Terra Magazine

26.02.09

o começo do fim da confusão digital?…

[este post foi provocado pela notícia de que a nokia, depois de ver vários fabricantes de computadores entrarem no mercado de celulares, está pensando seriamente em fabricar… computadores.]

PCs, laptops e celulares são meros instrumentos pra “sintonizar” a internet. sintonizar pra produzir, consumir e relacionar informação e seus produtores e consumidores. isto posto, o que diferencia os três “instrumentos”?

olhando a partir de um referencial mais ou menos padrão, o balcão de uma loja [ou sua mesa, se for em casa], PCs são representantes de computação NO balcão, em relação a que os laptops e celulares ficam DEPOIS do balcão. se o referencial formos eu e você, laptops e, bem mais apropriadamente, celulares, representam computação e comunicação CONOSCO. básico. ninguém sai por aí carregando um PC como se fosse um celular, um celular não parecia com um laptop e até pouco tempo não dava pra fazer num celular quase nada do que era possível em um PC ou MAC.

o problema –ou a solução- começou com os netbooks, laptops que começam a se aproximar de um celular [pelo volume e peso, mais do que qualquer outra coisa] e tomou forma e ganhou nome com a gama de celulares representada pelo iPhone, android e pela próxima geração de windows mobile, cujo propósito final é levar a mesma experiência de uso dos PCs, MACs e laptops para o celular. ou vice versa.

quanto mais rápido isso acontecer –inclusive o vice-versa- mais teremos chegado no que poderíamos chamar, de fato, convergência digital. que não é nada mais do que reduzir todos os processos que tratam informação a aplicações sobre a infraestrutura e serviços da internet. feito isso, SMS, chat, telefonia, web, transferência de arquivos, publicação de fotos… controlar o portão da sua casa, abrir seu carro, sua identidade [pra entrar no estádio]… e mais rádio, TV, vídeo, jornal, cinema e, se você quiser, dinheiro, tudo será aplicações sobre a mesma infraestrutura e serviços. simples assim.

pouco importa se toshiba, dell, hp, lenovo, positivo, acer [e todos os outros fabricantes de PCs] também vão fabricar smartphones, se a apple faz iPhones ou se a nokia, agora, vai fazer laptops. façam o que fizerem, o que nós usuários queremos, do lado de cá, é que as coisas que eles fabriquem “sintonizem” a internet usando padrões mundiais e abertos e que os provedores de infraestrutura e serviços [as companhias de rede, “telecomunicações”, TVs…] não atrapalhem o que estamos querendo fazer, aleijando os dispositivos às nossas mãos com dificuldades inventadas em seus sistemas.

e o que nos impede de chegar lá mais rápido, ou tão rápido quanto a disponibilidade dos “sintonizadores”? os modelos de negócio legados [ou seja, do passado] da maior parte dos agentes que intermediam nosso acesso à informação. as TVs ainda querem ter espectadores [quando audiência já virou comunidade], as teles querem vender minuto de conexão [quando estão totalmente implementadas em termos de pacotes digitais…], as companhias de infraestrutura de rede querem controlar o tráfego, habilitando mais isso e menos aquilo… ou seja, mesmo tendo uma convergência de dispositivos cada vez mais clara e imediata, ela vale muito pouco se, por trás, onde o bicho pega, o sistema como um todo não levar em conta o que que a população da rede realmente é e quer fazer. somos indivíduos, produtores e consumidores de informação, em rede. simples.

mas muito difícil de se chegar lá. para tal, é preciso muita gente se envolver, incluindo múltiplas instâncias reguladoras… passando [no caso brasileiro] por anatel e congresso, entre outros, pra gente ter uma rede bem… simples. e não é de hoje que se discute o problema. a seguir, um texto que publiquei em dezembro de 2006 no G1, chamado confusão digital… leia com cuidado e note que, de lá prá cá, pouquíssima coisa mudou:

O noticiário mundial anda cheio de notas, reportagens, entrevistas e promessas de convergência digital, com cada empresa prometendo mais do que outra. Teles prometem YouTube em seus celulares, TVs a cabo entregam telefonia como parte do pacote, provedores de acesso querem fornecer TV via protocolo IP e, claro, quando houver, TV digital há de ser, segundo quase todos, interativa. A ponto de o espectador poder receber uma chamada telefônica, pela TV, bem no meio daquele capítulo intenso da novela.

