Terra Magazine

31.10.09

tempo de twitinovação

Tags:, , , - srlm às 07:00

com a palavra, evan williams, CEO de twitter, talvez o negócio mais inusitado, improvável, querido e, quem sabe, do ponto de vista de retorno sobre investimento… entre os mais lucrativos do futuro próximo:

"Most companies or services on the Web start with wrong assumptions about what they are and what they’re for. Twitter struck an interesting balance of flexibility and malleability that allowed users to invent uses for it that weren’t anticipated."

…a maioria das companhias e serviços na web parte de pressupostos falsos sobre o que são e pra que servem. twitter atingiu um equilíbrio interessante entre flexibilidade e maleabilidade que permite inventar usos [do site, sistema] que não haviam sido antecipados.

agora ouça o que diz eric von hippel, autor de democratizing innovation, ninguém menos do que o líder do grupo de inovação e empreendedorismo da sloan school of management do MIT…

“Twitter’s smart enough, or lucky enough, to say, ‘Gee, let’s not try to compete with our users in designing this stuff, let’s outsource design to them’ ”…

…twitter é inteligente ou sortudo [ou esperto] o suficiente para dizer… “peraí, não vamos competir com nossos usuários no desenho deste negócio, vamos deixar que eles o façam, vamos terceirizar nossa inovação para nossa comunidade”.

image resumo? inove com seu público, seus usuários e clientes. mais: permita, crie espaços, entradas, infraestruturas para que sua comunidade se torne o motor de inovação do negócio. ela é parte essencial de sua empresa e cadeia de valor e sabe, ou vai descobrir, com você [se tiver chance e meios], o que é bom pra todos. e isso acaba sendo bom pra você, seu negócio e renda também.

caso contrário? todos se tornarão seus ex-usuários, serão parte de outra comunidade onde seja possível ser mais do que simples parte da audiência.

na web, aliás, audiência já era. pra sempre, aliás. ainda bem.

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27.09.09

propaganda “social” mais que duplica em um ano

os gastos americanos em publicidade “social”, na internet, já passam dos 100 milhões de dólares por mês. em agosto, foram US$108 milhões, 119% mais que no agosto de 2008. a explicação? 17% de todo o tempo gasto online, nos EUA, é investido em redes sociais. quase tres vezes mais, em agosto, do que há um ano.

image não resta nenhuma dúvida: as redes sociais “virtuais”, na internet, capturaram o que nós já sabiamos que somos, e há muito tempo. somos gregários, dependentes de contexto, especialmente de cenários, articulações, conversações e situações criadas por mais gente como nós.

daí pra mídia, propaganda e negócios virem atrás, é –foi- um passo. e o mesmo vai acontecer no brasil.

em agosto, orkut teve 27.9 milhões de usuários [segundo os critérios do ibope] só perdendo pra google [34.1 milhões] e superando os sites da microsoft e seus 27.7 milhões de usuários. detalhe: mesmo com seis milhões de usuários únicos a menos, a turma do orkut viu quase quatro bilhões de páginas a mais e praticamente empatou com google no tempo de uso. sem falar que esteve na rede social duas vezes e meia mais tempo do que o mesmo número de usuários dos sites da microsoft. rede social, relacionamento, construção coletiva de conhecimento… essa coisa pega. mesmo.

image

e não é pouca coisa não. é o tipo de coisa que faz com que investidores aportem US$100 milhões no twitter, elevando o valor da rede social de microblogging para nada menos que US$1 bilhão, mesmo que não haja, até agora, receita à vista.

mas twitter, com seus mais de quarenta milhões de usuários, e sem nenhum competidor em sua classe, pode muito bem ser uma das plataformas que serão usadas, no curto e médio prazos, para um grande número de serviços pessoais, comunitários e corporativos. daí o interesse dos investidores. e do mundo de gente que já está lá. e que faz com que a rede tenha mais audiência [e, em certos casos relevância…] do que muito jornal antigo e, outrora, grande.

