Terra Magazine

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

bits.5: e você achava seu carro legal…

carlos ghosn, o brasileiro que preside a renault-nissan [cadê o LEAF, seu modelo elétrico, no brasil?], diz que veículos estão se transformando em plataformas móveis, programáveis. o blog tratou do assunto em carros em modo beta, movidos a tanto software que começam a se comportar como se software fossem. por que são: carros de topo de linha têm dezenas de milhões de linhas de código rodando em seus computadores [sim, mais de um, muitos]… com alguns chegando a 100 milhões de linhas de código.

pra comparar, windows 7 tem "apenas" 50 milhões de linhas de código.

agora olhe o conceito fun-vii que a toyota propõe para 20XX, mostrado no vídeo abaixo. e se lembre que o software para fazer o carro "entrar" na rede de ruas e ser dirigido por elas é muito mais complexo do que as interfaces que vão permitir [veja o vídeo] você decorar o carro do jeito que quiser e mesmo do que a assistente holográfica que aparece para conversar com o motorista enquanto ele não faz nada [é passageiro, na verdade...].

plataforma programável, móvel e conectada: o carro do futuro? feito de software…

Relógio

em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o blog publica [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

a oportunidade móvel

em laranja, na imagem abaixo, o tráfego global móvel, a cada trimestre, por mês, de voz. em vermelho, o tráfego de dados. tudo em petabytes por mês.

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pra começar, se você não sabe que voz, nas redes móveis, é transferida como dados, fique sabendo. é até por isso que dá pra comparar o "volume de dados correspondente a chamadas telefônicas clássicas" com o "volume de dados de todas as outras coisas" [incluindo voz em skype, por exemplo].

o volume de dados móveis ultrapassou o de voz no fim de 2009 e já era o dobro no começo de 2011. e isso só está começando. observe a imagem abaixo e veja quais são as previsões da ericsson [neste relatório] para o crescimento do número de conexões e de banda larga móveis nos próximos cinco anos.

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estamos falando de 8 bilhões de conexões móveis em 2016, quase 5 bilhões delas com acesso a banda larga móvel. a curva amarela, avançando muito rapidamente na direção da verde e se encontrando com ela perto do fim da década ou no começo da próxima, parece mostrar que todos os sistemas de informação pessoais, conectados e móveis, serão em essência digitais. é mais ou menos por aí, também, que a ideia de "pacote de minutos de voz" das operadoras vai deixar de fazer qualquer sentido, levando consigo, talvez, uma noção criada em 1879/1880 por um médico americano, o número telefônico. apesar de você precisar dele ainda hoje, para usar um sistema de voz digital que independente totalmente da "voz, na operadora", como viber.

quem já tem esta conectividade digital pessoal móvel… como usa?

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metade das pessoas usa dados nos smartphones antes de dormir e quase 40% assim que acorda; a hora mais "calma" do dia é o jantar, onde parece que as pessoas se encontram e, sem uma maior mediação informatizada… conversam de verdade, talvez sobre a [péssima, no caso do brasil] qualidade das infraestruturas de banda larga móvel. e os picos de uso são na ida para o trabalho [nos transportes públicos, principalmente] e tarde da noite, talvez [quase certo, veja o gráfico abaixo, deste outro texto] vendo TV.

a mudança de comportamento embutida na ubiquidade dos smartphones e tablets é radical. o autor e cristina coghi discutiram parte do impacto deste aumento de conectividade no fim de junho, na CBN, neste link [em áudio].

veja o relatório da ericsson e pense nas oportunidades. em particular, imagine um mercado em que o número de participantes vai crescer cinco vezes em cinco anos. e isso a partir de um patamar de quase um bilhão de usuários. estamos falando –na prática- de universalização de banda larga móvel na próxima meia década. muito provavelmente, haverá consequências em quase todos os mercados, de varejo a logística, de educação a saúde, de mobilidade a entretenimento.

e você, vai fazer o que? e nós, em todo o brasil, temos que grandes ideias e capacidade de execução para dar conta de que nichos deste gigantesco e multibilionário mercado global?… dos cinco bilhões de usuários de banda larga móvel de 2016, quantos estarão usando soluções e aplicações brasileiras no seu dia-a-dia, pra trabalhar ou se divertir?

o brasil quer quase 50% das exportações mundiais de carnes em 2020. seria muito pensar em 5% dos usuários de banda larga móvel usando pelo menos um serviço ou aplicação móvel made in brazil em 2016 [ou 2020]? isso daria uns 250 milhões de pessoas. numa conta de padaria, se o ticket médio por usuário fosse US$10 por ano, seriam US$2.5 bilhões de dólares do lado certo da balança comercial de TICs, que este ano será deficitária em quase US$40 bilhões [US$33.4B em hardware e perto de US$5B em software, assumindo um crescimento de 20% sobre 2010]. vale a pena observar que as exportações de software made in brazil por empresas de capital brasileiro não chegam a US$250 milhões, perto de 10% do total exportado pelo país..

o tamanho da oportunidade móvel é imenso. quem estiver perto do setor tem que pensar nisso. e no mercado global. e nos próximos cinco, dez anos, pelo menos. quem apostar, verá.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

a guerra das patentes

a indústria de TICs está metida numa monumental guerra de patentes em que todos só têm a perder. principalmente a inovação e nós, os usuários. para se ter uma vaga ideia do tamanho da confusão, olhe o diagrama abaixo… que só trata parte da indústria de mobilidade.