Convergência digital, visto pelo lado da maioria das empresas de mídia ou do que costumava ser chamado de telefonia, parece ser um fazer tudo (todas as formas de mídia e comunicação) sobre sua plataforma física, qualquer que seja, para todos os públicos, desde que eu — a empresa — tenha controle sobre o que eles — os usuários — fazem.

Mas isso não vai dar certo, em último caso, porque não irá satisfazer justamente o tal do usuário, responsável pela renda e negócio da empresa. Por que não? Primeiro, talvez devêssemos concordar com uma definição de convergência, à qual podemos chegar através de exemplos. O que é um telefone? No passado, era um equipamento com um dial, microfone e fone de ouvido, conectado por fios a uma central telefônica. Bem no passado, era analógico e vez por outra funcionava. Hoje, é uma aplicação, responsável pela transferência bidirecional de áudio entre dois pontos, à qual podem ser agregadas funcionalidades de tantos tipos que, em muitos casos, escondem o tal telefone.

Esta aplicação, tanto como emeio, transferência de arquivos, interação com páginas web, rádio e TV, é possibilitada porque um conjunto de serviços — protocolos específicos para suportar cada tipo de aplicação — construído sobre uma infra-estrutura (processadores, roteadores, cabos, redes dem sio, satélites) que, em última análise, realmente movimenta os bits que tornam possível nossas conversas. Então, por trás da convergência, está uma rede estruturada em camadas: infra-estrutura, lá embaixo, serviços essenciais sobre ela e, no topo, as aplicações que usamos e pelas quais queremos - eventualmente — pagar. Convergência digital é transformar em infra-estrutura, serviços e aplicações, usando padrões abertos e inter-operáveis, o que antes eram sistemas particulares, fechados, cada um de um operador diferente.

E onde entra a confusão digital? Na hora em que uma operadora de celular (Verizon, nos EUA) avisa que vai prover YouTube a seus usuários, ao invés de convergência, é confusão. Por quê? Se fosse convergência, como o celular é um dispositivo que deveria estar funcionando sobre uma rede aberta, a operadora nunca precisaria dizer que vai — ou não — oferecer uma aplicação na telinha do meu celular. O problema seria somente meu: YouTube é um site, tem um endereço, eu vou lá e vejo o que quero. Como nós fazemos com nossos browsers. A menos que o leitor esteja na China, Irã, Cuba e outros países que censuram a internet, a escolha do que ver é livre. A internet é, por definição, convergente. A rede das teles, ainda pensada como telefonia, não é.

As operadoras, de fato, controlam o padrão de experiência que seus usuários têm na rede, deixando-lhes, na prática, pouca escolha. Para que tivéssemos convergência digital real, lá, era preciso primeiro “abrir” as operadoras para a rede. Em outras palavras, seria preciso que elas se vissem como as provedoras de infra-estrutura que realmente são. Compare, por exemplo, com as empresas de eletricidade: nenhuma delas tem a coragem, hoje, de dizer o que nós podemos ligar ou não nas tomadas. Fazemos o que queremos. Num passado distante, até que tentaram. Mas não deu, como não vai dar, no longo prazo, para as empresas de telecom.

O mesmo acontece com as redes de TV a cabo: apesar de ter alguma escolha dos canais que posso assistir, não tenho (pelo menos aqui em Recife) nenhum canal de Angola ou Senegal. Por quê? O distribuidor controla os sinais (digitais) entram em sua rede… de tal forma que só posso escolher entre os canais que já pré-escolhidos. Haveria uma grande audiência para uma TV do Senegal no Brasil? Provavelmente não. Mas se o mundo fosse mesmo convergente — e não confuso como os operadores o tornam –, um pequeno número de espectadores, poucos milhares, tornariam lucrativo ver o Senegal, via IP, no Brasil.

