Terra Magazine

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

a transformação em rede

a data era janeiro de 2008 e o autor, jeff zucker, então CEO da NBC, um dos maiores conglomerados de mídia dos EUA. a frase, dita numa conferência de executivos de TV, era…

"Our challenge with all these ventures is to effectively monetize them so that we do not end up trading analog dollars for digital pennies,”

o grande desafio de todos estes novos negócios [de mídia, em rede] é monetizá-los de forma a não trocar dólares analógicos por centavos digitais. cinco dias antes de ser demitido, em 2010, zucker dizia que a situação tinha melhorado e que, ao invés de "pennies" [centavos], os negócios de mídia estavam em "dimes", a moedinha americana de dez centavos.

fora da mídia clássica, muitos lêem a frase como "a revolução das redes é o processo de transformação de dólares analógicos em centavos digitais". veja música, por exemplo. no mercado analógico americano, um álbum [já em CD, digital, mas não em rede..] custava US$15.99, em média. uma música, em rede, custa US$0.99, também em média. e pouca gente hoje, compra um álbum inteiro. e o negócio de música digital, em rede, cresceu 8% só no ano passado. e as assinaturas de serviços de música online cresceram mais de 60%. em música, o digital em rede já representa 32% do mercado global, segundo o digital music report 2012. ao se redesenhar, provendo mais acesso, mais barato, mais simples, o mercado analógico de música realmente caiu [primeiro] de dólares para centavos, está subindo para "dimes" por transação e os volumes começam a ser recuperados, lentamente, no mercado em rede.

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o gráfico acima mostra o gasto per capita em música, desde 1973. vinil teve seu pico em 1977 e sofreu o impacto do cassettte a partir daí e, na década de 1980, dos CDs. estes, digitais em conteúdo mas analógicos na forma, cresceram até o começo da internet, no fim da década de 90. sem modelos que incluíssem o consumidor digital, a indústria levou anos até começar a capturar algum valor a partir da rede mas, como dito acima, 32% de suas receitas já vêm de lá. pena que o gráfico só vai até 2009. mesmo assim, clique aqui para ver outros, muito legais, sobre a indústria de música até 2009 e veja aqui como se comportou o mercado americano em 2011.

mas música, aqui, é apenas um pretexto pra falar do que poderia se chamar "a maldição de zucker": que indústrias [ou mercados, produtos, serviços, tecnologias, modelos de negócio...] estão prontas para serem postas de cabeça pra baixo por uma transformação em rede, fazendo com que seus reais analógicos virem centavos digitais?…

a resposta abaixo é exploratória e merece reparos muitos. é apenas uma primeira tentativa de explicitar as principais razões que vão levar negócios que parecem bem estabelecidos a mudar –ou mesmo desaparecer- em pouco tempo. em alguns casos, uma das alternativas basta para afetar todo um mercado. noutros, mais de uma. em certos mercados, e possível que a mudança só ocorra se todas as [e mais...] razões estiverem presentes ao mesmo tempo [ou com o tempo]. leia, reflita, comente, mude. por trás das palavras-chave em negrito, abaixo, estão muitas das razões que vão levar a inovações radicais no futuro próximo, em quase todos os mercados.

um mercado está sujeito à maldição de zucker quando é possível promover novos níveis de virtualização graças a [novos] usos de [novas]tecnologias, métodos e processos digitais e de conectividade; quando há problemas de acesso e entrega [de produtos e serviços] que podem ser resolvidos em rede; quando é possível agregar mais informação e sua disseminação a produtos e serviços, criando as bases para que o ciclo SFO [S para "search", buscar; F para "find", encontrar e O para "obtain", obter] funcione em rede; onde é possível digitalizar o mercado em rede, no todo ou parte, para que novos valores sejam gerados, transformados, agregados e capturados por produtores, intermediários e consumidores [estas são situações onde é possível, em rede, alterar ou influir no DNA do valor]; onde é possível redefinir o mercado em termos de redes e seus efeitos, reposicionando agentes nas cadeias de valor, de tal forma que a conectividade resultante promova muitos níveis de interação entre consumidores [fluxos P2P], facilitando transações diretas e criando comunidades capazes de [em tese] promover acesso universal aos produtos e serviços do mercado em consideração.

como foi dito, a resposta é exploratória e incompleta. mas, vai ver, alguém parte dela e escreve uma mais definitiva. tomara. enquanto isso, é a que eu vou usar para analisar alguns cenários que já mudaram e outros que acho que estão para mudar. nos primeiros, música e vídeo certamente passam pelo crivo. nos segundos, será que a definição se aplica, em larga escala, para os serviços financeiros e educacionais. qualquer dia a gente volta ao assunto, aqui. inté.

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

educação empreendedora: 6

este post é parte de uma série sobre educação empreendedora, derivado de uma palestra dada no sebrae nacional, em brasilia, no 27 de janeiro passado. pode até ser que você entenda o texto que se segue sem ler os posts anteriores; mas os textos foram escritos como se fossem uma palestra, uma conversa, o que significa que há uma sequência, começo meio e, espero, um fim, uma conclusão que faça sentido.

o primeiro post da série está neste link… passe por lá, até para entender o preâmbulo e contexto desta conversa.

nesta série, antes deste texto: 1, 2, 3, 4, 5; depois, nenhum, ainda. simbora.

. : . : . : .

no texto anterior desta série, falamos de negócios; em particular, tentamos definir um negócio usando uma trinca de expressões de david neeleman, o que nos dá, ao fim, uma definição bem simples do que é um negócio: clientes e colaboradores, mediados por atendimento. em cima disso, dissemos que a complexidade da demanda dos clientes e usuários deve ser atendida por performances simples, que um bom negócio, na economia do conhecimento, é uma comunidade que compartilha propósitos, e não um produto qualquer e que tais comunidades só serão bem atendidas [e o negócio só será sustentável] se nosso negócio funcionar como um startup, conjunção de trabalho e pessoas, times coesos resolvendo problemas.

negócios são feitos de empreendedores; não saem de um vácuo qualquer…  e tampouco são criados a partir de esforços de governo, de cima para baixo. o problema é que vez por outra a máquina estatal de incentivo à inovação [criar um negócio é, em si, um ato inovador...] e seus burocratas passa a achar que um certo nível de "criacionismo" vai resultar em clusters ou sistemas locais de inovação sustentáveis… o que nunca acontece na prática, mesmo quando se tem a qualidade da máquina pública e a quantidade de investimento do japão, como mostra este exemplo.

claro que os nossos…

…vão acontecer em muito maior quantidade, qualidade, performance e sustentabilidade se houver políticas públicas verdadeiras, de qualidade e longo prazo, que os fomentem. mas, por trás de cada um destes negócios tem que haver um…

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capaz de responder, na prática e no exercício do negócio, no tempo em que as coisas acontecem [e não depois... com "se eu soubesse... teria feito isso, aquilo..."] a um conjunto de perguntas [que reescrevi a partir de um texto de martin zwilling] que não é, de maneira alguma, de fácil resposta e implementação prática.

