Terra Magazine

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

2011: balanço da mobilidade

recorde: em 2011, foram feitas 39.3 milhões de habilitações de terminais móveis [6.1 milhões só em dezembro, parece haver um pequeno erro no histograma abaixo], somando celulares, tablets e outros terminais de dados na rede móvel, como modem 3G e os POS, as maquininhas de cartão de crédito que vão até a mesa no bar. a imagem abaixo, da teleco, mostra o que aconteceu durante o ano…

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…e, pra gente ter uma ideia do tamanho relativo de mobilidade do mercado de comunicações, veja o que aconteceu no mercado de telefonia fixa nos últimos anos, também cortesia da teleco:

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pra começar, note que o número de novos telefones fixos por ano, no brasil, de 2008 a 2011, é menor que o de novos acessos móveis por mês em 2011, para qualquer mês. de agosto em diante, as adições móveis superam novos acessos de banda larga fixa e TV por assinatura, por ano, nos últimos quatro anos. a figura abaixo mostra que o mercado se recuperou depois da "crise" de 2008/2009 e atingiu, ano passado, uma performance que dificilmente será superada neste ou nos próximos anos.

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a surpresa para muitos é que a taxa de crescimento do pós-pago foi, pela primeira vez em mais de meia década, muito superior à do pré-pago, como mostra a imagem abaixo…

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…o que certamente é resultado do crescimento do poder aquisitivo e da diminuição dos preços das operadoras… como mostra o gráfico abaixo…

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…que demonstra uma queda de 41% no preço médio do minuto de chamada móvel em dois anos, sem descontar a inflação [a queda real foi ainda maior]. sabe qual foi a consequência disso? ao invés de gastar menos, todo mundo falou mais…

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…e o tempo de uso médio, por mês, cresceu 38.4% no período e chegou a 122 minutos. a OI não divulga estes dados para sua rede. e os orelhões, coitados? dançaram: no mesmo período do gráfico acima, a receita bruta por orelhão da OI caiu 76%, de R$92 para R$22. devem estar dando um prejuízo danado, talvez seja hora de rever a regulação pra este pedaço de passado.

qual é a próxima grande mudança neste mercado? vamos olhar os dados da teleco de novo, um oásis de informação histórica e consolidada no caos e favelas de dados do país. estudo feito em julho passado pela consultoria mostrava que 85% dos acessos móveis brasileiros ainda não eram 3G.

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assumindo que esta proporção tenha mudado em cinco pontos percentuais no segundo semestre, pois o número de celulares 3G vendidos é cada vez maior em relação aos outros, é possível que tenhamos 15% de celulares 3G no brasil, agora. em números redondos, seriam 35 milhões de celulares 3G por aí. arredondando de novo, como 80% [veja gráfico] desta galera está na web, são perto de 30 milhões de brasileiros na web móvel. mas menos de 10% são smartphones, contra mais de 30% nos principais mercados do mundo.

um chute, sem medo de errar: nos próximos anos, vamos ver uma troca de celulares simples e 3G por smartphones, em muito larga escala, com uma mudança radical no padrão de interação mediado pela infraestrutura móvel, com uso muito intensivo de dados, para quase tudo. e isso vai exigir muito investimento das operadoras, muita atenção e fiscalização do regulador e muita paciência de todos nós, usuários. mas até um ponto: do lado de lá do "celular", todos têm que entender que estão nos prestando um serviço e que estamos pagando por ele. e não é pouco: temos a quinta maior tarifa do planeta, o que deveria gerar receitas suficientes para serviços de qualidade acima da média, e não o que temos tão frequentemente. e vamos ver se o governo faz sua parte: política, estratégia, articulação e incentivo são muito mais importantes do que parecem e, bem feitas, sempre fazem uma grande diferença.

dito isto, o gráfico abaixo mostra o número de pessoas por chip SIM nas grandes regiões do planeta. aqui, temos uns 194 milhões de habitantes. dividindo habitantes por celulares, dá 0.8 pessoas por celular [ou melhor, por SIM], a mesma média da europa ocidental. claro que podemos comemorar isso. mas temos que dizer, e tão alto quanto, que nos falta a qualidade de rede que eles têm por lá. e isso atrapalha muito, tanto as relações pessoais como de negócios.

densidade e qualidade de rede, a preços aceitáveis, fora da competição pelos mais altos do mundo, devem ser nossa  grande preocupação dos próximos anos. e vamos trabalhar, todos, que estamos atrasados.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

mobilidade: fragmentação, diversidade e execução. entre "americanos".

o mercado de smartphones tem um líder. por muito. android tem 52% de todas as vendas, como mostra a tabela abaixo. clique pra ver em detalhe.

gartner-q3-2011-smartphone-shares-o

e o mercado de mobilidade tem um líder. a apple tem 52% do lucro, como mostra o gráfico abaixo. e a apple só vende 4% de todos os celulares.

chart-of-the-day-apple-has-4-of-the-phone-market-and-52-of-its-profits

e a imagem abaixo apareceu aqui mesmo no blog há um mês, mostrando como a apple [iOS] e google [android] mudaram tudo no mercado de smartphones nos últimos quatro anos.

agora volte para a primeira imagem, a tabela. veja quem é o segundo maior vendedor de smartphones por sistema operacional. sim, a nokia. com menos da metade do mercado de 2010, mas em segundo lugar, ainda.

a nokia acaba de lançar seus primeiros smartphones windows phone 7.5 e não deve parar por aí, entrando também no mercado de tablets a partir de 2012 [rodando windows 8]. para a microsoft, a entrada da nokia no "seu" mercado de sistema operacional móvel é a promessa de uma grande família de dispositivos, de todos os preços e capacidades, para o mercado mundial.

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testando windows phone 7.x há alguns meses, estou vendo a melhoria continuada do sistema, em funcionalidade, confiabilidade e performance. a atualização via zune é transparente e já rolou duas vezes para o LG E900 [disclosure: da vodafone inglesa, cedido pela microsoft brasil], sem qualquer problema, e a última foi para a versão mango, que praticamente reescreve o sistema operacional.

a microsoft perdeu quase a metade do mercado de smartphones em um ano. e caiu pra região lá do 1%. o fim, se não fosse a microsoft [e, agora, a nokia]. em maio, a IDC previu que a microsoft teria 5.5% do mercado de smartphones em 2011. errou, pelo menos até agora. e apontou pra mais de 20% em 2015. pouca gente acredita que redmond consiga tanto em tão pouco tempo.

certo é que o mercado de mobilidade agora é quase só de smartphones e isso significa todas as faixas de idade, preço, geografias e usos. como android está mostrando, a estratégia de [quase só] um sistema e muitos vendedores de hardware é muito mais abrangente [apesar de menos lucrativa, agora] do que a necessária verticalização da apple.

para garantir uma participação majoritária no mercado global de sistemas de informação pessoais, conectados e móveis [leia-se  smartphones e tablets] a proposição da apple deveria ser mais diversificada do que um de cada.

