Terra Magazine

21.04.09

crise leva sun para os braços da oracle

Tags:, , , , - srlm às 10:23

a SUN microsystems, que já foi uma das empresas de tecnologia mais importantes da rede [arquitetura sparc, java, openOffice e, mais recentemente, mySql], e do mundo, esteve para ser vendida, poucas semanas atrás, para a IBM. não rolou. por um número de razões, a IBM desistiu em cima do laço. e há quem diga que a IBM, ao comprar a SUN, estaria comprando algo que pareceria muito com uma parte de si mesma.

enfim, não deu. e aí larry ellison, dono da oracle e uma das figuras mais singulares do silicon valley, resolveu comprar [por US$7.4B] a companhia que, mais de duas décadas atrás, criou o slogan "the network is the computer", ou a rede é o computador, antevendo que um dia tudo o que gostaríamos de ter num computador [e muito mais] estaria, na verdade, na rede. a noção de "nuvem", ou "cloud computing" já fazia parte do credo da sun antes mesmo da internet a rede que vemos hoje.

diz-se que larry ellison gostaria muito de ser a apple do mercado corporativo. comprando a SUN, ele pode ter se tornado outra IBM, com quem vai competir diretamente, agora, no mercado de servidores. e a oracle comprou um conjunto de problemas, também. a companhia é um dos líderes no mercado mundial de sistemas de gerenciamento de banco de dados [SGBD] e tem muito pouca aproximação com a comunidade de software livre. junto com a SUN, a oracle passou a ser dona do SGBD líder do mercado aberto, mySql, que tem mais de 11 milhões de instalações no mundo todo. em muitas empresas pequenas e médias, no meio desta crise, "trocar oracle por mySql" tem sido uma das formas de salvar recursos preciosos. qual será, na oracle, o futuro de mySql?…

olhando de longe, parece que a microsoft não tem nada a ver com o assunto, mas tem. ellison nunca deixou de bater em redmond sempre que teve oportunidade. e até procurou as oportunidades quando elas não eram assim tão claras. só que, agora, ele também vende sistemas e isso pode levar empresas como dell e HP a olharem com outros [mais carinhosos] olhos para a microsoft, que não tem nem parece querer ter um negócio de hardware para competir com seus principais clientes. tempos de crise são tempos estranhos. sempre…

 

 

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12.04.09

dá pra salvar o bom jornalismo?

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o boston globe, um dos maiores jornais dos estados unidos, deve ter um prejuízo de US$85M este ano, depois de perder US$50M ano passado. o globe não é um jornal independente, mas parte do new york times. e o NYT está ameaçando fechar o globe caso os sindicatos não concordem com medidas radicais de corte de custos. e não consiga aumentar receitas: o preço do jornal nas bancas subiu US$1.50, só pra “continuar viável”. mesmo assim, pode fechar no mês que vem. o globe foi comprado pelo NYT em 1993 por US$1.1B; desde então, a circulação só faz cair. a receita demorou mais um pouco a seguir a circulação, mas está em queda continuada desde 1999.

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no dono do globe, o NYT, o período de férias foi estendido, cem pessoas foram demitidas semana passada e quem sobrou vai ter uma redução de 5% no salário pelo menos durante o resto deste ano. e tem que apelar pra santo muito forte pro jornal continuar existindo –em papel- ano que vem. a pergunta a se responder, no particular e no geral, está na capa do boston globe deste domingo: o que saiu errado?… a resposta, da própria casa, é que… o globe não viu –e não soube aproveitar- a web. os outros jornais tampouco. e ponto final.

mas a pergunta da hora, feita por brian solis a walt mossberg, talvez fosse… vale a pena salvar os jornais?… sabe-se lá, se obama vai salvar a indústria automobilística americana, talvez…  mas mossberg pensa rápido e diz que esta é a pergunta errada; a pergunta apropriada seria… será que dá pra salvar o bom jornalismo?… segundo mossberg, só há uns poucos jornais de verdade nos EUA; o resto são alguns jornalistas de qualidade e noticiário nacional e internacional reciclado, pra encher linguiça e imprimir as páginas necessárias para os anúncios. isso quando havia anúncios. quando estes se mudam pra web, porque tais páginas deveriam ser impressas?… o mesmo raciocínio vale para o brasil e qualquer outro país. abra seu jornal local ou regional e constate com seus próprios olhos.