já dissemos que, nos mercados em rede, sua empresa é uma rede; dentro do negócio e fora dele. e que o negócio inteiro é centrado em execução, também feita por gente… e que a base do negócio é ter um grupo de colaboradores satisfeitos, sem o que será impossível ter clientes satisfeitos.

isso torna a primeira pergunta quase óbvia: será que nosso candidato a empreendedor de sucesso consegue…

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como não deve ser difícil de imaginar, escolher as competências e pessoas certas para o time que vai criar um negócio não é trivial. depois de dezenas de negócios que vi surgirem no c.e.s.a.r e porto digital, passei a ter a certeza de que esta é a parte mais crítica de todo o negócio. antes, durante e depois de seu processo de criação. o principal papel de um líder de um novo negócio é montar e liderar um time, sem que isso torne o "dono" ou manda-chuva do empreendimento nascente.

liderar não é mandar, não é criar estruturas. liderar é, cada vez mais, criar redes; redes de entendimento e propósito, de integridade e confiança, de determinação, dedicação e capacidade de execução.

e a tal "montagem do time vencedor" é negligenciada pelos jovens empreendedores a ponto de vermos, o tempo todo, times onde todas as competências, de todos os envolvidos na partida do negócio, são iguais. pior: vez por outra são grupos a maior parte das conversas difíceis ["não, não é você que vai fazer isso porque você não é o cara para isso"...] foram evitadas… em nome da amizade e convivência..

em negócios de tecnologia de informação, tipicamente, o grupo é um conjunto de nerds [amigos] que não faz idéia do que é mercado, clientes, usuários, formação de preços, investimento, e por aí vai. e olhe que não estou nem levando em conta se o time inicial tem alguém minimamente competente para gerir pessoas e seus conflitos, algo que não é incomum no processo de criação de negócios, dadas as condições e tensões dentro das quais todos vão viver por muito tempo.

o time vencedor, num novo negócio, é uma mistura equilibrada de todas as competências que são essenciais para dar partida no empreendimento. claro que você não precisa começar com um CEO, um CTO, um CFO e um CLO [não sabe nem o que é isso? veja aqui]… mas pense seriamente em ter no time alguém que vai liderar a construção da oferta do seu negócio, outro alguém que vai entender tudo do mercado associado e trazer clientes e usuários e um[a] carinha que põe a mão na massa de forma radical e entende tudo do que está por trás da cadeia de valor da construção e entrega de seu produto ou serviço, se possível em escala global, pra tomar decisões sobre o que, como, com quem e onde fazer e saber explicar, sempre que necessário porque fazer do jeito que está sendo ou foi feito.

o "time vencedor" inicial não deve ter menos de duas pessoas. não converso mais [sobre propostas de negócios] com candidatos a empreendedor que me chegam sozinhos, e eu sou o primeiro cara com quem eles querem falar… sem nunca tiveram uma conversa comigo até então. pense bem: se você acha que consegue montar um negócio da china [hoje, literalmente...] e não consegue convencer seus dois melhores amigos e [ou] colegas de trabalho [pelo menos um, em último caso] da sua proposição… por que você me convenceria ou, de outra forma, a qualquer outro analista, consultor, investidor, cliente ou consumidor?…

negócios existem no mercado, mercados são conversações conduzidas por vozes humanas. converse, converse, e… depois que tiver conversado tudo o que tinha que conversar, converse o dobro disso, até ter alguma certeza de que sua proposta de negócios para em pé.

o "time vencedor" é uma rede social, um conjunto de interações humanas que tem um processo de construção, evolução e manutenção próprios e onde você, que lidera o empreendimento, vai ter que tomar decisões complexas, como tirar alguém do time no meio do processo. ou no começo, às vezes. ao contrário do que pode parecer, trata-se de um evento muito comum que, quando não tratado no devido tempo e com a firmeza e delicadeza exigidas, quase sempre põe todo o esforço a perder.

já vi times muito bons se perderem porque um dos "sócios" resolveu que o papel dele era, digamos, observar o trabalho dos outros, talvez porque se achasse mais "sênior"… quando na verdade não passava de um menino. pois é. montar um "time vencedor" não é nada simples e, como se não bastasse, trata-se da principal atividade do negócio, para sempre. mesmo que você tenha o tal time vencedor no começo, nada garante que, se ele não for dedidamente mantido, incentivado, redesenhado, reeducado, reorientado, seu negócio ainda vai estar no ar, digamos, mil dias depois da partida.

aqui no brasil, 22% das micro e pequenas empresas morrem antes de completar três anos de vida, segundo os últimos dados oficiais. nos EUA, só 44% das empresas completa quatro anos; qual a porcentagem dos novos negócios brasileiros que completa quatro anos?… que percentagem está andando de banda, como caranguejo, aos quatro anos? o "instituto dataMeira" acha que menos de 25% das novas empresas continuam sendo um bom negócio depois de quatro anos. e que a taxa de fechamento de empresas no brasil é menor que nos EUA porque somos mais afeitos a baixas performances aqui e, como se não bastasse, é muito difícil fechar uma empresa no brasil. e tenho quase certeza de que, se a gente for olhar de perto, a causa mortis principal [excluídas as razões contextuais] é a inadequação do time para o negócio.

resumindo: sua empresa, ou proposta de uma, tem que ser tratada como um time; um time coeso, feito de trabalho e pessoas, criando, descobrindo e resolvendo problemas. nunca, jamais escolha seus parceiros e parceiras de aventura empreendedora [só] porque gosta delas. se for assim, o negócio muito provavelmente vai dar errado e, no correr do tempo, você quase certamente destruirá seu círculo de amizades. a isso, é preferível ficar com os amigos, que são coisa preciosa, pra se guardar, e deixar este negócio de empresa prá lá…

amanhã, neste mesmo canal, passamos pra segunda pergunta que você tem que responder: será que você –e seu time- consegue…

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qual? como? pra quem? por quanto? …? …?

pense nas perguntas a fazer sobre esta pergunta. amanhã voltamos ao assunto. até lá…

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

empresa "teia"? como assim? [final]

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este blog publicou ontem o primeiro texto sobre um tipo radicalmente novo de empresa que está sendo prototipado no brasil, um negócio completamente em rede, sem centro, sem sede, sem dono… um treco tão diferente que vale a pena um conjunto de explicações e reflexões sobre novos modos de empreender e trabalhar. oswaldo oliveira [que ganhou o codinome O2 aqui no blog], um dos líderes do processo de criação da empresa teia, começou a conversa neste texto e terminamos o assunto, temporariamente, hoje.

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digo temporariamente porque o trabalho em rede estará mudando tanto, nas duas próximas décadas, que voltaremos muitas vezes para esta conversa. por enquanto, abaixo, o resto da conversa com oswaldo oliveira, O2:

SM: como a empresa teia gera valor? como captura valor?