pode ser que a microsoft consiga combinar as estratégias de google e apple: uma plataforma informatização pessoal menos fragmentada do que a da primeira e mais aberta do que a da segunda. combinada com hardware de qualidade, usando a definição de drucker: qualidade é o que o cliente quer, pelo preço que ele pode pagar.

agora que a microsoft começou a alinhar sua oferta e abrir o caixa pra enfrentar android e iOS, os próximos mil dias vão nos dizer quem sairá do outro lado.

maiores problemas de cada um? google, fragmentação e, daí, a gestão do ciclo de vida: nenhum de meus android foi atualizado, nenhuma vez, sem minha intervenção direta. isso é um problema para o usuário comum.

para a apple, o problema no grande mercado global que se desenha vai ser a diversidade: como manter a qualidade "apple" em um número muito maior de dispositivos. ou não. a empresa pode decidir ficar [por um tempo] onde está: pequena no mercado, mas com margens assombrosas. e prestar atenção, o tempo todo, pra ver onde foi mesmo que a RIM errou.

para a microsoft, que está começando agora, o principal problema deverá ser execução: noite e dia, ballmer & co. terão que fazer, em casa, o que não vinham fazendo com o velho windows phone. além de alinhar a nova oferta com windows 8 [a estratégia "família"], atrair um grande número de fabricantes e desenvolvedores e adensar a rede de valor… em suma, fazer tudo que google e apple já vêm fazendo há anos, pra ter uma presença lucrativa no mercado. lembrando que se trata de, literalmente, "tirar" dinheiro da apple e de google, e isso não vai ser nada fácil.

em suma, os próximos mil dias serão de disputa entre os que são a favor e contra, na apple, da diversificação de sua oferta móvel; lá em google, entre os que querem e podem, ou não, diminuir radicalmente a fragmentação de android; na microsoft, entre os que têm a capacidade, ou não, de cuidar da execução que pode colocar a empresa em um patamar de competição com os outros dois. e você diria: e os outros? mas que outros? como um slide recente de mary meeker mostra, a parada é entre os  "americanos". e se entrar mais um, o que pode rolar em grande escala, será a amazon.

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

um brasil maior: mesmo?

o programa brasil maior, ação mais recente do governo federal na direção de uma política industrial e de comércio exterior, foi bem recebido pelo setor de software. as empresas da área deixam de pagar encargos trabalhistas de 20% sobre a folha de pagamentos e passam a recolher um imposto de 2.5% sobre a receita bruta do negócio. isso de forma experimental, de quando o assunto for regulamentado ate dezembro de 2012, quando o assunto será reavaliado.

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edmundo oliveira, diretor de relações institucionais da associação brasileira de empresas de tecnologia da informação e comunicação, a brasscom, disse a tele.síntese acreditar "que a medida terá um impacto muito positivo para o setor e vai permitir o aumento da competitividade das empresas de TI do país”.

o blog concorda, em tese, com a brasscom. pelo menos o governo federal saiu da imobilidade que sempre o distanciou de um dos setores mais ativos da economia durante décadas e fez alguma coisa pelas empresas de software. para saber o que vai –ou pode- acontecer na prática e quais são as consequências no curto, médio e longo prazos, falamos com césar gon, um dos fundadores e atual diretor presidente da ci&t, uma das empresas de software que mais crescem no país, com clientes pelo mundo afora e bases no EUA, japão e china, além do brasil.

SM: qual o impacto que as medidas do plano brasil maior poderão ter na indústria de software nacional? como elas aumentam a competitividade das empresas baseadas no brasil no mercado mundial? que expectativa de geração de novos empregos nós temos? ou se trata de medidas para manter o grau de emprego da indústria nacional de software?

CG: Acho que são dois contextos distintos: para o mercado doméstico, são muito positivas e certamente contribuem para uma melhoria horizontal no setor, com aumento da formalização e incentivo ao emprego. São também defensivas, pois criam mais uma barreira para reduzir a migração de empregos locais para países mais competitivos que o Brasil como Argentina, Uruguai, China e Índia.

Num contexto mais global, o caminho para a real competitividade é bem mais longo. O impacto positivo dessa desoneração é certamente menor que a perda com a variação cambial nos últimos dois anos, período no qual o Brasil viu sua (já pequena) participação no mercado mundial diminuir para menos de 2%. Completando o cenário, o protagonismo das empresas nacionais no volume total de exportações (US$ 2,39B em 2010, segundo o IDC) é muito baixo, de menos de 10%, número aliás muito parecido com a participação das empresas de capital nacional no mercado doméstico.

Esse fracasso, se olharmos com cuidado, está associado a questões bem mais fundamentais do que o câmbio ou o custo trabalhista. O nosso atraso está ligado à estrutura da nossa indústria, a uma cultura de curto prazo e pouca diferenciação.

Como exemplo, veja que estamos falando de uma "experiência" de  desoneração (e expectativa de resultados) com um prazo de 13 meses
(dez/11 a dez/12), quando qualquer estratégia de internacionalização  precisa ser pensada num horizonte bem maior, de no mínimo 10 anos. O que vi nas duas últimas décadas foi um movimento pendular e inócuo: as empresas nacionais decidem exportar quando o mercado doméstico está desaquecido e a relação dólar/real favorável. Em seguida, o cenário  muda, a demanda interna aumenta e/ou o dólar se deprecia e as  iniciativas de exportação perdem prioridade. O fato é que o processo de internacionalização leva tempo, consome capital e demanda inovação.

Não é algo para ser feito em dois ou três anos. Montar a estrutura  executiva local, estabelecer credibilidade, inovar para diferenciar a oferta em cada mercado/cultura etc. são atividades críticas e que demandam tempo para maturar.

SM: além das medidas atuais, o que mais é preciso fazer para se ter um brasil realmente competitivo frente a indústria internacional de software?

CG: Para criar uma forte e exportadora indústria nacional de TI, não basta atacar a crônica falta de competitividade do capital humano brasileiro. Sob um olhar mais estratégico, não será exportando serviços de baixo valor agregado que iremos conquistar espaço numa das mais competitivas e inovadoras indústrias do mundo.

Não dá para desenhar uma estratégia de exportação baseada apenas em arbitragem de custos através de alocação de mão-de-obra (no jargão do setor, "body shopping"), que é a modalidade de serviço ainda predominante na indústria doméstica. Além disso, impera ainda a cultura extrativista de "vender para depois contratar" em contraposição ao investimento contínuo em formação de profissionais, o que cria um ambiente de alta rotatividade e baixa qualidade.

É preciso olhar para o futuro. O mercado de produção de software
offshore é resultado de uma transformação do final do século passado, liderada pela Índia e baseada numa enorme disponibilidade de mão-de-obra técnica, de baixo custo e fluente em inglês. O Brasil não participou daquela transformação e não deve almejar ser um protagonista tardio.

Por outro lado, existe um processo radical de mudança na indústria
global de serviços de TI, que será novamente transformada, dessa vez
pela "consumerização" do uso da tecnologia, pela massificação da
computação em nuvem e pela pervasividade dos dispositivos móveis e das redes sociais.

