Terra Magazine

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

comércio: bricks vs. clicks

lá no começo da internet aberta, há uns 15 anos, costumava-se discutir que tipos de negócios concretos [feitos dentro de lojas, de tijolos, ou "bricks"] se tornariam redundantes por causa do comércio virtual, nas telas, movidos a "clicks". numa entrevista em 1999 para business week, jeff bezos já dizia que…

…strip malls will go away because physical retailing isn’t going to be able to compete on price. If you study the economics, online retailing is just more efficient. As a result, that leaves other things for physical stores to compete on, and there are lots of dimensions that are important to customers besides price. One is entertainment. So a lot of shopping gets done in large part as entertainment. This is why Nordstrom’s has a piano player and so on. So what’s going to happen is that stores are going to get more entertaining. The quality of the sales associates is going to go up to make that experience more pleasant. Stores are going to get cleaner. Every dimension you can imagine of making a physical store better is going to happen.

…lojas físicas não vão competir com as virtuais em preço, porque o varejo online é muito mais eficiente do ponto de vista econômico. as lojas da rua têm outras dimensões para competir com as virtuais, como entretenimento, conforto, limpeza, qualidade dos vendedores. as lojas físicas têm que pensar em muitas outras dimensões para competir com as virtuais, menos preço.

acontece que, apesar do grande avanço do ecommerce [no brasil, R$20B em 2011, um crescimento de 35% sobre 2010], a reação das [cadeias de] lojas físicas tem sido muito lenta e a prática do que os americanos chamam de "showrooming" se generaliza. o que é isso? você sabe: vamos à loja ver e experimentar o produto, pesquisamos [de lá mesmo] o preço na web e, se conseguimos algo muito parecido na loja, compramos lá mesmo, talvez por causa da vontade de levar pra casa na hora, se podemos carregar a coisa nós mesmos. caso contrário, compramos na web. mais barato, às vezes ou quase sempre, no comércio eletrônico da própria loja em que estamos.

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no mundo inteiro, cadeias de lojas físicas estão pensando em alternativas para enfrentar o comércio eletrônico e a bola da vez parece ser produtos desenhados exclusivamente para o comércio físico. séries ou itens especiais feitos apenas para varejistas específicos, talvez sob demanda deles. será que funciona? o que deveria ser um liquidificador, fogão, celular ou tênis que só pode ser encontrado em uma loja física e que não dá pra comparar com um outro, "genérico", que pode ser adquirido online?…

deixando de lado o fato de que [por razões de escala] isso talvez só funcione para o grande varejo, as grandes cadeias nacionais ou, por outro lado, para itens de moda que já são [ou pretendem ser] quase únicos, a "solução" que está sendo desenhada pela target, nos EUA, parece escapismo puro.

a curva de crescimento do ecommerce acima deveria preocupar as lojas físicas no contexto do comentário de bezos, da amazon, que mais dia menos dia vai chegar ao brasil. de vinhos a geladeiras, de bicicletas a acessórios, de tênis a [cada vez mais] roupas femininas, a revolução do varejo online começa a pegar e, qualquer dia destes, vai chegar nas vendas de automóveis.

por que não? se você sabe exatamente qual o carro quer [porque pode testar num showroom, rodar no de um amigo, ou pode ser o mesmo modelo do táxi que você sempre pega], não seria muito bom comprar e emplacar na web, fazer o seguro e ter a coisa entregue diretamente na sua garagem? tá, pode ser muito enrolado [agora] entregar na garagem… mas pra que mesmo é que poderia servir o posto de gasolina na sua esquina?…

se eu estivesse no negócio de varejo, estaria trabalhando com a perspectiva de que tudo –mas tudo mesmo- que puder ser vendido online será. e teria a precaução de descontar, do "tudo", as coisas que podem, rapidamente, se tornar serviço [como carros, será?] e que, alguns anos, podem deixar de ser "vendidas" da forma como estamos acostumados a pensar hoje em dia. quem vender, verá.

