Terra Magazine

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

2011: balanço da mobilidade

recorde: em 2011, foram feitas 39.3 milhões de habilitações de terminais móveis [6.1 milhões só em dezembro, parece haver um pequeno erro no histograma abaixo], somando celulares, tablets e outros terminais de dados na rede móvel, como modem 3G e os POS, as maquininhas de cartão de crédito que vão até a mesa no bar. a imagem abaixo, da teleco, mostra o que aconteceu durante o ano…

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…e, pra gente ter uma ideia do tamanho relativo de mobilidade do mercado de comunicações, veja o que aconteceu no mercado de telefonia fixa nos últimos anos, também cortesia da teleco:

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pra começar, note que o número de novos telefones fixos por ano, no brasil, de 2008 a 2011, é menor que o de novos acessos móveis por mês em 2011, para qualquer mês. de agosto em diante, as adições móveis superam novos acessos de banda larga fixa e TV por assinatura, por ano, nos últimos quatro anos. a figura abaixo mostra que o mercado se recuperou depois da "crise" de 2008/2009 e atingiu, ano passado, uma performance que dificilmente será superada neste ou nos próximos anos.

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a surpresa para muitos é que a taxa de crescimento do pós-pago foi, pela primeira vez em mais de meia década, muito superior à do pré-pago, como mostra a imagem abaixo…

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…o que certamente é resultado do crescimento do poder aquisitivo e da diminuição dos preços das operadoras… como mostra o gráfico abaixo…

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…que demonstra uma queda de 41% no preço médio do minuto de chamada móvel em dois anos, sem descontar a inflação [a queda real foi ainda maior]. sabe qual foi a consequência disso? ao invés de gastar menos, todo mundo falou mais…

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…e o tempo de uso médio, por mês, cresceu 38.4% no período e chegou a 122 minutos. a OI não divulga estes dados para sua rede. e os orelhões, coitados? dançaram: no mesmo período do gráfico acima, a receita bruta por orelhão da OI caiu 76%, de R$92 para R$22. devem estar dando um prejuízo danado, talvez seja hora de rever a regulação pra este pedaço de passado.

qual é a próxima grande mudança neste mercado? vamos olhar os dados da teleco de novo, um oásis de informação histórica e consolidada no caos e favelas de dados do país. estudo feito em julho passado pela consultoria mostrava que 85% dos acessos móveis brasileiros ainda não eram 3G.

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assumindo que esta proporção tenha mudado em cinco pontos percentuais no segundo semestre, pois o número de celulares 3G vendidos é cada vez maior em relação aos outros, é possível que tenhamos 15% de celulares 3G no brasil, agora. em números redondos, seriam 35 milhões de celulares 3G por aí. arredondando de novo, como 80% [veja gráfico] desta galera está na web, são perto de 30 milhões de brasileiros na web móvel. mas menos de 10% são smartphones, contra mais de 30% nos principais mercados do mundo.

um chute, sem medo de errar: nos próximos anos, vamos ver uma troca de celulares simples e 3G por smartphones, em muito larga escala, com uma mudança radical no padrão de interação mediado pela infraestrutura móvel, com uso muito intensivo de dados, para quase tudo. e isso vai exigir muito investimento das operadoras, muita atenção e fiscalização do regulador e muita paciência de todos nós, usuários. mas até um ponto: do lado de lá do "celular", todos têm que entender que estão nos prestando um serviço e que estamos pagando por ele. e não é pouco: temos a quinta maior tarifa do planeta, o que deveria gerar receitas suficientes para serviços de qualidade acima da média, e não o que temos tão frequentemente. e vamos ver se o governo faz sua parte: política, estratégia, articulação e incentivo são muito mais importantes do que parecem e, bem feitas, sempre fazem uma grande diferença.

dito isto, o gráfico abaixo mostra o número de pessoas por chip SIM nas grandes regiões do planeta. aqui, temos uns 194 milhões de habitantes. dividindo habitantes por celulares, dá 0.8 pessoas por celular [ou melhor, por SIM], a mesma média da europa ocidental. claro que podemos comemorar isso. mas temos que dizer, e tão alto quanto, que nos falta a qualidade de rede que eles têm por lá. e isso atrapalha muito, tanto as relações pessoais como de negócios.

densidade e qualidade de rede, a preços aceitáveis, fora da competição pelos mais altos do mundo, devem ser nossa  grande preocupação dos próximos anos. e vamos trabalhar, todos, que estamos atrasados.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

bits.4: móvel: conservador?

em artigo publicado na revista telecommunications policy de junho deste ano, arnd weber, michael haas e daniel scuka [Mobile service innovation: A European failure, disponível gratuitamente neste link] discutem porque a indústria de mobilidade na europa é tão pouco inovadora. a primeira tabela do artigo mostra as últimas grandes inovações da mobilidade desde 1998 e aponta para o japão como o lugar onde todas, menos uma, surgiram. esta uma, americana, não é obra de uma operadora de lá, mas da apple.

