Terra Magazine

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

a guerra das patentes

a indústria de TICs está metida numa monumental guerra de patentes em que todos só têm a perder. principalmente a inovação e nós, os usuários. para se ter uma vaga ideia do tamanho da confusão, olhe o diagrama abaixo… que só trata parte da indústria de mobilidade.

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a imagem diz quem está processando quem e quem está licenciando o que para quem não quer ser processado. e representa só uma pequena parte de um estado de coisas que começou a ser criado –em larga escala- quando o USPTO, o escritório de patentes e marcas dos estados unidos, resolveu proteger ideias absolutamente triviais como "comprar algo que está numa página da web em um só click". esta é patente da amazon que causou imensa polêmica e abriu as portas para que se patenteasse quase tudo. e isso começou no agora longínquo 1999. mas a coisa como um todo vem de muito mais longe, e a primeira patente de software, inglesa, tem 50 anos.

uma década e meia depois do começo da web, que talvez tenha sido quando se tornou evidente que todo o futuro iria depender de software, todos os negócios globais têm um arsenal intelectual –devidamente protegido por lei- para processar qualquer outro. a situação é similar ao auge da guerra fria, quando a URSS e os EUA podiam se destruir mutuamente várias vezes, levando todo o resto em sua fúria. ainda bem que não rolou.

entre as grandes empresas de TICs, o litígio e seus custos só aumentam, a ponto de levar gente como google a comprar uma motorola inteira, tendo como principal argumento a "proteção do ecossistema android" contra o ataque de detentores de propriedade intelectual potencialmente danosa aos interesses das empresas que dele fazem parte.

o blog vai voltar ao assunto em breve, com uma série de textos sobre propriedade intelectual, inovação e empreendedorismo. por hoje, a ideia é só apontar para onde tudo parece ter começado: patentes de software. isso pode piorar muito no curto prazo, com o tipo de patentes que a europa planeja conceder. o que nos leva a pensar que talvez seja preciso revisar o sistema como um todo. é o que iremos discutir em outros textos desta série.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

a próxima [?] grande rede…

Tags:, , , - srlm às 06:12

estou lendo year million, [science at the far edge of knowledge], coletânea de textos sobre o que pode vir a ser a ciência –e seus resultados e aplicações- num futuro muito distante. tipo daqui a um milhão de anos.

o livro, editado por damien broderick, tem 14 capítulos, varrendo desde os hominídeos [como foi, mesmo, que tudo começou?] até, literalmente, o fim do mundo [do universo, de uma vez por todas], daqui a uns 10 decilhões de anos.

o capítulo três, escrito por steven b. harris, a million years of evolution, é especialmente interessante. harris considera o que pode vir a acontecer com os cérebros, em função de tudo o que ainda vamos aprender sobre o principal componente do corpo humano.

segundo harris, se tudo correr bem, vamos aprender a conectar cérebros uns aos outros. de verdade e de tal forma que a expressão “vamos pensar juntos” vai ser muito mais que metáfora. e a próxima rede a mudar o mundo, de vez, seremos nós próprios.

pra isso, precisaremos de conexões muito mais sofisticadas do que se consegue, hoje, espetando eletrodos  e usando conexões frankensteinianas [a “alta tecnologia" de muitos labs de neuroX de hoje…] pra ligar cérebros através de uma internet rudimentar.

se –ou quando- rolar, as consequências serão fantásticas. se compartilharmos, verdadeiramente, parte do ocorre no cérebro de nossos parceiros [amigos, colegas de trabalho…] será que vamos ficar “contaminados” pelas suas memórias, experiências, intuições e emoções, por exemplo? será que vamos [ainda] poder guardar qualquer tipo de segredo?…

harris supõe que, antes que seja possível entrarmos no estágio “mentanet” de nossas vidas em rede, teremos que aprender muito mais sobre o cérebro e os usos que fazemos e faremos dele. ou deles. no futuro, muito mais do que mentes compostas [a nossa, em contexto] ou estendidas pelo ambiente, poderemos vir a ter mentes que resultam de muitos cérebros verdadeiramente em rede.

