Terra Magazine

19.06.09

seu[s] próximo[s] celular[es]

Tags:, , , - srlm às 16:31

image stuart henshall acaba de publicar um texto interessante sobre as mudanças –muito rápidas- no uso dos nossos celulares.

primeiro, no começo dos anos 90, os celulares eram telefones, pura e simplesmente. depois, foi a vez de trazer entretenimento para o dispositivo: vimos chegar, um após o outro, foto, áudio e vídeo; mais recentemente, de boa qualidade e em grande quantidade, em todos os casos, resultado da miniaturização cada vez mais radical das memórias e sistemas de captura de informação, combinados com processadores mais capazes e mais eficientes no uso de energia.

hoje, sem abrir mão de nada conquistado antes, o que costumava ser um celular multimídia se tornou dispositivo essencial para conectividade, para mediar nossas relações com tudo o que está na ou vem da rede. o que implica, quase que necessariamente, se conectar com coisas que não têm nada [e isso existe?] a ver com a rede, como o rádio do seu carro. claro, óbvio: se peguei uma música online, pelo wi-fi do celular, como que vou tocar no trânsito? só pelos fones do celular?… deveria ser pelo bluetooth do rádio do carro…

a análise de henshall vale para quem tem um celular do tipo “smart”, que tem uma tela “grande” [para um celular], como um iPhone, blackBerry e palmPre… e que tem uma conta com razoável [que tal ilimitado em volume, limitado –mas não muito- em velocidade e a custo mensal fixo?] acesso à internet. você poderia dizer… sim, mas quem tem acesso a isso? no mundo inteiro, cada vez mais gente. num futuro próximo, quase todo mundo. inclusive no brasil. cobertura nacional 3G, novos celulares e novos e mais competitivos modelos de negócio vão mudar tudo o que pensamos de celulares e como eles são usados para mudar nossas vidas. de novo.

segundo henshall, há sete razões pelas quais os celulares estão mudando tudo, de novo. as razões e os comentários originais estão lá no texto dele. vou reduzir sete pra três, derivados do meu uso [atua] de celulares:

1. leitura: celulares se tornam, porque disponíveis o tempo todo, em todo lugar, telas para ler. para os mais velhos, as telas são pequenas; diziam o mesmo dos teclados. mas e daí? se você viajou para são paulo e as páginas do guia da cidade estão na telinha na sua mão, com busca, mapas, endereços e telefones, fazer o que? aprender a usar telas pequenas, e rápido, para sobreviver.

2. internet [conectividade e aplicações]: o guia do parágrafo anterior era um .pdf que você montou [eu já montei muitos]; mas o barato dos celulares, mesmo, é sintonizar a internet. e ninguém está na internet pela internet; a rede é só um meio pra conectar pessoas, sistemas, serviços, instituições. alguma hora talvez passemos a chamar de internet só a infra-estrutura e os serviços que tornam todo o resto, as aplicações, possível. e são as aplicações, de emeio a twitter, que nos dão conectividade. meu celular carrega operaMini pra navegar, nimbuzz pra chat & VOIP, gravity pra twitter e googleMaps com myLocation preu dizer pro taxi, em qualquer lugar do mundo, pra onde ele tem que ir. essencial, mas nem sempre dá certo: dia destes, em são paulo, a coisa insistia que eu estava em bangcoc…

3. mídia: seu celular fotografa, filma, grava, reproduz tudo o que captura e é enviado pra ele. mas poucos –não achei os apps ideais pra isso, pelo menos- conseguem integrar, de uma forma transparente, a imagem que acabei de captar, na rua, a um texto e, no próximo click, fazer a coisa aparecer aqui no blog, direto, sem sofrimento. integrar imagens a aplicações e sistemas, em rede, está se tornando muito mais importante do que uma camera de 12 megapixel e terabytes de memória. afinal de contas, o destino de suas fotos não é seu celular, mas um repositório [abetro ou não] em rede. mas isso é só uma questão de tempo, e pouco; os celulares vão se transformar em instrumentos revolucionários e universais de conectividade pessoal e institucional, bem como em ferramentas para capturar, processar e apresentar informação, de forma integrada e em todos os sentidos, em rede.