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e a tabela ainda mostra que o iPhone de 2007 não tinha coisas [inclusive e-money e QR] usadas no japão há anos. quem são as operadoras móveis daqui? três européias [tim, movistar e tmn] e uma continental, américa móvil. então, pense coigo: a conclusão do artigo de weber et al. é que as operadoras móveis européias não inovam porque 1. "inovar como no japão é caro" e 2. " ganhamos muito dinheiro do jeito que está, pra que fazer mais?…" e analistas internacionais [que fazem a cabeça de muita gente] apostam que coisas como [de forma genérica] localização para prover serviços seriam uma "grande inovação" para a américa latina… o que, de inovador, você acha que vai rolar de novo no mercado móvel brasileiro nos próximos muitos anos?…

mas aí [aqui] tem a vivo e wayra, a tim e acesso na periferia, o programa de inovação da oi, a claro e as novas formas de uso da rede. e o brasileiro, que não desiste nunca, acaba apostando que vão acontecer coisas realmente inovadoras por aqui. será?

Relógio

até janeiro de 2012, o blog vai publicar [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

mobilidade: fragmentação, diversidade e execução. entre "americanos".

o mercado de smartphones tem um líder. por muito. android tem 52% de todas as vendas, como mostra a tabela abaixo. clique pra ver em detalhe.

gartner-q3-2011-smartphone-shares-o

e o mercado de mobilidade tem um líder. a apple tem 52% do lucro, como mostra o gráfico abaixo. e a apple só vende 4% de todos os celulares.

chart-of-the-day-apple-has-4-of-the-phone-market-and-52-of-its-profits

e a imagem abaixo apareceu aqui mesmo no blog há um mês, mostrando como a apple [iOS] e google [android] mudaram tudo no mercado de smartphones nos últimos quatro anos.

agora volte para a primeira imagem, a tabela. veja quem é o segundo maior vendedor de smartphones por sistema operacional. sim, a nokia. com menos da metade do mercado de 2010, mas em segundo lugar, ainda.

a nokia acaba de lançar seus primeiros smartphones windows phone 7.5 e não deve parar por aí, entrando também no mercado de tablets a partir de 2012 [rodando windows 8]. para a microsoft, a entrada da nokia no "seu" mercado de sistema operacional móvel é a promessa de uma grande família de dispositivos, de todos os preços e capacidades, para o mercado mundial.

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testando windows phone 7.x há alguns meses, estou vendo a melhoria continuada do sistema, em funcionalidade, confiabilidade e performance. a atualização via zune é transparente e já rolou duas vezes para o LG E900 [disclosure: da vodafone inglesa, cedido pela microsoft brasil], sem qualquer problema, e a última foi para a versão mango, que praticamente reescreve o sistema operacional.

a microsoft perdeu quase a metade do mercado de smartphones em um ano. e caiu pra região lá do 1%. o fim, se não fosse a microsoft [e, agora, a nokia]. em maio, a IDC previu que a microsoft teria 5.5% do mercado de smartphones em 2011. errou, pelo menos até agora. e apontou pra mais de 20% em 2015. pouca gente acredita que redmond consiga tanto em tão pouco tempo.

certo é que o mercado de mobilidade agora é quase só de smartphones e isso significa todas as faixas de idade, preço, geografias e usos. como android está mostrando, a estratégia de [quase só] um sistema e muitos vendedores de hardware é muito mais abrangente [apesar de menos lucrativa, agora] do que a necessária verticalização da apple.

para garantir uma participação majoritária no mercado global de sistemas de informação pessoais, conectados e móveis [leia-se  smartphones e tablets] a proposição da apple deveria ser mais diversificada do que um de cada.

pode ser que a microsoft consiga combinar as estratégias de google e apple: uma plataforma informatização pessoal menos fragmentada do que a da primeira e mais aberta do que a da segunda. combinada com hardware de qualidade, usando a definição de drucker: qualidade é o que o cliente quer, pelo preço que ele pode pagar.

agora que a microsoft começou a alinhar sua oferta e abrir o caixa pra enfrentar android e iOS, os próximos mil dias vão nos dizer quem sairá do outro lado.

maiores problemas de cada um? google, fragmentação e, daí, a gestão do ciclo de vida: nenhum de meus android foi atualizado, nenhuma vez, sem minha intervenção direta. isso é um problema para o usuário comum.

para a apple, o problema no grande mercado global que se desenha vai ser a diversidade: como manter a qualidade "apple" em um número muito maior de dispositivos. ou não. a empresa pode decidir ficar [por um tempo] onde está: pequena no mercado, mas com margens assombrosas. e prestar atenção, o tempo todo, pra ver onde foi mesmo que a RIM errou.

para a microsoft, que está começando agora, o principal problema deverá ser execução: noite e dia, ballmer & co. terão que fazer, em casa, o que não vinham fazendo com o velho windows phone. além de alinhar a nova oferta com windows 8 [a estratégia "família"], atrair um grande número de fabricantes e desenvolvedores e adensar a rede de valor… em suma, fazer tudo que google e apple já vêm fazendo há anos, pra ter uma presença lucrativa no mercado. lembrando que se trata de, literalmente, "tirar" dinheiro da apple e de google, e isso não vai ser nada fácil.

em suma, os próximos mil dias serão de disputa entre os que são a favor e contra, na apple, da diversificação de sua oferta móvel; lá em google, entre os que querem e podem, ou não, diminuir radicalmente a fragmentação de android; na microsoft, entre os que têm a capacidade, ou não, de cuidar da execução que pode colocar a empresa em um patamar de competição com os outros dois. e você diria: e os outros? mas que outros? como um slide recente de mary meeker mostra, a parada é entre os  "americanos". e se entrar mais um, o que pode rolar em grande escala, será a amazon.

