Terra Magazine

16.10.09

um [possível] futuro para os jornais: o caso do guardian

no passado, os jornais tiveram o papel de dar relevância e sincronicidade às notícias. as coisas que aconteciam, de fato, eram apenas aquelas que se tornavam notícia nos grandes jornais. tais “bons tempos” eram também aqueles que, ao sincronizar um país [ou o estado, região…], um grande jornal era capaz de formar a opinião da massa e derrubar [ou manter] um governo.

image faz algum tempo que não é assim. de mais de uma forma, a sociedade e economia se dessincronizaram. isso porque, na rede, não há mais quase nenhum agente capaz de monopolizar a atenção de uma quase totalidade das pessoas por um longo tempo. as três maiores audiências de internet, no brasil, são uma máquina de busca, uma rede social e um conjunto de aplicações. nenhum dos três tem opinião, ou é formador de opinião; são infraestruturas que usamos para criar nossa presença em rede. sem editor, sem horário, independente de geografia ou de quaisquer grandes temas [impostos pelos outros] do momento. é o fim do “programador” central.

mas os jornais ou, se quisermos, os “noticiosos”, com profissionais ou amadores competentes, possivelmente remunerados, no levantamento, redação e edição, não deixaram de ter um papel na economia. ao fazer seu trabalho de levantar, filtrar, qualificar, editar e sintetizar informação, os jornais criam bancos de dados que contêm, se sua largura e profundidade de análise for boa o suficiente, a história de uma sociedade. quer seja de um interior como taperoá ou de um país como a inglaterra, no último caso possivelmente incluindo uma visão de mundo a partir dali.

image este é o caso do jornal inglês the guardian, fundado em manchester por john edward taylor em 1821. quase bicentenário, o jornal enfrenta, como todos os outros, a internet, a maior mudança de plataforma de gestão de ciclo de vida da informação desde gutenberg. com uma diferença fundamental em relação à maioria: resolveu entender o desafio e arriscar, digamos, tudo o que tem numa perigosa travessia para o futuro.

até porque ficar parado do lado de cá, tentando sobreviver no passado, não é bom pro negócio, como se vê no grande cemitério dos jornais. em 2008 e 2009 [até agora] quase 30.000 pessoas perderam o emprego só em jornais americanos.

este blog vem comentando o “fim” dos jornais de papel há algum tempo; veja, por exemplo, este texto [sobre o fim de um dos fins do papel], este outro [sobre a internet, como fonte de notícias, passando os jornais], este aqui [sobre a evolução dos jornais, na rede] e, por fim… dá pra salvar o bom jornalismo?… sobre exatamente o que o título diz: vão-se os jornais mas fica o jornalismo, pelo menos o que vale a pena salvar?

o guardian faz parte da seleta classe do jornalismo que vale a pena tentar salvar. eles, aliás, também acham isso e estão tentando se salvar. para isso, estão transformando radicalmente o que poderíamos chamar de jornal.

um jornal é, principalmente, sua história. as posições que assumiu e defendeu, sua trilha de informação. e o guardian publicou os últimos dez anos de sua história, mais de um milhão de artigos, na rede. e na íntegra. abertos. pra todo mundo. segundo a direção, a competição pode usar como quiser mas, para [qualquer um] usar de forma sistemática, deve fazer um acordo com o jornal.

um jornal é, também, sua máquina de formatação, impressão e distribuição de informação. lembro ter visto rotativas desfilando por cidades, em carretas, como se fosse o futuro do lugar chegando de alguma parte da alemanha. isso era o mundo físico. na web, estamos falando de laptops, bancos de dados, web servers… estamos falando de plataformas de programação e distribuição de informação.

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o guardian resolveu se tornar uma tal plataforma: publicou uma API [application programming interface, uma interface de programação, na rede]que torna possível manipular tudo o que existe nos bancos de dados do jornal, agora transformado em plataforma de informação na web. isso significa o que, exatamente? quer dizer que qualquer um que entenda a interface de programação do jornal [mudança: jornal como plataforma de programação] pode manipular tudo o que está no sistema [o guardian], utilizando-o como meio para seus fins, construindo aplicações que, por uma ou outra razão, usem a funcionalidade ou a vasta base de dados do jornal. como estas aqui, da galeria

tal tipo de mudança vai ser cada vez mais comum, em jornais [o NYT está tentando movimento semelhante] e redes sociais [twitter tem uma API que torna possível um monte de operações sobre o que está armazenado no sistema, como um jogo de palpites sobre futebol…], de empresas a bancos, de governo a sites de comércio e muito mais. dá pra fazer um monte de coisas usando [por exemplo] a plataforma da amazon, amazon web services, inclusive escrever o twitter nela, o que é, aliás, o caso.

deixar de ser um “jornal” e passar a ser uma “plataforma programável, na rede, intensiva em conteúdo” dá dinheiro? ninguém sabe. nem o guardian. mas pelo menos eles estão, entre poucos outros jornais, experimentando, até porque o futuro do negócio de jornais, como jornal clássico, daquele que embrulhava peixe depois… é certo. e nada bom. nem peixe se embrulha com jornal, mais…

se você tem alguma curiosidade sobre o que é uma plataforma de programação intensiva em informação “curada”, editada, revisada, na rede, vá dar uma olhada no que os “novos leitores”, ou melhor os “programadores” do guardian estão fazendo, do ponto de vista de visualização de dados, uma das oito categorias de aplicações que qualquer um pode programar no jornal. abaixo, o resultado de uma delas, as emissões de carbono de um número de países desde 1751.

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o próprio guardian [em um de seus twitter] passou a produzir uma sequência muito interessante de dados e gráficos sobre um monte de coisas, como a inflação da inglaterra desde 1948… clique abaixo e vá ver; lá, a visualização é interativa…

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…ou efeito usain bolt no recorde mundial dos 100m rasos, mostrada no último ponto do gráfico abaixo, em 2010, baixando o tempo do recorde em quase 1.2%.

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agora imagine o dever de casa de um grupo de estudantes do fundamental daqui a alguns anos: descobrir as fontes de dados geográficos, de população, de índices financeiros e econômicos variados e produzir um mapa bo brasil, interativo, sobre a inflação e crescimento, incluindo sua distribuição regional e per capita, para todo o país. no fundamental, e não como dissertação de mestrado. e, ao invés de pegar tal gráfico em algum lugar [hoje, ele não existe] descobrir como programá-lo. no fundamental.

o guardian está participando de uma tendência de abertura dos negócios na e para a web, e não só dos negócios de informação como jornais e portais. para estes, vai ser obrigatório abrir suas bases de informação e criar uma API que torne possível disponibilizar, a partir de lá, novas formas de ver, ouvir, filtrar, compor e interagir [e faturar] com informação, a partir de múltiplas interfaces, sistemas, dispositivos e redes.

as outras empresas? estão no mesmo caminho, e muito mais longe. mas delas a gente fala depois. até lá.

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12.04.09

dá pra salvar o bom jornalismo?

Tags:, , , , , , - srlm às 16:47

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o boston globe, um dos maiores jornais dos estados unidos, deve ter um prejuízo de US$85M este ano, depois de perder US$50M ano passado. o globe não é um jornal independente, mas parte do new york times. e o NYT está ameaçando fechar o globe caso os sindicatos não concordem com medidas radicais de corte de custos. e não consiga aumentar receitas: o preço do jornal nas bancas subiu US$1.50, só pra “continuar viável”. mesmo assim, pode fechar no mês que vem. o globe foi comprado pelo NYT em 1993 por US$1.1B; desde então, a circulação só faz cair. a receita demorou mais um pouco a seguir a circulação, mas está em queda continuada desde 1999.

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no dono do globe, o NYT, o período de férias foi estendido, cem pessoas foram demitidas semana passada e quem sobrou vai ter uma redução de 5% no salário pelo menos durante o resto deste ano. e tem que apelar pra santo muito forte pro jornal continuar existindo –em papel- ano que vem. a pergunta a se responder, no particular e no geral, está na capa do boston globe deste domingo: o que saiu errado?… a resposta, da própria casa, é que… o globe não viu –e não soube aproveitar- a web. os outros jornais tampouco. e ponto final.

mas a pergunta da hora, feita por brian solis a walt mossberg, talvez fosse… vale a pena salvar os jornais?… sabe-se lá, se obama vai salvar a indústria automobilística americana, talvez…  mas mossberg pensa rápido e diz que esta é a pergunta errada; a pergunta apropriada seria… será que dá pra salvar o bom jornalismo?… segundo mossberg, só há uns poucos jornais de verdade nos EUA; o resto são alguns jornalistas de qualidade e noticiário nacional e internacional reciclado, pra encher linguiça e imprimir as páginas necessárias para os anúncios. isso quando havia anúncios. quando estes se mudam pra web, porque tais páginas deveriam ser impressas?… o mesmo raciocínio vale para o brasil e qualquer outro país. abra seu jornal local ou regional e constate com seus próprios olhos.

desde janeiro de 2008, mais de 120 jornais americanos fecharam as portas e mais de 21.000 jornalistas e pessoal auxiliar foram demitidos destes e de outros 67 que continuam no negócio. só em 2009, mais de 8.000 pessoas já perderam o emprego. e a tendência não dá sinais de ser revertida; muito ao contrário. a internet já é a fonte primária de notícias nos EUA e vai ser, no brasil, assim que houver banda larga [de verdade] por aqui.

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mas brian solis acha que um novo desenvolvimento pode salvar o “bom” jornalismo: a statusphere, ou statusfera, a rede de reputação capaz de fazer com que agentes individuais, em rede, tenham tanta reputação, reconhecimento e importância –e remuneração- como tinham os grandes jornalistas dos antigos jornais. será? e como e quando?

segundo solisThe Statusphere is the new ecosystem for sharing, discovering, and publishing updates and micro-sized content that reverberates throughout social networks and syndicated profiles, resulting in a formidable network effect of activity. It is the digital curation of relevant content that binds us contextually to the statusphere, where we can connect directly to existing contacts, reach new people, and also forge new acquaintances through the friends of friends effect (FoFs) in the process.

em português? a statusfera é o novo ecosistema para compartilhar, descobrir e publicar atualizações e microconteúdo, reverberando sobre redes sociais e perfis compartilhados, tendo como resultado um espetacular efeito rede de conexões e atividade. a statusfera fará o papel de curadoria digital [e em rede] de conteúdo e conexões relevantes, onde poderemos nos conectar, em contexto e diretamente, a contatos existentes… e onde iremos descobrir e construir novas relações através do efeito FoFs [friends of friends, ou AdAs, amigos de amigos].

parece uma tese interessante. talvez a gente –e quem toca os jornais, no brasil, ainda- devesse ler com muito cuidado e ver como –e se- dá pra fazer aqui, e por quanto e quando, no nosso contexto. a mesma leitura atenciosa, e não por acaso, vale para quem toca serviços online como o TERRA, terraMagazine e tantos outros…

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01.03.09

jornais: evoluindo na web…

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no começo da década de 80, o custo –em telecom- para se ler um jornal online era 50 vezes mais caro do que ter a mesma coisa em casa, em papel. o pessoal do innoblog achou um vídeo histórico de 1981, no youTube, que mostra como eram as primeiras “edições eletrônicas”. vale a pena ver…

no outro lado da linha, estudo do bivings group mostra como os jornais [americanos, no caso] estão se adaptando pra ver se sobrevivem à rede, onde o custo de ler/ouvir/ver um jornal na web é marginal. os principais resultados do estudo são… 1] em 2008, 58% dos jornais aceitava alguma forma de conteúdo gerado pelos “leitores” [agora transformados em usuários, parte de uma ou mais comunidades], contra 24% em 2007; 2] 75% dos sites dos jornais aceitava comentários dos usuários em 2008, contra 33% em 2007 e 3] apenas 10% dos jornais tinha alguma forma de rede social ao seu redor em 2008, contra 5% em 2007.