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24.05.09

mídia social é… social

image ao invés de negocial, econômica ou financeira, no caso das redes sociais abertas. pelo menos é isso que mostra um estudo que bem recente da knowledge networks. segundo a pesquisa, 83% da população da internet na idade entre 13 e 54 anos usa mídias [ou redes] sociais como twitter, facebook, digg ou linkedin e muita gente, 47%, tá lá toda semana. e olhe que estamos falando de algo que não existia há cinco anos: mySpace, facebook, orkut, linkedin e bebo têm, todos, cerca de meia década.

que as pessoas estão de mudança pras redes sociais é inegável: nos últimos 12 meses, o número de visitantes únicos de google cresceu 1.8%, os de facebook 250% e os de twitter 1.192%. mas… não trate de mudar toda sua publicidade digital pras mídias sociais agora: menos de 5% usa as redes sociais para tomar decisões de compra de produtos ou serviços em nove categorias pesquisadas, de viagens [4%] a remédios [1%].

e tem mais: apenas 16% de todos pesquisados diz que anúncios em redes sociais os tornaria mais predispostos a comprar produtos ou serviços do anunciante. 502 pessoas foram consultadas, como parte de um painel que [em tese] representa toda a população dos EUA. não se conhece estudo semelhante para o brasil. de qualquer forma, ainda é preciso rodar muito pra entender como influenciar pessoas em uma rede social, principalmente se você é uma companhia e ainda acredita no “método direto”: criar uma campanha e botá-la, como se dizia nos tempos da TV, “no ar”. os tempos mudaram. radicalmente.

na época da TV, as pessoas faziam parte de uma coisa chamada audiência, que ficava sentada no sofá vendo o que estava rolando na telinha; e pouco mudou com o controle remoto. na rede, e principalmente nas redes sociais, além do controle do browser, cuja barra de endereços e clicks de mouse me levam para onde eu quiser [e não para onde o programador central queria me levar], são as pessoas que criam a “mídia”. por isso mesmo é sites como orkut e youTube são chamados de mídias “sociais”: todo mundo pode contribuir com seu conteúdo e influir na criação e consumo do conteúdo do resto do mundo. e a audiência virou comunidade. pra sempre.

resultado? estar conectado à família e amigos [sua “rede social” mais próxima] é o que leva 54% dos consultados pela knowledge networks a fazer parte de redes sociais; e isso deve ter a ver, também, com o fato de que 60% das pessoas só usa redes sociais a partir de casa. de todos os consultados, 34% disseram que usam as mídias sociais mais intensamente agora do que há um ano, enquanto 18% diminuiram a intensidade de sua participação.  o estudo, vale a pena lembrar, foi feito sobre redes sociais públicas, abertas, às quais qualquer um de nós pode ter acesso, bastando criar um par login/senha.

image no caso das empresas e seus produtos e serviços, e se elas criassem, para quem os adquire [ou pensa em], redes sociais que pudessem servir como mecanismo de articulação e plataforma de relacionamento, cooperação, colaboração e inovação, tanto para clientes e parceiros como para gestão de seu próprio conhecimento sobre o negócio, “abrindo” as portas de suas casas para seus usuários, que há tempos deixaram de ser mera “audiência”?…

isso –a rede social do “seu” negócio- poderia ser essencial para melhor conectar o dentro [como os projetistas de automóveis] e o fora [os motoristas, fornecedores e compradores em potencial] e estes muitos mundos passariam a fazer parte de uma mesma… rede!

o estudo da knowledge networks parece dizer que quando se cria uma “rede social” sobre um produto, processo ou empresa em um site “de” redes sociais, agrega-se valor ao site mais que à empresa ou produto. ainda que a empresa vá lá e, de certa forma, patrocine a coisa com seus anúncios. hora, na certa, de repensar como se deveria usar redes sociais nos negócios…

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