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a imagem diz quem está processando quem e quem está licenciando o que para quem não quer ser processado. e representa só uma pequena parte de um estado de coisas que começou a ser criado –em larga escala- quando o USPTO, o escritório de patentes e marcas dos estados unidos, resolveu proteger ideias absolutamente triviais como "comprar algo que está numa página da web em um só click". esta é patente da amazon que causou imensa polêmica e abriu as portas para que se patenteasse quase tudo. e isso começou no agora longínquo 1999. mas a coisa como um todo vem de muito mais longe, e a primeira patente de software, inglesa, tem 50 anos.

uma década e meia depois do começo da web, que talvez tenha sido quando se tornou evidente que todo o futuro iria depender de software, todos os negócios globais têm um arsenal intelectual –devidamente protegido por lei- para processar qualquer outro. a situação é similar ao auge da guerra fria, quando a URSS e os EUA podiam se destruir mutuamente várias vezes, levando todo o resto em sua fúria. ainda bem que não rolou.

entre as grandes empresas de TICs, o litígio e seus custos só aumentam, a ponto de levar gente como google a comprar uma motorola inteira, tendo como principal argumento a "proteção do ecossistema android" contra o ataque de detentores de propriedade intelectual potencialmente danosa aos interesses das empresas que dele fazem parte.

o blog vai voltar ao assunto em breve, com uma série de textos sobre propriedade intelectual, inovação e empreendedorismo. por hoje, a ideia é só apontar para onde tudo parece ter começado: patentes de software. isso pode piorar muito no curto prazo, com o tipo de patentes que a europa planeja conceder. o que nos leva a pensar que talvez seja preciso revisar o sistema como um todo. é o que iremos discutir em outros textos desta série.

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

um brasil maior: mesmo?

o programa brasil maior, ação mais recente do governo federal na direção de uma política industrial e de comércio exterior, foi bem recebido pelo setor de software. as empresas da área deixam de pagar encargos trabalhistas de 20% sobre a folha de pagamentos e passam a recolher um imposto de 2.5% sobre a receita bruta do negócio. isso de forma experimental, de quando o assunto for regulamentado ate dezembro de 2012, quando o assunto será reavaliado.

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edmundo oliveira, diretor de relações institucionais da associação brasileira de empresas de tecnologia da informação e comunicação, a brasscom, disse a tele.síntese acreditar "que a medida terá um impacto muito positivo para o setor e vai permitir o aumento da competitividade das empresas de TI do país”.

o blog concorda, em tese, com a brasscom. pelo menos o governo federal saiu da imobilidade que sempre o distanciou de um dos setores mais ativos da economia durante décadas e fez alguma coisa pelas empresas de software. para saber o que vai –ou pode- acontecer na prática e quais são as consequências no curto, médio e longo prazos, falamos com césar gon, um dos fundadores e atual diretor presidente da ci&t, uma das empresas de software que mais crescem no país, com clientes pelo mundo afora e bases no EUA, japão e china, além do brasil.

SM: qual o impacto que as medidas do plano brasil maior poderão ter na indústria de software nacional? como elas aumentam a competitividade das empresas baseadas no brasil no mercado mundial? que expectativa de geração de novos empregos nós temos? ou se trata de medidas para manter o grau de emprego da indústria nacional de software?

CG: Acho que são dois contextos distintos: para o mercado doméstico, são muito positivas e certamente contribuem para uma melhoria horizontal no setor, com aumento da formalização e incentivo ao emprego. São também defensivas, pois criam mais uma barreira para reduzir a migração de empregos locais para países mais competitivos que o Brasil como Argentina, Uruguai, China e Índia.

Num contexto mais global, o caminho para a real competitividade é bem mais longo. O impacto positivo dessa desoneração é certamente menor que a perda com a variação cambial nos últimos dois anos, período no qual o Brasil viu sua (já pequena) participação no mercado mundial diminuir para menos de 2%. Completando o cenário, o protagonismo das empresas nacionais no volume total de exportações (US$ 2,39B em 2010, segundo o IDC) é muito baixo, de menos de 10%, número aliás muito parecido com a participação das empresas de capital nacional no mercado doméstico.

Esse fracasso, se olharmos com cuidado, está associado a questões bem mais fundamentais do que o câmbio ou o custo trabalhista. O nosso atraso está ligado à estrutura da nossa indústria, a uma cultura de curto prazo e pouca diferenciação.

