Terra Magazine

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

como é o mundo, tuitado

Tags:, , , , , , , - srlm às 07:00

o blog esteve comemorando o fim de 2011 desde a véspera do natal e está de volta com votos de um grande 2012 pra todos e todas, de todas as idades, cores, lugares e opções de vida. que 2012 seja o ano da diversidade e da aceitação das diferenças, mais até do que da tolerância. falando nisso, dados de 2011 mostram que estamos cada vez mais levando nossa vida pessoal, familiar e comunitária para as redes virtuais. e que precisamos nos tolerar e, porque não dizer, aceitar, mutuamente, cada vez mais.

pra começar, uns dados sobre twitter: sabia que @justinbieber tem mais de 16 milhões de seguidores e aparece em mais de 540 mil listas? bieber tem um milhão e meio de seguidores a menos do que @ladygaga, mas tuita 10 vezes mais e, por múltiplas razões, é a pessoa ou instituição de maior impacto global hoje [no twitter, claro]: cada um de seus tweets, como o mostrado abaixo…

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.. pode tornar qualquer hashtag uma tendência global, pois é replicado 5 milhões de vezes, em média. pra comparar, é mais de vinte vezes mais do que @barackobama, que tem 11.7 milhões de seguidores e busca fundos para sua tentativa de reeleição, como mostra o tweet abaixo.

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de certa forma, é fácil dizer que "não sabemos usar o twitter" e outras redes sociais, que poderiam "ter maior impacto na educação, cultura e economia", sem falar da "perda de tempo" com tanta trivialidade, como os 8.969 tweets por segundo sobre a gravidez de beyoncé [recorde histórico, contra 5.530 menções/segundo no tsunami do japão]. ocorre que, mutatis mutandis, twitter, facebook e outros são o papel, caneta, envelope e correio [ou poster e poste, parede ou porta] de nosso tempo. escrevemos muita coisa boa nos últimos séculos, mas quanta letra foi literalmente jogada fora para cada uma de joyce em ULYSSES? e quanto pôster foi apenas sujeira, comparado ao impacto do que lutero pregou à porta de wittenberg? moral da história? a existência da ferramenta [ambiente, tecnologia, métodos, processos, o que for] e seu potencial para o engrandecimento humano não garante que todos os que a ela têm acesso irão usá-la para os tais grandes e elevados fins. e ainda bem!… se tudo fosse levado a sério assim, de onde viria um hikakin? ele é o carinha no vídeo abaixo, beatboxing. talvez completamente inútil, mas divertidíssimo, na opinião de quase 17 milhões de "views"… vá ver!

hikaru kaihatsu, aka HIKAKIN, considerado um dos maiores beatboxers do mundo

Relógio

em dezembro de 2011 e janeiro de 2012, o blog publica [ao contrário da norma, aqui] bits: textos pequenos, bem mais frequentes, sobre nossa [mundana] vida digital. ao invés dos raciocínios estruturados e interligados de costume, vamos nos ater a TRÊS parágrafos, no máximo. boa leitura.

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terça-feira, 5 de abril de 2011

inovação é propósito

este post é mais um intervalo técnico para a série sobre educação empreendedora aqui do blog. antes deste texto, já foram publicados os "capítulos" 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15,16, 17, 18, 19, 20; depois, nenhum, ainda. simbora.

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[aviso aos navegantes: este texto é uma revisão de um outro, publicado neste link pelo autor em 2007; como o assunto está diretamente ligado ao texto de ontem aqui do blog, aqui vai a conversa, levemente reescrita.]

em 2005, a booz, allen & hamilton fez uma pesquisa pra descobrir o que os gastos em inovação das mil empresas que mais investem em pesquisa e desenvolvimento tinham a ver com seus resultados. a resposta, pouco surpreendente, é… nada. em suma, segundo um artigo de Nikos Mourkogiannis… …They found no significant correlation with any measures of corporate success. None. Not profits, not revenues, not growth or shareholder returns. In other words, the simple decision to invest in innovation is not enough. How you invest, and especially how innovation serves a larger purpose, determines the value of your investment.

