Terra Magazine

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

mobilidade: as previsões

Tags: - srlm às 15:38

a próxima fronteira do uso de nossa capacidade pessoal e móvel de comunicação, comunicação e controle [C3] são as aplicações que podem funcionar no celular ou serem acionadas por ele. tal mercado de mobilidade vai de sistemas baseados em localização a aplicações baseadas em comunicação a curta distância e pagamentos móveis.

este blog publicou uma longa série sobre o assunto entre os dias 21 de novembro e 11 de dezembro de 2009 e este material está reunido em um texto integral que está neste link e que, de quebra, o conjunto inclui dois textos recentes sobre a tramitação do PL29 e o mercado de convergência digital no brasil.

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o PL29 [quando -ou se- virar lei] pode ser um dos condicionantes de tudo o que pode acontecer -ou não- no seu celular, porque interfere [ou vai interferir] em tudo o que tenha a ver com conteúdo, mídia e rede. talvez valha a pena ler sobre o PL29 para você mesmo fazer suas previsões -fixas ou móveis- para 2012.

pegue o pdf. boa leitura. e faça suas próprias previsões. e vá atrás delas.

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domingo, 13 de dezembro de 2009

convergência, teles e PL29

Tags: - srlm às 01:24

image pra quem não sabe, está tramitando na câmara um projeto de lei que visa ordenar a convergência digital. trata-se do o PL29/2007, ou simplesmente PL29, que “dispõe sobre a organização e exploração das atividades de comunicação social eletrônica e dá outras providências”. este blog tratou do assunto num longo e detalhado post há cerca de um mês. se você quiser mesmo entender este texto, vá lá ver o artigo original e clique em alguns links.

semana passada o PL29 foi aprovado imagepela CCTI e enviado à CCJ da  câmara; a proposição original tem tantos remendos [veja aqui] e tão poucos acordos que pode ficar que nem alma penada, vagando pelas casas legislativas anos a fio. e olha que já está na câmara há quase três anos.

nossa curta conversa de hoje é sobre a declaração de josé fernandes pauletti, presidente da abraFix, a associação das teles fixas, ao comentar a passagem do PL29 pela CCTI: a aprovação é positiva, mas não resolve o problema das teles.

image segundo paulettias prestadoras precisam de alternativas de geração de renda usando suas redes, o que seria possível nos termos do PL29; mas as mesmas teles, pelos termos atuais do PL29, ficarão proibidas de produzir conteúdos ou comprar grandes eventos nacionais. na opinião de pauletti, conteúdo é o mercado do futuro, daí sua insatisfação com os termos da passagem do projeto pela CCTI.

o PL29 ainda deve ficar algum tempo no congresso. e talvez seja preciso que fique mesmo. pois assim como tem quem só pense no que é melhor pras teles, tem outra [e grande] galera defendendo o que é melhor pras TVs [e rádios, produtoras, jornais…]. mas o que não se vê claramente, no meio da multidão, é quem esteja defendendo o interesse das comunidades de espectadores e usuários. que deveriam, aliás, ser justamente o foco da discussão, da regulamentação ou da falta ou desnecessidade dela.

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do jeito que está indo, o PL29 corre o risco de revogar a convergência digital [mostrada, por exemplo, na imagem acima], como este blog comentou há pouco tempo. e como isso é mais difícil de controlar –porque virtual e disperso pela rede- do que a “jabuticaba elétrica”, a genial tomada que só existe no brasil… é muito provável que um PL29 em sua forma atual não pegue. pelo menos na internet. já o pessoal de cabo e satélite vai comer o pão que o congresso amassou. e sua audiência idem.

segundo os maldosos, é nisso que dá deixar comitês e comissões tomarem decisões importantes, que podem ser relevantes pra todos. pra ver no que deu no caso da jabuticaba elétrica, clique abaixo pra saber porque você vai ter que trocar todas as suas tomadas e plugs nos próximos dez anos, e como um simples comitê criou um mercado do nada, desnecessariamente.

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à exceção do diagrama acima, todas as outras imagens deste texto sairam de um documento neozelandês equivalente ao PL29; lá no meio do texto deles, se lê que…

For New Zealand content to be visible and widely used by New Zealanders, it needs to be more relevant, important and easily accessible to New Zealanders than overseas content, and well enough designed by way of metadata and other descriptors so that it can surface among the masses of international content.

…para o conteúdo neozelandês se tornar visível e largamente usado por neozelandeses, ele precisa ser mais relevante, importante e facilmente accessível aos neozelandeses do que o conteúdo internacional e seu desenho deve ser bom o suficiente para fazê-lo aparecer no meio da enxurrada de conteúdo internacional.

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eles estão falando da mesma coisa que nós, mas de outro jeito: falam de design, qualidade e conteúdo de classe mundial, projetado e desenvolvido na e para a nova zelândia mas visível para o mundo, enquanto parece que aqui, sempre, estamos discutindo cartórios e sesmarias e reservas de mercado… com medo até da nova zelândia. como pode?…

vai ver é porque eles, lá em 2006, já escreviam [no governo] coisas como…

Television, music, film, radio and print publication are all fundamentally changing as a consequence of new digital technologies and the need to maintain audience and income streams.  Customers and end-users increasingly want control over the content itself, along with the flexibility to access it on-demand via platforms of their choice; while creators and distributors want to ensure appropriate payment, along with protection of their content and rights.

Businesses that have largely been only providers of telecommunication services (such as Internet Service Providers) are now entering a market that has been traditionally the realm of broadcasters, while those that commission and produce content are broadening their distribution channels via the Internet and other platforms (e.g. TVNZ ondemand, Fairfax’s Stuff.co.nz, NZ Herald, Radio NZ, SKY Mobile TV) to compete with other Internet and multi-platform content. 

