Terra Magazine

terça-feira, 21 de abril de 2009

crise leva sun para os braços da oracle

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a SUN microsystems, que já foi uma das empresas de tecnologia mais importantes da rede [arquitetura sparc, java, openOffice e, mais recentemente, mySql], e do mundo, esteve para ser vendida, poucas semanas atrás, para a IBM. não rolou. por um número de razões, a IBM desistiu em cima do laço. e há quem diga que a IBM, ao comprar a SUN, estaria comprando algo que pareceria muito com uma parte de si mesma.

enfim, não deu. e aí larry ellison, dono da oracle e uma das figuras mais singulares do silicon valley, resolveu comprar [por US$7.4B] a companhia que, mais de duas décadas atrás, criou o slogan "the network is the computer", ou a rede é o computador, antevendo que um dia tudo o que gostaríamos de ter num computador [e muito mais] estaria, na verdade, na rede. a noção de "nuvem", ou "cloud computing" já fazia parte do credo da sun antes mesmo da internet a rede que vemos hoje.

diz-se que larry ellison gostaria muito de ser a apple do mercado corporativo. comprando a SUN, ele pode ter se tornado outra IBM, com quem vai competir diretamente, agora, no mercado de servidores. e a oracle comprou um conjunto de problemas, também. a companhia é um dos líderes no mercado mundial de sistemas de gerenciamento de banco de dados [SGBD] e tem muito pouca aproximação com a comunidade de software livre. junto com a SUN, a oracle passou a ser dona do SGBD líder do mercado aberto, mySql, que tem mais de 11 milhões de instalações no mundo todo. em muitas empresas pequenas e médias, no meio desta crise, "trocar oracle por mySql" tem sido uma das formas de salvar recursos preciosos. qual será, na oracle, o futuro de mySql?…

olhando de longe, parece que a microsoft não tem nada a ver com o assunto, mas tem. ellison nunca deixou de bater em redmond sempre que teve oportunidade. e até procurou as oportunidades quando elas não eram assim tão claras. só que, agora, ele também vende sistemas e isso pode levar empresas como dell e HP a olharem com outros [mais carinhosos] olhos para a microsoft, que não tem nem parece querer ter um negócio de hardware para competir com seus principais clientes. tempos de crise são tempos estranhos. sempre…

 

 

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domingo, 12 de abril de 2009

dá pra salvar o bom jornalismo?

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o boston globe, um dos maiores jornais dos estados unidos, deve ter um prejuízo de US$85M este ano, depois de perder US$50M ano passado. o globe não é um jornal independente, mas parte do new york times. e o NYT está ameaçando fechar o globe caso os sindicatos não concordem com medidas radicais de corte de custos. e não consiga aumentar receitas: o preço do jornal nas bancas subiu US$1.50, só pra “continuar viável”. mesmo assim, pode fechar no mês que vem. o globe foi comprado pelo NYT em 1993 por US$1.1B; desde então, a circulação só faz cair. a receita demorou mais um pouco a seguir a circulação, mas está em queda continuada desde 1999.

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no dono do globe, o NYT, o período de férias foi estendido, cem pessoas foram demitidas semana passada e quem sobrou vai ter uma redução de 5% no salário pelo menos durante o resto deste ano. e tem que apelar pra santo muito forte pro jornal continuar existindo –em papel- ano que vem. a pergunta a se responder, no particular e no geral, está na capa do boston globe deste domingo: o que saiu errado?… a resposta, da própria casa, é que… o globe não viu –e não soube aproveitar- a web. os outros jornais tampouco. e ponto final.

mas a pergunta da hora, feita por brian solis a walt mossberg, talvez fosse… vale a pena salvar os jornais?… sabe-se lá, se obama vai salvar a indústria automobilística americana, talvez…  mas mossberg pensa rápido e diz que esta é a pergunta errada; a pergunta apropriada seria… será que dá pra salvar o bom jornalismo?… segundo mossberg, só há uns poucos jornais de verdade nos EUA; o resto são alguns jornalistas de qualidade e noticiário nacional e internacional reciclado, pra encher linguiça e imprimir as páginas necessárias para os anúncios. isso quando havia anúncios. quando estes se mudam pra web, porque tais páginas deveriam ser impressas?… o mesmo raciocínio vale para o brasil e qualquer outro país. abra seu jornal local ou regional e constate com seus próprios olhos.

desde janeiro de 2008, mais de 120 jornais americanos fecharam as portas e mais de 21.000 jornalistas e pessoal auxiliar foram demitidos destes e de outros 67 que continuam no negócio. só em 2009, mais de 8.000 pessoas já perderam o emprego. e a tendência não dá sinais de ser revertida; muito ao contrário. a internet já é a fonte primária de notícias nos EUA e vai ser, no brasil, assim que houver banda larga [de verdade] por aqui.