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

a oportunidade móvel

em laranja, na imagem abaixo, o tráfego global móvel, a cada trimestre, por mês, de voz. em vermelho, o tráfego de dados. tudo em petabytes por mês.

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pra começar, se você não sabe que voz, nas redes móveis, é transferida como dados, fique sabendo. é até por isso que dá pra comparar o "volume de dados correspondente a chamadas telefônicas clássicas" com o "volume de dados de todas as outras coisas" [incluindo voz em skype, por exemplo].

o volume de dados móveis ultrapassou o de voz no fim de 2009 e já era o dobro no começo de 2011. e isso só está começando. observe a imagem abaixo e veja quais são as previsões da ericsson [neste relatório] para o crescimento do número de conexões e de banda larga móveis nos próximos cinco anos.

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estamos falando de 8 bilhões de conexões móveis em 2016, quase 5 bilhões delas com acesso a banda larga móvel. a curva amarela, avançando muito rapidamente na direção da verde e se encontrando com ela perto do fim da década ou no começo da próxima, parece mostrar que todos os sistemas de informação pessoais, conectados e móveis, serão em essência digitais. é mais ou menos por aí, também, que a ideia de "pacote de minutos de voz" das operadoras vai deixar de fazer qualquer sentido, levando consigo, talvez, uma noção criada em 1879/1880 por um médico americano, o número telefônico. apesar de você precisar dele ainda hoje, para usar um sistema de voz digital que independente totalmente da "voz, na operadora", como viber.

quem já tem esta conectividade digital pessoal móvel… como usa?

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metade das pessoas usa dados nos smartphones antes de dormir e quase 40% assim que acorda; a hora mais "calma" do dia é o jantar, onde parece que as pessoas se encontram e, sem uma maior mediação informatizada… conversam de verdade, talvez sobre a [péssima, no caso do brasil] qualidade das infraestruturas de banda larga móvel. e os picos de uso são na ida para o trabalho [nos transportes públicos, principalmente] e tarde da noite, talvez [quase certo, veja o gráfico abaixo, deste outro texto] vendo TV.

a mudança de comportamento embutida na ubiquidade dos smartphones e tablets é radical. o autor e cristina coghi discutiram parte do impacto deste aumento de conectividade no fim de junho, na CBN, neste link [em áudio].

veja o relatório da ericsson e pense nas oportunidades. em particular, imagine um mercado em que o número de participantes vai crescer cinco vezes em cinco anos. e isso a partir de um patamar de quase um bilhão de usuários. estamos falando –na prática- de universalização de banda larga móvel na próxima meia década. muito provavelmente, haverá consequências em quase todos os mercados, de varejo a logística, de educação a saúde, de mobilidade a entretenimento.

e você, vai fazer o que? e nós, em todo o brasil, temos que grandes ideias e capacidade de execução para dar conta de que nichos deste gigantesco e multibilionário mercado global?… dos cinco bilhões de usuários de banda larga móvel de 2016, quantos estarão usando soluções e aplicações brasileiras no seu dia-a-dia, pra trabalhar ou se divertir?

o brasil quer quase 50% das exportações mundiais de carnes em 2020. seria muito pensar em 5% dos usuários de banda larga móvel usando pelo menos um serviço ou aplicação móvel made in brazil em 2016 [ou 2020]? isso daria uns 250 milhões de pessoas. numa conta de padaria, se o ticket médio por usuário fosse US$10 por ano, seriam US$2.5 bilhões de dólares do lado certo da balança comercial de TICs, que este ano será deficitária em quase US$40 bilhões [US$33.4B em hardware e perto de US$5B em software, assumindo um crescimento de 20% sobre 2010]. vale a pena observar que as exportações de software made in brazil por empresas de capital brasileiro não chegam a US$250 milhões, perto de 10% do total exportado pelo país..

o tamanho da oportunidade móvel é imenso. quem estiver perto do setor tem que pensar nisso. e no mercado global. e nos próximos cinco, dez anos, pelo menos. quem apostar, verá.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

marketing móvel explode

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há quase um ano, este blog publicou um texto [quem define o mercado?] onde discutia as tendências de formação de mercados, hoje, lideradas por pessoas digitais, conectadas, móveis e, em breve, capazes de programar seus dispositivos e o mundo ao redor.

a imagem acima, de uma apresentação realizada na futureCom do ano passado, diz que as pessoas nascidas de 1965 para cá [gente de 45 anos ou menos] vivem em um ambiente digital, conectado, móvel e programável.

em agosto, entrevistamos ricardo cavallini, da wMcCann, sobre o mercado brasileiro de mobilidade, e ele nos dizia que…

Os brasileiros têm o hábito de acessar redes sociais e levaram este comportamento para o celular. Os brasileiros que compram pela internet o farão no ambiente móvel também. Então, o resultado pode não vir no curtíssimo prazo, mas se eu fosse um varejista, começaria ontem a experimentar e marcar minha presença no ambiente móvel.