Tais transformações representam uma enorme oportunidade para um posicionamento de maior valor para todas as empresas de TI, inclusive
as nacionais. E os fatores críticos para que essa oportunidade possa ser capturada pela indústria nacional de software são 1) alongar a visão de investimentos,
2) criar ecossistemas empresariais mais inovadores; e 3) apostar pra valer num intenso processo de formação de capital humano de qualidade, em grande quantidade.

a julgar pelas respostas de césar gon, parece que estamos vendo surgir mais uma solução conjuntural [e parcial] para um problema estrutural [e muito mais complexo de ser tratado], similar ao que está acontecendo no mercado de hardware, assunto que já discutimos neste e neste textos.

e as coisas não são assim porque brasília não entende o assunto, cenário, mercado, empresas e seus problemas. é porque se trata de uma situação complexa e, como tal, de solução trabalhosa e potencialmente complexa.

mas os políticos parecem ter perdido a noção do que realmente significa governar um país: deveriam governar para resolver problemas, a maioria dos quais complexos, multifacetados, interconectados, históricos… que assolam seus cidadãos, as empresas e as instituições em geral. claro que isso não é simples e nem pode ser feito sem atingir interesses variados, em quase todo caso. resultado? como tudo o que é estrutural e daria resultados de curto, médio e longo prazos é difícil de ser feito, prefere-se o conjuntural, muito mais simples de ser atacado e que pode até dar resultados no curto prazo e dentro de um escopo limitado.

e o futuro, de verdade? parece que fica para o próximo mandato. se houver um. ou para quem estiver no lugar em alguns anos, seja quem for. ele ou ela que pague os custos políticos de resolver os problemas de verdade. foi pensando assim que a atenas e roma [antigas e atuais] afundaram, que os EUA estão na situação em que se encontram… que a argentina patina há décadas… e que nós e os russos [parece até que, desta vez, combinamos com eles] realizamos muito menos do nosso potencial do que poderíamos e os BRICs são, cada vez mais, só IC, de índia e china.

o que talvez esteja em falta, na política de muitos países e empresas, é criatividade para tratar os problemas da era da complexidade. sem falar na pura e simples confiança, determinação e coragem para não fugir dos grandes problemas.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

a economia das APPs

Tags:, , , , , - srlm às 08:00

semana passada tuitei um dado sobre a rentabilidade das aplicações depositadas no appStore da apple…

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…e várias pessoas entraram na conversa imediatamente, chamando a atenção para o fato de que downloads pagos e gratuitos estavam no mesmo saco.

tudo bem, a ideia era esta: para "vender" alguma coisa num appStore, quase todo mundo oferece algo grátis e cobra pela versão completa, profissional, sem anúncios, o que for que a diferencie da básica. o modelo de negócios freemium, aliás, começa a se estabelecer como "o" modelo para jogos móveis, que de resto ocupam 75% das posições entre as 100 apps com maior número de downloads em qualquer appStore.

AppStore Top100GrossingGames Freemium vs Premium resized 600

a conta lá do tweet, que vem de informação de techMeme, diz que somando apps pagas e gratuitas, a renda por app é US$0,17, o que dá alguma coisa perto de R$0,27. a apple fica com 30% do total pago; os números acima se referem ao que é pago aos desenvolvedores. o appStore da apple está registrando, hoje, 24 milhões de downloads por dia, sobre um universo potencial de 425.000 aplicações disponíveis.

se tudo fosse igual para todo mundo, cada aplicação teria perto de 60 downloads por dia, correspondendo a uma renda de pouco mais de R$15, ou perto de R$450 reais por mês. se você fizer uma destas tais aplicações "médias", é isso que você pode esperar, durante o tempo de vida da sua aplicação, algo como dois anos.

ocorre que mais de 50% das aplicações não chega a 1.000 downloads durante todo seu ciclo de vida; se vocês estiver nos 50% que consegue pelo menos 1000 downloads, são R$270 em caixa. e isso é um problema para boa parte das aplicações: para os jogos, o custo de desenvolvimento está entre US$10.000 e US$50.000. e esqueça anúncios: leia neste link como um jogo que teve 10 milhões de downloads rendeu apenas US$30.000, para um total de 108 milhões de anúncios servidos… cuja taxa de click-through [métrica de pagamento na maioria dos casos] não passou de 1%.

veja um pequenos estudo sobre a economia dos appStores neste link. claro que isso tudo ainda está em estágio inicial e, para quem está no jogo, trata-se muito mais [pelo menos no momento] de aprender do que lucrar.

à medida que os três [ou quatro] appStores que vão existir no futuro [apple, android, microsoft {e amazon}] amadurecerem e servirem de base para a personalização de quatro ou cinco bilhões de smartphones, os volumes aumentarão, novos modelos de negócio vão aparecer e coisas vão mudar.

apesar dos appStores terem melhorado muito o jogo para o lado dos desenvolvedores e pequenas empresas de software em relação ao que nos ofereciam [argh!] as teles, parece que ainda não chegamos ao ponto em que podemos comemorar.

é preciso bem mais do que uma ideia na cabeça e um jogo [ou qualquer outra coisa] em algum appStore para se declarar vencedor. para gerar renda de verdade e sustentar uma galera trabalhando nisso, então, é um esporte diferente, para o qual é preciso ter imaginação, estratégia, modelo de negócios, criatividade, inovação, execução… tudo o que sempre foi preciso para criar um novo negócio inovador de crescimento empreendedor.

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PS: passando bem perto do tema deste post, john battelle acaba de publicar um texto [time for a new software economy] que aponta os problemas que temos, hoje, na economia de software. battelle questiona se não está na hora de se repensar as plataformas de suporte às ecologias de aplicações e serviços, na web e móveis. segundo ele, os atuais fundamentos da indústria de software são incapazes de promover uma ecologia saudável e de longo razo. eu concordo e acho que isso tem a ver com a necessidade de uma nova classe de suportes aos mercados de software e isso, por sua vez, tem a ver com uma ideia que estamos desenvolvendo no c.e.s.a.r e na UFPE, as máquinas sociais.

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

debate na anatel: mercado e inovação em telecom

Tags:, , , , , - srlm às 11:31

o brasil está numa encruzilhada do tamanho do país e da nossa economia: perdemos muita competitividade nos últimos tempos, especialmente em setores industriais e de serviços mais sofisticados, como em hardware e software. no último índice de competitividade global, publicado pela IMD, caímos quatro posições em um ano e agora estamos em quadragésimo quarto lugar entre os 59 países analisados, considerando 331 critérios. o índice da IMD existe desde 1989 e nossa posição relativa é mostrada na tabela abaixo

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as causas principais da nossa baixa competitividade são conhecidas: baixa produtividade, déficit educacional [em quantidade e, quando temos esta, em qualidade], complexidade social [a burocracia estatal aí incluída], alta carga tributária, má qualidade da infraestrutura e, agora, nosso alto custo de vida. aliás, anda mais barato contratar engenheiros de software em portugal e espanha [note que não estamos falando de índia e china] do que no brasil.

segundo carlos arruda, da fundação dom cabral, mesmo quando o brasil aparece bem no índice de competitividade, como na geração de empregos, temos problemas graves:

"…os empregos gerados são em setores de baixa agregação de valor, que vão gerar pouco em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). E os investimentos que entraram foram para fazer oferta ao mercado doméstico ou para ganhos financeiros, não em infraestrutura ou indústria de alto valor".

não é surpreendente, pois, com a maioria dos investimentos destinados a suprir o mercado doméstico, a comparação mostrada em um dos meus slides no debate da anatel sobre pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor de telecom, regulado pela agência…

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a equação na parte de baixo do slide quer dizer que, em 2010, nosso déficit da balança comercial de eletrônica foi 2,7 vezes maior que o superávit da soja. e deve ser notado que não conseguimos exportar mais soja do que já exportamos por diversas razões, uma delas os limites do mercado mundial.

também não há nenhuma surpresa quando olhamos para nossa posição nos variados índices de qualidade no quesito infraestrutura, como mostrado na tabela abaixo, do global competitiveness report do fórum econômico mundial, onde o brasil caiu menos do que no índice da IMD: apenas duas posições, da 56 para a 58. em infraestrutura, estamos lá no 62o. lugar.

