Terra Magazine

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

cadê a banda?…

não é só porque é carnaval daqui a duas semanas, mas todo mundo está procurando a banda. aqui no brasil a gente sabe que não está. esta semana, a campanha banda larga organizou um tuitaço contra a oi, depois que a empresa resolveu discutir os regulamentos de qualidade dos serviços de banda larga fixa e móvel. se você quiser saber quais são as regras, as da banda fixa estão aqui e as da banda móvel, aqui. a oi, do seu lado, diz que é a favor de medida e gestão de qualidade dos serviços, mas que as regras correntes levam em conta fatores estranhos à rede das operadoras e têm que ser revistas. muitas águas ainda vão rolar sob este debate.

será que a banda está no japão? se está, corre o risco sério de passar a não estar. a ntt docomo, uma das melhores operadoras móveis do mundo, que é quase um sonho comparada aos serviços da américa latina [receita de dados na receita média por usuário? 50%; perda de usuários por ano para outra operadora? abaixo de 0.5%], vai pedir a google para "controlar" o uso de dados por smartphones android e aplicações.

por que? segundo a docomo, os droids estão detonando a qualidade sua rede. todos sabem que smartphones e aplicações móveis usam dados de forma mais agressiva que celulares "normais". imagine-se dirigindo com o auxílio de um app qualquer. muita informação tem que passar pela rede e chegar a você, senão a coisa é inútil. e o uso de banda larga móvel vai aumentar de forma radical na próxima década. veja a imagem abaixo, de um texto aqui mesmo do blog, que mostra o crescimento dos dados móveis no mundo nos últimos quatro anos.

a previsão é que o volume de dados móveis em 2016 será 10 vezes o de 2011. se já reclamamos dos serviços das operadoras hoje… como tal crescimento será possível? sobre qual infraestrutura? quanto investimento seria necessário para atender a demanda por banda larga móvel no mundo? e no brasil?

no japão, há quem diga que a docomo conversa com google pra "maneirar" nos dados só para manter suas margens [11.5% de lucro líquido sobre a receita operacional de mais de US$50B], evitando investimentos de curto e médio prazo para atender a crescente demanda por dados. sei não, mas acho que esta conversa não tem futuro.

e aqui? é difícil comparar com o japão mas, se as operadoras locais dessem prejuízo, talvez se devesse condicionar a melhoria dos serviços ao aumento significativo das tarifas. ou diminuição dos impostos, ou os dois. mas parece que [veja este e este relatórios e compare os lucros com este, da docomo] nossas operadoras estão melhores do que no japão… e aí?

lá no começo dos dados móveis, ouvi de um alto executivo [hoje fora do setor] de uma operadora: "se não conseguirmos evitar o uso dos celulares da mesma forma que os computadores, este negócio vai ser um inferno". olhe pro gráfico abaixo…

 

…e note que o número de acessos de banda larga móvel passou o fixo em 2010 e será seis vezes maior em 2016. e estamos seguindo mapas, vendo vídeos, transmitindo vídeos, ouvindo música em tempo real, tentando fazer muito mais uso de banda móvel –que pelo menos em tese deveria estar conosco o tempo todo- do que nos PCs que ficaram em casa ou no trabalho. tudo isso, claro, quando dá, quando o serviço "deixa" os dados passarem. isso quando ele não cai, pura e simplesmente e deixa a gente perdido, sem mapa, qual bloco sem estandarte.

e agora? do ponto de vista da cobertura e qualidade da banda larga móvel, esta década vai ser muito desafiadora em todo mundo. a conversa de que precisamos fazer algo melhor "pra copa" e "olimpíada" é bobagem: temos que ter mais e melhor banda larga [móvel e fixa] porque a sociedade toda precisa dela, porque se trata de uma das infraestruturas essenciais para tudo, como eletricidade, água e esgoto. de pouco adianta ficar discutindo um ou outro regulamento da anatel. pois isso não vai resolver o problema de fundo, que é o de ampliar –muito!- a cobertura nacional de 3G+ e a base de acessos fixos e cuidar para que o que se vende seja entregue.

se seu plano de 15 mega diz que não há nenhuma garantia de entrega, é isso que você está comprando. e é uma grande oportunidade de mercado para outra operadora que entregue, digamos, a metade. "meus" 15 mega costumam "entregar" entre 6 e 8 mega no horário de pico. mas tenho várias alternativas de provedor e troquei quando o anterior não entregava nem 20% da velocidade nominal. danado é onde não há alternativa. ou onde o sistema falhou, onde não há política para o setor, nem políticas públicas, tampouco uma visão de mercado de longo prazo. e quando a agência reguladora e as operadoras resolvem atacar um problema de fundo discutindo a equação que deve ser usada para medir a qualidade do serviço, e não o serviço em si.

aí ficam todas as operadoras no mesmo bloco, inclusive a docomo e nós, no nosso bloco –sem banda- não vamos brincar o carnaval da conectividade.

abaixo, a fórmula para calcular o índice de qualidade do serviço móvel pessoal. clicando, você vai direto para um documento de 35 páginas que explica a coisa toda. boa leitura. e tomara que sua "banda" dê pra fazer o download…

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

uma SOPA, entornando o caldo da rede? [2]

paulo coelho escreveu um texto muito importante sobre as propostas americanas [e de muitos outros países] para restringir a liberdade na rede. "my thoughts on S.O.P.A" ["o que penso sobre SOPA"] está sob um link, http://paulocoelhoblog.com/2012/01/20/welcome-to-pirate-my-books/,  mais interessante do que o título e que diz muito. coelho, que já vendeu mais de 140 milhões de exemplares, é de longe o mais lido e conhecido escritor brasileiro. escreveu o quinto livro mais vendido no mundo em todos os tempos, o alquimista, que é também o livro mais largamente traduzido de um autor vivo. não é coisa pouca, por nenhum critério.

sobre #SOPA, paulo coelho diz…

…how do I feel about this? As an author, I should be defending ‘intellectual property’, but I’m not.

Pirates of the world, unite and pirate everything I’ve ever written!

The good old days, when each idea had an owner, are gone forever. First, because all anyone ever does is recycle the same four themes: a love story between two people, a love triangle, the struggle for power, and the story of a journey.  Second, because all writers want what they write to be read, whether in a newspaper, blog, pamphlet, or on a wall.

pra quem não sabe, o blog de paulo coelho é em inglês, sua audiência é global. tempos modernos. who knows, we ought to be writing this blog in english as well. bem… mas o que disse paulo coelho, acima? que há quem pense que ele deveria defender a propriedade intelectual. mas não. muito pelo contrário, ele conclama os piratas do mundo a copiar e distribuir seus livros. noutro lugar do texto, fala do site pirata onde deposita –e compartilha- seu próprio trabalho pirateado, quando acha na rede. coelho também diz que os velhos tempos, quando toda ideia tinha um dono, se foram para sempre. segundo ele, todas as estórias giram em torno de quatro grandes temas universais e o que os escritores querem, mesmo, é ser lidos. se escrevesse por dinheiro, diz, e não para dar significado à vida, já teria parado há anos, até para fugir das críticas quase sempre depreciativas ao seu trabalho.

paulo coelho defende pirataria como [parte de] um modelo de negócios, como já foi comentado aqui no blog e como sempre foi –e é- largamente praticado em todo mundo. ao fim do texto, ele diz que…

‘Pirating’ can act as an introduction to an artist’s work. If you like his or her idea, then you will want to have it in your house; a good idea doesn’t need protection. The rest is either greed or ignorance.