Content creation is becoming a stronger focus as the channels for delivery become diversified, while the potential for digital platforms to provide multiple and simultaneous channels of content is increasing.  This environment is increasing in complexity, with revenue models, particularly those based on advertising (e.g. broadcast commercials, print advertisements) or on selling physical media (e.g. CD, DVD, print), being potentially threatened as the audience and market fragments. Traditional content distinctions based solely on the delivery mechanism are becoming less relevant, as more content is being made for multiple channels of delivery and income generation.

image …e, depois disso, partiram pra transformar a nova zelândia em um dos pontos focais da economia criativa no mundo, levando em conta as responsabilidades do governo, as necessidades das comunidades e os interesses dos negócios [e não qualquer outra combinação das mesmas palavras]. e nós não.

vai ver que é por falta de tais definições, aqui, que todos os setores da economia de mídia e conteúdo estão disputando nacos do PL29 às tapas: é porque nós não conseguimos, ainda, encontrar um conjunto de propósitos verdaderiamente brasileiros, de classe mundial e, a partir daí, uma estratégia para realizar o que queremos. sem isso, nem pauletti nem ninguém será atendido, seja lá quando e qual PL29 for aprovado.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

mobilidade: dez tendências para 2012 [10]

Tags: - srlm às 15:16

já faz um tempo que estamos falando sobre o que pode vir a ser o mercado de mobilidade daqui a mil dias, a partir do que o pessoal do gartner group, renomada casa de estudos dos mercados de TICs chamou de… Gartner Identifies the Top 10 Consumer Mobile Applications for 2012, relatório cujo press-release está neste link e que, se você quiser ler na íntegra, pode comprar neste outro aqui [pela bagatela de dois mil e quinhentos dólares].

nas últimas nove edições o blog resumiu os achados do gartner com nossa opinião sobre cada uma das seguintes aplicações, na ordem de importância [como mercado] que lhes foi atribuída no relatório citado acima:

1. transferência de dinheiro usando SMS;
2. serviços baseados em localização;
3. busca móvel;
4. navegação móvel;
5. monitoração móvel de saúde;
6. pagamentos móveis;
7. serviços baseados em comunicação a curta distância;
8. marketing e propaganda móvel e
9. mensagens instantâneas móveis, ou MiM.

pra fechar a série, tratamos hoje da última previsão do gartner, que é…

10: Mobile Music
Mobile music so far has been disappointing — except for ring tones and ring-back tones, which have turned into a multibillion-dollar service. On the other hand, it is unfair to dismiss the value of mobile music, as consumers want music on their phones and to carry it around. We see efforts by various players in coming up with innovative models, such as device or service bundles, to address pricing and usability issues. iTunes makes people pay for music, which shows that a superior user experience does make a difference.

música móvel. e o gartner já começa dizendo o óbvio: que tal mercado, até agora, não deu em muito exceto por ringtones, os tons que fazem seu celular parecer diferente de outro igualzinho a ele. este mercado vale bilhões, mas talvez não por muito mais tempo; ele já começa a desaquecer, apesar de ser um dos mais ativos entre as categorias de infotainment nos últimos tempos.

também é óbvio que tudo o que transportamos conosco e que puder ser inserido em um celular terá o telemóvel [como dizem os portugueses] como destino. a [vídeo]câmera já foi pra lá, o gravador e o tocador de áudio… o que puder ir vai. e isso vai depender da capacidade do celular, mas não só. disponibilidade dos serviços é um dos condicionantes, assim como [entre outros] a energia disponível para o celular “rodar” tantas coisas. meu celular poderá tudo e mais [mas menos do que eu ainda –sempre- vou querer]; em compensação, vai precisar de uma itaipu portátil pra funcionar… e aí, claro, não dá.

mas vamos ficar, por enquanto, na oportunidade de música móvel que o gartner vê. sobre ela, diriam uns… “já é realidade, é o iTunes”. não, não é. iTunes é parte de um sistema fechado, totalmente controlado pela apple, que consegue extrair uma renda grande e lucrativa no hardware de iPhones e iPods, suficiente para subsidiar um mercado de conteúdo deficitário desde o começo. e isso é um ponto fora da curva, mas tão fora que a apple tem o único mercado sustentado [e não necessariamente sustentável] de música na rede móvel [ou fixa]. por quanto tempo? não se sabe.

mas dá pra prever que a empresa de cupertino não vai perder dez centavos de dólar por música se perder as margens oriundas de seus dispositivos atuais para um novo entrante, o que sempre acontece. o mercado de música intermediado pelas operadoras móveis, no entanto, não é pequeno, como mostra o gráfico abaixo, da iSuppli:

image música é a parte verde dos números; comparando com os mais de dez bilhões de dólares de 2008, haveria um crescimento de quase 100% até 2012, o que dá algum suporte adicional à previsão do gartner, mesmo no cenário mostrado pelo gráfico abaixo, que aponta a diminuição da renda total do mercado de música na europa ocidental, feito pela futureSource

image…que leva a números ainda menos alvissareiros quando se compara com vídeo e games no mercado inglês, um dos mais sofisticados espaços de entretenimento do mundo, que pode ser usado como uma previsão de futuro, guardadas as devidas proporções, para o resto do planeta.

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o ecossistema de mobilidade é muito complexo e dá sinais de se tornar ainda mais, como você pode ver neste relatório da adobe; neste contexto, o mercado de música tem suas próprias complexidades, ainda mais quando se leva em conta os legados de modelo de negócios e tecnologias. pra ter uma idéia da confusão ao redor da remuneração de copyright nos EUA, clique neste link. é de arrepiar.

mas o resumo da conversa, até aqui, é o seguinte: dentro dos próximos três anos, o mercado de música digital vai dobrar de tamanho e uma parte muito significativa deste crescimento pode ser capturada em mobilidade, especialmente se as operadoras cooperarem, inclusive na construção de modelos sustentáveis de negócio para coisas como spotify, que enfrentam obstáculos de licenciamento de catálogo e fluxos para certas regiões geográficas, como o brasil.

mas o gartner, por melhor que seja, não é o oráculo de delfos; nem tudo está no seu radar e em nem tudo acerta, quando fala do futuro. o que é apenas normal. quer ver uma coisa que pode ser muito importante no futuro próximo [cortesia de planos de dados a preço fixo por mês]? redes sociais móveis. olhe pro gráfico abaixo…

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…de um relatório recente da gpBullhound, que prevê um crescimento do mercado de redes sociais móveis a mais de 50% por ano até o 2012 do gartner. eu aposto muito mais neste nicho de mercado do que [por exemplo] no de música móvel, neste prazo tão curto. pela simples razão de que redes sociais ainda são [mesmo na web fixa] um mercado à procura de suas fontes de renda, que começam a aparecer aqui e ali, ao contrário de música, onde ainda estamos vivendo a transição [dolorosa] do suporte físico para o fluxo [de dados, música como serviço], enquanto estagiamos no download dos arquivos. e pode levar bem mais do que os mil dias até 2012 para completarmos esta transição.

no caso de redes sociais, ainda estamos perto ou abaixo de 10% dos usuários de celulares usando redes sociais, como mostra o histograma abaixo [para EUA e europa], também da gpBullhound.