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mas brian solis acha que um novo desenvolvimento pode salvar o “bom” jornalismo: a statusphere, ou statusfera, a rede de reputação capaz de fazer com que agentes individuais, em rede, tenham tanta reputação, reconhecimento e importância –e remuneração- como tinham os grandes jornalistas dos antigos jornais. será? e como e quando?

segundo solisThe Statusphere is the new ecosystem for sharing, discovering, and publishing updates and micro-sized content that reverberates throughout social networks and syndicated profiles, resulting in a formidable network effect of activity. It is the digital curation of relevant content that binds us contextually to the statusphere, where we can connect directly to existing contacts, reach new people, and also forge new acquaintances through the friends of friends effect (FoFs) in the process.

em português? a statusfera é o novo ecosistema para compartilhar, descobrir e publicar atualizações e microconteúdo, reverberando sobre redes sociais e perfis compartilhados, tendo como resultado um espetacular efeito rede de conexões e atividade. a statusfera fará o papel de curadoria digital [e em rede] de conteúdo e conexões relevantes, onde poderemos nos conectar, em contexto e diretamente, a contatos existentes… e onde iremos descobrir e construir novas relações através do efeito FoFs [friends of friends, ou AdAs, amigos de amigos].

parece uma tese interessante. talvez a gente –e quem toca os jornais, no brasil, ainda- devesse ler com muito cuidado e ver como –e se- dá pra fazer aqui, e por quanto e quando, no nosso contexto. a mesma leitura atenciosa, e não por acaso, vale para quem toca serviços online como o TERRA, terraMagazine e tantos outros…

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

celulares: em baixa?

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no brasil, depois de um dezembro que já pode ser contado entre os piores da história, a indústria de mobilidade manda avisar que 2009 não vai ser muito melhor. as projeções de vendas de aparelhos celulares devem cair mais de 10% em relação a 2008. pela primeira vez em uma década, teremos uma retração no mercado de aparelhos celulares no país.

no mundo não vai ser diferente: as estimativas dos analistas apontam para vendas, no primeiro trimestre de 2009, 18% menores do que no último de 2008, com as vendas globais caindo de 305 para perto de 250 milhões de unidades. ao todo, em 2008 foram vendidos 1.2 bilhões de celulares, um aumento de 5% sobre 2007.

em meio ao caos, tem gente se dando bem? talvez: a nokia [38% das vendas em 2008] pode chegar a pouco mais de 40% do mercado este ano e a turma dos smart phones [rim, apple e htc, que têm 4.1% do mercado, em conjunto] pode ganhar espaço de quem vendia para o que se chama de middle market, os fones caros demais para terem escala de venda muito alta e não tão bons para servirem às demandas de executivos e corporações. mas isso se a crise não for ainda mais profunda do que está parecendo agora.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

TICs: lá fora, mais de cem mil na rua. aqui, falta gente.

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techcrunch resolveu montar uma lista dos anúncios de demissões na indústria de tecnologias da informação e comunicação [e correlatas] baseada no mundo [ao alcance deles], e lançou o techcrunch layoff tracker, que dá conta [até o dia 10/12] de 280 eventos que causaram a demissão de mais de 104.000 pessoas, da last.fm [280 em londres] à nxp [4.500, na holanda], passando por companhias em israel, índia, canadá, ao redor da europa e por negócios como a xerox, que estão demitindo no mundo inteiro. a lista, aliás, é informal e imprecisa: as demissões da nxp, por exemplo, foram anunciadas na holanda mas estão rolando no mundo inteiro. as demissões de temporários e terceirizados e os 1.500 demitidos de yahoo ainda não estavam lá no dia 11/12.