…pirataria pode ser uma introdução ao trabalho de um artista,. se você gosta, vai querer ter em casa. uma boa ideia não precisa de proteção. e o resto é ganância ou ignorância.

radical, não?… mas em 2009, o cantor daniel causou um grande debate ao afirmar que pirataria poderia ajudar a divulgação do seu filme menino da porteira, até em função do que havia ocorrido em 2007 com o primeiro tropa de elite, que foi o filme mais pirateado e, ao mesmo tempo, a maior bilheteria de 2007 no país. quem sabe daniel estava certo; mas a união da indústria de vídeo surtou com a declaração cantor e escreveu: pirataria não é solução e alternativa para nada.  PIRATARIA É CRIME previsto em lei, ela é um câncer que deve ser combatido por toda a sociedade brasileira, mas, principalmente pela classe artística e produtora de obras audiovisuais.

aqui no blog, na época, perguntamos:

será mesmo? parece mais que a pirataria que vemos hoje [no caso do audiovisual, não vamos generalizar] se dá pela falência de um modelo de negócios baseado em distribuição de conteúdo sendo remunerado pelo preço do suporte físico. este modelo começou a funcionar lá na era do gramophone, começou a falir no tempo dos CDs, piorou nos DVDs e papocou, com calambote e tudo, quando o suporte físico se tornou irrelevante e as redes conectaram o mundo e as fontes de mídia.

no topo disso, a indústria cultural, preocupada em proteger suas fontes históricas de renda e seu legado, do ponto de vista de suporte e modelo de negócios, resolveu partir pra briga. ao invés de tentar entender o mundo.

claro que não é "toda" a indústria que sofre de cegueira cognitiva e negocial. há honrosas, criativas e lucrativas exceções, mencionadas em  estudos do próprio setor. quer ver? acabou de sair um do IFPI [Digital Music Report 2012 Expanding Choice. Going Global], resumido na imagem abaixo, uma colagem de figuras do relatório, que, tomara não me renda um processo por infringir propriedade intelectual…

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tem tempo? clique aqui pra pegar o relatório completo. não? tome nota: a tabela a), mostra que as vendas de "álbuns digitais" de música cresceram 24% globalmente em 2011; b) diz que 71% da receita de música na china é digital, apesar de c) estimar a pirataria, lá, em 99%. por que?… pense: não deve ser fácil comprar um CD de mombojó em zhāngjiākǒu e dificilmente há um serviço de música digital que já se estruturou a ponto de prover tal oferta lá. consequentemente, não há "renda" possível na mongólia interior, agora, pra alguém estar a dizer que há "pirataria" lá. o diagrama d) diz que 32% da renda global da indústria da música gravada está online, contra 1% dos filmes, que precisam de banda larga de verdade para "passar" na rede.

aliás, qual é a velocidade média de download no planeta, observando dezenas de milhões de PCs em 224 países? meros 580K. e no brasil? miseráveis 105K. resultado? para quase todos, não se pode confiar em um serviço de streaming musical como pandora ou spotify [que não funcionam no brasil, por causa de restrições de copyright!] e pagar pela música [como muitos podem e querem fazer]. vídeo, então, nem pensar. MPAA, RIAA e seus similares mundo afora deveriam fazer uma campanha global por mais banda, de muito melhor qualidade, para todos. porque? a tabela e) mostra que, mesmo onde há banda, o uso de P2P para compartilhar arquivos caiu pela metade entre 2007 e 2010. e a "indústria"… na dela, chiando.

gabe newell, de VALVE [a galera por trás de STEAM, que administra e distribui milhares de games para milhões de jogadores] diz que

"In general, we think there is a fundamental misconception about piracy. Piracy is almost always a service problem and not a pricing problem.

For example, if a pirate offers a product anywhere in the world, 24×7, purchasable from the convenience of your personal computer, and the legal provider says the product is region-locked, will come to your country 3 months after the US release, and can only be purchased at a brick and mortar store, then the pirate’s service is more valuable. Most DRM solutions diminish the value of the product by either directly restricting a customers use or by creating uncertainty.

Our goal is to create greater service value than pirates, and this has been successful enough for us that piracy is basically a non-issue for our company."

tradução? há um equívoco conceitual generalizado sobre pirataria [de bens digitais], que é quase sempre um problema de serviço e não de preço. por exemplo, se um pirata oferece um produto em qualquer lugar do mundo, 24×7, fácil de adquirir, pagar e levar, e o fornecedor legal diz que o produto dele só funciona por região, só estará na sua 3 meses depois dos EUA, só pode ser comprado numa loja física… então o serviço do pirata tem mais valor. e a maior parte das soluções de controle de propriedade intelectual diminui o valor do produto através da redução das possibilidades de uso e/ou aumento de incerteza. a proposta da VALVE é bater os piratas em seu próprio jogo, criando e prestando um serviço de maior valor. e temos tido sucesso o suficiente para dizer que, para nós, pirataria não é um problema.

falou e disse. aqui mesmo no blog, há tempos, resumi uma palestra de matt mason, autor de the pirates’ dilemma, em sete pontos, tratando a coisa toda de uma forma construtiva: o que pirataria tem a ensinar pra inovação?… visto por um outro ângulo, lutamos contra os piratas ou aprendemos com eles? vamos lá.

1. quer derrotar a pirataria? copie os piratas. os piratas [jogos "originais" para consoles a R$10, com nota e garantia!] estão adicionando valor so jogadores, num clássico exemplo de falha no mercado; aprenda com os piratas e faça melhor. olhe para VALVE e, porque não, mombojó: desde o começo, tudo o que fazem está na rede e não me consta que tenham "perdido dinheiro" por causa disso. muito pelo contrário

2. negócios são uma forma de arte; arte é rebelião. as novas formas de rebelião envolvem mudança, nos levam mudar o que não está funcionando, porque os meios para tal estão [especialmente no caso de mídia] à nossa disposição. de cada um e todo mundo, aqui e agora. inclusive dos big businesses, mas eles estão perdendo tempo com o passado ao invés de construir o futuro.

