Terra Magazine

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

separações sociais…

dados de março passado dizem que faceBook é citado em 1/5 das separações nos EUA. dados ingleses de dezembro informam que 1/3 de todas as disputas judiciais entre [ex-]casais contém a palavra faceBook em algum lugar do processo. há dois anos, eram 1/5. os dados da ilha, obtidos por divorce-online, revelam que as três maiores razões onde  faceBook é citado como prova são: 1. mensagens a pessoas do sexo oposto; 2. um ex-detonando o outro na rede e 3. conhecidos "dedando" comportamento fora da linha de um dos membros do casal. no último caso, como bem se conhece nas pequenas comunidades, trata-se de fuxico puro.

faceBook detém 20% de todo o tempo de uso da internet no planeta. e isso acontece porque [nos EUA, UK...] mais de 3/4 dos usuários ativos da rede está em faceBook, a vasta maioria todo dia. a mesma coisa começa a rolar por aqui [veja os gráficos depois deste parágrafo, de comScore]. no topo disso, o tempo de uso das redes sociais no brasil é maior que a média, e [surpreendentemente?...] europa e américa. uma pesquisa recente em países representativos da web também mostra que falamos mais: 35% dos brasileiros compartilha conteúdo frequentemente; só 8% dos ingleses e 12% dos americanos faz o mesmo. estamos entre os os chineses, 45%, e os indianos, 32%. resultado? breve, também por aqui, uma grande onda de disputas onde "faceBook" será mencionado como parte do processo.

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estranho? de jeito nenhum. no tempo do telefone [velho, fixo] tancredo neves costumava dizer que “telefone serve no máximo para marcar encontro, de preferência no lugar errado”. um grande número de escândalos do passado tinha dois ou mais telefones, detetives e grampos. as ligações, hoje, saíram das telecomunicações para as redes sociais. ao ponto dos jovens mudarem seu status de relacionamento em faceBook minutos depois que um namoro [ou coisa parecida] acaba. a norma, pois, é que faceBook e quetais sejam parte, cada vez mais, dos nossos relacionamentos, disputas, vida. afinal, foi pra lá que transferimos parte significativa das nossas transações sociais.

Relógio

em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o blog publica [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

bits.1: viciado em redes sociais? #comoFaz?

Tags:, , - srlm às 07:00

em dezembro deste quase já ido 2011 e janeiro de 2012, o blog vai publicar [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo.

vamos tratar de UMA situação, UMA explicação e/ou consideração e, se for o caso, UMA pergunta. depois, UMA consideração sobre o tema, talvez uma opção pessoal. corporativa, se pudermos revelar uma. regional, se isso fizer sentido considerar um país ou região no contexto. vamos ver no que dá.

Relógio

muita gente tá vivendo numa overdose de redes sociais. quanto maior sua rede, especialmente se for de pessoas e não de produtos ou marcas, mais atenção tem que ser dedicada à manutenção dos seus relacionamentos.

a solução é simples [mas pode dar muito trabalho] e não está no dicionário de auto-ajuda digital, porque é você que vai ter que desenrolar: [re]descubra um propósito para participar de redes sociais e redesenhe comportamento, usos e contribuições. um exemplo disso? meu twitter, exceções à parte, é um repositório de links. de coisas que eu li/escrevi e quero lembrar, coisas que eu não li e quero ler. vez por outra, uma canção a lembrar. e pronto.

este texto trata o assunto em muito mais detalhe. tá em inglês. se não dá pé pra você, tem algo parecido nesta tradução de google. vá ler.

Relógio

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

internet e emburrecimento

imagereportagem recente da revista época pergunta se a "internet faz mal ao cérebro" e cita um número de estudiosos que aponta, entre os efeitos da rede, um aumento da distração, dispersão e um "emburrecimento" da população. entre os proponentes de tal avaliação do estado de coisas em rede está mark bauerlein, da emory university, autor de The Dumbest Generation: How the Digital Age Stupefies Young Americans and Jeopardizes Our Future(Or, Don’t Trust Anyone Under 30), publicado em 2008.

talvez o argumento central do livro seja que, apesar das oportunidades de educação, aprendizado, ação política e atividade cultural nunca terem sido tão grandes como agora, exatamente por causa da rede, os candidatos a aprendiz [os mais jovens, na perspectiva do autor e do texto] se conectam apenas entre si, para uma espécie de "socialização da imaturidade", ao invés se servirem do ambiente da web para conexão com pais, professores e outros adultos relevantes. segundo bauerlein, o resultado é que

…instead of using the Web to learn about the wide world, young people instead mostly use it to gossip about each other and follow pop culture, relentlessly keeping up with the ever-shifting lingua franca of being cool in school.

ao invés de usar a web para aprender sobre o grande mundo ao redor, os jovens usam a rede para fofocar uns sobre os outros e seguir a cultura pop, a todo tempo se mantendo atualizados com a sempre mutante língua franca que os torna "legais" na escola.

sei não. mas imagine que bauerlein esteja certo e os jovens estejam mesmo "emburrecendo" por causa da web e das redes sociais. bauerlein concorda que nunca se leu e escreveu tanto quanto hoje. segundo ele, o "problema" é que eles estão lendo e escrevendo as "coisas erradas": lá nos EUA a rede deveria estar sendo usada para ler mais shakespeare, milton, a grande literatura americana e discutir os problemas da sociedade e economia. mutatis mutandis, o adolescente local em rede deveria, ao fim do ensino médio –e só porque está na web, ter terminado grande sertão: veredas, de guimarães rosa, o romance d’a pedra do reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta, de ariano suassuna e a história da matemática de carl boyer. de preferência, claro, em inglês.

tal expectativa é completamente infundada. não só para a web, mas para qualquer outra "tecnologia". imagine prover telas, pincéis e tintas a seja lá que grande grupo for e espere pra ver se acontece algum picasso ou léger em poucas semanas ou mesmo alguns anos. mesmo que haja um processo de educação e aculturação, de mudança de comportamento, um conjunto de movimentos que possa levar a graus de interesse e desenvolvimento de competências capazes de fazer nascer um chagall, isso nem sempre –ou quase nunca- acontece.

como se não bastasse, como os mais jovens se conectariam aos mais velhos –para aprender, ou aprender mais, se estes demoraram muito a chegar na rede, perderam o ponto de entrada [faceBook, tecnologia feita por jovens para jovens, era só para estudantes no princípio] e, por conseguinte, a linguagem? eons, a rede social para idosos, não é exatamente quem está ditando as regras e padrões de comportamento. e as empresas e escolas, instituições em geral, assustadas com a democracia das redes sociais, uma espécie de 1968 online, resolveram se esconder do "problema" e o fizeram por muito tempo. e estão muito atrasadas no aprendizado da nova "linguagem".

resultado? os jovens saíram na frente e estão à frente, onde vão continuar por muito tempo. e isso é muito bom, sejam quais forem as consequências.

no processo de introdução de novas tecnologias de amplo impacto social, há uma mudança radical no espaço-tempo, na forma, conteúdo, significado e entendimento do que é feito e criado, do que acontece ou deixa de. e leva anos, muitos talvez, para que o equivalente [na web ou nas redes sociais] à pintura acima ser reconhecido como a expressão de um gênio, mesmo que apenas no novo contexto cultural induzido pelas novas tecnologias. e ainda mais tempo para que seja, de fato, uma obra prima em qualquer contexto.

estamos vivendo uma reinvenção do contemporâneo. em modo beta.

a reportagem da época e os argumentos de bauerlein e outros precisam levar em conta uma mudança como a que estamos vivendo na rede tem impactos muito maiores do que percebemos de dentro do espaço-tempo da mudança. pela própria natureza da coisa, não conseguimos entender o que está acontecendo antes de chegarmos em alguns arranjos mais estáveis dentro do processo. ao mesmo tempo, tendemos a superestimar o impacto das tecnologias no curto prazo e subestimar o mesmo efeito no longo, aforismo conhecido como a lei de amara.

em um outro texto, bauerlein dá conta de uma outra mudança induzida por tecnologia que já começou a grassar nos estados unidos e que, em breve, vai rolar pelo resto do mundo: as escolas de indiana, entre outros estados, vão deixar de insistir na escrita cursiva [caligrafia já dançou há tempos] e partir para o teclado e o toque. bauerlein cita estudos que parecem garantir que construir as letras à mão [o cursivo] ajuda no processo de leitura e escrita. pode ser. mas como insistir que as crianças aprendam a ler e escrever de forma cursiva se, logo depois, esta "tecnologia" é descartada?

estamos numa encruzilhada. os velhos métodos já não funcionam mais, pois o mundo aqui fora da da escola "passou" por ela. ao mesmo tempo, ainda não conseguimos entender o suficiente do presente para formatar os métodos e processos, juntamente com as tecnologias, que vão servir de base para aprender, no presente, o que vai ser essencial para o futuro.

talvez não reste nenhuma outra alternativa a não ser tentar, errar e aprender. agora, enquanto o futuro ainda é recente. caso contrário, é olhar para o que o futuro parecia ser, no passado. a imagem abaixo, de 1910, tentava prever o que seriam as salas de aula do futuro, no ano 2000. vai ver que elas não são nem isso. e aí não é de assustar que os alunos, os "jovens", prefiram redes sociais e games. aqui pra nós, se eu fosse eles, estaria lá também. e estou.

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PS: lá em 1968, nelson rodrigues [um dos mais competentes e deliciosos reacionários de todos os tempos] escrevia uma crônica [em maio... "eis o fato novo na vida brasileira: –o culto da imaturidade"] onde desancava o "novo" teatro, os "jovens" diretores da época [como zé celso] e sua visão de mundo e da encenação, botava a plateia no rolo e dizia que, naqueles tempos, o tempo exigia das pessoas plena imaturidade, que "neste final de século, a imaturidade é a musa perfeita, sereníssima, universal" e que, por fim "a inteligência está liquidando o teatro brasileiro". vai ver, o grande recifense teria razão hoje: a inteligência [juvenil] está liquidando a internet…

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

redes e movimentos sociais e mudança real

Tags:, , - srlm às 09:16

quem disse que a revolução não ia passar na TV enganou-se pelo menos um pouco, ontem. de mais de uma forma, as imagens [pra mim, na web] da tomada de trípoli pelas forças populares foram momentos únicos.

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passei horas trabalhando num laptop e vendo a alJazeera noutro. direto de tarābulus, binġāzī e mişrātah, a transmissão ao vivo da emissora árabe fez, em si mesma, história. e direto da confusão: repórteres no meio da multidão, parte dela armada, senhoras comemorando a tomada da capital a disparar AK-47 dos terraços… difícil acreditar que não morreu gente por acaso, feliz com o fim de mais uma ditadura árabe.

as patéticas mensagens do ditador, transmitidas pela TV estatal que ele, de alguma forma, ainda controlava, eram o contraponto à festa na rua. contra multidões na praça dos mártires, a máquina de propaganda governamental mostrava uns poucos gatos pingados agitando uma bandeira que não era mais a da líbia, pois que o povo tinha restaurado a antiga, que era de todos antes do ditador ter decretado a sua.

qual foi o papel da internet e das redes sociais na tomada da líbia pelas forças populares? difícil dizer agora, pelo menos com certeza. mas o fato é que o governo de lá desligou a rede entre o fim de fevereiro e começo de março, e só ontem o mundo começou a "ver" o país de novo em seus roteadores, e de forma esporádica.

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isso dá uma ideia do que move –verdadeiramente- o mundo. nas outras viradas árabes, a rede não desapareceu completamente ou, quando sumiu, foi por pouco tempo. o papel das redes sociais na articulação das pessoas, comunidades, resistência… foi enorme. mas, ao fim e ao cabo, não foi no mundo virtual que os "mubaraks" caíram, foi nas ruas, pela pressão ou, quando não foi possível, pela força popular.

o que nos leva ao brasil e dois marcos da nossa história: o fim da ditadura mais recente e as eleições diretas e o "fora collor". nos dois casos, ainda não havia a conectividade e a capacidade de mobilização da internet e do espaço social. o que mudou o rumo da história e das nossas vidas foi gente nas ruas, a pressão popular e insustentável, na época tanto provocada como ecoada pela grande mídia.

hoje, nas nossas redes sociais, vemos movimentos tênues "contra a corrupção", pela moralidade, como se um "trending topic" mundial feito no brasil fosse mudar o mundo. pelo menos o nosso. como se um país, uma sociedade inteira, fosse um produto. do ponto de vista social, amplo, não é um "pônei maldito" que vai nos redimir, resolver os grandes imbroglios nacionais, da nossa incompetência histórica para tratar os problemas essenciais [como a educação, fonte de quase todos eles] à nossa indisposição para mudança: queremos que tudo mude, desde que a mudança não nos afete pessoal e diretamente.

na líbia, a partir de hoje e dos próximos muitos meses, muita coisa vai mudar. uma grande rede humana e institucional vai determinar novos e emergentes comportamentos, criando novos arranjos nacionais que vão afetar a vida de quase todos, ao ponto de piorar [talvez muito] a vida de muitos que lutaram pela mudança. e que talvez, em alguns meses, estejam desiludidos, arrependidos e se tornem contra o novo tempo, saudosos de um passado que era ruim mas, de certa forma, melhor que um certo presente objetivo, prático, real, do seu dia a dia.

assim caminha a humanidade. no egito, líbia e outras geografias, ditaduras sanguinárias ficaram no poder por décadas a fio, suprimindo opinião e toda oposição, até que, com ou sem internet e rede social, não deu mais pra segurar. e tudo começou a mudar, em alguns lugares até para não mudar muito, talvez. no resto do mundo, para todas as outras mudanças, não será diferente.

se as pessoas físicas, no mundo concreto, não se movimentarem de verdade, a história recente mostra que não acontece… nada. mesmo que seja muito interessante e animado participar dos movimentos sociais virtuais, são os concretos, nas ruas, nas urnas e, quando elas não estão disponíveis, na força, que mudam o mundo.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

comportamento social .BR

a e-life, galera brasileira que entende de comportamento online há algum tempo, publicou uma pesquisa sobre o que os brasileiros "são" e "fazem" nas redes sociais. o blog entrevistou alessandro barbosa lima, um dos fundadores, pra entender um pouco mais do que eles descobriram [e pensam] sobre nosso comportamento em orkut, faceBoook, twitter e quetais.

semana passada, discutimos uma pesquisa sobre mobilidade, que se soma ao estudo corrente para nos dar dicas que levam a um entendimento de um novo [e esperado] universo de pessoas "digitais, conectadas, móveis", de que este blog falou neste link, no ano passado.

com vocês, alessandro barbosa lima.

pergunta 0. bio: quem é você, onde está, o que faz, links pro seu trabalho, como lhe achar…

Alessandro Barbosa Lima, 39 anos, fundador da E.life - empresa brasileira especializada em monitoramento, análise e gestão do relacionamento nas redes sociais.  Sou Mestre em Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), onde estudei a comunicação interpessoal on-line através das redes sociais. Autor de E-LIFE – Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web e co-autor de Marketing Educacional em Ação.

A E.life nasceu em 2006 a partir de um protótipo de software para monitoramento, é líder no Brasil em seu segmento (estamos em Recife e São Paulo, onde fico a maior parte do tempo) e atende mais de 60 empresas, com foco em países de língua portuguesa e espanhola. Possui clientes no Brasil, Espanha, México e Portugal.

pergunta 1, slide 9: 42,5% dos seus entrevistados estão em rede quase 6 ou mais horas por dia; estamos entrando na era em que todo mundo, breve, vai estar na rede o tempo todo?…

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A computação ubíqua já era prevista há pelo menos 4 décadas. O que não estava previsto, na verdade, era que com o avanço da tecnologia o nosso comportamento mudaria e a adoção das tecnologias da informação se popularizaria tanto, que não apenas nossos hábitos, mas mesmo as redes sociais se tornariam virtualizadas através dos dispositivos tecnológicos.

Se olharmos para trás, artefatos primitivos como a agenda em papel e mapas já eram formas de representar redes não apenas de lugares, mas pessoas, coisas etc. A prova maior disso é que hoje grande parte das atividades nos pontos de venda físicos pode ser monitorada pelas redes sociais. É o caso das filas. Cada vez mais munidos de smartphones, os usuários compartilham sua insatisfação não apenas para a pessoa que lhe atende no estabelecimento comercial, mas também para suas redes virtuais.

pergunta 2, slide 12: o acesso a web pelo celular, na pesquisa da e.life, subiu de 34,4% para 44.8% dos usuários em apenas um ano. qual a sua previsão para os próximos um, dois anos? o que você acha que será o estado de coisas lá na copa, daqui a três anos?

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As previsões apontam um crescimento espantoso e o celular como o meio de acesso prioritário em alguns anos. No Brasil, nossa base instalada de celulares já passa dos 210 milhões, porém temos problemas como: 1) não se sabe exatamente o quanto desta base tem capacidade de acessar a internet; 2) o custo do acesso ainda é alto; 3) as taxas de conexão são baixas, mesmo para acesso domiciliar e só agora o Governo e órgãos reguladores estão propondo algum tipo de controle; 4) a publicidade espera que os consumidores paguem pelo custo de usar a internet (exemplo: anúncios impressos com QR Codes onde o anunciante espera que o consumidor baixe o QR Code para acessar sua propaganda). Será que alguém vai comprar uma TV apenas para assistir a um comercial?

pergunta 3, slide 15: apenas 6% das pessoas que vocês consultaram não acessa redes sociais de nenhuma forma nos celulares. quais poderão ser as consequências, para os negócios de todos os tipos, de uma população tão grande como a brasileira, conectada, móvel, social, em escala?

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Em países como Coréia do Sul, o acesso à internet (assim como a educação) é mais que prioridade. Sabe-se que as pequenas e médias empresas movimentam a economia e estas empresas dependem massivamente de conexão à internet. Principalmente em áreas como a de Serviços, a internet se tornou tão vital quanto a energia elétrica e o próprio escritório físico da empresa. No Brasil, o Governo atentou recentemente para um plano de acesso às redes, porém com muitas críticas por conta de velocidades de acesso muito baixas.

O caso da própria E.life é um exemplo de como a Internet pode impulsionar negócios. Saímos de um faturamento de 0 (zero) a 10 milhões de reais em 5 anos, graças à internet e possibilidade que tivemos de ter um negócio sem escritório (mas com clientes). Hoje, ainda 50% dos nossos colaboradores trabalham em escritórios virtuais ou no regime de Home Office. Estas escolhas da E.life se deram pela falta absoluta de venture capital no Brasil (não há cultura e quando falamos de seed Money é praticamente impossível). Tenho certeza que educação+conexão podem impulsionar milhares de pequenos negócios como o nosso.

pergunta 4. slides 18+20: na sua amostra, faceBook já passou orkut em volume de usuários… e quase o dobro de pessoas diz usar mais faceBook do que orkut. que mudanças de comportamento estão por trás disso? dá pra identificar o que, agora? e quais as consequências para os negócios?

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Aqui vale uma consideração. Segundo dados da ComScore, o Orkut ainda é o líder absoluto no Brasil, mas cresce mais lentamente do que Facebook. O que podemos observar no nosso estudo é que de fato mais pessoas declararam usar o Facebook em 2010 em comparação a 2009 (quase o dobro), mas o Orkut se manteve no mesmo lugar (diferença pequena de 3 pontos percentuais, o que está dentro da margem de erro). Isso confirma que Facebook está na curva ascendente, enquanto Orkut ainda cresce entre os laggards (público adotante tardio – no Nordeste, segundo dados da ComScore de março, o Orkut ainda cresce).

Porém, a tendência (pode não ser este ano) é que o Orkut entre na curva descendente (isso se não houver nenhuma modificação na rede social).  Isso aconteceu na Índia em 2010 e, em breve, deve se confirmar no Brasil. Segundo Dunbar, o tamanho do córtex no cérebro humano define o tamanho das nossas redes sociais e que podemos gerenciar um número limitado de 150 contatos na nossa rede. É claro que o número de contatos que conseguimos gerenciar com os artefatos da Tecnologia da Informação ampliam a capacidade do nosso córtex, porém não creio que as pessoas possam trocar de rede social tão facilmente, a não ser que o incentivo seja muito bom. O Google nos passa uma mensagem confusa ao investir em uma nova rede social (Google+) ao invés de reforçar o Orkut em países onde ele é forte (como Brasil).

Para os negócios, o crescimento do Facebook é realmente uma benção. Isso porque desde o começo o Facebook se preocupou com as empresas, criando serviços e produtos mais focados no público corporativo. Basta ver, por exemplo, a adoção corporativa das empresas ao Facebook, que se deu muito mais rapidamente e em maior escala do que no Orkut. É mais provável que uma empresa que invista em redes sociais aqui no Brasil tenha uma presença no Facebook do que no Orkut. O Orkut atentou para isso e começou a investir em produtos próprios para as empresas. E tem atraído as organizações e os consumidores. O caso recente mais emblemático é da Coca Cola Brasil. Em 2 de junho, a empresa criou uma comunidade oficial no Orkut e hoje esta comunidade se aproxima do seu primeiro milhão de membros. Ou seja, a Coca Cola contradiz a máxima que o Orkut está morrendo.

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pergunta 5, slide 33: assistir TV e estar na rede parece ser simultâneo, em pelo menos parte do tempo, para 57,8% da sua amostra. quais são as consequências disso para TV? vocês percebem, na e.life, um elevado índice de atividade no twitter, faceBook e outras redes sociais, relacionado a programas e comerciais da TV? na sua opinião, que consequências isso tem para TV? e para a rede?…

Sim, notamos que há um uso simultâneo das redes sociais e mídia de massa desde as eleições do ano passado. Este ano, ao monitorarmos a estreia de “O Astro” observamos pico de tweets exatamente no mesmo horário em que a trama era exibida pela TV Globo. Observamos que os picos acontecem exatamente nos horários em que as novelas vão para o ar. Isso é um indicativo que as pessoas assistem a TV e acessam as redes sociais ao mesmo tempo.

No Twitter, é possível descobrir quem foi impactado por cada buzz da novela e criar novas formas de medir audiência qualitativa e quantitativa usando redes sociais. Com a adoção maciça da internet pela população e o uso disseminado das redes sociais irá substituir os índices de audiência tradicionais rapidamente.

mudanças, mudanças. muitas e sociais.

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sexta-feira, 8 de julho de 2011

a vida social, virtual

Tags:, , , - srlm às 08:00

relatório do projeto PEW internet and american life de junho é rico em dados sobre o comportamento americano em rede social, coisa que no brasil, por falta de pesquisas e dados, só podemos imaginar.

o texto nem é tão longo [85 páginas], vale a pena ler de cabo a rabo. e pensar no que seriam as respostas para o brasil, pois os dados têm impacto em todos os setores, das relações sociais aos negócios, passando por educação e cultura.

quer ver uma coisa muito interessante?… olhe o histograma abaixo:

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no espaço de dois anos, a participação de pessoas entre 50 e 65 anos de idade nas redes sociais subiu de 9 para 20% do total, e a presença dos maiores de 65 anos foi multiplicada por três. claramente, as redes sociais de todos os tipos deixaram de ser um fenômeno jovem para ser uma articulação realmente social. como 13% dos americanos tem 65 anos ou mais… se todo mundo, lá, estivesse em alguma rede social, quase a metade dos mais idosos estariam conectados em rede.

veja este outro histograma:

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as mulheres ganham dos homens, na presença em quase todas as redes sociais, disparado. mas isso muda em linkedIn, onde o assunto é carreira e negócios. talvez as coisas tenham mudado mesmo, na sociedade como um todo, quando tivermos uma presença feminina bem maior em redes como linkedIn.

agora olhe o histograma abaixo, levando em conta que ano que vem há eleições presidenciais nos EUA…

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note que a rede social mais influente [em termos proporcionais, dentro da própria] é linkedIn, com quase 80% dos participantes tendo ido a alguma reunião ou comício político e com 36% tendo passado pela experiência de tentar influenciar os votos de terceiros.

cada vez mais, a política vai ser feita em rede social. se este foi o caso na última eleição americana, na próxima as redes poderão definir muito mais da campanha do que fizeram até agora. ainda mais quando gente de todas as faixas de idade e renda começa a ter, nas redes, representação proporcional à demografia do mundo real.

no brasil e no mundo, no médio prazo, o efeito vai ser o mesmo, com pequenas variações aqui e ali, pelo menos nos países democráticos.

falando em brasil, tá mais do que na hora de termos estudos como o da PEW referido aqui, realizados frequentemente e publicados quase ao tempo em que o estudo é feito. não é que não se faz estudos parecidos no brasil, mas quase sempre, quando são publicados, já fazem parte da história: nos ajudam a saber o que aconteceu, mas raramente servem de termômetro para o que está acontecendo e está para acontecer.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011

ruído social pode ajudar produtos medíocres?

kathy sierra terminou seu blog [creating passionate users] em um dia qualquer de 2007, deixando um rastro de contribuições sobre um monte de coisas que tem a ver com usuários, produtos e serviços e também com o que acontece dentro das empresas. seus textos eram pontuados por imagens como a mostrada abaixo, que está pregada na porta da minha sala há anos…

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…que deveria ser óbvia para qualquer gestor, especialmente de processos ou negócios inovadores, mas não é. o resumo da figura diz que "quanto maior é seu grau de intervenção, como gestor, no que seus colaboradores fazem… menos eles usam seus cérebros". resultado? empresas formadas por zumbis, como tantas que vemos por aí.

estas empresas microadministradas são normalmente descritas por seus executivos como "muito estruturadas", ou "muito hierárquicas", quiçá [!] "tradicionais".  em que pese o grau de controle exercido pela administração sobre os colaboradores, já se começa a ver um número delas à procura de uma estratégia social, como o blog descreve nesta série de textos sobre redes sociais nos negócios. mas isso só vai dar resultado se o índice "zumbi" da empresa diminuir muito.

sierra reapareceu ontem no blog de @gapingvoid, discutindo o papel das redes sociais para os produtos e serviços e seu impacto nos clientes e usuários, especialmente quando se trata da conversão de "follow", "RT", "like" e "+1" em "PAY", que é o que traz o leite das crianças para casa ao fim do expediente.

o texto, como sempre é o caso, é inspirado e competente. depois que você lê, acha que é óbvio, que qualquer um poderia ter escrito a mesma coisa. só que o deslumbramento com certas plataformas de redes sociais faz com que muita gente ainda pense que "botar um produto nos TTs" tem uma relevância muito maior do que botar um produto nos casas e nas mãos dos usuários.

pra quem chegou agora, TT é o mesmo que "trending topics", as coisas que estão bombando no twitter [e que poderiam estar, na prática, na "moda" em qualquer rede social].

sierra nos traz de volta à realidade com mais um gráfico para ser lembrado e usado em muitas discussões sobre produtos, serviços, mercado, usuários e compradores e… redes sociais.

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é preciso lembrar que o foco da discussão sobre produtos e serviços deve ser [sempre] se nós, fabricantes e provedores, agregamos valor à vida dos usuários ["users kick ass", no gráfico] ou atrapalhamos ["users FAIL"].

se o produto é uma porcaria, não há quantidade ou qualidade de esforço, associado a seja lá qual for a palavra da moda na hora [a "buzzword"... pode ser social, viralização, gamificação... o que for] que ajude. se o produto ou o serviço é "o dez", quase certamente não precisa de buzzwording promovido pelos seus fabricantes ou provedores, pois compradores e usuários vão fazer todo o trabalho, por razões óbvias: o produto é muito bom.

entre os dois extremos, está a região que sierra chamou de "montanha da mediocridade": a oferta é "mais ou menos" e precisa de um grande esforço de buzzwording para decolar. o gráfico tenta mostrar o impacto potencial de redes sociais, por exemplo, em produtos que não são horríveis ou ótimos e deveria balizar muito das discussões sobre retorno de investimento em qualquer tipo de "mídia", como a "mídia" chama.

sierra não descarta redes sociais de pronto, mas…

Oh, social media does play a massive role in the success of a product that people love, but it is not the product-to-users “engagement” that matters, it is users-to-users (and users-to-potential-users). If people love what a product, book, service let’s them *do*, they will not shut up about it. The answer has always been there: to make the product, book, service that enables, empowers, MAKES USERS AWESOME. The rest nearly always takes care of itself.

…deixa claro o que escreveu por muito tempo lá no seu velho blog: nosso esforço em desenhar produtos deve estar centrado em criar coisas que apaixonam seus usuários, mesmo sob restrições de funcionalidade e, certamente, preço.

peter drucker já ensinava que inovação é criatividade com qualidade. criatividade pode ser definida como a combinação de RIP, MIX e BURN: pegue umas coisas daqui e dali, recombine [raramente introduzindo algo novo, seu] e apresente o novo desenho ao mercado. e qualidade é o que o usuário quer, pelo preço que ele pode pagar. inovação em produtos e serviços, definida desta forma, fica muito mais simples de ser entendida na prática, na fábrica e na agência.

e torna muito mais fácil lidar com o gráfico da montanha da mediocridade. não é porque seu produto é barato que é ruim. nem tampouco porque a tela do celular não é AMOLED que os usuários vão detestá-lo. tudo depende do que, para quem, por quanto, com que propósito e em que faixa de poder aquisitivo. se esta combinação não fizer sentido para uma certa classe de usuários, pode tentar a quantidade de buzzwording que você quiser ou puder pagar e ela não irá desenhar, criar, promover… o produto certo, pois seus usuários nunca irão "kick ass" .

bom ver sierra de volta, nem que seja por um post. vá ler com calma, vale.

como o título deste texto fala de produtos medíocres, aqui vai uma outra imagem de sierra definindo, em perguntas, o que seria uma hierarquia de necessidades e desejos dos usuários, capaz de levar a produtos e serviços "matadores". mesmo que seja para fazer uma estratégia social para um produto medíocre, é bom refletir sobre os sete níveis da figura abaixo…

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terça-feira, 26 de abril de 2011

alta frequência nas redes sociais… piora suas notas?

Tags:, , , , , - srlm às 13:50

bem, não se sabe ao certo. mas é o que parece dizer um artigo de kirschner e karpinski publicado na revista acadêmica computers in human behavior. o artigo, cujo título é “faceBook and academic performance” diz logo na abertura que seus resultados…

…show that Facebook users reported having lower GPAs and
spend fewer hours per week studying than nonusers…

…mostram que usuários de faceBook relataram menores notas [GPA, grade point average, um coeficiente de rendimento escolar] e gastam menos horas por semana estudando.

o artigo considerou um pequeno grupo de alunos, americanos, e uma das conclusões é de que, entre os alunos que acreditam que faceBook pode causar um impacto em sua performance acadêmica [cerca de 25% da amostra], 75% indicam que este impacto é negativo, nas notas inclusive.

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um dos principais efeitos do uso de faceBook [e provavelmente de outras redes de relacionamento, não consideradas no estudo] é o aumento do índice de procrastinação, com os alunos deixando para estudar depois de fazer “tudo” o que tinham que tratar com suas relações sociais [virtuais].

aqui pra nós, isso mostra que faceBook é o problema? não, não mostra. o problema pode ser que a escola –e as oportunidades de aprendizado que rolam por lá, para a vasta maioria dos alunos- deixou de ser interessante. aliás, disso se pode ter certeza; a escola não acompanhou a linguagem dos “alunos”, especialmente nestas últimas duas décadas de games e rede, de games em rede.

será que a escola não deveria usar isso a seu favor? sim, e é isso que os governos do rio de janeiro e pernambuco estão tentando fazer, e com resultados muito interessantes, usando uma plataforma de redes sociais para jogos interativos [uma olimpíada, online, de jogos e educação, uma rede social para “jogar” conteúdos do currículo escolar…] para trazer os alunos de volta para o “ambiente” escolar. ainda por cima, este experimento em grande escala já criou a joyStreet, um dos startups mais interessantes do portoDigital.

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imagine que a escola transcenda prédios, práticas e processos seculares e adote –também- um novo ambiente e linguagem, se expandindo para ele, em rede. se houvesse cada vez mais ambiente e conteúdo educacional interessante e interativo, jogável e em redes sociais, será que não aprenderíamos muito mais, muito mais rápido?

esta é uma pesquisa acadêmica que deveria ser feita de imediato. os resultados, dado um ambiente que capturasse a imaginação dos aprendizes, quase certamente nos diriam que o problema apontado pelo estudo que citamos no começo deste texto é da escola… e não da rede social.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

empresa "teia"? como assim? [final]

Tags:, , , , , - srlm às 07:11

este blog publicou ontem o primeiro texto sobre um tipo radicalmente novo de empresa que está sendo prototipado no brasil, um negócio completamente em rede, sem centro, sem sede, sem dono… um treco tão diferente que vale a pena um conjunto de explicações e reflexões sobre novos modos de empreender e trabalhar. oswaldo oliveira [que ganhou o codinome O2 aqui no blog], um dos líderes do processo de criação da empresa teia, começou a conversa neste texto e terminamos o assunto, temporariamente, hoje.

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digo temporariamente porque o trabalho em rede estará mudando tanto, nas duas próximas décadas, que voltaremos muitas vezes para esta conversa. por enquanto, abaixo, o resto da conversa com oswaldo oliveira, O2:

SM: como a empresa teia gera valor? como captura valor?

O2: Mesmo sendo apenas um dos nós da rede a Empresa Teia gera valor para os atores da rede multiplicando os poucos caminhos de desenvolvimento sustentável que eles conheciam antes por fazer parte de processos hierárquicos e centralizados que se caracterizam pela escassez de caminhos. Em uma organização distribuída, em rede, cada conexão (pessoa, empresa ou instituição) é uma nova possibilidade para a malha toda. E isto é exponencial pois cada um que entra é atraído pelo que já está lá e ao entrar adensa a malha que fica mais atraente para quem não tinha entrado ainda e por ai vai….

SM:  já há casos e/ou exemplos onde se pode ver a empresa teia competindo com empresas, digamos, "normais"?

O2: Não diria nem competindo, nem “normais”. Não é para ser político não, mas é que o entendimento comum sobre o que significam estas palavras não batem com o que vemos no dia a dia em rede. Primeiro porque trabalhando em rede a multiplicidade de caminhos é tão gigantesca e abundante que até acontecem embates entre concorrentes no primeiro momento mas depois a coisa tende mais para a coopetição. Mas para não parecer que fugimos da resposta, olhando pela ótica tradicional, já existem sim vários casos de “vitória” de atores que estão conectados à Empresa Teia sobre atores que não estão. Quanto ao segundo termo, alguém já disse: de perto, ninguém é normal!…

SM:  você acha que é possível criar "teias" eficazes e eficientes para que mercados? quais seriam as dificuldades fundamentais?

O2: A TEIA é a rede. A rede é a sociedade. A sociedade é para todo mundo e todo mundo é a sociedade. Portanto, por definição, esta iniciativa tem que atender a qualquer um. As dificuldades são culturais. Não é comum encontrar quem entenda as diferenças entre a sociedade do conhecimento e a sociedade industrial sem fazer comparações ou juízo de valor. Normalmente as pessoas ficam inseguras em função do desconhecido. Na verdade, a inovação é um processo muito duro e difícil e gera inseguranças enormes. Isto atrasa a entrada das pessoas em um mundo que se reorganiza em rede numa velocidade exponencial e pode significar um  grande risco de exclusão econômica no futuro. É aí que atuamos. tentando dar a segurança que as pessoas precisam para seguir adiante.

SM: como poderíamos fomentar mais "empresas teia"?

O2: Bom, depende. Nós quem cara pálida? Do ponto de vista do desenvolvimento sustentável seria um grande avanço se os gestores públicos começassem a fomentar a criação de redes pela sociedade em vez de querer colocar a sociedade dentro de suas redes. A experiência do TEIA em Minas Gerais deveria ser melhor compreendida por outras instâncias de governo no próprio estado e também em outros estados. O mais difícil já foi feito por lá, pois o investimento foi amortizado e o conhecimento adquirido é público. Quanto a outras instâncias da sociedade que não o governo é necessário investir no entendimento do que são redes, suas características distribuídas e os impactos disto em seus objetivos. Qualquer empresa pode se tornar uma empresa Teia, ou seja, uma empresa que é uma rede.

SM: da sua experiência até aqui, o que você recomendaria para outros empreendedores que pensassem em criar uma empresa como a teia?…

O2: 3 coisas: 1. Comece já; 2. Comece já e… 3. Comece já. E não tenha medo do erro. Não é filosofia de vida. É matemática. Na sociedade industrial desenvolveu-se um preconceito contra o erro pois ele custava muito caro. Da forma como as coisas eram feitas a mobilização de recursos humanos, tecnológicos e financeiros para se iniciar qualquer empreendimento eram muito grandes e portanto qualquer erro detectado tinha que ser corrigido a um custo muito grande. Na sociedade do conhecimento o erro não tem custo (ou tem custo muito mais baixo do que na economia industrial) e, sendo assim, se torna matéria prima do aprendizado que é o verdadeiro ativo do processo. Não existem barreiras de entrada e errando é que se constrói o patrimônio… que é o conhecimento. Portanto comece ontem e não tenha medo de errar.

SM: como você compara a empresa teia com negócios como zooppa.com e rentacoder.com? elas são especializações da "teia" ou nem isso dá pra dizer?

O2: Sim, apesar de achar que o termo não é exatamente este concordo com a idéia de especializações da "teia". São comunidades de especialistas  trabalhando (crowdsourcing) em rede globalmente, não são? Tanto os profissionais quanto empresas e instituições que estão nas redes que conectamos ainda não desenvolveram o hábito de se relacionar desta maneira. Também aqueles que já são iniciados não conseguem acompanhar a evolução quantitativa e qualitativa destes serviços e suas possibilidades. Me passaram a imagem abaixo outro dia. É uma tentativa de conseguir visualizar de forma categorizada as opções de crowdsourcing no mundo. Este monte de informação é só o início do projeto. [ao leitor: clique na imagem para ver com maior resolução].

CrowdsourcingLandscape_v1

Agora olha que legal a imagem abaixo:

jequiteia

É uma iniciativa espontânea de jovens ligados à teia do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Levam conhecimento sobre ferramentas, processos e culturas da sociedade do conhecimento para localidades remotas no norte do estado. Fazem isto ajudando as pessoas a montar redes locais (veja algumas neste mapa). A empresa Teia os apóia neste desafio e as redes que nascem vão sendo conectadas na malha. Aí aparece a oportunidade de conectar estas redes a mecanismos de crowdsourcing já existentes no mundo todo e desta forma criamos novas possibilidades nas relações de trabalho desta comunidade.Fazemos esta conexão de várias formas. Uma delas é o ROTEIA (www.roteia.com.br) que permite que a evolução destes contatos tenha cara de chamados em um helpdesk e, em função da nossa mediação (e não intermediação), as diferenças de cultura, língua e conhecimento são atenuadas e aí a coisa anda para todo mundo.

SM: que outros casos nacionais e mundiais perecidos com a "teia" você citaria?…

O2: Infelizmente não conheço. Não fiz nenhuma pesquisa estruturada mas temos contato cotidiano com vários players globais e todos se mostram surpresos com a nossa forma de trabalhar e comentam que não conheciam nada assim. Falo com a maior humildade do mundo e sem achar que isto seja vantagem. Não é bom ser o único em nada.Se tivéssemos outros atuando desta forma, o nosso negócio seria potencializado com mais conexões e poderíamos ser mais úteis ainda para os nossos clientes. Na vida em rede pra valer a visão sobre concorrência é outra. Acho que isto é assim porque o entendimento sobre redes, fluxos e modelos de negócio atrelados a eles ainda não estão totalmente absorvidos. A boa notícia é que avança aceleradamente.

agora, pense: que partes de sua empresa, ou da empresa em que você trabalha poderiam se tornar "teias"? agora, dentro de 5, 10, 15 anos? como? com quem? pra quem? e, talvez mais importante, por que?…

pra ajudar na reflexão, pense que o inglês network pode significar rede, as redes das quais dependem a empresa teia para funcionar, ela própria, como uma rede. mas, tanto quanto, network quer dizer trabalho em rede ou, na forma net work, significa trabalho líquido, o resultado do trabalho depois que tiramos tudo o que foi feito pra realizar as funções que entregamos, na ponta, como resultado. 

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

empresa "teia"? como assim? [1]

Tags:, , , , , - srlm às 08:00

oswaldo oliveira [daqui pra frente, O2] está há tempos no negócio de redes sociais, das reais inclusive. O2 estava no peabirus desde 2006 e foi coordenador do projeto TEIA [tecnologia, empreendedorismo e inovação aplicados] em minas gerais, cujo objetivo era ser…

…uma rede de prestadores de serviços e de conhecimento que, usando ferramentas e aplicativos da Web 2.0, auxiliam empresas, escolas, associações, sindicatos, departamentos governamentais e todos os participantes das comunidades locais, a trabalharem seus projetos na internet, com o objetivo de promover a inovação nos processos econômicos, políticos e sociais.

se tudo é software e todo o software está em rede ou indo pra lá, o projeto TEIA tinha a clara intenção de ser uma rede de agentes que cooperavam para criar condições para comunidades locais, normalmente remotas e desassistidas, participarem da web 2.0 [e, diria eu, 3.0] como instituições de primeira classe.

pois bem. O2 resolveu oxigenar o ambiente de negócios do país propondo a primeira empresa totalmente em rede, totalmente distribuída do país e, seguramente, uma das primeiras do planeta. de acordo com uma classificação que fizemos aqui no blog, a empresa teia é um exemplo de competências e capacidades estratégicas em redes sociais de e para negócios, como uma tentativa de fazer uma empresa no nível mais alto de sofisticação em rede, ou seja…

nove: a empresa –ou empreendimento- é uma rede social de fato; toda a conversa [corporativa] é viral e os processos de negócio, internos e externos, são realizados em comunidades das mais diversas redes sociais, inclusive e principalmente a sua.

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antes de descrever este nível, o texto do blog avisa que isso só deve ser tentado se… "você passou por um estágio de transformação real de seu negócio em uma rede onde tudo o que pode e deve ser aberto e colaborativo o é". O2 e seus parceiros da empresa teia sabem muito do assunto e já passaram por um tanto de coisas e aprenderam muito no caminho. a seguir, a primeira parte de sua entrevista para o blog.

silvio m.: o que é, o que faz e como funciona a empresa teia?

oswaldo oliveira: A empresa teia é uma infra estrutura completa para quem quer desenvolver um projeto em rede. Tem como missão oferecer soluções que viabilizem a evolução sustentável de quem quer articular, fazer negócios ou trabalhar em rede. Conecta pessoas, instituições e empresas que querem se integrar nos fluxos da sociedade em rede independentemente do nível de maturidade em que estão. Faz isto utilizando  ferramentas, serviços, processos, ambientes e conexões disponíveis na nuvem computacional da internet.

SM: qual foi a sua motivação para empreender este conceito?

O2: Nos últimos 10 anos, trabalhamos com projetos compartilhados e contribuídos na internet. Fomos evoluindo em conjunto com a rede e amadurecendo o entendimento de que além de compartilhada e contribuída a internet é, principalmente, distribuída. Em função disto -e no melhor estilo darwiniano -nos adaptamos. Nossa última atuação como empresa “tradicional” foi a implantação do projeto TEIA MG - Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados para a  SECTES - Secretaria de Ciência, Tecnologia, e Ensino Superior do governo do estado de Minas Gerais.

O objeto do contrato era o de criar uma rede que massificasse os conceitos da sociedade em rede como uma das estratégias para criar um ambiente favorável à inovação em Minas. Além disto, este projeto tinha que atingir a auto sustentabilidade. Os contratantes entendiam que o projeto só tem sentido, pelos próprios conceitos que tenta multiplicar, se conseguir gerar a sua própria receita independentemente de novos aportes de recursos públicos. Conseguimos atingir este objetivo com aproximadamente 18 meses de projeto (em abril de 2010). Depois de ter conseguido isto achamos que tínhamos amadurecido o suficiente para criar uma empresa que fosse 100% em rede, ou seja, totalmente distribuída, sem hierarquias, sem dono, sem centro. 

SM: como as pessoas participam? como se remuneram?

O2: Na verdade, não é bem participar. É mais se conectar. Em geral, existem 3 tipos de interessados em torno de uma rede:

A. Os articuladores: Percebem a existência de uma rede social (pessoas interagindo por afinidade) mesmo sem estarem visíveis em alguma ferramenta de mídia social. Detectam aí uma oportunidade de acelerar seus  objetivos sejam eles quais forem: Empresariais, Educacionais, Artísticos, Políticos, etc. Querem “empreender uma rede” mas esbarram em obstáculos vários. Principalmente de conhecimento e de financiamento do empreendimento. A Empresa Teia quebra esta inércia conectando-os a redes que já existem, mostrando como começar sem colocar dinheiro, como  adquirir massa crítica daí para frente, como  achar e mobilizar pessoas para trabalhar junto e como gerar receita no empreendimento.

B. Os fornecedores: Em geral são empresas (mas podem ser pessoas e instituições também) que tem produtos e serviços que são de interesse dos membros de uma ou mais redes. Normalmente enxergam as pessoas somente como público alvo e não como comunidade. Em função disto querem desenvolver ações de comunicação (publicidade) que é o que se acostumaram a fazer no modelo broadcast da sociedade industrial. A Empresa Teia auxilia-os a perceber a comunidade e a se integrar no dia a dia dela, entendendo-a, atendendo-a e desenvolvendo-se junto ela.

C. Os trabalhadores: São pessoas de todas os tipos. De todas as origens, idades, sexo, cor e religião. Só tem uma coisa em comum: a vontade de não trabalhar em organizações tradicionais que os aprisiona pela padronização. Querem aprender coisas novas todo dia. Querem interagir com pessoas no mundo inteiro. Intuem que agora, com a internet, existem alternativas ao modelo da sociedade industrial para o seu desenvolvimento profissional e querem se integrar a isto. Querem ganhar dinheiro mas também querem ser livres. Querem liberdade sustentável! A Empresa Teia os ajuda a viabilizar esta intuição conectando-os a empreendimentos que estão sendo desenvolvidos em rede.

amanhã vamos descobrir como a empresa teia gera e captura valor, se ela se sente competindo com alguém e com quem se compara no cenário de negócios. até lá. enquanto isso, pense: você trabalharia numa empresa totalmente distribuída, sem hierarquias, sem dono, sem centro?

 

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