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terça-feira, 13 de setembro de 2011

a lei, offline vs. online

hoje, um picopost, só pra gente saber até que ponto as coisas podem chegar quando algum espírito azerediano toma conta do pedaço. pra quem chegou de alfa do centauro ontem à tarde e ainda não sabe o que anda rolando por aqui, azeredo é o sobrenome do deputado que assumiu, como missão terrena, colocar a criminalização da internet.br à frente de seu marco civil.

An anonymous organization activist holds a mask in front of his face as he arrives at Paris court on October 27, 2009 for the trial of the Church of Scientology, classified as a sect, with seven of its members for illegally prescribing drugs. The court fined the Church of Scientology for defrauding vulnerable followers, but officials voiced regret that a recent change in the law prevented France from banning it outright. Scientology's Celebrity Centre and its bookshop in Paris, the two branches of its French operations, were ordered to pay 600,000 euros (900,000 dollars) in fines for preying financially on its followers in the 1990s.

tergiverso e o post pode ficar longo. vamos encurtar a história. anonymous é um não-coletivo de hackers que está em guerra não declarada contra partes do sistema, seja lá o que a gente entenda que é o sistema.

a polícia inglesa acusa quatro carinhas de fazerem parte do não-coletivo e, por isso, serem uma ameaça à lei e à ordem. uma corte de sua majestade, face a acusações que podem chegar a sedição, acaba de proibir os quatro de estar na rede usando suas personas online. podem usar o que quiserem, menos os nomes pelos quais são reconhecidos como parte do "grupo" que, como se sabe, não é "grupo" e que, anônimo e disperso, talvez nunca possa ser formalmente acusado de coisa alguma.

ocorre que um dos quatro acusados usa, como persona online… seu nome.

isso. exatamente o que você leu acima. consequências? a justiça inglesa cassou o direito de um de seus súditos de usar seu próprio nome online. transformou peter david-gibson, 20 anos de idade, de hartlepool, co. durham, em ninguém. peter frequentava a rede, imagine, disfarçado de… "peter". peter, uma ameaça global, disfarçado de… "peter". LOL…

há alguma coisa profundamente errada entre os céus e a terra. a lógica está deixando de ser entendida –e, quase certamente, de funcionar- e isso pode estar relacionado ao fato de que, no fim de semana passado, quase todos os meus chutes conseguiram, pela primeira vez em décadas, encontrar o caminho da "meta". dois deles, inclusive, teriam sido pontos olímpicos, não fosse o reflexo e maestria do goleiro.

as chances disso acontecer num mundo que mantém algum grau de coerência, garanto, são iguais a você receber, enquanto lê este texto, um SMS de oliver cromwell defendendo uma revisão das bases do poder na terra de sua majestade.

sei não, sei não. 2012 vem aí. cruzem os dedos…

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

competir perdendo dinheiro: quem pode, pode…

Tags:, , , - srlm às 06:00

há quarenta e cinco meses a microsoft perde dinheiro em suas operações online. só nos últimos três meses foram US$480 milhões. no último ano, muito mais de US$2B. coisa de gente grande.

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a microsoft, obviamente, tem caixa [perto de US$30B], resultante de suas operações offline, para bancar tamanho prejuízo. e o faz –e não desiste do online- porque sabe que o futuro de tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e comunicação está na rede. é por isso que a microsoft não desiste de suas operações deficitárias de internet e web, nem que pra isso tenha que gastar muito mais dinheiro do que está investindo hoje. mas o caminho é longo e a subida, muito difícil.

mas a empresa já fez isso em outros departamentos, e por muito tempo. em 2001, cada xbox vendido dava US$125 de prejuízo. pra redmond, isso era apenas uma parte da estratégia contra sony e nintendo; anos depois, em 2005, redmond perdia [coincidência?] US$125 por xbox360 vendido, como parte da mesma e renovada estratégia. e os resultados nem sempre são os esperados, como mostra o gráfico abaixo:

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a estratégia de vender por preço abaixo do custo nem sempre dá certo: o PS3 [em setembro] vendeu mais, nos EUA, do que o wii e o xbox360 [492 mil vs.462 mil vs.352 mil], pode pegar vapor e ser o console mais vendido nas festas de fim de ano. nos três últimos trimestres, a EDD, divisão da MSFT onde está o xbox360, perdeu dinheiro em dois.

mas nem todos os números são ruins: em 2009, a EDD lucrou US$319M, e a porção online do negócio é cada vez mais importante; no último trimestre, a receita do xbox live cresceu mais de 50%. sinal de que o futuro de todas as divisões de qualquer empresa, inclusive a microsoft, é online.

e pra isso vai ser preciso, ainda, muito investimento nos negócios baseados em internet e web. e não será só a microsoft que estará fazendo isso. quem não o fizer vai estar fora do jogo, e de uma vez por todas. no caso da microsoft, em particular, competir está dando muito trabalho e gastando dinheiro. e muito. mas quem pode, pode…

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domingo, 10 de maio de 2009

uma olimpíada… de jogos educacionais online

Tags:, , , - srlm às 00:48

numa palestra recente para um importante sistema nacional de ensino, meu primeiro slide era uma pergunta quase óbvia nos nossos dias:

sera que os alunos fugiram

o segundo slide tinha a resposta, em uma única palavra, ocupando todo o gigantesco espaço de projeção no auditório:

sim vermelho sobre fundo preto

este é o estado da arte: em todo lugar, em todas as escolas, públicas e privadas, se os alunos tiverem, em casa ou na rua, a menor chance de estarem na rede e não na sala de aula, é online que iremos encontrá-los.

e não é sem motivo: a sala de aula ficou tão pra trás da realidade [virtual] em que vivemos que dá a impressão que só ficaremos lá se não houver nenhuma alternativa à disposição. pra completar, um grande número de iniciativas que deveria ajudar a reverter tal situação acaba levando pra rede uma filosofia, processos e métodos educacionais completamente desconectados do novo mundo, online, onde os alunos vivem. resultado? fracasso total.

a pergunta da hora é: será que dá pra fazer alguma coisa, online, na escola ou na rede escolar, que atraia alunos e professores para uma experiência lúdica, educacional, sem a chatice que os alunos [principalmente] vêem nos métodos, digamos, clássicos de educação? dá sim. quer ver um exemplo?

o sistema de educação pública de pernambuco está promovendo uma iniciativa pioneira: uma olimpíada de jogos educacionais, uma competição virtual entre times de estudantes que, apoiados por professores, irão desenvolver um trabalho colaborativo, criando estratégias de jogo e se articulando em atividades de resolução de problemas… participando de uma aventura virtual que levará as melhores equipes a uma competição final concorrendo a prêmios especiais vinculados à cultura digital.image

a olimpíada de jogos educacionais [OJE] é uma maratona de jogos online entre equipes [de seis a dez alunos] de escolas estaduais do ensino fundamental [oitava e nona séries] e médio, onde a diversão “esconde” o aprendizado e, além da motivação educacional, há prêmios para os vencedores. pense: jogue, se divirta, aprenda, apareça, forme rede com seus colegas e ainda ganhe um laptop. não tô nem tão velho assim, mas às vezes fico pensando porque é mesmo que não estou nascendo agora…

um dos jogos da OJE [serão doze, este ano] é imuno [veja a tela de entrada na imagem abaixo], onde você comanda uma nave que tenta salvar oswaldyr pontes, cuja vida não é lá muito saudável: nosso anti-herói é fumante, come muita gordura, não pratica exercícios, sofre de bronquite crônica e tem alto risco de ataque cardíaco…

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imuno explora biologia, anatomia, imunologia, educação alimentar e comportamento. e é divertido. jogar em time é ainda mais divertido: todos constroem, juntos, a estratégia, os mais habilidosos jogam de fato [e ensinam os outros a jogar], o professor tira as dúvidas e ajuda o time. pena que não dá –ainda- pra você jogar; no momento, apenas os alunos pernambucanos inscritos na OJE vão ter acesso aos jogos da competição.

um outro jogo online da OJE é machina [tela do jogo na imagem abaixo], que explora, ao mesmo tempo, princípios de história, geografia e física clássica. pegue uma nave e vá atrás de objetos históricos numa escavação em algum lugar do planeta. e gaste pouco combustível e tempo, pois sua eficácia e eficiência são o que vão levar seu time para o topo da tabela da competição. não é você contra o jogo [veja o regulamento aqui]: é você e seu time, no jogo, contra todos os outros muitos times. isso pega, pode crer.

