Terra Magazine

01.03.09

jornais: evoluindo na web…

Tags:, , , , - srlm às 06:00

no começo da década de 80, o custo –em telecom- para se ler um jornal online era 50 vezes mais caro do que ter a mesma coisa em casa, em papel. o pessoal do innoblog achou um vídeo histórico de 1981, no youTube, que mostra como eram as primeiras “edições eletrônicas”. vale a pena ver…

no outro lado da linha, estudo do bivings group mostra como os jornais [americanos, no caso] estão se adaptando pra ver se sobrevivem à rede, onde o custo de ler/ouvir/ver um jornal na web é marginal. os principais resultados do estudo são… 1] em 2008, 58% dos jornais aceitava alguma forma de conteúdo gerado pelos “leitores” [agora transformados em usuários, parte de uma ou mais comunidades], contra 24% em 2007; 2] 75% dos sites dos jornais aceitava comentários dos usuários em 2008, contra 33% em 2007 e 3] apenas 10% dos jornais tinha alguma forma de rede social ao seu redor em 2008, contra 5% em 2007.

o último resultado é surpreendente por duas razões: é um crescimento de 100% sobre o ano anterior mas, mesmo assim, é muito pouco no total. a quantidade de tempo e atenção dedicados a redes sociais, na web, pode acabar fazendo com que apareçam, lá dentro, os jornais do futuro. não é por acaso, aliás, que rupert murdoch comprou mySpace quando ainda era uma penchincha, meros US$580M, ainda em 2005

image a maioria dos jornais [e rádios, e TVs] está precisando entender –e praticar- uma realidade instalada há tempos em seus mercados [ou ecologias] pela internet: o “novo mercado”, a rede, é plano ao invés de piramidal, onde quem estava no topo e acostumado ao controle da audiência, no passado, agora tem que competir como [quase] qualquer agente comunitário. sejam bem-vindos: neste novo mundo, ao invés de newton e sua descrição de um universo perfeito e imutável, quem dá as regras é darwin… pra quem vale um ambiente de competição e coopetição em rede, onde só os mais aptos e adaptáveis sobrevivem. nas redes digitais, valem os mesmos princípios.

é capaz de ser mais que mera coincidência estarmos comemorando, por agora, os 200 anos do nascimento do gênio que descobriu como as ecologias funcionam. se você é parte de uma rede de negócios e não sabe o que darwin [depois de muito hesitar] disse sobre evolução e adaptação, tá na hora de ler

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01.01.09

pra ler no feriado: história da internet…

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aproveitando que o TERRA vai estar de cara nova no próximo dia sete, este blog vai ficar parado daqui até lá, quando daremos início a uma série sobre o futuro da internet. mas você pode querer ler alguma coisa, ao invés de ir pra praia…

pierre lèvy ensina que uma das –senão a mais fundamental das- abstrações que definiram o que hoje chamamos de humanidade foi a linguagem. virtualizando o presente, a linguagem criou o tempo, permitindo que saíssemos do aqui e agora dos outros animais e pudéssemos brincar de futuro [fazer planos] e passado [contar histórias]. e isso tem, não por mero acaso, tudo a ver com a própria internet: o mundo virtual, que às vezes se pensa que foi criado pela internet [ou por hardware e software, conectados] é na verdade uma instituição milenar.

e já que dia sete estaremos falando de futuro da internet, talvez seja interessante olhar o passado antes de irmos em frente. entre abril de 2000 e março de 2002, escrevi exatamente 100 crônicas semanais para a extinta revista eletrônica NO., que desapareceu da rede sem deixar rastro [ou memória digitalmente armazenada: veja mais sobre este assunto  aqui]. reuni estas histórias num único arquivo, que pode ser obtido ao clicar na figura abaixo, que deveria ser a capa do "livro", se ele tivesse sido impresso. não foi. pegue uma "cópia" e sinta-se livre para imprimir, copiar, distribuir… o material, formalmente, ainda está sob controle do que deve ser, hoje, apenas um CNPJ da NO., perdido numa prateleira de escritório de advocacia. mas tenho uma autorização, de 2004, para distribuir o .PDF, que transfiro para todos os leitores.

capa silvio no ponto
em parte do preâmbulo que escrevi para os textos, há cinco anos, se lê:… Nas páginas que se seguem, estão meus cem artigos em NO. Muitos estão datados, porque os temas, coisas e até companhias que discutiam só faziam sentido dentro de um dado contexto temporal (e tecnológico… e econômico). Resolvi, no entanto, ao invés de fazer uma seleção, deixá-los todos, em seqüência, sem qualquer tratamento adicional em relação à publicação original, a menos de uma correção ortográfica aqui e ali e uma revisão dos links dos artigos originais, quando foi possível. Em alguns casos, não somente os links publicados nos artigos, em NO., desapareceram, mas não há, hoje, nenhum link alternativo que viesse a dar sentido a certas citações. Nestes poucos casos, os links foram simplesmente removidos, sem prejuízo para a leitura do texto.