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o que a tabela mostra é o que sabemos, há tempos. nossos aeroportos são muito ruins, as estradas são horríveis, os portos são ainda piores, quase no fim do mundo. como queremos exportar mais, mesmo commodities, se estamos entre os 10% piores na qualidade dos portos?…

numa lista de 139 países considerados pelo WEF, estamos no grupo do meio, o dos emergentes, ou dos países movidos a "eficiência", o que não parece ser o caso por aqui. olhe o gráfico abaixo: tirante o tamanho do mercado [que atrai os tais investimentos para supri-lo...] e a sofisticação dos negócios [que não têm outra alternativa, num ambiente tão complexo como o nosso...] estamos muito perto da média do nosso grupo ou mesmo abaixo dela [como é o caso do ambiente macroeconômico].

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perguntados, os empresários responderam que os principais impeditivos para se fazer negócios no brasil são…

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…o que também não é nenhuma surpresa. não é preciso ser empresário ou investidor para entender que a combinação dos cinco primeiros itens acima com todas as outras deficiências estruturais que o relatório do WEF aponta é capaz de afastar qualquer um que não esteja no negócio de atender o grande mercado brasileiro.

resultado? somos pouco competitivos internacionalmente, isso já sabemos. mas se olharmos de perto o setor de telecom –ou qualquer outro, regulado- deveríamos fazer o que? sabemos que o contexto maior vai mudar pouco. há décadas que se fala de uma reforma fiscal e não se faz nada. há décadas que se fala de juros altos, mas ninguém esteve ou está disposto a levar a sério o descontrole dos gastos públicos. e por aí vai.

o problema na balança comercial em eletroeletrônicos é gravíssimo, mas é apenas a febre de uma doença interior muito mais grave. como a doença é complexa e muito difícil de combater, todo mundo parte para atacar a febre. no caso da anatel, a agência vai realizar uma consulta pública sobre o [lá dos meus slides]…

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…das teles. a idéia geral é dar algum tipo de preferência, na compra de infraestrutura das operadoras reguladas pela anatel, a produtos feitos no brasil, sem que isso configure uma [nova] reserva de mercado. todo mundo poderia comprar o que quisesse mas quem comprasse "made in brasil" ganharia pontos em um índice da anatel, que poderia vir a ser usado de várias formas, inclusive na avaliação de cumprimento de metas e renovação de concessões.

não deixa de ser uma boa idéia para minorar a febre. mas fica muito longe do que precisa ser feito para resolver a doença da balança comercial, que pode se tornar fatal se não for tratada na raiz. e, no caso de telecom ou do setor de produtos de ou intensivos em informática, o que fazem os países cujas empresas dominam o mercado, nacional e internacional?

bem… por lá, eles tratam de [dos meus slides, de novo]…

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…ou seja: ao invés de tratar pura e simplesmente a febre comercial, o que pode custar caro do ponto de vista de relações internacionais, cuida-se da doença como um todo. como? imagina-se e desenha-se o futuro e se encomenda das empresas [teles e fornecedores], instituições de inovação e universidades, aliadas a investidores, o tal futuro. em que horizonte? em cinco, sete, dez, quinze anos. por que? porque focar no passado da inovação, criando condições para nós, que não somos competitivos internacionalmente, atendermos nosso mercado agora, leva a uma situação que nos levará a repetir este processo a cada crise no futuro, próximo e distante.

o mercado brasileiro de telecom é muito grande. e é um grande atrator de fornecedores globais. mas nossa capacidade inovadora, de investimento e empreendimento são menores do que o que deveríamos ter para sermos, também, fornecedores globais. para tratar os problemas causados pela combinação de um grande mercado com a baixa capacidade inovadora, de investimento e empreendimento, temos que pensar além do mercado e além do tempo curto dos governos, mandatos e resultados imediatos.

sem um conjunto de visões, estratégias, planos e projetos inovadores que aliem os interesses e o mercado nacionais à construção de uma capacidade de entrega competitiva global, a partir do brasil, com uma densidade razoável de competências e conteúdos nacionais [e não só fabricação local, como parece que vai ser o caso da foxconn, a nova "salvação da lavoura"...], além de investimento e empreendedorismo brasileiros de classe mundial… vamos revisitar este problema da balança comercial a cada grande crise e, vez após vez, discutir as mesmas coisas que vimos discutindo há décadas.

mas talvez tratar a só a febre tenha uma consequência ainda pior: por sabermos que estaremos apenas respondendo perguntas e não resolvendo os problemas reais que temos que resolver para nos tornarmos mais competitivos, não vamos fazer, de verdade e a fundo, o que teríamos que fazer para dar conta da doença e só vamos baixar a febre. e só um pouco, por sinal…

pra terminar, olhe a imagem abaixo. segundo o WEF, estamos nos países do meio. este texto fala de inovação, coisa dos países do topo. mas pense, olhando para a figura, no número de problemas que não resolvemos mesmo entre os requisitos básicos dos países em desenvolvimento…

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a decisão de tratar o problema de inovação no setor de telecom pela via grandes problemas nacionais de classe [e mercado] global e encomendas estratégicas para resolvê-los não é fácil. é mais fácil tentar ordenar [tomara que não seja tutelar...] o poder de compra do setor privado ou estatal. mas a diferença fundamental entre as duas opções é que a primeira tem alguma chance de resolver o problema e a segunda, quase nenhuma.

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

inovação é conversação

este post é mais um intervalo técnico para a série sobre educação empreendedora aqui do blog. antes deste texto, já foram publicados os "capítulos" 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15,16, 17, 18, 19, 20, 21; depois, nenhum, ainda. simbora.