Nos próximos mil dias, acho que a influência do celular na compra será  mais importante do que a compra em si através do celular. O aparelho  será nossa grande interface com o mundo analógico. Poderemos comparar preços, ver opinião de outros consumidores e até achar lojas próximas com ofertas melhores. Todo aquele poder que a internet trouxe para o consumidor, na sua mão, o tempo todo.

agora olhe os números abaixo, de um relatório recente da millenial media sobre o crescimento do mercado mundial de marketing móvel.

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em um ano, o mercado de marketing móvel dobrou e, nos quatro anos até 2015, pode sextuplicar. isso valida, globalmente, a opinião de cavallini, ainda mais quando se olha para o crescimento do investimento em marketing móvel em alguns segmentos de mercado…

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…o que aponta para uma mudança radical de comportamento das empresas em relação à mobilidade. isso porque o comportamento das pessoas está mudando radicalmente, e em pouco tempo, como mostra o gráfico abaixo…

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em pouco mais de dois anos, a porcentagem de pessoas que, a partir de uma provocação, faz um download, cresceu 667%. hoje, três vezes mais pessoas estão dispostas a ver um vídeo no celular do que em 2009.

mas marketing é meio, o resultado deve ser posições ou ações no mercado: na austrália, segundo mercado mundial em penetração de smartphones e onde 87% das pessoas afirma levar em conta mobile marketing, 12% das ordens da domino’s pizza são originadas em celulares [no negócio, 40% é online]. sinal dos tempos. breve, num smartphone perto de você. ou, melhor ainda, no seu.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

quem é o consumidor móvel em 2011?…

Tags:, , , , - srlm às 08:00

wMcCann e grupo.mobi publicaram uma pesquisa muito interessante sobre o comportamento digital, conectado e móvel dos brasileiros e o blog conversou com ricardo cavallini, que conduziu o trabalho pela wMcCann, sobre o que está por trás do trabalho e a interpretação de alguns dos resultados.

ricardo cavallini, que reside em http://cava.net.br/, é vice presidente de convergência da wMcCann e autor dos livros "o marketing depois de amanhã", sobre novas tecnologias e seu impacto sobre o comportamento do consumidor, "onipresente", que coloca em um contexto histórico a transição do mercado de comunicação, de "mobilize", sobre as possibilidades de propaganda e marketing no universo móvel e "a arte de desperdiçar energia", sobre o site pornô mais famoso do brasil.

a seguir, nossa conversa, pautada por slides da apresentação da pesquisa, que estão neste link. os itálicos e negritos, nas respostas, são daqui do blog.

pergunta 1, sobre o slide 9: qual o sentimento de vocês sobre os 44.4% dos proprietários de celulares convencionais que pretende trocar de celular nos próximos seis meses? as ofertas existentes no mercado farão que parte deste público de dezenas de milhões de usuários migrar para smartphones, e consequentemente, acesso a internet móvel? e quais serão as consequências disso?

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Nenhuma pesquisa traz respostas exatas ou definitivas, mas uma pesquisa bem conduzida pode servir para entendermos uma tendência, um norte. Quando escrevi o livro Mobilize ano passado, com o Leo Xavier e o Alon Sochaczewski, tivemos muita dificuldade para levantar números mais precisos ou oficiais sobre muitas coisas. O universo móvel está crescendo rapidamente, temos mais de 200 milhões de linhas de celular mas ainda conhecemos muito pouco sobre os hábitos dos brasileiros.

A velocidade de troca é um destes assuntos. Através de informações internas de operadoras e especialistas, era de conhecimento comum que a troca de aparelho no brasil ocorria a cada 2 anos (de 18 a 24 meses em média). Mas na pesquisa ficou claro que existe uma faixa da população (de 20% a 30%) que não costuma trocar de aparelho nunca. Esta faixa empurra a média para cima. Se ignorarmos esses "atrasados", a maioria das pessoas troca de aparelho em até 1 ano. Só não podemos dizer que o aparelho celular virou descartável porque sabemos que uma pessoa passa seu telefone para frente (para família ou amigos) quando compra um aparelho novo.

Por não atingir a maior parte da população, a posse do smartphone está
hoje nas mãos dos mais conectados. Por outro lado, o fato da tecnologia estar cada vez mais disponível e mais fácil pode acelerar esta curva de adoção. A banda larga móvel ainda não está disponível para todas as cidades mas estará em poucos anos. As vendas de smartphone estão acelerando e agora sendo impulsionadas pelos subsídios das operadoras.

