Terra Magazine

quarta-feira, 1 de junho de 2011

a guerra virtual… pra valer

a imagem abaixo era a capa do huff post ontem no fim da tarde…

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…no estilo tablóide inglês. a notícia era o anúncio quase conjunto, pelos sistemas de defesa dos EUA e do reino unido, de que ataques virtuais [ou cyber attacks] a territórios, infraestruturas, negócios e interesses dos dois países passariam a ser considerados “atos de guerra” e que a retaliação poderia vir em termos de ações militares tradicionais. o que inclui mísseis, ataques aéreos, bombas e tudo o mais que caracterizava o que a gente costumava conhecer como guerra até pouco tempo.

daí a manchete do huff post: sabote e “derrube” minha rede elétrica e eu mando um míssil numa de suas chaminés. parece que o bicho pegou de vez. e isso tem a ver com um ataque muito competente [e insistente] que alguma galera [a quem se imagina que seja endereçado o aviso acima] fez à lockheed martin, um dos maiores fornecedores de material bélico do planeta. e também está relacionado com ataques, pelo que se sabe mal-sucedidos, a partes da infraestrutura de alguns países.

curioso é que o incidente de segurança mais radical já registrado [por trás dos panos, é verdade] é o ataque do worm STUXNET aos sistemas de controle das centrífugas da usina de combustível nuclear de natanz, no… irã. a avaliação de especialistas é que o dano causado foi suficiente para atrasar o programa iraniano de armas nucleares em alguns anos”. se você quiser entender os detalhes desta história, de resto obscura e confusa, leia este link, onde se levanta a tese de que STUXNET foi uma combinação dos sistemas de espionagem dos EUA e israel.

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STUXNET é um marco entre os malware, pois não tem como alvo principal PCs e laptops, mas faz uso dos mesmos para invadir sistemas de controle industriais [como mostrado na figura acima, clique] como os usados pelos iranianos. pois bem. pela reação do reino unido e dos EUA, parece que há mais gente –além da galera por trás de STUXNET- brincando com fogo virtual… em cima de sistemas reais, preciosos e perigosos. e apontando seus teclados para o lado OTAN da disputa pelo poder global.

os ingleses vão radicalizar suas políticas, estratégias e operações de segurança virtual. os americanos também. e muita gente está seguindo a mesma linha, inclusive o brasil. isso inclui a incorporação do virtual e sua segurança nos conceitos e doutrina de defesa nacional. o que vai ter amplas implicações para muita gente, instituições e sistemas.

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é interessante notar que esta história de e-war não começou ano passado, ou mesmo com a internet. a CIA, ao descobrir uma lista de compras para sistemas para um gasoduto na sibéria [o farewell dossier], “ajudou” os soviéticos a comprar hardware e software que, sabotados, causaram o que se considera até hoje a maior explosão não nuclear do planeta. além de detonar fábricas de produtos químicos e ter passado aos russos um projeto espacial rejeitado pela nasa… que eles acabaram construindo. guerra, virtual, total, em… 1982.

a coisa começou faz tempo. e não há sinais de que vá terminar tão cedo. principalmente agora, quando parece ter se tornado, simplesmente, guerra.

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segunda-feira, 15 de junho de 2009

irã: a revolução não será…

Tags:, , , , - srlm às 07:00

image este texto não tem qualquer intenção de avaliar a lisura dos resultados da recente eleição presidencial no irã. não há, longe de lá, quem possa fazê-lo, por pura e simples falta de acesso a dados independentes sobre o processo eleitoral, principalmente sobre a fase de apuração. aliás, é muito provável que, mesmo no irã, pouca gente venha a saber exatamente o que rolou nas últimas eleições, já que o processo, como um todo, parece sofrer de falta de transparência, para dizer o mínimo. mas isso, como dissemos no começo deste parágrafo, é outra história.

como em qualquer regime ditatorial que se preza, o irã controla conectividade de forma severa. e isso não deixou de acontecer na confusão que se seguiu ao anúncio do resultado das eleições. parece que havia razões de sobra, no regime, para prever que o resultado que foi anunciado não seria aceito, facilmente, por uma boa parcela do eleitorado. o problema, neste tipo de situação, hoje, é que o mundo inteiro –mesmo o irã- está se conectando de uma forma que nunca antes foi possível na história da humanidade. e pessoas muito conectadas, local, regional, nacional e mundialmente, mesmo numa ditadura, podem fazer uma diferença enorme.

o que o governo iraniano faz para controlar a situação na tarde do 12 de junho? tirou SMS do ar, depois bloqueou o acesso a todas as grandes redes sociais e, por fim, derrubou a rede celular, inteira, tentando controlar a interação entre os descontentes. o papel da TV –que nunca televisiona as revoluções- foi o de repetir mensagens gravadas, conclamando todos os iranianos a apoiar o resultado “das urnas”. o líder supremo do país, aiatolá khamenei, conclamou a população: “In this great event, the vigilant and clear-sighted people of Iran showed that they are still interested in the path and principles of Imam Khomeini and that they still seek to achieve progress and prosperity by treading his path." até aí, surpresa zero: líderes totalitários afirmando que os vigilantes e patriotas estão certos e que o seu é o único caminho não é exatamente uma novidade. já vivemos isso no brasil, e não faz muito tempo.

a oposição [informal], sem poderes para bloquear SMS, internet e derrubar a rede de celulares… tirou do ar o site do próprio khamenei durante algum tempo no domingo. a imagem abaixo é de iran.twazzup.com às 22:30 do domingo e mostra todo o twitter sobre o irã em tempo real, enviado de dentro e de fora do país [o “bloqueio” da internet não foi tão efetivo assim…].

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os manifestantes não só conseguiram furar o bloqueio dos aiatolás à rede mas foram às ruas incendiar os carros da polícia e, como mostra a imagem abaixo [clique na imagem para ver o vídeo no youTube] havia bem mais de uma pessoa gravando a cena, quase certamente de seus celulares. daí pra uma montanha de vídeos e relatos quase ao vivo da confusão, de sexta pra cá, parar no youTube e muitos outros sites… foi um passo.

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ao redor das 11 da noite, no domingo, havia alguém [eram umas 4 da manhã da segunda, em tehran] ativo no twitter, aparentemente reportando uma iminente invasão aos dormitórios da universidade. a imagem abaixo é de hashtags; dependendo de quem estava seguindo este “canal” ele pode ou não ter conseguido ajuda.

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em suma: o povo, qualquer povo, é uma rede. quando se percebe como tal, age, em rede, para defender o que entende serem seus direitos líquidos e certos. é isso que está acontecendo no irã, e ninguém precisa de líderes para tal. segundo declarações do professor sadegh zibakalam, da universidade de tehran, à al-jazeera, as demonstrações foram reação espontânea aos resultados da eleição: "No one is giving them commands, no one is ordering them, no one is leading them”; ninguém está comandando os manifestantes, ninguém lhes dá ordens, ninguém lidera. o povo, em rede, na rede, dentro e fora do irã, mudando o mundo.

a televisão nunca transmitiu a revolução. nem vai. a rede, sim. aliás, é muito mais: a rede faz a revolução. e nós ainda nem começamos mesmo a nos conectar como deveríamos. imagine uma situação como esta -e muitas outras- daqui a 20, 50 anos. será que ainda haverá, daqui a tanto tempo, governos -e "eleições"- como os do irã?…

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