Os artigos que se seguem são uma espécie de “minha história NO.” Alguma hora, quando e se houver tempo, talvez alguns subconjuntos conceitualmente conexos se tornem parte de um livro –há, talvez, quase um, entre eles, sobre universalização de acesso, um dos temas mais presentes nas colunas semanais- e outros, que o leitor vai distinguir muito facilmente, se tornem contos (mais extensos). Dois deles, em particular, teimam em me pedir, de tempos em tempos, para estendê-los. Peço-lhes paciência, pois, hoje, fazendo tanta coisa, os pequenos contos não teriam a prioridade que eu talvez devesse lhes dar. Um dia, quem sabe, eles tomam conta do meu tempo. De vez. Até lá, deixo esta história das sextas-feiras da NO., registradas em formato integral por deferência especial de Manoel Francisco Brito, que permitiu a publicação dos artigos em bloco e na íntegra.

boa leitura, Feliz Ano Novo, muita sorte e até o dia sete.

[PS: este livro passou a estar disponível em lulu.com para download [US$6.25] e como livro, das antigas, impresso em papel de boa qualidade com capa colorida [US$19.75]. vá ver e, se for o caso, compre; a casa agradece: http://www.lulu.com/content/5554847.]

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25.11.08

há 50 anos: RAMAC 305

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old-computer-picture-ibm-305-ramac-1-280pixel.jpgnum 25 de novembro como hoje, mas exatamente cinqüenta anos atrás, the times publicou um anúncio, para a época, fantástico: a demonstração em uma feira de um novo sistema de processamento de dados, capaz de armazenar e localizar, simultaneamente, informação correspondente a dez milhões de caracteres.

segundo a propaganda da época, "basta fazer uma pergunta e o sistema responde na hora". o texto também dizia que a máquina tinha a capacidade de transmitir um registro [de um "cartão perfurado"] entre a matriz e uma filial "em alguns segundos", usando telégrafo, rádio ou linha telefônica.

coisa de louco. acima, uma foto do IBM ramac 305, primeiro computador a ter um disco rígido, a máquina da propaganda do times, que pesava nada menos que uma tonelada, sendo embarcada em um avião de transporte.

em computação, cinqüenta anos são muito tempo. contando os últimos pouco mais de quarenta, de 1965 pra cá, ray kurzweil chama a atenção para o fato de que os processadores que movem os celulares topo de linha, hoje, são um milhão de vezes mais baratos, mil vezes mais poderosos e cem mil vezes menores do que um computador de grande porte [único, por sinal] que existia em uma grande instituição de pesquisa americana como o MIT. isso dá um aumento de capacidade de um bilhão de vezes, a preço constante, no período.

acontece que a capacidade [de processamento, armazenamento e transmissão de informação] se expande, hoje, mais rapidamente do que no último meio século, e dá pra prever outro aumento de um bilhão de vezes em performance computacional, pelo mesmo preço, dentro dos próximos 25 anos.

agora imagine: seu celular, em duas décadas e meia, um bilhão de vezes mais potente do que hoje… e, se não cem mil vezes menor, talvez mil, dez mil vezes menor. de repente -e se, daqui pra lá, o problema das fontes de energia fosse resolvido- dava pra botar um destes numa lente de contato. ou dentro do olho. enquanto a gente não chega a este ponto, admire-se com a foto abaixo, recente, de bill worthington segurando um dos cinqüenta discos individuais que formava o "disco" do ramac 305. um destes "pratos" não dava pra armazenar, por acaso, a página que você está lendo agora.

billworthington-ramac-platter.jpg

outros vinte e quatro dias especiais para a história da informática [na prática] estão listados em um dos blogs do times online, neste link.

para saber a quantas anda a capacidade de processamento dos quinhentos maiores computadores do mundo, dê uma sacada neste link e neste outro. a máquina mais rápida do mundo, um dos dois únicos sistemas a superar a astronômica performance de um quatrilhão de operações por segundo, é um IBM, que fica no los alamos national laboratory do departamento de energia [DoE] do governo dos estados unidos. aliás, sete das dez maiores máquinas do planeta estão a serviço do DoE…

apenas duas das 500 máquinas mais potentes [306a. e 363a] estão no brasil. a primeira [um DELL] está no núcleo de computação da UFRJ e a outra na PGS, petroleum geo-services, provavelmente a máquina por trás dos cálculos que descobriram o pré-sal. só por acaso, também se trata de um IBM, com quase três mill processadores.

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