Terra Magazine

27.10.09

competir perdendo dinheiro: quem pode, pode…

Tags:, , , - srlm às 06:00

há quarenta e cinco meses a microsoft perde dinheiro em suas operações online. só nos últimos três meses foram US$480 milhões. no último ano, muito mais de US$2B. coisa de gente grande.

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a microsoft, obviamente, tem caixa [perto de US$30B], resultante de suas operações offline, para bancar tamanho prejuízo. e o faz –e não desiste do online- porque sabe que o futuro de tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e comunicação está na rede. é por isso que a microsoft não desiste de suas operações deficitárias de internet e web, nem que pra isso tenha que gastar muito mais dinheiro do que está investindo hoje. mas o caminho é longo e a subida, muito difícil.

mas a empresa já fez isso em outros departamentos, e por muito tempo. em 2001, cada xbox vendido dava US$125 de prejuízo. pra redmond, isso era apenas uma parte da estratégia contra sony e nintendo; anos depois, em 2005, redmond perdia [coincidência?] US$125 por xbox360 vendido, como parte da mesma e renovada estratégia. e os resultados nem sempre são os esperados, como mostra o gráfico abaixo:

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a estratégia de vender por preço abaixo do custo nem sempre dá certo: o PS3 [em setembro] vendeu mais, nos EUA, do que o wii e o xbox360 [492 mil vs.462 mil vs.352 mil], pode pegar vapor e ser o console mais vendido nas festas de fim de ano. nos três últimos trimestres, a EDD, divisão da MSFT onde está o xbox360, perdeu dinheiro em dois.

mas nem todos os números são ruins: em 2009, a EDD lucrou US$319M, e a porção online do negócio é cada vez mais importante; no último trimestre, a receita do xbox live cresceu mais de 50%. sinal de que o futuro de todas as divisões de qualquer empresa, inclusive a microsoft, é online.

e pra isso vai ser preciso, ainda, muito investimento nos negócios baseados em internet e web. e não será só a microsoft que estará fazendo isso. quem não o fizer vai estar fora do jogo, e de uma vez por todas. no caso da microsoft, em particular, competir está dando muito trabalho e gastando dinheiro. e muito. mas quem pode, pode…

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03.08.09

BBB: o Y da questão

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como todo mundo já sabe, carol bartz e steve ballmer, os dois primeiros B’s de nosso comentário, se sentaram dia destes e decidiram que yahoo e bing [e não yahoo e a microsoft, note bem] iam se casar. bing é nosso terceiro B, e você pode clicar no link a seguir para ler uma detalhada análise do assunto, feita pela AP e publicada no chicago tribune.

a noiva, yahoo, estava há tempos no caritó, como se diz em pernambuco [antigo] das moças que estão quase passando do ponto. yahoo não podia mais deixar passar qualquer oportunidade, sob o risco de não ter mais nenhuma mesmo. os antecessores de bartz, terry semel e jeff yang, não tinham planos de casar com ninguém e fizeram tudo pro noivado com ballmer não dar certo. enquanto mandavam no pedaço, não deu mesmo.

o noivo, ânimo e roupa renovadas, depois de uma reestruturação que lhe deu, pra começar, mais audiência em busca [no mercado americano, em certos dias…] que o próprio yahoo, precisava de uma parceira pra acompanhá-lo em sua longa batalha contra o quase monopólio de google, alvo de todo mundo no mercado.

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e não é pra menos. veja [e clique n]o gráfico acima, de statcounter. hoje, google tem cerca de 75% do mercado; olhando para os dois últimos meses, google somou mais de 80% de todas as buscas nos EUA e canadá, contra pouco mais de 17% de yahoo e bing [clique aqui pra ver em detalhe]. o monopólio virtual de google em busca tem um porte similar ao da microsoft em sistemas operacionais e suites de programas de escritório.

o contrato de casamento assinado por bartz e ballmer é simples: yahoo vai “vender” busca e bing vai passar a ser a “busca de yahoo”, além de ser sua própria, claro. yahoo vai, muito provavelmente, demitir toda sua engenharia de busca [e talvez todo o resto da tecnologia] e ficar nas mãos da microsoft [leia “bing”] para tudo o que quiser fazer. de uma vez por todas. porque dez anos [do contrato], na rede, é infinito.

tudo bem que já fazia um tempo que não se via muita coisa de inovadora vinda de yahoo. a companhia não sabia se era mídia ou tecnologia, serviços ou o que. e estava tão longe de google, e tão sem forças para tentar alcançar o líder… que talvez a única alternativa fosse o casamento BBB –sem Y- acertado recentemente. e aí yahoo virou um portal, sem conteúdo original. como qualquer outro. os acionistas não gostaram, como mostra o gráfico abaixo; a seta vermelha indica o dia do anúncio do acordo BBB, com YHOO em azul, GOOG em verde e a MSFT em vermelho; clique no gráfico para ver o detalhe… no site de finanças de yahoo!