Quanto mais acessível, mais fácil e mais possibilidades tivermos, mais
usaremos. O iPhone é um ótimo exemplo disso. Por sua facilidade, seu uso e interação é muito mais forte que em outros aparelhos. Por isso digo que o crescimento de vendas de smartphone poderá causar uma explosão no uso como acesso à internet, download de aplicativos e
acelerar a queda de uso de SMS. Quando falamos de acesso à internet e outras coisas, o smartphone é causa, mas também é consequência.

pergunta 2, sobre o slide 31: pelos resultados da pesquisa, 40.8% dos consultados já acessa a internet através do celular. mais gente, proporcionalmente, do que a internet "fixa" quatro anos atrás. 83% do acesso vem de smartphones. as empresas, de mídia e negócios, estão preparadas para esta mudança? deveriam? por que? como?

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Se compararmos com a internet fixa de quatro anos atrás, ela recebia
muito mais investimento (suor, atenção e grana) do que o universo móvel hoje. Acredito que isso aconteça por dois fatores. Primeiro, acho que não aprendemos com os nossos erros. Muitos ignoraram o digital nos últimos 15 anos e vão continuar ignorando as mudanças que estamos sofrendo.

O segundo fator é também um agravante, mobile está crescendo e
evoluindo muito mais rápido do que a internet fixa
. E isso não é algo novo, já aconteceu várias vezes (internet atingiu 50 milhões de usuários mais rápido que TV, que por sua vez cresceu mais rápido que o rádio, que cresceu mais rápido que o telefone fixo, etc.), e continuará acontecendo.

Para empresas cuja estrutura e cultura não é concebida para evolução e inovação, está cada vez mais difícil acompanhar a mudança. Talvez por  isso temos tantos exemplos atuais de empresas que eram líderes há poucos anos e hoje se encontram em situações tão delicadas (Nokia, por exemplo).

No livro, mostramos vários cases de empresas que já estão trabalhando no universo móvel. Apesar disso, o número de empresas que vejo perder
oportunidades é muito maior do que as que estão experimentando.

Em resumo, na minha opinião, as empresas deveriam estar se preparando e rápido, para não cometerem o mesmo erro que cometeram com a internet nos últimos 15 anos. Assim como a internet, o celular não é apenas mais um meio (como muitos comunicadores acreditam). É muito mais do que isso. É uma mudança de comportamento e cultural, isso é bem maior do que apenas propaganda e marketing.

pergunta 3, sobre o slide 42: mesmo na classe C, que tem o menor acesso a smartphones [19%, contra 49,7% na classe A], o acesso móvel a faceBook está bem perto de orkut [50,3% vs. 56,4%]. o que isso quer dizer? que futuro você prevê para orkut? qual será o papel de google+ neste cenário?

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No acesso via computador, o crescimento do Facebook foi brutal nos
últimos 2 anos. Apesar do Orkut continuar crescendo, não é mais um líder isolado. Segundo a ComScore, o Facebook já tem 70% dos usuários do Orkut.

Ainda assim, é interessante ver que no acesso móvel esta diferença caiu para margem de erro, mesmo na classe C. Esta pequena diferença também acontece quando olhamos para usuários de celular convencional.

O valor de uma comunidade não são suas features ou suas ferramentas, mas sim a própria comunidade (segundo a lei de Metcalfe). Não quer dizer que o Orkut está morto, mas quero dizer que o maior diferencial do Orkut deixou de ser diferencial.

Também mostrou que a leitura de que "Orkut é coisa de pobre" e "Facebook é coisa de rico" era apenas uma visão preconceituosa. Estávamos passando por uma migração e não uma segregação. Com o provável crescimento do Google+, será interessante descobrirmos se existe espaço para termos 3 "sugadores de atenção" tão parecidos. Eu não arriscaria um palpite agora, é uma discussão mais longa, mas seria interessante lembrar que, com tantas opções, ninguém é mais fiel a nada. Nem a produtos e serviços, nem a comunidades online.

pergunta 4, sobre o slide 65: cerca de 15% dos usuários já comprou alguma coisa a partir do seu -como dizem os portugueses, telemóvel. como você vê a evolução deste cenário nos próximos 1.000 dias e como será o impacto disso, principalmente sobre o varejo tradicional e os shoppings, por exemplo?…

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Dos cerca de 40% que acessam a internet pelo celular, cerca de 15% já
compraram através do aparelho. A maior parte deles, da Classe A. É um número absoluto muito baixo. Por outro lado, segundo a ebit, temos 23 milhões de compradores online. Se temos 81 milhões de internautas (segundo o Datafolha), significa que cerca de 28% deles são compradores.

Dado a escassez (ou melhor, quase inexistência) de lojas adaptadas para o ambiente móvel, com este comparativo, os 15% se tornam monstruosamente grandes para dados coletados no começo de 2011.

Todos os hábitos adquiridos e conquistados no acesso via computador
serão transferidos para o celular
. Toda a curva de aprendizado, mudança comportamental e cultural não precisaram ser "reconstruídas", foram herdadas.

Os brasileiros têm o hábito de acessar redes sociais e levaram este comportamento para o celular. Os brasileiros que compram pela internet o farão no ambiente móvel também. Então, o resultado pode não vir no curtíssimo prazo, mas se eu fosse um varejista, começaria ontem a experimentar e marcar minha presença no ambiente móvel.