desde janeiro de 2008, mais de 120 jornais americanos fecharam as portas e mais de 21.000 jornalistas e pessoal auxiliar foram demitidos destes e de outros 67 que continuam no negócio. só em 2009, mais de 8.000 pessoas já perderam o emprego. e a tendência não dá sinais de ser revertida; muito ao contrário. a internet já é a fonte primária de notícias nos EUA e vai ser, no brasil, assim que houver banda larga [de verdade] por aqui.

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mas brian solis acha que um novo desenvolvimento pode salvar o “bom” jornalismo: a statusphere, ou statusfera, a rede de reputação capaz de fazer com que agentes individuais, em rede, tenham tanta reputação, reconhecimento e importância –e remuneração- como tinham os grandes jornalistas dos antigos jornais. será? e como e quando?

segundo solisThe Statusphere is the new ecosystem for sharing, discovering, and publishing updates and micro-sized content that reverberates throughout social networks and syndicated profiles, resulting in a formidable network effect of activity. It is the digital curation of relevant content that binds us contextually to the statusphere, where we can connect directly to existing contacts, reach new people, and also forge new acquaintances through the friends of friends effect (FoFs) in the process.

em português? a statusfera é o novo ecosistema para compartilhar, descobrir e publicar atualizações e microconteúdo, reverberando sobre redes sociais e perfis compartilhados, tendo como resultado um espetacular efeito rede de conexões e atividade. a statusfera fará o papel de curadoria digital [e em rede] de conteúdo e conexões relevantes, onde poderemos nos conectar, em contexto e diretamente, a contatos existentes… e onde iremos descobrir e construir novas relações através do efeito FoFs [friends of friends, ou AdAs, amigos de amigos].

parece uma tese interessante. talvez a gente –e quem toca os jornais, no brasil, ainda- devesse ler com muito cuidado e ver como –e se- dá pra fazer aqui, e por quanto e quando, no nosso contexto. a mesma leitura atenciosa, e não por acaso, vale para quem toca serviços online como o TERRA, terraMagazine e tantos outros…

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05.02.09

celulares: em baixa?

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no brasil, depois de um dezembro que já pode ser contado entre os piores da história, a indústria de mobilidade manda avisar que 2009 não vai ser muito melhor. as projeções de vendas de aparelhos celulares devem cair mais de 10% em relação a 2008. pela primeira vez em uma década, teremos uma retração no mercado de aparelhos celulares no país.

no mundo não vai ser diferente: as estimativas dos analistas apontam para vendas, no primeiro trimestre de 2009, 18% menores do que no último de 2008, com as vendas globais caindo de 305 para perto de 250 milhões de unidades. ao todo, em 2008 foram vendidos 1.2 bilhões de celulares, um aumento de 5% sobre 2007.

em meio ao caos, tem gente se dando bem? talvez: a nokia [38% das vendas em 2008] pode chegar a pouco mais de 40% do mercado este ano e a turma dos smart phones [rim, apple e htc, que têm 4.1% do mercado, em conjunto] pode ganhar espaço de quem vendia para o que se chama de middle market, os fones caros demais para terem escala de venda muito alta e não tão bons para servirem às demandas de executivos e corporações. mas isso se a crise não for ainda mais profunda do que está parecendo agora.

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12.12.08

TICs: lá fora, mais de cem mil na rua. aqui, falta gente.