e você e eu trocamos de celular o tempo todo, tipo uma vez a cada dois anos, por aí. pra sua próxima troca, faça a lista de características e, seja quais forem, bote internet [incluindo wiFi e conexões tipo blueTooth, parte essencial de sua “rede local”], uma plataforma móvel para qual haja [ou vá haver] muitas aplicações [fora do controle do fabricante], uma tela boa o suficiente para ler [livros, se for o caso!] e capacidades variadas de tratar, de forma integrada com as aplicações e a internet, todos os tipos de mídia. seu celular, afinal de contas, não é um celular: usá-lo como telefone é tão séc. XX…

Blogs que citam este Post

20.03.09

brasil terá dinheiro celular em 2010: será?

os centro e trinta bancos associados à febraban, gente grande e que sabe que dinheiro é coisa séria, decidiram tratar em conjunto a oportunidade de usar os celulares como meio de pagamento. o banco central foi avisado da intenção e a meta é começar até o fim de 2010.

pra coisa dar certo, algumas constelações têm que se alinhar. além dos bancos todos querendo fazer a mesma coisa, o que parece já ser o caso, pois concordaram em lançar uma plataforma unificada para transações financeiras móveis até o final de 2010, o banco central tem que deixá-los fazer, porque o espaço é regulado. estes dois itens não são maior problema. há coisas mais complicadas.

os bancos resolveram, também, que vão conversar com as teles “depois”. celulares, como se sabe, funcionam sobre a infraesturtura e serviços das operadoras, que têm idéias próprias sobre o assunto. e aí, nesta constelação, é onde mora um dos perigos. pra começar, a oi tem seu próprio serviço de m-payment [mobile payment], o paggo, para o qual angariou 900 mil usuários e 22 mil lojas no primeiro ano de operação [2007/2008] e deve ter entre 1.2 e 1.5 milhão de usuários hoje. e a vivo, pra não ficar atrás, também vai lançar um m-payment. afinal de contas, nada melhor do que virar um banco, se você não se envolver com empréstimos podres, como alguns dos maiores do mundo.

a ntt/docomo [japonesa] descobriu isso há muito tempo: cartões de crédito que funcionam como os de plástico que carregamos, só que embutidos no celular, foram lançados em 2006. trata-se de muito mais que um paggo, a ponto da operadora ter requerido uma carta patente de banco aos reguladores japoneses. a docomo deu a partida, os outros seguiram. rápido. hoje, mais de 30 milhões de celulares são osaifu-keitai [mobile wallet, ou carteira móvel], cerca de 30% de penetração entre os celulares japoneses. seria como termos uns 50 milhões de celulares-cartão no brasil. um monte..

image

os osaifu-keitai são usados pra tudo, de pagamento de passagens de ônibus, metrô e ingressos de todos os tipos a supermercados, máquinas de refrigerantes e o que mais você pensar. mas a vida não é tão simples quanto parece. os problemas associados ao uso do celular para transações financeiras não estão de todo resolvidos, mesmo no japão, país de povo viciado em keitai. pesquisa de outubro de 2008 mostra que apenas 15.6% dos japoneses usa seu banco a partir do celular, contra 68.2% de quem tem computadores pessoais na rede. .

image 

mas nossos bancos podem estar vendo longe, muito longe. ao anunciarem o celular-cartão brasileiro, a pergunta de muitos bilhões de reais é… será que os bancos vão falar com as operadoras “depois” porque planejam lançar uma operadora virtual deles próprios, combinando os serviços e lucros das duas operações?…

pelo andar da carruagem, a anatel pode autorizar operadoras virtuais [MVNOs, mobile virtual network operators] antes do fim de 2010. uma MVNO é uma operadora que existe para mim e para você mas que não existe de fato lá na infraestrutura. a marca, o marketing e parte dos serviços vendidos no mercado a diferenciam das operadoras “normais”, mas ela usa, lá atrás, infra alugada de uma ou mais operadoras, digamos, clássicas. no brasil, os estudos técnicos estão prontos e sabe-se que a anatel vai decidir entre duas alternativas de modelo de MVNO para o país.

junte as peças: os bancos vão lançar um celular-cartão brasileiro, com todos eles apoiando [e ganhando dinheiro, muito]. isso é bom. a anatel vai liberar as operadoras móveis virtuais. isso é muito bom, pois vai aumentar a competição e melhorar a vida dos usuários. os bancos vão conversar com as operadoras “depois”. os bancos, em conjunto, podem lançar um osaifu-keitai na sua própria operadora, se quiserem; têm capitais e competências para tal.

