Terra Magazine

domingo, 11 de setembro de 2011

a vida: eterna? como?

a fonte da juventude tem muito mais cartaz do que o el dorado. o ouro do segundo, se existisse, só poderia ser gasto aqui e agora. nas condições atuais –e, ainda mais, quando o mito da cidade de ouro estava mais aceso, antes de google maps e GPS- todo o ouro do mundo não compraria a vida eterna. até porque a igreja católica saiu do mercado e igrejas mais recentes, que entraram atrasadas no negócio, não estão entregando o pago e prometido.

image

pois bem. independentemente do contexto religioso, há razões outras para se pensar na vida eterna. uma delas é de puro e simples balanço energético: imagine o custo de se atingir a maturidade, ainda mais chegando lá unindo conhecimento e sabedoria. cada humano que desaparece leva, consigo, não só sua atividade e história pessoal; além de deixar um vazio na história dos que ficam, a morte de cada um de nós representa um imenso desperdício de energia.

se olhamos para seres humanos como consumidores de energia, que é acumulada na forma de realizações e conhecimento, cada um de nós consome, hoje, o equivalente a mais de 70 bilhões de joules por ano. em 80 anos de vida, seriam perto de 6 trilhões de joules. consumimos muito mais energia por ano do que um homem das cavernas o faria em toda sua vida.

image

sim: e 6 trilhões de joules é o que, mesmo? pense gasolina: um litro tem cerca de 40 milhões de joules. se seu mundo fosse movido só a gasolina, consumiria o equivalente a 150.000 litros da coisa durante sua vida, pouco mais de 5 litros por dia. parece pouco? cinco carretas de trinta toneladas de combustível cada uma não é pouco; sempre que passar por uma, na rua, lembre-se que sua vida são cinco delas. hoje. e está aumentando 10% a.a.

image

mas o que é que isso tem a ver com a vida eterna? se somos tão "caros", é bem capaz de haver razões, acima de nossa vontade pessoal de viver "para sempre", para preservar a energia consumida no processo de desenvolver um ser humano maduro e sábio.

assumindo que esta seja uma das razões por trás das respostas a uma pergunta feita pelo IEET [o instituto para ética e tecnologias emergentes], veja abaixo no que deu a pergunta "que expectativas você tem em relação à duração de sua própria vida?"…

image

entre os que têm 35 anos ou mais, a maioria acha que vai morrer dentro da expectativa normal de vida de um ser humano. apenas 21% acha que pode viver por séculos a fio no seu corpo atual e 19% acredita que poderá ter sua mente "uploaded" para um computador algum dia. entre os que têm menos de 35 anos, as porcentagens são 32% [morrer "como um humano atual"], 36% [viver por séculos...] e 26% [fazer um "upload"].

este público não é "normal", para qualquer idade. são leitores do IEET, que se dedica a singularidade, trans-humanismo e similares. ou seja, gente que, a priori, acha que pode rolar [de uma forma ou de outra] uma vida eterna básica. deixando a pura e simples vida eterna [séculos a fio no mesmo corpo] pra lá, por enquanto, face à complexidade das implicações éticas e morais [por exemplo, qual o significado de "prisão perpétua" na "vida eterna"?...], que tal considerar "uploading" como forma de não perder [toda] a energia gasta pra chegar um certo ponto da vida? mas… que ponto? qualquer ponto: a priori, todas as mentes deveriam ser "uploaded"… e nenhuma delas poderia "se perder".

o conceito de "uploading" não é trivial e, de certo ponto de vista filosófico, é simplesmente impossível. mas, se for realizável, pode ter consequências não triviais para o futuro do que chamamos de humanidade. neste relatório de 130 páginas, nick bostrom e anders sandberg explicitam algumas das possibilidades…

Brain emulation is the logical endpoint of computational neuroscience’s
attempts to accurately model neurons and brain systems…

…emulação cerebral é uma consequência lógica das tentativas de modelar, de forma precisa, neurônios e sistemas neuronais;

Neuromorphic engineering based on partial results would be useful in a
number of applications such as pattern recognition, AI and brain‐computer interfaces…

…a engenharia resultante deste tipo de esforço de pesquisa seria muito útil em aplicações como reconhecimento de padrões, inteligência artificial e interfaces humano-computador;

The economic impact of copyable brains could be immense, and could have profound societal consequences…

…o impacto econômico [a economia de energia, por exemplo, entre muitos outros] poderia ser imenso, gerando profundas consequências sociais;

If emulation of particular brains is possible and affordable, and if concerns about individual identity can be met, such emulation would enable back‐up copies and “digital immortality”…

…se a emulação de cérebros específicos for possível, e se os problemas de identidade puderem ser resolvidos, seria possível fazer backups de mentes e, por isso, atingir uma "imortalidade digital"… e…

Brain emulation would itself be a test of many ideas in the philosophy of
mind and philosophy of identity, or provide a novel context for thinking
about such ideas…

a emulação de cérebros seria, ela própria, um teste para uma miríade de ideias das filosofias da mente e identidade ou, no mínimo, criaria um novo contexto para pensar sobre tais ideias.