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techcrunch resolveu montar uma lista dos anúncios de demissões na indústria de tecnologias da informação e comunicação [e correlatas] baseada no mundo [ao alcance deles], e lançou o techcrunch layoff tracker, que dá conta [até o dia 10/12] de 280 eventos que causaram a demissão de mais de 104.000 pessoas, da last.fm [280 em londres] à nxp [4.500, na holanda], passando por companhias em israel, índia, canadá, ao redor da europa e por negócios como a xerox, que estão demitindo no mundo inteiro. a lista, aliás, é informal e imprecisa: as demissões da nxp, por exemplo, foram anunciadas na holanda mas estão rolando no mundo inteiro. as demissões de temporários e terceirizados e os 1.500 demitidos de yahoo ainda não estavam lá no dia 11/12.

no brasil, por outro lado, continua faltando gente. empresas de TICs, de norte a sul, têm vagas em aberto e não há gente, em qualidade e quantidade, para preenchê-las. esta talvez fosse uma excelente oportunidade para  o brasil desligar um pouco nossa xenofobia e incentivar a migração, para o país, de especialistas de fora. segundo a lista de techcrunch, cerca de 1.500 demissões foram anunciadas, nas últimas semanas, só em israel. e o mercado de trabalho, por lá, não tem uma elasticidade muito grande. a mesma coisa vale para muitos países europeus que enfrentam ondas de demissões, como a finlândia, onde apenas a nokia já demitiu 600 pessoas.

se o brasil tivesse uma política agressiva para capital humano, esta era a hora de atrair uma parte deste povo pra cá. são pessoas competentes, que falam inglês fluentemente [uma das principais deficiências do nosso capital humano], que fazem negócios pelo mundo inteiro [outra de nossas incompetências...] e que estão, a partir d’agora, atrás de uma boa oportunidade pra recomeçar suas vidas.

há uma crise radical no mundo, não há o que esconder. mas boa parte da solução, do futuro, vai vir de países emergentes como o nosso, que ainda têm muito o que fazer pra estarem prontos até para o presente, sem nem pensar no futuro. são dezenas de milhares de empresas sem informática competente; milhares de cidades sem internet ou celular; governos estaduais, municipais e parte do federal ainda sem a informática que deveriam ter… um país inteiro para construir, que continuaremos construindo na crise, como sempre fizemos. para isso, precisamos de gente.

e informática, hoje, está na base de tudo. de plantar feijão a lançar foguetes. é hora de uma política de vistos de trabalho e incentivos para trazer técnicos, engenheiros, pessoas de negócio, do mundo inteiro, prá cá. já fizemos isso antes e deu muito certo. não é à toa que comemoramos, este ano, os cem anos da presença japonesa no país. mas precisamos fazer mais, muito mais. trazer pessoas prontas, nas quais não investimos um centavo sequer em formação e capacitação, gente que está e vive no mundo, principalmente gente de TICs, para o brasil, agora, talvez seja a grande oportunidade do século. se soubéssemos fazer isso rápido, teríamos muito o que comemorar daqui a 100 anos.

 

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05.12.08

mobilidade em crise?

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n97-closed_270x151-nokia.JPGao mesmo tempo em que lança seu "iPhone killer", a nokia comunica ao mercado que 2009 não vai ser fácil. segundo a empresa "Consumers are continuing dramatically to cut back their spending… [we are] under no illusions that the market would recover any time soon. We’re facing it across the world. What’s recently accelerated is the slowdown in emerging markets".

os consumidores estão cortando seus gastos de forma dramática e a empresa não tem nenhuma ilusão de que o mercado vai se recuperar no curto prazo. a queda nos gastos está ocorrendo no mundo inteiro e, mais recentemente, está se acelerando nos mercados emergentes. ou seja, o bicho vai pegar aqui, também.

segundo a nokia, o mercado de celulares será 5% menor no ano que vem. mas os analistas dizem que isso é uma má notícia anunciada por partes. até fevereiro, segundo quem entende do assunto, veremos previsões que farão a indústria de mobilidade parecer com a de automóveis. se for isso mesmo, estaremos com problemas muito graves. pra se ter uma idéia, a bmw anunciou uma queda de 25% nas vendas de novembro… e a honda pulou fora da formula 1.

