Terra Magazine

domingo, 11 de dezembro de 2011

bits.6: o rádio telefone…

"…the present stage of radio telephone development has placed this form of communication on such a highly practicable plane that its rapid adoption for many useful purposes is only a matter of a very little time." assim começava um texto de a. h. grebe para o radio amateur news de agosto de 1919. há mais de 92 anos, grebe queria dizer que "o estágio de desenvolvimento do ‘rádio telefone’ [entenda telefones móveis...] chegou a um ponto prático que nos permite prever que sua adoção para muitos e úteis propósitos é coisa de muito pouco tempo". olha só a parafernália no carro do cara…

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…com uma antena que mais parece um varal e o rádio ocupando um grande espaço atrás do único banco. abaixo, um close do especialista em rádios de 1919…

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…"radiofonando" enquanto dirigia sua geringonça. o telefone móvel [ainda chamado de "rádio telefone"] só começou a se tornar realidade em 1973, quando a motorola venceu a corrida com a bell e martin cooper fez a primeira chamada móvel para joe s. engels… da bell. elegância é isso aí.

agora o massa mesmo é que havia gente tentando coisas bem menores e mais práticas já em 1922, como mostra o o filme abaixo, encontrado nos arquivos da pathé inglesa. prepare-se para ver as peripécias e reviravoltas pelas quais o usuário do "telemóvel" de 1922 tinha que passar. o vídeo é curtinho, um só minuto, não deixe de ver…

imagine que você tivesse que passar por isso pra fazer uma mísera ligação…

agora, pense: o vídeo tem 90 anos. e daqui a 90 anos?… das presepadas das moças pra cá, quase um século de inovação mudou tudo, e quase só nos últimos 40 anos. esta história, claro, está apenas começando…

Relógio

em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o blog publica [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

entrevista: “celular vai conectar todo mundo à web”

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Motorola’s hand-held mobile telephone, clunky by today’s standards, was unveiled in April 1973.saiu há alguns dias, na www.telesintese.com.br, a íntegra de uma entrevista do blog à www.wirelessmundi.inf.br, resultado de uma longa conversa com a leda beck. começamos pelo c.e.s.a.r e terminamos por direitos individuais e privacidade, passando por quase tudo o que é tecnologia, problema, solução e acesso entre os dois pontos. abaixo, o texto na íntegra, exatamente como saiu na telessíntese, reproduzido aqui por gentil licença da própria leda.

pra comparar de onde estamos vindo com para onde estamos indo, os dois celulares que ilustram este texto estão separados por quase quarenta anos: o primeiro telefone portátil, um motorola DynaTAC de 1973, está acima; mal falava, digamos assim, e nem “foi feito pra isso”. vá ler a história do projeto pra entender porque…

aí ao lado há outro motorola, o droid contemporâneo, que representa uma nova forma maneira de informatização pessoal: o que era um celular se torna parte de uma plataforma de informatização pessoal, [ou PIP], onde o “celular” é muito mais, ou quase só, um browser de serviços e aplicações na rede. neste mundo de PIPs, o telefone, aquela coisa antiga, dos tempos de dom pedro II, é só mais uma aplicação sobre a plataforma. pense nisso e no futuro do celular e…  boa leitura

Silvio Meira: "o celular vai conectar todo mundo à web".

Por Leda Beck 

Sem fins lucrativos, autossustentado e baseado na noção de transferência de conhecimento entre a sociedade e a universidade, o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR) foi fundado em 1996 para criar produtos, serviços e empresas baseados em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Com o tempo, o Centro acabou por se tornar uma referência no desenvolvimento de software para celulares, atendendo a clientes como Motorola, Samsung, Vivo, Oi e outros.

“Nosso negócio é descobrir perguntas, ao invés de arranjar respostas”, afirma Silvio Meira, 55 anos, o fundador e cientista-chefe da instituição, que comanda os mais de 400 pesquisadores envolvidos nos projetos do CESAR, em centros no Recife, em São Paulo e em Curitiba. O CESAR nasceu no Recife, onde Meira leciona no Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Nesta entrevista, dada a revista Wireless Mundi, que também é editada pela Momento Editorial, em versão impressa e online (www.wirelessmundi.inf.br), ele fala da importância de conectar todos os brasileiros à internet e aplaude a iniciativa do Plano Nacional de Banda Larga, lembrando que a conexão de 10% dos brasileiros à internet resulta em aumento imediato de 1% no PIB do país. “Parece que vamos universalizar a banda larga no Brasil antes mesmo de universalizar água e esgoto, o que é esquisito e quase inacreditável”. Na sua avaliação, as tecnologias sem-fio terão um papel fundamental no processo.

Tele.Síntese – Vocês são uma espécie de incubadora. Como é que isso funciona? Vocês trazem para o CESAR os melhores alunos com as melhores idéias e criam uma empresa?

Silvio Meira – Não, o pessoal do CESAR é contratado para resolver problemas. Por exemplo, há algum tempo fizemos um trabalho para uma grande empresa que presta serviços para bancos. Era um projeto associado a processamento de imagens, imagens de documentos, de transações virtuais. Criamos, então, um negócio de processamento de documentos, uma espécie de OCR muito sofisticado, e feito em cima de texto que não foi preparado para ser lido em OCR, usando inteligência artificial muito complexa e assim por diante – isso acabou virando um negócio. O pessoal fazendo isso pode até ser aluno da universidade, mas não é trabalho voluntário, não é participação acadêmica no negócio. Nós trabalhamos para resolver problemas efetivos, em empresas reais, que têm aquele problema em seu caminho crítico.

Tele.Síntese – O CESAR é um centro de referência em software para celular. Por que o foco na telefonia celular e o que mais vocês fazem em termos de aplicação da tecnologia sem-fio?

Meira – No caso de celulares, a gente acabou se envolvendo em vários níveis desse problema, desde projetar um celular até fazer uma parte do hardware, uma parte do software, testar, verificar, validar, certificar celulares antes de colocá-los no mercado e escrever o software que fica nas operadoras. Trabalhamos com a cadeia de valor da mobilidade, que é muito mais ampla. Há o fabricante, os fornecedores, o sujeito que faz um negócio terceirizado, a operadora,  o fabricante que presta serviço para a operadora e assim por diante.

Tele.Síntese – O CESAR tem desenvolvido várias aplicações sociais para celular. Quem contrata esse desenvolvimento? E como o celular, que está nas mãos de milhões de brasileiros de classe C e D, pode ser usado para incluir mais gente na conversa e para melhorar a vida das pessoas?

