Terra Magazine

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

2011: balanço da mobilidade

recorde: em 2011, foram feitas 39.3 milhões de habilitações de terminais móveis [6.1 milhões só em dezembro, parece haver um pequeno erro no histograma abaixo], somando celulares, tablets e outros terminais de dados na rede móvel, como modem 3G e os POS, as maquininhas de cartão de crédito que vão até a mesa no bar. a imagem abaixo, da teleco, mostra o que aconteceu durante o ano…

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…e, pra gente ter uma ideia do tamanho relativo de mobilidade do mercado de comunicações, veja o que aconteceu no mercado de telefonia fixa nos últimos anos, também cortesia da teleco:

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pra começar, note que o número de novos telefones fixos por ano, no brasil, de 2008 a 2011, é menor que o de novos acessos móveis por mês em 2011, para qualquer mês. de agosto em diante, as adições móveis superam novos acessos de banda larga fixa e TV por assinatura, por ano, nos últimos quatro anos. a figura abaixo mostra que o mercado se recuperou depois da "crise" de 2008/2009 e atingiu, ano passado, uma performance que dificilmente será superada neste ou nos próximos anos.

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a surpresa para muitos é que a taxa de crescimento do pós-pago foi, pela primeira vez em mais de meia década, muito superior à do pré-pago, como mostra a imagem abaixo…

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…o que certamente é resultado do crescimento do poder aquisitivo e da diminuição dos preços das operadoras… como mostra o gráfico abaixo…

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…que demonstra uma queda de 41% no preço médio do minuto de chamada móvel em dois anos, sem descontar a inflação [a queda real foi ainda maior]. sabe qual foi a consequência disso? ao invés de gastar menos, todo mundo falou mais…

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…e o tempo de uso médio, por mês, cresceu 38.4% no período e chegou a 122 minutos. a OI não divulga estes dados para sua rede. e os orelhões, coitados? dançaram: no mesmo período do gráfico acima, a receita bruta por orelhão da OI caiu 76%, de R$92 para R$22. devem estar dando um prejuízo danado, talvez seja hora de rever a regulação pra este pedaço de passado.

qual é a próxima grande mudança neste mercado? vamos olhar os dados da teleco de novo, um oásis de informação histórica e consolidada no caos e favelas de dados do país. estudo feito em julho passado pela consultoria mostrava que 85% dos acessos móveis brasileiros ainda não eram 3G.

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assumindo que esta proporção tenha mudado em cinco pontos percentuais no segundo semestre, pois o número de celulares 3G vendidos é cada vez maior em relação aos outros, é possível que tenhamos 15% de celulares 3G no brasil, agora. em números redondos, seriam 35 milhões de celulares 3G por aí. arredondando de novo, como 80% [veja gráfico] desta galera está na web, são perto de 30 milhões de brasileiros na web móvel. mas menos de 10% são smartphones, contra mais de 30% nos principais mercados do mundo.

um chute, sem medo de errar: nos próximos anos, vamos ver uma troca de celulares simples e 3G por smartphones, em muito larga escala, com uma mudança radical no padrão de interação mediado pela infraestrutura móvel, com uso muito intensivo de dados, para quase tudo. e isso vai exigir muito investimento das operadoras, muita atenção e fiscalização do regulador e muita paciência de todos nós, usuários. mas até um ponto: do lado de lá do "celular", todos têm que entender que estão nos prestando um serviço e que estamos pagando por ele. e não é pouco: temos a quinta maior tarifa do planeta, o que deveria gerar receitas suficientes para serviços de qualidade acima da média, e não o que temos tão frequentemente. e vamos ver se o governo faz sua parte: política, estratégia, articulação e incentivo são muito mais importantes do que parecem e, bem feitas, sempre fazem uma grande diferença.

dito isto, o gráfico abaixo mostra o número de pessoas por chip SIM nas grandes regiões do planeta. aqui, temos uns 194 milhões de habitantes. dividindo habitantes por celulares, dá 0.8 pessoas por celular [ou melhor, por SIM], a mesma média da europa ocidental. claro que podemos comemorar isso. mas temos que dizer, e tão alto quanto, que nos falta a qualidade de rede que eles têm por lá. e isso atrapalha muito, tanto as relações pessoais como de negócios.

densidade e qualidade de rede, a preços aceitáveis, fora da competição pelos mais altos do mundo, devem ser nossa  grande preocupação dos próximos anos. e vamos trabalhar, todos, que estamos atrasados.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

TICs: lá fora, mais de cem mil na rua. aqui, falta gente.