agora pense: se você fosse uma operadora, faria o que?…

image

Blogs que citam este Post

03.02.09

eu, você e o a-erre-pê-u

Tags:, , , , , - srlm às 10:56

em entrevista recente ao teletime, o presidente da associação gsm américas disse que a penetração de celulares no brasil pode até crescer um pouco nos próximos tempos, mas que a receita [mensal] média por usuário vai continuar a mesma. esta receita é o a-erre-pê-u do título, average [monthly] revenue per user ou ARPU.

o sonho de toda operadora é um ARPU alto, por motivos óbvios: pra ter um cliente com um celular na mão, a operadora tem que construir e tocar uma infraestrutura cara e complexa, que ainda por cima deve atender as normas regulatórias da anatel. tem que ter serviços, marketing… em suma, não se trata de montar um bar na esquina. como se não bastasse, não estamos falando de um monopólio: há quatro companhias diferentes lutando pelo ARPU de cada um de nós. ainda por cima, como todas são muito parecidas e o serviço tem muito pouca ou, na maioria dos casos, nenhuma diferenciação ou valor agregado que torne uma companhia preferível a qualquer outra, os usuários podem trocar de serviço num piscar de olhos. principalmente agora, com portabilidade numérica e celulares desbloqueados.

resultado? o ARPU brasileiro é US$17, apenas um dólar acima da média da américa latina. e três vezes menor do que o americano. nossa renda média, claro, é menor do que na américa, assim como cobertura e qualidade de serviço na maioria dos lugares. mas outros fatores, tão importantes quanto, entram em cena: aqui se fala muito menos pelo mesmo preço, primeiro porque as operadoras cobram mais e segundo porque o brasil cobra dos usuários de celulares um dos impostos mais altos do mundo.

compare: em países como estados unidos e canadá, o imposto sobre conectividade é menos de 10%; em lugares como inglaterra e argentina, é da ordem de 20% e, por aqui… estamos ao redor de 40%. a cada um real de carga no seu pré-pago ou de conta de seu celular, perto de 40 centavos vão direto para os cofres públicos. o imposto médio, no mundo, sobre celulares, é abaixo de 18%. mas a sanha arrecadatória, por aqui, é radical…

e tudo fica muito mais grave [do ponto de vista do ARPU] por causa da imagem abaixo, da teleco, que mostra a distribuição dos celulares pré-pagos no país. olhando para o todo, 81.5% das pessoas que têm celular, no brasil, têm um pré-pago. isso é basicamente a área em vermelho no mapa, onde estão o sul e sudeste e mais o distrito federal e mato grosso do sul. na área verde os pré-pagos representam de 85 a 90% e na área azul são mais de 90% dos celulares. os pré-pagos [ARPU de um terço dos pós-pagos, ou menos] definem o ARPU de cada operadora e do sistema, portanto.

image

não é segredo para mais ninguém que estamos frente a uma crise econômica mundial de grandes proporções. talvez fosse interessante dar uma olhada em estudos diversos que apontam para uma correlação entre a penetração de celulares, seu uso intensivo e o aumento da capacidade de desenvolvimento regional e nacional.

muito provavelmente, 10% de aumento de penetração [e uso efetivo] de mobilidade corresponderiam a mais de um ponto percentual de crescimento adicional da economia. pontinho adicional que poderia ser muito importante nos meses, talvez anos, que vamos viver daqui por diante. será que cortar 10 pontos percentuais do imposto sobre mobilidade, com obrigação de abatimento direto no preço de comunicação, para o usuário final, não seria um bom investimento, agora?… é, mas isso teria que mexer com os gastos do legislativo, judiciário e executivo. melhor esquecer, talvez.

o presidente da gsm américas, na mesma entrevista, dá uma receita para as operadoras: na iminência de ver o tráfego [e o ARPU!] reduzido por causa da crise, elas deveriam incentivar seus usuários a usar mais SMS e emeio móvel. a gsm américas certamente sabe do que está falando e também sabe [mas não disse] dos preços de dados móveis no brasil. 

os últimos dados que achei sobre o preço de SMS no brasil e no mundo[também da consultoria teleco]  são mostrados comparativamente a na imagem abaixo:

para cada SMS mandado por um de nós, um súdito de hugo chávez manda cinco e um chinês envia quinze. o título do histograma não reflete a verdade dos números; melhor seria “brasil tem um dos maiores preços de SMS do mundo”. será que as operadoras, no brasil, ganham muito com dados? não. na venezuela [SMS a US$0.03], dados são 31% do negócio; no brasil, [SMS a US$0.15 ou mais], dados representam apenas 14% do faturamento.

moral da história: a continuar valendo a conjunção de preços altos e impostos altíssimos, combinada com escassez de cobertura e serviços, aliada ao baixo grau de inovação das operadoras locais, o potencial de mobilidade, no brasil, continuará, por muito tempo, sendo um potencial.

o que seria uma pena. com o que sabemos e temos aqui, desde necessidades, mercado e capacidades locais até o mercado potencial no mundo, poderíamos fazer muito, muito mais.

