Terra Magazine

26.03.09

TEM JUÍZO MAS NÃO USA

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é hoje, no recife, o lançamento do novo álbum de lula queiroga, TEM JUÍZO MAS NÃO USA. oportunidade imperdível de ver, em ação, uma das cabeças e vozes mais criativas e inovadoras da música brasileira.

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parte das músicas do show tá no mySpace: clique na imagem acima e vá ouvir. pra já chegar no show ligado. o álbum tem 15 inéditas na velocidade de lula [tipo "o que não pode ser criado em 15 minutos não vale a pena"] e vai estar na rede amanhã…

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eu vou. pra quem não está em recife hoje, é só esperar pra ver e ouvir: a parada já tem datas no rio [17 e 18 de abril] e são paulo [21 de maio]. até lá, e depois, como diz lula, é não perder o juízo… mas usar, pra que?

Pode aproximar/ Pode reagir/ Pode admitir/ Ou nem perceber

Quando ela chegar/ Vai doer no olhar/ Vai modificar/ A luz dessa noite

Se eu olho pro sol/ É pra cegar o juízo/ Também não tem como fechar o olho pra você/ Freiou a madrugada/ É só um pouco disso tudo que eu preciso

Se eu olho para o sol/ É pra cegar o juízo/ Enquanto o gelo derrete a água tá subindo/ O chão sacudindo/ A gente tem juízo mas não usa

Não tem como evitar/ Nem pronde correr/ Pode recuar/ Ou entrar no clima

Quando ela chegar/ Vai te convencer/ Que é melhor ficar/ Aqui essa noite

Fica no mínimo/ No máximo uma noite

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12.03.09

promoção na operadora: [uma] música a R$18

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o mercado de entretentimento móvel, no brasil, quase não existe. um amigo resolveu tentar entender porque. no país, 81.5% dos celulares são pré-pagos; o extremo é o pará, que tem 90.8% de pré-pagos. de acordo com a anatel, o país tem [não necessariamente em operação] 151 milhões de celulares. em números redondos, são 120 milhões de pré-pagos e 30 milhões de pós-pagos. nesta conversa, estamos falando da vasta maioria, os 120 milhões de pré-pagos, que poderiam ser um grande mercado. mas não são. por causa deles, o ARPU [renda média das operadoras, por mês, por usuário, incluindo os pós-pagos] é menos de quarenta reais.

pois bem. o amigo pega um pré-pago e carrega com R$25, pra fazer um teste. poderia ter lido um texto do ti inside –celular no brasil é o mais caro do mundo- e não precisaria testar nada. mas é um cabra prático e vai atrás de ver como as coisas funcionam na vida real. assume que quase todo mundo que tem pré-pago não tem banda larga em casa e, se quiser uma música tocando no celular, vai trazê-la pelo próprio celular.

isso se não souber das consequências… quais? bem, no site da operadora há um grande sucesso à venda por módicos R$3,99. meu amigo assume que o bom cidadão, cumpridor das leis, não vai copiar a música do celular ao lado. gente boa, ele entra no site da operadora e paga 75% mais caro do que se estivesse comprando a canção no iTunes [US$0.99], bota fé na transação e confirma o dá-o-loud.

algum tempo depois, o tal sucesso está carregado no pré-pago [emprestado, pro experimento]. vai rolar a festa. antes, pra saber o que mais pode fazer com o celular, meu amigo verifica quanto sobrou de crédito. a surpresa? sobraram R$7. como sabemos,  a música custou R$3,99. quanto devemos somar a R$3,99 para, ao subtrairmos o resultado de R$25, termos R$7 como resultado?… QUATORZE REAIS. a música custou quatro reais e o download custou quatorze, dos quais mais de cinco reais vão para o governo como imposto e a operadora fica “apenas” com uns nove reais, ou pouco mais de duas vezes o preço da música, pra enviá-la pra seu celular.

feitas [e entendidas] as contas não é nenhuma surpresa que, primeiro, o ARPU do brasil seja um dos mais baixos das américas. afinal de contas, ninguém é doido o suficiente pra correr tal tipo de risco com alguma frequência, tipo umas duas vezes na vida inteira. eu mesmo –nem pra testar- nunca comprei nada do site de nenhuma operadora. eu e quase toda a população móvel do país, pelo visto.

segundo, enquanto o modelo de negócios das operadoras não mudar, radicalmente, para limitação de banda [enquanto houver limitação de infraestutura] combinado com volume ilimitado [em potencial] de dados, a coisa vai continuar exatamente como está. nem nós participamos dos negócios móveis, nem elas ganham, conosco, o que poderiam estar ganhando. garanto que, com um modelo de negócios que faça sentido para os usuários, todos nós ganharíamos muito mais. simples assim…

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04.10.08

música: busque, ache, toque, compartilhe

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songza: music search engine & internet [visual] jukebox.

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05.08.08

pirataria: chegou pra ficar

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agora é oficial: a pirataria chegou pra ficar. estudo que acaba de ser publicado pela MCPS-PRS [aliança inglesa que representa os donos do copyright de mais de 10 milhões de títulos musicais] e bigChampagne [de medição de audiência online] mostra que, mesmo quando o preço de um bem digital chega perto de zero [caso do último álbum do radiohead, cujo preço podia ser escolhido pelo usuário], a vasta maioria das cópias que circula na rede vem de sites piratas.

o caso de in rainbows, disco de radiohead que podia ser trazido de graça do site da banda, é emblemático: mais de 100.000 cópias pirata circularam na rede, por dia, durante o primeiro mês de disponibilidade do álbum [dando uns três milhões de cópias piratas na rede]. apesar do número de downloads a partir do site oficial não ter sido revelado [mas pode ter chegado a um milhão, 38% das quais pagas], o estudo diz claramente que as cópias pirata [as que bigChampagne achou... deve ter perdido muitas!] excederam em muito o tráfego do site da banda.

vamos imaginar que a pirataria seja de cinco a dez vezes o tráfego "normal". ou entre 80 e 90% do que foi pago [ou trazido de graça do site da banda]. qual foi o efeito disso nos resultados de radiohead? o álbum [legal] foi um sucesso, as turnês lotaram, a pirataria "quase autorizada" do material da banda fez o projeto in rainbows bombar, em todos os sentidos.

conclusão [de eric garland, um dos autores]? "…non-traditional venues are stubbornly entrenched, incredibly popular and will never go away… It’s time to stop swimming against the tide of what people want". em português? fontes "alternativas" de música [e mídia] são populares, gozam de muita e boa marca e reputação entre seus usuários e nunca desaparecerão. está na hora de parar de remar contra a maré e ser contra o que as pessoas querem. a conversa completa está aqui, no financial times.

segundo o estudo, os atuais donos de copyright precisam procurar novas formas e lugares de geração de renda pra seu material, fazendo acordos com sites como youTube e outros, ao invés de continuar processando sua própria audiência. é bom lembrar que o estudo não foi feito por um grupo de adolescentes que vara a noite nos torrents da vida, mas por uma associação da indústria de copyright inglesa, justamente uma das que mais ganha com propriedade intelectual [musical] no planeta. resta saber se a própria indústria vai se ouvir. é esperar pra ver… aliás, ouvir.

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