3. a arte de contar histórias mudou. e de uma vez por todas. a abundância e sofisticação de novos meios abertos e globais de expressão, torna cada um o cotando em rede, das suas histórias. o grande negócio, hoje, é trazer as pessoas pra dentro da história, pra que elas nos agreguem a sua história… e vice-versa. ao invés de comunicação para disseminação de conteúdo criado de forma centralizada, o tempo é de conectividade para interação em torno das histórias nas quais todos estão interessados e para as quais podem contribuir, e não só o que quer [ou melhor, queria] o centro. o conteúdo, pra quem ainda não notou [MPAA, RIAA... alô!] se "separou" da forma, do meio e do controle central, e isso é para sempre.

4. cuidado com os advogados. em caso de dúvida sobre os seus, ligue para ronaldo lemos e pergunte o que ele acha. se seu departamento legal está tirando coisas do youTube, pode apostar que o tiro é no seu pé. ah, sim: antes de ligar pro ronaldo, pergunte pros seus advogados se eles ouviram falar de "performance"; você paga seus advogados por performance e não por direito autoral.  não se toca o DVD deles defendendo um caso parecido com o seu no tribunal. eles têm que ir lá in vivo… raciocinar em tempo real, falar bonito, ter deferência e paciência com suas excelências e coisa e tal. p-e-r-f-o-r-m-a-n-c-e. músicos entendem isso muito bem.

5. abundância é a melhor propaganda e melhor do que propaganda pura, simples e antiga. ninguém diz isso abertamente, mas pirataria é, há muito tempo, parte do modelo de negócio de varejo de software. quer ver? pergunte à microsoft e outras grandes empresas; windows e office piratas sempre foram os maiores adversários de linux e open office. e há quem use auto-pirataria [?] para conquistar mercados. como? "vazam" seu próprio software em mercados onde não há renda, pra cobrar quando houver. a primeira dose, como se sabe, é quase sempre grátis.

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6. cinema é "muito melhor do" que TV e cobra ingresso por isso; cinema é performance, tem um custo muito maior do que a combinação de DVDs piratas e uma tela de dezenas de polegadas em casa… mas qual é a maior tela que você pode ter, em casa, pra assistir RAN, de kurosawa? a cena de cavalaria acima precisa de mais mais polegadas de boa resolução do que se pode ter em casa, para transmitir o que kurosawa queria dizer… e pra vê-la, como tal, vamos pagar um ingresso de cinema. tomara que a projeção seja muito boa, senão quero meu dinheiro de volta.

7. em economias baseadas em abundância, model de negócios têm que ser círculos virtuosos. entregue grátis aqui pra ganhar em performance acolá, lance sua música em guitar hero, faça comerciais, descubra seu "luiza, que está no canadá", se vire. acabou o tempo de ganhar a vida deitado em casa, qual nababo, ao som de uma chuva de moedinhas. a transmutação do analógico, centralizado, para o digital, em rede, é também a transformação de reais em centavos: na netflix, cada cliente de aluguel de DVD perdido, só é compensado por cinco de streaming. e eles estão tentando trocar a base toda, antes que seja tarde [como foi para a blockbuster e a kodak].

hummm… você diria, coisa de piratas. mesmo? que tal ler parte de um texto do duke law and technology review, de 2002, analisando os 10 anos do audio home recording act? ARHA foi a primeira lei, nos EUA, a relacionar tecnologia com propriedade intelectual, a criar provisões para punir a quebra [anti-circumvention] dos mecanismos de proteção e, ainda criou royalties sobre dispositivos e meios. ao comprar um CD virgem para fazer backup de arquivos pessoais, paga-se um imposto que vai subsidiar as organizações que cuidam do direito do autor [e que o autor sempre tem muita dificuldade de ver]. o texto…

Sometimes progress may feel more like loss than gain when a technology that an industry has developed a significant portion of their products around becomes outdated. While this may be a frustrating experience for those industries that are tangential to the technology, the proper solution is not to hinder progress, but instead to adapt accordingly.

diz que… há vezes em que o progresso pode parecer mais perda do que ganho, quando a tecnologia ao redor da qual uma indústria criou uma parcela significativa de seus produtos se torna obsoleta. ao mesmo tempo em que isso pode ser frustrante para tais indústrias, a solução apropriada não é atrapalhar o progresso, mas se adaptar aos novos tempos. e olha que foi escrito num jornal legal, de juristas.

quer ler um argumento bem sólido e recente sobre o mesmo assunto? david pakman acaba de desancar [em wither the giants? the arrogance of aging incumbents] o CEO da groupM [leia WPP...] irwin gotlieb, de cabo a rabo, "só porque" gotlieb disse que… we have a responsibility to ensure that technology develops in a manner that doesn’t shake up the supply-and-demand equation of our business. como assim, garantir que tudo continua como está, sem mudar as equações de demanda e oferta?… o texto de pakman é muito bom e segue a mesma linha do parágrafo anterior…

Technology forces which bring greater efficiency and transparency to markets simply don’t care about privilege, access, and rolodexes. They disrupt predecessor markets because of structural problems like price opaqueness and false scarcity that no longer “work” in the new market.

…dizendo que tecnologias que provêem maior eficiência e transparência simplesmente não levam em conta privilégio, acesso e redes de contatos e poder previamente estabelecidas. elas reescrevem o mercado porque as "qualidades" estruturais anteriores, como opacidade dos preços e falsa escasse,z simplesmente não existem no "novo" mercado. paulo coelho poderia ter escrito a mesma coisa no texto que abriu esta longa conversa.

como o leitor já percebeu muitas linhas atrás, quero escrever sobre este assunto até o fim do universo. para o bem de todos e felicidade geral da web, já passou a hora de parar e, pra terminar, vou repetir [com licença de nelsinho motta] um texto de 2009, estrelinhas, constelações e galáxias, sobre o fim dos popstars planetários e de toda a indústria que vivia deles, ao passo que emergem novas formas de entretenimento. os grifos são nossos.

A morte de Michael Jackson é um dos signos mais evidentes e dolorosos do fim da era dos popstars planetários. Até os anos 90, o poder de comunicação e difusão estava nas mãos das grandes gravadoras multinacionais. Só elas tinham o dinheiro, a tecnologia e a organização para divulgar, promover e vender seus artistas no mundo inteiro. Estratégia vitoriosa: as filiais internacionais dividiam os custos, e multiplicavam os lucros. Tão vitoriosa que logo os orçamentos de promoção e marketing superavam de longe os de produção e desenvolvimento.

Na era da internet, da tecnologia da informação, da democratização dos meios de comunicação, o efeito é a multiplicação de estrelas locais, regionais, nacionais, e cada vez menos popstars globais como Michael Jackson, Madonna ou os Rolling Stones. Esses, são história viva.
Hoje, os pretendentes ao estrelato mundial competem com todos os anônimos, ou quase, com todas as pequenas e médias estrelas em ascensão em todos os cantos do mundo, que cantam na língua que as pessoas entendem, que falam de coisas que eles sentem, que têm redes de fãs na internet. Produzir é fácil, difícil é chamar a atenção do público. Está dura a vida de popstar hoje em dia.