no brasil, por outro lado, continua faltando gente. empresas de TICs, de norte a sul, têm vagas em aberto e não há gente, em qualidade e quantidade, para preenchê-las. esta talvez fosse uma excelente oportunidade para  o brasil desligar um pouco nossa xenofobia e incentivar a migração, para o país, de especialistas de fora. segundo a lista de techcrunch, cerca de 1.500 demissões foram anunciadas, nas últimas semanas, só em israel. e o mercado de trabalho, por lá, não tem uma elasticidade muito grande. a mesma coisa vale para muitos países europeus que enfrentam ondas de demissões, como a finlândia, onde apenas a nokia já demitiu 600 pessoas.

se o brasil tivesse uma política agressiva para capital humano, esta era a hora de atrair uma parte deste povo pra cá. são pessoas competentes, que falam inglês fluentemente [uma das principais deficiências do nosso capital humano], que fazem negócios pelo mundo inteiro [outra de nossas incompetências...] e que estão, a partir d’agora, atrás de uma boa oportunidade pra recomeçar suas vidas.

há uma crise radical no mundo, não há o que esconder. mas boa parte da solução, do futuro, vai vir de países emergentes como o nosso, que ainda têm muito o que fazer pra estarem prontos até para o presente, sem nem pensar no futuro. são dezenas de milhares de empresas sem informática competente; milhares de cidades sem internet ou celular; governos estaduais, municipais e parte do federal ainda sem a informática que deveriam ter… um país inteiro para construir, que continuaremos construindo na crise, como sempre fizemos. para isso, precisamos de gente.

e informática, hoje, está na base de tudo. de plantar feijão a lançar foguetes. é hora de uma política de vistos de trabalho e incentivos para trazer técnicos, engenheiros, pessoas de negócio, do mundo inteiro, prá cá. já fizemos isso antes e deu muito certo. não é à toa que comemoramos, este ano, os cem anos da presença japonesa no país. mas precisamos fazer mais, muito mais. trazer pessoas prontas, nas quais não investimos um centavo sequer em formação e capacitação, gente que está e vive no mundo, principalmente gente de TICs, para o brasil, agora, talvez seja a grande oportunidade do século. se soubéssemos fazer isso rápido, teríamos muito o que comemorar daqui a 100 anos.

 

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

mobilidade em crise?

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n97-closed_270x151-nokia.JPGao mesmo tempo em que lança seu "iPhone killer", a nokia comunica ao mercado que 2009 não vai ser fácil. segundo a empresa "Consumers are continuing dramatically to cut back their spending… [we are] under no illusions that the market would recover any time soon. We’re facing it across the world. What’s recently accelerated is the slowdown in emerging markets".

os consumidores estão cortando seus gastos de forma dramática e a empresa não tem nenhuma ilusão de que o mercado vai se recuperar no curto prazo. a queda nos gastos está ocorrendo no mundo inteiro e, mais recentemente, está se acelerando nos mercados emergentes. ou seja, o bicho vai pegar aqui, também.

segundo a nokia, o mercado de celulares será 5% menor no ano que vem. mas os analistas dizem que isso é uma má notícia anunciada por partes. até fevereiro, segundo quem entende do assunto, veremos previsões que farão a indústria de mobilidade parecer com a de automóveis. se for isso mesmo, estaremos com problemas muito graves. pra se ter uma idéia, a bmw anunciou uma queda de 25% nas vendas de novembro… e a honda pulou fora da formula 1.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

a balança dos eletrônicos [de novo]

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em junho passado este blog publicou um texto sobre a importação e exportação de eletrônicos, onde se dizia que… o déficit da balança de eletrônicos, até maio deste ano, já está 61% maior do que no mesmo período no ano passado [que foi, por sua vez, 41% maior que 2006, comparando ano a ano]. estima-se que o rombo passe dos US$20B em 2009, resultado de um mercado interno que compra cada vez mais PCs, laptops, celulares e tudo que tem, dentro, componentes, partes e peças que importamos a granel da ásia, combinado com uma muita dificuldade de exportar o que é produzido aqui, por causa do que se convencionou chamar de “custo brasil”, que agora inclui um real tão valorizado como há uma década. 