Como exemplo, veja que estamos falando de uma "experiência" de  desoneração (e expectativa de resultados) com um prazo de 13 meses
(dez/11 a dez/12), quando qualquer estratégia de internacionalização  precisa ser pensada num horizonte bem maior, de no mínimo 10 anos. O que vi nas duas últimas décadas foi um movimento pendular e inócuo: as empresas nacionais decidem exportar quando o mercado doméstico está desaquecido e a relação dólar/real favorável. Em seguida, o cenário  muda, a demanda interna aumenta e/ou o dólar se deprecia e as  iniciativas de exportação perdem prioridade. O fato é que o processo de internacionalização leva tempo, consome capital e demanda inovação.

Não é algo para ser feito em dois ou três anos. Montar a estrutura  executiva local, estabelecer credibilidade, inovar para diferenciar a oferta em cada mercado/cultura etc. são atividades críticas e que demandam tempo para maturar.

SM: além das medidas atuais, o que mais é preciso fazer para se ter um brasil realmente competitivo frente a indústria internacional de software?

CG: Para criar uma forte e exportadora indústria nacional de TI, não basta atacar a crônica falta de competitividade do capital humano brasileiro. Sob um olhar mais estratégico, não será exportando serviços de baixo valor agregado que iremos conquistar espaço numa das mais competitivas e inovadoras indústrias do mundo.

Não dá para desenhar uma estratégia de exportação baseada apenas em arbitragem de custos através de alocação de mão-de-obra (no jargão do setor, "body shopping"), que é a modalidade de serviço ainda predominante na indústria doméstica. Além disso, impera ainda a cultura extrativista de "vender para depois contratar" em contraposição ao investimento contínuo em formação de profissionais, o que cria um ambiente de alta rotatividade e baixa qualidade.

É preciso olhar para o futuro. O mercado de produção de software
offshore é resultado de uma transformação do final do século passado, liderada pela Índia e baseada numa enorme disponibilidade de mão-de-obra técnica, de baixo custo e fluente em inglês. O Brasil não participou daquela transformação e não deve almejar ser um protagonista tardio.

Por outro lado, existe um processo radical de mudança na indústria
global de serviços de TI, que será novamente transformada, dessa vez
pela "consumerização" do uso da tecnologia, pela massificação da
computação em nuvem e pela pervasividade dos dispositivos móveis e das redes sociais.

Tais transformações representam uma enorme oportunidade para um posicionamento de maior valor para todas as empresas de TI, inclusive
as nacionais. E os fatores críticos para que essa oportunidade possa ser capturada pela indústria nacional de software são 1) alongar a visão de investimentos,
2) criar ecossistemas empresariais mais inovadores; e 3) apostar pra valer num intenso processo de formação de capital humano de qualidade, em grande quantidade.

a julgar pelas respostas de césar gon, parece que estamos vendo surgir mais uma solução conjuntural [e parcial] para um problema estrutural [e muito mais complexo de ser tratado], similar ao que está acontecendo no mercado de hardware, assunto que já discutimos neste e neste textos.

e as coisas não são assim porque brasília não entende o assunto, cenário, mercado, empresas e seus problemas. é porque se trata de uma situação complexa e, como tal, de solução trabalhosa e potencialmente complexa.

mas os políticos parecem ter perdido a noção do que realmente significa governar um país: deveriam governar para resolver problemas, a maioria dos quais complexos, multifacetados, interconectados, históricos… que assolam seus cidadãos, as empresas e as instituições em geral. claro que isso não é simples e nem pode ser feito sem atingir interesses variados, em quase todo caso. resultado? como tudo o que é estrutural e daria resultados de curto, médio e longo prazos é difícil de ser feito, prefere-se o conjuntural, muito mais simples de ser atacado e que pode até dar resultados no curto prazo e dentro de um escopo limitado.

e o futuro, de verdade? parece que fica para o próximo mandato. se houver um. ou para quem estiver no lugar em alguns anos, seja quem for. ele ou ela que pague os custos políticos de resolver os problemas de verdade. foi pensando assim que a atenas e roma [antigas e atuais] afundaram, que os EUA estão na situação em que se encontram… que a argentina patina há décadas… e que nós e os russos [parece até que, desta vez, combinamos com eles] realizamos muito menos do nosso potencial do que poderíamos e os BRICs são, cada vez mais, só IC, de índia e china.

o que talvez esteja em falta, na política de muitos países e empresas, é criatividade para tratar os problemas da era da complexidade. sem falar na pura e simples confiança, determinação e coragem para não fugir dos grandes problemas.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

a economia das APPs

Tags:, , , , , - srlm às 08:00

semana passada tuitei um dado sobre a rentabilidade das aplicações depositadas no appStore da apple…

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…e várias pessoas entraram na conversa imediatamente, chamando a atenção para o fato de que downloads pagos e gratuitos estavam no mesmo saco.

tudo bem, a ideia era esta: para "vender" alguma coisa num appStore, quase todo mundo oferece algo grátis e cobra pela versão completa, profissional, sem anúncios, o que for que a diferencie da básica. o modelo de negócios freemium, aliás, começa a se estabelecer como "o" modelo para jogos móveis, que de resto ocupam 75% das posições entre as 100 apps com maior número de downloads em qualquer appStore.