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o espaço para crescer é claramente imenso; e boa parte do crescimento vai ser natural, simplesmente por haver cada vez mais gente usando contas de dados de preço fixo no curto e médio prazos. agora… que redes sociais móveis podem ter um monte de coisas a ver com coisas móveis [música, clips, rádios…], isso tem. é esperar pra ver.

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

mobilidade: dez tendências para 2012 [9]

Tags: - srlm às 12:08

este é o penúltimo de uma série de posts comentando uma lista de dez previsões do gartner group para o mercado de mobilidade daqui a três anos. já falamos de um monte de coisas, incluindo serviços baseados em localização, busca móvel, navegação idem, serviços financeiros e NFC [ou comunicação a curta distância] e hoje é o dia de…

9: Mobile Instant Messaging
Price and usability problems have historically held back adoption of mobile instant messaging (IM), while commercial barriers and uncertain business models have precluded widespread carrier deployment and promotion. Mobile IM is on Gartner’s top 10 list because of latent user demand and market conditions that are conducive to its future adoption. It has a particular appeal to users in developing markets that may rely on mobile phones as their only connectivity device. Mobile IM presents an opportunity for mobile advertising and social networking, which have been built into some of the more advanced mobile IM clients.

chat no celular, que é pra que seria usada uma infraestrutura móvel e interoperável de mensagens instantâneas. mobile instant messaging, ou MiM, é o futuro do que hoje, na quase totalidade dos celulares, é feito usando SMS. quem só tem SMS [e não internet e uma conta de dados] o transforma em emeio e iM e gasta uma fortuna ao fazer isso, pois o brasil tem um dos SMS mais caros do planeta, como mostra o gráfico abaixo.

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o título do histograma [da consultoria teleco] não reflete os dados; melhor seria “brasil tem um dos SMS mais caros do mundo”. mas será que, com preços tão altos, as operadoras brasileiras ganham muito com dados? não. na venezuela [SMS a US$0.03], dados são 31% do negócio; no brasil, [SMS a US$0.15 e mais], dados representam apenas 14% do faturamento. alguma coisa está errada no reino das nossas operadoras. já falamos deste assunto aqui, e em passado recente, neste link, onde se dava conta que a renda média por usuário nas operadoras celulares brasileiras estava na média da renda da américa latina, isso num país que tem a metade da economia da região.

tudo bem que a distribuição de renda, por aqui, tem consequências; veja o mapa do brasil, abaixo, mostrando a distribuição de pré-pagos por estado da federação, no fim de 2008.

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de lá pra cá, a porcentagem de pré-pagos aumentou, como mostra a tabela abaixo, da consultoria teleco [clique na figura para ir ao texto sobre o assunto].

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tentando montar o quebra-cabeças, é mais ou menos óbvio que 1] as operadoras deveriam oferecer serviços de conectividade e interatividade baseados em dados [e não em voz] mais interessantes e a preços mais razoáveis e 2] que estes serviços deveriam considerar os mais de 82% dos celulares pré-pagos de forma criativa e inovadora, principalmente nas regiões verde e azul do mapa.

mas cadê que alguma operadora aparece com um serviço de iM barato [tipo de custo mensal fixo…], sempre ligado, nem que seja entre seus próprios celulares? tecnologia não é problema: dá pra embutir isso, hoje, em quase qualquer celular. a demanda existe: quem não iria querer conversar mais, via iM, pagando menos, num universo de quase 170 milhões de celulares, 82% dos quais pré-pagos?…

como se não bastasse, as vantagens são reais para as operadoras: como todas oferecem os mesmos serviços, um número cada vez maior de pessoas se beneficia da portabilidade e troca de operadora como quem troca de camisa. um serviço iM de baixo custo entre números de uma mesma operadora [por exemplo, e claro que não é o ideal] seria parte fundamental de um cardápio de ofertas para aumentar a fidelização. mas isso é inovação, e inovação dá trabalho, tem risco, precisa de investimento.

Nimbuzzresultado? meu droid roda nimbuzz, um cliente de IM genérico que agrega minhas contas [skype, gtalk…] e me mantém em contato com colegas, familiares e alunos quase 24h por dia. e de onde eu posso falar com pedro, em casa, quando estou longe mesmo, sem passar por nenhuma operadora.

explico: nimbuzz e clientes MiM similares usam a conta de dados para se conectar a servidores na rede. ou redes sem fio, se seu celular tiver wi-fi. mas você tem que ter cuidado: um amigo passou uma semana no chile com um iPhone ligado, usando tudo o que tinha direito, sobre o data roaming nas operadoras de lá. a conta? mais de cinco mil reais em seis dias!… segundo ele, pra nunca mais: a conta do celular saiu mais cara do que toda a viagem, passagens e diárias e restaurantes incluídos.

por isso que meu celular, quando sai do brasil, ganha um chip pré-pago do lugar onde estou, que assim mesmo só é usado pra receber ligações; o resto eu faço de redes sem fio, disponíveis em todo canto, boa parte das quais abertas. é delas que navego, verifico emeio, acerto contas, transfiro arquivos… e falo com pedro, no brasil, via nimbuzz. no afã de levar todo meu dinheiro, a operadora não leva nenhum.

é neste cenário, para quem tem celulares pré ou pós-pagos, que MiM vai ser uma revolução, quando começar a ser entregue pelas primeiras operadoras que investirem na inovação nem tão complexa por trás de sua introdução. e isso sem usar contas de dados de forma generalizada.

image no brasil, quem sabe não começa numa das MVNO [mobile virtual network operator, operadora virtual de telefonia móvel] que está pra chegar, aparecendo justamente com ofertas deste tipo, para se diferenciar da geléia geral? ou, quem sabe, justamente por causa da ameaça das MVNO, que vão comprar banda comoditizadada operadoras existentes e, sobre isso, agregar suas diferenças, as incumbentes não decidem fazer o que já deveriam estar fazendo há anos?…

uma coisa é certa: coisas como nimbuzz deveriam ser, elas próprias, commodities instaladas em todos os mais de 180 milhões de celulares brasileiros. talvez, mais do que banda larga fixa em todo canto, isso seja mais inovador e revolucionário, porque incluiria todos, em todo lugar e verdadeiramente o tempo todo. tomara que chegue antes do 2012 do gartner

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

mobilidade: dez tendências para 2012 [8]

Tags: - srlm às 12:46

o gartner group fez um conjunto de dez previsões para o mercado de mobilidade em 2012, entre as quais está uma para propaganda móvel, que é…

8: Mobile Advertising
Mobile advertising in all regions is continuing to grow through the economic downturn, driven by interest from advertisers in this new opportunity and by the increased use of smartphones and the wireless Internet. Total spending on mobile advertising in 2008 was $530.2 million, which Gartner expects to will grow to $7.5 billion in 2012. Mobile advertising makes the top 10 list because it will be an important way to monetize content on the mobile Internet, offering free applications and services to end users. The mobile channel will be used as part of larger advertising campaigns in various media, including TV, radio, print and outdoors.