derramar recursos em pesquisa e desenvolvimento, ou "ciência e tecnologia", como se costuma dizer na periferia, seja no âmbito das empresas ou de países ou estados, resulta em… nada. ou muito pouco. e em muito pouca geração e agregação de valor.

ampliando o foco, o brasil e gosta de comemorar o maior número de papers publicados, quase todos pelas universidades, onde residem nove entre cada 10 pesquisadores, como se paper fosse resultado. a aumentada relevância internacional da produção científica brasileira tem muito pouca importância na vida real dos negócios e na melhoria de sua competitividade. ao invés de festejar mais papers, talvez desse muito mais resultado planejar e induzir agendas de inovação, destinadas a mudar comportamento de produtores e consumidores de tecnologia, processos, produtos e modelos de negócio, no mercado, com ou sem papers e títulos acadêmicos a sustentá-los.

o gráfico abaixo mostra onde estamos hoje, investindo tanto quanto a rússia, como porcentagem do PIB, mas com menos de 1/5 dos pesquisadores per capita deles. também investimos tanto quanto itália e espanha. não é pouco dinheiro não. olhe onde estão china e índia, os outros dois BRICs. a china já é o segundo maior investidor global. e observe israel, taiwan e coréia do sul: nestes tres, as agendas de investimento em pesquisa e desenvolvimento são bem mais direcionadas por esforços de inovação, com os resultados que conhecemos no mercado mundial, inclusive aqui.

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é claro que ninguém pode nem está a desmerecer o papel dos mecanismos de geração de conhecimento para o avanço da humanidade, direcionados pela necessidade individual e coletiva de saber mais sobre tudo ao nosso redor. mas -desde sempre- os recursos para se fazer qualquer coisa são limitados, ainda mais por aqui e, em tempos de ajuste de contas, em qualquer lugar. mourkogiannis, por essa e outras razões, é ferrenho defensor da busca do propósito no esforço de inovação, o que deveria ser feito no topo dos espaços mentais [conversações... veja o autor tem a dizer sobre o assunto aqui] classicamente considerados na inovação.

inovação envolve pelo menos três entendimentos: das tecnologias [e processos, métodos...], dos consumidores [existentes ou potenciais] e da competição [idem]. mas combinar tecnologias inovadoras, descobrir universos de consumidores e enfrentar a competição pode resultar em… nada. se não houver propósito. masaru ibuka, ao fundar a Sony, tinha idéias muito claras sobre o propósito de seu futuro negócio: “…to establish a place of work where engineers can feel the joy of technological innovation, be aware of their mission to society and work to their heart’s content”. o propósito da sony, claro, é a descoberta… o que fez a companhia ter ganhos reais de 10%a.a. entre 1967 e 1999.

segundo mourkogiannis, os propósitos podem ser classificados em quatro categorias: descoberta [como na sony], altruísmo [como no wal-mart, preços baixos para todos], excelência [berkshire hathaway, de warren buffet, desde o princípio comprometido a construir a melhor rede de investimentos do planeta] e heroísmo [dos primórdios da ford, cujo propósito era democratizar o acesso ao automóvel].

ter propósito não significa, por si só, maior possibilidade de obter resultados. propósitos individuais ou parcialmente compartilhados pela comunidade que se busca atingir [sua empresa, seus sócios fundadores ou, no caso de políticas públicas, todos os parceiros em todos os setores] pode inclusive aumentar a chance de fracasso de práticas [nas empresas] e políticas [no setor público] de inovação. o ponto de partida de qualquer processo, proposta ou política de inovação é combinar, com tantos quantos forem os possíveis atores, o que se quer atingir e fazê-lo de forma dinâmica, interativa e continuada. pois o mundo muda e muda muito rápido.

falando de propósito e de políticas de inovação no setor público, é preciso, quase que necessariamente combinar as quatro vertentes de mourkogiannis: o planejador [público] de inovação pública tem que estar dotado dos propósitos de heroísmo [para mudar o mundo ao seu redor], altruísmo [para estar pensando no bem comum], excelência [para fazer nada menos do que o melhor para sua comunidade] e descoberta [para promover verdadeiros avanços nas empresas e entidades sob seu cuidado]. sem descuidar, claro, de nenhum dos quadrantes da figura abaixo… discutida neste link.