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[aviso aos navegantes: este texto é uma revisão de um outro, publicado neste link pelo autor em 2007; como o assunto está diretamente ligado ao texto de ontem aqui do blog, aqui vai a conversa, levemente reescrita.]

conversações são mercados e inovação precisa ser vendida. seres humanos têm que ser convencidos, por outros, dentro das empresas, casas, lojas e meios-de-ruas, a apostar em coisas cuja viabilidade não parece nem um pouco certa. a interação entre colaboradores, face-a-face ou através dos mais variados tipos de processos virtuais, é essencial para criar um entendimento -uma cultura preliminar- que aumente muito a possibilidade de transformar propostas de inovação em projetos inovadores.

e a conversa não para aqui. projetos inovadores normalmente têm especificações mais vagas do que as dadas a problemas clássicos, e por razões muito simples. nos últimos, sabemos o que estamos resolvendo; às vezes, até temos a liberdade de pensar “fora da caixa”, mas o problema -digamos- principal está estabelecido e não temos muito como fugir dele.

nos processos realmente inovadores, ao invés de pensar se [e n]o problema [que] está dentro ou fora da caixa, temos que repensar “a caixa” propriamente dita, o que certamente nos dará uma visão inteiramente nova do contexto. este novo mundo tem seus próprios problemas e o maior deles, talvez, é o entendimento comunitário de seus mais variados significados. sem muita conversa, e muitas vezes conversa focada, em torno de assuntos específicos e essenciais, às vezes conflituosos, não será possível desenrolar o projeto.

o “projeto” pode ser um novo produto. e a conversação pode dar em nada. quando a at&t [então a maior empresa de telecom do mundo] perguntou a uma das maiores empresas de consultoria do planeta [lá nos anos 70] se valia a pena entrar num negócio chamado telefonia celular, a resposta dos megaconsultores foi um sonoro não, pois a previsão de mercado [no longo prazo, 20, 30 anos] para celulares era cerca de 900.000 “linhas”.

o que é mais ou menos o que se vende em algumas horas, na terra, hoje. as vendas globais de celulares, em 2010, chegaram a 1.6 bilhões, bem mais de 4 milhões de telemóveis por dia. e a at&t, durante muito tempo, foi salva por ter sido escolhida por uma certa companhia [que nem era do "mercado de celulares"] para ter suas máquinas distribuídas exclusivamente para seus usuários.

o que faltou na conversa da at&t e estava presente na da apple? na primeira, faltou alguém perguntar “mesmo? e se…” ou  então “não acredito… porque não levamos em conta que as pessoas possam querer andar com um celular?…” e, na segunda, não só perguntas como estas foram feitas mas não se tratou só do lançamento de um “telefone”, mas de um ícone de design, um objeto de desejo, algo sobre o qual as pessoas conversam antes de ter, quando têm e mesmo porque não têm. é impossível não conversar sobre o iPhone. assim como sobre ferraris: uma delas capota na bélgica, é notícia no mundo inteiro. e não só porque é caro, mas porque uma ferrari –aliás todas as ferraris- não é um veículo, é uma conversação.

criar seu negócio [que tomara que seja inovador, de crescimento empreendedor] será uma conversação, por menos que ele inove.

mudá-lo, para inovar, será uma conversação. às vezes tensa, talvez longa, prazerosa aqui, irritada e irritante ali, mas uma demorada e continuada conversa com muitos interlocutores. e não poderia ser de outra forma, pois -voltando ao começo-, como mercados são conversações, realizadas dentro de, entre e por comunidades, você, candidato a inovador [ou simplesmente a montar uma pipoqueira na esquina] tem que participar da conversa, para estar na comunidade.

se -e só se- a conversa for uma criação sua, prática, convincente e capaz de mover mundos [e gentes], seu negócio, processo, produto ou serviço será verdadeiramente inovador. converse. convença. ou então prepare-se para ser conversado e convencido. e parte, talvez irrelevante, da conversa e rede de valor dos outros… e talvez do mercado. ou sem mercado.

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

educação empreendedora: 10

este post é parte de uma série sobre educação empreendedora, derivado de uma palestra dada no sebrae nacional, em brasilia, no 27 de janeiro passado. pode até ser que você entenda o texto que se segue sem ler os posts anteriores; mas os textos foram escritos como se fossem uma palestra, uma conversa, o que significa que há uma sequência, começo meio e, espero, um fim, uma conclusão que faça sentido.

o primeiro post da série está neste link… passe por lá, até para entender o preâmbulo e contexto desta conversa.

nesta série, antes deste texto: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9; depois, nenhum, ainda. simbora.

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os quatro primeiros desafios do nosso candidato a empreendedor não são menos difíceis que os trabalhos de hércules. já discutimos os problemas dele montar um time vencedor, a complexidade de criar um produto ou serviço, o processo de comercializar o que criou e, se feito isso, se o fará por um preço maior que o custo. mas será que o nosso empreendedor consegue, no meio de tudo isso, ter um produto…

o que vem a ser um [novo] produto ou serviço competitivo? é um novo produto ou serviço que não é dominado por produtos já existentes no mercado. não ser "dominado", aqui, significa que seu produto tem um ou, de preferência, vários graus de liberdade, que podem ser manipulados para estabelecer sua posição no mercado. parece simples? nada disso: veja neste artigo o tamanho da confusão por trás do processo de criação de produtos competitivos, que não tinha um tratamento formal até 2009.

num debate recente na HBS, fred wilson, da union square ventures, alinhou um número de propriedades que produtos de um startup [nosso novo negócio inovador de crescimento empreendedor, lembra?] devem ter, entre as quais estão1. no começo do processo de criação de um negócio [ao redor de um produto], as decisões sobre o produto devem ser tomadas com base na intuição. isso deveria ser claro; se seu produto é verdadeiramente inovador, vai haver pouco ou quase nada que você possa fazer, do ponto de vista de análise, para ganhar confiança de que ele será competitivo no mercado, quando [e se] for lançado. mas… 1.5. assim que a idéia e sua perspectiva de negócios com ela começarem a amadurecer…, suas decisões devem ser tomadas com base em dados, oriundos de pesquisa e experimentos reais.

o segundo wilson, um empreendedor tem a intuição e entendimento do problema quando… 2. é um usuário muito competente dos produtos da categoria [identificando muito bem suas funcionalidades, benefícios, falhas e oportunidades] e [ou] tem uma verdadeira obsessão para resolver o problema ao qual está se propondo com seu startup e produto. se você acha que isso é a norma, ficaria surpreso ao saber que a maior parte dos candidatos a empreendedor com quem um investidor de risco [ou incubadoras] conversam não faz idéia do mercado em que está entrando. no meu caso particular, de conselheiro de muita gente que quer empreender em [ou com] tecnologia, fico surpreso como quase a totalidade das pessoas com quem converso não fez uma busca competente em google ou bing para identificar e entender os rudimentos mercado, seus problemas e os produtos competitivos que já estão lá. se não fizeram nem isso, como vão fazer, eles próprios, produtos competitivos?…

e isso é codificado por wilson aqui: 3. entendimento obsessivo do domínio do problema e seu mercado [isso quer dizer toda a cadeia de valor...] tem uma correlação muito alta com sucesso [e com os empreendedores do portfólio da USV, que inclui 10gen, boxee e foursquare]. de novo, deveria ser óbvio: se eu e você queremos produtos e serviços de quem entende o mercado como ninguém… por que eu e você, se fôssemos os empreendedores, não deveríamos entender o mercado como ninguém?… entender o problema, o mercado, a competição, os processos de criação, desenvolvimento e evolução da sua solução são elementos essenciais para criar um produto competitivo. e aquele "obsessivo" lá atrás deve ser entendido como… obsessivo mesmo. seja lá quanto você achar que sabe sobre o domínio do problema e do mercado, aprenda mais. neste caso, nunca é demais saber um pouco mais.