image

tecnologia é o domínio da possibilidade. se é possível ser feito, em qualquer área de expertise humana sobre métodos, técnicas e ferramentas, é feito. por alguém, algum dia, de alguma forma. a ciência, domínio da verdade, cuida dos "por quês" depois e irá, se der, descobrir as bases para o funcionamento do que está funcionando. quase tudo o que usamos de software, por exemplo, é assim. por fim, as humanidades irão teorizar sobre o uso das tecnologias e nós, enfim, entenderemos o que estamos usando há tanto tempo e quais são as consequências daquilo tudo.

a "pesquisa" do IEET mostra que há um mercado potencial de pessoas que almejam viver pra sempre, real ou digitalmente. do lado de cá, estamos entendendo, cada vez mais, do espaço físico, da vida e da mente. os dois últimos são, cada vez mais, codificados em termos de informação e conhecimento e, ainda mais, entendidos como software, dentro de um contexto em que "tudo é software". 

se for –e parece que é…- tudo será escrito de forma executável por máquina. e reescrito. evoluirá até que, alguma hora, uploading seja possível. se isso rolar, vamos ter descoberto, também, como fazer downloading… e, se tudo der certo, faremos download de partes de uma mente e não da coisa toda. tipo… aprender mandarin por downloading. pode nunca ser possível mas… pense nas consequências: e se for? quanta energia a gente economizaria?…

energia, energia: a vida depende, intrinsecamente, dela. tudo o que for possível para economizar [ou maximizar os resultados d]o uso de energia será feito. tomara que a as consequências, quando conseguirmos entendê-las, sejam administráveis. tomara.

image

[PS: rafael evangelista acaba de publicar {10/09/2011} "Singularidade: de humanos feitos simples máquinas em rede", na revista ConCiência; leitura deste link tem tudo a ver com o texto discutido aqui].

 

Blogs que citam este Post

sexta-feira, 15 de abril de 2011

celulares e cérebro: a [longa]discussão continua

Tags:, , - srlm às 08:00

em 2006 escrevi [no meu antigo blog] sobre celulares e câncer cerebral, seguindo a pista de um estudo sueco coordenado por lennart hardell, que anunciava uma catástrofe de proporções bíblicas:

usuários contumazes de celular têm 240% mais chance de contrair um tumor maligno no lado do cérebro onde usam o celular. usuário contumaz é definido como alguém que já usou mais de 2.000 horas de celular [cerca de uma hora por dia, no trabalho, por dez anos seguidos].

este link leva a uma apresentação de hardell na royal society e este outro a uma cópia do texto original da pesquisa, pooled analysis of two case–control studies on use of cellular and cordless telephones and the risk for malignant brain tumours diagnosed in 1997–2003.

parte da comunidade internacional de oncologia rebateu o texto de hardell et al. de forma severa, questionando o estudo de cabo a rabo. apesar disso, e no mesmo ano, hardell e mild viram confirmadas seus estudos de 2002 e 2003 apontando uma correlação entre o uso intenso de celulares e neuromas acústicos, fato que discutem neste texto.

aqui no terra, o assunto apareceu pelo menos tres vezes: em junho de 2008, relatando um estudo australiano dizendo que…

o risco de desenvolvimento de câncer de cérebro é duplicado pelo uso constante de celulares em longos períodos de tempo, tipo dez anos ou mais.

em outubro de 2008 foi realizada no rio de janeiro uma conferência sobre o impacto dos campos eletromagnéticos sobre coisas vivas [inclusive nós] e o blog deu conta da discussão neste texto, citando o site do evento:

Os riscos potenciais da exposição a campos eletromagnéticos (CEM) devido a instalações como linhas de transmissão e estações radio-base de telefonia celular móvel representam um difícil conjunto de desafios para os tomadores de decisão.

Esses desafios incluem determinar se existe ameaça na exposição aos CEM e qual seu impacto potencial sobre a saúde, isto é, avaliar o risco, o que envolve pesquisas sobre efeitos biológicos e estudos epidemiológicos; reconhecer as razões que levam à preocupação por parte do público, ou seja, percepção de risco; e implementar políticas que protejam a saúde pública e respondam às preocupações do público, o que significa gerência de risco.