Nos anos 70 e 80, não só da ditadura, mas do nacionalismo e do protecionismo, a música angloamericana dominava os grandes mercados e os periféricos, inclusive o Brasil, apesar de nossa fabulosa produção musical da época. Com a globalização e a internet, as previsões nacionalistas e antiimperialistas eram de que a música angloamericana, o som do Império, tomaria conta do mundo de vez, era tudo uma conspiração tecnológica para dominar o planeta. 

Pura paranóia do perfeito idiota latinoamericano. Na era da informação globalizada, o jogo virou: as músicas nacionais passaram a dominar as vendas de discos. No Brasil, mais de 75% do mercado são de produto nacional, bruto ou fino. E também na China, na Índia, na Espanha, no Japão, os artistas nacionais dominam o mercado. A internet pulverizou a informação e transformou um céu de poucas estrelas muito brilhantes em novas constelações e galáxias.

falou e disse. grande nelsinho.

Anotação

este texto faz parte de uma série sobre propriedade intelectual, pirataria, velhos e novos modelos de negócio, seus promotores e detratores, mais as tentativas, cada vez mais radicais, de controlar a rede e o que fazemos dela e nela. o primeiro está neste link e, se tudo correr bem, o próximo texto será o último da série, pelo menos por enquanto. até lá.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

uma SOPA, entornando o caldo da rede? [1]

parte do congresso americano, sob pressão de organizações como MPAA e RIAA, representantes dos interesses dos "grandes" e antigos negócios do entretenimento [leia cinema e "discos"], gostaria muito de passar leis com os que atendem pelas sopas de letrinhas SOPA, ou stop internet piracy act [veja detalhes em vídeo, em espanhol, aqui] e PIPA, para protect intelectual property act, que para efeitos práticos é equivalente a SOPA. o último tramita na câmara e o primeiro no senado americano.

a "indústria" de [plataformas de suporte ao] entretenimento representada pela dupla MPAA e RIAA depende de leis de propriedade intelectual pré-internet e pretende estender seus direitos de posse e exploração até o fim dos tempos. é um setor muito bem articulado da economia americana [a ponto do presidente da MPAA ser um senador, que fala explicitamente de "apoio" de hollywood a políticos...] e tem conseguido operar milagres, como a "lei mickey mouse", aprovada em 1998 quase que para evitar que o mickey caísse no domínio público cinco anos depois.

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pelas leis de 1790, primeiras a tratar do assunto nos EUA, obras artísticas e literárias eram protegidas por 14 anos após a morte do autor, mais uma renovação pelo mesmo prazo. no limite, as obras caíam no domínio público 28 anos após a morte do autor. com a lei mickey mouse, a proteção dos direitos é a vida do autor mais 70 anos, no máximo 120 anos se for uma criação corporativa. e 20 anos de proteção adicional para o que havia sido feito antes de 1978, caso de "steamboat willie", onde primeiro apareceu o mickey, que deveria ter se tornado domínio público [pela legislação de cada época] em 1956, depois em 1984, 2003 e agora, se nada mudar, em 2023. um grande "se". o aumento da proteção é mostrado na imagem abaixo; clicar leva à explicação de cada uma das faixas.

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a inspiração para SOPA e PIPA não é a mesma da lei mickey mouse, mas vem da mesma fonte: proteger negócios já estabelecidos contra a inovação. primeiro, vamos estabelecer que, no regime democrático [ideal?], com todas as instituições funcionando, há leis a cumprir, sob penas conhecidas. mas regimes se estabelecem em função de interesses. e o "ideal" do governo do povo, pelo povo, para o povo, com que abraham lincoln fechou o discurso de gettysburg em 1863, parece ter sido substituído por valores, princípios e interesses bem menos merecedores de figurar em discursos históricos. e, certas horas, "o povo" tem que lutar para mudar leis, quando não regimes inteiros, como nas ditaduras. os mais jovens não viveram esta experiência, mas já fizemos isso no brasil, para acabar com uma ditadura que durou 21 anos.

outras horas, há que se lutar para evitar a edição de leis contra o interesse "do povo", quando os que estão no poder "pelo povo" têm uma ideia muito diferente do que fazer "para o povo"… do que o "povo" quer fazer ou já está fazendo. SOPA e PIPA levam a tal conflito [assim como o "nosso" próprio ai5 digital] não só porque defendem interesses de indústrias ameaçadas de extinção por uma inovação em larga escala –a internet, usada por mais de dois bilhões de pessoas em todo mundo- e seus efeitos colaterais em todos os tipos negócios. em última análise, aprovada a combinação das duas propostas, qualquer site [como a wikiPedia] poderia ser retirado do ar in totum se qualquer um de seus artigos fosse, de forma deliberada ou não, cópia de material cuja propriedade pudesse ser reclamada por um terceiro. numa rede social como faceBook, então, as penalidades impostas pelo que poderiam vir a ser as novas regras tornariam impossível manter o serviço "no ar". o impacto das leis, se aprovadas, é muito maior do que a defesa pura e simples dos direitos autorais, trata-se de uma intervenção radical nos mecanismos de funcionamento da própria rede.

a ideia central de SOPA, PIPA e do AI5 digital [proposto pelo deputado azeredo, veja mais sobre o tema aqui] é velha, é de que há um editor, que um centro controla as bordas, o que elas publicam ou fazem. como consequência, o "editor" deveria responder por "tudo" o que acontece no seu "meio", como se todos que o usam  fossem controlados por ele, como é o caso dos jornais, rádio e televisão. dantanho, claro, pois ninguém pauta, cria ou "controla" o que "vai ao ar", ou melhor, à rede, no youTube, twitter ou faceBook ou wordpress. a não ser quem antigamente era "audiência" e, hoje, é comunidade. posso subir o vídeo de um caldo que alguém levou na praia, com péssima qualidade de gravação e nenhuma edição [mas alto potencial de entretenimento] ou uma cópia de "steamboat willie", o filme de 1928 que tem a proteção de que falamos, caso em que posso ser processado [e não youTube] por infringir a lei que tem o nome do rato.

semana passada, como forma de protesto, um grande número de sites que poderiam ser afetados por estas leis resolveu protestar, com a wikipedia em inglês "saindo do ar"por 24h e mostrando apenas a página abaixo.

