Terra Magazine

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

mobilidade: fragmentação, diversidade e execução. entre "americanos".

o mercado de smartphones tem um líder. por muito. android tem 52% de todas as vendas, como mostra a tabela abaixo. clique pra ver em detalhe.

gartner-q3-2011-smartphone-shares-o

e o mercado de mobilidade tem um líder. a apple tem 52% do lucro, como mostra o gráfico abaixo. e a apple só vende 4% de todos os celulares.

chart-of-the-day-apple-has-4-of-the-phone-market-and-52-of-its-profits

e a imagem abaixo apareceu aqui mesmo no blog há um mês, mostrando como a apple [iOS] e google [android] mudaram tudo no mercado de smartphones nos últimos quatro anos.

agora volte para a primeira imagem, a tabela. veja quem é o segundo maior vendedor de smartphones por sistema operacional. sim, a nokia. com menos da metade do mercado de 2010, mas em segundo lugar, ainda.

a nokia acaba de lançar seus primeiros smartphones windows phone 7.5 e não deve parar por aí, entrando também no mercado de tablets a partir de 2012 [rodando windows 8]. para a microsoft, a entrada da nokia no "seu" mercado de sistema operacional móvel é a promessa de uma grande família de dispositivos, de todos os preços e capacidades, para o mercado mundial.

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testando windows phone 7.x há alguns meses, estou vendo a melhoria continuada do sistema, em funcionalidade, confiabilidade e performance. a atualização via zune é transparente e já rolou duas vezes para o LG E900 [disclosure: da vodafone inglesa, cedido pela microsoft brasil], sem qualquer problema, e a última foi para a versão mango, que praticamente reescreve o sistema operacional.

a microsoft perdeu quase a metade do mercado de smartphones em um ano. e caiu pra região lá do 1%. o fim, se não fosse a microsoft [e, agora, a nokia]. em maio, a IDC previu que a microsoft teria 5.5% do mercado de smartphones em 2011. errou, pelo menos até agora. e apontou pra mais de 20% em 2015. pouca gente acredita que redmond consiga tanto em tão pouco tempo.

certo é que o mercado de mobilidade agora é quase só de smartphones e isso significa todas as faixas de idade, preço, geografias e usos. como android está mostrando, a estratégia de [quase só] um sistema e muitos vendedores de hardware é muito mais abrangente [apesar de menos lucrativa, agora] do que a necessária verticalização da apple.

para garantir uma participação majoritária no mercado global de sistemas de informação pessoais, conectados e móveis [leia-se  smartphones e tablets] a proposição da apple deveria ser mais diversificada do que um de cada.

pode ser que a microsoft consiga combinar as estratégias de google e apple: uma plataforma informatização pessoal menos fragmentada do que a da primeira e mais aberta do que a da segunda. combinada com hardware de qualidade, usando a definição de drucker: qualidade é o que o cliente quer, pelo preço que ele pode pagar.

agora que a microsoft começou a alinhar sua oferta e abrir o caixa pra enfrentar android e iOS, os próximos mil dias vão nos dizer quem sairá do outro lado.

maiores problemas de cada um? google, fragmentação e, daí, a gestão do ciclo de vida: nenhum de meus android foi atualizado, nenhuma vez, sem minha intervenção direta. isso é um problema para o usuário comum.

para a apple, o problema no grande mercado global que se desenha vai ser a diversidade: como manter a qualidade "apple" em um número muito maior de dispositivos. ou não. a empresa pode decidir ficar [por um tempo] onde está: pequena no mercado, mas com margens assombrosas. e prestar atenção, o tempo todo, pra ver onde foi mesmo que a RIM errou.

para a microsoft, que está começando agora, o principal problema deverá ser execução: noite e dia, ballmer & co. terão que fazer, em casa, o que não vinham fazendo com o velho windows phone. além de alinhar a nova oferta com windows 8 [a estratégia "família"], atrair um grande número de fabricantes e desenvolvedores e adensar a rede de valor… em suma, fazer tudo que google e apple já vêm fazendo há anos, pra ter uma presença lucrativa no mercado. lembrando que se trata de, literalmente, "tirar" dinheiro da apple e de google, e isso não vai ser nada fácil.

em suma, os próximos mil dias serão de disputa entre os que são a favor e contra, na apple, da diversificação de sua oferta móvel; lá em google, entre os que querem e podem, ou não, diminuir radicalmente a fragmentação de android; na microsoft, entre os que têm a capacidade, ou não, de cuidar da execução que pode colocar a empresa em um patamar de competição com os outros dois. e você diria: e os outros? mas que outros? como um slide recente de mary meeker mostra, a parada é entre os  "americanos". e se entrar mais um, o que pode rolar em grande escala, será a amazon.

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

um crescimento amazônico

pra quem achava, muito tempo atrás, que e-commerce não ia "dar dinheiro", taí a curva de crescimento dos negócios da amazon.com nos últimos dez anos…

…onde se vê que o volume de negócios aumentou quase vinte vezes desde 2000 e cresce, ainda, a taxas superiores a 50% por ano. não é coisa pouca para um negócio que já tem mais de 15 anos.

no começo, a amazon.com era uma livraria. depois, o maior shopping center do planeta. agora, além de ter virtualizado o negócio de livros com o kindle [a plataforma, e não só o dispositivo; quase US$5.5B este ano] e entrar no mercado de aplicações móveis e dispositivos de informatização pessoal [vem aí o tablet da empresa, sobre a plataforma android]…

…a amazon criou o primeiro e até agora mais efetivo negócio de infra e serviços computacionais e de informação sob demanda na internet [amazon web services, AWS]. não é coisa pouca: AWS, criado do zero a partir de 2006, já aponta para uma receita de US$2.5B em quatro anos.

a amazon começou do zero. o kindle também, apesar de canibalizar parte do negócio de venda de livros físicos. mas o impacto, aqui, é sobre a venda dos "livros dos outros" e não da amazon, que continua vendendo os livros, agora digitais, em volume ainda maior que físicos. e AWS também veio do zero, como parte dos dois níveis inferiores da "torre de software" de que falamos no texto passado aqui do blog.

isso é parte da explicação da curva lá em cima. inovações que não entram em conflito [direto, pelo menos] com negócios já existentes e sobre as quais não há uma arenga institucional relacionada à "proteção" de núcleos de receita e poder na corporação. resultado? mais receitas e mais lucros.

pra ter uma idéia da bronca num outro negócio onde o "novo" entra em conflito permanente e explícito com o "velho" e quais são as consequências para a receita, no tempo, olhe o gráfico abaixo…

chart of the day, microsoft, profit, income by division, july 2011

…que mostra cinco anos consecutivos de prejuízos da divisão de "serviços online" da microsoft. redmond, certamente, tem competência para "fazer" alguns dos melhores "sistemas online" do mundo. mas o tal do "online", lá, pode nunca ter tido a prioridade estratégica que kindle e AWS tiveram, na amazon, por causa do conflito em potencial com outras áreas de negócio da empresa. pra explicar o prejuízo do online, talvez a gente devesse olhar para o tamanho do lucro da "divisão office" do negócio de steve ballmer, muito mais lucrativo agora do que há cinco anos. o problema é… isso é sustentável por quanto tempo?

se eu fosse a microsoft –ou qualquer outro negócio, digital ou não, hoje- olhava mais para a amazon. muito mais. e muito mais de perto. afinal de contas, aquela curva lá em cima não é brincadeira…

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

mobilidade: mudanças na ecologia…

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olhe para o diagrama abaixo, da vision mobile

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…descrevendo [parcial, abstratamente] a ecologia de android, e se pergunte o que mudou no cenário econômico de mobilidade de uns tempos pra cá.

o relatório de onde esta imagem veio é bem recente e analisa como marcas e desenvolvedores estão tentando ganhar dinheiro numa nova economia de mobilidade, representada pelas "grandes plataformas" como android, iOS, RIM e windowsPhone, que vem por aí.

se você ainda não notou o que mudou, aqui vai: olhe à direita, onde está o smartphone, e veja que ele é descrito como sendo fabricado por "OEMs", que vem a ser "original equipment manufacturers", a galera que faz os aparelhos a partir de projeto, ordem e encomenda de terceiros. no caso da apple, isso é a mais pura verdade: a empresa de cupertino não tem fábrica há tempos e usa uma ampla rede de fornecedores e fabricantes para fazer os produtos que levam sua marca.

no caso de google, isso é menos claro mas o diagrama, forçando a barra, mostra como as coisas estão se desenrolando para os fabricantes de hardware e serve para explicar um bom conjunto de coisas sobre muitos deles.

ao não perceberem que o aumento significativo da sofisticação dos equipamentos iria centrar a percepção de valor do usuário na experiência de uso, provida pelo hardware mas controlada e apresentada pelo software, os fabricantes cuja especialização era mais claramente de hardware parecem ter perdido o bonde da história e entregue o valor de suas ecologias às empresas que controlam a plataforma, como apple, google e microsoft.

no caso da terceira, isso já era verdade há tempos, mesmo sem o controle radical exercido pela apple. qualquer máquina rodando windows é uma máquina rodando windows, seja ela qual for, e é exatamente isso que permite que, ao não gostar do meu atual provedor de hardware ["meu" OEM] eu troque para outro num piscar de olhos, sem perder nada significativo da experiência de uso.