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o efeito colateral do acordo vai ser [na minha opinião e de mais um bocado de gente] matar yahoo. que talvez já fosse morrer de morte morrida mesmo, dentro de uns mil dias. e talvez carol bartz tenha conseguido o quase impossível: extrair de steve ballmer um dote de meio bilhão de dólares por uma noiva que… nunca iria sair do caritó de outro jeito.

o Y da questão está resolvido. a briga [mais uma] é entre microsoft e google; e yahoo, depois de ter escrito uma das mais belas páginas da internet, vai começar a descansar. para sempre.

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08.07.09

yahoo: indo, indo…

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todas as análises que vi, nos últimos dias, sobre o lançamento do google OS, neste semestre, são precipitadas. inclusive a do cartoon abaixo, que me chegou por emeio, sem identificação do autor…

google chrome win

vamos ter que esperar muito, ainda, pra ver que rumo a coisa vai tomar. isso porque, em inovação, quem decide é o mercado e não a tecnologia e seu dono. e nem sempre a melhor tecnologia “ganha”, seja de quem for.

por ora, a única coisa que eu dou por certa é a seguinte: dos três grandes do negócio de informação na web, yahoo é o único que só tem… informação na web. não tem browser, não tem sistema operacional, não tem aplicações.

depois eu volto em mais detalhe a este assunto mas, por enquanto uma coisa é certa: yahoo é o novo altavista. não lembra de altavista? era o sistema de busca que dominava a web até google aparecer com um conjunto de algoritmos muito mais sofisticado e dar as cartas…

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01.06.09

bing: no ar!

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prometido para quarta-feira, o novo sistema de busca [ou "de decisão", veja post anterior sobre o assunto] da microsoft já está no ar. até agora, nas poucas buscas que rodei, não tô vendo muita diferença não. mas eu mesmo disse que não achava que, no começo, iria haver muita diferença para o brasil ou em pt-br. a coisa tá orientada pros estados unidos, pra ver se encurta a distância entre a microsoft e google no negócio de busca na web.

de qualquer forma, clique na tela abaixo e vá ver o que você acha.

ps: quem quiser ver o que os americanos estão vendo, clique na imagem abaixo, vá na região marcada pela seta 1 e escolha UNITED STATES - ENGLISH; usando esta opção, fiz uma busca em NEWS por [2] air france paris, sobre o agora quase certo desastre aéreo envolvendo o vôo AF447; o resultado da busca é impressionante e inclui vídeos vários [3], que você pode ver direto na página de bing, passando o mouse sobre o ícone do vídeo.

por fim, como as notícias mencionam que o acidente deve ter ocorrido perto de fernando de noronha, o sistema contextual por trás do processo aponta para noronha [no link marcado 4]. muito bom mesmo. precisamos das mesmas funcionalidades em português…

 

 

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21.04.09

crise leva sun para os braços da oracle

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a SUN microsystems, que já foi uma das empresas de tecnologia mais importantes da rede [arquitetura sparc, java, openOffice e, mais recentemente, mySql], e do mundo, esteve para ser vendida, poucas semanas atrás, para a IBM. não rolou. por um número de razões, a IBM desistiu em cima do laço. e há quem diga que a IBM, ao comprar a SUN, estaria comprando algo que pareceria muito com uma parte de si mesma.

enfim, não deu. e aí larry ellison, dono da oracle e uma das figuras mais singulares do silicon valley, resolveu comprar [por US$7.4B] a companhia que, mais de duas décadas atrás, criou o slogan "the network is the computer", ou a rede é o computador, antevendo que um dia tudo o que gostaríamos de ter num computador [e muito mais] estaria, na verdade, na rede. a noção de "nuvem", ou "cloud computing" já fazia parte do credo da sun antes mesmo da internet a rede que vemos hoje.

diz-se que larry ellison gostaria muito de ser a apple do mercado corporativo. comprando a SUN, ele pode ter se tornado outra IBM, com quem vai competir diretamente, agora, no mercado de servidores. e a oracle comprou um conjunto de problemas, também. a companhia é um dos líderes no mercado mundial de sistemas de gerenciamento de banco de dados [SGBD] e tem muito pouca aproximação com a comunidade de software livre. junto com a SUN, a oracle passou a ser dona do SGBD líder do mercado aberto, mySql, que tem mais de 11 milhões de instalações no mundo todo. em muitas empresas pequenas e médias, no meio desta crise, "trocar oracle por mySql" tem sido uma das formas de salvar recursos preciosos. qual será, na oracle, o futuro de mySql?…

olhando de longe, parece que a microsoft não tem nada a ver com o assunto, mas tem. ellison nunca deixou de bater em redmond sempre que teve oportunidade. e até procurou as oportunidades quando elas não eram assim tão claras. só que, agora, ele também vende sistemas e isso pode levar empresas como dell e HP a olharem com outros [mais carinhosos] olhos para a microsoft, que não tem nem parece querer ter um negócio de hardware para competir com seus principais clientes. tempos de crise são tempos estranhos. sempre…

 

 

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07.02.09

fotografia se torna "social"

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numa apresentação TED em 2007, blaise aguera y arcas apresenta seadragon e photosynth, duas tecnologias da microsoft para processamento de vastas quantidades de informação visual. photosynth é uma máquina virtual de construção de hiperligações entre imagens e de visualização do resultado. a apresentação [18min] de aguera y arcas é em inglês [bem rápido] mas, mesmo se você não entende inglês, o visual da palestra é impressionante. vá ver e preste atenção na manipulação de imagens [de flickr] ao redor da catedral de notre dame, em paris. fantástico.

image photosynth trata visuais resultantes de múltiplas e variadas aquisições de imagem de uma cena qualquer, por dispositivos de diferentes características [no caso de fotos, desde máquinas profissionais até celulares de baixa resolução] e constrói uma "foto social" resultante da composição 3D e interligação das centenas, milhares [ou mais] imagens 2D disponíveis. o resultado é que o todo é muito maior do que a soma das partes, especialmente se o número de imagens usado for grande.

a posse de obama vista como um photosynth está na rede [na cnn] em três cenas, de 267, 383 e 628 fotos e o resultado é nada menos que espetacular. clique na imagem abaixo, ponha no modo tela cheia e navegue, pra entender porque há muita gente achando que este é um dos futuros da fotografia.

image no site do sistema, você pode ver um conjunto e photosynths e criar o seu. o mais divertido mesmo vai ser juntar centenas ou milhares de fotos que você e sua turma [e mais um monte de desconhecidos] tiraram, do mesmo evento, seja na praia, no campeonato de judo ou no clássico do domingo à tarde, pra ter, literalmente todos os ângulos de um evento qualquer.

com o que se chama de audiência se transformando, cada vez mais rapidamente, em autor, usuário e partícipe integral da comunidade que se interessa por qualquer coisa, imagine as possibilidades de photosynth ou de um imaginado videosynth. e não pense que isso só vai ser possível no seu PC ou mac: a NEC acaba de lançar um chip, pra celulares, capaz de capturar imagens de 12 megapixel e de mostrar vídeo em full HD, 1080p.

hoje, quase todos [ou todos?] celulares são máquinas fotográficas que também servem pra outras coisas, como fazer "ligações telefônicas". veja a foto abaixo, de um dos bailes da posse de obama. e a estimativa é de que dentro de dois anos 40% dos celulares terão câmeras com resolução maior que 5 megapixel; melhore as lentes, vá pro futebol, tire fotos direto pra um repositório compartilhado na web, passe por photosynth e imagine as possibilidades…

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25.01.09

lock-in: a vez de google?

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do ponto de vista econômico, um consumidor, ou um monte deles, está locked-in quando um fornecedor criou uma situação em que o custo de trocar seus produtos e serviços de um competidor é tão alto que, na prática, o consumidor é forçado a seguir os ditames do fornecedor.  pensou desktop, achou a microsoft, que tem um lock-in acoplando office ao sistema operacional windows, sem falar no internet explorer e windows media player, também colados ao sistema operacional, caso que rendeu à empresa processos e multas monumentais. parte do negócio e do quase monopólio de redmond nos PCs, diriam os economistas. inevitável, no processo de capitalismo de mercado, diriam os investidores.

evil-google google, a companhia que jurou "do no evil", talvez esteja no caminho de tornar-se um lock-in pra uma boa parte das coisas que acontece na rede. e na sociedade. e isso não começou a acontecer um dia destes. google, que está tentando desenvolver o que se poderia chamar de um "sistema operacional da rede" e uma grande família de aplicações que funcionam, como serviço, sobre os fundamentos do tal sistema, está dando passos que levarão, quase sem dúvida, a um novo conjunto de lock-ins.

nos últimos dias de 2008, a companhia resolveu avisar aos usuários de gmail que internet explorer 6 não é mais suportado pela aplicação online e que os usuários devem mudar para firefox ou chrome, que vem a ser o browser que o próprio google está desenvolvendo. chrome, ao invés de mero browser, é uma plataforma de suporte local para aplicações em rede, ou seja, parte essencial de um processo de lock-in que google já pode ter começado a dar andamento.

até porque a companhia tirou firefox de seu pacote de aplicações e dá claros sinais, por vários outros meios, de que está gostando muito de fazer as coisas "sozinha" ao invés de "em rede". e o browser parece ser parte essencial da estratégia. a pergunta que sobra é: até que ponto criar barreiras para impedir que seus usuários troquem de fornecedor é "evil"? a resposta é… sempre que alguém muito bem estabelecido está fazendo isso [e, de preferência, é pego fazendo isso] é "evil" sim. se é um pequeno davi que está lutando contra os grandes golias que usa de tal arma… normalmente se dá um desconto e se acha que é parte do processo de competir.

e desde quando que google é um pequeno competidor em busca de espaço para crescer? dentro de quanto tempo teremos os governos americano e europeu investigando as práticas de google? um, três ou cinco anos? façam suas apostas.

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