Meira – Qual é o papel do celular? Se você prestar atenção, na mão de cada pessoa, hoje, tem uma capacidade de computação milhares de vezes maior do que o computador mais potente que existia na década de 60. Este é o primeiro fato. O segundo é: esse computador mais potente da década de 60 – refiro-me ao mundo, não apenas ao Brasil – era isolado. Hoje, o celular mais tosco do mercado consegue mandar SMS, por exemplo, o torpedo, que é uma forma rudimentar de correio eletrônico. Este já é um mecanismo de inclusão digital. E, se você olhar para a periferia, vai ver que o pessoal das camadas mais baixas da sociedade usa SMS intensamente. É exatamente essa camada que consome downloads, ringtones, jogos. São eles que, às vezes, pagam cinco reais à operadora por um jogo que é grátis na web – só que eles não têm acesso a internet – e fazem essas compras por meio de torpedos. Na infraestrutura brasileira de celular, hoje, o que está ocorrendo são os primórdios de um processo de informatização pessoal, que, em última análise, vai levar todo mundo à rede, no mesmo grau de intensidade.

Tele.Síntese – A infraestrutura de terceira geração já é uma estrutura de web.

Meira – Exato. Na realidade, o celular já é um navegador. Todas as pessoas vão ter acesso a telefones que hoje custam R$ 1.500,00 e que, daqui a quatro ou cinco anos, serão parte da conta pré-paga delas, simplesmente porque o custo de fabricação do aparelho vai cair para perto de zero. O problema é que existem margens muito grandes para serem obtidas em celulares de preço mais baixo – você dá o celular de graça e cobra uma fortuna da pessoa para enviar um SMS. No caso do Brasil, para o consumidor, um torpedo custa 15 vezes mais do que na China, cinco vezes mais do que no Paraguai, dez vezes mais do que na Venezuela. Aqui, mantemos a população – principalmente a de mais baixa renda – num regime de escassez de informação. Isto ocorre porque o Brasil cobra os impostos de telecomunicações mais altos do mundo: 40% da conta é imposto.

Tele.Síntese – As operadoras afirmam que cobram caro porque ainda estão amortizando o investimento na implantação das redes de celular. E, claro, colocam boa parte da culpa nos impostos.

Meira – A história da instalação das redes não faz o menor sentido: que eu saiba, ninguém está perdendo dinheiro no Brasil com telecomunicações. Se a infraestrutura de mobilidade e de conectividade da sociedade fosse realmente uma prioridade da política pública, o governo devia fazer o contrário: devia liberar do imposto. Mas, no Brasil, não. Aqui tem uma coisa muito estranha: os estados e a federação resolveram cobrar impostos muito mais altos do que se cobra em qualquer lugar do mundo. Na China, o imposto é 8%; nos Estados Unidos, é menos de 10% – com esse nível de impostos, você efetivamente conecta as pessoas. Mas, ao combinar um espaço de política pública com um espaço regulatório, pode-se seguramente olhar para as contas das operadoras e dizer: “Escuta aqui, você vai gastar US$ 1 bilhão a mais por ano para incluir o pessoal de baixa renda, que eu vou lhe dizer quem é. Eu tenho milhões de famílias indexadas em programas estatais de todos os tipos e esse pessoal não paga imposto”. Ao invés de cortar imposto, o estado cortaria seletivamente. Basta ter coragem política, basta reduzir significativamente o preço do pré-pago – isso transformaria um número suficiente de pré-pagos em pós-pagos, resolvendo também o problema das operadoras, na minha opinião.

Tele.Síntese – Neste contexto, como você vê o Plano Nacional de Banda Larga e qual será o papel da tecnologia sem-fio nesse plano?

Meira – O PNBL é uma promessa interessante, que vai precisar de muito esforço, investimento e perseverança para sair do papel, especialmente num ano eleitoral. Depois, há que continuar com a mesma perseverança na transição para outro governo. Mesmo com todas as dificuldades, sou otimista: parece mesmo que vamos universalizar banda larga antes de universalizar água e esgoto, o que não deixa de ser esquisito e quase inacreditável. Quanto à tecnologia sem-fio, ela estará em todo lugar, em qualquer cenário, simplesmente porque todo mundo vai ter seu celular (na verdade, seu smartphone) como mecanismo preferencial de conectividade, porque é pequeno, porque está comigo o tempo todo, porque estou conectado o tempo todo. Se isso vai ou não implicar mais frequências e mais alternativas tecnológicas para acesso sem-fio, só saberemos com o tempo. Mas de uma coisa podemos ter certeza: dentro desta década haverá 150 milhões de acessos móveis à web no Brasil. E isso diz tudo sobre a importância das tecnologias sem-fio na universalização do acesso à web no país.

Tele.Síntese – As aplicações que o CESAR desenvolve para celulares são proprietárias ou podem rodar em diferentes celulares também? Afinal, a falta de padrão para o hardware do celular é um grande problema, não?

Meira – É, mas isso é a mesma história dos computadores: no começo, cada empresa que fazia hardware tinha o seu sistema operacional proprietário. No celular, vamos chegar a cinco padrões em breve: Microsoft, Android, Symbian, Palm e iPhone. Se você escrever uma aplicação em Java, ela roda transparentemente nos cinco.

Tele.Síntese – E isso para qualquer celular comercializado no Brasil hoje?

Meira – Hoje, não. A bagunça é total.

Tele.Síntese – A curto prazo, em cinco anos, segundo a Anatel, o Brasil estará inteiramente coberto por uma estrutura 3G, que é uma estrutura de internet móvel. E aí?

Meira – Com essa estrutura na mão, as pessoas vão usar a web, porque haverá um padrão de contas que diz o seguinte: você vai navegar com mobilidade total, com uma quantidade de dados infinita. Onde é que eu vou regular você? Eu vou dizer que você vai me pagar tanto e eu vou lhe dar, em princípio, uma certa quantidade de banda, digamos 1 Megabit por segundo. Mas se você chegar a 1 Gigabit ou 1 Gigabyte por mês, eu vou fazer a sua velocidade cair. E, à medida em que você usar cada vez mais dados, eu vou lhe dar cada vez menos banda, para equilibrar quantidade e velocidade. Porque, se for possível ter quantidade infinita de dados com banda fixa, a infraestrutura não será renovada como deveria e a cobertura não chegará a todo lugar. Mas se houver um sistema de cap in, ou seja, um limite de velocidade à medida em que você for consumindo banda, aí eu posso convidar todo mundo a entrar na rede. Numa situação assim, as pessoas começam a se moderar.