Nos próximos mil dias, acho que a influência do celular na compra será  mais importante do que a compra em si através do celular. O aparelho  será nossa grande interface com o mundo analógico. Poderemos comparar preços, ver opinião de outros consumidores e até achar lojas próximas com ofertas melhores. Todo aquele poder que a internet trouxe para o consumidor, na sua mão, o tempo todo.

pergunta 5, sobre o slide 49: os aplicativos mais instalados nos celulares de todos os tipos são jogos [cada vez mais sociais...] redes sociais e variados tipos de instant messenger. os aplicativos considerados mais importantes são os de redes sociais e mensagens [como mostra o slide 50]. somos todos, mesmo, móveis, conectados, sociais? que consequências isso pode ter para os negócios?

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O celular é um sucesso no Brasil. Redes sociais então, nem se fala. Era quase óbvio que iria terminar em casamento.

Em outra pesquisa da WMccann, olhando apenas para o comportamento digital da Classe C, descobrimos que os consumidores emergentes usam as redes sociais muito mais profundamente do que algumas pessoas imaginam. Além de usar para socializar, usam também para realizar negócios, ajudar na carreira e até na família. Coisas como aprender a ser melhores pais, interagir com especialistas da sua profissão e até mesmo ganhar dinheiro, vendendo na web.

Ironicamente, o brasileiro aprendeu usar as redes sociais de maneira mais profunda e intensa do que a maioria das empresas, mesmo comercialmente falando.

Respondendo a pergunta, para quem ainda acredita que redes sociais é apenas coisa de desocupado, nenhum impacto. Para quem percebeu o tamanho da mudança que isso representa, o impacto é monstruoso.

Na próxima década, o celular será a interface das pessoas com o mundo à sua volta, provendo localização, contexto e comunicação com lugares, pessoas e objetos. Novamente, é quase óbvio que isso vai trazer mais opção e mais poder para o consumidor. E isso muda tudo, de novo.

pesquisas como esta estão melhorando muito nosso conhecimento sobre o mercado brasileiro em muitos sentidos. sempre fomos famosos [notórios, talvez] por não termos dados sobre quase nada do que acontecia no país. fazer tais pesquisas e liberar boa parte do resultado para o grande público é uma contribuição ímpar para um melhor conhecimento do mercado brasileiro e para o desenvolvimento, por todos e para todos, de uma economia digital mais sustentável. a wMcCann e o grupo.mobi estão de parabéns. e nós todos esperamos que o esforço não seja episódico, mas parte de um trabalho estrutural que possa continuar ainda por muito tempo.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

a economia das APPs

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semana passada tuitei um dado sobre a rentabilidade das aplicações depositadas no appStore da apple…

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…e várias pessoas entraram na conversa imediatamente, chamando a atenção para o fato de que downloads pagos e gratuitos estavam no mesmo saco.

tudo bem, a ideia era esta: para "vender" alguma coisa num appStore, quase todo mundo oferece algo grátis e cobra pela versão completa, profissional, sem anúncios, o que for que a diferencie da básica. o modelo de negócios freemium, aliás, começa a se estabelecer como "o" modelo para jogos móveis, que de resto ocupam 75% das posições entre as 100 apps com maior número de downloads em qualquer appStore.

AppStore Top100GrossingGames Freemium vs Premium resized 600

a conta lá do tweet, que vem de informação de techMeme, diz que somando apps pagas e gratuitas, a renda por app é US$0,17, o que dá alguma coisa perto de R$0,27. a apple fica com 30% do total pago; os números acima se referem ao que é pago aos desenvolvedores. o appStore da apple está registrando, hoje, 24 milhões de downloads por dia, sobre um universo potencial de 425.000 aplicações disponíveis.

se tudo fosse igual para todo mundo, cada aplicação teria perto de 60 downloads por dia, correspondendo a uma renda de pouco mais de R$15, ou perto de R$450 reais por mês. se você fizer uma destas tais aplicações "médias", é isso que você pode esperar, durante o tempo de vida da sua aplicação, algo como dois anos.

ocorre que mais de 50% das aplicações não chega a 1.000 downloads durante todo seu ciclo de vida; se vocês estiver nos 50% que consegue pelo menos 1000 downloads, são R$270 em caixa. e isso é um problema para boa parte das aplicações: para os jogos, o custo de desenvolvimento está entre US$10.000 e US$50.000. e esqueça anúncios: leia neste link como um jogo que teve 10 milhões de downloads rendeu apenas US$30.000, para um total de 108 milhões de anúncios servidos… cuja taxa de click-through [métrica de pagamento na maioria dos casos] não passou de 1%.

veja um pequenos estudo sobre a economia dos appStores neste link. claro que isso tudo ainda está em estágio inicial e, para quem está no jogo, trata-se muito mais [pelo menos no momento] de aprender do que lucrar.

à medida que os três [ou quatro] appStores que vão existir no futuro [apple, android, microsoft {e amazon}] amadurecerem e servirem de base para a personalização de quatro ou cinco bilhões de smartphones, os volumes aumentarão, novos modelos de negócio vão aparecer e coisas vão mudar.

apesar dos appStores terem melhorado muito o jogo para o lado dos desenvolvedores e pequenas empresas de software em relação ao que nos ofereciam [argh!] as teles, parece que ainda não chegamos ao ponto em que podemos comemorar.