a apple pode trocar de fornecedor –OEM- sem que você perceba. a microsoft já podia desde o princípio pois, ao contrário da apple, nunca foi fabricante de hardware. e agora, google: se podemos trocar nosso android X por um Y sem que uma parte significativa da experiência de uso seja modificada… é porque o fornecedor de smartphones foi reduzido a um OEM e vai ter que ralar muito, muito mesmo, para se diferenciar de dezenas ou centenas de outros que estão fazendo [quase o] mesmo hardware.

na minha ou sua mão, o que vai interessar mesmo são as camadas acima do físico, onde a sorte da plataforma é decidida…

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

google vs. facebook: quarta tem mais um round

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a novidade da semana passada foi o lançamento de google+, o ambiente com o qual google pretende competir com faceBook pelo tempo e dedicação da web social. o blog comentou o assunto neste link e a imagem abaixo, de outro post dá uma ideia do tamanho do desafio que se tornou enfrentar faceBook, que envolve cada vez mais gente e consome uma parte cada vez maior de todo o tempo em que as pessoas estão na rede.

e a competição não é baseada em tecnologia pura e simples: algumas horas depois do lançamento de google+, uns carinhas de facebook liberaram um hack que imita, de perto, os circles da nova oferta de google. é muito mais fácil fazer uma funcionalidade social do que uma máquina de busca como a de google, esta sim um feito da ciência da computação e engenharia de software, muito difícil de ser combatida. bing que o diga.

voltando a page vs. zuckerberg, parece que google+ verá, nesta quarta, a resposta da rede social: pelo que dizem os boatos, faceBook vai lançar um videoChat social em parceria com skype, o que faz todo sentido para ambos, já que funcionalidades de google+ competem diretamente com skype, como é o caso de hangOut, que tem cara de um videoChat coletivo e aparentemente bem feito.

ancorado em faceBook e com a mesma funcionalidade, skype poderia reagir a este "ataque" de google de forma muito mais radical do que a partir de sua própria base de usuários que, imensa, nunca teve as características de conectividade e compartilhamento de uma verdadeira rede social, sendo muito mais um competidor das teles do que um ator nativo da web.

o anúncio desta quarta será só mais um capítulo da continuada disputa entre os grandes [google, facebook, microsoft, apple...] pelo domínio da web no ocidente, especialmente entre google e microsoft, dona de skype e acionista de faceBook, até que os chineses, com a experiência e musculatura que estão ganhando na ásia, resolvam entrar na disputa por aqui também.

é só esperar, e não muito, pra ver rolar. na minha opinião, vamos assistir [até porque o brasil, infelizmente, parece que só vai ter "usuários" nesta disputa...] os primeiros capítulos desta "outra" grande novela pelo domínio da web antes de 2015.

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

google: monopólio? e daí?

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imagesegundo uma advogada americana especializada em casos federais contra monopólios, "google obteve, de forma legítima, um monopólio no mercado de busca [na web]". uma das autoridades no assunto prevê que isso vai levar a uma ação federal para investigar se a empresa está "provendo eficiência e facilidade de uso [de seus serviços] aos consumidores ou detonando a competição ao entregar resultados polarizados [na direção que bem quer e entende]". as duas afirmações entre aspas, acima, estão neste longo texto da forbes americana, que ainda faz, no título, a pergunta: o sucesso é ilegal?

se google for mesmo investigado pelos reguladores americanos, não será novidade. antes dele, e por aspas muito parecidas, foi a vez da IBM, AT&T e microsoft, casos que envolveram anos de trabalho e custos astronômicos.

no caso da AT&T, em 1981-4, o resultado foi a quebra de seu monopólio nas telecomunicações americanas, com impactos globais. parte do que aconteceu no brasil, na quebra do monopólio e privatização das partes da telebrás, veio das decisões americanas sobre a AT&T. vinte anos depois, a AT&T caminha para se tornar, de novo, um monopólio: sua proposta de compra da T-mobile nos EUA está sendo discutida pelos reguladores e justiça americana.

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no caso da IBM, a disputa com reguladores e justiça se arrastou por décadas, desde um "consent decree" [algo como um termo de ajuste de conduta] em 1956 por práticas trazidas à empresa desde anos 10 do século passado pelo primeiro t. j. watson até um processo de 1969 que se arrastou por 13 anos, tinha mais de cem mil páginas e cujo efeito colateral foi criar a indústria de software [separada dos fabricantes de hardware].

livre do consent decree desde 1997, a IBM volta à mira de reguladores na europa e pode, mais uma vez, enfrentar um longo e custoso processo: por trás das acões da união européia está a comissão que multou a microsoft em mais de um bilhão de euros por práticas anticompetitivas.

no caso da microsoft, nos estados unidos, a companhia foi acusada de monopolizar o software para a plataforma x86 da intel e de recorrer a práticas que excluíam toda e qualquer competição do mercado de software para PCs. o julgamento inicial dispôs que a companhia deveria ser quebrada em duas, uma de sistemas operacionais e outra para os outros sistemas, mas o acordo final da empresa com a justiça levou à abertura de suas interfaces a terceiros e ao provimento de mais acesso, sem restrições, a uma parte de seu código.

vencedora da batalha legal que pedia seu desmanche [à la AT&T, o que talvez não fosse possível na prática], a microsoft nunca mais foi a mesma. segundo michael cusumano, da sloan school of management, o processo resultou numa empresa "muito mais cautelosa, muito menos agressiva". o que deu na microsoft de hoje, talvez, cujas ações valem a metade do pico de 2000 e não dão qualquer sinal de recuperação.

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e google, agora? nos EUA, não é ilegal criar um monopólio. mas não é legal abusar da posição dominante para limitar a escolha dos consumidores ou o acesso da competição aos mercados [o que dá no mesmo]. caso se prove que google está drenando tráfego de outros sites de forma injusta, a companhia vai se complicar. pra se chegar a uma conclusão como esta, vai ser preciso analisar montanhas de dados, levando ao primeiro julgamento baseado em "big data" de toda a história legal americana e talvez mundial.

a pré-defesa de google parece muito com a da microsoft no caso que começou em 1997. será que isso pode complicar google ainda mais? a microsoft se enrolou por causa da combinação de browser com sistema operacional, coisas que google, hoje, funde com algo que a microsoft não tinha há quase quinze anos, seus múltiplos serviços online.

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clicando na imagem acima, você vai ver uma análise das semelhanças entre o processo que pode ser iniciado contra google e processos antitruste que fizerem história nos EUA.

como se não bastasse a FTC investigando o googlepólio nos EUA, a comissão européia [provocada pela microsoft!] dá sinais de que vai fazer o mesmo. o caso, em sua forma e geografias, passando pela longa lista de inimigos de google, começa a parecer muito com os da microsoft e IBM e pode se desenrolar do mesmo jeito.

a pergunta de forbes fecha nosso texto: o sucesso é ilegal?

depende. de como você chegou lá e, em tendo chegado lá, o que faz com o que conseguiu, até para manter o tal do sucesso. se for em frente, o caso contra google vai tentar responder estas perguntas.

e a empresa, ao responder, vai tentar não perder tanta energia e valor como a IBM [que, no processo, abriu espaço para empresas como a microsoft] e a própria microsoft [que, por sua vez, abriu espaço para empresas como google!...] perderam pois, logo atrás dela, vem faceBook, outro possível futuro monopólio da rede, prontinho pra tomar seu lugar.

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a vida continua. falando nisso, quem é que vai dar o pontapé inicial de um processo antitruste contra faceBook? e vai rolar antes ou depois da empresa atingir um bilhão de usuários? aliás, será que faceBook vai atingir um bilhão de usuários e se tornar onipresente a ponto de ser alvo de um processo por monopólio?…

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

de WIMP para… MPG?

Tags:, , , , , - srlm às 08:00

o que você está vendo na figura abaixo…

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…é a interface de "windows 8", que a microsoft anunciou recentemente, sem anunciar nada oficialmente. veja os detalhes neste link e o vídeo de onde tirei a imagem acima, postado pela própria microsoft, neste aqui.

a estratégia da microsoft é, sem dúvida, a de criar um conjunto de sistemas operacionais para smartphones, tablets e desktops [laptops e etc. incluídos] que tenha exatamente a mesma experiência de uso. o jeitão que você vai ver no vídeo curto, acima, está muito mais detalhado neste link; se tiver tempo, veja este último. tem muita coisa nova lá…

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não por acaso, esta é a mesma estratégia de google [android rodando em tudo o quanto é plataforma] e, sem dúvida, é o que a apple pretende fazer.

a pergunta de mike elgan, ontem, é sobre a WWDC, hoje: como a apple vai trazer o tipo de experiência de uso representado por MPG [multi-touch, physics, gestures... ou multitoque, física e gestos] para o desktop? será que este é o grande anúncio da empresa de cupertino hoje?…

a interface a que estamos acostumados no desktop vem da década de 70 e atende pelo apelido de WIMP, um acrônimo para "window, icon, menu, pointing device" ou janela, ícone, menus e dispositivo apontador, que vem a ser o mouse em quase todos os desktops.

claro que não se trata, tanto no caso da microsoft quanto de apple e google, de pura e simples troca de interface. não só está havendo uma mudança radical nas estruturas que sustentam nosso uso das interfaces mas há um afunilamento no número de combinações de fundações e interfaces no mercado de computação como um todo.

claro que cada um de nós gostaria muito –e pagaria por isso- para ter a mesma experiência de uso no seu laptop, tablet, desktop, smartphone, TV, vídeo game, nos painéis de interação e controle do carro, máquina de lavar, geladeira, caixa automático e por aí vai. melhor ainda se uma aplicação feita para uma destas "plataformas" simplesmente "rodar" em todas as outras ou puder ser transportada de uma para outra com esforço mínimo por parte do desenvolvedor.

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no passado distante, cada fabricante de hardware fazia seu próprio sistema operacional, as interfaces eram de linhas de comando [a experiência de uso, portanto, só era aconselhável para nerds] e algumas empresas até faziam as aplicações para seus computadores. mas isso era há uns quarenta anos.

só que todo mundo passou a usar sistemas computacionais, do caixa automático à web, passando por quase tudo com que interagimos, e tornou-se necessário empoderar o usuário comum, sem especialização em informática, no uso dos sistemas com os quais ele tem que interagir para, quase que literalmente, viver a vida contemporânea.

isso quer dizer que quanto mais simples e direta for a experiência de uso que nós temos nos sistemas, mais eficaz e eficientemente os usaremos e, aí, os usaremos cada vez mais. especialmente se as plataformas permitirem amplo acesso a aplicações que estendam as funcionalidades essenciais das plataformas, como já é o caso dos mercados associados a cada uma das plataformas da apple, google e microsoft. isso é bom pra todo mundo, usuário ou desenvolvedor de aplicações para smartphone, tablet, laptops e desktop, como o da figura abaixo…

neste jogo estão, para valer, microsoft, google e apple. lá na frente, do ponto de vista da experiência, está a apple, que deve anunciar em breve algo parecido com os vídeos da microsoft para seu sistema operacional e interfaces. lá atrás está google, que assume paulatinamente a liderança no mercado de smartphones mas ainda tem um longo caminho a percorrer nos outros formatos.

no negócio de sistemas operacionais há tanto tempo quanto a apple, a microsoft tem nada menos de um bilhão de usuários no desktop. o desafio da empresa é trazer este povo todo para o futuro, ao mesmo tempo em que captura parte do mercado de smartphones e tablets, juntamente com sua ampla cadeia de valor. improvável? não. este blog já discutiu o assunto neste link e há quem ache que a microsoft passa a apple, neste mercado, antes de 2015…

vamos escutar o que a apple tem a dizer. até porque é em parte por causa dela que MPG deverá tomar o lugar de WIMP em todos os formatos, nesta década. e o mundo da informática pode ficar muito mais interessante e animado por causa disso. perca quem perder do lado dos fornecedores, nós, usuários, só temos a ganhar.

PS: se você quiser ver a WWDC 2011, começa hoje às 1400h BSB, vídeo neste link.

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quinta-feira, 12 de maio de 2011

smartphones… em 2015 e depois

criar o futuro é muito mais fácil do que prever o futuro. dito popular nos mercados de tecnologia há décadas, esquecido vez por outra pelas casas especializadas em… previsões. mas, afinal, se não fizessem isso mesmo, apostar em futuros possíveis e prováveis, viveriam de que?

de todas as bolas de cristal que apontam para os futuros de tecnologias muitas, uma previsão em particular me chamou a atenção mês e meio atrás e, depois da compra de skype pela microsoft, busquei o link e fui ler de novo.

não é que a IDC, endereço de um dos mais respeitados grupos de analistas de mercado do planeta, está prevendo que windows phone 7 [8...] será o segundo sistema operacional móvel mais popular do planeta em meros quatro anos?…

pelo mostrado no gráfico abaixo, google dominaria o mercado por uma larga margem [o que parece óbvio], apple e RIM ficariam mais ou menos onde estão [e isso não é óbvio, pelo menos no caso de iOS], symbian [da nokia] desapareceria completamente [isso até eu acho que é óbvio] e a microsoft multiplicaria por quatro sua penetração no mercado de smartphones. o "resto", ou seja, todas as outras plataformas, teria menos de 5% do mercado daqui a quatro anos.

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o relatório é assinado por ramon t. llamas, william stofega, stephen d. drake e stacy k. crook só pra gente saber de quem cobrar se rolar alguma coisa muito diferente do histograma acima. ciosa, aliás, que não deve vir de uma análise trivial do mercado a ponto de transferir a participação da nokia pra microsoft, face a aliança recente entre as duas empresas. se bem que é isso que fica aparente na imagem acima, não é? muito dura, a vida dos futurologistas.

segundo a análise, foram vendidos 173.5 milhões de smartphones em 2009, 303.4 milhões [74.9% a mais] em 2010 e a previsão para 2011 é de 452.5 milhões de unidades, cerca de 50% a mais do que em 2010. em 2015, seriam 925.7 milhões de smartphones postos no mercado por todos os fabricantes. assumindo que um smartphone tem uma vida útil de [chute!] 24 meses, pouco mais, pouco menos, os 2 bilhões [arredondando...] de smarties rodando em 2015 teriam sido vendidos entre 2013 e 2015.

seria impossível a microsoft acertar o passo, criar as redes de valor [de fabricantes a desenvolvedores...] e sair de onde está para vice-líder [400 milhões de usuários] do mercado de smartphones, nestas condições? não. veja o texto anterior do blog sobre o que redmond anda comprando e articulando, como parte de sua estratégia. é difícil a microsoft chegar a 20% do mercado de smartphones em meros quatro anos? sim, e muito. vai dar um trabalho danado.

mas a empresa parte de mais de 80% de todos os usuários do planeta usando seus sistemas operacionais na vida privada e nas corporações. é quase um milagre [reverso] que tenha se embananado tanto no negócio de mobilidade a ponto de lançar e matar o KIN em dois meses e a custos bilionários. só mesmo uma empresa do porte da microsoft pode fazer uma besteira deste tamanho e sobreviver…

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…ainda por cima porque os KIN, que não tinham nada a ver com WP7, foram lançados logo depois do anúncio do novo sistema operacional móvel, em barcelona, ano passado. clique na imagem para ler um ótimo resumo de porque tudo deu errado.

mas uma coisa é certa: daqui a dez anos não haverá dez plataformas de software básico para mobilidade. cinco talvez ainda seja muito. é mais provável que sejam só três. pelas contas da IDC, 2015 mostra google e microsoft abrindo vantagem significativa sobre a competição. se você fosse futurologista deste negócio, quais seriam os três atores [ou sistemas] da sua aposta para 2020? e por que?…

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terça-feira, 10 de maio de 2011

e a microsoft comprou skype

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em janeiro de 2010, apareceu aqui no blog o texto “skype incomodando as teles”, falando de como a empresa que começou e mantém mais de 40% de seus colaboradores em talinn, na estônia, estava começando a capturar muitos minutos de voz internacionais das operadoras clássicas. claro que não há nada mais óbvio do que isso, considerando os preços astronômicos que as operadoras cobram por ligações de longa distância, como se um portador humano, a cavalo, tivesse que carregar os bits de nossas chamadas.

e a coisa pode ficar muito pior se você estiver em roaming celular: um amigo pagou quase mil reais por dia de conta de dados no chile, por não ter levado em conta que os smartphones passam o tempo todo mandando e recebendo dados, especialmente se conectados a redes sociais. resultado? em 2009 skype detinha 12% do mercado mundial de conexões internacionais de voz, comparado com 4.4% em 2006. entre 2009 e 2010, foram mais de 100% de crescimento, chegando a 24.7% do tempo de conexão internacional. coisa de gente grande.

mas isso é a história vista de nosso mundo -dos bits- olhando para o das teles, que ainda teimam em enxergar os usuários em minutos na maior parte dos casos. e não é isso que a microsoft está comprando.

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om malik, que foi o primeiro a falar do assunto, elenca uma série de razões [do lado da vida digital, conectada, móvel] para a microsoft pagar US$8.5 bilhões de dólares por skype, tornando-o um bom negócio para eBay e todos os outros investidores. a coisa, como não poderia deixar de ser, passa guerra global de posições nas redes sociais e os papéis de google, apple, facebook e da própria microsoft.

imagea compra de skype pela última significa que google não pegou os 663 milhões de usuários de skype que, tratado como rede social, é 10% maior do que facebook. quer dizer também que facebook, de quem a microsoft é investidor [até para excluir google da cena…] pode pensar em construir uma liga entre seu grafo social e a conectividade distribuída oferecida por skype. ainda por cima, a apple vai ter que rebolar para enfrentar a combinação de microsoft, skype e facebook em todos os cenários, o que deve tornar a estratégia “social” de tim cook ainda mais difícil de ser executada.

em especial, a microsoft –há décadas expert em estratégias emergentes, inclusive e principalmente a partir do mercado- não gastou uma fortuna [1/6 do caixa da companhia] só para manter google longe de skype e aperriar a apple. os negócios de mobilidade de redmond, centrados em windows phone 7 e no acordo com a nokia, têm muito a ganhar com um skype “nativo”, até porque há teles que já acordaram para jesus e vinham conversando com skype sobre a transição para as redes LTE [long term evolution] que, de uma vez por todas, vão acabar com a história de “voz” e “minutos” nas operadoras móveis.

claro que há críticos e críticas de todos os tipos quando se trata de uma aquisição deste porte, por companhias de perfil tão elevado, num cenário competitivo tão acirrado. mas a grande maioria parece concordar que se a microsoft não “bagunçar” skype e souber usar, apropriadamente, o que sua mais nova aquisição oferece, o resultado pode ser um significativo aumento da competitividade de redmond nos mercados social e de mobilidade. como os dois estão cada vez mais visceralmente conectados… é bem capaz de steve ballmer ter feito a operação que vai garantir seu nome na história dos negócios da era da informação.

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domingo, 11 de julho de 2010

a rede que se renova… e as chances da microsoft

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image dia atrás, prince declarou que a internet havia “se acabado”. a entrevista foi ao mirror inglês e quem tiver tempo e dominar a língua deve passar por lá pra ver quão estranho um ser humano pode se tornar. prince, há tempos, chegou no nível 9 da escala jackson de esquisitice. este blog comentou o delírio do artista neste link, a business insider neste outro e a rede inteira falou sobre isso, dias a fio.

vamos voltar rapidamente ao assunto pela ótica da business insider que, dando uma outra conotação à frase de prince, diz que a internet está mesmo se acabando; se acabando e renascendo, todo dia, o tempo inteiro. e o olhar é sobre as empresas: para algumas, o sol está se pondo quase de uma vez por todas; para outras, ele pode continuar nascendo, mas com muito, muito esforço.

claro que isso vale para todos os tipos de negócio, na rede ou não. em particular, eu acho que todas as pequenas empresas de software, dessas responsáveis pela informatização de pequenos negócios, estão correndo sério risco de terminarem, nos próximos anos, no grande cemitérios dos CNPJ. nos EUA, a estimativa é que esta parte da economia de software perca centenas de milhares de empregos nos próximos anos; no brasil, não vai ser diferente. a razão é software como serviço, SaaS. com tanta mudança envolvida, o assunto é controverso.

e este não é um cenário de fim de mundo; o que desaparece, se feito por uns e ainda necessário –mesmo que de outra forma e com outra eficiência- será feito por outros, de outra forma. ou então será substituído por outras coisas, que terão que ser feitas… e por aí vai.  o mundo todo, todo dia, se renova.

voltando ao “fim da internet”, business insider cita algumas das grandes empresas da economia digital e discute como elas estão administrando um legado monumental de um passado digital distante, de dez, quinze anos atrás e o trabalho gigantesco que terão que realizar para estarem vivas daqui a dez, quinze anos. e as chances de isso acontecer.

a lista dos gigantes problemáticos tem a microsoft [que tem 35 anos de vida, já], yahoo, AOL, mySpace e eBay. claro que a microsoft atrai mais atenção do que todo o resto; AOL, mySpace e eBay, para todos os efeitos práticos, são página virada –pelo menos segundo o pessoal da insider; pra saber porque, clique neste link. yahoo, como se sabe, casou com a microsoft e é por isso mesmo que o blog vai tratar, nos próximos poucos parágrafos, somente do estado da empresa de bill gates. e isso de forma muito ingênua, simples e curta, pois a discussão é longa e complexa e merece livros, artigos e teses. vamos lá.

antiga dona do desktop, a microsoft vê seu domínio ameaçado por aplicações na rede; perde espaço para google na coleta, geração e organização de informação em rede e para a apple nos dispositivos. e pra eles e muitos outros em mobilidade. como se não bastasse, há tempos e estágios da evolução do mercado de TICs, demora muito a agir e mudar. veja a dificuldade do momento, a de criar uma estratégia de mobilidade que ofereça uma alternativa a iPhone e android. como todos sabem, os KIN, celulares da empresa, morreram alguns meses depois de lançados, um fracasso retumbante sob todos os aspectos. na verdade, nunca deveriam ter sido lançados; ninguém, em bom juízo, sabe até hoje porque foram lançados. segundo um funcionário [e acionista] da MSFT…

"We had a huge launch party on campus and I bet that party cost more than the amount of revenues we took in on the product. As an employee, I am embarrassed. As a shareholder, I am pissed. It’s one thing to incubate products and bring them to a proof-of-concept to see what works, but it’s something else to launch. I suspect we launched because we felt like we HAD to so we could save face because we were trying to build buzz, but overall - HUGE fail."

ou seja: KIN não era um brinquedo… e havia gente levando a coisa a sério a ponto de dar uma megafesta de lançamento do “produto”. pra entender o problema, veja os muitos [muitos mesmo, e muito interessantes, alguns] comentários de gente da própria empresa em um texto sobre o fim do KIN neste link. grave, sob qualquer ponto de vista.

claro que o problema da microsoft –como de toda empresa de sua idade e porte- é muito maior do que o de uma linha de celulares; mas há muita gente, e gente que saiu da microsoft, repetindo aos quatro ventos que a empresa deixou de tomar decisões com base em negócios e engenharia para ser um grande e confuso espaço de politicagem.

se for isso mesmo, o risco de caos organizacional nunca foi tão grande, especialmente neste tempo dos negócios em rede, quando o “inimigo” da empresa [de “software fechado”] deixou de ser a diversidade, riqueza e animação [e, em parte, a desarticulação e desalinhamento] dos grupos de “software aberto” para vir dos negócios, muito bem estruturados e alinhados, de “software como serviço”. em poucas palavras, a disputa entre software aberto e fechado está sendo vencida por software como serviço, ou “no software”. closed vs. open = no, eu diria [num texto de 2004, aqui].

ao mesmo tempo, o estilo ballmer de administrar as coisas trata tudo do mesmo jeito: games, do ponto de vista estratégico e operacional, parece que tem que funcionar como office ou windows. ou, muito pior, como o malfadado KIN. e ballmer, ao contrário do que gates era consistentemente capaz de fazer, talvez não esteja vendo muitos possíveis futuros.

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vale a pena dizer que os problemas da microsoft já duram mais de década, como pode ser visto neste link, que aponta para dificuldades, em 2000, que a empresa enfrenta até hoje. pra ver o tamanho do problema em valor de mercado, clique na imagem acima, de um infográfico interativo do NYT, comparando a microsoft e apple nos últimos dez anos.

segundo muitos analistas, as chances de empresas do porte da microsoft se renovarem são baixas; mas redmond tem muitos bilhões de dólares [mais de 37B] em caixa para gastar numa mudança [radical, se quiser]. mas não será fácil. segundo gente senior que saiu da empresa, um tal esforço deveria começar pela demissão de muita gente [uns quarenta mil… dos quase noventa mil empregados] que estão batendo cabeça em redmond e no resto do mundo… coisa difícil de fazer em uma estrutura do porte e complexidade da microsoft. e tem gente que acha que o próprio steve ballmer deveria pegar o caminho de casa para nunca mais voltar, responsável que seria pela “década perdida” da empresa. complicado.

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mas deve-se lembrar que a IBM já esteve bem pior, lá pela década de 90, se recuperou e voltou a ser um gigante do setor, com quase cem bilhões de dólares de faturamento e margem de lucro acima de 14%. tudo bem que a empresa de t. j. watson não é a lançadora de pods, pads e modas; mas é um grande e lucrativo negócio, depois de sua gigantesca crise dos anos oitenta e noventa.

e não é difícil lembrar que a própria microsoft, depois de achar que a internet não era pra valer, deu a volta por cima e se tornou um dos líderes do mercado de software para e na web. segundo muitos, foi exatamente o custo político e estratégico desta virada que levou a empresa ao limbo onde hoje se encontra.

mas o mundo que gates criou, definitivamente, ainda não acabou. vamos ter muito o que falar disso, ainda.

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

competir perdendo dinheiro: quem pode, pode…

Tags:, , , - srlm às 06:00

há quarenta e cinco meses a microsoft perde dinheiro em suas operações online. só nos últimos três meses foram US$480 milhões. no último ano, muito mais de US$2B. coisa de gente grande.

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a microsoft, obviamente, tem caixa [perto de US$30B], resultante de suas operações offline, para bancar tamanho prejuízo. e o faz –e não desiste do online- porque sabe que o futuro de tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e comunicação está na rede. é por isso que a microsoft não desiste de suas operações deficitárias de internet e web, nem que pra isso tenha que gastar muito mais dinheiro do que está investindo hoje. mas o caminho é longo e a subida, muito difícil.

mas a empresa já fez isso em outros departamentos, e por muito tempo. em 2001, cada xbox vendido dava US$125 de prejuízo. pra redmond, isso era apenas uma parte da estratégia contra sony e nintendo; anos depois, em 2005, redmond perdia [coincidência?] US$125 por xbox360 vendido, como parte da mesma e renovada estratégia. e os resultados nem sempre são os esperados, como mostra o gráfico abaixo:

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a estratégia de vender por preço abaixo do custo nem sempre dá certo: o PS3 [em setembro] vendeu mais, nos EUA, do que o wii e o xbox360 [492 mil vs.462 mil vs.352 mil], pode pegar vapor e ser o console mais vendido nas festas de fim de ano. nos três últimos trimestres, a EDD, divisão da MSFT onde está o xbox360, perdeu dinheiro em dois.

mas nem todos os números são ruins: em 2009, a EDD lucrou US$319M, e a porção online do negócio é cada vez mais importante; no último trimestre, a receita do xbox live cresceu mais de 50%. sinal de que o futuro de todas as divisões de qualquer empresa, inclusive a microsoft, é online.

e pra isso vai ser preciso, ainda, muito investimento nos negócios baseados em internet e web. e não será só a microsoft que estará fazendo isso. quem não o fizer vai estar fora do jogo, e de uma vez por todas. no caso da microsoft, em particular, competir está dando muito trabalho e gastando dinheiro. e muito. mas quem pode, pode…

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