Olhando para as atuais infra-estruturas e serviços (teles e outros) de entrega de aplicações (de telefone a TV e internet) em nossas casas e empresas, não só cada ator que fazer tudo, mas quer, também, controlar tudo e, especialmente o que, como e quando o usuário vê, ouve ou tem acesso. O mesmo pode acabar acontecendo com TV digital, dependendo do caminho que escolhermos: os “operadores” de TV digital, os canais, podem querem ter o mesmo grau de controle que, hoje, as teles e os operadores de cabo têm, ou gostariam de ter, sobre seus espectadores.

É bom lembrar, e saber, que os espectadores, clientes e usuários estão fugindo das infra-estruturas e serviços fechados para sistemas abertos, onde podem definir, escolher e usar o que querem e bem entendem. As experiências que os usuários querem ter os incluem não só como atores, mas, muitas vezes, como diretores e até como construtores de seus serviços. Foi assim que surgiram Skype, YouTube, blogs e as muitas redes sociais que, hoje, ameaçam a mídia clássica e as velhas redes de telecomunicações.

Pode ser que a confusão digital continue ainda por muito tempo. Mas ela não há de durar para sempre. Mais hora, menos hora, teremos um mundo convergente sobre a mesma plataforma de computação, comunicação e controle, estruturada em termos de infra-estrutura, serviços e aplicações que podem ser usadas como, quando e por quem queira, sem interferência de “programadores centrais”. Se as teles algum dia pensaram que poderiam ser redes de TVs e vice-versa, cada um e todos controlando os usuários de suas “convergências”, parece que não vai dar.

Se alguém vai programar o futuro do usuário-espectador, é ele mesmo. E cada operador vai achar, breve, seu novo lugar na convergência de negócios que será criada pela convergência tecnológica. Afinal, confusão não é um bom negócio para ninguém.

Blogs que citam este Post

21.11.08

a balança dos eletrônicos [de novo]

Tags:, , , , - srlm às 12:57

em junho passado este blog publicou um texto sobre a importação e exportação de eletrônicos, onde se dizia que… o déficit da balança de eletrônicos, até maio deste ano, já está 61% maior do que no mesmo período no ano passado [que foi, por sua vez, 41% maior que 2006, comparando ano a ano]. estima-se que o rombo passe dos US$20B em 2009, resultado de um mercado interno que compra cada vez mais PCs, laptops, celulares e tudo que tem, dentro, componentes, partes e peças que importamos a granel da ásia, combinado com uma muita dificuldade de exportar o que é produzido aqui, por causa do que se convencionou chamar de “custo brasil”, que agora inclui um real tão valorizado como há uma década. 

de lá pra cá, o real se desvalorizou muito, o que deveria ser parte das boas notícias para o setor, mas não é: dólar mais caro significa insumos mais caros, principalmente componentes eletrônicos importados majoritariamente da ásia para o brasil, o que, como mostramos em outro texto, acaba complicando o cenário para os fabricantes nacionais de eletro-eletrônicos.

ss-20081121114513.pngpois bem. a abinee acaba de publicar os resultados da balança comercial até setembro [ou seja, até o começo da "crise"] e a situação piorou um pouco. nos primeiros nove meses do ano, o déficit de eletro-eletrônicos está 65% maior do que no ano passado, como mostra a figura deste parágrafo. segundo a associação da indústria eletro-eletrônica… No acumulado de janeiro a setembro de 2008, o déficit comercial de produtos eletroeletrônicos foi de US$ 17,22 bilhões, 65% acima do ocorrido no mesmo período do ano passado (US$ 10,44 bilhões). Este total é resultado de exportações de US$ 7,53 bilhões e importações de US$ 24,75 bilhões …este saldo negativo é recorde histórico, e o resultado acumulado nos nove primeiros meses deste ano foi superior ao total acumulado nos 12 meses dos anos anteriores. Vale lembrar que, no ano todo de 2007, o déficit atingiu US$ 14,75 bilhões.

a abinee ainda deixa claro que… neste período ainda não foram contabilizados os efeitos que podem ocorrer em função da crise mundial. Portanto, por enquanto, permanece a previsão de o setor encerrar este ano com saldo negativo de US$ 20,6 bilhões, resultado de exportações de US$ 9,3 bilhões e importações de US$ 29,9 bilhões.