Blogs que citam este Post

07.01.09

a internet em 2020, [1]: mobilidade

Tags:, , , , , , - srlm às 02:00

relatório do pew internet project [PIP] sobre o futuro da rede, publicado neste fim de ano, chegou a seis conclusões básicas, depois de consultar muitas centenas de especialistas, desde gente que estava nos times que desenharam a internet até a galera que faz a rede funcionar [e ganha dinheiro com ela] hoje. nós vamos comentar os achados do PIP nos próximos textos, tentando imaginar o cenário equivalente no brasil.

pra começar, o PIP acha que… The mobile device will be the primary connection tool to the internet for most people in the world in 2020… ou que dispositivos móveis serão a principal ferramenta de conexão à internet, para a maioria das pessoas, em 2020.

multidão, por werllen castro. clique na imagem para visitar o FLICKR

não há como não concordar. quem já está na rede, num celular, sabe o que é, num ponto qualquer da cidade, estar num chat [no nimbuzz, por exemplo], num taxi ou no busão, combinando o ponto com a turma e vendo as alternativas direto no google maps de um telemóvel com GPS. não tem preço.

mas é mais que isso: celular é informática com cada um de nós, computação e computação comigo e com você. até haver algum tipo de implante que conecte o cérebro diretamente à rede, celulares serão a segunda melhor alternativa para estarmos conectados às pessoas, sistemas, instituições e coisas.

celulares com tela de alta definição, interface direta de toque múltiplo, interfaces abertas pra conectar com quase qualquer coisa, mais captura de áudio e vídeo em alta definição, aliados a uma capacidade de processamento, memória e conexão muito maior do que hoje serão padrão de mercado. os celulares de amanhã terão mais capacidade que os netbooks de hoje e deverão ser a nova forma de interagir com o ambiente e pessoas ao redor, de forma mediada pela internet. tudo isso fará com que uma destas maquininhas esteja nas mãos de quase qualquer um daqui a dez anos, mesmo aqui no brasil.

beleza, diriam vocês, mas no brasil? já estamos perto de 150 milhões de celulares, bem mais do que computadores pessoais e bem melhor distribuídos na população, algo que é sempre um grande problema no país. até aí, tudo bem… o problema é botar tudo isso na rede até 2020. por outro lado, temos mais doze anos até lá.

o grande problema a resolver será conectividade, ou como fazer com que uma população quase só de pré-pagos [algo entre 80 a 90% do mercado agora e em 2020] esteja na rede. de forma continuada e não esporádica: estar na rede significa que [por exemplo] seu cliente de mensagem [IM, gtalk, fring...] está quase sempre no ar, criando, para você e sua rede de contatos, um verdadeiro efeito "rede".

talvez se deva excluir, de cara, alguma eventual política pública que poderia interferir nisso, pois tal não tem sido nossa tradição. por outro lado, não se vai comprar dados por volume, que ninguém é maluco o suficiente. nem mesmo em lugares com renda maior e mais distribuida do que por aqui. nos estados unidos e na inglaterra, descobriu-se que 42 [eua] a 56% [uk] da presença do iPhone, na rede, se dá através de wiFi.  não chega a ser nenhuma surpresa… mesmo nestes países, a cobertura 3G não é lá estas coisas e os planos de dados, apesar de bem menos predatórios do que no brasil, tendem a esvaziar a carteira de qualquer um muito rapidamente. ainda mais em tempos de pouco dinheiro livre, como este.

resumo? os celulares vão estar aí [o PIP está certo]; mas a maior parte da população de usuários em potencial não estará na rede com eles [hoje, para o brasil, o PIP está errado...], a menos que aconteça alguma coisa muito parecida com política pública. ou, se tivermos sorte e formos solidários, talvez wiFi grátis comece a ser oferecido -em muito larga escala- em bares, restaurantes, supermercados, postos de gasolina, escolas, universidades, shoppings, academias, hospitais, igrejas e em espaços públicos de todos os tipos, como já é o caso em algumas poucas cidades.