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o movimento se tornou mundial e, antes da manifestação popular que afetou toda a internet [gerando mais de 4.500 tweets por minuto], as propostas de lei podiam ser explicadas pelo infográfico abaixo. agora, o lado de lá está se reorganizando. e vai voltar à carga, pois o que se conseguiu até aqui foi parar o trator, mas não impedir –de uma vez por todas- a demolição das bases sobre as quais usamos a rede. isso ainda vai nos dar muito trabalho, tanto global como localmente. vamos continuar a discussão no próximo texto desta série. até lá, entenda as propostas de lei com o remix de quino e mafalda, pelo menos enquanto não tiram o derechoaleer.org do ar…

infografia-sopa-2012-01 mafalda

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

2011: balanço da mobilidade

recorde: em 2011, foram feitas 39.3 milhões de habilitações de terminais móveis [6.1 milhões só em dezembro, parece haver um pequeno erro no histograma abaixo], somando celulares, tablets e outros terminais de dados na rede móvel, como modem 3G e os POS, as maquininhas de cartão de crédito que vão até a mesa no bar. a imagem abaixo, da teleco, mostra o que aconteceu durante o ano…

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…e, pra gente ter uma ideia do tamanho relativo de mobilidade do mercado de comunicações, veja o que aconteceu no mercado de telefonia fixa nos últimos anos, também cortesia da teleco:

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pra começar, note que o número de novos telefones fixos por ano, no brasil, de 2008 a 2011, é menor que o de novos acessos móveis por mês em 2011, para qualquer mês. de agosto em diante, as adições móveis superam novos acessos de banda larga fixa e TV por assinatura, por ano, nos últimos quatro anos. a figura abaixo mostra que o mercado se recuperou depois da "crise" de 2008/2009 e atingiu, ano passado, uma performance que dificilmente será superada neste ou nos próximos anos.

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a surpresa para muitos é que a taxa de crescimento do pós-pago foi, pela primeira vez em mais de meia década, muito superior à do pré-pago, como mostra a imagem abaixo…

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…o que certamente é resultado do crescimento do poder aquisitivo e da diminuição dos preços das operadoras… como mostra o gráfico abaixo…

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…que demonstra uma queda de 41% no preço médio do minuto de chamada móvel em dois anos, sem descontar a inflação [a queda real foi ainda maior]. sabe qual foi a consequência disso? ao invés de gastar menos, todo mundo falou mais…

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…e o tempo de uso médio, por mês, cresceu 38.4% no período e chegou a 122 minutos. a OI não divulga estes dados para sua rede. e os orelhões, coitados? dançaram: no mesmo período do gráfico acima, a receita bruta por orelhão da OI caiu 76%, de R$92 para R$22. devem estar dando um prejuízo danado, talvez seja hora de rever a regulação pra este pedaço de passado.

qual é a próxima grande mudança neste mercado? vamos olhar os dados da teleco de novo, um oásis de informação histórica e consolidada no caos e favelas de dados do país. estudo feito em julho passado pela consultoria mostrava que 85% dos acessos móveis brasileiros ainda não eram 3G.

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assumindo que esta proporção tenha mudado em cinco pontos percentuais no segundo semestre, pois o número de celulares 3G vendidos é cada vez maior em relação aos outros, é possível que tenhamos 15% de celulares 3G no brasil, agora. em números redondos, seriam 35 milhões de celulares 3G por aí. arredondando de novo, como 80% [veja gráfico] desta galera está na web, são perto de 30 milhões de brasileiros na web móvel. mas menos de 10% são smartphones, contra mais de 30% nos principais mercados do mundo.

um chute, sem medo de errar: nos próximos anos, vamos ver uma troca de celulares simples e 3G por smartphones, em muito larga escala, com uma mudança radical no padrão de interação mediado pela infraestrutura móvel, com uso muito intensivo de dados, para quase tudo. e isso vai exigir muito investimento das operadoras, muita atenção e fiscalização do regulador e muita paciência de todos nós, usuários. mas até um ponto: do lado de lá do "celular", todos têm que entender que estão nos prestando um serviço e que estamos pagando por ele. e não é pouco: temos a quinta maior tarifa do planeta, o que deveria gerar receitas suficientes para serviços de qualidade acima da média, e não o que temos tão frequentemente. e vamos ver se o governo faz sua parte: política, estratégia, articulação e incentivo são muito mais importantes do que parecem e, bem feitas, sempre fazem uma grande diferença.

dito isto, o gráfico abaixo mostra o número de pessoas por chip SIM nas grandes regiões do planeta. aqui, temos uns 194 milhões de habitantes. dividindo habitantes por celulares, dá 0.8 pessoas por celular [ou melhor, por SIM], a mesma média da europa ocidental. claro que podemos comemorar isso. mas temos que dizer, e tão alto quanto, que nos falta a qualidade de rede que eles têm por lá. e isso atrapalha muito, tanto as relações pessoais como de negócios.

densidade e qualidade de rede, a preços aceitáveis, fora da competição pelos mais altos do mundo, devem ser nossa  grande preocupação dos próximos anos. e vamos trabalhar, todos, que estamos atrasados.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

trânsito mata. solução? tirar os "motoristas" de lá…

a violência no trânsito é problema global, mesmo onde há acentuado declínio de acidentes por quilômetro rodado. nos EUA as fatalidades diminuiram 3% [11%, na califórnia], entre 2010 e 2009. ao comparar com 2005, o número de vítimas fatais caiu 25%, graças à melhoria das condições das estradas, viaturas mais seguras e leis mais duras sobre a segurança de motoristas e passageiros nas estradas e ruas e, em geral, de todos as pessoas, animais e coisas nas vias trafegáveis. pra se ter uma ideia da evolução relativa das coisas, o los angeles times afirma que o número de mortos por drogas e seu ecossistema, nos EUA, é maior do que os casos letais no trânsito, desde 2009.

a frota daqui tem mais de 65 milhões de automóveis, caminhões e ônibus. nos EUA, são mais de 250 milhões. em 2010, foram 32.885 mortos lá [1/3 relacionada a álcool], e nós tivemos 40.610 mortes, segundo o SIM.MS. se bem que nossos dados são pouco confiáveis; veja um estudo sobre o brasil neste link, e note a disparidade dos dados de diversas fontes oficiais. mais dados? o brasil teve 40.974 assassinatos em 2010. e dados do DNIT dão conta de 182.900 acidentes nas rodovias federais em 2010, com 317.711 veículos envolvidos, resultando em 102.896 feridos e 8.616 mortos. só nos primeiros 9 meses de 2011, em todo o país, foram 42.224 casos de morte em acidentes de trânsito e outros 165.592 de invalidez. mais um dado? os 9 anos de guerra no iraque, desde 2003, mataram 162.000 pessoas; por ano, é menos de um terço dos mortos no trânsito do brasil.

e daí? o universo é cada vez mais interligado e programável, vivemos cada vez mais em [e como parte de] fluxos de informação. nestes fluxos, usamos e usaremos redes sociais para tudo, inclusive avisar onde está a blitz, como discutimos aqui no blog, informação que deveria ser usada para entregar a chave a outro motorista. qual motorista? em muito breve, o próprio carro. os carros sem motorista de google já "dirigiram" mais de 300.000km em ruas e estradas reais, sem qualquer auxílio humano. e sem nenhum acidente. mais cedo ou mais tarde, eles e outros carros "sem motorista" vão tomar conta da minha e da sua direção. ainda bem. vai ser melhor pra todo mundo. quando a gente quiser dirigir, aluga um carro num autódromo e, depois de passar em alguns testes básicos, vai poder fazer a besteira que quiser. veja o vídeo, e o parágrafo vai parecer realidade. mesmo.