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21.11.08

a balança dos eletrônicos [de novo]

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em junho passado este blog publicou um texto sobre a importação e exportação de eletrônicos, onde se dizia que… o déficit da balança de eletrônicos, até maio deste ano, já está 61% maior do que no mesmo período no ano passado [que foi, por sua vez, 41% maior que 2006, comparando ano a ano]. estima-se que o rombo passe dos US$20B em 2009, resultado de um mercado interno que compra cada vez mais PCs, laptops, celulares e tudo que tem, dentro, componentes, partes e peças que importamos a granel da ásia, combinado com uma muita dificuldade de exportar o que é produzido aqui, por causa do que se convencionou chamar de “custo brasil”, que agora inclui um real tão valorizado como há uma década. 

de lá pra cá, o real se desvalorizou muito, o que deveria ser parte das boas notícias para o setor, mas não é: dólar mais caro significa insumos mais caros, principalmente componentes eletrônicos importados majoritariamente da ásia para o brasil, o que, como mostramos em outro texto, acaba complicando o cenário para os fabricantes nacionais de eletro-eletrônicos.

ss-20081121114513.pngpois bem. a abinee acaba de publicar os resultados da balança comercial até setembro [ou seja, até o começo da "crise"] e a situação piorou um pouco. nos primeiros nove meses do ano, o déficit de eletro-eletrônicos está 65% maior do que no ano passado, como mostra a figura deste parágrafo. segundo a associação da indústria eletro-eletrônica… No acumulado de janeiro a setembro de 2008, o déficit comercial de produtos eletroeletrônicos foi de US$ 17,22 bilhões, 65% acima do ocorrido no mesmo período do ano passado (US$ 10,44 bilhões). Este total é resultado de exportações de US$ 7,53 bilhões e importações de US$ 24,75 bilhões …este saldo negativo é recorde histórico, e o resultado acumulado nos nove primeiros meses deste ano foi superior ao total acumulado nos 12 meses dos anos anteriores. Vale lembrar que, no ano todo de 2007, o déficit atingiu US$ 14,75 bilhões.

a abinee ainda deixa claro que… neste período ainda não foram contabilizados os efeitos que podem ocorrer em função da crise mundial. Portanto, por enquanto, permanece a previsão de o setor encerrar este ano com saldo negativo de US$ 20,6 bilhões, resultado de exportações de US$ 9,3 bilhões e importações de US$ 29,9 bilhões.

por um lado, a notícia é boa: como o país está crescendo e qualquer parte da infra-estrutura de qualquer país depende de eletrônica e informática, estamos investindo massivamente no que deveríamos estar investindo, inclusive do ponto de vista pessoal, com um monte de empresas [e pessoas] comprando, por exemplo, seu primeiro PC.

por outro, talvez se deva notar que o setor industrial de informática, no país, não é competitivo internacionalmente, o que significa que temos em voga, ainda, uma política industrial de substituição das importações. importamos componentes e fabricamos equipamentos [PCs, celulares...] para suprir o mercado nacional, com uma pequena parcela de exportações para, principalmente, o mercado latino-americano [60% dos US$1.7B exportados em celulares foram para argentina e venezuela].

resumo da ópera? espera-se que o déficit da balança comercial esteja sendo pago pelo aumento da produtividade dos negócios e das pessoas, como já está demonstrado que é o caso da introdução massiva de informática na economia. mas isso vai acontecer mesmo é no longo prazo. no curto prazo, aqui e agora, o buraco da balança comercial de eletrônica está sendo coberto mesmo é pelo nosso sucesso nas commodities

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14.10.08

novos negócios para economias em crise

mashable é um blog colaborativo focado em redes sociais que tem uma audiência não-trivial e uma influência idem. no fim de semana que passou, mark hopkins botou no ar, lá, uma lista de negócios que podem ter uma chance muito boa de dar certo em economias onde, digamos, a escassez de meios é bem maior que o normal. a lista não é exaustiva, foi pensada em termos da economia de países desenvolvidos… mas algumas das sugestões podem muito bem dar certo por aqui. até porque, no brasil, do ponto de vista de investimento [capital empreendedor], a escassez de meios é sempre muito maior [que a do silicon valley, por exemplo]. vamos à lista

1. espaços compartilhados para trabalho: como as empresas podem ter maior dificuldade em ter espaço próprio [e as pessoas podem ter menos recursos para se mover...], um bom negócio pode ser criar espaços compartilhados para trabalho, mesmo que sejam pequenos como office nomads. ao invés de trabalhar em casa, você pode trabalhar perto de casa, junto a pessoas que podem até estar trabalhando para a mesma empresa que você, o que evita grandes viagens dentro do trânsito caótico de grandes cidades. ainda por cima, cria-se a possibilidade de trabalhar em escritórios que estarão praticamente em toda grande cidade onde você for.  o principal problema a resolver, aqui, é de mudança de hábitos, de costumes de trabalho.