…de multiplicação do investimento em mobile advertising por um fator de 15 nos próximos três anos, de meio bilhão de dólares em 2008 para sete e meio bilhões em 2012. segundo o gartner, isso vai acontecer porque é preciso monetizar as ofertas de conteúdo móvel, que já estão e estarão sendo entregues, em volume muito maior, na internet móvel.

faz sentido: conecte propaganda móvel a serviços baseados em localização, busca móvel, navegação idem, serviços financeiros e NFC [ou comunicação a curta distância], que também fazem parte das dez previsões do gartner que estamos tratando neste blog, e você vai começar a ver a articulação entre muitas e importantes cadeias de valor em mobilidade. junte a isso a outras previsões, como a da strategy analytics de 84% de todo o tráfego da internet, em 2013, será na web móvel. se for verdade [parece muito, para daqui a tão pouco tempo], teremos boa parte de tudo o que rola na web fixa de hoje na web móvel de amanhã, incluindo propaganda. mas pode ser… basta termos bem mais, muito mais smartphones na mão de todo mundo.

isso porque os números americanos já mostram que os celulares da classe iPhone, de telas grandes e boa usabilidade, associados a contas de dados de volume ilimitado, são uma mão na roda para propaganda online, como mostra o gráfico abaixo:

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na web móvel, a porcentagem de usuários de iPhone que se lembra de ter visto um anúncio é quase três vezes a dos outros celulares e, no caso de anúncios em serviços baseados em localização, quase quatro vezes.

mas não só: como um número muito grande de serviços para o iPhone e os celulares android já mostra hoje, entregar propaganda [e conteúdo dirigido] baseada em localização junto com conteúdos e resultados pode ser um ponto de partida para muitos negócios ao redor de mobilidade. quer ver um exemplo? tente places directory for android, pra começar a entender as possibilidades, em parte mostradas nas imagens abaixo..

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a coisa é simples e nem original pretende ser. mas você nem precisa perguntar nada: trata-se de abrir a aplicação e selecionar, de um menu, o que pode estar perto de você, de bares e restaurantes a hotéis, postos de gasolina, estacionamentos, pontos de táxi e hospitais, tudo comentado e mapeado, direto com as instruções de como sair de onde você está para chegar lá. 

junte com marketing, propaganda e, eventualmente, ofertas: se você tem o cartão X, o restaurante Y, ali na esquina, oferece P% de desconto em um dos pratos do dia, se você reservar pela aplicação… para dentro dos próximos 45min. afinal de contas, você está perto e sabe disso. e o restaurante, depois que você clicar, também. e o prato do dia está pronto ou quase. presto.

as possibilidades são gigantescas. e a conversa é antiga. mas só agora, com o aumento muito significativo do número de contas de dados móveis a preços pagáveis [mas ainda não razoáveis] é que o mercado começa de fato a ser formado. meu celular [um droid, novinho] está associado a uma conta de dados de 600kbps de volume ilimitado, pela qual pago R$89 mais o custo de voz, SMS, roaming e por aí vai. ainda não se pode chamar de barato, mas é muito melhor do que trinta centavos por megabyte. isso vai cair de preço; todos os celulares do futuro próximo estarão na internet, porque é lá que tudo está, e não num portal qualquer de alguma tele, debaixo de algum protocolo que não seja IP.

image já se disse no blog, mais de uma vez, que num mundo totalmente IP tudo será aplicações sobre um conjunto padrão de infraestruturas e serviços básicos. o tudo inclui fixo –que já está todo sobre IP- e móvel, que ainda tem muita coisa peculiar, controlada integralmente pela operadora.

mas o mercado começa a ficar interessante, como mostra a app do usaToday aí ao lado, que entrega notícias e previsão do tempo localizadas nos EUA. e propaganda idem. e o melhor é que qualquer jornal, site ou TV pode fazer o seu, indepentemente da operadora, se o celular está na internet.

voz também vai passar pelo mesmo processo, se tornando uma simples aplicação. e vai haver serviços de voz gratuitos: limitados, certamente, patrocinados por um tempo, por alguém. propaganda móvel vai estar em todo canto simplesmente porque os celulares já estão em todo canto. é só esperar pra ver –e ler e ouvir- no seu, também.

neste mundo onde tudo se torna aplicação [fixa ou móvel, tanto faz] na internet… perguntaríamos você e eu: qual é o papel das operadoras? provedoras, por excelência, da infraestrutura e parte dos serviços de e para contectividade total, fixa e móvel? ainda não se sabe. mas uma resposta tentativa pode muito bem ser… as que conseguirem sobreviver, sim.

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sábado, 5 de dezembro de 2009

mobilidade: dez tendências para 2012 [7]

Tags: - srlm às 11:02

um exercício de futurologia do gartner group identificou as dez principais tendências do mercado de mobilidade para 2012, que é logo ali. nesta série, estamos dando conta de cada uma das indicações do gartner e hoje é dia da sétima:

7: Near Field Communication Services
Near field communication (NFC) allows contactless data transfer between compatible devices by placing them close to each other, within ten centimeters. The technology can be used, for example, for retail purchases, transportation, personal identification and loyalty cards. NFC is ranked No. 7 in Gartner’s top ten because it can increase user loyalty for all service providers, and it will have a big impact on carriers’ business models. However, its biggest challenge is reaching business agreement between mobile carriers and service providers, such as banks and transportation companies. Gartner expects to see large-scale deployments starting from late 2010, when NFC phones are likely to ship in volume, with Asia leading deployments followed by Europe and North America.

image NFC permite troca de informação entre dispositivos em um raio pequeno [tipicamente 10cm] e é uma extensão da tecnologia por trás de RFID e dos cartões de transação sem contato. desde o princípio, o padrão foi pensado para estender a gama de transações usando telefones celulares. as transações usando NFC, claro, não passam pela mesma infraestrutura de dados da operadora, a menos [e os casos são muitos] que ela opere, também, a infra de NFC.

o gartner incorporou NFC em sua lista até porque alguns dos outros serviços de grande perspectiva de negócios no futuro próximo também listados têm a ver com ou dependem [pelo menos em parte] de NFC, como pagamentos móveis, serviços baseados em localidade e monitoramento pessoal e de serviços associados à saúde, como a embalagem de comprimidos que “conversa” com o celular na figura abaixo.image

mas a utilização de NFC ultrapassa em muito tais limites: pense em qualquer tipo de identificação, desde a chave da porta de sua casa ao cartão de embarque do próximo vôo [veja abaixo], passando pelo crachá da empresa e cartões de acesso a todos os tipos de serviço que, por trás, você poderá estar usando, em breve, algum tipo de sistema que depende de NFC.