tal saber mais não deveria servir pra fazer o que todo mundo já está fazendo, o que é uma epidemia no empreendedorismo nacional. é assustador ver a quantidade de pessoas inteligentes, bem formadas e informadas, tentando fazer um "X" do B, onde "X" é alguma coisa que parece estar dando certo "lá fora" e que às vezes já tem muitas cópias mesmo aqui. a regra, ao contrário, é… 4. não faça o óbvio. até porque o ”óbvio" é o que "todo mundo" vai fazer, o que criará empreendimentos indiferenciados, cujos graus de liberdade competitivas se resumem a, quase que certamente, baixar preços e gastar mais para adquirir clientes e usuários. esta equação, como não é muito difícil imaginar, não fecha.

ah, sim: 4.5. se você tiver feito seu dever [a lista 1 – 4, até agora], não ligue se sua idéia for considerada ridícula pela maioria dos críticos, especialmente se eles estiverem bem melhor estabelecidos do que você. isso não quer dizer que qualquer ideia é boa quando considerada idiota pela maioria; mas que uma ideia coerente e bem fundamentada, quando chega seu tempo e é bem executada, tem uma chance muito boa de dar certo. se você nunca leu sobre a fedEx e como fred smith chegou lá, veja esta entrevista de 1988. vale a pena cada minuto.

finalmente, o último item da lista de fred wilson: 5. monetização deve estar embutida no desenho do seu produto desde o instante zero e deve fazer parte da experiência dos usuários. acho que não é preciso explicar porque. mas é bom lembrar que seu negócio tem contas a pagar; se seu produto não pode ser monetizado ou se você, desde o começo, não começa a descobrir como gerar renda com ele… houston, we have a problem. kinda big one.

note que competitividade não deve ser a única preocupação de seu produto e de sua linha de produção. sustentabilidade deve ser tratada como parte do problema e desenhada no processo de evolução de seu produto e negócio, fugindo de práticas e modelos insustentáveis, como mostrado no diagrama abaixo, oriundo desta apresentação… que você deveria ao menos folhear.

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talvez seja bom você saber que a competitividade de seu produto [ou serviço, como sempre] pode depender de redes globais de produção [e distribuição]. pense nisso; se for o caso, entenda disso. este texto de ernst & kimb é um bom começo. e isso muda com o tempo. pra ver o que era chamado do "novo ambiente competitivo" em 1995, leia este bom trabalho de bettis e hitt sobre como …technology is rapidly altering the nature of competition and strategy in the late twentieth century, moving us toward a ‘new competitive landscape’ in the twenty-first century.

olhando lá de 1995, eles prevêem que o número de PCs sairia de 150 milhões em 1994 para 278 milhões em 2010, como parte de um processo de aceleração da era da informação. só que a base global de PCs passou de 1 bilhão em 2008 e só em 2010 foram vendidos 351 milhões de PCs e o número total, ao fim do ano, passava de 1,5 bilhão de máquinas. e ninguém imaginava, há 15 anos, que coisas como o iPad já seriam 7% das vendas de sistemas de automação pessoal. o futuro, no passado, era muito mais lento. e vai ficar ainda mais rápido, no futuro. se lembre disso quando estiver pensando na competitividade de seu produto.

o que faz produtos competitivos, no seu negócio, são as competências-chave de sua empresa. nunca ouviu falar disso? leia [mais de uma vez] este ótimo texto de prahalad e hamel. vale cada segundo investido, inclusive na segunda leitura. e entenda que uma das competências essencias do seu negócio, no desenvolvimento de produtos competitivos, é fazer o que tem que ser feito "no tempo". no tempo do mercado, da competição, da demanda, o que tem significado cada vez mais fazer as coisas "antes do tempo".

e isso, do ponto de vista teórico, não é nenhuma novidade. em developing products on “internet time”: the anatomy of a flexible development process, de 2001, macCormack, verganti e iansiti já diziam que o desenvolvimento de produtos inovadores deveria sair de um processo linear, como mostrado abaixo…

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…para um processo muito mais flexível, capaz de produzir mais e melhores resultados mais rapidamente, como o mostrado na figura abaixo.

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o processo da segunda figura é quase como o da primeira, só que as fases se superpõem e, ainda na fase de desenvolvimento conceitual, temos um "produto" integrado, que pode ser testado e que serve para congelar, pelo menos temporariamente, os conceitos do produto, digamos, final. pelo menos por um tempo.

olhando por esta ótica, você e eu estamos sempre atrasados no processo de fazer um produto competitivo. estamos sempre correndo contra o tempo, e não podemos nos desesperar mas temos que nos apressar. a diferença entre os apressados e os desesperados é que ambos estão correndo para chegar a algum lugar… só que os desesperados não sabem nem onde fica. e os apressados sabem e têm um plano para chegar lá.

no próximo texto, vamos perguntar se nossos empreendedores, tendo feito o dever de casa até aqui, será que terão feito um produto competitivo e que…

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até o próximo capítulo. até lá… e nada de desespero.

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

3 a 1: vida e brasil digital, c.e.s.a.r, porto digital…

pra dar uma pausa na nossa série sobre educação empreendedora, que já está no sétimo capítulo, taí um conjunto de youTubes que formam o programa 3 a 1, da TV brasil, gravado em dezembro passado e que foi ao ar no dois de fevereiro deste ano, como que para festejar iemanjá. é pra mais de 50 minutos de vídeo…

uma coisa que rolou de lá pra cá é que o porto digital terminou de fazer a pesquisa 2010 sobre empreendedorismo e empregabilidade no sistema local de inovação do centro do recife. resultado? ao invés das 140+ empresas que menciono nos vídeos abaixo, dado de nossa pesquisa antiga, descobrimos ao fim de 2010 que o porto digital já tem 170 empresas, tocadas por 450 empreendedores e 6.000 colaboradores, responsáveis por um PIB digital da ilha do recife antigo de R$700 milhões.

não é coisa de gente grande, é de gente que quer ser relevante, como digo aqui nesta entrevista ao comCiência. estamos a caminho, mas parques tecnológicos e sistemas locais de inovação são projetos de muito longo prazo; minha estimativa para o porto digital é que cumprimos os primeiros 2/5 do tempo de maturação do projeto… o que quer dizer que temos os próximos 15 anos de muito trabalho, complexo, para que o ecossistema chegue perto do que pode ser, o maior e melhor ambiente de negócios de tecnologias da informação e comunicação da américa latina.

ache a pipoca e vá clicando. é quase uma hora de TV…

@srlm no 3 a 1 da TV brasil, parte 1

@srlm no 3 a 1 da TV brasil, parte 2

@srlm no 3 a 1 da TV brasil, parte 3

@srlm no 3 a 1 da TV brasil, parte 4

@srlm no 3 a 1 da TV brasil, parte 5

@srlm no 3 a 1 da TV brasil, parte 6

e… the end!

grato ao pessoal da TV brasil e do 3 a 1 pelo convite, oportunidade e carinho. foi um prazer estar com vocês. grande abraço e até a próxima.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

quem define o mercado?…

aqui no blog, pra não fugir muito do nosso tema central [se você ainda não sabe, este blog gira em torno do conceito de informaticidade; saiba mais sobre isso neste link] a pergunta é quem define o mercado de [e para] tecnologias de informação e comunicação, o que podemos especificar de forma mais simples e ao mesmo tempo mais ampla como o mercado de informática. se usarmos a definição do blog, informaticidade é informática, provida e usada de forma tão simples como eletricidade e bilhetada [e cobrada] cmo tal, por uso. simples assim.

certo, vamos combinar –pelo menos por enquanto- que seja assim mesmo; se é, quem define tal mercado? olhe a tabela abaixo, tirada de slides de minha palestra de hoje na futurecom, em são paulo, sobre inovação e empreendedorismo em TICs [ou seja, em informaticidade...] em um mundo social…

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a tabela é uma releitura, minha, de conceitos e faixas etárias mostradas em "the shift", um livrinho muito interessante sobre o que torna instáveis os modelos de negócios de nossos tempos, que a alcatel/lucent vai lhe mandar se você clicar neste link.

na coluna da esquerda, uma faixa de anos em que alguém nasceu ou, depois de 2010, ainda vai nascer; à direita, o modo de [comunicação ou] conectividade de seu tempo quando você tinha mais ou menos quinze anos, modo este que provavelmente possibilitou e limitou seu entendimento de mundo.

se você nasceu até 1925 [ano em que seu inácio, meu pai, apareceu no planeta, em taperoá, PB], você é do mundo do papel impresso; se teve sorte e estava no lugar certo [no brasil] teve acesso a bibliotecas e jornais [atrasados, e muito] quando tinha entre 15 e 20 anos. além de limitada, e muito, sua informação sobre o mundo era fora de tempo [especialmente na periferia] e pouco você podia dizer para o centro.

entre 1925 e 1945, você é dos tempos gloriosos do rádio; o centro de seu mundo estava na rádio nacional, francisco alves, orlando silva e as rainhas das ondas hertzianas [!] aracy de almeida, dalva de oliveira, dolores duran, linda e dircinha batista, marlene e emilinha borba. entre muitos e muitas outras, claro

nascido entre 1945 a 1965, como eu, você é do tempo da TV; se nascido em 55, aos 15 você viu o brasil ganhar a copa do méxico pela TV ao vivo e isso marcou nossas vidas, por muito tempo. este é também o tempo do cinema, claro, mas a TV, nas casas, logo começou a ter um impacto muito maior e só recentemente o cinema [pelo menos por aqui] voltou a ser o palco que nunca deveria ter deixado de ser, pois ponto de encontro mediático e social.

os que nasceram entre 1965 a 1980 [pegue quem nasceu em 1970, por exemplo] viram os primeiros computadores pessoais assumir seus lugares nos bancos, lojas e supermercados quando tinham 15 anos. os mais afortunados entre este povo da era digital tinham acesso a um PC nos escritórios dos pais, quem sabe até em casa; mesmo com suas poucas centenas de kilobytes de memória e processadores que mais pareciam lesmas comparados aos atuais, era o início, perceptível e utilizável, de uma era digital nos escritórios e nas poucas casas que tinham um PC.

vale a pena lembrar que, aí por 1985, telefone fixo era coisa rara e celular não existia; tenho uma declaração de renda da época… em que linha telefônica era declarada como bem e, em recife, valia quatro mil dólares. coisa de louco. que estava para mudar muito em breve. ainda bem, por sinal.

os anos de fim de uma faixa e de começo da outra, na tabela, colidem e isso é proposital; as faixas, por sinal, não são  nem devem ser tratadas como muito precisas, servem apenas para nos dar uma idéia geral dos tempos em que mudanças e eventos marcantes aconteceram, e pode ter sido mais ou menos tempo e anos para cada coisa ou faixa, dependendo de quem você era ou estava.

mas uma coisa é certa: se você nasceu de 1980 pra frente, quando você tinha quinze anos ou menos havia algo ao redor, ou ao seu alcance [ainda na década de 90, com sorte], chamada internet e esta coisa tinha um caráter completamente diferente de tudo o que tinha acontecido antes em se tratando de tecnologias de informação e comunicação: servia para conectar, mais do que para comunicar. nossa conectividade veio pela internet, e aí nos tornamos agentes independentes, em rede, capazes de contar nossas histórias pela nossa própria e desintermediada voz.

pense numa mudança radical, que mudou tudo o que já existia do ponto de vista de mídia. quer ver? olhe este texto, aqui mesmo do blog, sobre impresso, rádio e TV sendo literalmente consumidos pela web.

mas a vida continua; no brasil, já são 193 milhões de celulares e os telemóveis, no mundo, acabam de atingir 79% de penetração: pelo menos em tese, é quase como se quatro em cada cinco habitantes do planeta tivessem um celular em suas mãos agora; são [ou seriam, dependendo de nossa crença nos dados] cinco bilhões e trezentos milhões de assinantes móveis, contra "apenas" dois bilhões de usuários da internet

isso inclusive porque, se você nasceu de 2000 pra cá, sua era é a da mobilidade; você sabe que pode carregar sua informaticidade com você, que não precisa [e nem deve, talvez] compartilhá-la com mais ninguém e que todas as fontes de informação do mundo para você e de você para o mundo podem ser parte quase que inseparável de sua identidade. afinal de contas, como foi que, num mundo em que "todo mundo" tem um número e onde não há mais nenhuma lista telefônica… todo mundo [que lhe interessa] sabe "seu" número? de que outra forma, aliás, os assinantes móveis do planeta trocariam 200.000 SMS por segundo?…

finalmente, há os que ainda estão para nascer de 2015 pra frente. claro que isso [e é verdade para cada uma das faixas] já inclui gente pequena e grande que está aí agora, hoje: estamos passando a viver em tempos onde temos acesso [e queremos ter acesso] à programabilidade do mundo e dos dispositivos ao nosso redor. não queremos mais, e apenas, acesso às fontes de informação; querems e vamos programá-las para que forneçam a informação que queremos, que sabemos que temos direito a ter e que, por falta de alguém para programá-la para nós, em nossos formatos, nós mesmos o faremos.

um sinal é a web 3.0, a rede onde, além de inserir meu próprio conteúdo, eu programo as funções que acho que deveriam estar lá. outro, muito mais pessoal, é a grande rede de dispositivos móveis programáveis, onde cada um já "programa" seu smartphone para que ele tenha as funcionalidades essenciais [ou simplesmente preferidas...] do ponto de vista de cada um, vindas de um mercado de apps de possibilidades cada vez maiores, que nos deixa tratar quase cada smartphone como um lego infinito [se tanta memória tivesse para tal].

dentro de uma década não haverá nenhum "celular" que não seja smart, pela simples razão de que "celular", o telefone, já é há muito tempo apenas uma aplicação a mais em um dispositivo [e sistema] que nos habilita, a todos e a cada um, a fazer muito mais do que simplesmente "falar" ao telefone.

este é o mundo de hoje e do amanhã. se você vai simplesmente usá-lo ou está pensando em empreender nele ou para ele, se lembre que as gerações que detêm [hoje] e estão criando [para daqui a pouco] a maior parte das formas de geração de renda, consumo e poder são aquelas das pessoas que estão vivendo em contextos e mercados digitais, conectados, móveis e programáveis.

isso está centrado em quem nasceu de 1965 em diante, pessoas que hoje têm quarenta e cinco anos ou menos. mas não está e nem vai ficar restrito a estas gerações, pois todo mundo, entre os mais antigos, ouviu o galo cantar e sabe onde, sabe que [viva chacrinha!] quem não se conecta se trumbica.

e conexão, hoje, é digital, móvel e programável, assim como os mercados que pipocam, todo tempo e em todo o mundo, e para todos, quase todos, justamente para e por causa disso.

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ah, sim: este link leva a uma cópia dos slides da palestra na futurecom. boa leitura.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

se o mercado não resolve banda larga, o governo deve estatizar?

o seminário "a universalização do acesso à informação pelo uso das telecomunicações", do conselho de altos estudos e avaliação tecnológica da câmara dos deputados, dia 29/09, foi palco para uma declaração radical do secretário de logística e tecnologia da informação do ministério do planejamento, rogério santanna: "as operadoras não são parceiras. se eles são parceiras em algum momento, é para atrasar".

santanna estava falando do programa PC conectado e de muito mais. e sabe do que está falando. as operadoras vêm jogando um jogo perigoso há tempos, quando se trata de banda, universalização, atendimento e, de resto, qualquer coisa que envolve clientes [como nós] e regras [de concessão, que elas deveriam cumprir]. no topo disso [e pra contar só uma das histórias] o programa do PC conectado teve que ser renomeado para “computador para todos”… porque o governo e as operadoras não conseguiram acertas as bases do negócio. imagine o tamanho do sapo que o governo teve que engolir. como se verá, tudo tem seu preço.

por um problema estrutural que se estendeu por todo o governo lula e que não dá sinais de ser resolvido no médio prazo, a agência reguladora do setor, tratada por boa parte do executivo como um apêndice “entreguista”, não teve banda [de atuação] nem força, muito menos orçamento e sintonia com o executivo para por ordem no mercado.

e isso não aconteceu por causa ou culpa da anatel. há quem diga que o governo, deliberadamente, desestruturou as agências –principalmente a anatel- para que fosse possível uma intervenção estatal cada vez maior no mercado. especialmente se o mercado “não dá conta” do recado, como o secretário declara que é o caso na banda larga. se ele perguntar aos usuários, não vai achar muita gente satisfeita a ponto de defender as operadoras, e isso apesar da tabela abaixo, que mostra um crescimento de 150% dos usuários domiciliares de banda larga, no país, em três anos e meio.

imagemas e se a gente comparar com o resto do mundo? em período equivalente, o acesso a banda larga [por 100 hab.] no méxico e na turquia cresceu sete vezes; na grécia, foram quinze vezes. normalizado por população, nós crescemos duas vezes e meia em três anos e meio. não é exatamente uma performance de quem está acompanhando o mundo como deveria.

o resultado desta “evolução”, em boa parte causada pela inexistência de uma política pública para banda larga [do governo, que entregou o FUST ao superavit primário] e por uma intervenção tardia da anatel na regulação do setor [como no caso do speedy] está levando setores do executivo a pensar seriamente em estatizar parte do mercado.

o padrão é conhecido: decreta-se a falência do livre comércio de bens e/ou serviços [por causas variadas, provocadas ou não pelo setor público] e postula-se que somente a intervenção estatal pode botar a casa em ordem. e aí, ou e aqui, parte-se para criar [ou reviver] uma estatal que dará conta do recado, no caso a telebrás, que está a poucos passos de entrar em cena para ser a provedora de infraestrutura de informação para o .gov e os programas estatais de inclusão [de escolas, hospitais, e quem sabe o que mais]. a telebrás, talvez se deva lembrar, era a telerj, no rio, e a telpe, em pernambuco, duas das piores operadoras de telecom do mundo em suas épocas.

agora, segundo santanna, a nova… telebrás terá uma função de operadora da rede…alternativa à rede das grandes concessionárias… para os pequenos provedores. "o maior problema para que as pessoas tenham banda larga é o preço e a falta de oferta. e isso as empresas não resolveram”… "o estado pode ser esse backbone neutro capaz de permitir que todos concorram em pé de igualdade".

mesmo que se concorde com toda a argumentação do secretário, a conclusão [criar uma estatal para o setor] não é necessariamente derivável das premissas. até porque temos problemas similares em muitos outros setores, talvez tão ou mais críticos, onde o estado já está envolvido até o talo… e não resolve muita coisa.

exemplo? que tal esgoto, que é quase só estado no brasil inteiro? em 15 anos, de 1992 a 2007, o percentual de casas atendidas pela rede saiu de 39 para 52%. se o estado resolvesse todo tipo de problema, este, que é um dos mais graves da infraestrutura brasileira, deveria estar resolvido, não?

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outro exemplo? alfabetização. o nordeste continua com mais de 30% de analfabetos funcionais, gente que, em plena economia de conhecimento, é candidata a uma única vaga, a da fila da bolsa família. no brasil, a porcentagem de analfabetos está parada há tempos, ao redor de 10%, 19 milhões de pessoas que, nem com banda larga [ou qualquer outra] vão ler este texto. exemplos não faltam, é só procurar que você vai achar um atrás do outro, de estradas e aeroportos [e controle do tráfego aéreo] a segurança pública e sistema prisional.

a sociedade e economia, aqui e em todos os países do mundo, dão provas inequívocas de que nem sempre a solução “estatal” é ideal, ou mesmo boa, para qualquer que seja o caso. talvez fosse melhor, no caso da banda larga e em muitos outros, estabelecer parâmetros políticos, sociais, econômicos, deveres e haveres, controles e avaliações do que se quer fazer para se ter o que, e quando, e seguir fazendo o combinado por um bom tempo, exatamente como não foi feito no setor de telecom…

talvez se pudesse ordenar, de verdade, o setor. como talvez nunca tenha sido feito. talvez isso, talvez aquilo… são muitos talvezes…mas isso tudo é história ou futuro, quando olhamos para as urgências do presente.

agora, as teles têm mesmo que se preocupar, pois santanna não está pra brincadeira e tem eco no resto do governo. andré barbosa, da casa civil, noutro evento um dia depois do desabafo de santanna, disse que até concorda em continuar negociando com as teles: "Não vejo nenhum problema de conversar com a iniciativa privada”… mas emendou: “É verdade o que o Rogério Santanna apresentou, de que as empresas ainda não são parceiras do governo. Mas acho que elas estão mais com medo de uma estatização do que de qualquer outra coisa. E nós já deixamos claro [que] é isso que pretendemos fazer".

pelo visto, parece mesmo que o governo cansou de esperar. alô, teles: hora de acordar pra jesus!…

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