Visão Integral para o seu propósito na vida.

por isso que o trabalho e difícil, pra não dizer quase impossível, pois tudo isso é para se ter e ser feito ao mesmo tempo. principalmente em lugares que estão quase sempre perdendo as janelas da história como o brasil. no meu entender, é algo que só pode ser feito por alguém que se divirta, de maneira fundamental, com as dificuldades do encargo e que esteja [e seja] desprovido de qualquer tipo de preconceito contra quem ou o que quer que seja. o mesmo, por sinal, vale para quem quiser viver pensando em inovação nas empresas.

noutra hora, discutiremos como propósito pode ser uma alavanca essencial para seu negócio, startup ou vida pessoal fazer sentido e ter uma chance bem maior de sucesso. o que não tem nada a ver, por sinal, com fluxo de caixa e outras medidas cartesianas usadas nos negócios "comuns", que não inovam… e que –por isso mesmo- não vão sobreviver.

[para ler o paper de nikos mourkogiannis na íntegra, pegue o .pdf aqui.]

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

pesquisa, desenvolvimento e resultados: conexões?…

este post é uma espécie de intervalo técnico para a série sobre educação empreendedora aqui do blog. antes deste texto, já foram publicados os "capítulos" 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15,16, 17, 18 e 19; depois, nenhum, ainda. simbora.

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somando os recursos públicos com os da iniciativa privada, o brasil gastou 1,57% de seu produto interno bruto de 2009 em ciência e tecnologia, segundo dados do governo. em reais de 2009, os gastos da década são mostrados abaixo.

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como se vê, tanto os gastos privados como públicos cresceram em valor de forma acentuada desde 2005, e isso correspondeu a um aumento, em termos de percentual de PIB, de mais de 20%.

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ainda não temos os dados para 2010, que pode ter sido tão bom quanto 2009, mas já sabemos que –pelo menos do lado dos financiamentos públicos- 2011 será pior, pois o orçamento do ministério de ciência e tecnologia sofreu um corte de R$1,7 bilhões e não se sabe de onde poderiam vir as compensações que manteriam o investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento pelo menos igual ao de 2010, que podemos supor ser da mesma ordem de 2009.

quando se diminui o investimento público em ciência e tecnologia, vem à tona a idéia de que as empresas deveriam investir mais em "pesquisa", como se diz na linguagem dos cientistas.

mas, mesmo em países em que as empresas têm tradição em investir em seus laboratórios, os cortes federais em tempos de crise [como é o caso do desencontro entre compromissos e receitas do governo federal, que tem causa conhecida...] a coisa não é tão simples: na crise européia, o governo inglês detonou parte do orçamento nacional para pesquisa e as empresas e fundações disseram que

The private sector spends around £13bn a year on R&D in the UK, and a significant portion is spent in partnership with universities to fund basic science or to turn ideas into commercial products. But all that investment is dependent on a strong, publicly funded university system…

…boa parte da produtividade dos recursos empresariais destinados a C&T depende do vigor de um sistema universitário de qualidade como eles têm por lá, financiado por recursos públicos. o que as empresas querem dizer, talvez, é o mesmo que constata esta notícia sobre os investimentos das empresas de tecnologias de informação e comunicação nos seus laboratórios.

se o brasil investe menos de 2% do PIB em C&T, sabe quanto investe a microsoft em pesquisa e desenvolvimento? 13,9% de seu faturamento. a nokia? ainda mais: 14,4%. e google? 12,8%. o que os investimentos da microsoft e nokia têm em comum? nenhuma conexão com a participação das empresas no mercado; as duas vêm perdendo compradores, clientes e usuários há anos, mais notadamente a nokia. e google? não há nenhum resultado prático dos bilhões de dólares que a empresa investe anualmente em pesquisa que esteja, hoje, em qualquer linha de receita.

enquanto isso, sabe quanto a apple investe? 2,9% de sua receita. em ciência e tecnologia? nenhum centavo. a apple investe em inovação e desenvolvimento de produtos. comparando, a microsoft gastou mais em pesquisa em 2010 do que a apple em inovação toda a década passada. agora compare as ações de AAPL, MSFT e GOOG no gráfico abaixo e se pergunte em posse de qual delas você queria estar…