o último resultado é surpreendente por duas razões: é um crescimento de 100% sobre o ano anterior mas, mesmo assim, é muito pouco no total. a quantidade de tempo e atenção dedicados a redes sociais, na web, pode acabar fazendo com que apareçam, lá dentro, os jornais do futuro. não é por acaso, aliás, que rupert murdoch comprou mySpace quando ainda era uma penchincha, meros US$580M, ainda em 2005

image a maioria dos jornais [e rádios, e TVs] está precisando entender –e praticar- uma realidade instalada há tempos em seus mercados [ou ecologias] pela internet: o “novo mercado”, a rede, é plano ao invés de piramidal, onde quem estava no topo e acostumado ao controle da audiência, no passado, agora tem que competir como [quase] qualquer agente comunitário. sejam bem-vindos: neste novo mundo, ao invés de newton e sua descrição de um universo perfeito e imutável, quem dá as regras é darwin… pra quem vale um ambiente de competição e coopetição em rede, onde só os mais aptos e adaptáveis sobrevivem. nas redes digitais, valem os mesmos princípios.

é capaz de ser mais que mera coincidência estarmos comemorando, por agora, os 200 anos do nascimento do gênio que descobriu como as ecologias funcionam. se você é parte de uma rede de negócios e não sabe o que darwin [depois de muito hesitar] disse sobre evolução e adaptação, tá na hora de ler

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28.01.09

notícias: internet passa jornais [e vai passar TV]

pew internet newspapers as duas primeiras imagens deste texto dão uma idéia do tamanho do problema que a indústria de notícias já enfrenta, hoje, e também a pedreira daqui pra frente. à esquerda, um gráfico do pew research center for people and the press mostra que os jornais foram superados pela internet, este ano, como fonte de informação nos EUA.

entre 2007 e 2008, as notícias dos jornais ganharam 1% de audiência, as da TV perderam 4% e a internet –como fonte de informação- ganhou 16%. os totais de audiência, somados, passam de 100% porque a resposta é de escolhas múltiplas. de seu pico, em 2002, a TV perdeu 12 pontos; do pico de 2003, o rádio perdeu 15 pontos. por outro lado, de sua base de 2001, que é quando banda começa a se tornar realmente disponível para a internet nos EUA, a audiência para notícias, na rede, saiu de 13 para 40 pontos. sinal dos tempos.

internet empata com tv entre os jovens.mas mudança ainda mais radical já é percebida na faixa etária entre 18 a 29 anos. olhe a tabela à direita: nela, a internet já empata com TV como principal fonte de informação, enquanto rádio, jornais e revistas estão muito atrás. para os mais jovens, TV perdeu 11 pontos entre 2007/8 e a internet cresceu 25 pontos. isso pode ser resultado do interesse despertado pela campanha eleitoral americana, com o time vencedor usando a rede ostensivamente e atraindo, para lá, uma grande parcela dos mais jovens… ou vice-versa: o fato dos jovens estarem na rede fez o time de obama levar boa parte da campanha para lá e, com isso, quem já vivia a campanha, na rede, acabou vendo as notícias sobre a eleição e outras por lá mesmo. e pode ser uma combinação –definitiva- dos dois fatores.

estes resultados estão em linha com dois textos recentes deste blog, um sobre o destino [quase certo] dos jornais de papel, de 2 de dezembro passado, quando falávamos de mais de 13 mil jornalistas e pessoal auxiliar demitidos nos EUA, no ano, até então. nos últimos dias de 2008, mais 2 mil perderam o emprego levando a mais de 15.500 demissões no setor, nos EUA, em um único ano. no primeiro mês de 2009, quase 1.000 jornalistas e e assistentes já foram demitidos por lá. é como se toda uma era, incluindo a dos grandes jornais, estivesse chegando ao fim, com ícones como o new york times e o chicago tribune em vias de passar, também, para a história. o outro texto era sobre o crescimento da publicidade na internet, no brasil, que vem aumentando aí pelos 45% por ano, ritmo no qual deve passar rádio em 2009, depois de já ter empatado, em 2008, com TV por assinatura. e o total do investimento em propaganda, por sinal, deve cair na soma de todos os meios à medida que a internet cresce… como diz jeff zucker, da NBC, a revolução da informação é a transformação de dólares analógicos em centavos digitais.