conectividade, agora e no futuro, é tão essencial quanto água, luz, esgoto, educação, saúde e segurança. e ainda faltam doze anos até 2020: não é possível que não se consiga acertar o passo, aqui, até lá…

Blogs que citam este Post

10.11.08

celulares e câncer [de novo]

Tags:, , , - srlm às 07:00

esta é a terceira vez, este ano, que o blog publica um texto sobre celulares e câncer. no primeiro [celulares e câncer: a discussão recomeça] falamos do dr. vini khurana, um dos mais renomados neuro-cirurgiões da austrália, segundo quem o risco de desenvolvimento de câncer de cérebro é duplicado pelo uso constante de celulares em longos períodos de tempo, tipo dez anos ou mais. no texto com sua entrevista, dr. khurana dizia acreditar que a ligação entre celulares, tumores cerebrais e os óbitos decorrentes será comprovada no decorrer da próxima década.

no segundo texto [radiação e {ou melhor, em} você], tratamos do 6º seminário internacional ICNIRP sobre radiações não-ionizantes, evento que rolou no rio em outubro, organizado pela ICNIRP [comissão internacional de proteção contra radiações não-ionizantes]. o seminário discutiu bem mais do que a radiação de celulares, mas a coisa pega mesmo é nos telemóveis: pelas últimas contas, metade da população do planeta tem um colado ao ouvido. veja o texto do blog aqui.

estamos voltando ao assunto porque talvez esteja para ser publicado, depois de oito longos anos, o maior estudo mundial sobre o assunto, o relatório final do INTERPHONE, esforço conjunto de 13 países e dezenas de pesquisadores estudando mais de 6.000 usuários de celulares que contraíram câncer. o estudo tinha o objetivo de decidir se o uso continuado de celulares, por um longo período de tempo [mais de 10 anos], aumenta ou não o risco de alguns tipos de câncer, incluindo glioma e neuroma acústico.

a data de publicação do estudo, na verdade, já passou e o resultado não saiu ainda porque os pesquisadores se dividiram em três grupos: os que acham que SIM, celulares aumentam significativamente o risco de câncer, que inclui, entre outros, pesquisadores de israel e austrália, os que dizem que NÃO, a coisa é segura [com cientistas do canadá e inglaterra liderando esta versão] e os que não se manifestaram, achando que a evidência existe em certas situações e não em outras.

a situação é, para dizer o mínimo, confusa: as facções SIM e NÃO se separaram de tal maneira, no correr do estudo, que muita gente já nem mais se fala. nem de celular!… e há quem diga que, apesar de haver resultados alguns resultados locais irrefutáveis [100% de aumento de risco para alguns tipos de câncer em certos países], é capaz de, por isso mesmo, acabar se chegando a nenhuma conclusão. e tem mais: duvida-se, hoje, da seleção da amostra e da corretude dos procedimentos da pesquisa adotados pelos grupos de estudo.

economist-cellphone.jpg

a revista the economist radicalizou: um texto intitulado "como não conduzir um experimento" conclui basicamente que, seja lá o que o INTERPHONE concluir, vamos ter que começar tudo do zero de novo, desenhamdo um experimento muito mais confiável, baseado em escolhas corretas de indivíduos, em dados históricos e prospectivos, em suma, fazer um estudo bem feito.

uma pena, pois: parece que gastamos uma década, esforço de milhares de pessoas, milhões de dólares de investimento de recursos públicos, muitos milhares de horas de discussão para… chegar em lugar nenhum. por enquanto, cada um continua achando o que quiser e toma as suas próprias precauções. ou não. ou, voltando pro começo do texto, ouve o dr. vini khurana, pra quem o risco de desenvolvimento de câncer de cérebro é duplicado pelo uso constante de celulares em longos períodos de tempo

Blogs que citam este Post

08.11.08

celulares sem teclado… de uma vez por todas

Tags:, , , , - srlm às 12:00

este negócio de múltiplos toques simultâneos nas telas de celulares como interface e mecanismo de controle de funções e aplicações dos dispositivos [como no iPhone] pode estar com os dias contados. a neuroSKY, empresa do silicon valley, acaba de demonstrar que ondas cerebrais podem -na prática- controlar aplicações em telefones celulares.

neurosky-brain-control.jpg

por enquanto [veja as fotos aqui], o protótipo usa uma certa parafernália, mas a empresa pretende reduzi-lo a um único chip. o que você precisaria fazer pra usar a coisa? um scanner perto de cérebro [hoje, seu óculos, seu boné... um implante, no futuro?] e um receptor no celular, com os drivers apropriados.

na demo, um usuário conseguiu, com sucesso, mover caracteres de um jogo, em um celular nokia, que andavam tão mais rápido quanto maior era a concentração mental do jogador. radical. breve, num celular perto de você.