por um lado, a notícia é boa: como o país está crescendo e qualquer parte da infra-estrutura de qualquer país depende de eletrônica e informática, estamos investindo massivamente no que deveríamos estar investindo, inclusive do ponto de vista pessoal, com um monte de empresas [e pessoas] comprando, por exemplo, seu primeiro PC.

por outro, talvez se deva notar que o setor industrial de informática, no país, não é competitivo internacionalmente, o que significa que temos em voga, ainda, uma política industrial de substituição das importações. importamos componentes e fabricamos equipamentos [PCs, celulares...] para suprir o mercado nacional, com uma pequena parcela de exportações para, principalmente, o mercado latino-americano [60% dos US$1.7B exportados em celulares foram para argentina e venezuela].

resumo da ópera? espera-se que o déficit da balança comercial esteja sendo pago pelo aumento da produtividade dos negócios e das pessoas, como já está demonstrado que é o caso da introdução massiva de informática na economia. mas isso vai acontecer mesmo é no longo prazo. no curto prazo, aqui e agora, o buraco da balança comercial de eletrônica está sendo coberto mesmo é pelo nosso sucesso nas commodities

Blogs que citam este Post

08.10.08

no brasil, crise chega aos PCs

Tags:, , , , , - srlm às 09:20

a crise que não ia chegar aqui, ou que ia ser só uma "marolinha", está aqui. e fungando no cangote de todo mundo. segundo a consultoria it Data, os PCs já ficaram 15% mais caros e, por causa da combinação de aumento de preços e juros, associadas à diminuição dos prazos de financiamento, as vendas já caíram 30%. desde o começo da crise financeira mundial, as ações da positivo informática, principal fabricante nacional, cairam mais de 50%.

o mercado brasileiro de PCs vinha tendo um crescimento excepcional, com vendas ao redor de 25 máquinas por minuto, o que ia dar perto de seis milhões de PCs vendidos no ano, até porque no natal as coisas se aceleram muito. agora, ninguém sabe ao certo o que pode acontecer. boa parte dos insumos é importada e em dólares, que saiu de perto de R$1.50 para bem mais de R$2. veja o drama no gráfico abaixo, cortesia de yahoo finance.

dollar-real-1yr.png

todo mundo com quem eu falei diz que o dólar vai voltar para perto de R$1.75, mas o grau de certeza, mesmo dos mais confiantes, está diminuindo. dependendo do que aconteça no mercado interno de PCs, quem pode diminuir, também, é o déficit da balança de eletrônicos, que andou acima de oito bilhões de dólares só no primeiro semestre [como o blog mostrou neste texto]. para tal, com preços mais altos nos insumos, teríamos que ver um quase colapso no mercado interno de PCs. deus nos livre desta "alternativa"…

mas o fato é que crises são grandes oportunidades. sempre. crises de muito grande porte, com esta, são oportunidades fantásticas. dólar alto, falta de crédito e investimentos, novos e importantes componentes e modelos de negócios, mais internet… estão mudando o modo de ver o mundo. e de fazê-lo funcionar. este blog citou o exemplo dos netbooks, pcs bem mais enxutos, que estavam se tornando uma febre no mundo rico como segundo ou terceiro pc de alguém. no nosso mundo, e servindo de mecanismo de acesso a serviços em rede, bem que poderão se tornar o primeiro [e único] sintonizador da internet nas casas de mais baixa renda. isso enquanto não tivermos 3g em escala universal e o acesso pessoal, à rede, através de uma nova geração de celulares do tipo android. e estas são apenas duas das possibilidades ao nosso redor.

ao invés de ficarmos paralisados pela crise, esperando o mundo se acabar, é hora de começar a antever -e portanto, construir- o que vai existir depois da crise. sem ignorar, como alguns queriam, que há uma grande crise ao redor e aqui. mas sabendo que ela vai passar. e vai haver mercado, problemas, oportunidades, trabalho, clientes, usuários, investimentos… do outro lado do que hoje parece, pra muita gente, um fim do mundo. empreendedorismo de verdade trata crise como oportunidade. sempre. a crise de nossos tempos é a oportunidade de nossos tempos.