Tele.Síntese – Mas isso não vai criar um problema com as operadoras? Os principais clientes são as grandes corporações, que usam muito dado, o tempo todo – elas não vão concordar com um esquema assim.

Meira – Não, mas essa é a conta de inclusão social. Se a grande corporação quiser mais dados, ela paga por isso.

Tele.Síntese – E, se ela pagar, a infraestrutura cresce?

Meira – Claro. Veja, o problema do Brasil é um problema de inapetência regulatória combinada com confusão político-estratégica. Se decidirem fazer política, ter uma estratégia para essa política dar certo e regular esse negócio, as coisas funcionam. Não se pode soltar no mercado um agente privado, quase monopolista, com uma escolha infinita. Esse agente não pode fazer o que quiser, pelo preço que quiser. Esse agente deve ser regulado. Já o agente regulador precisa regular e quem presta o serviço precisa prestar o serviço. Se a operadora chegar à conclusão de que, para prestar um serviço da qualidade de 1 Megabit por segundo, precisa cobrar R$ 100 por mês – vamos fazer as contas para ver se de fato custa R$ 100. Mas, se puder custar 70 reais, ou 60, ou 50, se você puder botar mais gente no mercado, se puder aumentar a concorrência, se puder usar novas tecnologias, como WiMAX…

Tele.Síntese – Que não está regulado…

Meira – Que não está regulado. Mas você pode incentivar e dizer: “Muito bem, vocês não vão baixar o preço, não? Então eu vou regular o WiMAX, vou incentivar o WiMAX no mercado para estabelecer um padrão de concorrência de preço no mercado e não uma discussão de espaço regulatório”. Eu, pelo menos, sou contra ficar discutindo por medida de preço. Não faz parte do meu cardápio. Mas eu acho que faz sentido, sim, discutir do ponto de vista de qualquer infraestrutura – se faz sentido discutir estrada, esgoto, água e luz, também faz sentido discutir internet, que é uma das coisas que roda por cima de telecomunicações. A gente tem de se perguntar o seguinte: “O que o país quer como infraestrutura de telecomunicações?” Nós temos um histórico de uma péssima infraestrutura de telecomunicações estatal. Indubitavelmente, ao privatizar o setor, isso melhorou muito. Agora já passamos da fase de ficar batendo palmas porque o serviço melhorou. Chegamos novamente à fase de dizer: o que ainda precisa melhorar? O que é preciso fazer para realmente incluir o país, geograficamente, socialmente, empresarialmente? Quais infraestruturas essenciais para o futuro precisam ser construídas? Outro dia eu estava no Recife, tentando mandar um e-mail do aeroporto, mas a conexão de banda larga móvel do meu laptop, que teoricamente é de 1 Megabit por segundo, estava funcionando a 30 K. Assim você não consegue nem ler e-mail – 30 K é da época do modem em linha discada!

Tele.Síntese – Mas há lugares a 100 quilômetros da cidade de São Paulo onde tampouco existe conexão em banda larga real.

Meira – Pois é. Esse espaço é que precisa ser tratado. Do ponto de vista de mobilidade. E por que mobilidade, em última análise? Porque você não é um prédio, você não está acorrentada numa casa, nem numa firma. Você anda. Nós somos seres moventes. Acho que a expressão certa é mesmo “ser movente”, que significa que somos ambulantes. Você não quer ter um telefone fixo em casa, quer carregar consigo a sua capacidade de computar, de conectar, de se relacionar, de controlar coisas. Se você pensar no longo prazo, o que eu quero fazer aqui agora é, por exemplo, comandar a porta da minha casa, que deveria poder ser aberta pelo meu celular. Eu clico um conjunto de chaves aqui – eu boto o meu dedo na câmera, o celular lê, certifica, a porta abre e a pessoa fica registrada lá, já sabendo que, na hora que entrar, eu vou ligar todas as câmaras que tem dentro de casa e essa filmagem vai ser remetida ao meu celular ou vai ficar gravada para eu assistir depois.

Tele.Síntese – Vamos sair um pouco do macro e mergulhar no micro: o que você diria para o responsável por informática em uma pequena prefeitura brasileira?

Meira – Diria a mesma coisa que eu disse ao presidente da República recentemente: a cada 10% adicionais de conectividade o PIB cresce 1%. Esse dado é comprovado por levantamentos macro e microeconômicos. Estamos falando de conectividade ampla, significa pessoas realmente conectadas – não estamos falando do sujeito que só pode receber chamadas no seu celular pré-pago. Quantas pessoas estão realmente conectadas no Brasil? Na minha opinião, não há mais de 10 milhões de pessoas com banda larga real, que conseguem assistir a um vídeo, que conseguem assistir a uma aula a distância sem que a conexão caia 34 vezes.

Se você conectar 50% da sua cidade, vai obter literalmente cinco pontos percentuais de aumento no PIB local. Isso é um número imenso! Imagine o trabalho que dá mover um único ponto porcentual do PIB num país como o Brasil, que em 2009 teve crescimento perto de zero. Ou seja, se a gente tivesse resolvido conectar 30 pontos porcentuais da população brasileira, a conseqüência quase imediata seria um aumento de 3% no PIB. Além disso, conectividade – e em escala – é a única forma de você participar do mundo. A maioria das cidades que não têm conectividade tampouco têm serviços de qualidade, nem livrarias, bibliotecas, nem outra montanha de coisas. Essa cidade está isolada do ponto de vista das demandas cognitivas, culturais, artísticas, literárias, de ensino, de ciência, de matemática, de física, de engenharia, de música, do que você quiser…

Para conectar um lugar, para abrir a possibilidade de a população de um lugar remoto entrar no mundo, é só levar a internet de banda larga para lá. Uma das formas mais práticas de fazer isso hoje é usar a tecnologia sem-fio, iluminar a cidade com a malha sem-fio. Se você pensar em larga escala, temos pelo menos 3 mil municípios brasileiros que não têm biblioteca, nem teatro, nem cinema. Vamos botar banda larga nesses lugares e eles serão incluídos geográfica e socialmente – é metade do país. Mas isso é um objetivo de política pública, com o qual a prefeitura deveria estar preocupada. Porque também é verdade que, na maioria dessas cidades, não há empreendedores privados com conhecimento, capital ou insumos essenciais para tomar a iniciativa de conectar a cidade. É, portanto, um espaço nítido e típico de política pública – um problema que, todos nós sabemos, deveria ter sido resolvido pelo Fundo para Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST) lá atrás, mas não foi. E não adianta chorar sobre leite derramado. Precisamos agora é por a mão na massa.