O2: Mesmo sendo apenas um dos nós da rede a Empresa Teia gera valor para os atores da rede multiplicando os poucos caminhos de desenvolvimento sustentável que eles conheciam antes por fazer parte de processos hierárquicos e centralizados que se caracterizam pela escassez de caminhos. Em uma organização distribuída, em rede, cada conexão (pessoa, empresa ou instituição) é uma nova possibilidade para a malha toda. E isto é exponencial pois cada um que entra é atraído pelo que já está lá e ao entrar adensa a malha que fica mais atraente para quem não tinha entrado ainda e por ai vai….

SM:  já há casos e/ou exemplos onde se pode ver a empresa teia competindo com empresas, digamos, "normais"?

O2: Não diria nem competindo, nem “normais”. Não é para ser político não, mas é que o entendimento comum sobre o que significam estas palavras não batem com o que vemos no dia a dia em rede. Primeiro porque trabalhando em rede a multiplicidade de caminhos é tão gigantesca e abundante que até acontecem embates entre concorrentes no primeiro momento mas depois a coisa tende mais para a coopetição. Mas para não parecer que fugimos da resposta, olhando pela ótica tradicional, já existem sim vários casos de “vitória” de atores que estão conectados à Empresa Teia sobre atores que não estão. Quanto ao segundo termo, alguém já disse: de perto, ninguém é normal!…

SM:  você acha que é possível criar "teias" eficazes e eficientes para que mercados? quais seriam as dificuldades fundamentais?

O2: A TEIA é a rede. A rede é a sociedade. A sociedade é para todo mundo e todo mundo é a sociedade. Portanto, por definição, esta iniciativa tem que atender a qualquer um. As dificuldades são culturais. Não é comum encontrar quem entenda as diferenças entre a sociedade do conhecimento e a sociedade industrial sem fazer comparações ou juízo de valor. Normalmente as pessoas ficam inseguras em função do desconhecido. Na verdade, a inovação é um processo muito duro e difícil e gera inseguranças enormes. Isto atrasa a entrada das pessoas em um mundo que se reorganiza em rede numa velocidade exponencial e pode significar um  grande risco de exclusão econômica no futuro. É aí que atuamos. tentando dar a segurança que as pessoas precisam para seguir adiante.

SM: como poderíamos fomentar mais "empresas teia"?

O2: Bom, depende. Nós quem cara pálida? Do ponto de vista do desenvolvimento sustentável seria um grande avanço se os gestores públicos começassem a fomentar a criação de redes pela sociedade em vez de querer colocar a sociedade dentro de suas redes. A experiência do TEIA em Minas Gerais deveria ser melhor compreendida por outras instâncias de governo no próprio estado e também em outros estados. O mais difícil já foi feito por lá, pois o investimento foi amortizado e o conhecimento adquirido é público. Quanto a outras instâncias da sociedade que não o governo é necessário investir no entendimento do que são redes, suas características distribuídas e os impactos disto em seus objetivos. Qualquer empresa pode se tornar uma empresa Teia, ou seja, uma empresa que é uma rede.

SM: da sua experiência até aqui, o que você recomendaria para outros empreendedores que pensassem em criar uma empresa como a teia?…

O2: 3 coisas: 1. Comece já; 2. Comece já e… 3. Comece já. E não tenha medo do erro. Não é filosofia de vida. É matemática. Na sociedade industrial desenvolveu-se um preconceito contra o erro pois ele custava muito caro. Da forma como as coisas eram feitas a mobilização de recursos humanos, tecnológicos e financeiros para se iniciar qualquer empreendimento eram muito grandes e portanto qualquer erro detectado tinha que ser corrigido a um custo muito grande. Na sociedade do conhecimento o erro não tem custo (ou tem custo muito mais baixo do que na economia industrial) e, sendo assim, se torna matéria prima do aprendizado que é o verdadeiro ativo do processo. Não existem barreiras de entrada e errando é que se constrói o patrimônio… que é o conhecimento. Portanto comece ontem e não tenha medo de errar.

SM: como você compara a empresa teia com negócios como zooppa.com e rentacoder.com? elas são especializações da "teia" ou nem isso dá pra dizer?

O2: Sim, apesar de achar que o termo não é exatamente este concordo com a idéia de especializações da "teia". São comunidades de especialistas  trabalhando (crowdsourcing) em rede globalmente, não são? Tanto os profissionais quanto empresas e instituições que estão nas redes que conectamos ainda não desenvolveram o hábito de se relacionar desta maneira. Também aqueles que já são iniciados não conseguem acompanhar a evolução quantitativa e qualitativa destes serviços e suas possibilidades. Me passaram a imagem abaixo outro dia. É uma tentativa de conseguir visualizar de forma categorizada as opções de crowdsourcing no mundo. Este monte de informação é só o início do projeto. [ao leitor: clique na imagem para ver com maior resolução].

CrowdsourcingLandscape_v1

Agora olha que legal a imagem abaixo:

jequiteia

É uma iniciativa espontânea de jovens ligados à teia do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Levam conhecimento sobre ferramentas, processos e culturas da sociedade do conhecimento para localidades remotas no norte do estado. Fazem isto ajudando as pessoas a montar redes locais (veja algumas neste mapa). A empresa Teia os apóia neste desafio e as redes que nascem vão sendo conectadas na malha. Aí aparece a oportunidade de conectar estas redes a mecanismos de crowdsourcing já existentes no mundo todo e desta forma criamos novas possibilidades nas relações de trabalho desta comunidade.Fazemos esta conexão de várias formas. Uma delas é o ROTEIA (www.roteia.com.br) que permite que a evolução destes contatos tenha cara de chamados em um helpdesk e, em função da nossa mediação (e não intermediação), as diferenças de cultura, língua e conhecimento são atenuadas e aí a coisa anda para todo mundo.

SM: que outros casos nacionais e mundiais perecidos com a "teia" você citaria?…

O2: Infelizmente não conheço. Não fiz nenhuma pesquisa estruturada mas temos contato cotidiano com vários players globais e todos se mostram surpresos com a nossa forma de trabalhar e comentam que não conheciam nada assim. Falo com a maior humildade do mundo e sem achar que isto seja vantagem. Não é bom ser o único em nada.Se tivéssemos outros atuando desta forma, o nosso negócio seria potencializado com mais conexões e poderíamos ser mais úteis ainda para os nossos clientes. Na vida em rede pra valer a visão sobre concorrência é outra. Acho que isto é assim porque o entendimento sobre redes, fluxos e modelos de negócio atrelados a eles ainda não estão totalmente absorvidos. A boa notícia é que avança aceleradamente.

agora, pense: que partes de sua empresa, ou da empresa em que você trabalha poderiam se tornar "teias"? agora, dentro de 5, 10, 15 anos? como? com quem? pra quem? e, talvez mais importante, por que?…

pra ajudar na reflexão, pense que o inglês network pode significar rede, as redes das quais dependem a empresa teia para funcionar, ela própria, como uma rede. mas, tanto quanto, network quer dizer trabalho em rede ou, na forma net work, significa trabalho líquido, o resultado do trabalho depois que tiramos tudo o que foi feito pra realizar as funções que entregamos, na ponta, como resultado. 

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

empresa "teia"? como assim? [1]

Tags:, , , , , - srlm às 08:00

oswaldo oliveira [daqui pra frente, O2] está há tempos no negócio de redes sociais, das reais inclusive. O2 estava no peabirus desde 2006 e foi coordenador do projeto TEIA [tecnologia, empreendedorismo e inovação aplicados] em minas gerais, cujo objetivo era ser…

…uma rede de prestadores de serviços e de conhecimento que, usando ferramentas e aplicativos da Web 2.0, auxiliam empresas, escolas, associações, sindicatos, departamentos governamentais e todos os participantes das comunidades locais, a trabalharem seus projetos na internet, com o objetivo de promover a inovação nos processos econômicos, políticos e sociais.

se tudo é software e todo o software está em rede ou indo pra lá, o projeto TEIA tinha a clara intenção de ser uma rede de agentes que cooperavam para criar condições para comunidades locais, normalmente remotas e desassistidas, participarem da web 2.0 [e, diria eu, 3.0] como instituições de primeira classe.

pois bem. O2 resolveu oxigenar o ambiente de negócios do país propondo a primeira empresa totalmente em rede, totalmente distribuída do país e, seguramente, uma das primeiras do planeta. de acordo com uma classificação que fizemos aqui no blog, a empresa teia é um exemplo de competências e capacidades estratégicas em redes sociais de e para negócios, como uma tentativa de fazer uma empresa no nível mais alto de sofisticação em rede, ou seja…

nove: a empresa –ou empreendimento- é uma rede social de fato; toda a conversa [corporativa] é viral e os processos de negócio, internos e externos, são realizados em comunidades das mais diversas redes sociais, inclusive e principalmente a sua.

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antes de descrever este nível, o texto do blog avisa que isso só deve ser tentado se… "você passou por um estágio de transformação real de seu negócio em uma rede onde tudo o que pode e deve ser aberto e colaborativo o é". O2 e seus parceiros da empresa teia sabem muito do assunto e já passaram por um tanto de coisas e aprenderam muito no caminho. a seguir, a primeira parte de sua entrevista para o blog.

silvio m.: o que é, o que faz e como funciona a empresa teia?

oswaldo oliveira: A empresa teia é uma infra estrutura completa para quem quer desenvolver um projeto em rede. Tem como missão oferecer soluções que viabilizem a evolução sustentável de quem quer articular, fazer negócios ou trabalhar em rede. Conecta pessoas, instituições e empresas que querem se integrar nos fluxos da sociedade em rede independentemente do nível de maturidade em que estão. Faz isto utilizando  ferramentas, serviços, processos, ambientes e conexões disponíveis na nuvem computacional da internet.

SM: qual foi a sua motivação para empreender este conceito?

O2: Nos últimos 10 anos, trabalhamos com projetos compartilhados e contribuídos na internet. Fomos evoluindo em conjunto com a rede e amadurecendo o entendimento de que além de compartilhada e contribuída a internet é, principalmente, distribuída. Em função disto -e no melhor estilo darwiniano -nos adaptamos. Nossa última atuação como empresa “tradicional” foi a implantação do projeto TEIA MG - Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados para a  SECTES - Secretaria de Ciência, Tecnologia, e Ensino Superior do governo do estado de Minas Gerais.

O objeto do contrato era o de criar uma rede que massificasse os conceitos da sociedade em rede como uma das estratégias para criar um ambiente favorável à inovação em Minas. Além disto, este projeto tinha que atingir a auto sustentabilidade. Os contratantes entendiam que o projeto só tem sentido, pelos próprios conceitos que tenta multiplicar, se conseguir gerar a sua própria receita independentemente de novos aportes de recursos públicos. Conseguimos atingir este objetivo com aproximadamente 18 meses de projeto (em abril de 2010). Depois de ter conseguido isto achamos que tínhamos amadurecido o suficiente para criar uma empresa que fosse 100% em rede, ou seja, totalmente distribuída, sem hierarquias, sem dono, sem centro. 

SM: como as pessoas participam? como se remuneram?

O2: Na verdade, não é bem participar. É mais se conectar. Em geral, existem 3 tipos de interessados em torno de uma rede:

A. Os articuladores: Percebem a existência de uma rede social (pessoas interagindo por afinidade) mesmo sem estarem visíveis em alguma ferramenta de mídia social. Detectam aí uma oportunidade de acelerar seus  objetivos sejam eles quais forem: Empresariais, Educacionais, Artísticos, Políticos, etc. Querem “empreender uma rede” mas esbarram em obstáculos vários. Principalmente de conhecimento e de financiamento do empreendimento. A Empresa Teia quebra esta inércia conectando-os a redes que já existem, mostrando como começar sem colocar dinheiro, como  adquirir massa crítica daí para frente, como  achar e mobilizar pessoas para trabalhar junto e como gerar receita no empreendimento.

B. Os fornecedores: Em geral são empresas (mas podem ser pessoas e instituições também) que tem produtos e serviços que são de interesse dos membros de uma ou mais redes. Normalmente enxergam as pessoas somente como público alvo e não como comunidade. Em função disto querem desenvolver ações de comunicação (publicidade) que é o que se acostumaram a fazer no modelo broadcast da sociedade industrial. A Empresa Teia auxilia-os a perceber a comunidade e a se integrar no dia a dia dela, entendendo-a, atendendo-a e desenvolvendo-se junto ela.

C. Os trabalhadores: São pessoas de todas os tipos. De todas as origens, idades, sexo, cor e religião. Só tem uma coisa em comum: a vontade de não trabalhar em organizações tradicionais que os aprisiona pela padronização. Querem aprender coisas novas todo dia. Querem interagir com pessoas no mundo inteiro. Intuem que agora, com a internet, existem alternativas ao modelo da sociedade industrial para o seu desenvolvimento profissional e querem se integrar a isto. Querem ganhar dinheiro mas também querem ser livres. Querem liberdade sustentável! A Empresa Teia os ajuda a viabilizar esta intuição conectando-os a empreendimentos que estão sendo desenvolvidos em rede.

amanhã vamos descobrir como a empresa teia gera e captura valor, se ela se sente competindo com alguém e com quem se compara no cenário de negócios. até lá. enquanto isso, pense: você trabalharia numa empresa totalmente distribuída, sem hierarquias, sem dono, sem centro?

 

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sábado, 2 de outubro de 2010

se eu fosse candidato…

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minha plataforma seria muito simples, e trataria do papel do governo na sociedade. governar não é complicado; é complexo [veja a diferença aqui]e isso, na maioria dos casos, exige propostas que sejam resumidas de forma muito básica, elementar. talvez sejam difíceis de executar, mas devem ser mostradas e explicadas de forma absolutamente elementar.

minha plataforma de governo teria três pontos, apenas: 1. educar gente; 2. criar oportunidades e 3. sair da frente.

sair da frente não quer dizer deixar tudo ao léu [além de 1 e 2]; envolve regulação em mercados críticos, por exemplo, até por causa de dos itens 1 e 2 da proposta. mas olhe ao redor e veja que em quase todo lugar onde o governo –qualquer tipo de governo- tenta fazer bem mais do que estes tres fundamentos, a ineficácia e ineficiência tomam conta do pedaço e pode levar décadas, ou séculos, para que o lugar ache um rumo de novo. os exemplos estão por aí e são muitos.

ano passado, em novembro, participei do TEDxSP e dei um “talk”, como são chamadas as curtas [15 minutos] palestras do TED sobre o primeiro ponto da agenda. o vídeo da palestra acaba de ser publicado e você pode dar uma olhada clicando na imagem logo abaixo. com tantas eleições neste fim de semana, resolvi republicar aqui no blog. vai ver, um ou outro candidato acha que educação é importante e pode até ser que o meu “talk” ajude.

TEDxSP 2009 - Silvio Meira from TEDxSP on Vimeo.

em tempo: não sou [nem serei] candidato a nada, em lugar ou governo nenhum. mas sempre achei que devemos [todos] ajudar a construir políticas públicas, pois que são para todos, pagas pelos impostos de todos, resultado de escolhas políticas e estratégicas de quem está no poder. historicamente, as evidências mostram que se nós não influimos no processo, e de forma bastante objetiva e direta, não dá para esperar que o resultado seja o que nós iríamos querer que fosse… ou não?

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domingo, 22 de agosto de 2010

neutralidade em cheque

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desde o começo da internet, um dos princípios fundamentais da rede tem sido o de tratar todo tipo de tráfego do mesmo jeito, com a mesma prioridade. além de garantir que todos os usuários, a qualquer tempo e sem ter que pagar mais por isso, podem [realmente] usar a rede para o que quiserem e entenderem, desde transmitir o gato dormindo na sala até compartilhar seus sistemas de arquivos usando protocolos p2p.

lá na ponta da tecnologia, neutralidade de rede significa que os pacotes de dados que fazem parte de uma transferência de arquivo qualquer teriam que ser processados pelos múltiplos pontos de rede entre a origem e o destino da mesma forma que pacotes que correspondam, por exemplo, a uma video conferência ou a uma transmissão de rádio pela rede.

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o conflito é óbvio: tem um monte de gente querendo ver vídeo [51% do tráfego da rede, hoje] outro tanto querendo “trabalhar”, provedores de conteúdo que são provedores, também, de infraestrutura… e que em alguns casos podem ser tentados a dar prioridade a “seu” conteúdo na “sua” infra, sem falar nas empresas de conectividade móvel [as antigas “teles móveis”…] que dizem a torto e direito, para quem quiser ouvir, que a infraestrutura de conexões móveis “não pode” ser usada da mesma forma que a fixa, porque não foi pensada para isso… e tal e coisa.

só que, no brasil, mais da metade de todos os acessos a banda larga é… móvel, segundo dados da consultoria teleco. e isso em tempos que google, antigo bastião da neutralidade, começa a defender a ideia de “serviços diferenciados” na rede móvel, que nada mais são do que fazer mais e melhor para quem paga mais e melhor rentabiliza os serviços do provedor.

e não só: sob demanda de seus usuários, certos provedores começam a oferecer serviços diferenciados e muito bem aceitos pelo seu público. veja o caso de DEMON, provedor de acesso inglês que resolveu prover um acesso a banda larga que prioriza… jogos. por £3 a mais por mês, DEMON diz que… "What we’re doing is putting gamers into a business grade network… Looking at the usage of gamers, it’s actually more akin to a small business." segundo o provedor, o padrão de uso de quem joga online parece o de um pequeno negócio e o que eles vão fazer é garantir a melhor banda e a menor latência [tempo entre requisição e início de uma transação] para quem estiver disposto a pagar os tais £3 a mais por mês, aí por uns R$10.

pense: se fosse aqui no brasil, você teria assinado um contrato de 20 megabit por segundo e o seu provedor diria mais ou menos que… “se você me pagar R$10 a mais, por mês, eu cumpro o contrato”. é isso que DEMON está, na prática, oferecendo na inglaterra e que, se a tal história dos “serviços diferenciados” colar… vai virar a próxima praga da internet. que pode acabar levando a uma rede básica, que funciona quando der e puder, para quem estiver pagando a assinatura básica e, do lado dela, uma outra, tão boa quanto for possível, para quem puder pagar adicionais de todos os tipos e montantes. mais ou menos como se quem pagasse mais IPVA pudesse andar no corredor de ônibus, levando os gestores do corredor a tomar mais pistas do trânsito normal porque há mais gente querendo “pagar mais”… até o ponto em que os normais, que pagam o acesso normal, estariam todos espremidos numa pistinha bem estreita e esburacada à qual ninguém presta muita atenção.

desde o começo da internet comercial, no meio da década de 90, as teles estão imaginando e fazendo planos para voltar a cobrar por tempo de uso, por prioridade, por distância, por todo tipo de coisa que cobravam na era analógica das comunicações por tempo e que perderam na idade das redes, digital e de pacotes, onde passamos simplesmente a nos conectar. conexões locais iguais, de alcance global, sem restrições e limites. este é o espírito da internet. se não nos entendermos sobre o assunto, e rápido, entre usuários, governos, reguladores e provedores, o resultado será a balcanização da internet entre redes virtuais de serviços “especiais”… em prejuízo de todos.

a quase certeza de que tais serviços “especiais” levariam a um aumento de receita e melhoria de resultados das teles no curto prazo não compensa, no médio e longo prazos, a quebra do princípio de neutralidade de rede que nos trouxe até aqui, conectando tudo e todos em escala global. em última análise, neutralidade em cheque é a mais séria ameaça à internet em todo mundo, no momento, e vai ser preciso bem mais do que palavras para tratar do assunto.

na quinta feira 26, às 15h, o CDES vai promover um colóquio sobre acesso à banda larga no brasil; este blog vai estar na mesa e colocar este assunto na pauta. a discussão sobre o PNBL e o espaço regulatório da rede, no brasil, não pode passar ao largo dos princípios da neutralidade e seu cumprimento, o que requer não só regulamentação, mas fiscalização pernanente. o blog vai levar em conta, no debate, os comentários a este texto.

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domingo, 11 de abril de 2010

o futuro, os jovens, a política e o capital em rede

Tags:, , , , , , - srlm às 11:24

“a política, quando realmente nos inspira, oferece uma nova visão do futuro”. a frase abre a introdução do relatório “To tackle the challenges of tomorrow, young people need political capital today…” [ou AN ANATOMY OF YOUTH], escrito por celia hannon e charlie tims para a demos, com a participação de gente como danah boyd e zygmunt bauman [de quem você pode ver uma entrevista a maria lúcia garcia pallares-burke neste link].

o que o relatório tenta descobrir é como os jovens britânicos [12% da população do reino unido, em 2007, tinha entre 16 e 24 anos de idade] querem e podem da vida e o que farão do futuro, num país onde, daqui a duas décadas, os maiores de 65 anos serão duas vezes mais, em número, que os “jovens”.

no brasil, costumamos pensar que não temos este problema; mas nossa população começa a envelhecer rapidamente e a pirâmide populacional dos anos oitenta [vermelho, abaixo] já mostra, hoje [laranja, abaixo], uma “barriga” de idade que vai nos levar a uma situação similar a dos países mais desenvolvidos do ponto de vista de distribuição etária da população. o que não deveria ser nenhuma surpresa, já que estamos simplesmente, no tempo, copiando seus modelos de desenvolvimento e evolução social.

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dentro de muito pouco tempo [ou agora?…] o que teremos que gastar para prover os aposentados estará minando, seriamente, os investimentos públicos que seriam necessários para garantir mais e melhores possibilidades de futuro para os jovens. mas isso é outra história; o interesse do blog se volta para os capítulos do estudo que tratam da juventude em rede. em “owning a digital identity”, danah boyd observa que…

Privacy is not dead among teenagers, but it is being realigned. Historically, young people had to go out of their way to make something public; spreading rumours widely was possible but not always easy. Today, sharing publicly is often the default. Instead of thinking about what to make public, today’s teenagers think about what to make private.

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o mesmo parace ser verdade também no brasil: ao invés de considerar o que compartilhar, o que está em discussão entre os jovens é o que manter privado; o “novo” padrão, para os “jovens” é compartilhar tudo. isso muda muita coisa e tem impactos de porte na [por exemplo] atitude em relação à disponibilidade e uso de mídia na web. desde que a rede é rede, os “jovens” sabem que copiar arquivos protegidos por copyright, sem licença, é ilegal, [88%, neste estudo de 2004…] mas não estão nem aí pra isso: no mesmo reino unido desta discussão, dois terços dos jovens copia música da rede, todo dia.

o governo [britânico, e muitos outros] vai tentar apertar com mais legislação punindo download ilegal… mas o efeito será nulo, porque ídolos dos “jovens”, eles próprios jovens como liam gallagher, ex-oasis, saem dizendo [sexta passada] que “não estou nem aí pra cópia ilegal de música online” e, logo depois, liga a metralhadora giratória contra seus pares que reclamam disso, usando a linguagem do seu tempo de “jovem”:

“Downloading’s the same as what I used to do – I used to tape the charts of the songs I liked [off the radio]. I don’t mind it. I hate all these big, silly rock stars who moan – at least they’re fuckin’ downloading your music, you c*nt, and paying attention, know what I mean?”

attention. atenção. será que todos os autores e donos de copyright estão prestando atenção e entendendo o que gallagher está dizendo?

atenção era o que deveríamos prestar, todos, também, à abertura do texto de zygmunt bauman no capítulo sobre “belonging to changing communities”, do relatório, onde o filósofo do tempo e da modernidade “líquidas” alerta:

Young people emanate anxiety, restlessness and impatience as they confront an apparent abundance of chances, and the fear of overlooking or missing the best among them. Idols to watch and fashions to follow are as profuse as they are short-lived. Chances pop up and disappear with little or no warning, and the rules of the game are changed before the player had time to finish.

ou… os jovens emanam ansiedade, desassossego e impaciência à medida que confrontam uma aparente abundância de oportunidades e têm medo de deixar passar ou perder as melhores entre elas. ídolos e modas, a seguir e usar, existem em tanta profusão quanto em brevidade. alternativas surgem e desaparecem com pouco ou nenhum aviso e as regras do jogo mudam antes mesmo que o jogador tenha tempo de chegar no último nível.

resumo? nunca antes [mesmo!] na nossa história nenhuma infraestrutura tecnológica, de negócios, usos e costumes evoluiu tão rapidamente como a internet e a web. e não foi por causa de lula ou de um governo do PT, claro.

tentar prender a fluidez deste nosso tempo em regras de uma outra era é causa perdida e esforço jogado fora, porque a velocidade da mudança só tende a aumentar, tanto no que diz respeito a coisas tópicas [e irrelevantes, no contexto mais amplo] como downloads ilegais quanto nos mecanismos de participação de mais gente, e muita gente jovem, nas definições do que o planeta, e suas economias e sociedades, serão.

é só questão de tempo, o pouco tempo entre o agora e quando os jovens descobrirem o capital político que detêm num mundo em rede. por sinal, vêm aí as eleições…

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

a informática e as eleições

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depois de intensa articulação nos bastidores e ministros disso e daquilo chamados às pressas, o presidente da república sancionou, sem vetos importantes, a nova lei eleitoral. dois temas principais da reforma, do ponto de vista de informática, vão mudar o estado das coisas, talvez de vez.

imageprimeiro, ao contrário do que queriam os defensores da suposta segurança das atuais urnas eletrônicas, o voto vai ser auditado: uma porcentagem das urnas terá o voto impresso para posterior conferência. isso vai aumentar a transparência do processo de votação, senão do sistema eleitoral.

o sistema eleitoral brasileiro tem um problema radical, a concentração de poderes e execução do processo em uma única instituição, o TSE, que define a política, o processo, executa a eleição, dirime dúvidas e, do primeiro ao último caso, é o tribunal de si mesmo.

este blog fez uma longa série de considerações sobre o processo eleitoral antes das últimas eleições, em agosto e setembro de 2008, que você pode ver [pela ordem] aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

deixando o sistema eleitoral, como um todo, para lá [e por enquanto], começar a auditar as urnas pode ser parte do processo de mudança, da mesma forma que liberar a web, segunda parte da reforma no que diz respeito à informática, redefine o campo e parte das regras do jogo eleitoral.

isso porque revogamos parte do bisonho regulamento onde os candidatos só podiam usar, nas campanhas, o domínio “.can.br”, e onde a rede era tratada como se fosse, simplesmente, um amontoado de jornais eletrônicos. do jeito que ficou, candidatos e seus apoiadores [e opositores] podem usar do twitter ao facebook, do jeito que quiserem e até quando quiserem, para propagar seus planos e projetos. isso é muito bom.

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mas o efeito desta “abertura” do processo eleitoral na web é bem menor do que poderia ser, porque apenas uma parcela do país está na rede, e em sua maior parte [acho eu] aquela que não será muito afetada pelos argumentos de um ou outro lado da política [se é que a política brasileira tem lados e não só interesses].

mas é claro que as novas regras para a rede, na próxima campanha, vão aumentar a transparência das eleições brasileiras. vamos todos poder dizer o que pensamos e queremos de candidatos, nossos e dos outros. haverá um aumento significativo do espaço e tempo ocupado por política na web. mas a mudança verdadeira não será na eleição que vem, e sim à medida em que muito mais gente, de todas as classes e lugares, se tornar cidadão de primeira classe, na rede.

pra isso, precisamos de mais e melhor rede, em todos os recantos do país, e este é um problema político, como sempre. assim como educação: estamos cansados de saber quais são os problemas essenciais do processo e sistema educacionais do país. por que, então, ainda não temos soluções verdadeiramente nacionais? por que ainda não temos nem o equivalente de um SUS para educação? será que interessa, para algum [ou muitos] grupo[s] manter uma grande maioria da população na ignorância?…

as respostas a estes ingênuos dilemas são conhecidas. quanto mais ignorantes, mais manipuláveis os indivíduos. quanto mais desinformados, menos educadas, mais ignorantes as pessoas. quanto mais fora da rede, quanto mais isoladas dos grandes fluxos nacionais e mundiais de conhecimento, das redes sociais de todos os tipos que são, o tempo todo, habilitadas pela internet, mais as pessoas estão sujeitas ao cabresto político que toma conta de boa parte do brasil, desde sempre.

a verdadeira eleição em rede só vai rolar quando quase cada um for capaz de, na mais ampla rede possível, discutir, sem preconceitos e ofensas, as propostas de todos os lados da eleição, refletindo e sintetizando premissas, princípios, valores, políticas, estratégias, ações, resultados e possíveis consequências das opções de representação democrática.

a maior contribuição da informática para as eleições, que se inicia de forma histórica, no brasil, na próxima eleição, é aumentar a transparência do processo eleitoral. tanto antes, na discussão na web, quanto durante, na auditoria da urna. é um grande passo.

mas ainda falta muito. a falta de transparência é o maior problema de lugares pouco civilizados como o nosso. a opacidade dos sistemas [que tal “atos secretos”?…], processos e instituições permite, o tempo todo, que indivíduos e instituições se apossem do bem público, das coisas públicas, quando não do imaginário público, em benefício único de suas obscuras causas, metas e, por que não dizer, profundos bolsos.

precisamos incluir o ESTADO inteiro, aquele com “E” maiúsculo, de forma transparente, na rede. do processo eleitoral às decisões [e razões] dos tribunais. quando isso começar de fato a acontecer, os representantes do povo, que hoje são quase donos do povo, serão apenas… representantes do povo, mediadores da discussão e decisão democráticas. em qualquer poder. como nunca deveriam ter deixado de ser.

vai demorar. mas vai acontecer. quando chegarmos lá, daqui a muitas décadas, nossos tempos serão lembrados como uma espécie de idade média [moderna]. e as eleições “em rede”, começando pela de barack hussein obama II, serão comparadas a uma espécie de prensa de gutenberg da democracia. espere. e verá.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

o futuro da música… na rede

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diego assis, do G1, me mandou três perguntas por emeio, dia destes, para uma reportagem que estava fazendo [juntamente com lígia nogueira e amauri stamboroski] sobre o estado da “arte” dos negócios de conteúdo, em particular sobre um certo conjunto de posições de muitos artistas que, no passado, eram “a favor” da rede [leia-se: não estavam muito aí pras cópias de suas músicas circulando] e agora parecem ser “contra” [leia-se: estão se sentindo “prejudicados” pela web].

este blog tem falado sobre o assunto em muitas ocasiões [confira cenas da “mídia” brasileira; pirataria: chegou para ficar; pirataria: a guerra, os lados e os dados; conteúdos e meios: indústria de música vai muito bem e pirataria [digital] chega à literatura [de uma vez por todas], entre muitos outros posts].

e os artistas que reclamam do atual estado de coisas têm toda razão de reclamar, claro; mas sua arenga vai servir de muito pouco, porque não se trata mais nem de ordenar o “modelo mp3” de conteúdo. mp3 ficou velho, vai morrer de morte morrida e o que vamos ter, na rede [na minha opinião] é conteúdo como serviço. parte grátis, parte pago. e pra isso só está faltando infraestrutura: é só termos mais banda larga, mais barata, em muito mais lugares, e música, vídeo, literatura, imagens… e tudo vira serviço. questão de tempo. pouco, tomara.

abaixo, a entrevista que dei pra diego, por emeio, semana passada. se faltar contexto, aqui, pra entender a conversa, leia meus links acima e também o bom trabalho de diego, amauri e lígia lá no G1.

Diego Assis: Nas últimas semanas, duas importantes decisões foram tomadas em favor dos detentores de direitos autorais contra usuários que trocam arquivos protegidos pela internet – uma no Paraná, outra na França. Também recentemente, grandes hubs de p2p como PirateBay e Mininova foram atingidos pela justiça. Nesta briga de pelo menos 10 anos (desde o surgimento do Napster), qual é a importância dessas decisões?

Silvio Meira: as decisões são importantes porque representam uma espécie de "começo do fim" do embate entre o modelo de negócios de mídia que já passou [o das "gravadoras"] e o que está por vir, o de entretenimento como serviço. é curioso, em plena era da internet, que as pessoas ainda tenham que "baixar" arquivos. isso porque este é outro modelo falido. imagine comunicação verdadeiramente banda larga [pense dezenas de megabit/s no seu celular, centenas de megabit/s no fixo]… porque você iria querer "ter", possuir, arquivos? pra que?

o futuro do entretenimento digital pode vir a ser o de serviço, onde se assina uma programação tão ampla quanto se queira, que você decide qual é… e não algum tipo de programador central, que é do tempo das gravadoras… da TV aberta, do rádio FM.

até que este novo modo de entretenimento aconteça de verdade, viveremos, decerto, um embate entre um passado que morreu de velho e um presente que se torna obsoleto à medida em que a rede vai ficando realmente larga, universal, ubíqua.

DA: Não muito tempo atrás, uma fatia significativa dos artistas e músicos estava pregando o discurso da independência, não raro liberando faixas ou álbuns na íntegra para download em seus sites –alegando que a promoção possibilitada pela web era mais importante do que fazer dinheiro vendendo disquinhos de plástico. Agora, alguns desses mesmos artistas – como Lily Allen, que se tornou conhecida no mundo por ter liberado faixas (muitas sampleadas) graças ao MySpace, estão dizendo o contrário. Que é preciso frear a  pirataria na rede, caso contrário os músicos não sobreviverão. Como vê essa mudança de discurso?

SM: acho que sob a ótica da resposta anterior… um número muito grande de artistas se acha sacaneado pela quantidade de faixas suas que circula por aí, tecnicamente pirateada. no contexto atual, estes mesmos artistas têm uma certa dificuldade de entender que artista [médio] nunca ganhou dinheiro com disco, mas com performance. é assim desde que o mundo é mundo. se eu tivesse um monte de coisas minhas na rede, pirateadas e circulando aos montes, iria ter a certeza de que muito mais gente estaria disposta a comprar o ingresso de um show pra me ver cantando os hits da rede.

mas é claro que nem todo mundo pensa assim e ainda há quem pense em "vender" coletâneas [que a gente costumava chamar de "disco", ou "cd"...], onde eu, que comprava tais coisas nas décadas de 60 a 90, nunca vi uma que tivesse metade de suas músicas [por exemplo, no caso de um cd] que valesse a pena comprar. metade ou mais era enchimento de linguiça… porque havia um certo espaço a preencher. a bolacha tinha que sair inteira, os formatos eram padrão, tipo simples, duplo, long play, EP. hoje, não mais. o espaço, agora, é infinito. o problema é o tempo, e um seu correlato, a atenção.

com tanta oferta e tão pouco tempo e atenção, cada música, vídeo, qualquer coisa, corre o risco -e a vasta maioria é só isso- de ser um "flash in the pan"… um momento em que todo mundo se concentra naquilo, que fica irrelevante logo depois, porque a atenção simplesmente se volta para outro flash, e por aí vai.

aberta a caixa de pandora, não há como fechar. as viúvas das gravadoras, da escassez, têm que começar a construir o próximo modelo, um que depende de muita banda, muito barata, em todo canto, com serviços baseados em micropagamentos, para estarem disponíveis para muita gente, para que eles, os autores e intérpretes, sejam remunerados por sua participação percentual no fluxo de atenção.

até lá… vai ser uma longa e penosa batalha para se ganhar… nada, tentando enfiar a rede de volta na caixa, de onde na verdade ela nunca veio. muita tensão, sofrimento, lamentos… para nada. deveríamos gastar nosso tempo construindo, agora, os modelos de negócio para quando tivermos rede, de verdade.

DA: Posso estar engando, e ainda vamos falar com ele [veja a entrevista de fred 04 neste link], mas outro que parece ter mudado significativamente de discurso foi o Fred Zero Quatro. De entusiasta das possibilidades da rede livre ("Dogville" disponibilizada de graça no site; incentivo à criação dos "videoclipes genéricos" da banda), o cantor defendeu em entrevista à Folha semana passada que a "web tem desestruturado quase todas as cadeias", que se não fosse a Sony "o manguebeat teria se limitado a uma coisa de gueto" etc. Sente que está havendo uma mudança de postura aí também?

SM: sim, sim. é o mesmo efeito, em quase qualquer coisa e em todo lugar. claro que a web desestruturou as cadeias de valor. e é claro, também, que outras cadeias de valor vão se reestruturar pela e na web. mas a velha cadeia da sony, que editou, paginou e mundializou o manguebeat… ela não vai se repetir do mesmo jeito, de jeito nenhum. não tem como, porque a arquitetura e as estruturas de criação, produção, distribuição e consumo mudaram para sempre.

as lágrimas choradas por quem veio do passado -das gravadoras- e tem que viver este doloroso presente encherão rios, que correrão todos para o mar da história, com muito pouco efeito prático no presente e no futuro. nós, mesmo os mais inovadores entre nós, temos muita saudade de quando as coisas eram… como eram. no equilíbrio que nossa revolução criou, uma vez revolucionários, quase todos nós queremos manter a "nossa" revolução exatamente como a desenhamos, sem perceber que outros revolucionários estão, o tempo todo, assumindo o papel, no nosso tempo, que no passado foi nosso.

e isso não é uma teoria ou constatação para o agora. é a mais pura e simples história dos tempos, a história da criação humana, das invenções, da inovação, da revolução… de todas as revoluções. pode ser até que a gente não queira, mas o fato é que, a qualquer momento, está começando uma nova revolução, muitas das quais vão dar em nada, mas algumas delas vão mesmo mudar tudo, desestruturar tudo. e criar outras estruturas. como sempre, desde sempre. e ainda bem que este “novo” nunca é “para sempre”…

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

um terço do país em rede

Tags:, , , - srlm às 00:59

dados do ibope para julho dão conta de que um terço dos brasileiros têm acesso a alguma forma de internet, seja de casa, escola, trabalho ou lanhouse. pense numa notícia boa. são quase 65 milhões de pessoas, com 16 anos ou mais, que estão na rede de alguma forma. e mais de 40 milhões de pessoas moram em casas que têm algum tipo de conexão à rede.

mas no ano, de julho passado a este, o número de pessoas que efetivamente usou a rede, durante o mês, subiu 10%, de 33 para 36 milhões de pessoas. esta notícia já não é tão boa assim: indica que só um pouco mais da metade de quem poderia estar usando a rede está, de fato, na rede. por que?

não há dúvida alguma que a rede é essencial para tudo o que ocorre na sociedade moderna. se você está lendo este blog, provavelmente depende da rede quase que, digamos, para viver. como se explica que 160 milhões de brasileiros não tenham passado pela rede, minutos que sejam, no mês passado?

aí é onde entra a explicação de augusto gadelha, secretário de política de informática do ministério de ciência e tecnologia, em entrevista ao tele.síntese: Há uma pobreza de conectividade no Brasil, mesmo nas grandes cidades. A Austrália está falando em 100 Mbps, isto já é uma realidade em Tóquio, na Coréia do Sul e em outros lugares. No Brasil, nós estamos sonhando com uma velocidade de 2Mbps, que é muito inferior. Além do que, a velocidade acima de 1 Mbps ainda é muito pouca aqui. Se pensarmos no campo, então ela se torna inexistente. Temos muitas ligações de baixas velocidades. E as próprias ligações que são vendidas como de alta velocidade, na realidade, efetivamente, são de velocidades abaixo de 300 a 400 Kbps.

não é preciso agregar mais nada ao depoimento do secretário. talvez seja necessário, então, perguntar: quando e como, mesmo, é que nós vamos ter, o brasil e os brasileiros, e de verdade, acesso à internet?

enquanto o atual estado de coisas perdurar, vamos continuar sendo campeões em número de horas navegadas: em julho, o brasileiro médio que usou a rede passou 48 horas e 26 minutos online. este blog, há tempos, defende a tese de que isso não ocorre porque queremos, de livre e espontânea vontade, passar tanto tempo na rede, mas acabamos passando porque levamos muito, muito tempo pra fazer, na rede, o que queremos.

clique na figura abaixo para ver um texto deste blog, de um ano atrás, exatamente sobre este assunto. a imagem é de um estudo da universidade de oxford que mostra o brasil no fim de uma lista de 42 países quando o assunto é quantidade, disponibilidade, cobertura e qualidade do acesso à internet em banda larga. e fica a pergunta: quem é que não está fazendo o que deveria fazer, onde, pra que possamos estar, todos, na rede, de verdade?

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