é preciso bem mais do que uma ideia na cabeça e um jogo [ou qualquer outra coisa] em algum appStore para se declarar vencedor. para gerar renda de verdade e sustentar uma galera trabalhando nisso, então, é um esporte diferente, para o qual é preciso ter imaginação, estratégia, modelo de negócios, criatividade, inovação, execução… tudo o que sempre foi preciso para criar um novo negócio inovador de crescimento empreendedor.

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PS: passando bem perto do tema deste post, john battelle acaba de publicar um texto [time for a new software economy] que aponta os problemas que temos, hoje, na economia de software. battelle questiona se não está na hora de se repensar as plataformas de suporte às ecologias de aplicações e serviços, na web e móveis. segundo ele, os atuais fundamentos da indústria de software são incapazes de promover uma ecologia saudável e de longo razo. eu concordo e acho que isso tem a ver com a necessidade de uma nova classe de suportes aos mercados de software e isso, por sua vez, tem a ver com uma ideia que estamos desenvolvendo no c.e.s.a.r e na UFPE, as máquinas sociais.

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quinta-feira, 12 de maio de 2011

smartphones… em 2015 e depois

criar o futuro é muito mais fácil do que prever o futuro. dito popular nos mercados de tecnologia há décadas, esquecido vez por outra pelas casas especializadas em… previsões. mas, afinal, se não fizessem isso mesmo, apostar em futuros possíveis e prováveis, viveriam de que?

de todas as bolas de cristal que apontam para os futuros de tecnologias muitas, uma previsão em particular me chamou a atenção mês e meio atrás e, depois da compra de skype pela microsoft, busquei o link e fui ler de novo.

não é que a IDC, endereço de um dos mais respeitados grupos de analistas de mercado do planeta, está prevendo que windows phone 7 [8...] será o segundo sistema operacional móvel mais popular do planeta em meros quatro anos?…

pelo mostrado no gráfico abaixo, google dominaria o mercado por uma larga margem [o que parece óbvio], apple e RIM ficariam mais ou menos onde estão [e isso não é óbvio, pelo menos no caso de iOS], symbian [da nokia] desapareceria completamente [isso até eu acho que é óbvio] e a microsoft multiplicaria por quatro sua penetração no mercado de smartphones. o "resto", ou seja, todas as outras plataformas, teria menos de 5% do mercado daqui a quatro anos.

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o relatório é assinado por ramon t. llamas, william stofega, stephen d. drake e stacy k. crook só pra gente saber de quem cobrar se rolar alguma coisa muito diferente do histograma acima. ciosa, aliás, que não deve vir de uma análise trivial do mercado a ponto de transferir a participação da nokia pra microsoft, face a aliança recente entre as duas empresas. se bem que é isso que fica aparente na imagem acima, não é? muito dura, a vida dos futurologistas.

segundo a análise, foram vendidos 173.5 milhões de smartphones em 2009, 303.4 milhões [74.9% a mais] em 2010 e a previsão para 2011 é de 452.5 milhões de unidades, cerca de 50% a mais do que em 2010. em 2015, seriam 925.7 milhões de smartphones postos no mercado por todos os fabricantes. assumindo que um smartphone tem uma vida útil de [chute!] 24 meses, pouco mais, pouco menos, os 2 bilhões [arredondando...] de smarties rodando em 2015 teriam sido vendidos entre 2013 e 2015.

seria impossível a microsoft acertar o passo, criar as redes de valor [de fabricantes a desenvolvedores...] e sair de onde está para vice-líder [400 milhões de usuários] do mercado de smartphones, nestas condições? não. veja o texto anterior do blog sobre o que redmond anda comprando e articulando, como parte de sua estratégia. é difícil a microsoft chegar a 20% do mercado de smartphones em meros quatro anos? sim, e muito. vai dar um trabalho danado.

mas a empresa parte de mais de 80% de todos os usuários do planeta usando seus sistemas operacionais na vida privada e nas corporações. é quase um milagre [reverso] que tenha se embananado tanto no negócio de mobilidade a ponto de lançar e matar o KIN em dois meses e a custos bilionários. só mesmo uma empresa do porte da microsoft pode fazer uma besteira deste tamanho e sobreviver…

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…ainda por cima porque os KIN, que não tinham nada a ver com WP7, foram lançados logo depois do anúncio do novo sistema operacional móvel, em barcelona, ano passado. clique na imagem para ler um ótimo resumo de porque tudo deu errado.

mas uma coisa é certa: daqui a dez anos não haverá dez plataformas de software básico para mobilidade. cinco talvez ainda seja muito. é mais provável que sejam só três. pelas contas da IDC, 2015 mostra google e microsoft abrindo vantagem significativa sobre a competição. se você fosse futurologista deste negócio, quais seriam os três atores [ou sistemas] da sua aposta para 2020? e por que?…

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

web: cada vez mais sem fio, móvel e em tempo real

Tags:, , , - srlm às 08:00

em pouco mais de um ano, de agosto do ano passado a setembro último, o número de usuários da internet [nos EUA] que usa [de alguma forma] twitter pouco mais que triplicou, de 6 para 19%, como mostra o gráfico abaixo.