Esse tema é de extrema relevância não somente pela larga utilização de fontes emissoras de campos eletromagnéticos, tais como as linhas de transmissão de energia elétrica, instalações e aparelhos de telefonia celular e outros equipamentos eletro-eletrônicos, mas também pelo impacto causado na sociedade pelas notícias acerca de possíveis efeitos sobre a saúde humana veiculadas pela mídia.

naquele tempo, o assunto era quente e o evento idem. esta apresentação, de maria feychting, comparava todas as evidências epidemiológicas e concluía que…

Taken together, evidence support that short term mobile phone use (<10 years) do not affect risk. For long term mobile phone use, >10 years, most data speak against an increased risk. Some uncertainty regarding ipsilateral use –recall bias is likely to affect findings. No data available for use more than 15 – 20 years. Mobile phones are still relatively new. No data available on children.

resumo? excetuando o estudo de hardell et al., os outros dizem que não há aumento de risco de tumores para uso intenso de celular em períodos de dez anos. e que nada se pode dizer sobre crianças e celulares. e a dra. feychting [e muita gente mais] não levou em conta o estudo australiano.

em novembro do mesmo ano, estava para sair o estudo INTERPHONE e o blog voltou ao assunto:

…talvez esteja para ser publicado, depois de oito longos anos, o maior estudo mundial sobre o assunto, o relatório final do INTERPHONE, esforço conjunto de 13 países e dezenas de pesquisadores estudando mais de 6.000 usuários de celulares que contraíram câncer. o estudo tinha o objetivo de decidir se o uso continuado de celulares, por um longo período de tempo [mais de 10 anos], aumenta ou não o risco de alguns tipos de câncer, incluindo glioma e neuroma acústico.

a data de publicação do estudo, na verdade, já passou e o resultado não saiu ainda porque os pesquisadores se dividiram em três grupos: os que acham que SIM, celulares aumentam significativamente o risco de câncer, que inclui, entre outros, pesquisadores de israel e austrália, os que dizem que NÃO, a coisa é segura [com cientistas do canadá e inglaterra liderando esta versão] e os que não se manifestaram, achando que a evidência existe em certas situações e não em outras.

a situação é, para dizer o mínimo, confusa: as facções SIM e NÃO se separaram de tal maneira, no correr do estudo, que muita gente já nem mais se fala. nem de celular!… e há quem diga que, apesar de haver resultados alguns resultados locais irrefutáveis [100% de aumento de risco para alguns tipos de câncer em certos países], é capaz de, por isso mesmo, acabar se chegando a nenhuma conclusão. e tem mais: duvida-se, hoje, da seleção da amostra e da corretude dos procedimentos da pesquisa adotados pelos grupos de estudo.

ou seja: maior rolo. quando foi publicado em maio de 2010, o estudo concluía que…

This is the largest study of the risk of brain tumours in relation to mobile phone use conducted to date and it included substantial numbers of subjects who had used mobile phones for >=10 years. Overall, no increase in risk of either glioma or meningioma was observed in association with use of mobile phones. There were suggestions of an increased risk of glioma, and much less so meningioma, at the highest exposure levels, for ipsilateral exposures and, for glioma, for tumours in the temporal lobe. However, biases and errors limit the strength of the conclusions we can draw from these analyses and prevent a causal interpretation.

…não se encontrou evidência científica de aumento de risco de tumores, além de "sugestões" de que tal era o caso para alguns tipos de câncer… mas erros e polarização de experimentos limitavam tais conclusões.

imagefim de semana passado o new york times magazine publicou uma história sobre o assunto [longa, 10 páginas] escrita por siddhartha mukherjee, professor de oncologia da universidade de colúmbia, que cita um estudo –este aparentemente conclusivo- liderado por nora volkow [diretora do NIDA americano] dando conta de que a intensidade de uso e proximidade de celulares aumenta o metabolismo de glucose na área do cérebro imediatamente adjacente à antena. a conclusão do estudo de volkow et al. é…

In healthy participants and compared with no exposure, 50-minute cell phone exposure was associated with increased brain glucose metabolism in the region closest to the antenna. This finding is of unknown clinical significance.

a última frase quer dizer que não se sabe o que o achado significa. aumento do metabolismo de glucose no cérebro pode ser bom ou ruim. mais ainda, pode ser bom para uns e ruim para outros, ou ainda bom e ruim em diferentes fases da vida do mesmo indivíduo, e por aí vai.

ainda mais, continuamos sem saber ao certo quais são as consequências de longo prazo do uso de celulares, especialmente de forma muito intensiva e perto do cérebro. talvez seja interessante lembrar que a penetração cada vez maior de smartphones talvez leve grande parte das pessoas a se comunicar mais através de chat, twitter, facebook, twitter e coisas do tipo e o uso do celular por longos períodos de tempo perto do cérebro diminua. quem sabe.

imagemas parece que há um conjunto de relações entre certas mudanças no cérebro e a presença de celulares em sua proximidade. lá no meu velho blog, em 2007, citei um estudo em animais de laboratório realizado por salford et al, em 2003, concluindo que a exposição contínua a radiação equivalente a celulares causa o rompimento da barreira sangue cérebro [BBB, em inglês]. e isso pode [como na síndrome de sanfilippo] ter implicações complexas, no longo prazo, para a saúde do cérebro.

mas a complexidade pode estar do lado bom… como citamos neste texto publicado aqui no blog em janeiro de 2010:

…gary arendash, da university of south florida, expôs ratos geneticamente modificados para terem a doença de alzheimer a duas horas diárias de radiação similar a dos celulares, por períodos de sete a nove meses.