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empresas podem fazer ciência, pensada como o avanço do conhecimento, sem restrições? sim, em certos casos talvez até devam, se isso estiver alinhado com sua estratégia de inovação [no caso, de longo prazo].

empresas têm que desenvolver tecnologia? sim, se forem intensivas em tecnologia [e não só de informação e comunicação], é muito provável que não haja como levar certos produtos ao mercado a não ser com um boa dose de investimento próprio em desenvolvimento tecnológico.

mas o que empresas têm mesmo que fazer para sobreviver e, fazendo isso, agregar valor à sua rede de compradores, clientes e usuários e, por causa disso, ao acionista, é desenvolver produtos e serviços que atendam, de forma competitiva e sustentada, demandas do mercado. às vezes demandas que o mercado –e cada indivíduo- nem sabe que tem. afinal de contas, quantos dos milhões de usuários de hoje usuários estavam na porta da apple pedindo, exigindo que ela desenvolvesse um iPad?… bem antes dele aparecer?…

CEOs must be designers, já dizia muito apropriadamente bruce nussbaum, numa escola de design em londres:

I think managers have to BECOME designers, not just hire them. I think CEOs have to embrace design thinking, not just hire someone who gets it. I think many business schools have to merge with design schools, not just play poke and tickle with them.

vá ler o texto de nussbaum. faz todo o sentido do mundo e se aplica, linha por linha, à nossa discussão.

microsoft, nokia e google parecem não ter aprendido nada com o palo alto research center, ou PARC, um dos maiores, mais criativos e mais caros laboratórios de todos os tempos. muitas das tecnologias desenvolvidas no PARC só chegaram ao mercado através de empreendedores que deixaram a empresa e criaram seus próprios startups, como descrito neste artigo.

qual era o problema, no PARC? um monte de gente muito competente, uma montanha –quase infinita- de recursos, oriundos de uma companhia à época muito lucrativa, muito pouca agenda e quase nenhum design de que tipos de problemas e nichos de mercado deveriam ser atacados, explorados ou resolvidos. resultado? PARC deu uma contribuição muito menor do que poderia dar à empresa e, em último caso, muito do que foi investido por lá serviu de semente para a criação de muitas das empresas que tornaram a própria xerox obsoleta.

mãe de todas as tecnologias que criaram as interfaces que usamos na informática mundial, a xerox vale 1/14 da microsoft e 1/21 da apple. aliás, foi numa visita a PARC, em 1979, que steve jobs descobriu o mouse, ícones, janelas e muitas outras das coisas que o laboratório havia inventado a para os quais a xerox não tinha nada em mente. steve, hoje sabemos, tinha.

antes que você vá lá nos comentários dizer que empresas não são países, não é isso que estamos dizendo neste artigo. estamos tentando fazer ver que são as visões, os grandes desenhos de cenários competitivos [ou de resolução de problemas] que criam as agendas de sucesso para o desenvolvimento científico e tecnológico. nos negócios e nos países. parte da indústria de informática que conhecemos hoje surgiu da do desejo americano de ir à  lua; outra parte, do desejo de –e consequente desenho para- criar uma rede de comunicação de dados resistente a tentativas de aniquilação nuclear.

estes desejos eram desenhos –designs, como pode e deve ser o caso de qualquer esforço, nacional ou empresarial, que vá resultar em investimento de unidades, dezenas ou centenas de bilhões de qualquer moeda mundial em conhecimento e suas aplicações.

tais desenhos são passíveis de serem tratados em termos de processos, como o mostrado na figura abaixo. e tal tratamento cria, na maioria das vezes deliberadamente, problemas que levam à descoberta de conhecimento novo, ao avanço da ciência [que às vezes se convenciona chamar de básica], dentro de um contexto que, no caso das nações, está ligado às grandes estratégias nacionais e, no caso das empresas de todos os portes, à sobrevivência.

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mas você é um cientista [no jargão da academia, você faz "pesquisa básica"] e perguntaria: "e a minha liberdade de fazer o que quiser, para descobrir novas fronteiras… e a quantidade de coisas, a partir de tais buscas pessoais por novas fronteiras e fundamentos, que acabou no mercado, revolucionando o mundo e a vida"?…

fique tranquilo, sua liberdade está garantida. se você trabalha mesmo com fundamentos, saiba que só uns poucos por cento de todos os cientistas do planeta são como você e que qualquer sistema de financiamento à ciência, tecnologia e inovação do porte do brasileiro vai levar suas competências e características em conta e nunca lhe irão faltar os meios para realizar seu trabalho.

o danado é que, sob uma capa de estar trabalhando em "ciência", há um grande número de acadêmicos trabalhando em "tecnologia sem cliente", fugindo à sua responsabilidade de atacar problemas de mercado talvez porque complexos ou talvez porque, no recôndito do laboratório, seja mais fácil e efetivo manter aquele fluxo de publicação de trabalhos científicos que lhe garante os galardões e mais acesso a financiamentos para fazer ainda mais "tecnologia sem cliente".

se sua empresa está tentando interagir com a universidade e está achando muito difícil, talvez a principal razão seja a dificuldade de mudar as agendas de pesquisadores que estão [re]descobrindo "tecnologias sem cliente", em função de um sistema de reconhecimento e mérito que quase só mede, como performance acadêmica, publicações por unidade de tempo.

o que nos falta, como país? seria um design? talvez o mesmo design que falte a empresas como nokia, microsoft e google, do ponto de vista da interação entre o que se gasta em ciência e tecnologia e o resultado no mercado?

olhe só o que aconteceu nos últimos dez anos das exportações brasileiras, segundo dados oficiais. a exportação de manufaturados caiu 30% na década. e isso na década em que aumentamos 60% os recursos para ciência e tecnologia… o que, pelo menos em parte, deveria resultar em mais e melhores resultados de pesquisa e desenvolvimento tecnológico que deveriam se tornar inovação, no mercado. internacional, inclusive.

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mas não foi isso que aconteceu… muito pelo contrário. somos cada vez mais exportadores de commodities e, mesmo nos setores industriais, diminuiu a intensidade de média e alta tecnologia nas exportações.

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e o número de empresas que exportaram em 2010 é só marginalmente superior ao de 2001, e mais de 2.500 empresas abaixo do pico de 2004.

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ah… você diria, isso não tem nada a ver com C&T e suas consequências para inovação, estamos falando de câmbio e das mais variadas facetas do custo brasil. sim, estamos falando de câmbio e custos do brasil, e isso é parte do grande design.

o que quer dizer que mesmo havendo muito mais foco [na forma de uma agenda bem definida, como a inglaterra está tentando] no investimento em ciência e tecnologia e um conjunto simples e efetivo de incentivos para inovar, se não houver num posicionamento de mercado que demande tais resultados como parte de uma plataforma [de empresa, região, país] de diferenciação e competitividade no mercado… mais recursos em C&T não irão resultar, necessariamente, em mais receitas, resultados e lucros.

ou, no caso de um país, e no nosso foco em educação empreendedora, na criação e desenvolvimento sustentado de um número bem maior de novos negócios inovadores de crescimento empreendedor que tenham presença significativa no mercado nacional e internacional.

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domingo, 25 de outubro de 2009

bbc, click, tokyo, cyberdyne e… HAL [e XOS]

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a galera do programa click, da bbc inglesa, esteve andando por tokyo recentemente e produziu um vídeo de quase seis minutos, cujo resumo é… gente, muita gente, trens e metrô, e-wallets [carteiras eletrônicas] para pagar tudo, akihabara [e como a santa efigênia é de brincadeira], games, hordas de jogadores de dragonQuest nos nintendo ds, ambientes hi-tech para doação de sangue e… idosos, muito idosos e muitos idosos e a cyberdyne [de verdade].

a cyberdyne [de brincadeira] é a companhia que, na ficção, domina o planeta com a skynet e constrói os robôs terminator, popularizados nos filmes de schwarznegger. no cinema, a companhia é a mais pura e simples encarnação do fim do mundo.

image na vida real, o estranho senso de humor japonês batizou com o mesmo nome uma empresa que vai fabricar um robô de vestir, HAL [hybrid assistive limb], ou membros híbridos assistidos. a coisa é um exoesqueleto inteligente capaz de [veja figuras ao lado] auxiliar o movimento de quem o veste, mais ou menos assim…