AppStore Top100GrossingGames Freemium vs Premium resized 600

a conta lá do tweet, que vem de informação de techMeme, diz que somando apps pagas e gratuitas, a renda por app é US$0,17, o que dá alguma coisa perto de R$0,27. a apple fica com 30% do total pago; os números acima se referem ao que é pago aos desenvolvedores. o appStore da apple está registrando, hoje, 24 milhões de downloads por dia, sobre um universo potencial de 425.000 aplicações disponíveis.

se tudo fosse igual para todo mundo, cada aplicação teria perto de 60 downloads por dia, correspondendo a uma renda de pouco mais de R$15, ou perto de R$450 reais por mês. se você fizer uma destas tais aplicações "médias", é isso que você pode esperar, durante o tempo de vida da sua aplicação, algo como dois anos.

ocorre que mais de 50% das aplicações não chega a 1.000 downloads durante todo seu ciclo de vida; se vocês estiver nos 50% que consegue pelo menos 1000 downloads, são R$270 em caixa. e isso é um problema para boa parte das aplicações: para os jogos, o custo de desenvolvimento está entre US$10.000 e US$50.000. e esqueça anúncios: leia neste link como um jogo que teve 10 milhões de downloads rendeu apenas US$30.000, para um total de 108 milhões de anúncios servidos… cuja taxa de click-through [métrica de pagamento na maioria dos casos] não passou de 1%.

veja um pequenos estudo sobre a economia dos appStores neste link. claro que isso tudo ainda está em estágio inicial e, para quem está no jogo, trata-se muito mais [pelo menos no momento] de aprender do que lucrar.

à medida que os três [ou quatro] appStores que vão existir no futuro [apple, android, microsoft {e amazon}] amadurecerem e servirem de base para a personalização de quatro ou cinco bilhões de smartphones, os volumes aumentarão, novos modelos de negócio vão aparecer e coisas vão mudar.

apesar dos appStores terem melhorado muito o jogo para o lado dos desenvolvedores e pequenas empresas de software em relação ao que nos ofereciam [argh!] as teles, parece que ainda não chegamos ao ponto em que podemos comemorar.

é preciso bem mais do que uma ideia na cabeça e um jogo [ou qualquer outra coisa] em algum appStore para se declarar vencedor. para gerar renda de verdade e sustentar uma galera trabalhando nisso, então, é um esporte diferente, para o qual é preciso ter imaginação, estratégia, modelo de negócios, criatividade, inovação, execução… tudo o que sempre foi preciso para criar um novo negócio inovador de crescimento empreendedor.

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PS: passando bem perto do tema deste post, john battelle acaba de publicar um texto [time for a new software economy] que aponta os problemas que temos, hoje, na economia de software. battelle questiona se não está na hora de se repensar as plataformas de suporte às ecologias de aplicações e serviços, na web e móveis. segundo ele, os atuais fundamentos da indústria de software são incapazes de promover uma ecologia saudável e de longo razo. eu concordo e acho que isso tem a ver com a necessidade de uma nova classe de suportes aos mercados de software e isso, por sua vez, tem a ver com uma ideia que estamos desenvolvendo no c.e.s.a.r e na UFPE, as máquinas sociais.

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

pessoas, tempo, escolhas, empresas, espaços…

google acaba de investir [ou gastar?...] quase dois bilhões de dólares na maior transação imobiliária do ano nos EUA, comprando espaço, um dos maiores prédios de nova iorque, a antiga administração do porto da cidade. o ícone da imagem abaixo tem cerca de dois milhões de pés quadrados, ou perto de 190 mil metros quadrados e a companhia [da califórnia] já tem mais de dois mil colaboradores ao redor de manhattan e está contratando, lá, como se não tivesse ninguém, ainda.

isso me lembrou que, no começo da década passada, um dos espaços que queríamos pra começar o porto digital do recife era exatamente o prédio da administração do porto. além, claro, de todos os armazéns [vazios então, vazios agora] da imagem abaixo…

…porque tudo [menos passageiros] estava e está, hoje, indo para suape, um megaporto logo ao sul, a poucas milhas náuticas do centro do recife, espaço parcialmente mostrado na imagem abaixo.

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tivéssemos conseguido –lá no passado- o espaço, e se ele tivesse casado com o tempo, com as janelas de oportunidades da época, a história talvez fosse outra e o porto digital, hoje, poderia ser muito maior do que as 150 empresas e 5.000 pessoas que já trabalham na rede de valor de software no centro velho do recife, ocupando espaço de armazéns que, há dez anos, literalmente caíam aos pedaços.

mas a história não é feita de "se’s" mas de fatos, acontecimentos, contratos e contratações… nem nós éramos ou somos google. pelo menos não ainda.

google foi a companhia paradigmática da web dos anos 00, a web 1.0, talvez como facebook e twitter sejam dos anos 10 e da web 2.0. pra comparar os tempos e as companhias, o que twitter [por exemplo] está fazendo agora?…

twitter está comprando… gente. acaba de adquirir fluther, e disse, a quem perguntou, que não estava comprando o serviço, pois não pretende agregá-lo às suas ofertas. pra quem está crescendo como twitter e só vale uns poucos bilhões de dólares [menos de quatro, ao contrário de google, que vale US$193B], gente é fundamental, muito mais importante do que prédios para botar gente. até porque, no caso de twitter, que segundo o próprio "ainda não tem um modelo de negócios viável"… comprar prédios é um vacilo. grande, talvez. neste mercado, "sede própria" só faz sentido pra quem tem o futuro garantido.

mas definir, estruturar e evoluir espaços articulados para alavancar e adensar redes de valor da economia do conhecimento, especial e principalmente criando e mantendo as condições para que empreendimentos de classe mundial coexistam em tais lugares… é um valor único em um mundo que não é plano como muitos pensavam [veja aqui porque os picos são muito importantes na economia em rede]. por que?…

porque [da série do blog que discute o plano e os picos da economia planetária]…

…o lugar ainda importa e vai continuar sendo importante; mais de 50% da população mundial mora em cidades densas [contra 30% em 1950]; se o lugar não importasse [em termos de potencial econômico individual], as pessoas não iriam se mudar para estes lugares densos onde parece haver mais oportunidades.

o porto digital entende o mundo desta forma e  trabalha para criar, em um pequeno espaço conexo no centro do recife e para a economia de software e intensiva em software, picos. picos de performance e produtividade, de geração e captura de valor, bem como de educação, qualificação e certificação de pessoas e empresas, atração de talentos, tecnologias e investimentos e aumento da capacidade de geração e de realizar negócios, inclusive a partir dos desafios enfrentados pelas empresas que já existem no sistema local de inovação… e por aí vai, passando obviamente pela criação de um ambiente propício para inovar, sem o que é quase impossível sobreviver na economia do conhecimento e de software em particular.

isso leva tempo, muito tempo. pólos e parques tecnológicos podem levar décadas para atingir um estágio de maturidade de classe mundial. o porto digital está comemorando, em recife e pernambuco, os primeiros dez anos de um trabalho que pode levar mais dez ou mais vinte até chegarmos "lá", como a gente discute na entrevista do bom dia pernambuco abaixo.

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dez anos até aqui e talvez mais quinze para maturar parece muito tempo. mas mudanças sócio-econômicas, culturais e educacionais de grande porte são assim, precisam de muito tempo, muito trabalho, muito conhecimento, investimento, planejamento, empreendimento e envolvimento, e de muita gente.

o porto digital não é uma ou poucas pessoas. são milhares, literalmente milhares. e, pelo andar das coisas e pelos investimentos que estamos recebendo e discutindo para o futuro próximo, parece que em breve seremos muitos milhares mais. não quer dizer que não temos problemas; temos sim, e são muitos. mas ninguém, hora nenhuma nestes dez anos, foi ingênuo a ponto de achar que o caminho era curto ou fácil e as escolhas, simples. não é, não está sendo, nunca será. se fosse, haveria algo como o porto digital em quase todo lugar.

vá ver o vídeo. talvez, depois, pense em vir prá cá.

pra todos, dentro, ao redor, fora, perto e longe do porto digital e de suas empresas, feliz natal, um grande 2011 e muita sorte e sucesso em todas as suas escolhas de caminhos, espaços e negócios, sempre.

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quinta-feira, 18 de março de 2010

carros em modo beta?…

image qualquer carro, hoje, tem software. mesmo os mais simples, por mais incrível que pareça, têm muito software. e não se trata só de software naquele computador de bordo que a gente vê no painel. porque a bordo, em outras partes do carro, há computadores [sim, mais de um] de bordo, escondidos, mas fazendo [ou não, como se sabe] seu trabalho.

os computadores de bordo e seu software fazem de um tudo, de aceleração a frenagem, de controle dos mais diversos parâmetros do motor à verificação da pressão dos pneus e ajuste e controle de tração e suspensão. e parece que isso tudo ainda é pouco; a cada ano, uma parte ainda maior das funcionalidades dos carros é realizada por software, a ponto dos especialistas em aviação concordarem que o setor automobilístico passou o aeronáutico, há tempos, quando o negócio é software “embarcado”, aquele que anda [ou roda, ou voa] dentro dos carros e aviões.

o desafio de escrever software embarcado automotivo e que funciona corretamente pode ser considerado bem maior do que o de fazer sistemas de informação, digamos, para a web: enquanto estes existem e funcionam num mundo quase que puramente virtual, aqueles têm que interagir com coisas reais ao seu redor, como o motorista e passageiro, a estrada [e os buracos] o calor, o frio, o dia e a noite, o claro e o escuro. e os problemas, aqui, são muito mais concretos, até porque o software da web, do meu e do seu laptop não tem nenhuma garantia e o carro tem… e em alguns casos de até cinco anos. e daí?

daí que, já em 2002, a IBM já estimava que 50% dos custos da garantia dos carros estava relacionada a problemas com eletrônica e software. de lá pra cá, o problema só deve ter piorado. meu carro já trocou o software [e a autorizada não soube precisar que parte dele] uma vez, e só tem um ano e meio de uso. isso é uma mudança muito radical em menos de meio século: até os anos 70, software não tinha nada a ver com carro. clique na figura abaixo para ir até o relatório Shifting car makeup shakes up OEM status quo: Software strength is critical e ver a imagem abaixo em tamanho natural; os blobs verdes são funções essenciais [como controle de aceleração] e os amarelos são comodidades [como memória dos bancos].

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em this car runs on code [“o combustível deste carro é software”], texto publicado no ieee spectrum de fevereiro de 2009, manfred broy dá o tamanho do problema atual: segundo ele, carros topo de linha podem ter 100 milhões de linhas de código [ou 100MLoC, million lines of code]. para você que não é de software, cada LoC é uma “instrução” entendida e executada pelo hardware, os computadores embarcados no carro, chamados de ECUs, ou “electronic control units”. há veículos que têm 100 ECUs conectadas em rede. pense na complexidade. nos mercedes classe S, segundo broy, somente o software que trata do console de entretenimento e navegação [rádio, cd… GPS] tem cerca de 20MLoC.

em 1983, um engenheiro da GM escreveu que”software development will become the single most important consideration in new product development engineering”… ou que …desenvolvimento de software se tornaria o problema mais importante do processo de desenvolvimento de novos automóveis... e não é que ele tinha uma bola de cristal? num carro padrão, o custo da eletrônica saiu de 5% na década de 70 para 15% em 2005, num híbrido, chega a 45%.

do ponto de vista das inovações no setor automobilístico, saímos de 10% derivadas de ou intensivas em eletrônica e software em 1970 para 90% em 2010. em outras palavras, quase tudo de novo que há no meu e no seu carro, hoje, é software. clique na imagem abaixo uma discussão detalhada deste tema em um relatório da mcKinsey.

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em alguns anos, um carro básico terá 50% de todo seu custo associado à eletrônica e software e tal proporção deverá chegar a 80% num híbrido. e todos estes sistemas embarcados, como nós estamos acostumados a saber por experiência própria com o software que usamos em casa e no trabalho, têm problemas, e não poucos, e difíceis de serem identificados à primeira vista, mesmo pelos engenheiros que os desenharam e implementaram. quer ver parte das consequências?…

lá em 2005, a Toyota fez um recall voluntário de 160.000 prius modelos 2004 e 2005, pra resolver um problema de software que fazia o carro morrer de repente. o custo do “reparo” foi estimado em 240.000 homens hora. na época, a empresa dizia ter “consertado” um dos problemas relatados pelos motoristas mas que, para um segundo problema… "due to the limited amount of information surrounding the incidents"… estava tendo dificuldades para determinar a causa exata… e consequentemente em produzir uma novar versão do software que desse conta do defeito. tratava-se, muito provavelmente, de um defeito intermitente, oriundo da interação de vários sistemas de hardware e software e seus sensores e atuadores.

na atual leva de recalls da companhia, a toyota está trocando uma parte mecânica do acelerador em nada menos que oito milhões de veículos, além de um recall de 400 mil prius de última geração por um problema nos freios, atribuído pela própria toyta a um defeito de software. a operação toda deve custar mais de dois bilhões de dólares aos cofres da montadora japonesa. isso se ficar por aí: tem gente que teve a tal parte mecânica do acelerador trocada e, depois, sofreu um acidente por não ter conseguido desacelerar o carro, o que aponta para mais problemas de software.

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segundo quem está por dentro do assunto, pode haver um erro sistêmico nos carros envolvidos, nenhum deles vendido no brasil, só em mercados “mais sofisticados”. aparentemente, o sinal de frenagem teria prioridade mais baixa do que o de aceleração. como assim, você diria? ora, pois: nos tais mercados “mais sofisticados”, os carros do recall da toyota são driven-by-wire, totalmente controlados por computadores e software, e isso faz com que não seja sua força física, no pé, que faz o carro freiar. quando você pisa no freio, o pedal captura sua intenção e um conjunto de sistemas tenta realizá-la usando os sensores e atuadores do veículo. se tudo der certo, o carro para. senão…

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e isso nos leva à conclusão deste já muito longo texto: o mundo está em modo beta, como já dissemos aqui várias vezes [e que você pode ver em vídeo aqui].

já faz algum tempo que estamos fazendo tudo na base da execução imperfeita do desconhecido, o que leva quase tudo a não ficar pronto nunca. de mais de uma forma, estamos prontos, vamos dizer assim, pra aceitar tal característica [a dos sistemas se tornarem incrementalmente melhores com o tempo] no nosso emeio, site do banco e da empresa.

mas, considerando que só nos últimos seis meses a indústria automobilística mundial fez recalls de quase vinte milhões de veículos,  será que não deveríamos pensar e trabalhar um pouco –ou muito- mais antes de botar na rua automóveis que parecem ter seu software em modo beta e às vezes, pelo que parece, muito beta demais?…

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terça-feira, 19 de maio de 2009

o software [meio bêbado?] dos bafômetros

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quando se trata de motoristas alcoolizados, o brasil tem uma das mais radicais legislações do planeta. em algumas cidades, como recife, verdadeiros cercos noturnos estão sendo realizados, à cata de qualquer um que tenha bebido uma taça de vinho que seja. e não deve ser para menos: as dezenas de milhares de mortes por ano, no trânsito brasileiro, têm muito a ver com pé na tábua e álcool no sangue.

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descontadas todas as desculpas, inclusive as de quem acha que meia garrafa de vinho nem se leva em conta como álcool, na prática, no chile, argentina, frança e itália, e nem por isso, por lá, morre tanta gente no trânsito… o caso brasileiro talvez seja grave o suficiente pra gente radicalizar e depois, quem sabe, voltar atrás.

bem no centro da guerra contra o álcool na direção estão os bafômetros, aqueles instrumentros “de precisão” capazes de medir o teor de álcool no seu sangue em duas casas decimais. mesmo?

pois bem. um número de casos, nos estados unidos, está pondo em séria dúvida a capacidade dos breathalyzers [como são chamados os bafômetros por lá] realmente decidirem quem passou da conta ou não. no caso de uma das marcas de bafômetros, a dräger, uma revisão sistemática do software usado no aparelho detectou falhas que podem por em sério risco a validade dos diagnósticos do mesmo. segundo especialistas independentes, o software do bafômetro modelo 7110 da dräger… [shows ample evidence of incomplete design, incomplete verification of design, and incomplete “white box” and “black box” testing]… tem claras evidências de incompletude de projeto, verificação de projeto e de incompletude de testes. o bafômetro 7110 da dräger teria mais de dez falhas que comprometeriam, de forma radical, o resultado das análises feitas com o equipamento.

a dräger pode acabar tendo que devolver US$7M que o estado de new jersey gastou em seus bafômetros, e o estado pode ter que compensar em muitos milhões a mais as pessoas que condenou a penas diversas, baseado em evidências produzidas [literalmente] pelo bafômetro. isso se o judiciário de lá levar em conta as análises de software que ele mesmo solicitou.

e não é o caso de um único fabricante ter problemas: em minnesota, a CMI está toda enrolada com seu modelo intoxilyzer 5000 en, cujo software não quer submeter a uma análise independente para certificar se a coisa funciona como deveria e, se não, em que condições dá pau.

resumo? este é um caso bastante claro em que membros da sociedade podem incorrer em graves penalidades decididas, na prática, por um programa de computador. no brasil, se o bafômetro do policial à sua frente mostrar mais de 0,2g/l de álcool no sangue, você está em dificuldades. se a discussão que está rolando nos EUA tiver fundamento, deveríamos exigir uma verificação ampla, pública e transparente, ou de ampla aceitação pública, da funcionalidade e qualidade do software que é, de fato, o bafômetro, para melhorar as garantias de que não estamos sendo analisados por software defeituoso.

e isso é só parte do problema: hoje, é o software do bafômetro. amanhã, pode ser software em muitas outras coisas, tomando decisões sobre se você pode ou não trabalhar, ir ao parque, à escola, votar, procriar e por aí vai. eu e vocês todos vivemos em um mundo cada vez mais instrumentado por software; mas não é por isso que devemos, todos e pura e simplesmente, nos render a ele como se fosse um novo deus todo-poderoso. pois não é. e não deveria chegar a ser, nunca.

falando nisso, quais são as marcas dos bafômetros sendo utilizados no brasil e por quais testes, verificações e validações amplas, gerais e irrestritas eles passaram, em que condições? quantos dräger e CMI [além de outros com os mesmo tipos de problemas] estão nas ruas, por aqui?…

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

TICs em tempos de crise: pressa vs. desespero

Tags:, , , , , , - srlm às 07:00

o planeta está em recessão, as empresas estão apertando seus orçamentos e, sempre que isso acontece, a tendência é cortar no que se chama "áreas-meio", ou seja, tudo o que não está diretamente ligado às funções e operações que a empresa realiza para se manter viva, para sobreviver. e sobreviver em tempos de crise não é fácil.

e o danado é que, em tempos de economia da informação, onde "toda empresa é uma empresa de software" [frase de watts humphrey, autor de winning with software] e onde a infra-estrutura de informação e comunicação do negócio pode ser justamente o local onde sua sobrevivência será decidida, há quem comece os cortes por lá, porque, afinal… TICs é "’área meio". não, não é. faz tempo que não é. TICs [sigla para tecnologia da informação e comunicação] é parte essencial da estratégia e execução de qualquer negócio que tenha algum futuro, é o motor de qualquer tipo de empresa. pensar num negócio sem uso competente e estratégico de TICs, agora, é o mesmo que imaginar, trinta anos atrás, fábricas sem eletricidade, movidas a cavalos reais ou rodas d’água.

a mckinsey publicou recentemente um pequeno texto sobre estratégias para TICs em tempos de crise, e vale a pena ler, com calma, os pequenos recados que a grande casa de consultoria, baseada em sua larga experiência em crises anteriores a esta, nos dá. são só seis páginas, é gratuito [mas você tem que criar um login no site deles].

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o artigo se chama managing IT in a downturn e seu resumo é bem simples: 1) As the economic slowdown intensifies, companies are looking for ways to cut costs, and IT budgets are a prime target [cortes de custos, na crise, têm TICs como um dos primeiros alvos]; 2) Rather than implement across-the-board cuts, managers should take a more integrated view of how IT is used throughout the business [ao invés de cortes homogêneos, a gestão deveria entender como TICs são usadas em todo o negócio] e 3) Targeted IT investments can make operations more efficient and increase revenues, delivering returns larger than simple cost-cutting measures typically do [mesmo na crise, investimentos pontuais em TICs podem tornar o negócio mais eficiente, aumentar receitas e dar melhores resultados {e margens maiores} do que as medidas mais triviais de cortes de custos normalmente conseguem].

simples, quase trivial. mas dificilmente feito, na prática, porque as corporações, em tempos de crise, emburrecem muito. até porque as crises criam urgências e urgências exigem respostas rápidas. e uma resposta rápida, burra e fácil de implementar, sempre, é cortar homogeneamente, em todo lugar. sem se perguntar se, no meio da confusão, não seria melhor investir exatamente onde outros estão cortando.

mas, se a gente pensar bem, crises exigem pressa. e não desespero. desespero aprofunda a crise, quase sempre. e a diferença entre o apressado e o desesperado é que, apesar de ambos saírem correndo atrás de respostas na mesma velocidade, o apressado tem um plano.

mesmo que seu negócio seja uma bodega, farmácia, mercearia, apresse-se e vá ler o texto da mckinsey [entre outros]. se for um médio ou grande negócio, leia também. em qualquer caso, pense duas vezes antes de cortar justamente as raízes do seu negócio. porque, como já se disse aqui… toda empresa é uma empresa de software.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

guerra por talento: a convocação da embraer

Tags:, , , - srlm às 12:22

embraer-asa-180.jpgsegunda passada a gente falou de gente em TICs, no mercado americano, onde mesmo depois do naufrágio de alguns grandes bancos de investimento a perspectiva de mercado de trabalho para profissionais de TICs continua muito boa. falta gente e os salários estão subindo. segunda mesmo saiu um texto no K@W [Not What, Not How, but Who? Western Companies Face a Worldwide Talent Crunch] sobre as dificuldades que as companhias ocidentais -muitas delas vivendo em mercados de crescimento exponencial, como certos nichos de TICs- estão tendo para contratar gente, principalmente gente senior, líderes de projeto com dez ou mais anos de experiência.

jim hemerling, da consultoria BCG [de san francisco], diz que dois fatores estão por trás da "guerra" por talento: a "significant aging of the workforce in North America, Europe and Japan… shrinking the supply of experienced people in developed markets", e o crescimento das "rapidly developing economies, or RDEs, driving up demand".

segundo hemerling, um de seus principais clientes diz que… "We used to worry about what to do from a strategy standpoint. Then we worried about how – operations. Now, in addition to strategy and operations, we worry about who. Who is going to be there to get the work done? In fact, our biggest challenge is not what, it’s not how — it’s who." ou seja, a preocupação principal das empresas deixou de ser o que ou como fazer e passou a ser com quem fazer. não há gente.

e isso não é só no setor de TICs. e o que as companhais estão fazendo? além de rodar o mundo atrás de gente, contratando para si e terceirizando com outros, entraram no setor educacional e estão formando seu próprio pessoal. este é o caso de companhias tão diversas como motorola, na índia e embraer, no brasil. aqui, a empresa que já fabricou quase 5.000 aeronaves [que voam em quase 80 países] começou a formar engenheiros para si própria desde 2001, em um programa de especialização dirigido a engenheiros recém-formados. de lá pra cá, cerca de 1000 engenheiros entraram no programa de especialização da embraer, feito em parceria com o ITA, e todos os 850 que já terminaram foram imediatamente contratados. outros 150 estão no pipeline, no momento, para atender a demanda por projetistas e construtores de tudo que entra na fabricação, manutenção e evolução de uma aeronave, inclusive [e muito] software.

1_legacy_600_cockpit_baixa-400.jpg

se você está afim de trabalhar com aerodinâmica, estruturas, comandos de vôo, aviônica, engenharia elétrica e eletrônica, software embarcado… tá na hora de se inscrever no processo seletivo da especialização da embraer. só há lugar pros cem melhores, as inscrições já começaram e vão até nove de novembro. e boa sorte.

 

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