de lá pra cá, o real se desvalorizou muito, o que deveria ser parte das boas notícias para o setor, mas não é: dólar mais caro significa insumos mais caros, principalmente componentes eletrônicos importados majoritariamente da ásia para o brasil, o que, como mostramos em outro texto, acaba complicando o cenário para os fabricantes nacionais de eletro-eletrônicos.

ss-20081121114513.pngpois bem. a abinee acaba de publicar os resultados da balança comercial até setembro [ou seja, até o começo da "crise"] e a situação piorou um pouco. nos primeiros nove meses do ano, o déficit de eletro-eletrônicos está 65% maior do que no ano passado, como mostra a figura deste parágrafo. segundo a associação da indústria eletro-eletrônica… No acumulado de janeiro a setembro de 2008, o déficit comercial de produtos eletroeletrônicos foi de US$ 17,22 bilhões, 65% acima do ocorrido no mesmo período do ano passado (US$ 10,44 bilhões). Este total é resultado de exportações de US$ 7,53 bilhões e importações de US$ 24,75 bilhões …este saldo negativo é recorde histórico, e o resultado acumulado nos nove primeiros meses deste ano foi superior ao total acumulado nos 12 meses dos anos anteriores. Vale lembrar que, no ano todo de 2007, o déficit atingiu US$ 14,75 bilhões.

a abinee ainda deixa claro que… neste período ainda não foram contabilizados os efeitos que podem ocorrer em função da crise mundial. Portanto, por enquanto, permanece a previsão de o setor encerrar este ano com saldo negativo de US$ 20,6 bilhões, resultado de exportações de US$ 9,3 bilhões e importações de US$ 29,9 bilhões.

por um lado, a notícia é boa: como o país está crescendo e qualquer parte da infra-estrutura de qualquer país depende de eletrônica e informática, estamos investindo massivamente no que deveríamos estar investindo, inclusive do ponto de vista pessoal, com um monte de empresas [e pessoas] comprando, por exemplo, seu primeiro PC.

por outro, talvez se deva notar que o setor industrial de informática, no país, não é competitivo internacionalmente, o que significa que temos em voga, ainda, uma política industrial de substituição das importações. importamos componentes e fabricamos equipamentos [PCs, celulares...] para suprir o mercado nacional, com uma pequena parcela de exportações para, principalmente, o mercado latino-americano [60% dos US$1.7B exportados em celulares foram para argentina e venezuela].

resumo da ópera? espera-se que o déficit da balança comercial esteja sendo pago pelo aumento da produtividade dos negócios e das pessoas, como já está demonstrado que é o caso da introdução massiva de informática na economia. mas isso vai acontecer mesmo é no longo prazo. no curto prazo, aqui e agora, o buraco da balança comercial de eletrônica está sendo coberto mesmo é pelo nosso sucesso nas commodities

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terça-feira, 14 de outubro de 2008

novos negócios para economias em crise

mashable é um blog colaborativo focado em redes sociais que tem uma audiência não-trivial e uma influência idem. no fim de semana que passou, mark hopkins botou no ar, lá, uma lista de negócios que podem ter uma chance muito boa de dar certo em economias onde, digamos, a escassez de meios é bem maior que o normal. a lista não é exaustiva, foi pensada em termos da economia de países desenvolvidos… mas algumas das sugestões podem muito bem dar certo por aqui. até porque, no brasil, do ponto de vista de investimento [capital empreendedor], a escassez de meios é sempre muito maior [que a do silicon valley, por exemplo]. vamos à lista

1. espaços compartilhados para trabalho: como as empresas podem ter maior dificuldade em ter espaço próprio [e as pessoas podem ter menos recursos para se mover...], um bom negócio pode ser criar espaços compartilhados para trabalho, mesmo que sejam pequenos como office nomads. ao invés de trabalhar em casa, você pode trabalhar perto de casa, junto a pessoas que podem até estar trabalhando para a mesma empresa que você, o que evita grandes viagens dentro do trânsito caótico de grandes cidades. ainda por cima, cria-se a possibilidade de trabalhar em escritórios que estarão praticamente em toda grande cidade onde você for.  o principal problema a resolver, aqui, é de mudança de hábitos, de costumes de trabalho.

2. "bootstrapping": esta não é bem uma idéia de negócios, mas uma sugestão de como começar um. bootstrapping, do ponto de vista de negócios, quer dizer uma empresa criada e sustentada a partir de seu próprio processo de crescimento, sem a contribuição de mashicon1.pnginvestimentos externos. normalmente leva mais tempo para chegar onde se quer e se rala muito mais, mas há a vantagem de se criar uma coisa com a sua cara, sem investidores metendo o bedelho em tudo. como no brasil não há muitos investidores mesmo, a maioria dos negócios de todos os tipos, aqui, já é criada por bootstrapping mesmo. e acho que temos muita coisa a ensinar aos americanos e ao mundo neste capítulo. por outro lado, a principal perda é que, se seu investidor fosse competente, dedicado e experiente, não tê-lo a seu lado será uma grande perda para o negócio…

3. ferramentas de colaboração: mais gente vai estar em modo remoto no trabalho, seja em home office ou em co-working. em qualquer caso, ferramentas de colaboração muito melhores do que temos hoje serão essenciais. o detalhe é que, enquanto na europa, eua e ásia rica a infra-estrutura está pronta para suportar o trabalho remoto e as ferramentas mais sofisticadas, aqui, se você escolher esta linha de negócios, tem que levar em conta que não temos banda larga, mas o que poderíamos chamar de NAO, ou nearly always on. aquela "linha" que deixou de ser discada mas não é larga mesmo e que, ainda por cima, funciona quando a operadora quer. a alternativa é fazer daqui pro mundo, o que dá muito mais trabalho mas é possível… com muita sorte, dedicação, perseverança e um conjunto de idéias inovadoras e muito bem implementadas. boa sorte.

4. mercado de idéias: este eu não acho uma boa alternativa. o problema dos processos de inovação ou criação de negócios não são as idéias, que todo mundo tem aos montes, mas gente que tenha capacidade de empreendê-las. o inovador de verdade não é o nerd que fica atrás de uma mesa pensando e tirando patentes, mas o empreendedor que vai à luta e faz as idéias funcionarem, na prática, no mercado. e estes caras normalmente têm um monte de idéias próprias e uma grande paixão por elas e suas conseqüências práticas. mark hopkins tava meio dormindo quando botou este item na lista.

5. mercados de trabalho [virtuais]: isso aqui pode dar muito mais resultado do que o item anterior, até porque já há um número de mercados de trabalho virtuais funcionando pelo mundo afora. a idéia pode ser implementada em [ou a partir de] qualquer lugar, criando ambientes em rede onde pessoas põe competências à disposição e outras, que delas precisam, formam times virtuais e distribuídos  para entregar uma encomenda e que debandam após sua realização. processos e mecanismos de alocação e gestão do trabalho distribuído, de certificação de competências, de geração e distribuição de receitas, de reputação de fornecedores e consumidores serão absolutamente essenciais. algo me diz que as comunidades de software aberto têm muito a dizer e fazer sobre isso pois, à parte a remuneração, realizam seu trabalho de forma distribuída, assíncrona e virtual há tempos.

neste último caso, o futuro do trabalho pode depender muito de como tais mercados são criados e absorvidos pelos sistemas legais dos espaços que ainda costumamos chamar de países. com o tempo médio de residência em cada emprego caindo o tempo todo, cada vez mais gente terá que empreender a si próprio, e por muito tempo, talvez por toda a vida, como uma parte dos chamados "profissionais liberais" já faz, hoje. uma semana, você estaria com russos e indianos trabalhando num projeto austríaco. na seguinte, de férias em noronha. na terceira, com brasileiros, italianos e noruegueses resolvendo um rolo na islândia. sem sair de perto de casa, com ferramentas de colaboração da próxima geração, e ganhando tanto quanto a sua rede de reputação diz que você vale. e se qualificando pra mais, se quiser. quer vida melhor do que esta? crise, que crise?…

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

há oitenta anos…

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há oitenta anos, a IBM era uma das duas grandes companhias de tecnologias de informação e comunicação que estava na -até bem pouco- maior crise de todos os tempos, a grande depressão de 1929. a outra era a at&t, se bem que a companhia que hoje usa este nome não tem muito a ver com a empresa homônima que existia, no fim da década de 20, nos estados unidos.

ctr-co-logo-ibm.jpga ibm, inicialmente chamada computing-tabulating-recording company [CTR], foi resultado de uma fusão, em 1911, de outras empresas que já existiam desde o século XIX. em 1914 [começo da primeira guerra mundial], o negócio começou a ser dirigido por thomas j. watson sr., que estava à frente das operações quando começou a grande depressão, com o crack da bolsa de new york em 1929.

só pra lembrar, a economia da época levou três longos anos pra chegar ao fundo do poço: em julho de 1932, o índice do new york times chegou a 1/9 de seu valor de outubro de 1929, logo antes do crack. as ações da IBM, que já usava seu nome atual desde 1924, voltaram ao mesmo patamar de 1921. a empresa havia perdido 11 anos de ganhos.

e o que watson sr. fez, em tempos de crise? investiu. nos empregados, por exemplo. a IBM esteve entre as primeiras empresas a oferecer seguro de vida em grupo [em 1934] e férias pagas [em 1937] a seus funcionários.

watson sr. também resolveu continuar fabricando equipamentos para os quais não havia demanda garantida, contra os conselhos de seus principais acionistas. quase foi demitido da presidência do negócio, pois a atitude era verdadeiramente temerária numa crise daquela monta. o negócio talvez tenha sido salvo pelas pela lei de seguro social de 1935, que encontrou na IBM a única empresa com capacidade para tratar os registros das 26 milhões de pessoas que passavam a ser protegidas pela [então] revolucionária legislação criada pelo governo de franklin roosevelt. exatamente porque watson sr. era o único que tinha fabricado os equipamentos para prestar o serviço. e havia mantido os funcionários para fazê-lo.

neste particular, a ibm teve muita sorte. continuar produzindo sem mercado, ou com muito menos mercado, certamente não é prática recomendável em nenhuma época, com ou sem crise. a menos que você e seus planejadores tenham uma bola de cristal. e daquelas de alta precisão. vamos convir que não há muita gente com acesso a uma destas nos nossos tempos.

mas foi em 1932, no auge da crise, que watson sr. fez seu investimento mais revolucionário. apostando que o mundo não ia se acabar e que, depois da crise, haveria demanda para produtos e serviços melhores, mais eficazes, mais eficientes e mais baratos do que antes, watson detonou um milhão de dólares da companhia na construção do mais moderno laboratório de pesquisa e desenvolvimento de seu tempo, em endicott, ny. o lab ficou pronto em 1933 e custou 6% do faturamento, que andava escasso.

a visão de watson sr. para o futuro era clara, direta e precisava de tal investimento. em rochester, na câmara de comércio, no auge da first-ibm-logo.jpgcrise, ele perguntava e respondia: "When is industrial progress going to start again? I say it never stopped. Some people may not believe that, but it is a fact. You are going to find as we get further out of the Depression —and we are on our way ou — that inventive genius, progressive ideas, progressive people, have been more active than ever. Industrial progress has never stopped." ou seja: quando sairmos da depressão, vamos descobrir que o gênio inventivo, as idéias e pessoas progressistas terão estado mais ativos do que nunca. e estiveram mesmo, com a ibm à frente. o faturamento da companhia, na crise, subiu de US$19M em 1934 para US$31M em 1937 e continuou crescendo pelos próximos 45 anos. e watson sr. se tornou um dos executivos mais bem pagos dos estados unidos.

nesta crise não vai ser diferente. ao invés de esperar, invista. talvez você não deva se arriscar tanto quanto watson sr., mas não fique parado. se você não tem um negócio e acha que as coisas vão mesmo piorar por um tempo, aproveite e aprenda, rápido. estudar nunca fez mal a ninguém. se você tem um negócio de TICs, pequeno ou grande, invista também. e faça isso de forma seletiva, usando suas energias em coisas que sobreviverão aos tempos em que talvez tenhamos que fazer muito mais com muito menos. e se lembre que ter que fazer mais com menos é uma das maiores e melhores fontes de ações inovadoras. com ou sem crise.

 

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domingo, 12 de outubro de 2008

leituras aleatórias de um domingo singular

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dominique strauss-khan, do fmi, diz que a economia vai derreter, aqui mesmo no terra: O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou neste sábado que os bancos endividados estão empurrando o mercado financeiro global para o derretimento, e que as nações ricas falharam até o momento em restaurar a confiança. As declarações foram dadas pelo presidente da entidade, Dominique Strauss-Khan, na reunião do comitê dirigente do fundo.

no financial times do dia 8, strauss-khan "dá a receita" pra restaurar a confiança. se vai funcionar ou não, é outra história. parte da receita, de cinco pontos? Fourth, a high degree of international co-operation has become urgent. Unfortunately, recent measures have been taken with national interests in mind, and not enough has been done to prevent unintended “beggar-thy-neighbour” consequences that only exacerbate problems for others. ou seja: ou todo mundo trabalha junto ou a coisa vai derreter mesmo. e vai atingir os países em desenvolvimento.

segundo o guardian, o pânico dos mercados é racional… e não irracional. o principal efeito da crise, na prática, vai ser um gigantesco aperto de crédito e as empresas, sem fundos para operar ou com dificuldades bem maiores para fazê-lo, terão que demitir. citado pelo observer, o presidente para pequeneas e médias empresas da CBI [a CNI da inglaterra], russell griggs, disse queThe majority of companies are saying it’s challenging or impossible to get credit. ainda segundo o observer, um milhão de ingleses perderão seus empregos até o natal. como se sabe, papai noel só vai atender os pedidos de todos aqui em pindorama.

crise de tais proporções parece que foi vista por pouca gente viva. e vai afetar tudo ao redor. ventureBeat pergunta: até que ponto o crash de 2008 vai diminuir o investimento em tecnologias limpas? parecia que o mundo estava partindo para, literalmente, "se limpar". isso exigiria muitos investimentos que, por sua vez, prometiam retornos fantásticos. até porque o preço do petróleo estava nas alturas. o petróleo caiu, o dinheiro sumiu e será que clean tech foi junto?

parte de toda a tech parece que vai junto. a transmeta, que pretendia revolucionar o mercado de CPUs [inclusive pela via de menor consumo de potência], está indo. segundo deviceGuru, a companhia que já teve linus torvalds entre seus empregados está procurando um comprador. não será a primeira. mas nem todo mundo está mal. a asus vai lançar um eee PC com tela sensível ao toque, conexão 3.75G [ou HSUPA] e um processador mais rápido por cerca de US$300. toda grande crise é uma magnífica oportunidade; muita gente que iria comprar laptops de US$1000, US$1500… vai comprar coisas como os novos eee PCs. seleção natural é isso aí: sobrevivência dos mais adaptáveis.

já que a leitura do domingo era aleatória, vamos às coisas que talvez não tenham qualquer conexão com o estado da economia. nem entre si. pra começar, economia [!]… teemu arina ganhou o estágio finlandês da WSA com sua proposta real time economy: Real-Time Economy points towards a world where transactions, interaction and processes happen simultaneously in real-time. The industrial era of linear cause-and-effect is behind us, organizations need to understand non-linearity, complexity and agility in increasingly changing conditions. isso vai ser muito importante, ainda. o sistema financeiro já está em tempo real e, talvez por não termos modelos bons o suficiente para acompanhá-lo, chegamos onde estamos. ooops! mas a idéia era não falar mais sobre economia…

então vamos pra matemática: david corfield diz quephilosophy should study mathematics less as (potentially) concerning abstract entities, but rather as concerning the development of certain ideas. matemática é mais sobre o desenvolvimento de idéias do que sobre a construção de entidades abstratas. parte de um trabalho sobre o matemático francês albert lautman. se você quiser mesmo ler sobre o assunto, clique aqui [.pdf].

e pra hacking: a partir de amanhã, graças aos esforços de pesquisadores da radboud university nijmegen e da humboldt university em berlin, será possível furar o esquema de segurança dos cartões miFare classic usados em sistemas de transporte público em todo o mundo. o sistema de segurança dos cartões é fechado e furado, como os artigos demonstram. a coisa passou até pela justiça, que acabou garantido [sob a égide da liberdade de expressão, nada mais nada menos] a publicação dos artigos. mas cuidado: usar os resultados pode ser ilegal. segundo artigo na cNetDeveloping your own proprietary security mechanisms and not getting public scrutiny on it does not work. parece coisa de um certo sistema eleitoral que conhecemos muito bem. ah, sim: o bilhete único de são paulo e o rioCard, no rio, são do tipo miFare classic.

pra terminar o passeio, parece que o telefone 3G aberto, baseado em android, que se convencionou chamar do "celular de google", está pegando nos estados unidos. só a T, primeira operadora a lançar o aparelho, já tem um milhão e meio de reservas. entre os atrativos da máquina, sistema operacional aberto e a possibilidade dos desenvolvedores de software ficarem com 100% da renda do software que fizerem pra plataforma. a apple cobra, para software do iPhone, um pedágio de 30%. o android G1, feito pela HTC, não é necessariamente melhor do que o iPhone, mas eu acho que vai pegar. por muitas razões. e ser aberto não é a menor delas. a outra é que muitos outros fabricantes e operadoras vão lançar fones da mesma classe em breve. só a motorola, que faz parte do consórcio, está contratando 300 desenvolvedores pra trabalhar no projeto

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

TICs em tempos de crise: pressa vs. desespero

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o planeta está em recessão, as empresas estão apertando seus orçamentos e, sempre que isso acontece, a tendência é cortar no que se chama "áreas-meio", ou seja, tudo o que não está diretamente ligado às funções e operações que a empresa realiza para se manter viva, para sobreviver. e sobreviver em tempos de crise não é fácil.

e o danado é que, em tempos de economia da informação, onde "toda empresa é uma empresa de software" [frase de watts humphrey, autor de winning with software] e onde a infra-estrutura de informação e comunicação do negócio pode ser justamente o local onde sua sobrevivência será decidida, há quem comece os cortes por lá, porque, afinal… TICs é "’área meio". não, não é. faz tempo que não é. TICs [sigla para tecnologia da informação e comunicação] é parte essencial da estratégia e execução de qualquer negócio que tenha algum futuro, é o motor de qualquer tipo de empresa. pensar num negócio sem uso competente e estratégico de TICs, agora, é o mesmo que imaginar, trinta anos atrás, fábricas sem eletricidade, movidas a cavalos reais ou rodas d’água.

a mckinsey publicou recentemente um pequeno texto sobre estratégias para TICs em tempos de crise, e vale a pena ler, com calma, os pequenos recados que a grande casa de consultoria, baseada em sua larga experiência em crises anteriores a esta, nos dá. são só seis páginas, é gratuito [mas você tem que criar um login no site deles].

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o artigo se chama managing IT in a downturn e seu resumo é bem simples: 1) As the economic slowdown intensifies, companies are looking for ways to cut costs, and IT budgets are a prime target [cortes de custos, na crise, têm TICs como um dos primeiros alvos]; 2) Rather than implement across-the-board cuts, managers should take a more integrated view of how IT is used throughout the business [ao invés de cortes homogêneos, a gestão deveria entender como TICs são usadas em todo o negócio] e 3) Targeted IT investments can make operations more efficient and increase revenues, delivering returns larger than simple cost-cutting measures typically do [mesmo na crise, investimentos pontuais em TICs podem tornar o negócio mais eficiente, aumentar receitas e dar melhores resultados {e margens maiores} do que as medidas mais triviais de cortes de custos normalmente conseguem].

simples, quase trivial. mas dificilmente feito, na prática, porque as corporações, em tempos de crise, emburrecem muito. até porque as crises criam urgências e urgências exigem respostas rápidas. e uma resposta rápida, burra e fácil de implementar, sempre, é cortar homogeneamente, em todo lugar. sem se perguntar se, no meio da confusão, não seria melhor investir exatamente onde outros estão cortando.

mas, se a gente pensar bem, crises exigem pressa. e não desespero. desespero aprofunda a crise, quase sempre. e a diferença entre o apressado e o desesperado é que, apesar de ambos saírem correndo atrás de respostas na mesma velocidade, o apressado tem um plano.

mesmo que seu negócio seja uma bodega, farmácia, mercearia, apresse-se e vá ler o texto da mckinsey [entre outros]. se for um médio ou grande negócio, leia também. em qualquer caso, pense duas vezes antes de cortar justamente as raízes do seu negócio. porque, como já se disse aqui… toda empresa é uma empresa de software.

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