o que ele e seus colegas esperavam era que a exposição intensa ao “celular” aumentasse os efeitos do mal de alzheimer, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário: mesmo com alzheimer, ratos “banhados” por radiação de celulares mostraram ser tão capazes, em testes de raciocínio e memória, quanto ratos saudáveis. por que? aparentemente porque a radiação celular controla [ou zera] o nível de beta amilóide no cérebro, diminuindo e até revertendo os efeitos da doença.

resultado? arendash acredita que é preciso investir em um novo campo da neurociência, o de efeitos de longo prazo do eletromagnetismo na memória. pode ser. e pode ser que a radiação de celulares seja mesmo benéfica para seres humanos com alzheimer.

image

e você diria: juntando todas as peças do quebra-cabeças, como fico nessa?

não se sabe. é fato que quase todo mundo vai usar celular. a penetração global já está nos 80% da população. uma descoberta definitiva de que o uso intenso de celulares, no longo prazo, teria um efeito maléfico sobre o cérebro causaria um problema de tal ordem de magnitude que levaria a uma revolução inovadora, tanto do ponto de vista tecnológico como de costumes.

para muitas empresas e negócios, uma descoberta deste tipo seria fatal. até por isso, há quem suspeite da manipulação da maioria dos estudos que aponta a falta de provas científicas que leve celulares a causarem tumores cerebrais, mesmo sem haver qualquer evidência concreta para tal acusação.

se você quiser apostar no lado ruim da força, só use celular para o absolutamente necessário, seja lá pra que for, perto de seja lá que parte do corpo for.

olhando pelo lado bom, mesmo que apareçam evidências mais conclusivas de efeitos no cérebro, você pode apostar este aumento do metabolismo de glucose é uma vacina contra alzheimer, que a quebra da barreira sangue cérebro não é lá tão importante assim… e, caso role uma complicação maior como efeito colateral, vai ser daqui a tanto tempo que você não vai estar nem aí. literalmente, e por outras e mais letais razões.

só que isso não resolve tudo. com crianças de 10 anos e menos usando intensivamente seus celulares, cortesia de planos que permitem ligar para a família "de graça"… quais serão as consequências em 50…70 anos?

image

ninguém sabe. os blogs do futuro têm uma pauta quase infinita sobre este tema. é esperar pra ver.

Blogs que citam este Post

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

a próxima [?] grande rede…

Tags:, , , - srlm às 06:12

estou lendo year million, [science at the far edge of knowledge], coletânea de textos sobre o que pode vir a ser a ciência –e seus resultados e aplicações- num futuro muito distante. tipo daqui a um milhão de anos.

o livro, editado por damien broderick, tem 14 capítulos, varrendo desde os hominídeos [como foi, mesmo, que tudo começou?] até, literalmente, o fim do mundo [do universo, de uma vez por todas], daqui a uns 10 decilhões de anos.

o capítulo três, escrito por steven b. harris, a million years of evolution, é especialmente interessante. harris considera o que pode vir a acontecer com os cérebros, em função de tudo o que ainda vamos aprender sobre o principal componente do corpo humano.

segundo harris, se tudo correr bem, vamos aprender a conectar cérebros uns aos outros. de verdade e de tal forma que a expressão “vamos pensar juntos” vai ser muito mais que metáfora. e a próxima rede a mudar o mundo, de vez, seremos nós próprios.

pra isso, precisaremos de conexões muito mais sofisticadas do que se consegue, hoje, espetando eletrodos  e usando conexões frankensteinianas [a “alta tecnologia" de muitos labs de neuroX de hoje…] pra ligar cérebros através de uma internet rudimentar.

se –ou quando- rolar, as consequências serão fantásticas. se compartilharmos, verdadeiramente, parte do ocorre no cérebro de nossos parceiros [amigos, colegas de trabalho…] será que vamos ficar “contaminados” pelas suas memórias, experiências, intuições e emoções, por exemplo? será que vamos [ainda] poder guardar qualquer tipo de segredo?…

harris supõe que, antes que seja possível entrarmos no estágio “mentanet” de nossas vidas em rede, teremos que aprender muito mais sobre o cérebro e os usos que fazemos e faremos dele. ou deles. no futuro, muito mais do que mentes compostas [a nossa, em contexto] ou estendidas pelo ambiente, poderemos vir a ter mentes que resultam de muitos cérebros verdadeiramente em rede.

e vai ser muito difícil –pelo menos com os mecanismos de que dispomos hoje- saber quem é seu verdadeiro eu. ou se, quando você fez alguma coisa, era você mesmo que estava em controle. a vida vai ficar muito mais complicada do que já é. mas que vai ser muito mais interessante, isso vai…

Blogs que citam este Post

quarta-feira, 18 de março de 2009

seu cérebro, eletrônico?

cientistas de quinze instituições em sete países europeus estão trabalhando para criar o que chamam de “cérebro num chip”, uma máquina –a longo prazo- capaz de reproduzir o funcionamento de um cérebro humano a partir de suas características primárias.