Tele.Síntese – Como o CESAR põe a mão nessa massa?

Meira – Por exemplo, fazendo projetos para prefeituras do interior, alguns deles bastante criativos. Como é que a prefeitura pode prover banda larga de graça em troca do pagamento de impostos? Pois prefeituras do interior têm uma capacidade de arrecadação muito baixa. Estamos trabalhando para uma prefeitura que tem um plano muito legal: ela quer prover uma banda larga mínima, mas com cobertura universal na cidade em troca de todo mundo pagar o IPTU. Se houvesse um projeto nacional desse tipo, Brasília deixaria de ser pressionada por prefeitos sem capacidade de arrecadação. Quando se leva a internet para uma cidade, vão junto a competência, o sistema de informação, tudo provido pela rede. Essa prefeitura do interior não vai montar um centro de dados; o máximo que o sujeito vai fazer é cadastrar os CPFs correspondentes aos domicílios com número de arrecadação de IPTU e de outros impostos municipais. Ao conectar a cidade, ao mesmo tempo se informatiza a prefeitura, numa escala muito superior àquilo de que ela precisa hoje. O problema é que a utilidade econômica desse registro, dessa informática pública, ainda é muito baixa. O que a gente precisa é aumentar a utilidade econômica da informática da prefeitura. Não é dos programas federais, que têm um impacto muito grande. Para isso, é preciso botar na cabeça do cidadão que está tocando a prefeitura em qualquer lugar do Brasil que ele deve oferecer – aos seus cidadãos, aos seus alunos, às suas escolas, às suas enfermeiras, seus médicos – a oportunidade de conexão com o mundo, representada pela internet. Para nós, que já estamos dentro, é impossível imaginar a vida sem internet. Acho que é como se imaginar analfabeto. Porque se a pessoa souber ler e escrever, a maior parte das coisas de que ela precisa está na internet.

Tele.Síntese – Eu gostaria que você abordasse agora uma outra questão espinhosa, que se contrapõe a facilidades como abrir a porta da sua casa por celular: a questão da privacidade e dos direitos individuais.

Meira – Essa é uma preocupação real, que compartilha o espaço/tempo com o processo de aprendizado. Ela é a mesma coisa que a escrita: quando se inventou a escrita, de repente as pessoas começaram a abrir cartas dos outros… Esse processo é normal: se há informação e as pessoas querem saber o que está acontecendo, elas irão atrás disso. A coisa mais clara que existe sobre a sociedade da informação e do conhecimento é que a informação e o conhecimento são os elementos mais importantes dela. Logo, isso vale dinheiro, isso é transacionável, isso é espionado, roubado, entregue, destruído, modificado… As transações são sobre este escopo de um ciclo de vida da informação, que vai desde a geração – porque estamos gerando informação – ou captura (meu celular está capturando informação neste momento) até seu processamento, distribuição, reutilização, terminação. Durante todo esse ciclo, nós vamos nos preocupar intensamente com informação, com sua segurança, com sua disponibilidade – tem coisa a que a gente quer dar a maior disponibilidade possível, por exemplo, toda informação pública. O portal da transparência do governo federal é um exemplo disso, assim como é o portal da transparência de muitas instituições privadas. Ao mesmo tempo, tem informação que a gente não quer deixar passar de jeito nenhum: informação sobre segurança nacional, sobre a segurança deste prédio onde estamos. Mas tudo isso é parte natural do processo. As pessoas ficam meio histéricas a respeito, mas a verdade é que já era assim. O que ocorre é que ficou mais rápido e cada vez mais virtual.

Tele.Síntese – Ficou cada vez mais grave, na verdade. Quando os criadores desse problema não dispunham da tecnologia, o efeito negativo era muito menor.

Meira – Mas, filosoficamente, o problema é o mesmo – só a escala mudou. Eu hoje posso usar um telefone ou um roteador de internet e pegar tudo que vem do seu endereço IP, por exemplo. Para fazer graça, o pessoal do CESAR que desenvolve aplicações de segurança costuma usar uma camiseta provocadora, que diz o seguinte: “Eu leio o seu e-mail”. Claro que pode. Isso é fácil de fazer.

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

seu[s] próximo[s] celular[es]

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image stuart henshall acaba de publicar um texto interessante sobre as mudanças –muito rápidas- no uso dos nossos celulares.

primeiro, no começo dos anos 90, os celulares eram telefones, pura e simplesmente. depois, foi a vez de trazer entretenimento para o dispositivo: vimos chegar, um após o outro, foto, áudio e vídeo; mais recentemente, de boa qualidade e em grande quantidade, em todos os casos, resultado da miniaturização cada vez mais radical das memórias e sistemas de captura de informação, combinados com processadores mais capazes e mais eficientes no uso de energia.

hoje, sem abrir mão de nada conquistado antes, o que costumava ser um celular multimídia se tornou dispositivo essencial para conectividade, para mediar nossas relações com tudo o que está na ou vem da rede. o que implica, quase que necessariamente, se conectar com coisas que não têm nada [e isso existe?] a ver com a rede, como o rádio do seu carro. claro, óbvio: se peguei uma música online, pelo wi-fi do celular, como que vou tocar no trânsito? só pelos fones do celular?… deveria ser pelo bluetooth do rádio do carro…

a análise de henshall vale para quem tem um celular do tipo “smart”, que tem uma tela “grande” [para um celular], como um iPhone, blackBerry e palmPre… e que tem uma conta com razoável [que tal ilimitado em volume, limitado –mas não muito- em velocidade e a custo mensal fixo?] acesso à internet. você poderia dizer… sim, mas quem tem acesso a isso? no mundo inteiro, cada vez mais gente. num futuro próximo, quase todo mundo. inclusive no brasil. cobertura nacional 3G, novos celulares e novos e mais competitivos modelos de negócio vão mudar tudo o que pensamos de celulares e como eles são usados para mudar nossas vidas. de novo.

segundo henshall, há sete razões pelas quais os celulares estão mudando tudo, de novo. as razões e os comentários originais estão lá no texto dele. vou reduzir sete pra três, derivados do meu uso [atua] de celulares:

1. leitura: celulares se tornam, porque disponíveis o tempo todo, em todo lugar, telas para ler. para os mais velhos, as telas são pequenas; diziam o mesmo dos teclados. mas e daí? se você viajou para são paulo e as páginas do guia da cidade estão na telinha na sua mão, com busca, mapas, endereços e telefones, fazer o que? aprender a usar telas pequenas, e rápido, para sobreviver.