e no brasil, quando é que veremos coisas como o PEW está descobrindo nos EUA? sem contar com mais e melhores pesquisas sobre comportamento na internet, pra começar, precisamos de muito mais banda e universalização. outro texto publicado aqui no blog, em setembro, relatava uma pesquisa da universidade de oxford onde o brasil aparece no honroso terceiro lugar… de baixo pra cima, em uma lista de 42 países, quando o assunto é qualidade da banda larga. ainda precisamos descobrir, por aqui, que quem não tem banda larga [mesmo] não tem internet.

logo depois, precisamos fazer a tal banda chegar em todos os lugares e à vasta maioria das pessoas no país, especialmente os locais mais remotos e à gente mais necessitada. feito isso, não vai dar outra: vai rolar por aqui o que está ocorrendo no mundo inteiro e iremos todos, e de uma vez por todas, para a internet. inclusive o rádio, jornais e TV, com muito maior contribuição, colaboração e controle do que se chamava de audiência, no passado, e que hoje se torna, onde há banda para todos, uma multitude de comunidades, criativas, participativas…

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02.12.08

o destino [quase certo] dos jornais “de papel”

Tags:, , , - srlm às 00:03

o fim do papel vem sendo anunciado há décadas. e não parece estar nem um pouco perto de acontecer. já o fim do que a gente costumava chamar de "jornal", aquela empresa que coletava notícias e opiniões, vendia anúncios, editava tudo junto, imprimia o conjunto em papel "jornal" e distribuía pelo mundo, mesmo que fosse o mundo perto, como arcoverde, pesqueira, pedra e buíque… este fim parece estar cada dia mais perto.

o papel, desde que não seja como "meio de transmissão" de informação, vai muito bem, obrigado. talvez nunca tenha estado melhor. mas os jornais estão em seríssimas dificuldades em muitos de seus principais mercados. nos estados unidos, jornais centenários como o christian science monitor desistiram de sua edição diária e estão de mudança para a web. outros, menores [mas localmente importantes] como o albuquerque tribune [86 anos de publicação] simplesmente desapareceram.

a história do tribune é típica. a circulação do jornal caiu de 42 mil por dia em 1988 para menos de 10 mil em 2008, tornando a operação inviável. os leitores foram para a internet, os anunciantes também e o modelo de negócios do "diário impresso" deixou de fazer sentido. 38 jornalistas e editores perderam seus empregos. o tamanho da bronca, nos eua, este ano, é grande: pelo menos 13.500 jornalistas, editores, administradores e outros cargos desapareceram na indústria de jornais. clique na imagem abaixo para ver um mapa interativo mostrando empresas e lugares que estão desempregando jornalistas como nunca se viu nos estados unidos.

 eua-cemiterio-de-jornais.png

no brasil, a circulação dos jornais cresceu mais de 11% em 2007, situação que parece com a dos países emergentes, mas é muito diferente dos eua, onde grandes jornais, como new york e los angeles times perderam 5% da circulação no mesmo período. os estados unidos [e os países mais ricos] estão se transformando em verdadeiros cemitérios dos jornais "de papel".

bote mais gente na rede, por aqui, mais banda, preços mais razoáveis [anatel! precisamos de competição em banda larga!], monitores de melhor qualidade, impressoras de maior resolução… e vamos ter o mesmo efeito dos estados unidos. e no espaço de uma década, aqui. o modelo "papel como mecanismo de transporte de informação" está teoricamente falido. agora é só esperar que seja efetivamente subsituído por jornais online, blogs, redes sociais, twitters e por aí vai

em 28 de abril de 2000 publiquei um texto inaugural na minha coluna na revista eletrônica NO., começo de dois anos de conversa sobre a internet e o mundo cá fora. o texto tinha por título o fim de um dos fins do papel e tratava exatamente do que estamos falando aqui. o texto ainda tá novinho em folha. clique no continue lendo, abaixo, e continue lendo…

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