não se trata de um desafio menor. um cérebro humano adulto contém cerca de 100 bilhões de neurônios, que podem ser tratados como unidades fundamentais de armazenamento e processamento de informação. e o número de conexões [as sinapses] entre os neurônios é gigantesco: estima-se que um cérebro humano adulto tenha entre 100 e 500 trilhões delas.

se formos comparar, o supercomputador mais rápido do mundo, o IBM roadrunner, tem “apenas” 129.600 processadores, interligados por míseras 10.000 conexões, intermediadas por quase cem quilômetros de fibra ótica. a máquina, usada pelo governo americano, é capaz de realizar mais de um quatrilhão de operações de cálculo por segundo. se a população da terra, munida de calculadoras, fizesse um cálculo por segundo por pessoa, levaríamos [em conjunto] 46 anos pra fazer as contas que roadrunner faz num único dia.

isso quer dizer que roadrunner é muito rápido pra calcular e que nós somos muito lentos neste particular. mas nosso cérebro é capaz de feitos muito mais radicais do que qualquer computador atual. que tal ouvir música, falar ao telefone, ver e ouvir TV, andar e comer, tudo ao mesmo tempo, sem deixar de admirar a lua na janela… estima-se que aqueles 100 bilhões de neurônios de que falamos sejam, em conjunto, 10.000 vezes mais rápidos do que um roadrunner.

acontece que a capacidade dos supercomputadores vem aumentando a taxas superiores a 1.000 vezes por década, e dá pra prever que o primeiro supercomputador capaz de realizar uma simulação completa de um cérebro humano em tempo real [cada segundo de simulação corresponde a um segundo de realidade] estará por aqui em 2018. se você quiser comprar um, prepare-se pra desembolsar de cem a duzentos milhões de dólares.

image a rota que uma rede de cientistas europeus está trilhando é outra: o projeto [FACETS, Fast Analog Computing with Emergent Transient States] almeja construir um cérebro, literalmente, “eletrônico”. a primeira versão, que já está pronta e funcionando, é mero brinquedo: são apenas 300 neurônios e parcas 500.000 sinapses em um único chip. apesar de bastante limitado, os componentes eletrônicos envolvidos são 100.000 vezes mais rápidos do que seus equivalentes biológicos no cérebro. isso torna possível, em tese, simular um dia inteiro em um segundo.

a próxima fase do projeto FACETS tem por objetivo usar um wafer [disco onde são construídos os circuitos integrados] de 20cm de diâmetro para implementar 200.000 neurônios e 50 milhões de sinapses, reunindo todas as recentes descobertas da neurociência em um único pacote. espera-se que os computadores “neurais” estejam no mercado dentro de meia década, mas nem pense –ainda- em trocar seu cérebro por um deles.

o primeiro uso de tal capacidade de processamento talvez seja como co-processador em computadores pessoais, para auxiliar humanos em tarefas outras que não cálculo matemático puro e simples. se o problema é calcular, máquinas como roadrunner podem até continuar imbatíveis. mas nem tudo na vida é cálculo. computadores neurais –ou, quem sabe, “cérebros eletrônicos”- serão usados para entender e participar –conosco- de situações complexas, como perguntar, entender e explicar [conceitos, lugares,…], participar de conversações, auxiliar na tomada de decisões nos negócios… tentar controlar nossos medos, afinal, fazer o que nossos próprios cérebros fazem. incluindo, claro, escrever e comentar blogs!…

imageo esforço do projeto FACETS não é único e pouco menos a única forma de tentar resolver o problema de simulação completa de um cérebro humano. para saber como os suícos da EPFL estão tratando o assunto no projeto blue brain, usando um parente distante e bem menos capaz do roadrunner, clique aqui.

para ver como o problema maior, entender o cérebro humano e construir equivalentes artificiais, é importante e relevante, vá ver um post deste blog, de outubro do ano passado, onde se reporta que a darpa, agência americana de projetos de defesa, resolveu colocar, como primeiro da sua lista de 23 problemas mais importantes do séculodesenvolver uma teoria matemática que leve à construção de um modelo do cérebro [humano] que seja matematicamente consistente e preditivo, ao invés de meramente inspirado em biologia…

para saber mais sobre o cérebro, veja o post deste link, neste blog, onde se concluia que…

nosso conhecimento sobre a parte do corpo que realmente nos move ainda é extremamente primário; nas próximas décadas, saberemos muito mais sobre como o cérebro, de fato, funciona. e teremos uma capacidade muito maior e mais precisa para resolver seus problemas, quando ocorrerem. e talvez para construir artefatos que se comportem como se tivessem, digamos, um "cérebro" como o nosso.

alguns sistemas nem tão primários já estão sendo testados em laboratório [veja aqui e aqui] e os resultados são muito interessantes. o objetivo último deste tipo de esforço é construir um sistema artificial consciente, o que gerald edelman considera que seria a notícia mais fantástica de todos os tempos, talvez perdendo em interesse apenas para mensagens de [ou encontros com] extra-terrestres

ao mesmo tempo, e à medida em que as tecnologias associadas começarem a emergir, vamos poder alterar o cérebro, aqui e ali, para tentar fazer com que ele faça coisas de que não é capaz hoje [e não faça outras que julgarmos "desnecessárias"]. e é aí que moram a oportunidade o perigo: reprogramar cérebros, alterando o pool de proteínas das conexões neuronais, por exemplo, não é algo trivial e de conseqüências triviais. mas será possível e, sendo possível, será feito. quem viver verá.