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e o melhor é que pode ser, para todos os serviços, o mesmo chip, embutido no celular que já anda com você o tempo todo. busque o filme, escolha a sala, depois a cadeira, compre o ticket, que ficará depositado no celular e que, depois de lido no totem da entrada do cinema, vai lhe dar acesso à diversão. processos equivalentes podem ser pensados para quase tudo onde, hoje, precisamos obter alguma espécie de ticket para conseguir algum tipo de produto ou serviço.

se você está pensando que já existe algo parecido no seu celular, que atende pelo nome de bluetooth. existe mesmo. só que o tempo para estabelecer uma conexão bluetooth [>5s] é muito maior que o de NFC [<0.1s], apesar do primeiro ser cinco vezes mais rápido e ter um alcance cinquenta vezes maior. o tempo quase imediato de estabelecimento da conexão e o alcance muito limitado são vantagens essenciais para NFC.

imagine que você programou a aplicação que usa NFC para realizar, automaticamente, transações de pequeno valor, tipicamente as associadas a sistemas de acesso a transportes públicos [ou a máquinas de venda de refrigerantes, por exemplo]. isso é muito legal e economiza tempo quando se usa NFC, porque você tem que estar a 10cm da catraca de entrada do metro –o que quer dizer na catraca- para que o dinheiro saia da sua carteira eletrônica para o metrô. e aí não é preciso senhas, biometria, nada. é só chegar perto. usando bluetooth, tudo o que estiver num raio de dez metros pode querer conversar com –e tirar dinheiro de- seu celular, o que torna a coisa muito mais lenta, complicada e arriscada.

mas NFC não será usado apenas para pagamentos, identificação ou monitoramento. imagine um canal bidirecional de comunicação de centenas de kilobit por segundo no seu celular [ou qualquer tipo de dispositivo que possa prover ou consumir informação, como uma TV, um display, poster, mapa, ônibus…] e pense nas possibilidades, de jogos a P2P, incluindo hacking, que é uma possibilidade muito séria, por sinal. o mundo, claro, não é perfeito. na verdade, nunca será, mesmo que vá ficando, para muitas coisas, muito mais fácil de ser usado.

claro que NFC não funciona só para quem tem celular. a tecnologia está embutida em cartões de todos os tipos e, em cingapura [por exemplo] já há seis milhões de cartões do tipo “contactless” [como o mostrado na figura abaixo] em circulação.

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o governo de lá resolver investir pesadamente nos sistemas de captura de transação baseados em NFC, talvez para tornar a ilha-cidade-estado o primeiro lugar do planeta a prescindir de dinheiro em sua forma física, além de reduzir os custos de transação, para as lojas, de 15 a 50%, o que não é pouco.

mas é muito mais provável que o casamento que dê certo, muito certo, no longo prazo, seja mesmo celular e NFC, como demonstra o caso dos celulares “osaifu-keitai” habilitados com tecnologias do tipo felica, no japão. é esperar pra ver.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

mobilidade: dez tendências para 2012 [6]

Tags: - srlm às 13:29

o sexto candidato a ser uma das maiores oportunidades de negócios em mobilidade em 2012, nesta nossa série de comentários a um exercício de futurologia do gartner group é…

6: Mobile Payment
Mobile payment usually serves three purposes. First, it is a way of making payment when few alternatives are available. Second, it is an extension of online payment for easy access and convenience. Third, it is an additional factor of authentication for enhanced security. Mobile payment made Gartner’s top 10 list because of the number of parties it affects — including mobile carriers, banks, merchants, device vendors, regulators and consumers — and the rising interest from both developing and developed markets. Because of the many choices of technologies and business models, as well as regulatory requirements and local conditions, mobile payment will be a highly fragmented market. There will not be standard practices of deployment, so parties will need to find a working solution on a case-by-case basis.

…pagamentos móveis, ou transações financeiras através de celulares. isso não é a mesma coisa que o dinheiro móvel que apareceu aqui no primeiro texto da série: este permite a transferência de recursos entre quaisquer dois usuários do sistema celular [normalmente dentro da mesma operadora], ao invés de servir apenas como meio de pagamento entre um cliente ou usuário e um estabelecimento comercial, como é o caso de pagamentos móveis.

falando de dinheiro móvel, como diz um comentário de fábio mesquita [que trabalha numa operadora celular no kenya]…

…a maior facilidade encontrada aqui pela safaricom é que eles têm 85% do mercado de celulares; porém, negociações através do M-pesa podem ser feitas apenas entre safaricom e safaricom…não existe transferência de uma operadora para outra… [e] obviamente quase não existe regulação sobre negociações financeiras usando celular…o que tornou a entrada desses serviáos no kenya muito mais fácil…

…uma das causas de seu sucesso na áfrica é exatamente a falta de regulação. aqui, num mercado de serviços financeiros muito sofisticado e bem estruturado, é preciso passar pelo crivo da regulação do sistema para criar um serviço financeiro qualquer.

transferência de dinheiro pelo celular só vai rolar no brasil quando o banco central decidir, em algum futuro próximo, que devemos ter mais este nível de virtualização do dinheiro. dinheiro que, aliás, já é um virtual, dado que abstrai poder de compra. de contas e metais preciosos para moedas, notas e depois cartões de pagamento e crédito, dinheiro vem se virtualizando há muito tempo. daí pra se tornar só e somente transações eletrônicas é um pulo.

mas o pulo depende da universalização de sistemas de informação, tanto do ponto de vista de disponibilidade como amplo entendimento e aceite social, que permita a transformação de poder de compra em meros clicks [ou touchs]. a experiência brasileira em usar celulares como meios de pagamento é recente e não tem penetração significativa. talvez o maior sistema de pagamentos móvel do país seja o oi paggo, que está em oito estados, nos quais atende cerca de 21 municípios.

mas um número de outras iniciativas está em curso, e deve-se prestar atenção ao payPass, um cartão de pagamentos baseado em NFC [near field communications, ou comunicação a curta distância] e marca internacional da masterCard. payPass pode ser acoplado a celulares [como está sendo testado no canadá, com a RIM] para criar um sistema de pagamentos móvel, sem cartão, baseado no celular e pontos para captura de transações. há dois anos, em dezembro de 2007, payPass estava em 20 países, era aceito por 80.000 lojas e tinha 20 milhões de usuários. hoje, o número de assinantes passa dos 70 milhões.

a visa, por acaso, não está esperando e testa payWave, com o mesmo objetivo: prover um ambiente móvel de pagamentos onde, para pequenas transações [micropagamentos], como uma passagem de metro, basta passar o celular perto de um sistema de captura baseado em NFC. para compras de maior valor, vai ser necessário inserir, na aplicação que reside no fone e faz as transações, uma senha. como já é o caso, e há tempos, do sistema DCMX operado pelos japoneses da docomo.

o “osaifu-keitai”, ou celular equipado com carteira, já foi tratado neste blog no começo deste ano, em março. vá lá ver; a conversa tratava, de fato, da decisão da febraban de criar padrões nacionais para pagamentos móveis seguros até o fim de 2010. o texto começa assim:

os centro e trinta bancos associados à febraban, gente grande e que sabe que dinheiro é coisa séria, decidiram tratar em conjunto a oportunidade de usar os celulares como meio de pagamento. o banco central foi avisado da intenção e a meta é começar até o fim de 2010.

pra coisa dar certo, algumas constelações têm que se alinhar. além dos bancos todos querendo fazer a mesma coisa, o que parece já ser o caso, pois concordaram em lançar uma plataforma unificada para transações financeiras móveis até o final de 2010, o banco central tem que deixá-los fazer, porque o espaço é regulado. estes dois itens não são maior problema. há coisas mais complicadas.

os bancos estão se mexendo porque a oportunidade é gigantesca. segundo a juniper research, o montante de transações baseadas em NFC já passa dos US$8B anuais, no mundo, e deve chegar a US$30B em 2012. o povo da gartner deve ter lido este relatório. e a “carteria eletrônica móvel”, claro, não é só carteira: segundo howard wilcox, autor do estudo da juniper…

"Many people focus on the use of NFC for payments but in fact it is poised to revolutionise the way many people shop too. The ability to tap smart posters and receive coupons and product information also presents new channels to market for merchants. Whilst vendors see widespread availability of NFC phones in future, the jury is out as whether interim solutions will attract users or actually have a detrimental effect."

como os celulares podem receber e transmitir informação usando redes variadas, eles podem acabar sendo usados como veículos de mídia e marketing, para tentar mudar a forma das pessoas comprarem.

dinheiro vai acabar sendo –no futuro- só mais uma aplicação sobre plataformas móveis [como câmeras, hoje].esta aplicação há de se relacionar com muitas outras que também estão compartilhando a plataforma móvel e certamente com muitas outras mais que residem na nuvem. o problema é que o futuro ainda é um lugar distante; resta saber se soluções intermediárias [como o oi paggo] vão atrair clientes em quantidade [e rentabilidade] suficiente para serem portadoras do tal futuro. é esperar pra ver.

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

mobilidade: dez tendências para 2012 [5]

Tags: - srlm às 03:00

este blog está publicando uma série de dez textos sobre as previsões do gartner group, sobre as maiores oportunidades de negócio em mobilidade em 2012. quer dizer, logo ali: temos meros dois anos até o começo de 2012; dando um monte de crédito ao gartner, a futurologia do grupo tem 1.000 dias pra se concretizar. ou não.

já falamos de quatro negócios que estão no topo da lista do gartner. hoje é hora do quinto, que é…

5: Mobile Health Monitoring
Mobile health monitoring is the use of IT and mobile telecommunications to monitor patients remotely, and could help governments, care delivery organizations (CDOs) and healthcare payers reduce costs related to chronic diseases and improve the quality of life of their patients. In developing markets, the mobility aspect is key as mobile network coverage is superior to fixed network in the majority of developing countries. Currently, mobile health monitoring is at an early stage of market maturity and implementation, and project rollouts have so far been limited to pilot projects. In the future, the industry will be able to monetize the service by offering mobile healthcare monitoring products, services and solutions to CDOs
.

…monitoração [móvel] de saúde. a idéia geral é muito simples: ao invés de ter os pacientes no hospital, na clínica, frequentemente, só para coletar uns poucos dados por vez, instrumenta-se quem deveria estar sendo monitorado por causa de uma ou mais condições de saúde e conecta-se o sistema [e através dele, a pessoa] na web. no começo, trata-se de capturar dados muito simples como pressão, temperatura, batimento cardíaco, coisas parecidas com as que são capturadas [em modo “batch”] pelo que também se chama “router” no meio médico. se fosse no futuro do gartner, um conjunto de sensores, algum hardware e software adicional, conectados à web, dariam conta do caso.

segundo o gartner, monitoração [móvel] de saúde ainda está no estágio inicial de desenho de produtos e serviços. sua oferta em escala, como a maioria das ofertas associadas a projetos-piloto, deve levar algum tempo. em três anos, espera o gartner, deve haver no mercado um número de serviços que poderiam melhorar a qualidade de vida de pacientes crônicos.

image um tipo de paciente crônico de alto risco é quem sofre de problemas cardíacos graves. para alguns, a solução passa por um transplante, talvez antecedido pelo implante de um coração artificial temporário enquanto o doador não se torna disponível. clique na imagem ao lado pra ver do que estamos falando. a imagem leva para um texto sobre pacientes que receberam um TAH-t [total artificial heart, temporary, ou coração artificial total, temporário] coisas que, hoje, ainda não estão na web, muito menos na web móvel. abaixo, um paciente que recebeu um deles em 2007, na university of pennsylvania, enquanto esperava por um doador.

image

mas pense em algumas das possibilidades futuras de sistemas de computação e controle em rede, como as que descrevo no texto a seguir, publicado em 29 de setembro de 2000 na extinta revista eletrônica noponto. a história é sobre a relação entre um sujeito ranzinza e uma galerinha de um mega condomínio no futuro. leia. e assuste-se (ou não)… um dia vai ser verdade e está nove anos mais perto…

OS INVASORES

Um dia, teve uma dor de matar, aliás de quase. Acordou no hospital sentindo o peito e tendo um médico à cabeceira, perguntando, pausadamente, se estava a se sentir bem. O sim, meio trêmulo, demorou. Mas saiu. Recuperado, aprendeu que tinham reconstruído seu coração, agora composto, em parte, por um dos novos modelos IntelliBeat, que já incorporava um pequeníssimo servidor web para monitoração, avaliação e controle cardíaco. E isso há três anos.