2. internet [conectividade e aplicações]: o guia do parágrafo anterior era um .pdf que você montou [eu já montei muitos]; mas o barato dos celulares, mesmo, é sintonizar a internet. e ninguém está na internet pela internet; a rede é só um meio pra conectar pessoas, sistemas, serviços, instituições. alguma hora talvez passemos a chamar de internet só a infra-estrutura e os serviços que tornam todo o resto, as aplicações, possível. e são as aplicações, de emeio a twitter, que nos dão conectividade. meu celular carrega operaMini pra navegar, nimbuzz pra chat & VOIP, gravity pra twitter e googleMaps com myLocation preu dizer pro taxi, em qualquer lugar do mundo, pra onde ele tem que ir. essencial, mas nem sempre dá certo: dia destes, em são paulo, a coisa insistia que eu estava em bangcoc…

3. mídia: seu celular fotografa, filma, grava, reproduz tudo o que captura e é enviado pra ele. mas poucos –não achei os apps ideais pra isso, pelo menos- conseguem integrar, de uma forma transparente, a imagem que acabei de captar, na rua, a um texto e, no próximo click, fazer a coisa aparecer aqui no blog, direto, sem sofrimento. integrar imagens a aplicações e sistemas, em rede, está se tornando muito mais importante do que uma camera de 12 megapixel e terabytes de memória. afinal de contas, o destino de suas fotos não é seu celular, mas um repositório [abetro ou não] em rede. mas isso é só uma questão de tempo, e pouco; os celulares vão se transformar em instrumentos revolucionários e universais de conectividade pessoal e institucional, bem como em ferramentas para capturar, processar e apresentar informação, de forma integrada e em todos os sentidos, em rede.

e você e eu trocamos de celular o tempo todo, tipo uma vez a cada dois anos, por aí. pra sua próxima troca, faça a lista de características e, seja quais forem, bote internet [incluindo wiFi e conexões tipo blueTooth, parte essencial de sua “rede local”], uma plataforma móvel para qual haja [ou vá haver] muitas aplicações [fora do controle do fabricante], uma tela boa o suficiente para ler [livros, se for o caso!] e capacidades variadas de tratar, de forma integrada com as aplicações e a internet, todos os tipos de mídia. seu celular, afinal de contas, não é um celular: usá-lo como telefone é tão séc. XX…

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sexta-feira, 20 de março de 2009

brasil terá dinheiro celular em 2010: será?

os centro e trinta bancos associados à febraban, gente grande e que sabe que dinheiro é coisa séria, decidiram tratar em conjunto a oportunidade de usar os celulares como meio de pagamento. o banco central foi avisado da intenção e a meta é começar até o fim de 2010.

pra coisa dar certo, algumas constelações têm que se alinhar. além dos bancos todos querendo fazer a mesma coisa, o que parece já ser o caso, pois concordaram em lançar uma plataforma unificada para transações financeiras móveis até o final de 2010, o banco central tem que deixá-los fazer, porque o espaço é regulado. estes dois itens não são maior problema. há coisas mais complicadas.

os bancos resolveram, também, que vão conversar com as teles “depois”. celulares, como se sabe, funcionam sobre a infraesturtura e serviços das operadoras, que têm idéias próprias sobre o assunto. e aí, nesta constelação, é onde mora um dos perigos. pra começar, a oi tem seu próprio serviço de m-payment [mobile payment], o paggo, para o qual angariou 900 mil usuários e 22 mil lojas no primeiro ano de operação [2007/2008] e deve ter entre 1.2 e 1.5 milhão de usuários hoje. e a vivo, pra não ficar atrás, também vai lançar um m-payment. afinal de contas, nada melhor do que virar um banco, se você não se envolver com empréstimos podres, como alguns dos maiores do mundo.

a ntt/docomo [japonesa] descobriu isso há muito tempo: cartões de crédito que funcionam como os de plástico que carregamos, só que embutidos no celular, foram lançados em 2006. trata-se de muito mais que um paggo, a ponto da operadora ter requerido uma carta patente de banco aos reguladores japoneses. a docomo deu a partida, os outros seguiram. rápido. hoje, mais de 30 milhões de celulares são osaifu-keitai [mobile wallet, ou carteira móvel], cerca de 30% de penetração entre os celulares japoneses. seria como termos uns 50 milhões de celulares-cartão no brasil. um monte..

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os osaifu-keitai são usados pra tudo, de pagamento de passagens de ônibus, metrô e ingressos de todos os tipos a supermercados, máquinas de refrigerantes e o que mais você pensar. mas a vida não é tão simples quanto parece. os problemas associados ao uso do celular para transações financeiras não estão de todo resolvidos, mesmo no japão, país de povo viciado em keitai. pesquisa de outubro de 2008 mostra que apenas 15.6% dos japoneses usa seu banco a partir do celular, contra 68.2% de quem tem computadores pessoais na rede. .

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mas nossos bancos podem estar vendo longe, muito longe. ao anunciarem o celular-cartão brasileiro, a pergunta de muitos bilhões de reais é… será que os bancos vão falar com as operadoras “depois” porque planejam lançar uma operadora virtual deles próprios, combinando os serviços e lucros das duas operações?…

pelo andar da carruagem, a anatel pode autorizar operadoras virtuais [MVNOs, mobile virtual network operators] antes do fim de 2010. uma MVNO é uma operadora que existe para mim e para você mas que não existe de fato lá na infraestrutura. a marca, o marketing e parte dos serviços vendidos no mercado a diferenciam das operadoras “normais”, mas ela usa, lá atrás, infra alugada de uma ou mais operadoras, digamos, clássicas. no brasil, os estudos técnicos estão prontos e sabe-se que a anatel vai decidir entre duas alternativas de modelo de MVNO para o país.