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ainda estamos a cinco dias do fim das inscrições e mais de 2.200 times, de 337 escolas em 120 das 186 cidades de pernambuco já estão inscritos, atingindo quase 15.000 alunos da rede estadual. e esta é só a primeira rodada; a depender dos resultados e do marketing real e viral desta edição, podemos ter dez vezes mais alunos na OJE de 2010 em pernambuco, 150.000 de um total de 800.000 alunos.

a OJE é uma iniciativa da secretaria de educação do estado, que não está tendo medo de arriscar, cair na rede e tentar atrair a atenção dos alunos para processos de aprendizado que, queiramos ou não, serão cada vez mais digitais e em rede. a secretaria articulou o desenvolvimento e execução da OJE com o porto digital, arranjo produtivo local de TICs de pernambuco, situado no bairro do recife antigo, envolvendo uma rede empresas de jogos digitais, acrescida do cesar.edu [especialista em conteúdo e processos educacionais], fazendo com que os conceitos e capacidades locais em educação para o futuro e games contribuam para a melhoria do sistema educacional do estado.

mas não só: a iniciativa está sendo essencial para o aumento das competências técnicas e negociais locais em soluções, processos e jogos educacionais, e pelo menos um outro estado da federação e um grupo de escolas privadas já está interessado em ter uma OJE para seus alunos e professores. tomara. os alunos, tenho certeza, vão agradecer.

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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

marketing online: faltam dados

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a mckinsey perguntou a 340 executivos de marketing de todos os continentes como anda, hoje, a propaganda de suas empresas. mais de 90% respondeu que está fazendo propaganda na rede, e estamos falando de empresas de todos os tipos, em todo canto, e cerca de metade delas está usando tecnologias típicas da web 2.0, como widgets, wikis e social networks. boa notícia.

a má notícia é que a mesma turma, 55% da qual está aumentando seus gastos online, reclama que não há medidas quantitativas de seu esforço de marketing e propaganda virtual. somente metade das empresas usa algum tipo de medida quantitativa para seus investimentos online; só 52% está medindo o impacto da propaganda online em sua marca e reputação, mesmo quando este é seu principal esforço na rede. e apenas 30% está medindo o impacto offline de suas ações online.

ou seja: faltam dados. apesar da fuga dos anúncios para o mundo virtual [veja aqui o efeito no new york times], que vai acabar com boa parte do que hoje chamamos de mídia impressa, ainda não se conseguiu estabelecer um bom conjunto de processos, métodos e métricas, do ponto de vista de marketing, para o meio -a internet, em todas as suas vertentes- que começa a se estabelecer como o principal mecanismo de expressão e relacionamento de pessoas e empresas.

mouse-grand-dad.jpg

a receita da mckinsey? Online media have enjoyed tremendous growth and will continue to do so. Our survey suggests, however, that this growth will be far more robust if marketers implement accurate measurement techniques that help them understand the true impact of ads. ou seja: a mídia online está crescendo muito rapidamente e vai continuar assim por muito tempo. mas tal processo poderia ser ainda mais radical se tivéssemos melhores métodos e técnicas para medir o impacto e retorno do investimento das empresas em suas ações online.

grande oportunidade, pois, prá quem está -ou quer entrar, e sabe como- no negócio de medir o efeito da rede nos negócios. ou na conversa -na rede- sobre os negócios, como é o caso da e.life, daqui mesmo do brasil, que vem fazendo um trabalho muito interessante de mensuração do online buzz [veja mais sobre o assunto aqui].

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