e vai ser muito difícil –pelo menos com os mecanismos de que dispomos hoje- saber quem é seu verdadeiro eu. ou se, quando você fez alguma coisa, era você mesmo que estava em controle. a vida vai ficar muito mais complicada do que já é. mas que vai ser muito mais interessante, isso vai…

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domingo, 1 de março de 2009

jornais: evoluindo na web…

Tags:, , , , - srlm às 06:00

no começo da década de 80, o custo –em telecom- para se ler um jornal online era 50 vezes mais caro do que ter a mesma coisa em casa, em papel. o pessoal do innoblog achou um vídeo histórico de 1981, no youTube, que mostra como eram as primeiras “edições eletrônicas”. vale a pena ver…

no outro lado da linha, estudo do bivings group mostra como os jornais [americanos, no caso] estão se adaptando pra ver se sobrevivem à rede, onde o custo de ler/ouvir/ver um jornal na web é marginal. os principais resultados do estudo são… 1] em 2008, 58% dos jornais aceitava alguma forma de conteúdo gerado pelos “leitores” [agora transformados em usuários, parte de uma ou mais comunidades], contra 24% em 2007; 2] 75% dos sites dos jornais aceitava comentários dos usuários em 2008, contra 33% em 2007 e 3] apenas 10% dos jornais tinha alguma forma de rede social ao seu redor em 2008, contra 5% em 2007.

o último resultado é surpreendente por duas razões: é um crescimento de 100% sobre o ano anterior mas, mesmo assim, é muito pouco no total. a quantidade de tempo e atenção dedicados a redes sociais, na web, pode acabar fazendo com que apareçam, lá dentro, os jornais do futuro. não é por acaso, aliás, que rupert murdoch comprou mySpace quando ainda era uma penchincha, meros US$580M, ainda em 2005

image a maioria dos jornais [e rádios, e TVs] está precisando entender –e praticar- uma realidade instalada há tempos em seus mercados [ou ecologias] pela internet: o “novo mercado”, a rede, é plano ao invés de piramidal, onde quem estava no topo e acostumado ao controle da audiência, no passado, agora tem que competir como [quase] qualquer agente comunitário. sejam bem-vindos: neste novo mundo, ao invés de newton e sua descrição de um universo perfeito e imutável, quem dá as regras é darwin… pra quem vale um ambiente de competição e coopetição em rede, onde só os mais aptos e adaptáveis sobrevivem. nas redes digitais, valem os mesmos princípios.

é capaz de ser mais que mera coincidência estarmos comemorando, por agora, os 200 anos do nascimento do gênio que descobriu como as ecologias funcionam. se você é parte de uma rede de negócios e não sabe o que darwin [depois de muito hesitar] disse sobre evolução e adaptação, tá na hora de ler

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sábado, 19 de julho de 2008

a origem da espécie [segundo os americanos]

Tags:, , , , , - srlm às 23:00

pesquisa da gallup nos eua, país mais rico do mundo, com uma das populações supostamente mais educadas do planeta, mostra que 44% dos americanos acha que deus criou os seres humanos, da forma como somos, há cerca de dez mil anos… outros 36% acreditam que a humanidade é resultado de uma evolução, mas o processo foi guiado por deus. apenas 14% acreditam na evolução segundo darwin, sem qualquer divindade interferindo no processo. o gallup faz a pesquisa desde 1982 e pouco ou quase nada mudou de lá pra cá, como mostra o gráfico abaixo.

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quando a opção política entra em cena, 60% dos republicanos acredita piamente na criação divina há dez milênios, contra 38% dos democratas. isso não é só surpreendente, mas pode influir seriamente na escolha do presidente dos eua, normalmente decidida por uns poucos porcento de diferença: cerca de 25% do eleitorado consideraria a visão do candidato sobre a evolução para decidir seu voto.

o sistema educacional americano não tem conseguido vencer a barreira criacionista; um universo criado por deus e uma humanidade jovem, resultado do trabalho divino no sexto dia. mais de dois séculos de estado laico e educação de qualidade [muito superior à média do brasil] pouco fizeram, pelo visto, para remover superstições tão elementares quando o criacionismo "jovem" da mente americana média.

sinal de que é preciso ampliar muito a quantidade e qualidade do ensino de lógica e ciências e da argumentação científica em geral. no mundo inteiro, inclusive no brasil.

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