2. "bootstrapping": esta não é bem uma idéia de negócios, mas uma sugestão de como começar um. bootstrapping, do ponto de vista de negócios, quer dizer uma empresa criada e sustentada a partir de seu próprio processo de crescimento, sem a contribuição de mashicon1.pnginvestimentos externos. normalmente leva mais tempo para chegar onde se quer e se rala muito mais, mas há a vantagem de se criar uma coisa com a sua cara, sem investidores metendo o bedelho em tudo. como no brasil não há muitos investidores mesmo, a maioria dos negócios de todos os tipos, aqui, já é criada por bootstrapping mesmo. e acho que temos muita coisa a ensinar aos americanos e ao mundo neste capítulo. por outro lado, a principal perda é que, se seu investidor fosse competente, dedicado e experiente, não tê-lo a seu lado será uma grande perda para o negócio…

3. ferramentas de colaboração: mais gente vai estar em modo remoto no trabalho, seja em home office ou em co-working. em qualquer caso, ferramentas de colaboração muito melhores do que temos hoje serão essenciais. o detalhe é que, enquanto na europa, eua e ásia rica a infra-estrutura está pronta para suportar o trabalho remoto e as ferramentas mais sofisticadas, aqui, se você escolher esta linha de negócios, tem que levar em conta que não temos banda larga, mas o que poderíamos chamar de NAO, ou nearly always on. aquela "linha" que deixou de ser discada mas não é larga mesmo e que, ainda por cima, funciona quando a operadora quer. a alternativa é fazer daqui pro mundo, o que dá muito mais trabalho mas é possível… com muita sorte, dedicação, perseverança e um conjunto de idéias inovadoras e muito bem implementadas. boa sorte.

4. mercado de idéias: este eu não acho uma boa alternativa. o problema dos processos de inovação ou criação de negócios não são as idéias, que todo mundo tem aos montes, mas gente que tenha capacidade de empreendê-las. o inovador de verdade não é o nerd que fica atrás de uma mesa pensando e tirando patentes, mas o empreendedor que vai à luta e faz as idéias funcionarem, na prática, no mercado. e estes caras normalmente têm um monte de idéias próprias e uma grande paixão por elas e suas conseqüências práticas. mark hopkins tava meio dormindo quando botou este item na lista.

5. mercados de trabalho [virtuais]: isso aqui pode dar muito mais resultado do que o item anterior, até porque já há um número de mercados de trabalho virtuais funcionando pelo mundo afora. a idéia pode ser implementada em [ou a partir de] qualquer lugar, criando ambientes em rede onde pessoas põe competências à disposição e outras, que delas precisam, formam times virtuais e distribuídos  para entregar uma encomenda e que debandam após sua realização. processos e mecanismos de alocação e gestão do trabalho distribuído, de certificação de competências, de geração e distribuição de receitas, de reputação de fornecedores e consumidores serão absolutamente essenciais. algo me diz que as comunidades de software aberto têm muito a dizer e fazer sobre isso pois, à parte a remuneração, realizam seu trabalho de forma distribuída, assíncrona e virtual há tempos.

neste último caso, o futuro do trabalho pode depender muito de como tais mercados são criados e absorvidos pelos sistemas legais dos espaços que ainda costumamos chamar de países. com o tempo médio de residência em cada emprego caindo o tempo todo, cada vez mais gente terá que empreender a si próprio, e por muito tempo, talvez por toda a vida, como uma parte dos chamados "profissionais liberais" já faz, hoje. uma semana, você estaria com russos e indianos trabalhando num projeto austríaco. na seguinte, de férias em noronha. na terceira, com brasileiros, italianos e noruegueses resolvendo um rolo na islândia. sem sair de perto de casa, com ferramentas de colaboração da próxima geração, e ganhando tanto quanto a sua rede de reputação diz que você vale. e se qualificando pra mais, se quiser. quer vida melhor do que esta? crise, que crise?…

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