TED TALK, "google cars": um dia, vai parecer ridículo dirigir. ou que dirigimos, um dia…

 

Relógio

em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o blog publica [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

separações sociais…

dados de março passado dizem que faceBook é citado em 1/5 das separações nos EUA. dados ingleses de dezembro informam que 1/3 de todas as disputas judiciais entre [ex-]casais contém a palavra faceBook em algum lugar do processo. há dois anos, eram 1/5. os dados da ilha, obtidos por divorce-online, revelam que as três maiores razões onde  faceBook é citado como prova são: 1. mensagens a pessoas do sexo oposto; 2. um ex-detonando o outro na rede e 3. conhecidos "dedando" comportamento fora da linha de um dos membros do casal. no último caso, como bem se conhece nas pequenas comunidades, trata-se de fuxico puro.

faceBook detém 20% de todo o tempo de uso da internet no planeta. e isso acontece porque [nos EUA, UK...] mais de 3/4 dos usuários ativos da rede está em faceBook, a vasta maioria todo dia. a mesma coisa começa a rolar por aqui [veja os gráficos depois deste parágrafo, de comScore]. no topo disso, o tempo de uso das redes sociais no brasil é maior que a média, e [surpreendentemente?...] europa e américa. uma pesquisa recente em países representativos da web também mostra que falamos mais: 35% dos brasileiros compartilha conteúdo frequentemente; só 8% dos ingleses e 12% dos americanos faz o mesmo. estamos entre os os chineses, 45%, e os indianos, 32%. resultado? breve, também por aqui, uma grande onda de disputas onde "faceBook" será mencionado como parte do processo.

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estranho? de jeito nenhum. no tempo do telefone [velho, fixo] tancredo neves costumava dizer que “telefone serve no máximo para marcar encontro, de preferência no lugar errado”. um grande número de escândalos do passado tinha dois ou mais telefones, detetives e grampos. as ligações, hoje, saíram das telecomunicações para as redes sociais. ao ponto dos jovens mudarem seu status de relacionamento em faceBook minutos depois que um namoro [ou coisa parecida] acaba. a norma, pois, é que faceBook e quetais sejam parte, cada vez mais, dos nossos relacionamentos, disputas, vida. afinal, foi pra lá que transferimos parte significativa das nossas transações sociais.

Relógio

em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o blog publica [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

bits.4: móvel: conservador?

em artigo publicado na revista telecommunications policy de junho deste ano, arnd weber, michael haas e daniel scuka [Mobile service innovation: A European failure, disponível gratuitamente neste link] discutem porque a indústria de mobilidade na europa é tão pouco inovadora. a primeira tabela do artigo mostra as últimas grandes inovações da mobilidade desde 1998 e aponta para o japão como o lugar onde todas, menos uma, surgiram. esta uma, americana, não é obra de uma operadora de lá, mas da apple.

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e a tabela ainda mostra que o iPhone de 2007 não tinha coisas [inclusive e-money e QR] usadas no japão há anos. quem são as operadoras móveis daqui? três européias [tim, movistar e tmn] e uma continental, américa móvil. então, pense coigo: a conclusão do artigo de weber et al. é que as operadoras móveis européias não inovam porque 1. "inovar como no japão é caro" e 2. " ganhamos muito dinheiro do jeito que está, pra que fazer mais?…" e analistas internacionais [que fazem a cabeça de muita gente] apostam que coisas como [de forma genérica] localização para prover serviços seriam uma "grande inovação" para a américa latina… o que, de inovador, você acha que vai rolar de novo no mercado móvel brasileiro nos próximos muitos anos?…

mas aí [aqui] tem a vivo e wayra, a tim e acesso na periferia, o programa de inovação da oi, a claro e as novas formas de uso da rede. e o brasileiro, que não desiste nunca, acaba apostando que vão acontecer coisas realmente inovadoras por aqui. será?

Relógio

até janeiro de 2012, o blog vai publicar [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

a oportunidade móvel

em laranja, na imagem abaixo, o tráfego global móvel, a cada trimestre, por mês, de voz. em vermelho, o tráfego de dados. tudo em petabytes por mês.

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pra começar, se você não sabe que voz, nas redes móveis, é transferida como dados, fique sabendo. é até por isso que dá pra comparar o "volume de dados correspondente a chamadas telefônicas clássicas" com o "volume de dados de todas as outras coisas" [incluindo voz em skype, por exemplo].

o volume de dados móveis ultrapassou o de voz no fim de 2009 e já era o dobro no começo de 2011. e isso só está começando. observe a imagem abaixo e veja quais são as previsões da ericsson [neste relatório] para o crescimento do número de conexões e de banda larga móveis nos próximos cinco anos.

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estamos falando de 8 bilhões de conexões móveis em 2016, quase 5 bilhões delas com acesso a banda larga móvel. a curva amarela, avançando muito rapidamente na direção da verde e se encontrando com ela perto do fim da década ou no começo da próxima, parece mostrar que todos os sistemas de informação pessoais, conectados e móveis, serão em essência digitais. é mais ou menos por aí, também, que a ideia de "pacote de minutos de voz" das operadoras vai deixar de fazer qualquer sentido, levando consigo, talvez, uma noção criada em 1879/1880 por um médico americano, o número telefônico. apesar de você precisar dele ainda hoje, para usar um sistema de voz digital que independente totalmente da "voz, na operadora", como viber.

quem já tem esta conectividade digital pessoal móvel… como usa?

