Terra Magazine

25.01.09

lock-in: a vez de google?

Tags:, , , , - srlm às 08:00

do ponto de vista econômico, um consumidor, ou um monte deles, está locked-in quando um fornecedor criou uma situação em que o custo de trocar seus produtos e serviços de um competidor é tão alto que, na prática, o consumidor é forçado a seguir os ditames do fornecedor.  pensou desktop, achou a microsoft, que tem um lock-in acoplando office ao sistema operacional windows, sem falar no internet explorer e windows media player, também colados ao sistema operacional, caso que rendeu à empresa processos e multas monumentais. parte do negócio e do quase monopólio de redmond nos PCs, diriam os economistas. inevitável, no processo de capitalismo de mercado, diriam os investidores.

evil-google google, a companhia que jurou "do no evil", talvez esteja no caminho de tornar-se um lock-in pra uma boa parte das coisas que acontece na rede. e na sociedade. e isso não começou a acontecer um dia destes. google, que está tentando desenvolver o que se poderia chamar de um "sistema operacional da rede" e uma grande família de aplicações que funcionam, como serviço, sobre os fundamentos do tal sistema, está dando passos que levarão, quase sem dúvida, a um novo conjunto de lock-ins.

nos últimos dias de 2008, a companhia resolveu avisar aos usuários de gmail que internet explorer 6 não é mais suportado pela aplicação online e que os usuários devem mudar para firefox ou chrome, que vem a ser o browser que o próprio google está desenvolvendo. chrome, ao invés de mero browser, é uma plataforma de suporte local para aplicações em rede, ou seja, parte essencial de um processo de lock-in que google já pode ter começado a dar andamento.

até porque a companhia tirou firefox de seu pacote de aplicações e dá claros sinais, por vários outros meios, de que está gostando muito de fazer as coisas "sozinha" ao invés de "em rede". e o browser parece ser parte essencial da estratégia. a pergunta que sobra é: até que ponto criar barreiras para impedir que seus usuários troquem de fornecedor é "evil"? a resposta é… sempre que alguém muito bem estabelecido está fazendo isso [e, de preferência, é pego fazendo isso] é "evil" sim. se é um pequeno davi que está lutando contra os grandes golias que usa de tal arma… normalmente se dá um desconto e se acha que é parte do processo de competir.

e desde quando que google é um pequeno competidor em busca de espaço para crescer? dentro de quanto tempo teremos os governos americano e europeu investigando as práticas de google? um, três ou cinco anos? façam suas apostas.

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17.09.08

google: agindo como monopólio

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os resultados do crescimento de audiência na web, a ponto de começar a se tornar o monopólio, de fato, de busca na rede, estão começando a afetar o comportamento de google e a por, em sério risco, o motto [don´t do evil] da companhia. o new york times publicou no último fim de semana uma reportagem de joe nocera [grátis, aqui, no iht] sobre uma pequena companhia [sourcetool.com] que estava faturando [em 2006] cerca de 600 mil dólares por mês [500 mil pagos a google por uso de adSense, 100 mil de lucro] e está indo pro espaço porque google resolveu mudar os lances mínimos para os anúncios que a sourcetool usava… para algo entre 20 a 200 vezes mais do que o valor usual.

a razão, explícita? gente de google disse a dan savage, o carinha por trás de sourceTool, que sua página tinha uma má "landing page quality", ou seja, que as páginas de seu site, um diretório de 700 mil empresas destinado a buscas de negócios, eram, digamos, ruins. savage passou os últimos dois anos tentando rever as decisões de google sobre lhe cobrar mais porque sua página era "ruim" e, ao receber a resposta final, de que deveria "parar de importunar nosso pessoal", resolveu seguir o caminho padrão para lidar com monopólios.

o que significa que a sourceTool entrou com uma carta-queixa no departamento da justiça americano. segundo savage e seu advogado… "Google can use AdWords to pick winners in every category… Google’s conduct is plainly consistent with acts of monopolization and attempted monopolization… Google has achieved and maintained its market share through anticompetitive exclusionary conduct…" ou seja, o gigante de busca na rede pode decidir a quem promover como resultado de sua máquina de publicação de anúncios, está agindo como monopólio ao fazer isso e está mantendo seu mercado "às custas de práticas que excluem a competição".

tal tipo de acusação, no brasil, teria muito pouco resultado. nos estados unidos, onde a at&t, ibm e microsoft, só pra falar de três empresas do setor de tecnologias da informação que já comeram o pão que o diabo amassou nas mãos dos reguladores de mercado de lá, é bom google botar as barbas de molho. mais cedo do que tarde, neste ritmo, o bicho vai pegar.

googleisevil.jpge esta história de "don’t do evil" sempre foi um conto da carochinha para ingênuos. companhias abertas, sob demandas de um mercado voraz como o americano, tentando criar o que os analistas chamam de "shareholder value", quase sempre terão uma atitude monopolista, de eliminação da competição e conseqüente [na opinião de seus gestores] maximização de lucros. pelo menos até que os órgãos reguladores intervenham.

e o clamor por uma intervenção começa a aparecer: a association of national advertisers, que reúne companhia que gastam, juntas, mais de US$100B por ano em anúncios, acaba de escrever uma carta-queixa, também endereçada ao departamento de justiça, solicitando que o acordo google-yahoo para gerenciar anúncios em conjunto seja pura e simplesmente rejeitado. e a razão é cristalina: os dois, hoje, dominam 90% do mercado de anúncios de busca. o mundo pode até ter conseguido uma microsoft monopolista, por falta de atenção, no passado. mas parece que não está muito afim de uma segunda, desta vez na web.

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