Tags:, , , , , - srlm às 00:38

techcrunch resolveu montar uma lista dos anúncios de demissões na indústria de tecnologias da informação e comunicação [e correlatas] baseada no mundo [ao alcance deles], e lançou o techcrunch layoff tracker, que dá conta [até o dia 10/12] de 280 eventos que causaram a demissão de mais de 104.000 pessoas, da last.fm [280 em londres] à nxp [4.500, na holanda], passando por companhias em israel, índia, canadá, ao redor da europa e por negócios como a xerox, que estão demitindo no mundo inteiro. a lista, aliás, é informal e imprecisa: as demissões da nxp, por exemplo, foram anunciadas na holanda mas estão rolando no mundo inteiro. as demissões de temporários e terceirizados e os 1.500 demitidos de yahoo ainda não estavam lá no dia 11/12.

no brasil, por outro lado, continua faltando gente. empresas de TICs, de norte a sul, têm vagas em aberto e não há gente, em qualidade e quantidade, para preenchê-las. esta talvez fosse uma excelente oportunidade para  o brasil desligar um pouco nossa xenofobia e incentivar a migração, para o país, de especialistas de fora. segundo a lista de techcrunch, cerca de 1.500 demissões foram anunciadas, nas últimas semanas, só em israel. e o mercado de trabalho, por lá, não tem uma elasticidade muito grande. a mesma coisa vale para muitos países europeus que enfrentam ondas de demissões, como a finlândia, onde apenas a nokia já demitiu 600 pessoas.

se o brasil tivesse uma política agressiva para capital humano, esta era a hora de atrair uma parte deste povo pra cá. são pessoas competentes, que falam inglês fluentemente [uma das principais deficiências do nosso capital humano], que fazem negócios pelo mundo inteiro [outra de nossas incompetências...] e que estão, a partir d’agora, atrás de uma boa oportunidade pra recomeçar suas vidas.

há uma crise radical no mundo, não há o que esconder. mas boa parte da solução, do futuro, vai vir de países emergentes como o nosso, que ainda têm muito o que fazer pra estarem prontos até para o presente, sem nem pensar no futuro. são dezenas de milhares de empresas sem informática competente; milhares de cidades sem internet ou celular; governos estaduais, municipais e parte do federal ainda sem a informática que deveriam ter… um país inteiro para construir, que continuaremos construindo na crise, como sempre fizemos. para isso, precisamos de gente.

e informática, hoje, está na base de tudo. de plantar feijão a lançar foguetes. é hora de uma política de vistos de trabalho e incentivos para trazer técnicos, engenheiros, pessoas de negócio, do mundo inteiro, prá cá. já fizemos isso antes e deu muito certo. não é à toa que comemoramos, este ano, os cem anos da presença japonesa no país. mas precisamos fazer mais, muito mais. trazer pessoas prontas, nas quais não investimos um centavo sequer em formação e capacitação, gente que está e vive no mundo, principalmente gente de TICs, para o brasil, agora, talvez seja a grande oportunidade do século. se soubéssemos fazer isso rápido, teríamos muito o que comemorar daqui a 100 anos.

 

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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

seminário: instituições para inovação

Tags:, , , - srlm às 10:36

tá rolando no rio, agora, no copacabana palace, o seminário instituições para inovação [até amanhã no fim da tarde]. segundo o programa do evento… Contando com a participação de convidados das mais diversas regiões do globo, o Ministro Roberto Mangabeira Unger propõe um debate em torno de temas centrais como: 1. Inovação na economia: novas formas de produção e novos modelos de política industrial; 2. Inovação na organização do ensino e ensino inovador; 3. Inovação na política social: Nos agentes - Estado, empresas e terceiro setor; Nos processos - serviços padronizados e não-padronizados; e nos alvos - redistribuição compensatória e iniciativa capacitadora; 4. Inovação na política: Participação e experimentalismo na democracia representativa; na formulação e implementação de políticas públicas; e na organização das instituições políticas...

você pode ver, ao vivo, em www.nae.gov.br. este blog está lá.

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