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e isso tem que ser comparado com 47% [em setembro, contra 29% em agosto de 2008] dos americanos [usuários da rede] que mantêm seu status, online, atualizado e disponível para seus pares e, às vezes, para o mundo todo.

tem mais: numa tendência que é mundial, 54% dos americanos têm conexão sem fio com a internet através de algum tipo de dispositivo, de consoles a celulares. destes, 25% usa twitter, contra apenas 8% do povo que está, literalmente, ligado à rede apenas por um fio qualquer.

um número muito grande de pessoas considera [gráfico abaixo] que estar conectado enquanto móvel é muito [ou de alguma forma] importante [81%] porque as conexões com outras pessoas se mantêm; 73% dá importância às conexões móveis porque podem acessar informação em movimento e 41% porque querem, de alguma forma, compartilhar informação enquanto fora de suas bases.

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pra terminar, quanto mais dispositivos conectados se usa, mais se “tuita” [vai estar no próximo aurélio…], como mostra o gráfico abaixo.

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resumo da ópera: quanto mais sem fio, móvel e com mais dispositivos à mão, mais as pessoas estão dispostas a usar e compartilhar informação com os outros

os dados são de um relatório do pew internet project, publicado em 21/10, twitter and status updating, fall 2009, e mostram o óbvio: somos gregários, mesmo [e especialmente] em movimento, temos raízes [mesmo em movimento] e, para onde vamos, levamos todo [ou boa parte d]o nosso contexto.

e nosso contexto, hoje [para quem já está na rede], são nossas conexões. as virtuais, em boa parte representando, online, as reais. daí, nada mais normal que… haja atualizações e leituras de status, em tempo real, móveis e cada vez mais intensas.

taí uma demografia pra quem estiver pensando em novos negócios na web. em breve, também e com muita intensidade, no .BR.

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quinta-feira, 12 de março de 2009

promoção na operadora: [uma] música a R$18

Tags:, , , - srlm às 02:26

o mercado de entretentimento móvel, no brasil, quase não existe. um amigo resolveu tentar entender porque. no país, 81.5% dos celulares são pré-pagos; o extremo é o pará, que tem 90.8% de pré-pagos. de acordo com a anatel, o país tem [não necessariamente em operação] 151 milhões de celulares. em números redondos, são 120 milhões de pré-pagos e 30 milhões de pós-pagos. nesta conversa, estamos falando da vasta maioria, os 120 milhões de pré-pagos, que poderiam ser um grande mercado. mas não são. por causa deles, o ARPU [renda média das operadoras, por mês, por usuário, incluindo os pós-pagos] é menos de quarenta reais.

pois bem. o amigo pega um pré-pago e carrega com R$25, pra fazer um teste. poderia ter lido um texto do ti inside –celular no brasil é o mais caro do mundo- e não precisaria testar nada. mas é um cabra prático e vai atrás de ver como as coisas funcionam na vida real. assume que quase todo mundo que tem pré-pago não tem banda larga em casa e, se quiser uma música tocando no celular, vai trazê-la pelo próprio celular.

isso se não souber das consequências… quais? bem, no site da operadora há um grande sucesso à venda por módicos R$3,99. meu amigo assume que o bom cidadão, cumpridor das leis, não vai copiar a música do celular ao lado. gente boa, ele entra no site da operadora e paga 75% mais caro do que se estivesse comprando a canção no iTunes [US$0.99], bota fé na transação e confirma o dá-o-loud.

algum tempo depois, o tal sucesso está carregado no pré-pago [emprestado, pro experimento]. vai rolar a festa. antes, pra saber o que mais pode fazer com o celular, meu amigo verifica quanto sobrou de crédito. a surpresa? sobraram R$7. como sabemos,  a música custou R$3,99. quanto devemos somar a R$3,99 para, ao subtrairmos o resultado de R$25, termos R$7 como resultado?… QUATORZE REAIS. a música custou quatro reais e o download custou quatorze, dos quais mais de cinco reais vão para o governo como imposto e a operadora fica “apenas” com uns nove reais, ou pouco mais de duas vezes o preço da música, pra enviá-la pra seu celular.

feitas [e entendidas] as contas não é nenhuma surpresa que, primeiro, o ARPU do brasil seja um dos mais baixos das américas. afinal de contas, ninguém é doido o suficiente pra correr tal tipo de risco com alguma frequência, tipo umas duas vezes na vida inteira. eu mesmo –nem pra testar- nunca comprei nada do site de nenhuma operadora. eu e quase toda a população móvel do país, pelo visto.

segundo, enquanto o modelo de negócios das operadoras não mudar, radicalmente, para limitação de banda [enquanto houver limitação de infraestutura] combinado com volume ilimitado [em potencial] de dados, a coisa vai continuar exatamente como está. nem nós participamos dos negócios móveis, nem elas ganham, conosco, o que poderiam estar ganhando. garanto que, com um modelo de negócios que faça sentido para os usuários, todos nós ganharíamos muito mais. simples assim…

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