Blogs que citam este Post

06.10.08

radiação e [ou melhor, em] você

Tags:, , , , - srlm às 00:34

não faz muito tempo, este blog publicou um texto sobre mais uma daquelas pesquisas que apontam, vez por outra, que a radiação emitida por telefones celulares dá câncer [ou não]. volte lá pra ler. pode ser que o assunto lhe interesse. afinal de contas, você [e eu] vivemos com um celular colado ao ouvido [e tão perto do cérebro quanto].

esta discussão [entre outras que têm a ver com radiação não-ionizante] estará no brasil durante toda a semana que vem, de 14 a 18, no planetário do rio de janeiro, no 6º seminário internacional ICNIRP sobre radiações não-ionizantes, evento que ocorre uma vez a cada quatro anos em algum lugar do mundo, organizado pela ICNIRP [comissão internacional de proteção contra radiações não-ionizantes].

segundo o site do eventoOs riscos potenciais da exposição a campos eletromagnéticos (CEM) devido a instalações como linhas de transmissão e estações radio-base de telefonia celular móvel representam um difícil conjunto de desafios para os tomadores de decisão. Esses desafios incluem determinar se existe ameaça na exposição aos CEM e qual seu impacto potencial sobre a saúde, isto é, avaliar o risco, o que envolve pesquisas sobre efeitos biológicos e estudos epidemiológicos; reconhecer as razões que levam à preocupação por parte do público, ou seja, percepção de risco; e implementar políticas que protejam a saúde pública e respondam às preocupações do público, o que significa gerência de risco. Esse tema é de extrema relevância não somente pela larga utilização de fontes emissoras de campos eletromagnéticos, tais como as linhas de transmissão de energia elétrica, instalações e aparelhos de telefonia celular e outros equipamentos eletro-eletrônicos, mas também pelo impacto causado na sociedade pelas notícias acerca de possíveis efeitos sobre a saúde humana veiculadas pela mídia.

e mais… No Brasil, a instalação de novas linhas de transmissão de energia elétrica e de torres de telefonia celular tem provocado reação popular em alguns locais, inclusive seguida de processos judiciais. Além disso, várias iniciativas legislativas, nos três níveis de governo, têm ampliado a discussão sobre o tema. Diante desse cenário, reputa-se essencial a criação de espaço de reflexão acerca das questões fundamentais, que leve a uma agenda brasileira de geração de conhecimento científico e tecnológico e de sua disseminação para o público. Esta última demanda uma estratégia de comunicação de risco não só por parte de institutos de pesquisa e universidades, mas também de empresas operadoras, de agências reguladoras, de formuladores de política e da mídia.

claro que o problema de radiação eletromagnética na sociedade não é criado apenas por telefones celulares e seus sistemas de suporte, como estações rádio-base. a ICNIRP trata de todo o banho de radiação artificial, entre 0 e 300GHz, ao qual a humanidade e a ecologia estão submetidos. seu forno de micro-ondas, o controle remoto da TV, a própria TV, são fontes de radiação eletromagnética. pense ligado na tomada, tem a ver com CEM. pense comunicação, tem a ver com CEM. e isso tudo tem a ver com as resoluções da ICNIRP sobre o que é aceitável ou não para seres humanos e para o ambiente.

e a ICNIRP não é unanimidade: há quem diga que a comissão ignora que boa parte da ciência sobre o assunto não é conclusiva e sai publicando limites de segurança que… não são seguros. há quem diga que a comissão está para aderir ao padrão australiano para emissão eletromagnética de redes elétricas caseiras e de locais de trabalho, que "aceita" campos eletromagnéticos três vezes mais altos do que sua atual recomendação. veja estes links. e mais este aqui.

por isso que a rodada de discussão do rio é muito importante. há uma tentativa de universalizar os níveis considerados seguros para CEM em todos os países, o que certamente vai ter implicações importantes para nossa saúde. enquanto isso, saiba que, se depender do ICNIRP e seus limites, aquela antena de estação rádio-base de celular no teto do seu prédio é… segura.

 

Blogs que citam este Post

Posts mais antigos »

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol