Terra Magazine

21.12.08

a rede está desprotegida

Tags:, , , , - srlm às 11:39

a booz allen hamilton acaba de conduzir, nos eua, um "jogo de guerra" envolvendo 230 representantes de agências de segurança e defesa do governo americano, além de gente de companhias privadas e do terceiro setor. o jogo simulou um drástico aumento no número de ataques a alvos de rede em tempos de vulnerabilidade econômica, exigindo que os participantes reagissem usando os procedimentos de suas instituições na vida real.

segundo michael chertoff, secretário de segurança interna… "We know that if someone shoots missiles at us, they’re going to get a certain kind of response. What happens if it comes over the Internet?"… ou seja, se alguém nos atacar com mísseis, vai ter um certo tipo de resposta. mas o que acontece se o ataque vier pela internet? a simulação descobriu que… "There isn’t a response or a game plan…There isn’t really anybody in charge". em resumo, não há resposta ou plano de jogo, não há ninguém realmente tomando conta da rede. e isso lá nos eua, onde os níveis de segurança são bem mais elevados do que na média do planeta.

a conclusão é que um ataque aos eua, pela rede, poderia tirar do ar -entre outras- partes importantes do sistema financeiro, parte da rede de distribuição de energia elétrica, causando danos proporções monumentais. e isso sem enfrentar um alto e coordenado nível de resistência.

por aqui, recentemente, demos nota de um estudo do TCU sobre segurança de informação no governo brasileiro onde se colcluiu que… "a situação da governança de TI na Administração Pública Federal é bastante heterogênea e preocupante".em particular, não há planejamento estratégico de TICs em 59% das instituições e não há política de segurança de informação em 64% dos órgãos de governo". deve estar na hora da gente se preocupar com a segurança da rede por aqui, também.

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02.12.08

o destino [quase certo] dos jornais “de papel”

Tags:, , , - srlm às 00:03

o fim do papel vem sendo anunciado há décadas. e não parece estar nem um pouco perto de acontecer. já o fim do que a gente costumava chamar de "jornal", aquela empresa que coletava notícias e opiniões, vendia anúncios, editava tudo junto, imprimia o conjunto em papel "jornal" e distribuía pelo mundo, mesmo que fosse o mundo perto, como arcoverde, pesqueira, pedra e buíque… este fim parece estar cada dia mais perto.

o papel, desde que não seja como "meio de transmissão" de informação, vai muito bem, obrigado. talvez nunca tenha estado melhor. mas os jornais estão em seríssimas dificuldades em muitos de seus principais mercados. nos estados unidos, jornais centenários como o christian science monitor desistiram de sua edição diária e estão de mudança para a web. outros, menores [mas localmente importantes] como o albuquerque tribune [86 anos de publicação] simplesmente desapareceram.

a história do tribune é típica. a circulação do jornal caiu de 42 mil por dia em 1988 para menos de 10 mil em 2008, tornando a operação inviável. os leitores foram para a internet, os anunciantes também e o modelo de negócios do "diário impresso" deixou de fazer sentido. 38 jornalistas e editores perderam seus empregos. o tamanho da bronca, nos eua, este ano, é grande: pelo menos 13.500 jornalistas, editores, administradores e outros cargos desapareceram na indústria de jornais. clique na imagem abaixo para ver um mapa interativo mostrando empresas e lugares que estão desempregando jornalistas como nunca se viu nos estados unidos.

 eua-cemiterio-de-jornais.png

no brasil, a circulação dos jornais cresceu mais de 11% em 2007, situação que parece com a dos países emergentes, mas é muito diferente dos eua, onde grandes jornais, como new york e los angeles times perderam 5% da circulação no mesmo período. os estados unidos [e os países mais ricos] estão se transformando em verdadeiros cemitérios dos jornais "de papel".

bote mais gente na rede, por aqui, mais banda, preços mais razoáveis [anatel! precisamos de competição em banda larga!], monitores de melhor qualidade, impressoras de maior resolução… e vamos ter o mesmo efeito dos estados unidos. e no espaço de uma década, aqui. o modelo "papel como mecanismo de transporte de informação" está teoricamente falido. agora é só esperar que seja efetivamente subsituído por jornais online, blogs, redes sociais, twitters e por aí vai

em 28 de abril de 2000 publiquei um texto inaugural na minha coluna na revista eletrônica NO., começo de dois anos de conversa sobre a internet e o mundo cá fora. o texto tinha por título o fim de um dos fins do papel e tratava exatamente do que estamos falando aqui. o texto ainda tá novinho em folha. clique no continue lendo, abaixo, e continue lendo…

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19.07.08

a origem da espécie [segundo os americanos]

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pesquisa da gallup nos eua, país mais rico do mundo, com uma das populações supostamente mais educadas do planeta, mostra que 44% dos americanos acha que deus criou os seres humanos, da forma como somos, há cerca de dez mil anos… outros 36% acreditam que a humanidade é resultado de uma evolução, mas o processo foi guiado por deus. apenas 14% acreditam na evolução segundo darwin, sem qualquer divindade interferindo no processo. o gallup faz a pesquisa desde 1982 e pouco ou quase nada mudou de lá pra cá, como mostra o gráfico abaixo.

gallup.png

quando a opção política entra em cena, 60% dos republicanos acredita piamente na criação divina há dez milênios, contra 38% dos democratas. isso não é só surpreendente, mas pode influir seriamente na escolha do presidente dos eua, normalmente decidida por uns poucos porcento de diferença: cerca de 25% do eleitorado consideraria a visão do candidato sobre a evolução para decidir seu voto.

o sistema educacional americano não tem conseguido vencer a barreira criacionista; um universo criado por deus e uma humanidade jovem, resultado do trabalho divino no sexto dia. mais de dois séculos de estado laico e educação de qualidade [muito superior à média do brasil] pouco fizeram, pelo visto, para remover superstições tão elementares quando o criacionismo "jovem" da mente americana média.

sinal de que é preciso ampliar muito a quantidade e qualidade do ensino de lógica e ciências e da argumentação científica em geral. no mundo inteiro, inclusive no brasil.

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