junte as peças: os bancos vão lançar um celular-cartão brasileiro, com todos eles apoiando [e ganhando dinheiro, muito]. isso é bom. a anatel vai liberar as operadoras móveis virtuais. isso é muito bom, pois vai aumentar a competição e melhorar a vida dos usuários. os bancos vão conversar com as operadoras “depois”. os bancos, em conjunto, podem lançar um osaifu-keitai na sua própria operadora, se quiserem; têm capitais e competências para tal.

agora pense: se você fosse uma operadora, faria o que?…

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

eu, você e o a-erre-pê-u

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em entrevista recente ao teletime, o presidente da associação gsm américas disse que a penetração de celulares no brasil pode até crescer um pouco nos próximos tempos, mas que a receita [mensal] média por usuário vai continuar a mesma. esta receita é o a-erre-pê-u do título, average [monthly] revenue per user ou ARPU.

o sonho de toda operadora é um ARPU alto, por motivos óbvios: pra ter um cliente com um celular na mão, a operadora tem que construir e tocar uma infraestrutura cara e complexa, que ainda por cima deve atender as normas regulatórias da anatel. tem que ter serviços, marketing… em suma, não se trata de montar um bar na esquina. como se não bastasse, não estamos falando de um monopólio: há quatro companhias diferentes lutando pelo ARPU de cada um de nós. ainda por cima, como todas são muito parecidas e o serviço tem muito pouca ou, na maioria dos casos, nenhuma diferenciação ou valor agregado que torne uma companhia preferível a qualquer outra, os usuários podem trocar de serviço num piscar de olhos. principalmente agora, com portabilidade numérica e celulares desbloqueados.

resultado? o ARPU brasileiro é US$17, apenas um dólar acima da média da américa latina. e três vezes menor do que o americano. nossa renda média, claro, é menor do que na américa, assim como cobertura e qualidade de serviço na maioria dos lugares. mas outros fatores, tão importantes quanto, entram em cena: aqui se fala muito menos pelo mesmo preço, primeiro porque as operadoras cobram mais e segundo porque o brasil cobra dos usuários de celulares um dos impostos mais altos do mundo.

compare: em países como estados unidos e canadá, o imposto sobre conectividade é menos de 10%; em lugares como inglaterra e argentina, é da ordem de 20% e, por aqui… estamos ao redor de 40%. a cada um real de carga no seu pré-pago ou de conta de seu celular, perto de 40 centavos vão direto para os cofres públicos. o imposto médio, no mundo, sobre celulares, é abaixo de 18%. mas a sanha arrecadatória, por aqui, é radical…

e tudo fica muito mais grave [do ponto de vista do ARPU] por causa da imagem abaixo, da teleco, que mostra a distribuição dos celulares pré-pagos no país. olhando para o todo, 81.5% das pessoas que têm celular, no brasil, têm um pré-pago. isso é basicamente a área em vermelho no mapa, onde estão o sul e sudeste e mais o distrito federal e mato grosso do sul. na área verde os pré-pagos representam de 85 a 90% e na área azul são mais de 90% dos celulares. os pré-pagos [ARPU de um terço dos pós-pagos, ou menos] definem o ARPU de cada operadora e do sistema, portanto.

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não é segredo para mais ninguém que estamos frente a uma crise econômica mundial de grandes proporções. talvez fosse interessante dar uma olhada em estudos diversos que apontam para uma correlação entre a penetração de celulares, seu uso intensivo e o aumento da capacidade de desenvolvimento regional e nacional.

muito provavelmente, 10% de aumento de penetração [e uso efetivo] de mobilidade corresponderiam a mais de um ponto percentual de crescimento adicional da economia. pontinho adicional que poderia ser muito importante nos meses, talvez anos, que vamos viver daqui por diante. será que cortar 10 pontos percentuais do imposto sobre mobilidade, com obrigação de abatimento direto no preço de comunicação, para o usuário final, não seria um bom investimento, agora?… é, mas isso teria que mexer com os gastos do legislativo, judiciário e executivo. melhor esquecer, talvez.

o presidente da gsm américas, na mesma entrevista, dá uma receita para as operadoras: na iminência de ver o tráfego [e o ARPU!] reduzido por causa da crise, elas deveriam incentivar seus usuários a usar mais SMS e emeio móvel. a gsm américas certamente sabe do que está falando e também sabe [mas não disse] dos preços de dados móveis no brasil. 

os últimos dados que achei sobre o preço de SMS no brasil e no mundo[também da consultoria teleco]  são mostrados comparativamente a na imagem abaixo:

para cada SMS mandado por um de nós, um súdito de hugo chávez manda cinco e um chinês envia quinze. o título do histograma não reflete a verdade dos números; melhor seria “brasil tem um dos maiores preços de SMS do mundo”. será que as operadoras, no brasil, ganham muito com dados? não. na venezuela [SMS a US$0.03], dados são 31% do negócio; no brasil, [SMS a US$0.15 ou mais], dados representam apenas 14% do faturamento.

moral da história: a continuar valendo a conjunção de preços altos e impostos altíssimos, combinada com escassez de cobertura e serviços, aliada ao baixo grau de inovação das operadoras locais, o potencial de mobilidade, no brasil, continuará, por muito tempo, sendo um potencial.

o que seria uma pena. com o que sabemos e temos aqui, desde necessidades, mercado e capacidades locais até o mercado potencial no mundo, poderíamos fazer muito, muito mais.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

a internet em 2020, [1]: mobilidade

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relatório do pew internet project [PIP] sobre o futuro da rede, publicado neste fim de ano, chegou a seis conclusões básicas, depois de consultar muitas centenas de especialistas, desde gente que estava nos times que desenharam a internet até a galera que faz a rede funcionar [e ganha dinheiro com ela] hoje. nós vamos comentar os achados do PIP nos próximos textos, tentando imaginar o cenário equivalente no brasil.

pra começar, o PIP acha que… The mobile device will be the primary connection tool to the internet for most people in the world in 2020… ou que dispositivos móveis serão a principal ferramenta de conexão à internet, para a maioria das pessoas, em 2020.

multidão, por werllen castro. clique na imagem para visitar o FLICKR

não há como não concordar. quem já está na rede, num celular, sabe o que é, num ponto qualquer da cidade, estar num chat [no nimbuzz, por exemplo], num taxi ou no busão, combinando o ponto com a turma e vendo as alternativas direto no google maps de um telemóvel com GPS. não tem preço.

mas é mais que isso: celular é informática com cada um de nós, computação e computação comigo e com você. até haver algum tipo de implante que conecte o cérebro diretamente à rede, celulares serão a segunda melhor alternativa para estarmos conectados às pessoas, sistemas, instituições e coisas.