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metade das pessoas usa dados nos smartphones antes de dormir e quase 40% assim que acorda; a hora mais "calma" do dia é o jantar, onde parece que as pessoas se encontram e, sem uma maior mediação informatizada… conversam de verdade, talvez sobre a [péssima, no caso do brasil] qualidade das infraestruturas de banda larga móvel. e os picos de uso são na ida para o trabalho [nos transportes públicos, principalmente] e tarde da noite, talvez [quase certo, veja o gráfico abaixo, deste outro texto] vendo TV.

a mudança de comportamento embutida na ubiquidade dos smartphones e tablets é radical. o autor e cristina coghi discutiram parte do impacto deste aumento de conectividade no fim de junho, na CBN, neste link [em áudio].

veja o relatório da ericsson e pense nas oportunidades. em particular, imagine um mercado em que o número de participantes vai crescer cinco vezes em cinco anos. e isso a partir de um patamar de quase um bilhão de usuários. estamos falando –na prática- de universalização de banda larga móvel na próxima meia década. muito provavelmente, haverá consequências em quase todos os mercados, de varejo a logística, de educação a saúde, de mobilidade a entretenimento.

e você, vai fazer o que? e nós, em todo o brasil, temos que grandes ideias e capacidade de execução para dar conta de que nichos deste gigantesco e multibilionário mercado global?… dos cinco bilhões de usuários de banda larga móvel de 2016, quantos estarão usando soluções e aplicações brasileiras no seu dia-a-dia, pra trabalhar ou se divertir?

o brasil quer quase 50% das exportações mundiais de carnes em 2020. seria muito pensar em 5% dos usuários de banda larga móvel usando pelo menos um serviço ou aplicação móvel made in brazil em 2016 [ou 2020]? isso daria uns 250 milhões de pessoas. numa conta de padaria, se o ticket médio por usuário fosse US$10 por ano, seriam US$2.5 bilhões de dólares do lado certo da balança comercial de TICs, que este ano será deficitária em quase US$40 bilhões [US$33.4B em hardware e perto de US$5B em software, assumindo um crescimento de 20% sobre 2010]. vale a pena observar que as exportações de software made in brazil por empresas de capital brasileiro não chegam a US$250 milhões, perto de 10% do total exportado pelo país..

o tamanho da oportunidade móvel é imenso. quem estiver perto do setor tem que pensar nisso. e no mercado global. e nos próximos cinco, dez anos, pelo menos. quem apostar, verá.

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

educação empreendedora, 25: o brasil não é para principiantes

a série sobre educação empreendedora está quase no fim e os textos já publicados até aqui estão neste link. uma das ideias-chave da conversa é que deve ser feita uma mudança radical nas bases da educação brasileira, para criar uma atitude mais empreendedora [pra começar] entre professores e alunos em todo o sistema de criação de oportunidades de aprendizado.

no texto anterior, publicado em junho, falamos de negociação e de como, dentro e fora do negócio, você vai ter que negociar. não fosse assim, a aventura de empreender não resultaria numa coisa chamada negócio. como novos negócios inovadores de crescimento empreendedor são o tema da conversa, queremos discutir os problemas de fazer coisas distantes do empreendedorismo indigente que caracteriza parte dos empreendimentos por necessidade, aqueles que acontecem por causa [como diz o nome] da necessidade de sobrevivência do empreendedor, que de outra forma talvez nunca tentasse um negócio.

uma das coisas que a gente pode tentar [veja bem, eu disse tentar] fazer para incentivar as pessoas a empreender é convencê-las de que se trata de um processo como qualquer outro, fácil mesmo, citando como exemplo casos de acerto sem erro ou dor, de preferência muitos, e esconder debaixo do tapete as dificuldades, complicações e agruras. mas, além disso passar muito longe da honestidade, no caso do brasil levaria bem pouco tempo para o candidato a empreendedor descobrir que foi enganado. e isso porque o brasil, como dizia o maestro tom jobim, "não é um país para principiantes".

acaba de ser publicado o doing business 2012, do world bank e IFC, um estudo multifacetado que considera as condições de fazer negócios em 183 economias. um dos resultados é um índice de quão fácil ou difícil é criar e manter uma empresa em quase todos os países. e o brasil não se sai bem na situação atual, na evolução recente, na comparação com os principais concorrentes e, esticando a corda,  nas perspectivas para o futuro próximo.

quer ver?… pra começar, estamos em 126o. lugar entre 183 países, mas não só: à nossa frente estão a bósnia, a suazilândia e uganda.

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a imagem acima tem duas partes do ranking: o topo da lista, onde a noruega tomou o sexto lugar da inglaterra entre o índice anterior e este, e a região onde está o brasil. acima, os países já mencionados e, abaixo, a tanzânia, honduras e indonésia. danado é que o brasil caiu seis posições na lista, mais do que o iraque, que no mesmo período caiu "só" cinco.

como em todos os rankings, é bom notar que não se trata necessariamente de uma piora de nossas condições absolutas, mas relativas. e isso é muito importante mesmo assim, porque significa que mais gente passou a ter condições melhores do que as nossas. os russos, por exemplo, subiram do 124o. para o 120o. lugar e cabo verde do 129o. para o 119o. lugar. a julgar pelo doing business, que é uma avaliação internacional bem respeitada, há um ano era mais difícil começar e manter um negócio na rússia e em cabo verde do que no brasil. agora, é o contrário. sem ir ver o ranking, quer saber onde está a argentina? 113o. o paraguai? 102o. o uruguai? 90o. e subiu 12 posições de um ano pra outro. somos os piores do mercosul. simples assim.

de lá pra cá, o que foi que aconteceu? muitos dos outros fizeram muito, e nós não fizemos nada para melhorar as condições de empreendedorismo no país. olhe o gráfico abaixo…

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…onde se vê que o brasil está parado no tempo [com uma ligeira regressão], enquanto china, índia e rússia [nosso outro bloco, os BRICs] avançaram em direção à "fronteira" de melhores práticas para negócios nos últimos cinco anos. o progresso da índia é notável. no mesmo passo, a rússia vai se tornar um ambiente empreendedor de classe mundial em breve. e a china está, talvez, respirando pra se recuperar dos esforços dos últimos anos.

não vai surpreender se a gente disser que a correlação entre a facilidade de fazer negócios e a competitividade global é alta [0.82, pág. 27 deste link]. mas surpreende que, mesmo entre os BRICs, todos situados do meio para o fim da tabela, no brasil se leve de tres a quatro vezes o tempo que se leva na rússia, índia ou china para se abrir um negócio. houvesse alguma exigência de capital mínimo, aqui, iríamos pro fundo do poço, como se pode comparar na tabela abaixo.

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abrir uma empresa em cingapura exige tres procedimentos, leva três dias, e o custo é 1/8 do brasil. na nova zelândia, apenas um procedimento, em um único dia, a 1/13 avos do custo brasil. isso, aliás, é o que se chama custo brasil. e não consta que qualquer destes países seja uma bagunça por causa da simplicidade ao abrir negócios, muito pelo contrário. a grande complicação nacional, por outro lado, os cartórios e excesso de processos em todos os lados da economia nacional levam nossos candidatos a empreendedor a perder preciosos tempo, energia e recursos que deveriam estar usando para… empreender.

você pode pegar o relatório inteiro neste link. boa leitura. e não se assuste. se você já ia começar um negócio de qualquer jeito, nada melhor do que entender a classe de dificuldades que você vai enfrentar em comparação com empreendedores de outros países que podem estar concorrendo diretamente com você. e lembre que empreendimentos como buscapé começaram em condições piores que as atuais e se tornaram sucesso de público, crítica, resultado e, finalmente de retorno espetacular para os empreendedores e investidores. não desista.

