Terra Magazine

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

bits.3: conteúdo vira serviço

Tags:, , , , , - srlm às 07:00

tim o’reilly deu uma palestra interessante [Some Context for Thinking about the Future of Media] há pouco tempo, mostrando mais uma vez o que é obvio mas que muitos agentes nos mercados de rede não sabem. ou não querem saber. que conteúdo está se tornando serviço. um dos slides está abaixo, no contexto em que um mapa [de um atlas rodoviário, daqueles antigos...] sofreu uma metamorfose e virou uma coreografia de serviços que pode envolver múltiplos provedores e que é apresentada em tempo real ao usuário, sob demanda implícita ou explícita.

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aí, as operadoras são infraestrutura e nada mais. nada têm que pareça útil a qualquer um de nós que não seja banda. isso quando entregam. o provedor do conteúdo, a menos que esteja por trás da plataforma, como é o caso de google, apple e microsoft, pouco tem a dizer sobre o que acontece com seu material. aí é onde entra a amazon, sua cadeia de valor de, sua capacidade de prover serviços [conhece amazon AWS? sabe que é lá que vai rodar boa parte do silk browser?]…

browser como serviço. conteúdo como serviço

…e sua plataforma kindle, agora no formato FIRE, rodando um ramo de android controlado pela… própria amazon. resultado?…

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o FIRE assume o segundo lugar em vendas logo na partida e, a US$199 e redefinindo o preço de todos os tablets, vende em seu primeiro trimestre 20% a mais do que o iPad no mesmo período. veja uma análise, aqui, do que pode ser o primeiro dispositivo a enfrentar o iPad, pelos serviços que porta e não pela máquina parece ser. estivesse no mercado de qualquer tipo de hardware, eu estaria de orelha em pé há muito tempo. porque hardware que não se tornar commodity é porque vivou serviço. assim como conteúdo.

Relógio

até janeiro de 2012, o blog vai publicar [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

um crescimento amazônico

pra quem achava, muito tempo atrás, que e-commerce não ia "dar dinheiro", taí a curva de crescimento dos negócios da amazon.com nos últimos dez anos…

…onde se vê que o volume de negócios aumentou quase vinte vezes desde 2000 e cresce, ainda, a taxas superiores a 50% por ano. não é coisa pouca para um negócio que já tem mais de 15 anos.

no começo, a amazon.com era uma livraria. depois, o maior shopping center do planeta. agora, além de ter virtualizado o negócio de livros com o kindle [a plataforma, e não só o dispositivo; quase US$5.5B este ano] e entrar no mercado de aplicações móveis e dispositivos de informatização pessoal [vem aí o tablet da empresa, sobre a plataforma android]…

…a amazon criou o primeiro e até agora mais efetivo negócio de infra e serviços computacionais e de informação sob demanda na internet [amazon web services, AWS]. não é coisa pouca: AWS, criado do zero a partir de 2006, já aponta para uma receita de US$2.5B em quatro anos.

a amazon começou do zero. o kindle também, apesar de canibalizar parte do negócio de venda de livros físicos. mas o impacto, aqui, é sobre a venda dos "livros dos outros" e não da amazon, que continua vendendo os livros, agora digitais, em volume ainda maior que físicos. e AWS também veio do zero, como parte dos dois níveis inferiores da "torre de software" de que falamos no texto passado aqui do blog.

isso é parte da explicação da curva lá em cima. inovações que não entram em conflito [direto, pelo menos] com negócios já existentes e sobre as quais não há uma arenga institucional relacionada à "proteção" de núcleos de receita e poder na corporação. resultado? mais receitas e mais lucros.

pra ter uma idéia da bronca num outro negócio onde o "novo" entra em conflito permanente e explícito com o "velho" e quais são as consequências para a receita, no tempo, olhe o gráfico abaixo…

chart of the day, microsoft, profit, income by division, july 2011

…que mostra cinco anos consecutivos de prejuízos da divisão de "serviços online" da microsoft. redmond, certamente, tem competência para "fazer" alguns dos melhores "sistemas online" do mundo. mas o tal do "online", lá, pode nunca ter tido a prioridade estratégica que kindle e AWS tiveram, na amazon, por causa do conflito em potencial com outras áreas de negócio da empresa. pra explicar o prejuízo do online, talvez a gente devesse olhar para o tamanho do lucro da "divisão office" do negócio de steve ballmer, muito mais lucrativo agora do que há cinco anos. o problema é… isso é sustentável por quanto tempo?

se eu fosse a microsoft –ou qualquer outro negócio, digital ou não, hoje- olhava mais para a amazon. muito mais. e muito mais de perto. afinal de contas, aquela curva lá em cima não é brincadeira…

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

pirataria [digital] chega à literatura [de uma vez por todas]

Tags:, , , - srlm às 19:24

que o suporte físico para áudio e vídeo está com os dias contados, não é novidade pra ninguém. a mudança do suporte físico [analógico] para o virtual [em rede, digital] desestruturou uma indústria secular, que havia começado com o gramophone da vovó. em alguns anos, a velha indústria de áudio e vida será só história, nada mais.

a pergunta que temos que fazer, agora, é: será que chegou a vez da mesma transição na literatura? até agora, o suporte físico clássico dos livros, o papel, vinha resistindo bravamente. livros tem um tempo de vida longo, as pessoas carregam de um para outro lugar, leêm na cama, no avião e nas praças, emprestam, armazenam em biblotecas, trocam, vendem pros sebos, enfim, existe uma longa história de uso pessoal e social do livro.os jornais e as revistas, bem… os jornais estão passando desta para a melhor. apanham até do twitter: twitter.com tinha 19,4 milhões de usuários no final de abril, nytimes.com tinha 15,5M e wsj.com estava ali pelos 12,2M. os jornais que não viraram portais parece que, também, já viraram história.

 

mas agora pense, no caso dos livros: e o sony reader? e o amazon kindle dx [imagem acima], que vem com qualidade “jornal”, tela de quase 10 polegadas, bateria para dias de leitura sem recarga e memória para carregar 3.500 textos, ou quase todos os livros que você leria na vida?…  já existem 275.000 livros disponíveis para o kindle, e o número cresce todo dia.

e isso não vai ficar por aí: o kindle ainda é P&B, meros 16 níveis de cinza, mas a philips está para lançar –em escala industrial- um “papel eletrônico” colorido [imagem ao lado] que vai, de novo e muito em breve, mudar as regras do jogo. o e-paper da companhia holandesa tem um brilho três vezes maior do que os atuais monitores de LCD e pode representar, também, o apagar das luzes desta tecnologia, ainda mais porque seu consumo de energia é muito menor.

como se não bastasse, o que dizer dos serviços online de compartilhamento de documentos, como slideshare.net, wattpad.com e scribd.com? cada um destes é uma plataforma de gestão de ciclo de vida de informação digital –conteúdo- que começa a ter um efeito cada vez mais global na disseminação de literatura digital, não necessariamente obedecendo os termos do copyright impresso [ou codificado] no material, digamos, original.

aí, então, você pode achar, na rede, o “livro proibido” de roberto carlos, a biografia do rei, muito bem pesquisada e escrita por paulo césar de araújo, que foi confiscada das livrarias por ordem judicial. no scribd.com, ela está neste link. quando tirarem de lá, vai estar noutro. só no scribd.com, há dezenas de links com a biografia “proibida”.

o caso da biografia do rei acentua um duplo problema: primeiro, o “livro” está na rede, compartilhado [pirateado?] muito provavelmente sem licença do autor e da editora; depois, descumpre-se uma decisão judicial que retirou a obra de circulação. os leitores agradecem, pois se trata uma obra de primeira, que consegui comprar antes da proibição, mas todo o resto do sistema de suporte literário, inclusive o aparato legal atual, vai pro espaço.

 

passado o calor da discussão sobre digitalização, rede, áudio e vídeo, é bem possível que o kindle dx, o e-paper colorido, flexível, de alta resolução e brilho, e os serviços de compartilhamento de “livros” e documentos sejam o começo do fim do que conhecemos como a indústria do livro.

e eu tô me inscrevendo na fila pra comprar uma coisa do tipo “kindle” colorido, de alta resolução, em rede, assim que for lançado no brasil. tomara que seja logo. minha coluna, cansada de carregar livros de papel por aí, vai agradecer. muito.

 

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