celulares com tela de alta definição, interface direta de toque múltiplo, interfaces abertas pra conectar com quase qualquer coisa, mais captura de áudio e vídeo em alta definição, aliados a uma capacidade de processamento, memória e conexão muito maior do que hoje serão padrão de mercado. os celulares de amanhã terão mais capacidade que os netbooks de hoje e deverão ser a nova forma de interagir com o ambiente e pessoas ao redor, de forma mediada pela internet. tudo isso fará com que uma destas maquininhas esteja nas mãos de quase qualquer um daqui a dez anos, mesmo aqui no brasil.

beleza, diriam vocês, mas no brasil? já estamos perto de 150 milhões de celulares, bem mais do que computadores pessoais e bem melhor distribuídos na população, algo que é sempre um grande problema no país. até aí, tudo bem… o problema é botar tudo isso na rede até 2020. por outro lado, temos mais doze anos até lá.

o grande problema a resolver será conectividade, ou como fazer com que uma população quase só de pré-pagos [algo entre 80 a 90% do mercado agora e em 2020] esteja na rede. de forma continuada e não esporádica: estar na rede significa que [por exemplo] seu cliente de mensagem [IM, gtalk, fring...] está quase sempre no ar, criando, para você e sua rede de contatos, um verdadeiro efeito "rede".

talvez se deva excluir, de cara, alguma eventual política pública que poderia interferir nisso, pois tal não tem sido nossa tradição. por outro lado, não se vai comprar dados por volume, que ninguém é maluco o suficiente. nem mesmo em lugares com renda maior e mais distribuida do que por aqui. nos estados unidos e na inglaterra, descobriu-se que 42 [eua] a 56% [uk] da presença do iPhone, na rede, se dá através de wiFi.  não chega a ser nenhuma surpresa… mesmo nestes países, a cobertura 3G não é lá estas coisas e os planos de dados, apesar de bem menos predatórios do que no brasil, tendem a esvaziar a carteira de qualquer um muito rapidamente. ainda mais em tempos de pouco dinheiro livre, como este.

resumo? os celulares vão estar aí [o PIP está certo]; mas a maior parte da população de usuários em potencial não estará na rede com eles [hoje, para o brasil, o PIP está errado...], a menos que aconteça alguma coisa muito parecida com política pública. ou, se tivermos sorte e formos solidários, talvez wiFi grátis comece a ser oferecido -em muito larga escala- em bares, restaurantes, supermercados, postos de gasolina, escolas, universidades, shoppings, academias, hospitais, igrejas e em espaços públicos de todos os tipos, como já é o caso em algumas poucas cidades.

conectividade, agora e no futuro, é tão essencial quanto água, luz, esgoto, educação, saúde e segurança. e ainda faltam doze anos até 2020: não é possível que não se consiga acertar o passo, aqui, até lá…

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

celulares e câncer [de novo]

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esta é a terceira vez, este ano, que o blog publica um texto sobre celulares e câncer. no primeiro [celulares e câncer: a discussão recomeça] falamos do dr. vini khurana, um dos mais renomados neuro-cirurgiões da austrália, segundo quem o risco de desenvolvimento de câncer de cérebro é duplicado pelo uso constante de celulares em longos períodos de tempo, tipo dez anos ou mais. no texto com sua entrevista, dr. khurana dizia acreditar que a ligação entre celulares, tumores cerebrais e os óbitos decorrentes será comprovada no decorrer da próxima década.

no segundo texto [radiação e {ou melhor, em} você], tratamos do 6º seminário internacional ICNIRP sobre radiações não-ionizantes, evento que rolou no rio em outubro, organizado pela ICNIRP [comissão internacional de proteção contra radiações não-ionizantes]. o seminário discutiu bem mais do que a radiação de celulares, mas a coisa pega mesmo é nos telemóveis: pelas últimas contas, metade da população do planeta tem um colado ao ouvido. veja o texto do blog aqui.

estamos voltando ao assunto porque talvez esteja para ser publicado, depois de oito longos anos, o maior estudo mundial sobre o assunto, o relatório final do INTERPHONE, esforço conjunto de 13 países e dezenas de pesquisadores estudando mais de 6.000 usuários de celulares que contraíram câncer. o estudo tinha o objetivo de decidir se o uso continuado de celulares, por um longo período de tempo [mais de 10 anos], aumenta ou não o risco de alguns tipos de câncer, incluindo glioma e neuroma acústico.

a data de publicação do estudo, na verdade, já passou e o resultado não saiu ainda porque os pesquisadores se dividiram em três grupos: os que acham que SIM, celulares aumentam significativamente o risco de câncer, que inclui, entre outros, pesquisadores de israel e austrália, os que dizem que NÃO, a coisa é segura [com cientistas do canadá e inglaterra liderando esta versão] e os que não se manifestaram, achando que a evidência existe em certas situações e não em outras.

a situação é, para dizer o mínimo, confusa: as facções SIM e NÃO se separaram de tal maneira, no correr do estudo, que muita gente já nem mais se fala. nem de celular!… e há quem diga que, apesar de haver resultados alguns resultados locais irrefutáveis [100% de aumento de risco para alguns tipos de câncer em certos países], é capaz de, por isso mesmo, acabar se chegando a nenhuma conclusão. e tem mais: duvida-se, hoje, da seleção da amostra e da corretude dos procedimentos da pesquisa adotados pelos grupos de estudo.

economist-cellphone.jpg

a revista the economist radicalizou: um texto intitulado "como não conduzir um experimento" conclui basicamente que, seja lá o que o INTERPHONE concluir, vamos ter que começar tudo do zero de novo, desenhamdo um experimento muito mais confiável, baseado em escolhas corretas de indivíduos, em dados históricos e prospectivos, em suma, fazer um estudo bem feito.

uma pena, pois: parece que gastamos uma década, esforço de milhares de pessoas, milhões de dólares de investimento de recursos públicos, muitos milhares de horas de discussão para… chegar em lugar nenhum. por enquanto, cada um continua achando o que quiser e toma as suas próprias precauções. ou não. ou, voltando pro começo do texto, ouve o dr. vini khurana, pra quem o risco de desenvolvimento de câncer de cérebro é duplicado pelo uso constante de celulares em longos períodos de tempo

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sábado, 8 de novembro de 2008

celulares sem teclado… de uma vez por todas

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este negócio de múltiplos toques simultâneos nas telas de celulares como interface e mecanismo de controle de funções e aplicações dos dispositivos [como no iPhone] pode estar com os dias contados. a neuroSKY, empresa do silicon valley, acaba de demonstrar que ondas cerebrais podem -na prática- controlar aplicações em telefones celulares.

neurosky-brain-control.jpg

por enquanto [veja as fotos aqui], o protótipo usa uma certa parafernália, mas a empresa pretende reduzi-lo a um único chip. o que você precisaria fazer pra usar a coisa? um scanner perto de cérebro [hoje, seu óculos, seu boné... um implante, no futuro?] e um receptor no celular, com os drivers apropriados.

na demo, um usuário conseguiu, com sucesso, mover caracteres de um jogo, em um celular nokia, que andavam tão mais rápido quanto maior era a concentração mental do jogador. radical. breve, num celular perto de você.