Blogs que citam este Post

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

sexo eletrônico: daqui a dez natais?

Tags:, , , , - srlm às 10:00

pesquisadores ingleses estão trabalhando num chip, implantável no cérebro, para estimular centros de prazer. dispositivo semelhante já vem sendo usado nos estados unidos para compensar efeitos do mal de parkinson [vide imagem abaixo], mas o foco do trabalho de morten kringelbach, em oxford, é o córtex orbitofrontal, que está ligado a nossas escolhas e sensações relativas a drogas, dinheiro e sexo.

wirehead parkinson

pra quem já está pensando em incluir o gadget em sua lista tardia de presentes de natal, calma lá: segundo o time de pesquisadores, apesar do dispositivo estar mais ou menos resolvido, os procedimentos cirúrgicos para seu implante ainda são primários e precisam de pelo menos uma década de desenvolvimento, prazo em que o próprio dispositivo [e suas conexões com o cérebro de seu hospedeiro] deve ser muito aperfeiçoado.

segundo a equipe, as próximas gerações deste tipo de tecnologia levarão ao uso de estimulação profunda do cérebro a muitas novas áreas, com o "usuário" assumindo o controle do processo e podendo "desligar" seu co-processador [sexual, neste caso] quando bem entender.

era só o que faltava. mas, pra muita gente, falta mesmo e vai estar nas listas de presentes de natal assim que aparecer no mercado. tomara, para o bem de todos e felicidade geral da nação, que [aqui no brasil] esteja disponível pelo SUS… [porque papai noel, daqui pra lá, pode ter se mandado pra marte]. FELIZ NATAL!…

claus mars

Blogs que citam este Post

sábado, 8 de novembro de 2008

celulares sem teclado… de uma vez por todas

Tags:, , , , - srlm às 12:00

este negócio de múltiplos toques simultâneos nas telas de celulares como interface e mecanismo de controle de funções e aplicações dos dispositivos [como no iPhone] pode estar com os dias contados. a neuroSKY, empresa do silicon valley, acaba de demonstrar que ondas cerebrais podem -na prática- controlar aplicações em telefones celulares.

neurosky-brain-control.jpg

por enquanto [veja as fotos aqui], o protótipo usa uma certa parafernália, mas a empresa pretende reduzi-lo a um único chip. o que você precisaria fazer pra usar a coisa? um scanner perto de cérebro [hoje, seu óculos, seu boné... um implante, no futuro?] e um receptor no celular, com os drivers apropriados.

na demo, um usuário conseguiu, com sucesso, mover caracteres de um jogo, em um celular nokia, que andavam tão mais rápido quanto maior era a concentração mental do jogador. radical. breve, num celular perto de você.

Blogs que citam este Post

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

memória? que memória?…

Tags:, , , - srlm às 16:02

philip_k_dick.jpg

philip k. dick [foto à esquerda] publicou uma mini-novela surpreendente no Magazine of Fantasy & Science Fiction de abril de 1966. We Can Remember It for You Wholesale é uma mistura de realidade e memórias reais e falsas, que gira em torno de uma visita de turismo, ao planeta marte, por um cara que não tem recursos pra ir até lá de verdade. o problema é que, quando douglas quail, o candidato a turista virtual, visita a REKAL, empresa especializada na instalação de memórias falsas, se descobre que ele, de fato, foi a marte em missão secreta do governo. e aí a confusão começa de verdade, no texto que deu origem ao filme Total Recall. consiga uma cópia do original pra ler; é dez vezes melhor do que o filme.

na vida real, e bem recentemente, cientistas liderados pelo neurobiologista joe tsien,do medical college of georgia, entenderam como apagar, de forma seletiva, a memória de ratos. o grupo de tsien está estudando a proteína alpha-CaMKII  e descobriu que a atividade da proteína -que tem parte no processo de  aprendizado e memória- pode ser manipulada de tal forma a fazer com que ratos geneticamente modificados esqueçam experiências dramáticas sem nenhum prejuízo de suas outras lembranças.

questionado sobre as aplicações do tratamento em humanos, tsien disse que"the human brain is so complex and dramatically different from the mouse brain. That’s why I say I don’t think it’s possible you can do the same thing in humans. However, if that happens in my lifetime, I wouldn’t be surprised either". em bom português?… acho que dá pra ser feito e que vai ser feito. mas não me perguntem se eu faria. provavelmente sim… mas não vou dizer isso agora, em público.

