra tudo, hoje, há um debate. este aqui, no intenseDebate, tá quente e tem, até agora, um resultado inesperado: só 23% dos autores que participaram da enquete [até agora] acha que seu comentário é mesmo seu [37% acham que pertencem a quem os publica e outros 40% acham que a propriedade é compartilhada].

propriedade tem que ver com responsabilidade: se um blog não filtra nem edita os comentários, cada um é dono do seu texto e absolutamente responsável por ele e suas conseqüências. em uma disputa judicial recente, os advogados de google usaram como defesa [em um caso de difamação no orkut] o fato de que, apesar de ser possível [e eu adiciono "em termos"] identificar os usuários do sistema, a lei não obriga a empresa a identificar positivamente nenhum deles.

no caso de um texto anônimo, a interpretação da corte foi de que google é responsável pelo texto [logo... seu proprietário?] e tem que responder legalmente por isso. multa de 10 paus pra empresa. pelos votos da enquete acima, mais de 70% concordariam com a decisão do judiciário do rio de janeiro, que condenou google/orkut.

ou não? taí um bom debate pros comentários aqui dos blogs do terramagazine. antes que alguém processe o bob fernandes pelo simples fato de criar e manter o espaço…

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12.06.08

aviso aos navegantes…

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spam-for-weblogs.jpgcomo já tínhamos avisado antes, este blog está trocando de infra-estrutura, passando a usar wordpress, a ferramenta [e não wordpress, o site]. isso nos dá mais capacidade, flexibilidade e, ao mesmo tempo, controle sobre posts, comentários, imagens, histórias, além de habilitar um sem-número de possibilidades criativas. ao mesmo tempo, bota o blog no centro do alvo dos blog spambots do mundo inteiro.

isso leva a uma mudança local, aqui: pra inserir um comentário em qualquer post, um comentário anterior, do mesmo autor, terá que ter sido aprovado pelo pessoal do terra [ou o comentário corrente -e pendente- terá que ser aprovado]. a aprovação é um procedimento padrão e não está -nem estará- associada a qualquer julgamento de valor sobre o conteúdo do comentário. o terra aprovará todos os comentários que não tenham jeitão de spam e, a partir do primeiro comentário aprovado, o autor passará a comentar em tempo real, sem intervenção do pessoal da casa.

vantagens e desvantagens da tecnologia. outro efeito colateral [imposto pelas regras que usamos no wordpress, aqui] é que comentários com mais de dois links [uma das características dos spams em blogs, quando usados pra programar engenhos de busca] ficarão na fila de aprovação, mesmo que o usuário esteja previamente habilitado.

daí… se vc comentou algo e seu comentário não apareceu na hora… é porque você ainda não tinha feito nenhum comentário neste blog ou porque seu comentário atual contém mais de dois links. mais hora, menos hora, ele vai ao ar. é só esperar um pouco. a censura, no blog, é zero. e o processo todo vai ser muito mais rápido depois que os plug-ins anti-spam que a galera de tecnologia está avaliando estiverem no ar. em muito breve, espero.

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