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

radiação e [ou melhor, em] você

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não faz muito tempo, este blog publicou um texto sobre mais uma daquelas pesquisas que apontam, vez por outra, que a radiação emitida por telefones celulares dá câncer [ou não]. volte lá pra ler. pode ser que o assunto lhe interesse. afinal de contas, você [e eu] vivemos com um celular colado ao ouvido [e tão perto do cérebro quanto].

esta discussão [entre outras que têm a ver com radiação não-ionizante] estará no brasil durante toda a semana que vem, de 14 a 18, no planetário do rio de janeiro, no 6º seminário internacional ICNIRP sobre radiações não-ionizantes, evento que ocorre uma vez a cada quatro anos em algum lugar do mundo, organizado pela ICNIRP [comissão internacional de proteção contra radiações não-ionizantes].

segundo o site do eventoOs riscos potenciais da exposição a campos eletromagnéticos (CEM) devido a instalações como linhas de transmissão e estações radio-base de telefonia celular móvel representam um difícil conjunto de desafios para os tomadores de decisão. Esses desafios incluem determinar se existe ameaça na exposição aos CEM e qual seu impacto potencial sobre a saúde, isto é, avaliar o risco, o que envolve pesquisas sobre efeitos biológicos e estudos epidemiológicos; reconhecer as razões que levam à preocupação por parte do público, ou seja, percepção de risco; e implementar políticas que protejam a saúde pública e respondam às preocupações do público, o que significa gerência de risco. Esse tema é de extrema relevância não somente pela larga utilização de fontes emissoras de campos eletromagnéticos, tais como as linhas de transmissão de energia elétrica, instalações e aparelhos de telefonia celular e outros equipamentos eletro-eletrônicos, mas também pelo impacto causado na sociedade pelas notícias acerca de possíveis efeitos sobre a saúde humana veiculadas pela mídia.

e mais… No Brasil, a instalação de novas linhas de transmissão de energia elétrica e de torres de telefonia celular tem provocado reação popular em alguns locais, inclusive seguida de processos judiciais. Além disso, várias iniciativas legislativas, nos três níveis de governo, têm ampliado a discussão sobre o tema. Diante desse cenário, reputa-se essencial a criação de espaço de reflexão acerca das questões fundamentais, que leve a uma agenda brasileira de geração de conhecimento científico e tecnológico e de sua disseminação para o público. Esta última demanda uma estratégia de comunicação de risco não só por parte de institutos de pesquisa e universidades, mas também de empresas operadoras, de agências reguladoras, de formuladores de política e da mídia.

claro que o problema de radiação eletromagnética na sociedade não é criado apenas por telefones celulares e seus sistemas de suporte, como estações rádio-base. a ICNIRP trata de todo o banho de radiação artificial, entre 0 e 300GHz, ao qual a humanidade e a ecologia estão submetidos. seu forno de micro-ondas, o controle remoto da TV, a própria TV, são fontes de radiação eletromagnética. pense ligado na tomada, tem a ver com CEM. pense comunicação, tem a ver com CEM. e isso tudo tem a ver com as resoluções da ICNIRP sobre o que é aceitável ou não para seres humanos e para o ambiente.

e a ICNIRP não é unanimidade: há quem diga que a comissão ignora que boa parte da ciência sobre o assunto não é conclusiva e sai publicando limites de segurança que… não são seguros. há quem diga que a comissão está para aderir ao padrão australiano para emissão eletromagnética de redes elétricas caseiras e de locais de trabalho, que "aceita" campos eletromagnéticos três vezes mais altos do que sua atual recomendação. veja estes links. e mais este aqui.

por isso que a rodada de discussão do rio é muito importante. há uma tentativa de universalizar os níveis considerados seguros para CEM em todos os países, o que certamente vai ter implicações importantes para nossa saúde. enquanto isso, saiba que, se depender do ICNIRP e seus limites, aquela antena de estação rádio-base de celular no teto do seu prédio é… segura.

 

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

celulares: ligações perdidas

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iphone-3g.jpgusuários do iPhone 3G estão reclamando de má conectividade e ligações caindo, o tempo todo, em todo mundo. deve ser novidade pra gringo ver.

aqui em pindorama, eu tô me acostumando a tentar entre três e sete vezes pra conseguir fazer uma conexão e a vê-la [ou melhor, ouvi-la] cair umas três ou quatro vezes em uma conversa de poucos minutos. e isso com qualquer celular, dos mais safados aos mais caros.

lá, segundo fontes bem informadas, o problema é no hardware do iPhone 3G e a coisa talvez seja reparada fazendo um upgrade do software, via iTunes. coisa chique, por sinal.

aqui, não há sinal de que as coisas melhorem no curto prazo. minha operadora diz que tem problemas de infra-estrutura e está trabalhando, arduamente, para resolvê-los. me prometeram um novo mundo, muito melhor, no começo de agosto. até agora, nada.

como o serviço costumava ser muito melhor no passado, o que foi mesmo que aconteceu? as operadoras venderam mais celulares, botaram montes de modens 3G na rua e não fizeram muita coisa por trás dos panos, deixando a infra-estrutura mais ou menos como estava. resultado? só vez por outra a gente consegue falar… ou se conectar.

quem pode fazer alguma coisa? consumidores, articulados, e seus órgãos de defesa. e concorrência, mais concorrência, com mais operadoras, portabilidade numérica e seja lá o que torne nossas operadoras mais sensíveis [no bol$o, principalmente] às necessidades e reclamações de seus [pretensos] usuários.

 

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