1] quando tentamos nos movimentar, o cérebro envia estímulos elétricos aos músculos; como resultado, sinais bioelétricos muito fracos aparecem na pele;

2] para HAL funcionar, sensores bioelétricos colados à pele capturam os sinais enviados pelo cérebro aos músculos;

image3] estes sinais são enviados aos sistemas computacionais de HAL, que interpretam o movimento se deseja fazer e qual sua intensidade;

4] em sequência, sinais de controle são enviados para as partes desejadas do exoesqueleto, determinando que movimento deve ser feito e qual o torque a ser usado;

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5] em função disso, as unidades de potência geram o torque necessário e põem o exoesqueleto em movimento;

6] toda esta sequência de ações se dá em frações de segundo e, segundo os proponentes da “máquina”, vai resultar em um conjunto de movimentos muito natural.

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HAL tem um vasto banco de dados de sinais bioelétricos e seus possíveis encadeamentos e isso o torna, em tese, capaz de responder aos estímulos cerebrais com a naturalidade desejadas pelos seus projetistas e construtores.

se não é possível capturar sinais bioelétricos, o que pode ser o caso em algumas circunstâncias, o exoesqueleto pode ser dirigido por um controle remoto, o que certamente torna o processo muito mais complexo, mas oferece uma alternativa para casos muito mais difíceis do que idosos com problemas de mobilidade.

as tecnologias por trás de HAL vêm sendo desenvolvidas há muito tempo pelos laboratórios do prof. yoshiyuki sankai, na universidade de tsukuba, e podem ser um grande passo na assistência a pessoas com problemas de mobilidade causados por condições de idade ou acidentes.

mas o mesmo tipo de tecnologia, que está sendo desenvolvido em várias partes do planeta, muitas delas bem menos pacíficas do que o [atual] japão, pode ser usado para bem mais do que auxiliar idosos a se movimentar.

este é o caso de XOS, um exoesqueleto de uso militar que está sendo desenvolvido pela raytheon para o governo dos EUA e que pode ser visto em ação neste vídeo aqui.

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os dois projetos são candidatos a se tornarem inovações radicais, capazes de mudar a vida de seus usuários. alguns vão poder voltar andar. outros vão poder andar muito mais, por muito mais tempo, carregados de armas e munições. resultados de HAL certamente servirão de base para projetos militares e tecnologias oriundas de XOS serão vistas em produtos parecidos com HAL. a tecnologia, por si própria, não tem moral ou caráter. vai caber a quem a usa decidir o que fazer com ela. como sempre, desde sempre.

vamos esperar que nenhum dos projetos seja a base para transformar a cyberdyne de hoje na de amanhã…

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

a grande troca de guarda

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a intel acaba de anunciar que craig barrett deve se aposentar como chairman of the board da empresa que lidera o mercado mundial de CPUs e muitos outros componentes fundamentais para a construção de sistemas digitais. barrett, 69, é creditado por muitos como tendo sido o engenheiro que realmente "construiu" a intel como a conhecemos hoje.

se listarmos uma comissão de frente das empresas de tecnologias de informação e comunicação e serviços correlatos mais importantes do planeta, além da intel, certamente estariam a microsoft, amazon, google, yahoo, eBay, apple, ibm, cisco, oracle e mais uma dúzia. entre as que estão aí desde o começo da internet e que afetam diretamente os usuários normais, a lista é bem menor: intel, apple, microsoft, google, eBay, amazon e yahoo.

do começo de 2008 pra cá, sairam de cena os lideres da microsoft [bill gates foi tocar sua fundação, dedicada aos mais pobres e sua saúde], eBay [meg whitman está pensando em ser governadora da califórnia], intel [barrett deve continuar como presidente da U.N. Global Alliance for Information and Communications Technology and Development] e apple [steve jobs está de licença para tratamento de saúde e muitos duvidam que ele volte à empresa]. jerry yang, como se sabe, foi meio que demitido de yahoo e, ao contrário das outras empresas desta lista, não há muita gente apostando que a companhia vai rever sua antiga glória. pena.

continuam no lugar os CEOs de google, eric schmidt, que não vai aceitar nenhum cargo no governo dos EUA, muito menos o de CTO, e da amazon, jeff bezos, que está muito bem e confiante [desde sempre] na próxima geração dos serviços de internet. são os últimos representantes da velha guarda da internet, os últimos CEOs, ainda em atividade, da primeira onda das companhias de rede.

o pico atual é das companhias de redes sociais, mas quase ninguém ainda sabe quem está por trás delas… esta ainda é uma aventura a ser escrita.

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sábado, 27 de dezembro de 2008

o que é -em qualquer lugar- um blog “subversivo”?

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vietnam arroz trabalhad@r o ministério da informação e comunicação do vietnã, que ainda está nos mesmos tempos do antigo departamento de imprensa e propaganda do governo vargas do brasil do século XVIII [e isso quando o "pai dos pobres" era ditador por aqui no fim da década de 1930...], resolveu dar um basta em todos os blogs que considera "subversivos". aqui no brasil, mesmo depois da ditadura vargas, a gente sabe muito bem no que isso pode dar: nunca se soube de ninguém que tinha vocação [e emprego federal] de censor e era, pelo menos, um ser humano razoável. parece que se trata de função destinada à escória da humanidade, preparada para sua pior e mais violenta performance sob as asas e por detrás das cortinas escuras do poder.

mas vamos voltar para o século XXI. o que é que não é um blog "subversivo", no vietnã? primeiro, por definição, você deve estar facilitando a conectividade e o compartilhamento de informação. segundo, deve seguir as leis e tradições do país; nada, portanto, de publicar qualquer coisa que afete a moral e os bons costumes [dos censores e ofendidos em geral]. depois, nada de falar mal do estado e seus oficiais, da segurança nacional e nem pensar em discutir a economia do país. no topo disso, trate de escrever em vietnamita claro e íntegro. nada de, por exemplo, começar frases com letras minúsculas [se fosse em português...].

este blog, claro, estaria na lista negra do vietnã. a começar pelas minúsculas no começo das sentenças, que muitos ex-leitores não toleram e que a gente -renitentemente…- insiste em continuar usando. na verdade, os únicos blogs que escapariam à censura do vietnã seriam os verdadeiros e originais personal web logs, diários pessoais online sobre sua casa, o chuveiro e a chuva [sem falar em enchentes, certamente obra da subversão e da oposição ao poder estabelecido], as flores da primavera, seu cachorro, a passagem do vendedor de cuscuz e quetais. deve ser um saco escrever um blog no vietnã. ou, por outro lado, um risco.

o vietnã faz parte de uma lista de QUINZE países que são tratados, pelo reporters sans frontières, como "inimigos da internet": Belarus, Burma, China, Cuba, Egypt, Ethiopia, Iran, North Korea, Saudi Arabia, Syria, Tunisia, Turkmenistan, Uzbekistan, o próprio Vietnã and Zimbabwe... governado por ninguém menos que robert mugabe, o ditador senil que declarou, recentemente, que "zimbabwe é meu, dane-se o mundo". bela companhia. e isso sem falar nos outros ONZE países que estão em "estado de observação": Bahrain, Eritrea, Gambia, Jordan, Libya, Malaysia, Sri Lanka, Tajikistan, Thailand, United Arab Emirates and Yemen. tudo gente, como se vê, muito fina…. ma non troppo.

aqui na américa latina até que não estamos tão mal; nos 26 países que tentam controlar a internet em seu território e perseguem blogueiros [e jornalistas e gente do povo...] somente cuba está perto de nós. tomara que seja por pouco, muito pouco tempo.

enquanto isso, vamos ver se continuamos, pelo menos por aqui, escrevendo e publicando um blog tão "subversivo" quanto possível…

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sexta-feira, 30 de maio de 2008

blog de infra nova

Tags:, - srlm às 16:34

a partir de hoje, este blog está rodando sobre wordpress, uma das melhores plataformas de publicação do mundo. a infra é nova, a cara e o conteúdo são os mesmos. mas estamos nos ajustes. pedimos paciência por alguns dias… qualquer pau que der, por favor descontem. do lado de cá, estamos fazendo todo o possível para uma transição suave.

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