breve, num cérebro perto de você…

Blogs que citam este Post

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

hilbert, darpa, matemática e o cérebro

Tags:, , , , , - srlm às 10:02

darpa_50th_logo.jpga darpa é a agência americana encarregada, há 50 anos, de pensar o futuro e criar as tecnologias que os [militares] americanos precisam. ou acham que vão precisar. e que, em alguns casos, se transformam em utilidade para todo o mundo. duas? a internet e GPS. próxima da lista? veículos completamente autônomos em tráfego urbano, talvez.

como tem que pensar no longo prazo [coisa que falta, quase sempre, à periferia], vez por outra os problemas que trata parecem não fazer nenhum sentido. muito menos quando se pensa na prática, no mundo real. mas talvez a gente deva lembrar que a internet, cujos fundamentos são dos anos 60, não fazia o menor sentido lá na partida. e não conseguiríamos mais viver sem ela, hoje.

certamente inspirada em uma das mais famosas listas de problemas de matemática de todos os tempos, enunciada por david hilbert em 1900, a darpa lançou uma relação do que considera os grandes problemas para os quais a matemática [e computação, e ciência] deveria encontrar uma solução daqui pra frente. os "novos" problemas são 23, o mesmo número de hilbert, e por sinal o dia, num janeiro de 1862, em que nasceu o grande matemático alemão. matemática cabalística, talvez, ou um búzio virtual para atrair boa sorte pra nova busca.

o primeiro problema da lista não é trivial: develop a mathematical theory to build a functional model of the brain that is thought-helmet-military-usa1.jpgmathematically consistent and predictive rather than merely biologically inspired. ou seja: desenvolver uma teoria matemática que leve à construção de um modelo do cérebro [humano] que seja matematicamente consistente e preditivo, ao invés de meramente inspirado em biologia. pode esperar um monte de ação ao redor deste tema, até porque "investigar", para a darpa, significa "investir". e, normalmente, muito.

o segundo problema não é menos complexo… develop the high-dimensional mathematics needed to accurately model and predict behavior in large-scale distributed networks that evolve over time occurring in communication, biology and the social sciences. ou desenvolver a matemática de alta ordem necessária para modelar e prever o comportamento de redes distribuidas que evoluem com o tempo e que ocorrem, naturalmente, em comunicação, biologia e ciências sociais.

desafios como estes, propostos pela darpa e por hilbert, são fundamentais para o avanço da ciência. lá atrás, kurt gödel mostrou que o segundo problema de hilbert [é possível provar a consistência dos axiomas da lógica?] tem resposta negativa, ou seja, que qualquer sistema lógico minimamente interessante não pode ser provado consistente, e muito menos provado consistente dentro do próprio sistema. e isso foi o fim do sonho de hilbert de criar uma matemática completa e consistente.

o primeiro problema da darpa, se resolvido a contento, nos daria a possibilidade de… escrever cérebros, pelo menos em tese. dado um modelo "matemático", ou formal, do funcionamento do cérebro, poderíamos escrever um simulador de tal modelo teórico em software [ou o próprio modelo poderia ser descrito, de forma razoavelmente abstrata, em software] e ter, a nosso serviço, cérebros abstratos. possibilidades incríveis se abririam a partir daí. basta pensar um pouco, usando o seu… cérebro concreto.

o problema é que, lá no enunciado, está a mesma palavrinha chata usada por hilbert há cento e tantos anos: consistência. talvez, de novo, não dê pra chegar lá. mas mesmo assim vamos tentar. alguma coisa vamos conseguir, talvez mostrar que o cérebro não é passível de uma descrição matemática consistente. o que já terá sido, se ocorrer, um grande resultado.

Blogs que citam este Post

domingo, 14 de setembro de 2008

a origem do cérebro humano

080608_brainevolution_300-nerves-synapses-edu-genes2cognition.jpggenes2cognition é um consórcio de alguns dos principais centros de pesquisa do planeta, cujo propósito é estudar genética, cérebros e comportamento de forma integrada.

o desafio do grupo é entender como o cérebro humano evoluiu até aqui e quais as vantagens e  "problemas" de "projeto e desenvolvimento" que geram certas capacidades e/ou deficiências.

as descobertas indicam que, ao longo de centenas de milhões de anos de evolução, certos tipos de animais passaram por uma evolução bem mais radical do que outros no que tange à complexidade das conexões existentes entre os nervos, as sinapses, no cérebro.

segundo o professor seth grant, do wellcome trust sanger institute, mais cérebro não significa mais capacidade ou poder de processamento de informação. de acordo com o professor… "apesar de muitos estudos terem considerado o número de neurônios no cérebro, nenhum estudou a composição molecular das conexões neuronais. e nós encontramos diferenças dramáticas na quantidade de proteínas nas conexões neuronais de diferentes espécies".