Depois que se acostumou, a vida ficou normal, ou quase. Pouco se lembrava que seu corpo recebia (às vezes) comandos de um servidor, em algum hospital, e enviava (sempre) bio-dados para a rede. O femto-server instalado no seu coração e a antena pico-cel mais próxima faziam às vezes de sua ligação com a vida, o mantinham no ar, o tempo todo. Como se fosse um rádio na rede. Como a fonte de energia tinha deixado de ser um problema, os novos IntelliBeat eram um sucesso fenomenal: a manutenção e evolução do software podia ser feita, remotamente, sem qualquer tipo de intervenção local, muito menos cirúrgica. Você nem sentia nada quando mudava de versão.

Fruto do casamento de várias tecnologias, as novas próteses inteligentes eram naturalmente ligadas à rede. Houve uma oposição muito forte, no início, mas as vantagens eram tantas, e as penalidades pelo uso indevido dos dados, inclusive de localização, tão severas, que ninguém nem se lembrava, mais, que estava em rede. Ou questionava se ia ficar, quando, por alguma razão, tinha que receber uma delas.

Nas primeiras semanas, redivivo ao sair do hospital, tinha se tornado mais ouvinte, mais paciente e cordato. Mais simpático. Apesar de biônico, mais humano. Durante algum tempo, agüentava até choro de bebê com dor de ouvido no avião, sorrindo e compartilhando a agonia da mãe desesperada. Mas com o tempo foi se achando imortal, principalmente quando analisava na rede os dados do IntelliBeat, seu coração de mais que leão. Indomável.

A irritação voltou, reacesa na chama da suficiência. Fechou a cara pra todos, emburrava-se com tudo, do trip-hop do vizinho do lado, desorganizando seu sono, até o cantarolar da garota de baixo, aspirante a estrela de rede-pop. Seus limites, porém, eram dizimados mesmo pelo pestinha do 7L2S, o hiper-ativo cabelo espetado que parecia nunca dormir ou cansar, sempre observando, perguntando, gritando, correndo pra todo lado com o filhote Akita, terraplanando a paz do condomínio. E sempre muito mais perto do que deveria estar.

Um fim de dia, irritado da vida, incendiado pelas perdas no mercado e pelo trânsito, trombou com o diabo e o cão, ao ignorar o elevador e subir a rampa entre os 5L e 6L. Ficou acuado, quase descompensado entre latidos, reclamações e o alumplast repicando no chão, talvez destruindo os C3. Como os C3? A peste também tem um? Por que e para que teria um dos novos clientes de comunicação, computação e controle? Entre tantos ruídos, ouviu-se dando um bicudo no Akita, transformando a ameaça em ganidos, em fuga, de dor. E lançando o pivete numa série interminável de palavrões, entremeados por você-vai-ver e não-perde-por-esperar.

Um menino, com um C3… prá que? Só se fizesse parte (mas naquela idade?!…) de um bando de… invasores! Será? E esta mensagem no C3, agora, de Ran… junto com a listagem dos seus bio-dados no visor, sem ter pedido? Desorganizada, sua rede de pensamentos se torna cada vez mais aleatória, à medida em que o IntelliBeat enlouquece e sai, quase instantaneamente, de 80 para 120 para 160 para 40bpm, várias e várias vezes, até que, oscilando ao redor de 80, permite que o canto do olho enxergue, desesperado, os comandos que estão sendo executados no femto-server.

O penúltimo encerrou, definitivamente, o processo que ouve os comandos do servidor do hospital. O último está parando, de vez, o gerador do IntelliBeat… Depois, a assinatura da galera que invadiu seu coração, detonou o femto-server e está determinando seu fim. Ran. O nome do Akita. Os pivetes do condomínio. Se pudesse… mas é muito…

…que vai haver uma web móvel para saúde, vai. será primária em 2012. mas vai crescer, muito, por muito tempo, principalmente porque a população do mundo –e do brasil- envelhece rapidamente e demandará mais cuidados do que hoje. e a economia da saúde exigirá soluções como os intelliBeat. e sempre haverá hackers. e nenhum sistema online é completamente seguro. e talvez seja você que venha a ter um dos intelliBeat do texto acima bem no meio do seu peito. e?… pense. pense. o futuro nunca se engana. e é cheio de surpresas…

 

[ps: os primeiros quatro textos da série estão… aqui, aqui, aqui e aqui.]

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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

mobilidade: dez tendências para 2012 [4]

Tags: - srlm às 16:57

o terceiro texto da série discutiu a previsão do gartner sobre a oportunidade de mercado para busca móvel em 2012; o segundo texto desta série tratou da previsão do gartner group de que localização em mobilidade vai ser o segundo mais importante entre os serviços móveis em 2012. o primeiro, de que tratamos no primeiro post da série, é celular-como-dinheiro, a transferência generalizada de valores entre quaisquer celulares e não só de pessoas físicas [nós] para jurídicas [lojas, etc.].

segundo a galera do gartner, a quarta maior oportunidade de negócios móveis em 2012 vai ser…

4: Mobile Browsing
Mobile browsing is a widely available technology present on more than 60 percent of handsets shipped in 2009, a percentage Gartner expects to rise to approximately 80 percent in 2013. Gartner has ranked mobile browsing No. 4 because of its broad appeal to all businesses. Mobile Web systems have the potential to offer a good return on investment. They involve much lower development costs than native code, reuse many existing skills and tools, and can be agile — both delivered and updated quickly. Therefore, the mobile Web will be a key part of most corporate business-to-consumer (B2C) mobile strategies.

…browsing móvel. aqui a gente não precisa discutir muito: em mais ou menos tempo, todos os celulares vão ter um browser, e um browser capaz de navegar competentemente na rede. hoje, 60% dos celulares já vêm com um browser; em 2013, a previsão é de 80%. por tudo que falamos nesta série, que envolve cada vez mais pessoas usando cada vez mais seus celulares para –literalmente- tudo, browsing móvel é um achado óbvio.

mas só é óbvio mesmo se houver modelos de uso –e pagamento- pelo uso da web, no celular, que façam sentido para aqueles 60% de celulares que têm browser. quer ver se faz sentido? vá em qualquer operadora móvel e procure um plano sem limite de download e veja quanto você pagaria por ele. difícil de achar, por aqui. descendo a escada das expectativas, pense que parcela da população, em um país como o brasil, teria renda livre para pagar cento e cinquenta reais por mês por duzentos mega de tráfego, mais um e cinquenta por cada megabyte adicional. muito pouca, muito pouca gente.

e isso é o que vai definir, em mercados periféricos como o nosso, o browsing móvel. podemos ter muitos anos de espera, por aqui, até que a conjunção de fatores regulatórios, tecnológicos, de mercado e renda pessoal habilitem o uso intenso de internet móvel. pode chegar aqui em 2012? sim, já está aqui, mas pra muito pouca gente; gente que já tem seus droids, dext e iPhone. mas por enquanto, por aqui, este povo é tão pouca gente que não vai mover o mundo. pelo menos não agora e certamente não o mundo móvel.

outra coisa que vai pegar, no negócio de mobile browsing, é a mudança das aplicações para dentro do browser, como software provido como serviço, para todos os usos e em todas as coisas. visto desta ótica, o painel de um carro é um browser e parte do que mostra é gerado pelos instrumentos no veículo; outra parte é uma combinação de informação local e global. generalize e você vai ver que muita coisa móvel, que precisa mostrar informação a seus usuários, poderia estar atrás de um browser.

isso por um lado; por outro, tudo o que se chamou de browsing [e applets, dentro deles], acima, pode acabar sendo widgets rodando diretamente na interface do celular. ainda por outro lado, o celular, como um todo [e sua interface “direta”], pode ser um browser… e por aí vai

se a previsão do gartner, de que mobile browsing vai ser a quarta maior oportunidade de negócios móveis em 2012, vai se tornar verdadeira ou não, não sabemos. a chance de dar certo na finlândia, neste prazo, é muito maior do que em pernambuco. mas uma coisa é certa: quem quiser ser visto, no longo prazo, na rede, tem que pensar seriamente em como ser visto –e como chamar a atenção- de quem está na web móvel.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

mobilidade: dez tendências para 2012 [3]

Tags: - srlm às 07:57

o segundo texto desta série tratou da previsão do gartner group de que localização em mobilidade vai ser o segundo mais importante entre os serviços móveis em 2012. o primeiro, de que tratamos no primeiro post da série, é celular-como-dinheiro, a transferência generalizada de valores entre quaisquer celulares e não só de pessoas físicas [nós] para jurídicas [lojas, etc.].

segundo a galera do gartner, a terceira oportunidade de negócios móveis lá [ali] por 2012 vai ser…

3: Mobile Search
The ultimate purpose of mobile search is to drive sales and marketing opportunities on the mobile phone. To achieve this, the industry first needs to improve the user experience of mobile search so that people will come back again. Mobile search is ranked No. 3 because of its high impact on technology innovation and industry revenue. Consumers will stay loyal to some search services, but instead of sticking to one or two search providers on the Internet, Gartner expects loyalty on the mobile phone to be shared between a few search providers that have unique technologies for mobile search.

…busca móvel. a razão é simples: pense em todos os celulares [ou um grande número deles] na internet, no meio da rua e do tempo. celulares na web vão ter o mesmo efeito, em relação a PCs na rede, que voz móvel teve em relação to telefone físico, em casa ou no trabalho. as teles que o digam. ninguém quer falar com o telefone de alguém, mas com o tal alguém, razão pela qual quase ninguém mais liga para o telefone da casa das pessoas, mas sim, diretamente, pra pessoa. e as linhas físicas vão se tornando, no processo, relíquias da era de graham bell. até porque parece claro que toda a voz que circulará entre pontos fixos, na rede, vai rolar sobre o protocolo IP. isso, por acaso, já é verdade dentro das teles; ocorre que elas nos vendem voz, aqui fora, como se tempo –e não pacote- fosse.

agora se imagine na web, com banda acima do razoável [alguns megabit por segundo] e uma conta que não vá levar seu saldo para o vermelho só porque você usa a rede intensamente enquanto está se movendo. vai demorar um pouco, mas é questão de tempo. pouco. segundo o gartner, em 2012 já vai ser o suficiente para busca móvel ser muito importante como impacto nas tecnologias usadas para busca [como um todo] e nas receitas da indústria e, muito provavelmente, a ponto dos hábitos de busca móvel contaminarem o uso dos sistemas fixos de busca. na prática, como passamos muito mais tempo usando celulares do que laptops ou desktops, os primeiros vão acabar definindo meus modos de uso da web muito mais do que os segundos.

não dá pra precisar daqui a quanto tempo isso vai acontecer, mas que vai, é certo. 2012 pode ser cedo em mercados como o brasil, mas europa, ásia [coréia, japão…] podem estar no ponto ou já com serviços consolidados. o modelo padrão de navegação a partir de busca atende pelo nome de SFO, que vem a ser o código do aeroporto de san francisco e também a sigla para Search-Find-Obtain, ou procurar-encontrar-obter. no modo móvel, teríamos mSFO, onde o problema e as soluções ficam bem mais interessantes e, certas horas, complexas. tudo depende do que o “S” e as outras letras [e os sistemas que as realizam, na nuvem…] sabem sobre você.

se você estiver num grande aeroporto que acaba de fechar por causa da chuva [meu caso em CGH, ainda agora] e perguntar por “café”, um modo mSFO bem feito não só diria onde estão os cafés do aeroporto [tudo bem que em congonhas não é difícil achar] mas, dependendo do “S” a quem você perguntou, poderia ser o caso de haver vouchers de desconto pra você [e sua rede social…] se encontrarem num certo café. e este, claro, é só um exemplo, baseado no uso pessoal de serviços móveis.

seu carro e o “GPS” -na verdade, a inteligência embarcada no veículo- podem fazer coisas do outro mundo usando o mesmo modelo, como achar, automaticamente [dependendo da escassez de combustível no tanque…] dentre todos os postos de gasolina que estão perto da rota entre pontos A e B pela qual você trafega agora, aqueles onde vai ser mais barato abastecer ou onde, em função de conhecimento sobre suas preferências, você será melhor atendido. e dirigir você pra lá, precedendo a ação com o anúncio de que você vai ficar no seco, na rua, se não for direto para o posto P que se anuncia na tela.

mSFO vai ser muito importante para a internet das pessoas. e pode vir a ser, em prazo não muito longo,ainda mais importante para a internet das coisas, que está vindo por aí. é esperar pra ver.

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