em muitos países "difíceis", não são poucos os candidatos a empreendedor que resolvem o problema de contexto de forma radical, mudando de país. e este é o processo de alguns programas e apoio ao empreendedorismo centrados apenas no empreendedor, que partem do pressuposto que, se mais empreendedores "dão certo" nas economias "certas" mais economias, como consequência, vão se acertar.

sei não, pode até ser. mas isso pode levar muito, muito tempo. talvez seja preciso [em particular, este é meu ponto de vista] fazer um trabalho de base, de mudanças estruturais na conjuntura empreendedora para facilitar –nem que seja apenas um pouco mais, a cada movimento- um trabalho que, por si só [como estamos vendo nesta série] não perde para nenhum outro em complexidade.

além de começar a empreender ou continuar empreendendo aqui, mesmo sabendo que há outros 125 países onde seria mais fácil [ou, como diriam os otimistas, que há quase 60 onde é ainda mais difícil], precisamos lutar por reformas amplas, profundas, que permitam ao empreendedor brasileiro criar muito mais valor, bem mais rapidamente e de forma bem menos arriscada e complicada do que é o caso, hoje, no país.

olhando os sinais do futuro, talvez seja para isso que vem aí o ministério da micro e pequena empresa. talvez ele tenha parte de suas ações voltadas para os novos negócios inovadores de crescimento empreendedor. tomara.

até porque, parafraseando tom jobim e sem intenção de ofender nenhum país, cidade ou região, qualquer lugar sensacional que não é o nosso não é tão bom assim e o nosso, mesmo sem ser tão bom assim, é sensacional. só falta a gente torná-lo [continuamente] melhor pra empreender. aí, sim, é que vai ficar bom de verdade.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

desigualdade digital metropolitana no brasil

os pesquisadores luiz cesar de queiroz ribeiro, andré salata, lygia costa e marcelo gomes ribeiro, do instituto nacional de ciência e tecnologia observatório das metrópoles, estão estudando inclusão digital [PC em casa] e conectividade [acesso à rede em casa] nas metrópoles brasileiras. seu artigo "a reprodução digital das desigualdades: acesso e uso da internet, posição de classe e território" apresentado no encontro da ANPOCS de 2011, traz informação e reflexões interessantes sobre o estado da rede nas regiões metropolitanas.

no primeiro gráfico…image

…se vê que mais que dobrou a porcentagem de domicílios metropolitanos que possuem computadores pessoais. abaixo, se mostra a distribuição de PCs por níveis de renda na população, onde…

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…descobrimos a desigualdade na posse de computadores se assemelha [como talvez não pudesse deixar de ser] à desigualdade na distribuição de renda no país. os 20% da faixa de renda mais baixa melhoraram muito [de 1,6% das casas com computador em 2001 para 13,6% em 2009] mas têm 1/3 da densidade de PCs da terceira faixa de renda e mais de 70 pontos percentuais a menos do que os 20% de maior renda.

entre os que têm computador em casa, o acesso a internet é melhor distribuído…

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…porque computador é uma coisa por si só e outra, radicalmente diferente, com acesso à rede. mas enquanto o acesso se tornou quase universal entre os que têm PC em casa na faixa de renda mais alta, só 6 em cada 10 das pouco mais de 1 em cada 10 das casas mais pobres estão na rede.

redes têm um valor, como um todo, e para quem a elas pertence; segundo odlyzko, o valor de uma rede de N participantes tem uma forma parecida com Nlog[N]. o valor [V] da rede cresce menos do que N ao quadrado [a lei de metcalfe para redes do tipo web] e muito mais do que numa razão linear [a lei de sarnoff para redes do tipo broadcast como TV].

mudando de ponto de vista, tongia e wilson, III propõem que, a partir de um ponto onde a maioria das pessoas está em rede, o custo da exclusão é igual ao valor da rede [V]. tomando por base os dados do ibope/nielsen, que mostram 77,8 milhões de pessoas [a partir de 16 anos] online para uma população total [fora os de 15 anos ou menos, cerca de 46 milhões] de 145 milhões [todos os dados são aproximados], o brasil já tem mais da metade da população da faixa de idade considerada online.  consequência?

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segundo a equação acima, isso quer dizer que já chegamos no ponto em que o custo de exclusão, para quem está fora da rede, é o valor da rede, que é imenso. quem está fora da rede está fora das redes sociais, está perdendo contatos, conteúdo e contratos, pagando custos de transação do passado quase no futuro. e, para cada pessoa que entra na rede, que fica fora tem um prejuízo cada vez maior.

visto de outra forma, a sociedade como um todo está mais conectada se o número de pessoas [ou lares] cresce dez pontos percentuais. mas o custo para quem está fora da rede pode estar crescendo muito mais.

a pergunta é… e agora, o que fazer? os dados e conclusões do observatório falam das metrópoles, nem mesmo as grandes cidades são consideradas. mas parece inquestionável que temos [ou teremos, em breve] a maioria da população online. daqui pra frente, portanto, o papel das políticas públicas pode ser muito mais importante do que no princípio da era da conectividade.

lá no começo da internet, as tecnologias não estavam maduras, eram caras e o estado não daria conta de trazer todo mundo pra rede, muito menos de fazer isso rapidamente. agora, quando a rede é quase commodity, pode ser a hora de por em ação um conjunto de políticas compensatórias para trazer os atrasados para a rede, em alta velocidade. o custo da exclusão, daqui pra frente, tornar-se-á cada vez maior e seu impacto social idem.

é aí onde deveria entrar [por exemplo] o PNBL. mas olhe esta notícia, bem recente: são paulo, o estado mais rico e conectado do país, concentra 2/3 das cidades atendidas pelo plano nacional de banda larga. contra as 233 localidades do estado, o PNBL chegou a 111 no resto do brasil. no nordeste, onde está o maior problema de acesso [e de distribuição de renda], estão apenas 7,8% dos lugares. e, mesmo onde chegou, parece [segundo esta outra notícia] o PNBL não tem o impacto que deveria ter.

banda larga [e não acesso, simplesmente] é uma das infraestruturas do presente [e não do futuro, como alguns querem]. banda larga deveria ter o mesmo status de água, eletricidade, esgoto, estradas… mas parece que tudo isso vai progredir da mesma forma de sempre, com os mais ricos e melhor estruturados chegando bem antes do resto, sem nenhuma política nacional efetiva o suficiente para equilibrar o país como um todo.

quer ver? olhe o mapa abaixo, da CNT, que mostra a qualidade das estradas de são paulo…

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surpreende descobrir que a vasta maioria das estradas do estado é ótima ou boa? e que 2/3 das cidades do PNBL, ao mesmo tempo, está lá? vá ver o mapa das estradas do seu estado. e compare com o número de cidades, no seu estado, atendidas pelo PNBL até agora. exclusão é isso aí…

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