Blogs que citam este Post

19.06.08

os PCs e a balança comercial

de acordo com pesquisa do idc, foram vendidos mais de 21 PCs por minuto no brasil durante o primeiro trimestre de 2008. isso dá quase 2.4 milhões de computadores pessoais nos três primeiros meses do ano, um aumento de quase 19% sobre período similar de 2007, que tinha sido considerado atípico [de tão bom].

segundo o idc, citado pela folha,  até 2010 o brasil alcançará o terceiro lugar em volume de vendas de PCs no mundo, atrás apenas de eua e china; pelas contas dos consultores, há cerca de 50 milhões de PCs funcionando no país, no momento.

e a balança comercial com isso? o déficit da balança de eletrônicos, até maio deste ano, jádecon141-import.gif está 61% maior do que no mesmo período no ano passado [que foi, por sua vez, 41% maior que 2006, comparando ano a ano]. estima-se que o rombo passe dos US$20B em 2009, resultado de um mercado interno que compra cada vez mais PCs, laptops, celulares e tudo que tem, dentro, componentes, partes e peças que importamos a granel da ásia, combinado com uma muita dificuldade de exportar o que é produzido aqui, por causa do que se convencionou chamar de “custo brasil”, que agora inclui um real tão valorizado como há uma década.

no passado, quando isso acontecia, fechava-se as fronteiras e se tratava de “substituir as importações”. à medida que o país se globaliza,decon142-deficit.gif o mercado [ou seja, todo mundo que não fabrica alguma coisa aqui, só para comércio local] quer os melhores produtos, pelos melhores preços, pouco importa de onde venham. até porque nosso argumento para vender [por exemplo] etanol nos estados unidos é menos barreiras na fronteira e menos subsídios dentro delas. se saímos com etanol, onde somos muito competitivos, os outros vão querer entrar com os produtos onde são muito competitivos. simples assim. antigamente, até que dava para pensar em ser competitivo em tudo. no mundo globalizado e conectado, onde a antiga brahma vai acabar comprando a cerveja símbolo dos eua, só burma e a coréia do norte acham que estão isoladas. por pouco tempo mais.

vamos ter que tomar e implementar decisões sérias de política industrial muito em breve, em muitas áreas. uma delas vai ser a de fabricação de commodities eletrônicas [PCs, laptops, celulares, câmeras, pods...] de baixo peso e alto valor agregado, onde o custo do transporte é irrelevante. ou se cria, aqui, condições para fazermos mais coisas pro brasil e outras partes do mundo ou acabaremos importando tudo pronto, até porque vai ficar, ao fim das contas, mais barato.

Blogs que citam este Post

01.06.08

reflexos da crise: small PCs

Tags:, , , - srlm às 13:50

por mais que se queira imaginar que não há um refluxo na economia mundial, a confiança decrescente dos consumidores americanos tem reflexos globais. na computex, feira de informática de taipei e segunda maior do mundo, a lista de compras dos grandes importadores tinha computadores bem pequenos, mais eficientes e os ultra-portáteis [como o mobo, da positivo] no topo.

orçamentos mais apertados, vez por outra, são bons para todos. no brasil, lá na primeira grande crise do petróleo, a falta de recursos para óleo foi o motor do carro a álcool, depois flex, e dos 1.0, o que botou o país na linha de frente da economia de combustível. agora, o aperto nas contas americanas vai levar à busca de um novo tipo de consumidor, lá, e de novos mercados, nas economias emergentes.

mobo-positvo.jpg

falando nisso, indústria e governo precisam redesenhar a estrutura de custos do brasil pra incluir mais gente no mercado e trazer os preços brasileiros pra realidade mundial. o asus eepc básico, que é a referência dos ultra-portáteis baratos, custa cerca de 500 reais no mercado mundial e sai pelo dobro no brasil [mesmo preço do mobo]. como a gente, por aqui, ganha bem menos do que nos estados unidos e europa, não pagamos o dobro, mas várias vezes mais…

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol