Terra Magazine

23.10.09

web: cada vez mais sem fio, móvel e em tempo real

Tags:, , , - srlm às 08:00

em pouco mais de um ano, de agosto do ano passado a setembro último, o número de usuários da internet [nos EUA] que usa [de alguma forma] twitter pouco mais que triplicou, de 6 para 19%, como mostra o gráfico abaixo.

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e isso tem que ser comparado com 47% [em setembro, contra 29% em agosto de 2008] dos americanos [usuários da rede] que mantêm seu status, online, atualizado e disponível para seus pares e, às vezes, para o mundo todo.

tem mais: numa tendência que é mundial, 54% dos americanos têm conexão sem fio com a internet através de algum tipo de dispositivo, de consoles a celulares. destes, 25% usa twitter, contra apenas 8% do povo que está, literalmente, ligado à rede apenas por um fio qualquer.

um número muito grande de pessoas considera [gráfico abaixo] que estar conectado enquanto móvel é muito [ou de alguma forma] importante [81%] porque as conexões com outras pessoas se mantêm; 73% dá importância às conexões móveis porque podem acessar informação em movimento e 41% porque querem, de alguma forma, compartilhar informação enquanto fora de suas bases.

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pra terminar, quanto mais dispositivos conectados se usa, mais se “tuita” [vai estar no próximo aurélio…], como mostra o gráfico abaixo.

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resumo da ópera: quanto mais sem fio, móvel e com mais dispositivos à mão, mais as pessoas estão dispostas a usar e compartilhar informação com os outros

os dados são de um relatório do pew internet project, publicado em 21/10, twitter and status updating, fall 2009, e mostram o óbvio: somos gregários, mesmo [e especialmente] em movimento, temos raízes [mesmo em movimento] e, para onde vamos, levamos todo [ou boa parte d]o nosso contexto.

e nosso contexto, hoje [para quem já está na rede], são nossas conexões. as virtuais, em boa parte representando, online, as reais. daí, nada mais normal que… haja atualizações e leituras de status, em tempo real, móveis e cada vez mais intensas.

taí uma demografia pra quem estiver pensando em novos negócios na web. em breve, também e com muita intensidade, no .BR.

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12.03.09

promoção na operadora: [uma] música a R$18

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o mercado de entretentimento móvel, no brasil, quase não existe. um amigo resolveu tentar entender porque. no país, 81.5% dos celulares são pré-pagos; o extremo é o pará, que tem 90.8% de pré-pagos. de acordo com a anatel, o país tem [não necessariamente em operação] 151 milhões de celulares. em números redondos, são 120 milhões de pré-pagos e 30 milhões de pós-pagos. nesta conversa, estamos falando da vasta maioria, os 120 milhões de pré-pagos, que poderiam ser um grande mercado. mas não são. por causa deles, o ARPU [renda média das operadoras, por mês, por usuário, incluindo os pós-pagos] é menos de quarenta reais.

pois bem. o amigo pega um pré-pago e carrega com R$25, pra fazer um teste. poderia ter lido um texto do ti inside –celular no brasil é o mais caro do mundo- e não precisaria testar nada. mas é um cabra prático e vai atrás de ver como as coisas funcionam na vida real. assume que quase todo mundo que tem pré-pago não tem banda larga em casa e, se quiser uma música tocando no celular, vai trazê-la pelo próprio celular.

isso se não souber das consequências… quais? bem, no site da operadora há um grande sucesso à venda por módicos R$3,99. meu amigo assume que o bom cidadão, cumpridor das leis, não vai copiar a música do celular ao lado. gente boa, ele entra no site da operadora e paga 75% mais caro do que se estivesse comprando a canção no iTunes [US$0.99], bota fé na transação e confirma o dá-o-loud.

algum tempo depois, o tal sucesso está carregado no pré-pago [emprestado, pro experimento]. vai rolar a festa. antes, pra saber o que mais pode fazer com o celular, meu amigo verifica quanto sobrou de crédito. a surpresa? sobraram R$7. como sabemos,  a música custou R$3,99. quanto devemos somar a R$3,99 para, ao subtrairmos o resultado de R$25, termos R$7 como resultado?… QUATORZE REAIS. a música custou quatro reais e o download custou quatorze, dos quais mais de cinco reais vão para o governo como imposto e a operadora fica “apenas” com uns nove reais, ou pouco mais de duas vezes o preço da música, pra enviá-la pra seu celular.

feitas [e entendidas] as contas não é nenhuma surpresa que, primeiro, o ARPU do brasil seja um dos mais baixos das américas. afinal de contas, ninguém é doido o suficiente pra correr tal tipo de risco com alguma frequência, tipo umas duas vezes na vida inteira. eu mesmo –nem pra testar- nunca comprei nada do site de nenhuma operadora. eu e quase toda a população móvel do país, pelo visto.

segundo, enquanto o modelo de negócios das operadoras não mudar, radicalmente, para limitação de banda [enquanto houver limitação de infraestutura] combinado com volume ilimitado [em potencial] de dados, a coisa vai continuar exatamente como está. nem nós participamos dos negócios móveis, nem elas ganham, conosco, o que poderiam estar ganhando. garanto que, com um modelo de negócios que faça sentido para os usuários, todos nós ganharíamos muito mais. simples assim…

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05.02.09

celulares: em baixa?