ainda segundo o professor"nós estudamos cerca de 600 proteínas encontradas nas sinapses dos mamíferos e ficamos surpresos ao encontrar apenas metade delas nas sinapses de invertebrados e somente um quarto do total em unicelulares, que obviamente não têm cérebro". 

finalmente, o professor grant conclui que "este trabalho está criando um modelo novo e simples para entender a origem e diversidade dos cérebros e o comportamento resultante em todas as espécies; nos estamos chegando mais perto de entender a lógica por trás da complexidade dos cérebros humanos".

depois de haver entendido boa parte do mundo físico ao nosso redor [o landScape] e estar no processo de descobrir as verdades sobre nossos corpos [o bodyScape], a ciência avança na direção da mente [o mindScape], tendo que para isso entender a evolução e os príncípios de funcionamento do cérebro.

nosso conhecimento sobre a parte do corpo que realmente nos move ainda é extremamente primário; nas próximas décadas, saberemos muito mais sobre como o cérebro, de fato, funciona. e teremos uma capacidade muito maior e mais precisa para resolver seus problemas, quando ocorrerem. e talvez para construir artefatos que se comportem como se tivessem, digamos, um "cérebro" como o nosso.

alguns sistemas nem tão primários já estão sendo testados em laboratório [veja aqui e aqui] e os resultados são muito interessantes. o objetivo último deste tipo de esforço é construir um sistema artificial consciente, o que gerald edelman considera que seria a notícia mais fantástica de todos os tempos, talvez perdendo em interesse apenas para mensagens de [ou encontros com] extra-terrestres

ao mesmo tempo, e à medida em que as tecnologias associadas começarem a emergir, vamos poder alterar o cérebro, aqui e ali, para tentar fazer com que ele faça coisas de que não é capaz hoje [e não faça outras que julgarmos "desnecessárias"]. e é aí que moram a oportunidade o perigo: reprogramar cérebros, alterando o pool de proteínas das conexões neuronais, por exemplo, não é algo trivial e de conseqüências triviais. mas será possível e, sendo possível, será feito. quem viver verá.

Blogs que citam este Post

terça-feira, 29 de julho de 2008

você tem medo de quê?

Tags:, , , - srlm às 17:25

080709-brain-fear_big.jpgcientistas parecem ter descoberto a região do cérebro que causa a vasta maioria dos medos e fobias. os neurônios intercalados [ITC] da amígdala [veja no diagrama da national geographic ao lado] são essenciais para "apagar" as memórias de medo [como sons, imagens e cenários] e permitir comportamentos normais em situações onde o contexto é semelhante [mas não igual] a um outro, anterior, onde tivemos muito medo.

quando os ITC não funcionam bem, as memórias não são apagadas, ou apagadas em parte, e ficamos com medo ou paralisados diante de contextos que a amígdala relaciona com situações de medo [e risco]. vêm daí as fobias a cobras, ratos, baratas e a certos sons e imagens.

o cérebro humano é uma gigantesca máquina de processar informação; são cem bilhões de neurônios trabalhando em paralelo e calculando, o tempo todo, nossas reações ao contexto. e o cérebro ainda é uma máquina muito pouco conhecida; descobertas como esta são parte do caminho para entendê-lo melhor e, conseqüentemente, melhorar a forma de programar nossos neurônios para realizar a contento suas funções.

ao contrário do que pode parecer, estamos programando o cérebro -deliberadamente- há milênios. as primeiras evidências de uso de ópio, por exemplo, datam de 10.000 AC, em pleno neolítico. mas pode ser que seu uso remonte aos homens de neandertal, 100.000 anos antes de cristo.a casca do salgueiro, cuja versão moderna é a aspirina, que modifica o comportamento cerebral para atenuar a sensação de dor, era conhecida desde hipócrates, no século V AC. a "programação" do cérebro usando drogas como ópio e aspirina foi descoberta quase por acaso, em épocas remotas, onde o funcionamento do sistema neuronal que nos guia era completamente desconhecido.

à medida que nosso conhecimento sobre o cérebro avança, e a passos largos, é cada vez mais provável que consigamos [re]programar cérebros para melhor reagir a estímulos externos. não vai ser nem um pouco mais fácil do que escrever programas para computadores. muito pelo contrário. mas pode dar resultados muito mais interessantes.

"programar" o cérebro pra ler [e escrever], por exemplo, talvez seja muito pouco em relação ao que pode ser feito, no longo prazo, depois que entendamos mais a nossa máquina cerebral. leitura e escrita foram fundamentais para criar a civilização como a entendemos hoje, até porque as regras da sociedade [e boa parte do contexto] dependem disso. mas pense o que poderíamos programar, se tentássemos… de verdade.

pra quem quiser se livrar de seu pavor de ratos, baratas e escuro, em breve um remédio na farmácia da esquina. pra quem quiser fazer integrais duplas bem rapidinho, no futuro próximo um programa na internet. pra fazer download [quase] direto pro seu cérebro. será?…

 

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol