Terra Magazine

domingo, 27 de junho de 2010

termina a ROBOCUP: brasil chega em quarto lugar

Tags:, , - srlm às 13:07

em 新加坡 [chinês: xīnjiāpō, singapura ou cingapura], terminou a ROBOCUP 2010 e a bandeira da competição foi passada para Βυζάντιον [bizâncio, atual İstanbul] como mostra a imagem abaixo, cortesia do professor marco simões da UNEB.

passagem-da-bandeira-de-cingapura-para-istambul-1

da ásia, simões mandou seu último emeio para o blog, relatando o fim da competição:

…ao final, a equipe Bahia2D não conseguiu livrar-se da lanterna e perdeu por 3×0 para o AuA. A equipe melhorou mas um bug não diagnosticado fez com o que nosso agente técnico (coach) travasse (crash) antes do iníco da partida. Isto prejudicou muito o desempenho durante toda a competição…

como se vê, não é só no mundo do futebol de seres humanos que os técnicos entram em pane; o “coach” [veja o papel do coach da robocup aqui, por exemplo] do bahia2D capotou e detonou o time. na copa do mundo da áfrica vez por outra a gente vê coisa muito semelhante…

e simões continua…

Na Small Size, a equipe da FEI conseguiu um empate em 0×0 e perdeu os demais jogos na fase de grupos e foi eliminada nesta fase, a exemplo do que aconteceu com a equipe Bahia3D na Simulação. Na categoria Junior, nenhuma equipe brasileira esteve entre os top 3.

nossa esperança, então, era o time bahiaMR:

Na MR tivemos o melhor desempenho brasileiro. A equipe BahiaMR qualificou-se para as semifinais; após uma madrugada de trabalho intenso [ao invés de concentração, programação!…] o pessoal conseguiu ajustar as principais falhas do time e jogou a semifinal contra o RT-Lions da Alemanha de forma muito equilibrada. Após um primeiro tempo em 0×0, no segundo tempo a equipe alemã conseguiu dois gols e venceu por 2×0, numa partida de boa qualidade e muito disputada. Uma hora depois, outra excelente partida, também muito equilibrada, terminou numa vitória de 3×0 do MRL do Irã sobre o BahiaMR, decidindo o 3o Lugar. Isto deixou o BahiaMR em 4o Lugar no ranking final da competição.

Na final, outra excelente partida vencida pelo WF Wolves da Alemanha por 2×1 sobre o conterrâneo RT-Lions manteve o título na Alemanha, trocando apenas de instituição.

alemães, historicamente muito bons em automação e controle, nos dois primeiros lugares, irã em terceiro e brasil em quarto. talvez fosse bom entender o que o irã está fazendo para –mesmo isolado da maior parte da comunidade mundial de qualquer coisa- estar entre os três primeiros de uma competição mundial de robótica. mas isso é outra história.

ainda segundo marco…

Cada competição da RoboCup possui um comitê organizador (OC) e um comitê técnico (TC). O OC é responsável por organizar e garantir o sucesso de cada edição da competição. O TC lida com todas as questões técnicas de software e hardware para garantir a evolução da infra-estrutura da competição para apoiar nos objetivos globais da RoboCup Federation. Este ano eu era um dos membros do OC e o José Grimaldo era um dos membros do TC. Na eleição para os comitês de 2011, tivemos novamente brasileiros eleitos. Nossos estudantes Juliana Reichow (OC) e Fagner Pimentel (TC) foram eleitos para realizar a organização da competição Mixed Reality juntamente com os demais membros eleitos para estes comitês.

juliana e fagner estão na foto abaixo e têm uma longa e detalhada agenda para cumprir até e durante as competições de 2011 em constantinopla.

1-Juliana Reichow (OC) e Fagner Pimentel (TC)

pra terminar, marco simões faz a seguinte avaliação sobre a participação de seus liderados na robocup2010:

Minha análise final da nossa participação na RoboCup é que foi novamente muito proveitosa. Fico bastante satisfeito em ver o progresso dos meus estudantes, o aprendizado e o amadurecimento dos mesmos ao participar destas competições. Infelizmente não levamos a bandeira brasileira ao pódio este ano, mas estamos confiantes que todas as lições aprendidas ainda trarão muito orgulho para o nosso país e, o mais importante, transformarão estes jovens em grandes cientistas da computação, que poderão trazer muitas alegrias e resultados importantes ao Brasil.

Na RoboCup, todos os que têm a oportunidade de estar lá são grandes vencedores. Pela primeira vez nosso grupo de pesquisa teve um artigo aceito para o Simpósio, com apresentação oral. Apesar de termos dois professores co-autores do artigo presentes no evento, motivamos o estudante de graduação, autor principal do paper, a apresentar e ele o fez muito bem, apesar de ser a primeira vez que faria uma apresentação deste porte. A contribuição que pudemos proporcionar para a formação deste estudante foi fantástica e isto já nos recompensa bastante.

Agradeço pela cobertura que o blog e o TERRA fizeram deste evento e da nossa participação em especial; espero que a maior repercussão que a vinda dos brasileiros para Cingapura ganhou possa refletir em maior apoio público e privado para novas iniciativas desta jovem e dedicada comunidade de robótica inteligente que temos no Brasil. Tomara que nos próximos anos o BRT e equipes de todo o Brasil possam brilhar na RoboCup.

Finalizo agradecendo a todos os parceiros que tornaram possível a nossa participação na quarta RoboCup da história do BRT: Uneb, em especial ao Magnífico Reitor Lourisvaldo Valentim; aos programas PICIN/UNEB, IC/FAPESB, PIBIC/CNPq pelas bolsas de IC que viabilizam a manutenção dos nossos estudantes dedicados ao projeto; ao BiLab pelo apoio no trabalho com o hardware dos micro-robôs da Realidade Mista e à Fácil Computadores pelos investimentos de P&D feitos no nosso projeto.

 

é isso aí; grato ao marco pelo trabalho adicional de relatar esta ROBOCUP para o blog e para o TERRA.

é bom lembrar que a ROBOCUP é algo bem maior do que robôs correndo atrás de uma bolinha: em computação e qualquer outra área de engenharia, em especial em tempos de tendência mundial [como agora] de diminuição do número de estudantes interessados nas áreas de exatas e engenharias, é muito importante ter desafios e competições que capturem o imaginário popular, que mostrem a face lúdica de coisas muito complexas como autonomous agents, multiagent collaboration, strategy acquisition, real-time reasoning and planning, intelligent robotics, sensor fusion… trazendo para mais perto de todos um entendimento, mesmo que superficial e informal, do que está acontecendo e quais suas potenciais consequências.

todos os resultados da ROBOCUP 2010 estão neste link; o site da robocup2011 já está no ar e a competição rola daqui a exatos 371 dias. esperamos que muitos times brasileiros estejam lá; o blog, certamente, estará. finalmente, se você estiver querendo saber o que aconteceu até chegarmos aqui, clique, na ordem, nestes links: robocup: a outra[!] copa; o brasil na robocup 2010: 1; o brasil na robocup 2010: 2; o brasil na robocup 2010: 3; na copa, brasil detona portugal: 13 a 3 e robocup: brasil ainda tem chances na classe MR.

missão cumprida na ásia, o time da bahia volta pra casa com gás pra virar dias e noites atrás de uma melhor performance na turquia. tomara que nossa seleção de carne, osso e nervos esteja pronta pra fazer pelo menos o mesmo [e tomara, mais] que o time de robôs da bahia. saravá!

delegacao-do-brt-em-cingapura-1

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terça-feira, 22 de junho de 2010

robocup: brasil ainda tem chances na classe MR

Tags:, - srlm às 12:27

continua a saga brasileira na robocup de cingapura: veja o relato dos últimos acontecimentos, enviado por marco simões, da UNEB, uma das duas instituições brasileiras competindo no evento:

Fim de mais um dia de competição. Resumindo a conversa, na categoria 3D fomos eliminados na fase de grupos. Os resultados estão atualizados neste link. Apesar da desclassificação a participação é positiva; nossos estudantes tiveram bastante oportunidadede interagir com membros de outras equipes, trocar informações, contatos e obter feedback.

A principal deficiência da nossa equipe 3D está nos controladores dos robôs. Os robôs possuem muitos graus de liberdade e isso  requer um esquema de controle complexo.Conseguimos fazê-los executar todos os movimentos básicos (andar, chutar, etc) mas tudo é feito muito lentamente. Por outro lado, a opinião de todos os times é que os movimentos dos nossos robôs estão entre os mais estáveis de todos os times. Se conseguirmos fazê-los mais rápidos mantendo a estabilidade, poderemos passar a disputar entre os melhores no mundial. Este feedback é muito importante pois ajudará no planejamento para continuidade do trabalho.

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Na 2D, também aconteceu a eliminação na fase de grupos mas, pelas regras desta competição, ainda será disputado um triangular contra outras duas equipes nesta quinta feira para definir as classificações entre 17o e 20o lugar. Continuaremos trabalhando para fugir da temida lanterna. Independente do resultado, os últimos dois mundiais nos levam a refletir o planejamento do projeto da 2D dentro do grupo, para que possamos voltar a ter um mesmo ritmo de evolução qualitativa que tivemos no início há 4 anos atrás.

 

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Por fim, a MR: jogamos mais duas partidas, perdemos para o MRL do Irã por 3×1 e vencemos o Northern Starts da Alemanha por 9 x 3. A classificação está bastante embolada e pelo menos 5 times brigam por 3 vagas (um time alemão, WF Wolves, está praticamente garantido). Estamos atualmente em 3o Lugar. Na próxima rodada, o BahiaMR jogará mais duas vezes em busca da classificação para as semifinais. As próximas madrugadas serão longas…

para saber mais, veja os outros textos recentes do blog sobre a robocup 2010 aqui, aqui, aqui e aqui. neste outro link, veja um relato de marco simões sobre o estado da competição em dias anteriores.

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na copa, brasil detona portugal: 13 a 3

Tags:, - srlm às 00:31

não foi na copa da áfrica do sul, mas na robocup 2010 em cingapura: o time bahiaMR, nosso representante na categoria mixed reality [veja ambiente abaixo; clique na imagem para saber mais] da copa de futebol de robôs, trucidou portugal [na verdade o time FC portugal, das universidades de aveiro e porto], por um placar ainda mais vergonhoso do que nossos irmãos lusos infligiram à coréia do norte.

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os resultados parciais estão neste link. até ontem, o time baiano havia ganho duas [de portugal e dos alemães do osna-BE!, da universidade de osnabrück, por 10 a 4] e perdido uma partida [por 4 a 1] para o WF wolves, melhor time na categoria até agora, da universidade de ostfalia, na alemanha, cujos craques MR aparecem na imagem abaixo.

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o bahiaMR está em segundo na classificação das eliminatórias e, de acordo com nosso “correspondente” marco simões, o WF wolves… é a equipe que tem apresentado o melhor desempenho até o momento, mas estamos esperançosos de melhorar o ajuste fino do time para vencê-los nas semifinais ou finais, caso possamos confirmar o bom desempenho nos próximos dias e garantir a classificação.

estamos na torcida. ainda segundo marcos… o pessoal da FEI, que está competindo na categoria small size, não havia “jogado” ainda, e acha que vai ter problemas… pois [eles] não conseguiram testar o robô novo antes da viagem e os testes terão que ser feitos durante a competição. ou seja, vai ser jogo e treino ao mesmo tempo; boa sorte à galera da FEI mesmo assim.

os times 2D e 3D da bahia perderam todas, até aqui; veja os resultados nesta tabela. os resultados da categoria MR, onde parece que temos chance, estão neste link.

abaixo, o ambiente de competição: galera do bahiaMR programando até o último minuto da competicão. como trata-se de um embate entre algoritmos e suas implementações, acaba ganhando quem sustentar a onda de permamente invenção, descoberta, inovação e evolução até a hora de entrar em campo.

BahiaMR-Bahia2D-programando

como são todos contra todos, claro que não são só nossos baianos programando até a hora do pontapé inicial; abaixo, um alguém tentando descobrir exatamente que bit entortar para ganhar, talvez, mais precisão nos chutes da categoria humanóides.

humanoides-preparacao-1

finalmente, robô de campeonato de futebol parece com técnico [ruim] de seleção brasileira e esquenta –literalmente- a cabeça; na foto abaixo [todas desta série são cortesia de marco simões] um robô nem tão famoso assim sendo resfriado por um ventilador no intervalo de um treino, para não fundir, de vez, a cuca. ainda bem, para os times da robocup, que ainda faltam quarenta anos pra 2050…

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para saber mais, veja os outros textos recentes do blog sobre a robocup 2010 aqui, aqui, aqui e aqui. neste outro link, veja um texto do guardian sobre a robocup deste ano. e até nossa próxima “reportagem” sobre a robocup 2010.

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terça-feira, 15 de junho de 2010

robocup: a outra[!] copa

Tags:, - srlm às 01:06

em tempo de copa, só se fala em copa. no país do futebol, da pátria em chuteiras de nelson rodrigues, não ia dar outra coisa mesmo.

mas este blog não entende do assunto a ponto de competir com os milhões de comentaristas de plantão, além do bob fernandes aqui mesmo do terra, baiano da gema, claro, que até profissional da bola foi, num passado –diz o juca kfouri- muito distante.

imageapesar disso, há pelo menos uma outra copa, também de bola, que chama a atenção, a partir do dezenove de junho: a robocup 2010, rolando este ano em cingapura, the “fine city”.

a robocup lá de s’pore é muito diferente do mundo da áfrica do sul, primeiro porque não tem vuvuzelas [acho]; segundo porque são múltiplos campeonatos de robôs, todos com regras ainda muito primárias se comparadas às do jogo humano inventado pelos bretões; terceiro porque as robocups estão acontecendo há apenas 13 anos, desde a primeira competição em nagóia, japão.

diferentemente da copa da fifa, há uma robocup por ano e, mesmo considerando que o atual nível das “partidas” não emocionaria muitas platéias humanas, o pessoal por trás do evento não está pra brincadeira. pra se ter uma idéia, o objetivo original da robocup é…

…by mid-21st century, a team of fully autonomous humanoid robot soccer players shall win the soccer game, complying with the official rule of the FIFA, against the winner of the most recent World Cup…

ou… aí por 2050, ter criado um time de robôs autônomos capaz de ganhar um jogo de futebol -jogado pelas regras oficiais da FIFA- contra o time puramente humano que houver ganho a copa do mundo mais recente.

pra colocar as coisas em perspectiva, vale a pena lembrar que a capacidade computacional pelo mesmo preço aumentou um bilhão de vezes entre 1965 e 2005 e que isso era só o começo. de 2005 a 2030 estima-se que aumente mais um bilhão de vezes. foram quarenta anos para o primeiro bilhão de vezes, seriam vinte e cinco para o segundo… e, deixando barato, é bem possível que haja outro bilhão de vezes de aumento de capacidade entre 2030 e 2050.

ou seja, daqui até a fatídica data do eventual embate entre humanos e humanóides, estaríamos competindo contra capacidade computacional [pelo mesmo preço] um quintilhão de vezes superior a atual… isso é, só pra você ter em mente, um “1” seguido de dezoito zeros. coisa grande, muito grande.

melhor, portanto, achar que os carinhas que vão “jogar” contra os campeões mundiais humanos em 2050 serão bem melhores do que a galerinha abaixo, os robôs “kidsize” de darmstadt [dribblers] e berlin [FUmanoids] na final de um dos campeonatos da robocup de 2009.

 

a segunda parte da decisão de 2009 está neste link e darmstadt destroçou berlin pelo placar de 11 a 1!

2010 tem copa; 2050 tem copa. se os engenheiros por trás do desafio estiverem certos, é bom a galera da FIFA não programar um jogo com os humanóides pra entregar a faixa de campeão aos humanos… só pra não correr riscos desnecessários, como diziam ontem uns sábios repórteres da maior TV do país: segundo as tais fontes abalizadas, o projeto do único time pentacampeão do planeta, no dia de hoje, é não fazer feio diante da… coréia do norte!

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como assim? mesmo eu, com toda minha ignorância futebolística, sei que nós deveríamos entrar em campo como o santos de andré, ganso e neymar e, mesmo que tomássemos algum gol deles, era fazer como darmstadt fez com berlim no “kidsize” e vencer de 11a 1!…

mas esta é outra conversa. aproveitando que não se fala em outra coisa [inclusive sobre a genial estratégia que estamos desenvolvendo, de ganhar uma copa na defesa…] este blog, que não –como já se disse antes- entende de futebol, vai falar, nos próximos dias, de futebol de robôs, coisa da qual também não entendemos direito, ainda, mas que serve pra testar os limites de um bom número de tecnologias que poderão mudar, e muito, a vida dos humanos e a forma como vivemos no planeta.

imagee a robocup não é só um desafio futebolístico; é, também, um simpósio científico cujo único artigo brasileiro, entre as 22 apresentações [MR-Simulator: A Simulator for sub-league Mixed Reality of Robocup] é da galera da UNEB, de salvador, liderada pelo professor marco simões, que também está competindo nas categorias simulation 2D & 3D e mixed reality.

times da FEI e da FURG [seria o time da UFRGS, mas eles não irão] estão competindo na categoria small size e há um número de times classificados na categoria JR, para estudantes até 19 anos, muitos dos quais vão perder o evento e as competições por pura falta de condições financeiras para estar lá. pena, pois se trata de uma grande oportunidade para ver, competir, discutir, ensinar e aprender, junto com os melhores do mundo.

o blog, cortesia de marco simões, vai acompanhar pelo menos parte da aventura brasileira na robocup 2010. vamos ver em qual das duas copas o brasil vai mais longe, e por quanto tempo, no futuro próximo. fique conosco, que aqui também tem copa!…

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

robôs [final]: onipresentes. oniscientes? sob quais regras?

image os tres primeiros textos desta série descreveram alguns cenários, de guerra a futebol, onde há evidências consideráveis de que robôs terão uma participação no futuro. menos em futebol do que em guerra, talvez infelizmente. mais em trânsito do que na sala de aula, talvez felizmente. qualquer que seja o campo, toda discussão informal sobre robótica inteligente [inteligente mesmo, bem mais do que máquinas de solda em montadoras] passa pelas chamadas “leis” da robótica, primeiro formuladas por isaac asimov.

asimov foi um dos mais prolíficos e sofisticados autores de ficção científica de todos os tempos. como parte de sua produção, há um grande número de textos que gira ao redor dos problemas práticos [e psicológicos] de robôs ideais, construídos para operar segundo regras românticas, as tais “três leis”, publicadas pela primeira vez em "run around", de 1942.

image as leis são muito simples, e representam uma certa hierarquia de valores [antropocêntricos]: 1ª lei: um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal2ª lei: um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a primeira lei; 3ª lei: um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira e segunda leis.

as leis dizem que os robôs [ideais, ou “de asimov”] estão sujeitos às nossas vontades, desde que estas não impliquem em causar mal a outros humanos e que, garantidas estas condições, os robôs devem cuidar de sua própria subsistência. há um grande número de variações das leis, parte delas de autoria do próprio asimov, que tempos depois incluiu um lei “zero”, determinando que robôs não podem agir no interesse de humanos como indivíduos; devem agir no interesse de toda a humanidade. a idéia, aqui, era elevar o interesse coletivo acima do individual, tornando os robôs um bem universal e não um benefício pessoal para um ou outro humano.

porque tais leis podem ser consideradas ingênuas? porque alguém poderia construir um robô armado e… burro. o exemplo da torre de vigia robotizada que supostamente está sendo usada na fronteira entre as coréias é claro: trata-se de uma máquina de matar gente, que pode –ou não- ter humanos no processo de tomada de decisão. veja o caso desta máquina de paintball: no jogo, é mortífera. sem humanos no controle. somos simples e puros alvos. nada mais.

o primeiro e segundo texto desta série trataram cenários em que robôs autônomos podem ter a capacidade de eliminação de seres humanos [sem humanos para tomar a decisão…] e, pior, onde estas coisas podem fugir de nosso controle e passar a tomar decisões que estejam fora dos planos originais [por mais violentos que tenham sido] de seus construtores e donos.

na série, até agora, muitos comentaram que os engenheiros trabalhando em tais projetos deveriam procuram algo mais interessante para fazer, como minorar a fome do mundo. o comentário deve ser levado em conta, mas é primário e ingênuo. tecnologia é, quase sempre, o possível, agora. se for possível fazer robôs [armados] que vigiam lojas, casas, prédios, bases e fronteiras, eles serão feitos. e usados.

nosso problema é outro. assumindo que tais sistemas começam a aparecer, quais são as regras às quais eles, seus donos, projetistas e fabricantes deveriam estar sujeitos?… dentro de tais regras, quem é responsável pelo que, em que termos? se um bug no software de um robô levá-lo a atirar em alguém, de quem será a culpa? principalmente se o robô for completamente autônomo? se for, será que é possível impedir que uma máquina seja hackeada para se comportar de uma forma não prevista anteriormente? como? nesta discussão, temos que necessariamente descer ao ponto de  discutir se um robô [autônomo] deveria ter “porte de arma” ou não.

neste contexto, que por sinal é o atual, as leis de asimov não servem para nada. as mudanças feitas no conjunto original de leis por roger clarke também não resolvem o caso, pois clarke continua assumindo [em seu texto de 1993/94] que os robôs são necessariamente “do bem”. não são. e olha que clarke tem uma lei que considera que robôs podem projetar e construir outros robôs…

num artigo bem recente, yueh-hsuan weng, chien-hsun chen e chuen-tsai sun propuseram, no topo das “inteligências” que robôs muito sofisticados [autônomos, conscientes] poderiam vir a ter, uma inteligência de “segurança”, que tornaria tais máquinas seguras num ambiente majoritariamente humano e, claro, antropocêntrico [onde as prioridades, a ética, a moral, os meios e métodos… e tudo mais são estabelecidos ao redor de demandas e satisfação humanas].

de forma muito clara, os robôs que a toyota e muitos outros vão tentar vender para nossas casas hão de se guiar por regras parecidas com as de weng et al. os robôs da toyota são baseados em “harmonia com as pessoas” que, apesar de não garantir que tudo vai dar certo e nunca haverá um acidente fatal envolvendo um robô da marca, pelo menos nos dizem que a marca japonesa vai tentar, no limite da sua competência, cumprir a promessa.

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no lado oposto, há robôs sendo feitos para tratar humanos como alvo. sobre estes, é urgente impor regras como as de john canning, da marinha americana, que propõe que os robôs podem entrar em combate autônomo entre eles mas, quando o alvo for humano, têm que solicitar a ajuda de um humano para tomar a decisão de atirar ou não. um diagrama explicando o básico das regras de canning é mostrado a seguir.

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a matriz de canning baliza o comportamento de robôs autônomos armados em situações onde haja pessoas e “coisas” [inclusive outros robôs]. se, no ambiente, só há coisas que são objetivos militares válidos, sinal verde e o pau canta, literalmente. se há pessoas e coisas que são objetivos válidos, os robôs devem mirar as coisas e pedir autorização superior para detonar as pessoas. em qualquer outra situação, os robôs não devem fazer nada, exceto se defender caso estejam sendo atacados.

não se sabe, ao certo, que conjunto de algortitmos implementariam tal capacidade de decisão e como eles seriam provados corretos na prática e em todas as situações.

tenho minhas dúvidas, face ao tamanho do esforço, se isso será possível algum dia. independentemente disso, sistemas robóticos armados continuarão sendo construídos de forma acelerada pelos países mais ricos, até porque diminuem o risco humano e político da guerra. mau sinal.

certo mesmo é que vamos enfrentar uma ampla discussão sobre ética robótica nas próximas décadas, inclusive porque poderemos, no médio prazo, construir máquinas capazes de raciocinar e tomar decisões de forma mais “esperta” [no sentido humano] do que nós próprios.

uma das atitudes subdesenvolvidas mais clássicas, em casos como este, é fingir que o assunto –de tão ameaçador ou complexo- não é conosco; dá-se uma de avestruz, a enfiar a minúscula cabeça na terra e deixar de fora e bem visível um traseiro –um alvo- centenas de vezes maior. nunca dá certo.

ao contrário, a associação americana de inteligência artificial encomendou a um painel de cientistas, mencionado no segundo texto desta série, um estudo sobreexpectations and uncertainties about the development of increasingly competent machine intelligences, including the prospect that computational systems will achieve “human-level” abilities along a variety of dimensions, or surpass human intelligence in a variety of ways.

se existe a possibilidade de sistemas computacionais poderem, em futuro próximo, atingir níveis de performance igual ou superior aos humanos em um número de áreas, talvez se deva –todos nós, em todo o mundo- ajudar a escrever o livro de regras debaixo dos quais tais inteligências artificiais vão se comportar. na escola e na estrada, na casa e no escritório, na brincadeira, no hospital, no jogo, na guerra e na paz.

antes que elas próprias queiram escrever o livro de regras. talvez todas as regras.

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[acima, níveis de necessidade humanos {de acordo com maslow}, níveis correspondentes para um robô de pesquisa da nec e exemplo de atitude do robô quando seu nível de satisfação é baixo e ele realiza uma ação para aumentá-lo.]

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terça-feira, 28 de julho de 2009

robôs [3]: campeões do mundo? de futebol?

Tags:, , , , , , - srlm às 07:00

robocup é o nome da família de campeonatos mundiais de futebol de robôs. por enquanto, é jogado entre eles e os melhores lances das partidas decisivas são, no mínimo, risíveis. quer ver? clique no vídeo abaixo.

se você viu o show , deve ter notado que, na abertura, uma galera chega ao estádio num carro dirigido por um… robô. trata-se de junior, segundo lugar no darpa urban challenge de 2007, cujo desafio era fazer um carro autônomo atravessar uma cidade [imaginária]. breve, nas rotas da sua vida, ônibus e táxis sem motoristas e, mais longe, já que motoristas amadores são tão perigosos, podem acabar proibindo você de dirigir seu próprio carro, que será um robô. enquanto não rola, veja alguns outros vídeos da última copa mundial em graz, na áustria, neste link.

image a rede mundial de instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento, inovação e empresas, de dezenas de países [incluindo o brasil] tem um objetivo muito imodesto: em 2050 [ano de copa do mundo!] ter criado um time de robôs humanóides completamente autônomos capaz de vencer a seleção [humana] campeã mundial. não é pouca coisa. mas, daqui pra lá, são mais de quarenta anos. a favor dos robôs.

em se tratando deles, vamos lembrar o que disse um dos comandantes responsáveis pelo programa de sistemas autônomos das forças armadas americanas, citado no primeiro texto desta série: segundo o tenente-general david deptula, o que nós estamos vendo hoje, comparado com o que está por vir nos próximos 30 anos, “são os anos 1920”…

e tempo, aqui, faz uma grande diferença. quando se compara os quarenta anos entre 1965 e 2005, a evolução exponencial das capacidades de processamento, armazenamento e comunicação fez com que, pelo mesmo dinheiro da década de 60, se comprasse um sistema um bilhão de vezes mais poderoso quarenta anos depois.

considerando os avanços atuais, quando se dobra a capacidade de processamento pelo mesmo preço a cada treze meses, e medindo a partir do mesmo 2005, em quanto tempo compraríamos, pelo mesmo preço da metade desta década, um sistema um bilhão de vezes mais capaz? meros 25 anos; em 2030 será possível comprar, por dois mil reais de hoje, um laptop cuja capacidade de processamento [e não, note bem, a “inteligência”] será igual à de um cérebro humano.

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ao redor de 2050, ano do possível embate futebolístico entre humanos e robôs, os mesmos dois mil reais serão capazes de comprar uma capacidade de processamento igual à de todos os humanos vivos, juntos. onze craques robóticos, a dois mil reais por cérebro, mais estrutura, sensores e atuadores… vamos imaginar astronômicos duzentos mil reais por “jogador”. no brasil de hoje, é o preço de pebolistas da série C do brasileirão. dois milhões daria pra montar um time inteiro de máquinas. pra ganhar da seleção campeã mundial?… que teria, entre muitos outros um kaká de cento e cinquenta milhões de reais?

das duas, uma: não vai haver, nunca, um robô jogando como um kaká ou cristiano ronaldo e craques como eles vão comandar valores astronômicos em seus contratos para sempre. ou vai haver, algum dia [julho de 2050?], robôs jogando como kaká e o futebol [e a vida] terá mudado para sempre. incluindo os salários dos jogadores humanos…

e hoje, onde estamos? o prêmio de vídeo mais inovador da última ijcai, uma das mais reputadas conferências mundiais de inteligência artificial, foi para um robô, ACE [autonomous city explorer, explorador autônomo de cidades] capaz de andar [ou melhor, rodar] sozinho, por cerca de 1.5km, atravessando uma parte do centro de munique. veja o vídeo.

 

 

há um detalhe não trivial a observar: ACE não tem acesso a mapas da cidade, dados de GPS, falhas do pavimento… e tem que interagir com pessoas que lhe indicam, com sinais, como se movimentar para chegar a seu destino. no experimento que gerou o vídeo, ACE está imerso em um ambiente essencialmente humano e interage com gente o tempo todo. e chega onde queria chegar.

é um bom começo. tem mais quatro décadas pra parecer gente e fazer o mesmo e mais, realmente sozinho, se possível driblando que nem os melhores humanos do mundo. se chegar lá, vamos precisar das regras que você poderá ler ao clicar na imagem abaixo.

 

 

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