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no brasil, depois de um dezembro que já pode ser contado entre os piores da história, a indústria de mobilidade manda avisar que 2009 não vai ser muito melhor. as projeções de vendas de aparelhos celulares devem cair mais de 10% em relação a 2008. pela primeira vez em uma década, teremos uma retração no mercado de aparelhos celulares no país.

no mundo não vai ser diferente: as estimativas dos analistas apontam para vendas, no primeiro trimestre de 2009, 18% menores do que no último de 2008, com as vendas globais caindo de 305 para perto de 250 milhões de unidades. ao todo, em 2008 foram vendidos 1.2 bilhões de celulares, um aumento de 5% sobre 2007.

em meio ao caos, tem gente se dando bem? talvez: a nokia [38% das vendas em 2008] pode chegar a pouco mais de 40% do mercado este ano e a turma dos smart phones [rim, apple e htc, que têm 4.1% do mercado, em conjunto] pode ganhar espaço de quem vendia para o que se chama de middle market, os fones caros demais para terem escala de venda muito alta e não tão bons para servirem às demandas de executivos e corporações. mas isso se a crise não for ainda mais profunda do que está parecendo agora.

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07.01.09

a internet em 2020, [1]: mobilidade

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relatório do pew internet project [PIP] sobre o futuro da rede, publicado neste fim de ano, chegou a seis conclusões básicas, depois de consultar muitas centenas de especialistas, desde gente que estava nos times que desenharam a internet até a galera que faz a rede funcionar [e ganha dinheiro com ela] hoje. nós vamos comentar os achados do PIP nos próximos textos, tentando imaginar o cenário equivalente no brasil.

pra começar, o PIP acha que… The mobile device will be the primary connection tool to the internet for most people in the world in 2020… ou que dispositivos móveis serão a principal ferramenta de conexão à internet, para a maioria das pessoas, em 2020.

multidão, por werllen castro. clique na imagem para visitar o FLICKR

não há como não concordar. quem já está na rede, num celular, sabe o que é, num ponto qualquer da cidade, estar num chat [no nimbuzz, por exemplo], num taxi ou no busão, combinando o ponto com a turma e vendo as alternativas direto no google maps de um telemóvel com GPS. não tem preço.

mas é mais que isso: celular é informática com cada um de nós, computação e computação comigo e com você. até haver algum tipo de implante que conecte o cérebro diretamente à rede, celulares serão a segunda melhor alternativa para estarmos conectados às pessoas, sistemas, instituições e coisas.

celulares com tela de alta definição, interface direta de toque múltiplo, interfaces abertas pra conectar com quase qualquer coisa, mais captura de áudio e vídeo em alta definição, aliados a uma capacidade de processamento, memória e conexão muito maior do que hoje serão padrão de mercado. os celulares de amanhã terão mais capacidade que os netbooks de hoje e deverão ser a nova forma de interagir com o ambiente e pessoas ao redor, de forma mediada pela internet. tudo isso fará com que uma destas maquininhas esteja nas mãos de quase qualquer um daqui a dez anos, mesmo aqui no brasil.

beleza, diriam vocês, mas no brasil? já estamos perto de 150 milhões de celulares, bem mais do que computadores pessoais e bem melhor distribuídos na população, algo que é sempre um grande problema no país. até aí, tudo bem… o problema é botar tudo isso na rede até 2020. por outro lado, temos mais doze anos até lá.

o grande problema a resolver será conectividade, ou como fazer com que uma população quase só de pré-pagos [algo entre 80 a 90% do mercado agora e em 2020] esteja na rede. de forma continuada e não esporádica: estar na rede significa que [por exemplo] seu cliente de mensagem [IM, gtalk, fring...] está quase sempre no ar, criando, para você e sua rede de contatos, um verdadeiro efeito "rede".

talvez se deva excluir, de cara, alguma eventual política pública que poderia interferir nisso, pois tal não tem sido nossa tradição. por outro lado, não se vai comprar dados por volume, que ninguém é maluco o suficiente. nem mesmo em lugares com renda maior e mais distribuida do que por aqui. nos estados unidos e na inglaterra, descobriu-se que 42 [eua] a 56% [uk] da presença do iPhone, na rede, se dá através de wiFi.  não chega a ser nenhuma surpresa… mesmo nestes países, a cobertura 3G não é lá estas coisas e os planos de dados, apesar de bem menos predatórios do que no brasil, tendem a esvaziar a carteira de qualquer um muito rapidamente. ainda mais em tempos de pouco dinheiro livre, como este.

resumo? os celulares vão estar aí [o PIP está certo]; mas a maior parte da população de usuários em potencial não estará na rede com eles [hoje, para o brasil, o PIP está errado...], a menos que aconteça alguma coisa muito parecida com política pública. ou, se tivermos sorte e formos solidários, talvez wiFi grátis comece a ser oferecido -em muito larga escala- em bares, restaurantes, supermercados, postos de gasolina, escolas, universidades, shoppings, academias, hospitais, igrejas e em espaços públicos de todos os tipos, como já é o caso em algumas poucas cidades.

conectividade, agora e no futuro, é tão essencial quanto água, luz, esgoto, educação, saúde e segurança. e ainda faltam doze anos até 2020: não é possível que não se consiga acertar o passo, aqui, até lá…

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